sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Mário Soares, o coitadinho vitimizado.

Há agora um sítio no Sapo, chamado Polígrafo que pretende sindicar alguns factos que podem não ser o que aparentam e portanto serem falsos ou verdadeiros ou então equívocos e mesmo dúbios. O Polígrafo destina-se a averiguar tais factos e a dizer o que está direito ou errado nas questões. A iniciativa é meritória mas instalou-se no sítio um gato, escondido e que por vezes mostra o rabo, de fora.  Hoje foi um desses dias.

No sítio indaga-se o facto de saber se  "Em Londres, Mário Soares pisou, cuspiu ou queimou a bandeira nacional em 1973".  A conclusão da investigação não deixa lugar a dúvidas: Mário Soares não pisou nem cuspiu ou mesmo queimou a bandeira portuguesa, em Londres, em 1973, quando Marcello Caetano lá foi.

Mas há mais coisas a mencionar nessa história que merecem relevo e que o sítio não conta, mostrando assim o rabo do gato que por lá anda e que se denuncia por esta frase final do autor da investigação, Gustavo Sampaio, aluno bem educado nas madrassas do politicamente correcto da esquerda marxista ( como teria emprego se o não fosse? Isso é que gostava de saber para responder a uma pergunta imaginária: os jornalistas de media com participação pública são escolhidos também em função de ideologia? ) : "A PIDE era useira e vezeira em inventar este tipo de fake news, mas também não sei se tem responsabilidades na divulgação desta história. Não me admiraria." . 


O que o sítio não conta e devia contar é o contexto em que a manifestação em Londres, ocorreu e porque é que Mário Soares lá foi para protestar contra o regime de Marcello Caetano. 

Aqui já se contou a história toda , com fotos e tudo e Mário Soares não sai bem nas fotografias. Soares foi a Londres apoiar manifestações esquerdistas, organizadas pela esquerda local do Labour, na altura em que se celebrava um acontecimento histórico da Pátria portuguesa, os seiscentos anos da Aliança  portuguesa com os ingleses: 

No dia 5 de Junho de 1973 o príncipe Filipe de Inglaterra estava em Portugal para uma visita oficial, representando a Inglaterra, nosso maior aliado, desde o séc XIV. A comemoração dos 600 anos da alianca ( 16 de Junho de 1373, foi a data do primeiro tratado, ratificado em 1435 e com novo tratado em 1703) foi o motivo da visita, com todas as honras da casa.

Em meados de Julho desse ano, Marcello Caetano foi a Londres e foi recebido de modo diferente. Tão diferente que a revista Observador de 20 de Julho desse ano contava assim o sucedido.

Portanto a atitude de Mário Soares, inteiramente movido por interesses político-ideológicos e partidários, foi no mínimo vergonhosa e anti-patriótica, diga-se o que se disser sobre o fassismo e coisas que tais.

Pisar ou cuspir na bandeira, "republicana" ou maçónica, tanto faz, nesse contexto. Seria apenas um símbolo do desprezo a que Mário Soares votou o acontecimento histórico e se mostrou indigno de uma figura de Estado que depois veio a ser.  Nessa altura foi apenas um merdas.

E voltou-o a ser quando já era uma figura de Estado, o que prova que nunca o deixou de ser, efectivamente. 

A história conta-se aqui e contextualiza-se também, para que os Polígrafos de matriz esquerdista aprendam: 

Em 1977 o semanário de direita ressabiada, A Rua,  dirigido por Manuel Múrias, publicou um panfleto, assim: 


Mário Soares alguma vez terá dito, expressamente que os "portugueses do Ultramar" deveriam ser atirados aos tubarões? Explicitamente, não.  No entanto, desdobrou-se em entrevistas, logo em 1974 a propósito da situação em Angola e noutros territórios que ainda eram nossos e foram entregues quase de mão beijada aos antigos terroristas que ainda então combatíamos e por isso eram nossos inimigos. Inimigos de Portugal, da Pátria, note-se. 

