quinta-feira, janeiro 22, 2015

O senso comum relativo ao recluso 44

Do Corta Fitas, "Sócrates por Sócrates", por Vasco Lobo Xavier. Aos poucos vai aparecendo quem apresente um discurso de senso comum, a contrastar com as fantasias dos visitantes do recluso 44, com particular destaque para o desmemoriado caquéctico que actualmente quando fala, ou entra mosca ou...
Esperemos que o outro Xavier que fala na Quadratura do Círculo, consiga o ter o mesmo discurso, embora se tal suceder seja ocasião para deitar foguetes...

Deixando de lado o que vem noticiado nos jornais, para não ser acusado de surfar nas violações do segredo de justiça, impõe-se no entanto uma breve análise da narrativa de Sócrates sobre si próprio. Breve, necessariamente breve, porque isto mereceria um estudo científico aprofundado, uma tese de mestrado (quiçá de doutoramento) daquelas que vão muito para lá de um punhado de linhas e de banais considerações sobre tortura em democracia. E um estudo que fosse feito por cientistas da área, não por meros curiosos como eu.

Diz Sócrates de si que não queria trabalhar, que lhe apetecia uns tempos a esvoaçar por Paris, e vai daí negociou um empréstimo de 120.000 euros com a CGD (ainda estão para me explicar como é que o banco público empresta semelhante quantia a quem declaradamente confessa não querer trabalhar nem ter meios para pagar o empréstimo, mas enfim…, lá estará o Banco de Portugal para analisar o caso). No entretanto, manda vir um Mercedes de 95.000 euros, o que não admira nada pois todos conhecemos a aversão dos socialistas aos Renault Clio. Até aqui, tudo muito compreensível.

E pisga-se então para Paris. À grande. E com um filho também em Paris, cada um na sua palhota. E, de tempos a tempos, com a visita da ex-mulher. E deixa o outro filho em Lisboa, também numa sua palhota própria – sua, do filho, não a do próprio em Lisboa, pois naquela família cada um tem a sua palhota, ainda que vivam na mesma cidade. Só a Mãe tem várias, mas mesmo isso acabou e ficou só com uma. As casas da Mãe foram vendidas ao amigo Santos Silva, diz Sócrates, o amigo que paga esta coisada toda. Sim, que isto custa dinheiro, muito dinheiro. Fazer-se vida de rico não é fácil, os ricos que o digam, que bem penam para gastar o que é seu e antes de o gastarem ainda têm de entregar mais de 50% ao Estado, para o Estado pagar a bancarrota do país que o Sócrates também deixou para trás.

Bem…, voltando à vaca fria. E portanto ele, Sócrates, e sempre segundo o próprio, tem problemas de liquidez, como é evidente perante semelhante vida (quem não os teria?). Felizmente está lá o amigo para lhe atirar pacotes de dinheiro sempre que ele precisa (“Toma lá para um fato!...”, ou então “Vê lá, não gastes tudo em vinho!...”, esse tipo de brincadeiras que dizemos quando damos esmola na rua a um mendigo conhecido).

Pois imaginar-se-ia que quem tem problemas de liquidez e não trabalha (nem quer trabalhar) tentaria levar uma vida comedida, regrada, frugal, pelo menos depois dos primeiros apertos…, mas não. O homem tem um fraquinho por viajar em executiva, ou de Mercedes, e com motorista, por fazer férias (de quê?!?...) em Fermentera, vestir-se bem e almoçar melhor ainda, vinhos bons, edredons, não há nada a fazer. E como reduzir o nível de vida ou fazer-se à vida está fora de questão, lá aparece o amigo dos milhões a verter generosidade desinteressada a rodos.

Ou então aparece a Mãe, que vende as suas casas ao amigo. E é para a Senhora viver melhor os seus últimos anos? Não: é para dar ao filho, esse mandrião que gosta de viver bem sem fazer pevide. Mas para este pagar as dívidas que contraiu junto do amigo? Não, pois nem sabe quanto deve: é para ele continuar a viver à grande sem trabalhar. Mas o amigo do filho é tão estúpido que empresta a Sócrates dinheiro em notas sem recibo e sem testemunhas, compra as casas à Mãe de Sócrates e paga as casas, sem se lembrar de fazer uma compensação com o que emprestou e tem a haver? É, é assim tão estúpido. E o Sócrates, mal vê dinheiro nas mãos da Mãe, logo aceita a generosidade da velha Senhora e arrebata-lhe 75% da massa para torrar, sem se preocupar com os pobres dos sobrinhos, órfãos, que vêem o que viria a ser deles por direito esfumar-se para o Tio e os primos esbanjarem em Paris? Tu o dizes, o próprio o disse que assim era. Dinheiro a passar por perto dele parece manteiga em focinho de cão. Aparece massa nas mãos daqueles dois e ele deita-lhe logo a mão, ferra-lhe os dentes. E é esta a sua narrativa, a narrativa de Sócrates.

Pois então, e segundo o próprio se descreve, o que temos aqui é um doido megalomaníaco. Um individuo que se apresenta como um atrasado mental irresponsável com perturbações psicológicas de fantasias de poder e delírios utópicos. Um desgraçado que quer aparentar vida de rico sem o ser, que gasta à doida o que não é seu, um mandrião que vive à grande sem trabalhar, que vive de esmolas de amigo rico ou do que saca à velha Mãe, e que pelo meio se marimba para a família, derretendo o que é da Mãe e deveria vir a ser dos sobrinhos. É assim que este preguiçosão se apresenta, num dos raros momentos da sua vida em que terá contado algumas verdades. Quem se admira agora de ele ter levado o país à bancarrota?…

E era este tipo, que sem pejo algum se apresenta assim, que os socialistas defendiam que deveria ter sido condecorado pelo Presidente da República?!?... E era este tipo que os socialistas queriam pôr na Presidência da República?!?... Do que nos safámos…

A toupeira careca

O desenhador belga Edgar Pierre Jacobs, nas décadas de 40 a 70 do século que passou desenhou uma série de aventuras de Blake & Mortimer.
Uma das personagens mais interessantes é o arqui-rival dos heróis, Olrik, que Jacobs desenhou à imagem e semelhança de um seu amigo de infância e seu rival ( Jacobs acabou por casar com a ex-mulher do mesmo, na vida real) e que definia como pessoa curiosa, inteligente e que adorava espiar os outros e andar em carros espampanantes.

