domingo, 6 de janeiro de 2019

O caciquismo ideológico e censório do Público

Editorial de hoje, no Público, seguido do artigo de opinião do primeiro director do jornal: tudo nos conformes da censura clara explícita e sem qualquer pudor. Estes democratas denunciam-se sem grande pruridos, porque o ambiente continua a ser-lhes amplamente favorável. Mandam na democracia e são eles quem fixa os limites do politicamente correcto:





Esta mentalidade censória não é de agora. Aliás é inerente a esta democracia porque um dos patrícios fundadores da ideologia reinante, um dos pais da classe política que temos, Almeida Santos, que fora um democrata da advocacia de negócios em Moçambique quando era colono e depois se tornou legislador do regime nascente, já o tinha afirmado há cerca de 40 anos: "devemos ser tolerantes mas não temos de ser parvos". Ou seja, tinha uns princípios mas facilmente os mudaria se lhes pusessem a vidinha em causa.

Na altura ( 14.5.2014) antes do obituário  , escrevi assim:

Explica o Sombra que as primeiras leis da Democracia têm o seu vinco pessoal, com o imprimatur da Maçonaria ( isto não disse, mas devia dizer). "Fiz dezenas de leis no próprio Conselho de Ministros, eram aprovadas logo ali e publicadas".
Entre as leis "aprovadas logo ali" contam-se as da Nacionalidade e da Descolonização.
Diga-se de passagem que se fosse hoje, tais leis custariam milhões de euros e seriam gizadas em firmas de advocacia de figuras gradas ao sistema. Portanto, a evolução democrática foi fantástica e de tomo, denotando um refinamento que mais uma vez, se fosse comentado por Marcello Caetano seria mortal.

Em 1978, este mesmo Almeida Santos, figura de bastidores, ministro de todos os governos paridos até então pela frágil democracia ( com excepção do delirante V de Vasco Gonçalves, por motivos de birra do PS contra o PCP) dizia então ao O Jornal de 3 de Março desse ano o que pretendia fazer com a legislação judiciária. Explicou, muito a propósito, o sofisma sobre a proibição das "organizações fascistas". "Se o fascismo é a negação da democracia, a inversa também é verdadeira. Excluem-se como a morte exclui a vida". E sobre o que era o "fascimo", nem tergiversava: Salazar, pois claro. E de caminho Marcello Caetano porque herdara o regime que fora deposto no golpe de Estado.
E por isso proibiram uma manifestação de apoio ao mesmo Salazar e de restauração da sua estátua, decapitada em Santa Comba Dâo.
E como é que este Sombra considerava as contradições democráticas? Da forma mais intelectualmente desarmante que pode haver: "devemos ser tolerantes, mas não temos de ser parvos." Portanto, desconstruindo qualquer ideia rebuscada de justificação legal ou elaborada num entendimento democrático.
Com esta filosofia explicativa e sofisticadíssima, ficou estabelecida juris et de jure, uma nova censura e uma nova repressão, agora democrática, sobre o "fascismo", imaginário mas mil vezes repetido, tornando-se verdade, associado ao regime anterior. Dura até hoje...porque foi assim que encontraram uma legitimidade prè-eleitoral e depois, uma nova legitimidade de antifascistas, como garantia de poderem tomar o poder com uma superioridade moral falsificada que lhes assegurou o futuro político. Por isso mesmo, apesar de todas as contradições, nunca abandonarão essa Mentira na qual este regime se consolidou.


Esta mentalidade doentia. intrinsecamente anti-democrática, porém afirmada por democratas convictos, tornou-se  lugar comum do esquerdismo que domina os media, em Portugal.

A tal ponto que comentadores que deveriam acautelar-se de tal mentalidade, herdaram o vício inerente, porque eventualmente foram inoculados na nascença política de antanho.

Eduardo Cintra Torres, no CM de hoje mostra como tal lepra se espalhou:



"Os adeptos do fascismo, ou mais propriamente do salazarismo, dividem-se em dois: os intelectuais, que desprezam o povo, e os básicos, em geral arruaceiros, incapazes de estruturar o pensamento".

