sexta-feira, janeiro 20, 2023

David Crosby, dos Byrds e dos CSN&Y

 Morreu ontem David Crosby, um músico americano que fez parte de grupos de música popular que aprecio imenso, os The Byrds e os Crosby Stills Nash & Young.

Suponho que pouca gente sabe quem foi e por isso os obituários são chapados da internet porque afinal é notícia a morte de um músico dos anos sessenta, ainda reconhecido por quem viveu tal época e  que marcou de algum modo a década em causa.  

David Crosby enquanto músico notabilizou-se por causa de um disco que até o Vaticano há um pouco mais de dez anos colocou nos "10 mais".  Revolver dos Beatles, em primeiro lugar e logo a seguir o If I could only remember my name, de Fevereiro de 1971, de David Crosby, o que muito me espantou e até à frente de Dark Side of the moon, dos Pink Floyd. 

O disco de Crosby, muito introspectivo e sereno nem sequer é música muito popular e ouve-se com atenção e agrado se for em boa aparelhagem e com preparação para ouvir. Não é disco de passar no rádio e já na altura não era, tanto assim que nunca o ouvi na época. 

Ouvi-o muitos anos depois, em álbum de vinil, em edição original americana, prensada pela Monarch na época e não se compara a outros em que o mesmo músico participa, principalmente os dos The Byrds e os dos CSN&Y. 

Mesmo estes discos, saídos na segunda metade dos anos sessenta estão datados, naturalmente, apesar de Déja Vu dos CSN&Y ser um clássico e alguns temas dos Byrds serem também de antologia. 

Como diz aqui ( é aí que os repórteres apressados vão copiar informação) David Crosby colaborou nos cinco primeiros discos dos Byrds. 

Tenho alguns, incluindo o último dos anos sessenta The Notorius Byrd Brothers, em que colaborou já de modo escasso porque esteve no grupo até quase ao final de 1967, altura em que o mesmo foi gravado. 

A capa do disco tem a imagem de três dos elementos e de um cavalo no sítio onde deveria estar alguém...e o último disco da direita é já de 1973, de uma reformação do grupo, com David Crosby que assina duas composições e não são as que mais aprecio. 


Apesar destes antecedentes David Crosby nada significava para mim até aos anos setenta e ao disco dos CSN&Y, Déja Vu, de 1970 e cujas músicas que então mais apreciava nem são de Crosby ( Teach your Children e Our House). Hoje aprecio muito Almost cut my hair, de Crosby.



No ano de 1971 saiu o disco ao vivo Four way Street, que concentrava as actuações dos CSN&Y e algumas delas tinham a participação vocal inesquecível de David Crosby, como no tema Right between the eyes, de Graham Nash.

Foi em boa parte por causa destes discos e outros, como os dos Creedence Clearwater Revival ou de uma série de outros músicos californianos da mesma altura que me interessei pela música popular algures no início dos anos setenta. 

Em 1972, um disco de David Crosby em colaboração com Graham Nash, o autor daquelas  músicas que então preferia, tornou-se mítico para mim porque ao mesmo tempo que ouvia no rádio Southbound Train, aliás também de Graham Nash, tornava-se impossível encontrar o disco, pois só foi reeditado e em cd, da Atlantic,  na década de noventa, com a imagem do duo no concerto e com Nash a acenar de uma janelinha recortada no  cartão do álbum. 




Em meados da década de setenta um disco interessante, Whistling down the Wire, em colaboração com Graham Nash,  tinha uma publicidade que sempre achei talvez mais engraçada.


Do disco recordo apenas Taken at all, apesar de o resto se ouvir muito bem porque está gravado no estilo slick da época ( é do mesmo ano que Hotel California dos Eagles...).

Em 1982 integrou novamente os CS&N, num disco interessante, Daylight Again que tem músicas como Wasted on the way , Southern Cross ou Delta, esta de David Crosby.
Em 1988, os CSN&Y reformaram-se para fazer American Dream, mas as músicas mais interessantes não são de David Crosby.  

Quanto ao resto, para além de inúmeras colaborações em discos de outros artistas da época, ainda houve lugar a um Yes, i can  de 1989 que já não consegui ouvir; mas um de 1993, Thousand Roads é muito bom, muito bem gravado e com músicas excelentes, embora só o tenha em cd, porque na altura os álbuns em vinil tinham desaparecido do mercado. 

E ficou a iconografia que logo em 1976 me influenciava:


E as revistas que foram sendo publicadas, como a Rock&Folk de Janeiro de 1972:


Ou a Uncut de Julho de 2008:



Ou a Record Collector de Dezembro de 2019:



Quem quiser ouvir a música de David Crosby e os grupos em que participou pode fazê-lo em condições de grande qualidade sonora, com a audição integral de discos em vinil, muito próxima do que se pode ouvir em casa, numa aparelhagem, caso se tenha um conversor digital analógico. Aqui, no sítio do Vinyl Archivist

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O Nome da Rosa, versão Manara