Olrik é assim uma espécie de Moriarty das novelas de Sherlock Holmes.



Isto vem a propósito desta notícia do jornal i de hoje:


Almeida Ribeiro, o antigo espião do SIS e SIED, agora professor de ISCTE ( onde haveria de ser?) é indivíduo  aparentemente fiel ao recluso 44 ( será que também lhe deve tudo na vida, como o outro?), obviamente inteligente e... é um traidor. Triste carácter, se assim for.

Tendo sido fiel servidor do recluso 44, passou a servir o novo secretário geral do PS, António José Seguro e traiu-o todos os dias, segundo o jornal que se baseia em escutas do processo do Marquês.
Almeida Ribeiro não se dá por achado. Mas está morto. Em linguagem de bd, entenda-se. Na imagem abaixo, mostra-se aquele a quem se descobriu agora a careca...



quarta-feira, janeiro 21, 2015

Cabras, cabritos e cabrões

Expresso:

Grupo Lena diz que pagou €3,3 milhões a amigo de Sócrates Comunicado do grupo de construção civil e obras públicas divulga valor exato recebido por empresas de Carlos Santos Silva entre 2005 e 2010.
Ao longo de cinco anos, entre 2005 e 2010, o Grupo Lena pagou serviços a empresas detidas por Carlos Santos Silva no valor de 3.287.600 euros, revela um comunicado divulgado esta quarta-feira pelo grupo Lena. Numa reação a notícias que têm dado conta das suspeitas do Ministério Público de que 23 milhões de euros depositados em contas na Suíça tituladas por Santos Silva (mas cujo verdadeiro beneficiário seria o ex-primeiro-ministro José Sócrates) teriam alegadamente origem naquele conglomerado de construção civil e obras públicas com sede em Leiria, o comunicado sublinha que não há "nenhum facto que comprove esta teoria, porque é falsa".

De acordo com o documento, "Carlos Santos Silva tem trabalhado com empresas do Grupo Lena desde finais da década de 80, designadamente prestando assessoria técnica e fazendo projetos de obras para Portugal e vários países". O valor agora divulgado refere-se ao intervalo entre 2005 e 2010, anos que vão da tomada de posse de Sócrates como primeiro-ministro à data de transferência dos 23 milhões de euros da Suíça para Portugal, porque esse tem sido "o período geralmente citado pelos meios de comunicação social como sendo aquele em que alegadamente terão ocorrido os supostos pagamentos ilegais, informação que é falsa". 


Segundo esta notícia e do que dela se pode inferir, haverá cerca de 20 milhões de euros, pelo menos, que falta explicar de onde provieram e quando, para provisionar a conta de Carlos Santos Silva de quem ninguém fala ou se interessa. Os milhões estavam na Suíça. aconchegadinhos e vieram cá parar a contas do BES, para suprirem necessidades "momentâneas" do recluso 44. 
Ainda por cima os pouco mais de 3 milhões foram pagos a "empresas de Carlos Santos Silva"o que é substancialmente diverso de serem pagos ao próprio seja a que título for.

Temos aqui mais uma situação clássica de cabritos que não têm cabras, pelos vistos. Mas de certeza que os cabrões do costume aparecerão na hora certa...a assumir a paternidade.

 Em contraponto a isto, importa publicar um artigo que o Expresso publicou em 22 de Novembro passado, assinado por Abílio Ferreira:

Lena, a construtora do regime socrático
Nos Governos de José Sócrates, a Lena era acusada pelos concorrentes de ser a construtora do regime. A intimidade residia no amigo e colega de curso Carlos Santos Silva.

  A pressão da banca conduziu à nomeação de Joaquim Paulo Conceição, quadro do grupo da área automóvel para presidente da comissão executiva do Grupo Lena, com a missão de racionalizar o conglomerado e conferir rentabilidade ao negócio / José Ventura

Nos Governos de José Sócrates, o grupo Lena, da família Barroca Rodrigues, era visto pelo mercado como a construtora do regime.

Segundo os seus concorrentes, era a própria Lena que invocava uma relação privilegiada com o poder para ganhar capacidade de influência. Nas missões ao estrangeiro, os gestores das outras construtoras estranhavam a informalidade com que os representantes da família se referiam ao José, então primeiro-ministro. Era vulgar, na altura, presidentes de construtoras gracejarem, entre amigos, que nos "consórcios o melhor é incluir a Lena, sempre dá uma ajuda".

O ex-gestor de uma construtora confirma ao Expresso que eram os próprios responsáveis que tornam essa proximidade "pública e notória" ao invocar repetidamente "facilidade de acesso ao José".

A Lena integrava sempre as comitivas ao estrangeiro do primeiro-ministro, mas a verdade é que também não falhava as viagens presidenciais. Até Miguel Relvas, dirigente do PSD, considerava, na altura, injusta a colagem ao poder socialista do maior grupo industrial da região centro.

A pista Carlos Santos Silva
Já na altura se comentava no sector da construção que a pista que ligava Sócrates ao conglomerado de Leiria residia num administrador do grupo, Carlos Santos Silva, seu amigo de infância e colega no ISEC - Instituto Superior de Engenharia de Coimbra.

O engenheiro era quadro da Lena Construções e subiu em 2008 até administrador. Carlos frequentara o mesmo curso e partilhou o mesmo quarto de Sócrates, em Coimbra. O engenheiro tornara-se um dos braços-direitos dos irmãos Joaquim (52 anos) e António Rodrigues (51 anos), que sucederam ao pai no comando do grupo Lena.

