domingo, agosto 07, 2022

Caetano Veloso, 80 anos.

 Para falar de Caetano Veloso e a sua música é necessário tê-la escutado, no tempo, depois desse tempo ou fora dele. 

Para falar de cor da música de Caetano Veloso acho que não vale a pena e por isso só um depoimento pessoal será consistente com qualquer avaliação, subjectiva claro está, da música do artista que agora fez 80 anos. 

Não me lembro de ouvir os primeiros discos de Caetano Veloso, ainda nos anos sessenta, particularmente do tempo do movimento Tropicália, mas lembro-me de os ouvir já fora de tempo e com grande aproveitamento porque a música é excepcional e intemporal. 

A primeira vez que uma musiquinha de Caetano Veloso me chamou a atenção, no rádio, foi por alturas  de 1972-73, com um disco ao vivo em que participava com Chico Buarque, Juntos e ao Vivo. O disco teve na altura um sucesso estrondoso em Portugal, pelo menos em modo de audição rádio porque me recordo de ouvir vezes sem conta  Ouça um Bom Conselho de Chico Buarque e o Cotidiano de Chico e Caetano, cantado em duo. 

Era este disco, aqui numa edição nacional da Polygram de 1986: 


No ano seguinte outra novidade estrondosa e também ao vivo, dava a conhecer a música de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. O disco Temporada de Verão, ao vivo na Bahia, gravado no início de 1974 trazia vários temas que também o rádio da época passava sem se cansar. A trilogia de Gilberto Gil, O Relógio Quebrou, O Sonho acabou e O Sapo, cantados com mestria, não ofuscavam a obra-prima que para mim era a de Caetano Veloso, Felicidade (foi embora) uma canção muito simples, uma das melhores de sempre de toda a música popular. 

É possível que na segunda metade dos anos setenta os programas de rádio de José Nuno Martins, com o título de Os Cantores do Rádio, dessem a conhecer as obras de Caetano Veloso dessa época, tal como a de muitos outros músicos e cantores brasileiros, num notável trabalho de divulgação semanal. 

Foi nessa altura que ouvi outra grande maravilha que é o tema Asa Branca, do mesmo calibre que aquela Felicidade (foi embora) e que integra o disco homónimo do artista, de 1971.

Tais discos primeiros do artista só agora, nos anos mais recentes, adquiri em reedições mais ou menos fiéis aos originais, em vinil prensado eventualmente a partir de matrizes digitais, mas ainda assim com bastante boa sonoridade. Estes:

Não sei no entanto em que altura ouvi a terceira e outra maravilha que é "Alegria, Alegria", de 1967 e outras da mesma época desses primeiros discos, como Coração Vagabundo, Avarandado, Irene, Atrás do Trio Eléctrico, Charles, anjo 45, London, London, e outras como Asa Branca, outra grande maravilha a par de Felicidade

Sei que descobri tais temas e ainda mais, num disco duplo, originalmente de 1974, A arte de Caetano Veloso e publicado em Portugal nos anos oitenta. Foi então uma verdadeira descoberta de temas que ainda não conhecia. É este disco, sem data precisa mas dos anos oitenta, da Polygram nacional:

Nos mesmos anos oitenta descobri dois discos de grande qualidade e comprados na mesma altura, em edições originais. Um de 1977- Bicho, um disco perfeito que  contêm alguns dos maiores êxitos do artista, como Um Índio, Tigresa, Leãozinho ou Alguém Cantando e outro de 1982- Cores e Nomes que  é outra obra-prima que contém Trem das Cores ou Coqueiro de Itapoan Ambos têm gravação sonora espectacular, no original brasileiro. 

Dos discos da segunda metade dos setenta, destaco Jóia e Muitos Carnavais, de 1975 e 1977 respectivamente e que contêm pérolas musicais do calibre de Canto do povo de um lugar e Gravidade, ambos de 1975 que são mais umas maravilhas no meu elenco pessoal, particularmente o Canto de um povo de um lugar

Em 1994 através de uma colectânea em quatro cd's descobri outras músicas e canções de discos posteriores, mas aquelas que indiquei servem perfeitamente de banda sonora para apresentar o génio de Caetano Veloso que há uns anos apreciei num espectáculo ao vivo num dos Coliseus, já nem me lembro qual. 


Do que vem a seguir, nos anos dois mil e seguintes, a qualidade é díspar mas nunca medíocre, segundo julgo mas bastam-me esses que acima ficam.  

 Para ouvir e ver Caetano Veloso nos seus primeiros anos de artista e no tempo de Tropicália existe um documentário, publicado em dvd e blu ray, este com som excepcional, intitulado precisamente Tropicália e que pode ser visionado no you tube. Mostra  várias facetas do movimento de final dos anos sessenta, no Brasil, contém uma versão fabulosa de Asa Branca e até traz uma pequena entrevista de Caetano Veloso com Raul Solnado e Carlos Cruz, no Zip-Zip de 1969, na altura em que Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam em trânsito para Londres, como exilados políticos. É logo ao minuto 2:00, a abrir o video.

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