domingo, fevereiro 22, 2015

O fascismo é o filho adoptivo do PREC



Antes de 1974 chamar comunista a alguém era ofensivo  porque até era perigoso  uma vez que poderia redundar num  interrogatório policial, com prejuízo para a reputação e até a liberdade. 
O regime do Estado Novo combateu efectivamente o comunismo e marxismo em geral, por motivos ideológicos e políticos, como aliás outros países ocidentais o fizeram, embora com maior restrição de liberdades do que nesses países, por razões históricas e políticas, conhecidas e públicas.

Nos anos cinquenta, nos EUA, o macartismo combateu o mesmíssimo comunismo e marxismo através de esquemas legais de "caça às bruxas", sem comparação com o que por cá acontecia.  Uma denúncia bastava para o interrogatório minucioso e perscrutador de consciências porque o comunismo era proibido , na medida em que pretendia a subversão completa do modelo económico e social, imitado do vigente nos países de Leste Europeu, maxime URSS, já com um satélite à porta ( Cuba).
O comunismo de cá vicejava ideologicamente  sem  repressão de consciências mas era reprimido violentamente, com prisões, no caso de actos e manifestações.  Era igualmente proibido como política legítima, pelas mesmas razões que nos EUA e ainda outras particulares e nacionais.
O comunismo e marxismo de  cá era de organização clandestina mas de pensamento livre, cerceado apenas pela censura dos seus meios de expressão.
Na Inglaterra,  França e outros países o comunismo, não sendo proibido formalmente,  havendo partidos marxistas ( a Inglaterra nem tem partido comunista...e desde os anos quarenta que os trabalhistas não querem nada com eles) era entendido como o mal anti-democrático a extirpar da sociedade porque fomentava a subversão política e a destruição dos regimes democráticos  burgueses, assentes na liberdade individual  de reunião, associação e manifestação e demais características conhecidas como o sistema de produção capitalista.

Em Portugal, durante todo o tempo do Estado Novo e depois no Estado Social de Caetano, o comunismo, enquanto organização para a conquista do poder,  foi proibido e combatido, reprimido e os seus dirigentes presos,  julgados e condenados por isso, ou seja, por actividades que a lei de então classificava como subversivas e penalizava com prisão.
Para os nossos comunistas de então,  caldeados na clandestinididade praticamente desde os primórdios ( veja-se a mensagem de Fátima de 1917, com os "erros da Rússia") o Estado Novo e o Estado Social eram "fascistas", termo que obviamente aparece depois de Mussolini, ele mesmo um antigo socialista. 
Os socialistas marxistas, aparecidos com a tradição maçónica e jacobina da I República,  tributários dessa esquerda operária e menos camponesa, seguiam  esse modo denominativo do regime: fascismo. Simples, fácil e com rendimento político assegurado.
Durante o Estado Novo, a palavra encerrava um conceito comunicativa de seita. Tal como as  primeiras seitas  cristãs  das catacumbas aprenderam a  reconhecerem-se entre si e a designar os pagãos através de discursos cifrados e esotéricos, reservados a iniciados e discípulos, assim os comunistas e marxistas-leninistas-estalinistas criaram uma linguagem própria, extraída dos ensimanentos dos mestres, principalmente Estaline, um assassino de Estado que  ainda hoje é idolatrado como herói pelos comunistas, sem que tal causa incómodo de maior.  

Ainda hoje essa linguagem  de seita aparece vertida em todo o seu esplendor, nos escritos comunistas das suas publicações e é usada como dialecto corrente, tal como um mirandês ainda se usa na recôndita província do nosso nordeste, pelos cultores da tradição.
Portanto, discutir ou argumentar com um comunista marxista-leninista-estalinista  carece de aprendizagem prévia desse dialecto  para que o discurso não seja uma conversa de surdos.
Foi exactamente isso que sucedeu durante anos a fio nos media nacionais, sempre que eram entrevistadas figuras de proa do nosso comunismo de seita.
Álvaro Cunhal, Domingos Abrantes ( o sibiliante de dentes raros que diz fassismo),  Octávio Pato ou Jerónimo de Sousa são personagens dessa seita esotérica que acredita nas virtualidades do comunismo científico, dos amanhãs a cantar e outras balelas que afirmam como  verdades imutáveis do devir social. Nas raras vezes em que tal sucedeu por cá, contadas pelos dedos de uma só mão, quando se lhes perguntava  por alhos, respondiam invariavelmente com bugalhos e assim foi até hoje.

Não obstante o descrédito generalizado do comunismo marxista-leninista-estalinista, com exemplos   flagrantes  de  ser um lastro ideológico falido e derrotado politicamente, por conduzir exactamente ao contrário do que apregoam , subjugando os povos e acorrentando-os a  sistemas verdadeiramente totalitários,  a seita dos seus vicários continua a vicejar  entre nós, simplesmente por causa de um fenómeno que por aqui já apontei: o domínio de certas palavras-chave da linguagem corrente.  