O contrato para fornecer cinco mil casas à Venezuela e a inclusão no consórcio, liderado pela Teixeira Duarte, para a ampliação do Porto de la Guaria, em Caracas, surgiam como sinais exteriores da bênção do Governo Sócrates. A Venezuela tornou-se o maior mercado exterior da Lena.

No plano interno, a concorrência queixava-se de que a construtora de Leiria tinha conhecimento dos concursos antes de serem lançados no mercado.

A malha autárquica
Num primeiro momento, a Lena dominara a faixa até Castelo Branco. Depois rumou a Sul, convivendo com autarquias de todas as cores partidárias. A partir de Leiria, encetou a conquista do país, seguindo a malha autárquica.

Na sua origem, nos anos 50, está uma empresa de terraplanagens fundada por António Vieira Rodrigues, condecorado em 2007 por Cavaco Silva, e que se reparte por Portugal e o Brasil.

Consolidou a sua base regional e entrou depois numa espiral de novos negócios (turismo, ambiente e energia, comércio automóvel e comunicação social). Em poucos anos, evoluiu de uma pequena construtora para um conglomerado diversificado de 80 empresas e uma faturação que nos melhores anos ficou perto dos 700 milhões de euros.

Em 2007, arriscou a compra da Abrantina, por um valor excessivo, uma 'noiva' que tardava a seduzir pretendentes e cujo processo de fusão está agora em fase de conclusão.

O projeto "i"
A curiosidade sobre o conglomerado de Leiria cresceu com o anúncio do lançamento do jornal "i", em 2009. O projeto era ambicioso (15 milhões de euros) e tinha uma carga política, prometendo disputar o mercado do "Público" e do "Diário de Notícias".

Quando na Federação do PS do Porto se comentou a notícia do lançamento de um novo diário, o presidente Renato Sampaio logo esclareceu que se tratava de um projeto "de gente amiga". A comunicação social era um dos negócios do grupo que explorava uma rede de sete jornais regionais.

O grupo Lena sempre lidou mal com esta ligação ao poder socialista e o atual presidente, Joaquim Paulo Conceição, refere que a Lena "mantém com todos os Governos relações no plano institucional", desmentindo colagens a qualquer poder.

A nova Lena
Quando o mundo mudou e o mercado da construção ruiu, os sinos tocaram a rebate na sede do grupo, em Leiria. O grupo carregava uma dívida de 720 milhões de euros e a imagem de ser a construtora do regime socrático, sofrendo com a aquisição desastrosa da Abrantina e a infeliz diversificação de negócios. A pressão da banca conduziu à nomeação de Joaquim Paulo Conceição, quadro do grupo da área automóvel para presidente da comissão executiva, com a missão de racionalizar o conglomerado e conferir rentabilidade ao negócio.

A racionalização levou à venda de 28 empresas e à fusão ou dissolução de mais 35, abandonando, por exemplo, o negócio dos 'media'. O grupo reduziu o universo laboral, num clima de paz social, passando de 4170 (em 2010) para 2457 (em 2013) assalariados.

Na carteira de 4,1 mil milhões de euros, as obras estão quase todas no estrangeiro. Por isso, o fator crítico do novo ciclo da Lena reside na transferência da liquidez. A geração de dinheiro é feita no exterior e os compromissos financeiros estão em Portugal.

A Lena opera em dez mercados externos e ambiciona marcar presença no México e Colômbia, 15 anos depois de se ter estreado no exterior pelo Brasil. Na Colômbia negoceia a construção de três mil casas sociais, num valor estimado de 115 milhões de euros, nos arredores de Bogotá.

Mas a grande exposição do grupo está na Venezuela. O mercado pesa mais de 50% da carteira, alicerçada num contrato geral de 50 mil casas sociais. Nesta fase, a construtora "está a meio do primeiro subcontrato de 12.500 casas, com a instalação de duas fábricas de prefabricados", refere Joaquim Paulo Conceição ao Expresso. Na Argélia, a construtora ganhou este ano novas empreitadas no valor de 100 milhões de euros.Em 2013, o grupo Lena faturou 527 milhões de euros, 40% dos quais no exterior.

Director d´a Coisa responde ao Coiso

Correio da Manhã de hoje, página 11, uma colunita de resposta editorial misturada com as notícias do dia- roubos sequestros e tráficos de droga.

A propósito disto fica aqui a crónica de João Miguel Tavares no Público de ontem, com o título "Proença tem de se explicar". Salvo o devido respeito, nada tem que explicar porque está tudo devidamente explicado. O que tem é de ser responsabilizado, de alguma forma, porque durante o consulado dos governos do recluso 44 o que fez não é digno de figurar nos manuais para exemplificar o que deve ser a democracia. No caso de Proença, o crime mora ao lado, pelo menos...:

Se eu ainda sei ler português, diria que o director do Jornal de Notícias, Afonso Camões, admitiu ontem em editorial que em Maio de 2014 avisou José Sócrates de que estava a ser investigado pela justiça. As palavras de Camões são estas: “Dizem que o avisei que ia ser detido. E que terá sido em Maio, quando eu integrava a comitiva do presidente da República à China e a Macau. Ora, se o avisei, e se foi em Maio, eu era administrador e presidente da Agência Lusa. Logo, não estava jornalista, muito menos director do nosso Jornal de Notícias. E, pelos vistos, nem sequer havia processo. É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa [o Correio da Manhã] que a prisão de Sócrates estava iminente.”

