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terça-feira, 3 de julho de 2012

Crise? Mas que crise...

Os contratos de parecerística, assessoria e prestação de serviços continuam a bom ritmo na administração pública. A última leva de sangria nos cofres públicos está aqui documentada. Ninguém parece ter vergonha em doses mínimas.  A despesa vai onde vai, a austeridade vem aí em doses reforçadas, mas as instituições públicas, a maioria delas providas de juristas contratados para o efeito, preferem ajustar com as firmas do costume os serviços jurídicos de que carecem para resolver os problemas que engendram. À mais deliciosa do mês, com a firma do costume,  acede-se assim:
Sérvulo & Associados. Contrato de Prestação de serviços de acessoria jurídica
O presente contrato tem por objeto a prestação dos serviços de assessoria jurídica. 
Fica por se saber para que servem os juristas contratados " para o quadro" em concursos rigorosos e exigentes e  com a justificação de sempre: prestarem o serviço público exigido. A maioria deles têm a qualificação profissional de qualquer um dos assalariados das tais firmas privadas e não se percebe por isso mesmo a razão de as chefias dos serviços públicos continuarem a prover às necessidades das firmas de advocacia do regime, como se de obrigações singulares se tratasse e da mais perfeita normalidade democrática.
Além disso, figura pública que se preze ou magistrado de topo que se tope procura colocar os seus ilustres rebentos que optaram pela profissão dos pais, no seio das firmas maiores dessa rede. In illo tempore, magistrado de topo que se prezasse não interferia e sentiria desconforto em casos que tais. Agora? O tempore! O mores! Seria interessante enunciar as figuras cimeiras dos tribunais portugueses com filhos juristas e saber onde estão colocados. A gente começa a pensar neste, naquele, naqueloutro e sabendo onde estão os rebentos fica a matutar como é que estas coincidências de contactos se verificam e como é que tal sucedeu.
Há cerca de vinte anos, ou menos ainda que isto começou e o panorama, a meu ver,  é de estarrecer ou de maravilhar pela profusão de tanta categoria pessoal e  competência profissional de achas que saem à racha ou de marias à sua mãe.
Os filhos de peixe que sabem nadar já são cardume. E os pescadores sempre os do costume: os que têm alvará de pesca assegurado pelas instituições públicas.
Seria interessante saber o que seria destas firmas se não existisse a avença pública, o serviço pago pela tença e a rede de influências para adjudicar em nome de todos os que contribuem para o orçamento do Estado, sempre na maior e mais perfeita legalidade.

Poderá isto constituir um pathos de corrupção semelhante àquele sempre denunciado em modo deletério pelos paulos morais e marias josés morgados, como já tenho escrito por aqui?
Não tenho a menor dúvida pelo que as críticas que lhes enderecei sobre mim caem, mas o tema, pelo menos, é novo. Ninguém de especial, nos media, se preocupou com este assunto, deste modo, ainda. No entanto, o tema é candente e precisa de exposição. Há evidentemente joio no meio de trigo, sendo delicado misturar nomes avulsos, pelo perigo de injustiças e até de ofensas à honra,  mas competiria aos media escrutinar devidamente porque o assunto é de interesse público, lida com a res publica e é o exemplo mais flagrante dos "sistemas de contactos".
Mas como lidarão os media se nem sequer se dão conta do problema? Parafraseando o outro, se não sabem porque iriam perguntar?
Isso para não incluir os ricardos costas e quejandos cujo tema os aborrece, naturalmente. A corrida deles não é nestas pistas. É sempre ao lado de quem ganha...

1 comentário:

Floribundus disse...

os contribuintes qu paguem a crise.
swmpre os mesmos a comerem-nos o salário deesde 95