O comunismo nacional conseguiu em 40 anos um feito notável e único na Europa, pelo menos:  falsificar a nossa História contemporânea, impondo os termos de linguagem que a contam .  
É raro encontrar um comentador político que não se refira ao regime de Salazar e Caetano como "o fascismo".  É ainda mais raro encontrar um escrito ou ouvir uma conversa nos rádios e tv´s em que se faça apologia do regime de Salazar e Caetano, mesmo em tonalidade crítica e tal não seja imediatamente apodado  de fascista , a sério ou a brincar. 
Jornais ou revistas que afrontem este totalitarismo como o mesmo deve ser afrontado, tal como existem noutros países europeus, em Portugal não existem e nunca existiram, salvo excepções que igualmente se contam pelos dedos de uma só mão e vendem ninharias, sendo classificados de "reaccionários" e...lá está- fascistas. 
Os símbolos e imagens do nosso passado do tempo de Salazar e Caetano são obliterados mediaticamente e escondidos convenientemente quando conspícuos.  A eleição popular de Salazar, em 2007,  como  a figura da nossa História, muitíssimo à frente dos restantes contendores ( precisamente Álvaro Cunhal, o que denota o esforço do comunismo em erigir mediaticamente  essa figura  como herói nacional) revela que pode haver muitos "fascistas" por aí e o perigo de tal hipótese concita a atalaia, durante todo o ano e particularmente em Setembro, onde se repetem os mantras da linguagem que assegura o futuro dos amanhãs a cantar.
Ainda hoje, passados mais de 40 anos e supostamente gozando  uma liberdade que Salazar não permitia, existe medo em falar abertamente daquele e a publicação das suas obras nunca se fez como devia, até em nome da liberdade de expressão. Os editores tinham e têm medo e o que publicam são estudos dos ideólogos antifascistas devidamente encartados ou insuspeitos que replicam a linguagem correcta. 
A liberdade do comunismo marxista e seus idiotas úteis é mesmo essa: suscitar o medo da exclusão mediática e social e por arrastamento da representação política no panorama eleitoral.  É essa a maior vitória desse totalitarismo virtual.

Esse domínio ideológico notável tem expressão, por exemplo, no uso corrente da palavra "fascismo" , adejado e arremessado sem outro critério que não seja o da agressão viciosa para liquidar o adversário na cena de discussão. 
Chamar "fascista" ou clamar pelas manifestações de "fascismo a sério"   é o mesmo que chamar ladrão a um verdadeiro franciscano ou corrupto a um pobre de pedir.
Nos demais  países europeus o termo é inócuo e irrelevante,  designando apenas o regime italiano de Mussolini.  Por cá, tal como a metonímia do kispo, uma marca de blusões que nos anos setenta  passou a designar os ditos, é usado como  sinónimo e significado de algo odioso, ignominioso, até criminoso ( legalmente,  na nossa democracia plural, estão proibidos os partidos fascistas,) e em final de contas, insultuoso e estrepitoso.
De há quarenta anos a esta parte chamar fascista a outrém é igualmente perigoso, embora com uma nuance: conduz ao ostracismo social e político e portanto à exclusão  conferida a um criminoso sem pena de lei, mas de costume que aqueles conseguiram impor.
É  esse o  leit-motiv deste  blog  desde   o início, há  mais de dez anos : em vez de "fascista a sério", ser democrata de verdade, dando a conhecer a  pessoas que não sabem ou  que já não se lembram,  o que foi o tempo que aqueles comunistas e marxistas de diversa índole, mais os idiotas úteis da praxe,  querem fazer esquecer, censurando quem se esforça por repôr uma verdade histórica.
São esses comunistas, marxistas-leninistas  e de outros matizes  que falsificaram  factos e figuras, tal como fizeram ( e ainda fazem)  no tempo do regime que afeiçoam, em que apagavam literalmente figuras incómodas de fotografias  oficiais,  ou que eliminavam fisicamente opositores, em massa ( purgas de Estaline e genocídio de camponeses, indiscutíveis verdades históricas reconhecidas pelo próprio regime) ou reprimiam ferozmente ( penas de morte e execuções sumárias, historicamente indiscutíveis) as liberdades de reunião, associação e expressão de um modo que o regime a que chamam fascista nunca se atreveu a praticar porque na realidade histórica nunca o foi.
Esta verdade comezinha enunciada por pessoas que nem sequer são suspeitas de pertencerem  ao regime passado, é absolutamente espezinhada em nome de uma outra verdade conveniente que esconde a monstruosidade do regime em que acreditaram e acreditam, esse sim, totalitário, social-fascista e absolutamente hediondo para as liberdades individuais.
 O grande mistério desta verdade escondida reside a complacência com que os media em geral lidam com estas pessoas verdadeiramente terroristas do pensamento e totalitários do espírito que ousam chamar "fascistas a sério" a quem lhes aponta do dedo sujo de sangue idoloógico. 

E...como é que isto começou?  Pois é essa História que aqui me interessa fazer e é isso que ao longo dos anos tenho procurado fazer. 

Já mostrei este recorte do jornal maçónico e socialista República de 13 de Janeiro de 1975, no qual o escriba procura dar a definição semântica de "fascismo" aquela que ainda hoje é seguida pelos que apodam os demais de "fascistas", sem repararem na trave totalitária e intolerante que lhes tolhe o bestunto e imediatamente os desqualifica.

Questuber! Mais um escândalo!