Se eu ainda sei ler português, o resultado de Afonso Camões afirmar que soube em Maio da investigação, de não desmentir que avisou Sócrates, e de denunciar que foi alvo de escutas, só pode ser este: Afonso Camões está a admitir que alertou José Sócrates e a supor que isso ficou registado na investigação. E esta admissão, quer ele queira, quer não, é muito mais relevante do que as suas queixas (justas, sem dúvida) a propósito de uma nova violação do segredo de justiça. Mais: esta admissão, quer ele queira, quer não, acaba por credibilizar a história que o seu odiado Correio da Manhã publicou na sexta-feira e no sábado, e que o jornal i entretanto já garantiu ter confirmado junto das suas próprias fontes. Uma história tão grave que convinha não ser alegremente ignorada pelo resto da comunicação social, como foi durante tanto tempo ignorada a história de Paris e da Octapharma. Uma história que, mais uma vez, tem Daniel Proença de Carvalho como protagonista.

Porque o problema vai muito além de Afonso Camões, que no citado editorial afirmou ter “mais de 40 anos” de amizade com José Sócrates. Eu diria que tão longa amizade o deveria ter desaconselhado de aceitar, em Março de 2009, o cargo de presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa – mas isso se calhar sou eu que sou muito puritano. Só que entre o meu excesso de puritanismo e a absoluta mixórdia de interesses há-de existir um ponto de equilíbrio. E é nesse exacto ponto que Proença de Carvalho começa a perder o pé, e que começa a dever-nos uma boa explicação.

O Correio da Manhã afirma que Sócrates incentivou – havendo escutas que o confirmam – Proença de Carvalho a negociar a compra da Controlinveste, da qual o advogado acabaria por se tornar presidente do conselho de administração. Além disso, via Proença, Sócrates teria tido algum papel na escolha de Afonso Camões para dirigir o JN e na tentativa de pressionar a ERC, via Carlos Magno, para deliberar contra o Correio da Manhã devido às notícias de Paris e da Octapharma, como efectivamente veio a acontecer em Fevereiro de 2014.

Proença declarou ao i que, “por dever deontológico”, não pode falar das “entidades” que patrocina ou patrocinou “enquanto advogado”. Só que o problema já não está nos patrocinados, mas no patrocinador. Na sequência das referidas notícias, José Sócrates processou 14 jornalistas (repito: 14) do Correio da Manhã, tendo como advogado o mesmo Proença de Carvalho que actualmente manda no DN, no JN e na TSF. O mesmo Proença de Carvalho que desta vez não aceitou representar Sócrates, apesar de ter sido para o seu escritório que o motorista ligou ao ser preso. O mundo de Sócrates está a desmoronar-se – e é demasiado tarde para Proença simplesmente virar costas enquanto assobia para o lado.


terça-feira, janeiro 20, 2015

Maio de 2005, a fortuna de cada ministro...

Diário de Notícias de 13 de Maio de 2005: o que tinham de seu os então ministros do actual recluso 44, incluindo ele próprio.
Meia dúzia de anos depois...seria interessante saber onde estão, o que fazem e quanto ganharam com a aventura difícil de governar...



Estado de Direito e segredo de justiça



As últimas notícias sobre o processo do 44 são  algo que deveria preocupar a classe política portuguesa se a mesma fosse diferente do que aquelas mostram. 
A comprovação de  movimentações de alguns figurões que integram partidos políticos e pretendem tomar o poder político legislativo e executivo do modo que está à vista é um escândalo muito grande que só não tem maior relevo porque se tornou corrente e costumeiro este procedimento.  
A denúncia destes atentados ao Estado de Direito é algo que se impõe como obrigatório para quem tomar conhecimento destes factos. 
Se no processo do "Marquês" houver outras revelações que tornem evidente estes procedimentos anti-democráticos e criminosos, típicos de agentes mafiosos e indignos de qualquer democracia que se preze, há obrigação estrita de o Ministério Público os revelar ou pelo menos denunciar para instauração de procedimento criminal por esse crime.  Sem sujeição a qualquer segredo de justiça que neste momento não é obrigatório em processo crime.
Se tal procedimento tivesse sido adoptado em Junho de 2009, aquando da denúncia de magistrados e forças policiais de investigação criminal, em total segredo de justiça que assim foi mantido até depois do acto eleitoral desse ano para o poder legislativo e executivo ,  talvez o povo tivesse decidido de outra forma.
Em Junho de 2009, os investigadores do processo Face Oculta tomaram conhecimento do atrevimento total do actual recluso 44, enquanto primeiro-ministro, para tomar conta de alguns órgãos de informação privados, como era a TVI e alguns do grupo Cofina. Com meios eventualmente criminosos, como agora se suspeita.
As escutas telefónicas que o revelavam inequivocamente foram destruídas por ordem dos mais elevados poderes judiciais do país, nesse momento,  e provavelmente em actuação criminosa de denegação de justiça. 
Se nessa altura tivesse existido violação de segredo de justiça, será que era crime punível?  Ou seja, não era imperativo, para quem disso soubesse na altura, divulgar, em nome dos mais elevados princípios democráticos, que havia um primeiro-ministro, candidato a eleições dali a meses, que pretendia subverter os princípios do Estado de Direito? 

Os magistrados do Face Oculta e os inspectores de polícia optaram pelo silêncio total e mantiveram tal segredo num hermetismo que agora se afigura questionável, apesar de ter sido muito louvado na época.  O segredo só foi conhecido quando o processo passou para a esfera das detenções, interrogatórios, buscas, etc.

Deveriam ter dito antes,  publicamente,  o que sucedeu, antecipando a actuação sem ligar ao calendário eleitoral, como aparentemente ligaram?

É esta a pergunta que coloco. Mas não espero que a jurista Fernanda Palma aborde tal assunto...

A Coisa desvaloriza o Coiso...

O Correio da Manhã de hoje, vulgo "a Coisa", reagiu assim ao editorial escrito com os pés pelo Coiso que dirige o JN.  Preferiram não chatear mais o Camões...e deram-lhe apenas um espacinho de atenção, sem editoriais ou tomadas de posição da redacção. Deixaram-no sozinho na arena a bandarilhar o vento.
Como já disse, "eu sou CM".