Na altura escrevi assim:

Pode ser que a fonte da Rua esteja inquinada e a tirada fatal sobre os tubarões seja falsa e provinda da propaganda "fascista", como é hábito dos antifassistas atribuir àquilo que lhes foge do controlo e não lhes agrada nada. Pode ser. Mas também pode não ser.
A única maneira de saber é perguntar-lhe e indagar as fontes originais, designadamente ouvir o relator do episódio ( se ainda for vivo) publicar a crónica do Jornal de São Paulo onde tal menção se fez e ouvir testemunhas que possam confirmar o facto. É para isto que servem os inquéritos, porque os crimes contra a Humanidade, ou seja, os apelos ao genocídio sérios e ponderados, devem ser investigados. Principalmente vindos de um indivíduo que anda por aí a vociferar contra qualquer coisa que não o deixe mandar outra vez e até apela a revolta armada para depor um poder legítimo, tendo a sorte de ninguém ligar a esse crime público de incitamento à violência.
Sorte é um modo de dizer. Se fosse um fassista já tinha um inquérito em cima, uma acusação planeada e uma condenação de preceito como antes nos tais "plenários"
.

Para concluir a sua indagação sumária, Gustavo Sampaio escreveu uma aleivosia digna de indagação pelo próprio Polígrafo, a de que  "A PIDE era useira e vezeira em inventar este tipo de fake news, mas também não sei se tem responsabilidades na divulgação desta história. Não me admiraria." . 

[ Tenho de confessar, envergonhado, que meti a pata na poça neste julgamento sumário dos méritos do jornalista Gustavo Sampaio. Ceguei-me pela referência acéfala à PIDE que afinal nem é dele, mas de Joaquim Vieira, esse sim, o esquerdista reciclado que também meritoriamente já fez um bom trabalho de recuperação de memórias antigas, embora por vezes enviesadas nas interpretações de retratos.

Gustavo Sampaio, afinal é um jornalista que já mereceu aqui mesmo encómios pelo trabalho desenvolvido em dois livros- Os Facilitadores e os Privilegiados-e que por isso merece inteiramente desculpas pela minha precipitação e preconceito errado. Envergonho-me da falta de memória...ahahaha. Mas quanto a determinados assuntos continua a valer este entendimento que já conta quase dez anos, da velha raposa, então ainda lúcida:

Mário Soares: [...] E realmente isso mostra que há aí um conúbio... nem é com os jornalistas em si, mas com os directores. Uma das coisas que sucedeu é que formar um jornal, que era fácil logo a seguir ao 25 de Abril, não era difícil, formava-se um jornal, quatro jornalistas e tal, o papel, tudo aquilo era fácil de conseguir. Pois bem, agora um jornal, não há! Uma pessoa não pode formar um jornal, precisa de milhares de contos para formar hoje um jornal e, então, para uma rádio ou uma televisão, muito mais. Quer dizer, toda a concentração da comunicação social foi feita e está na mão de meia dúzia de pessoas, não mais do que meia dúzia de pessoas.

Fátima Campos Ferreira: Grupos económicos, é?

Mário Soares: Grupos económicos, claro, grupos económicos. Bem, e isso é complicado, porque os jornalistas têm medo. Os jornalistas fazem o que lhes mandam, duma maneira geral. Não quer dizer que não haja muitas excepções e honrosas mas, a verdade é que fazem o que lhes mandam, porque sabem que se não fizerem aquilo que lhe mandam, por uma razão ou por outra, são despedidos, e não têm depois para onde ir. É difícil, porque há muito pouca... é por isso que nós vimos muitos jornalistas, dos mais notáveis que apareceram depois do 25 de Abril, já deixaram de ser jornalistas. Fazem outras coisas, são professores de jornalismo, são professores de outras coisas. Bem, há aqui portanto um conúbio.

Fátima Campos Ferreira: Sr. Dr., mas então onde fica aí a liberdade de expressão?

Mário Soares: Ah, fica mal, fica mal, como nós sabemos.



Mas...com esta dos tubarões também terá sido a Pide? Mais matéria para o Polígrafo indagar...

Sem comentários:

O verdadeiro super-juiz