Fico a pensar onde me colocarão...como apoiante de Salazar no que o mesmo teve de positivo para o país. E foi muitíssimo e que quase ninguém quer conhecer porque foi um "fassista".  Um apoiante de Salazar passa ipso facto a ser um fascista, um reaccionário, um anti-democrata. Um proscrito.

É este o pensamento que temos nos media em geral.

No entanto esses mesmos media dão espavento e aura de herós a comunistas que estiveram presos no tempo de Salazar. Esses são os "homens bons", como estes exemplos de hoje, no Público:


Estes "heróis" foram "presos por pensarem". Em quê, já agora? Isso, o Público não pretende explicar porque alguns dos que assim escrevem pensaram como eles e sabem muito bem em quê.

Assim, vou lembrar a esses esquecidos que pretendem manipular a memória e enganar leitores desprevenidos o que era o pensamento deles.

Tanto Mário de Carvalho, como o referido José Ernesto Cartaxo, eram comunistas, do PCP quando foram presos. Cartaxo esteve preso em Caxias mas queria ir para Peniche porque lá era a "universidade" dos presos políticos.

Mário de Carvalho intelectualiza: " não se prende as pessoas por pensarem, por se organizarem, por se baterem politicamente naquilo em que acreditam". Não? Quem é que pensou redigiu e aprovou o artº 46º nº 4 da Constituição, em 1976 que tal impõe, em casos de "organizações fascistas" e que agora é lembrado algo a despropósito, no Público e noutros jornais?

Qualquer um destes heróis, quando foi preso tinha um objectivo ideológico-prático em mente: transformar Portugal num estado socialista à moda comunista. Nem mais. Se pudessem e tentaram até ao 25 de Novembro de 1975, teria sido essa a realização das suas vidas. O  modelo, afirmado vezes sem conta e ainda hoje repetido no O Militante e outras locas infectas do PCP era conhecido: os países de Leste europeu, particularmente os mais evoluídos que tinham estruturas políticas e sistemas de poder mais totalitários que Salazar jamais teve; prisões para presos políticos sem comparação com Caxias ou Peniche ( basta ler Soljenitsine que aliás estes intelectuais dos jornais não gostam de ler nem citar) e onde as mortes eram norma.

Algum destes intelectuais pensadores saberá o que era a Lubianka? Bem, actualmente nem é preciso rebuscar arquivos caseiros porque até mesmo a Wikipedia em português informa qualquer rita rato ignorante, sobre o sítio em causa:

Após a Revolução Bolchevique, a estrutura foi confiscada pelo governo para ser sede da polícia secreta, então conhecida como Tcheca.
Algumas piadas se referem ao prédio como o edifício mais alto de Moscou, pois mesmo de seu porão é possível enxergar a Sibéria, ou referindo-se ao prédio como o mundo dos adultos, fazendo relação ao mundo das crianças, nome de uma popular loja de brinquedos que localiza-se ao lado do edifício.

Embora a polícia secreta soviética tenha mudado de nome várias vezes, manteve a sua sede neste edifício, os chefes dos serviços secretos, Lavrenty Beria e Iuri Andropov usaram o mesmo gabinete no terceiro andar.

A prisão, no piso térreo do edifício, aparece com destaque no estudo clássico de Alexander Soljenítsin sobre do estado policial soviético, chamado Arquipélago Gulag.

A Lubianca ficou famosa pelas milhares de mortes e interrogatórios realizados em seu subsolos, bem como o laboratório de venenos do governo, que fizeram algumas das vítimas mais famosas dos regimes repressores dos ditadores comunistas Stalin e Brejnev.

Famosos presos detidos, torturados e interrogados incluem Sidney Reilly, Raoul Wallenberg, János Esterházy e Walter Ciszek.


Este director do Público ignora estas realidades? Para quê afirmar como heróis quem nunca o poderia ter sido segundo os seus próprios critérios aplicados a Salazar? Este Manuel Carvalho, por vezes um jornalista razoável, não sente vergonha com estas coisas? Acha que somos todos parvos?

Enfim. Até quando durará esta mistificação e esta desonestidade com verdadeiras "fake news"? 

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