Entretanto o problema que motivou o editorial de ontem do Coiso é contextualizado de um modo assustador, aqui, neste  texto de Rui Ramos, no Observador.
Este assunto justifica todas as pretensas violações de segredo de justiça que porventura ainda existam por um motivo muito simples de entender: os atentados ao Estado de Direito não se devem compadecer com o respeito a um segredo que já o não é, ou seja, que já nem interessa para a preservação da prova no processo.
Por isso é um dever cívico denunciar, mesmo violando o segredo de justiça, este crime maior que foi o que está aqui explanado. É uma questão de sopesação de interesses públicos e privados. E o interesse público aqui exposto é demasiado sério e grave para não se discutir e questionar quem participou neste crime contra o nosso Estado de Direito.
É preciso lembrar o que disse o outro que agora preside a um grupo parlamentar quando confrontado com suspeitas ( nunca devidamente afastadas) que o envolviam no processo Casa Pia: "estou-me a c. para o segredo de justiça". Estava efectivamente a c. para esse segredo porque sobrepunha ao mesmo o seu interesse particular em defender-se de algo.
O país deve igualmente estar-se a c. para este segredo de justiça precisamente pelo mesmo motivo: é preciso que nos defendamos destes criminosos. Como país. Como povo. Esta gente não presta e tem que prestar contas. 


Lemos o Correio da Manhã, e espantamo-nos. Menos com o Correio da Manhã, do que com o silêncio acerca do que o jornal desvendou nas suas últimas edições. Trata-se, mais de uma vez, de José Sócrates. O ex-primeiro ministro já foi acusado publicamente – e convém sublinhar o publicamente — de conluios, cumplicidades e alinhamentos com banqueiros, empresários e magistrados para, enquanto governante, se apoderar de bancos (como o BCP), decidir grandes negócios (como a OPA da Sonae à PT), condicionar a comunicação social (no caso da TVI-Media Capital), e limitar a justiça (no processo Face Oculta). Tudo foi comentado e analisado a seu tempo (por exemplo, aqui). O Correio da Manhã envolve-o agora numa operação, já depois da saída do governo, para tomar conta de uma parte importante da comunicação social portuguesa (através do domínio da Controlinveste, TVI, e PT).
Num editorial dramático, o jornal descreve mais este capítulo da saga socrática como uma “grave ameaça sobre a liberdade de expressão e de imprensa”, e chama-lhe um “novo atentado ao Estado de Direito”, recuperando a expressão do procurador João Marques Vidal no seu célebre despacho de 23 de Junho de 2009. E de facto, tudo o que é revelado no Correio da Manhã, mais o que consta há muito tempo, configura não só um padrão de actuação, mas uma filosofia: a de alguém para quem o essencial da política não é persuadir os cidadãos e debater com os adversários, como nas democracias, mas acumular meios de controle, manipulação e impunidade, como nas ditaduras.  
Perante tudo isto, não basta tratar o Correio da Manhã como um jornal “sensacionalista”, e confundir estas notícias com as revelações sobre o fim do namoro do Ronaldo, de que não se fala nos salões bem-pensantes. Também não basta dizer que há uma investigação judicial a decorrer, e que não se pode tomar conhecimento do que transpira na imprensa. O regime tem a obrigação de esclarecer se o que corre sobre alguém que liderou um dos maiores partidos portugueses e governou este país durante seis anos – e que, no que é politicamente relevante, vai muito para além da chamada “Operação Marquês” — é ou não é verdade.
Se for verdade, teremos de reconhecer que a democracia portuguesa enfrentou uma verdadeira conspiração a partir do poder, e que só a crise financeira de 2010-2011, ao arruinar o socratismo, poupou o regime ao domínio de uma facção sem escrúpulos e à confrontação política que fatalmente resultaria desse domínio. Desde há 40 anos, ensinaram-nos a reconhecer um golpe de Estado: o parlamento fechado com tanques à porta, e um general de óculos escuros, na televisão, a anunciar a proibição dos partidos e a censura à imprensa. Ninguém nos preparou para outra hipótese: a degradação por dentro do próprio regime, através de combinações entre os oligarcas para diminuir de facto a liberdade e a transparência da vida pública.
E se não for verdade, se Sócrates nunca quis conquistar bancos, se nunca fez negócios, se jamais influenciou magistrados, e se era alheio a quaisquer manobras na comunicação social — para além de inocente dos crimes de que é actualmente arguido –, então valerá a pena examinar como é que, a partir dos tribunais e da imprensa, foi montada esta mistificação sinistra, que fez um político democrático e honesto parecer um émulo do Catilina de Cícero.
Por enquanto, este é um atentado à portuguesa, que aconteceu ou não aconteceu conforme as opiniões. Mas vai sendo tempo de avançarmos para além das “narrativas”. As narrativas servem apenas para cada facção dar estrutura aos seus preconceitos e demonizar os adversários: Sócrates foi um corrupto, que governou com o único objectivo de roubar; Sócrates foi um grande líder reformista, que está a ser perseguido pelos juízes a quem tirou uns dias de férias. Deixemos isto para socráticos e anti-socráticos. Precisamos de factos. É uma urgência nacional.
O trabalho jornalistas e dos magistrados é fundamental. Mas José Sócrates, o seu governo, a sua influência e a sua reputação começam a justificar mais do que uma série de artigos de jornal ou processos judiciais parcelares: o regime tem de confrontar directamente este fantasma, e um dos meios para o fazer é um inquérito parlamentar, em que todos os que tenham algo a dizer sejam formalmente questionados. O que se passou em Portugal, ou melhor: o que se está a passar em Portugal? Se não tivermos uma resposta, a pergunta ficará respondida da pior maneira. 


Olha que porra...

 Expresso:

Soares diz que "Cavaco foi salazarista convicto"...

Realmente, uma coisas destas é um escândalo tão grande como Soares ter sido um comunista de vão de escada.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

As jeremíades de Camões: foi à lã e...veio tosquiado

Observador:

A Procuradora Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, quer afastar-se do caso que está a opor o Jornal de Notícias ao Correio da Manhã e, em comunicado, esclarece que apenas recebeu o diretor do JN, Afonso Camões, porque este disse ter informações sobre o caso que envolve José Sócrates. A PGR garante que nada pode fazer e aconselhou Afonso Camões a procurar um advogado.

O Coiso que não gosta d´a Coisa foi à PGR insinuar que os magistrados do processo violaram o seu segredo que por acaso estava na Justiça e já não está. No artigo que escreveu no seu jornal, para onde terá sido indicado por influência directa do recluso 44, o que diz muito sobre a liberdade de informação que temos, menciona veladamente o facto. Sobre o segredo que já não é, moita carrasco. É tudo mentira...

Agora, na SIC, o advogado Araújo, num regresso triunfante,  pós quadra dos Reis,  no seu habitual discurso fluente e de clareza exemplar,  com dicção dentífrica e palatal vem dizer que os violadores de segredo de justiça neste caso são o procurador Rosário e o juiz Alexandre. Assim, sem mais nem menos. O Coiso que não gosta d´a Coisa não disse tanto, mas agora o Araújo apocrifamente confirma: difamação em directo, pelo Araújo, aparecido depois da quadra pós Reis.

Amanhã temos mais n´a Coisa. E vai ser interessante, ou muito me engano.

Aliás, já nem é preciso esperar por amanhã. A Internet curto-circuita o tempo  e já há resposta do director d´a Coisa:

"O editorial que o 'JN' hoje publica confirma o que o 'CM' escreve sobre esse assunto. É a defesa de uma pessoa que fez algumas coisas que estão vedadas a jornalistas. Ele escuda-se no facto de, na altura em que avisou Sócrates das investigações, não ser jornalista mas sim presidente da Lusa. Mas confirma tudo". É a resposta de Octávio Ribeiro, diretor do "Correio da Manhã", ao texto publicado esta manhã por Afonso Camões, diretor do "Jornal de Notícias". "Por mim, hesito em ir às fuças cobardes de quem me quer ofender, porque resisto à ideia de meter as mãos na enxovia", escreveu Afonso Camões, em editorial hoje publicado.
Octávio Ribeiro acusa ainda a ERC, cuja independência "está posta em causa". E diz: "Acho extraordinário que as informações sobre as reuniões entre Proença de Carvalho e o presidente da ERC não tenham motivado qualquer reação no plano político. Esta ERC já não faz sentido algum". Na base de toda a polémica estão escutas a José Sócrates, que segundo o Correio da Manhã mostram ingerência do antigo primeiro-ministro na comunicação social.


Por outro lado, o assomo de dignidade restante que o presidente da ERC poderia ter dado mostra na votação da recomendação já mencionada , esfumou-se completamente com isto. Resta a magna porta de saída:

O presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, absteve-se na votação da recomendação relativa a uma queixa de José Sócrates contra o Correio da Manhã por considerar que a ERC devia ter sido mais contundente na condenação que fez ao jornal.

Em fevereiro de 2014, a ERC emitiu uma recomendação em que reprovava “a atuação do Correio da Manhã” no tratamento jornalístico dado à vida de Sócrates em Paris e à ligação do ex-primeiro-ministro à Octapharma. A deliberação foi motivada por uma queixa de José Sócrates àquela entidade e Carlos Magno absteve-se. Sabe-se hoje que, nas escutas feitas ao ex-governante, Proença de Carvalho (um dos advogados de Sócrates) terá tido uma reunião com o presidente da ERC no sentido de travar as notícias do Correio da Manhã.

O Camões queixou-se...e a coisa está preta.

 O Camões do Jornal de Notícias ( actualmente talvez o melhor jornal de notícias que há no país, por causa dos seus jornalistas) foi fazer queixinhas à PGR por cause de alguém ter violado um segredo de justiça que já não há. O confessado amigo do recluso 44, desde os tempos de juventude, anterior director da Lusa do bom tempo e outros cargos mais, escreve um dilacerado requisitório contra "a Coisa", ou seja, um outro jornal que vitupera pelos piores vícios do jornalismo, num exercício de contraditório pela negação que nada nega.

Como dirige o jornal teve o espaço que bem quis para se queixar da "Coisa" que não lhe agrada. Porquê? Porque revelou factos que se Camões tivesse um mínimo de dignidade profissional e pessoal já nem estaria a assinar o escrito em lençol onde justifica o injustificável, confirmando o facto implicitamente( "Falei a Joana Marques Vidal das escutas de que estaria a ser alvo, da violação do segredo de justiça").

O que mais espanta neste arrazoado é a escrita medíocre. A rasteirice imputada assenta-lhe que nem luv. A violação do segredo de justiça? Camões já sabe quem foi...mesmo sem preservar qualquer presunção, a não ser a que lhe interessa.

O Estado português deixa que se violem sistematicamente o segredo de justiça e o direito de reserva da vida privada, e assobia para o lado. Posso testemunhá-lo. Disse isso mesmo à Senhora Procuradora-Geral da República, de quem se espera que seja a guardiã dos direitos de cidadania. E que faça o que lhe compete.
Explico-me.
Primeiro, o romance de cordel.
Desconheço a dimensão da matilha, mas sei que, ainda que pouco inteligente, obedece ao dono que a mandou ir "chatear o camões". Só percebeu a terminação, mas veio. Literalmente.
Razões sanitárias inibem-me de dizer o nome da Coisa publicada que nas últimas horas, e provavelmente nas próximas, mente com todas as letras, procurando atingir o meu nome, Afonso Camões, e, por esta via, tentar minar os laços de confiança e de credibilidade na relação com os leitores que fazem do Jornal de Notícias um grande jornal nacional, sustentável, vencedor e orgulhoso da sua pronúncia do Norte.
A Coisa publicada - que lidera em Portugal o triste campeonato das condenações e dos crimes por difamação, abuso de liberdade de imprensa, de violação do direito de reserva da vida privada e outras malfeitorias escritas que tais - mente e manipula, sabe que o está a fazer, mas vai ter que responder por isso, mais uma vez. Associa-nos a um fantasioso plano conspirativo para a tomada do poder na comunicação social, a mando do antigo primeiro-ministro José Sócrates. Esse mesmo, aperreado há 59 dias sem culpa formada, detido preventivamente por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.
A "novidade" que trazem, de mau "jornalismo", é velha de mais de 40 anos, tantos quantos os da relação de amizade que mantenho, com gosto e desde a minha juventude, com Sócrates.
E dizem que o avisei que ia ser detido. E que terá sido em maio, quando eu integrava a comitiva do presidente da República à China e a Macau. Ora, se o avisei, e se foi em maio, eu era administrador e presidente da Agência Lusa. Logo, não estava jornalista, muito menos diretor do nosso Jornal de Notícias. E, pelos vistos, nem sequer havia processo.
É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da Coisa que a prisão de Sócrates estava iminente. Esse mensageiro cometeu um erro: quando se tem uma informação relevante, o primeiro dever de cidadão de um jornalista livre, pesados os seus direitos e responsabilidades, é para com os seus leitores.
Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, diretamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira. Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça.
Sim, eles falam com jornalistas!
Durante meses, o caso parecia ter ficado por ali.
Mas basta uma pequena ponta de verdade para sobre ela fazer cair a sombra de uma grande mentira. Depois da detenção de José Sócrates, a 21 de novembro, mas comentada há meses nos meios políticos e jornalísticos, começou a circular nos corredores da intriga que eu teria avisado o antigo primeiro-ministro da sua iminente detenção. Mas, agora, já como diretor do JN, o que configuraria uma grave violação do Código Deontológico. A mentira chegou, plantada, a vários jornais, mas teve sempre perna curta.
O ataque à minha reputação, mas sobretudo à independência e à credibilidade do nosso Jornal de Notícias, levaram-me a pedir uma audiência à Senhora Procuradora-Geral da República. Joana Marques Vidal recebeu-me quinta-feira à tarde, dia 15, na presença do meu diretor-executivo e do diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, que tutela a investigação ao caso Sócrates, liderada pelo procurador Rosário Teixeira e pelo juiz Carlos Alexandre.
Narrei à procuradora parte dos factos aqui descritos. Mostrei-lhe séria preocupação pela intentona em curso, lesiva e violadora dos meus direitos, liberdades e garantias, e, sobretudo, o gravíssimo atentado à credibilidade deste JN centenário, que atravessou regimes e revoluções, mas que não é nem nunca poderá ser utilizado como instrumento de uma qualquer guerra empresarial, na disputa pelo controlo dos média portugueses.
Falei a Joana Marques Vidal das escutas de que estaria a ser alvo, da violação do segredo de justiça, da tentativa de condicionamento da minha liberdade enquanto diretor de jornal e jornalista, e da necessidade de a procuradora-geral, como guardiã dos direitos dos cidadãos, atuar para impedir esta violência e a continuação destes crimes. Disse-nos nada poder fazer e, candidamente, aconselhou-nos a consultar um advogado...
Diz a Coisa publicada que foi Sócrates que me fez diretor do Jornal de Notícias.
Sou honrosamente diretor deste grande jornal, com o voto unânime do seu Conselho de Redação, depois de ter aceitado o convite dos meus administradores, com o apoio do Conselho de Administração deste grupo empresarial. É perante eles que respondo. E é aos nossos leitores que dou a cara, cada dia.
Aqueles que se cruzaram comigo ao longo de 35 anos de carreira, que me orgulha a mim, aos meus filhos e amigos, sabem a massa de que sou feito.
Trabalhei com zelo e lealdade sob Freitas Cruz, Feytor Pinto, Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice, Francisco Balsemão, Cunha Rego, Vasco Rocha Vieira. Nos últimos anos, enquanto administrador da Lusa, trabalhei sob sete ministros, ao longo de três governos de diferentes famílias.
Não sou de deixar ninguém para trás. E guardo em casa, entre outras honrarias, a medalha de mérito da minha terra e a Medalha de Mérito Profissional que me foi atribuída em nome do Estado português.
Mas voltemos à audiência na Procuradoria-Geral da República. O diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, considera que "não há política neste caso" e, sem que eu o tivesse questionado, sublinhou a confiança dos seus "homens no terreno" (estou a citá-lo), negando, primeiro, ter ouvido as escutas, mas, depois, confirmando ter ouvido mas não tudo.
No dia seguinte, a 16, a Coisa publicada bradava o primeiro folhetim da fantasia conspirativa, pretendendo atingir o presidente do Conselho de Administração da Global Media, Daniel Proença de Carvalho, e os seus administradores.
Quem é essa gente, que atira a pedra escondendo a mão?!
Há mais de 400 anos, Filipe II de Castela, aquele que residiu em Lisboa, topou-lhes o caráter nos avoengos, em carta enviada à mãe para Madrid: gente rasteirinha, daqueles que "sofrem mais com a ventura alheia do que com a dor própria". Dói-lhes de inveja que sejamos sãos, a crescer e melhores do que eles. E estão outra vez enganados: aqui, na casa, cumprem-se regras herdadas de gerações de grandes jornalistas, ao longo de 127 anos, e gostamos de roçar a nossa na língua portuguesa. Mas antes mortos do que na imundície em que esgravatam.
Mais luz sobre este lance põe a descoberto, também, o mais sujo e antigo dos truques das guerras comerciais que todos conhecemos: atirar lama sobre os produtos e as empresas da concorrência, para ganhar vantagem no mercado. É nessas práticas que se revelam os carateres.
Não disputaremos tal terreno.
A liberdade de imprensa não pode ser utilizada em nome do lucro ou de agendas empresariais. Nada é mais importante do que a liberdade. E são ignóbeis quaisquer tentativas de submeter a liberdade a agendas pessoais - sejam elas privadas, ou mesmo públicas.
Não podemos permitir que, a coberto de um caso mediático, empresas nossas concorrentes utilizem a mentira para tentarem ganhar vantagem.
A meses de duas eleições que convocam os portugueses para importantes escolhas, a quem aproveita a tentativa de condicionamento do JN?
Este jornal tem critérios e depende exclusivamente deles. São os da ética e do rigor profissional. Não tem ambições políticas e é indiferente a quem as tiver. Não deve obediências a partidos, autarquias, clubes, empresas ou qualquer sacristia. Mas não é nem será neutral na defesa das grandes causas, pela liberdade e dignidade do homem como medida de todas as coisas.
Contra o centralismo, a miséria, a ignorância, a inveja e a tirania, não gostamos do jornalismo mole, narcótico ou redondinho. Ao contrário, apreciamos e procuraremos acolher e cultivar a prosa culta, comprometida, por vezes revoltada - e sempre, sempre inconformada. Um jornal são milhões de palavras. E quem as escreve escreve-se a si também, no seu registo histórico.
O JN é um exercício de memória contra o esquecimento. Na batalha contra as desigualdades e na afirmação da solidariedade inclusiva, em primeiro lugar na relação de vizinhança, aí esteve e aí estará sempre o Jornal de Notícias.
Como eu compreendo o Papa Francisco quando, há poucos dias, disse que se alguém lhe ofendesse a mãe "deveria estar preparado para levar um soco". Por mim, hesito em ir às fuças cobardes de quem me quer ofender, porque resisto à ideia de meter as mãos na enxovia.

Até lá, o Senhor lhes perdoe, que eu não posso."


Dito isto, este Camões parece mesmo um Coiso... que era um jornal dos anos setenta. Logo mostro...


E então o tal Coiso era assim, um semanário humorístico a arremedar o tal francês Hara-Kiri que em 1970 após ter sido proibido (a Censura não era coisa só do Salazar e do fassismo...) se passou a chamar Charlie Hebdo.
Em 14 de Março de 1975 publicava-se este número dois, com uma referência Pinochet, o ogre fassista do momento.

Será Camões o Coiso? Veremos amanhã...( a suivre)



domingo, janeiro 18, 2015

A confissão

Público:

Maria Barroso: "Uma pessoa como Sócrates tem de estar inocente"

Claro. Poderia lá ser outra coisa...nem que chovam picaretas, a inocência do dito tem que ser garantida. Senão, lá vai tudo por água abaixo e isso é que não pode ser.

De resto a lógica deste tipo de afirmações escapa completamente ao vulgar cidadão porque esta gente, sim, com toda a propriedade,  "esta gente" sempre viveu fora deste mundo que é o nosso e  com que nos prendaram, acompanhado de três bancarrotas em menos de 40 anos.
Logo a seguir ao 25 de abril chegaram cá, de combóio, com uma mão atrás e outra à frente, quase literalmente apesar da sempre propalada fonte de rendimento de um colégio que deve ser único em Portugal...
Andavam de "Mini" até chegarem à presidência da República. Depois disso, de Macau e de alguém lhes ter oferecido virtualmente  "um avião", coisa que ninguém achou estranho indagar, apesar de ter sido dito publicamente pelo chefe da casa, tornaram-se ricos. Deixaram de ser os pindéricos que eram em Paris e passaram a fazer parte daquela camada de população para quem "o dinheiro aparece sempre".

É por essas e por outras que agora o recluso 44 "tem de estar inocente". Pois tem, tem.

Em 1975, em Agosto,  a revista Paris Match foi a casa dos ditos. E o que mostrou fala por si...

"Aquela fruteira, a lembrar a de Zeca Afonso...aqueles talheres...aquela penumbra...aquela garrafa de vinho em cima da mesa...aquele pratinho vitrificado na Marinha Grande...aquele jarrinho com água e napperon em cima...fantástico.
A foto da  Paris Match ilustra a liberdade dos jornalistas entrarem no apartamento de Mário Soares e família, coisa que se perdeu ( essa liberdade, claro) por motivos desconhecidos. Quadros? Onde estão? No escritório? A modéstia imperava nesses tempos de austeridade..."

"Sócrates tem de estar inocente". É a frase de uma vida...

Portugal, país carente de humor em papel de jornal...

Magnífico artigo no Malomil sobre as revistas de humor que já houve em Portugal. E agora não há...

A democracia estuporou o humor?  Logo a seguir a 25 de Abril de 1974, com toda a liberdade possível o que apareceu foi isto...




O mais próximo que tivemos do humor tipo Charlie foi o de José Vilhena.


sábado, janeiro 17, 2015

O caso de Bragança, o homem que cita

José Bragança de Miranda, professor de universidades, tem um sítio com muitos livros e deixou-se fotografar para o Jornal de Negócios deste fim de semana assim:

Depois diz assim, para ficar bem na foto:


Fala na "judicialização da própria vida" para reforçar uma ideia que tem pés para andar sózinha: a de que há um excesso de regras na sociedade portuguesa. Mas depois mistura a judicialização da vida com a da política e com a ideia de que "quando se procura um culpado só há duas hipóteses. Ou se vai para a religião ( e o confessionário) ou o tribunal ( e a judiciarização geral). É mais um dos efeitos da crise de definição de política".

Não sei se é assim ou não é e parece-me que um citador é um indivíduo que lê e decora, mobilando o espírito com artefactos intelectuais. Bragança é dos tais e cita Hobbes e outros de tal modo que não se sabe o que pensa por si, apresentando um discurso confuso e patafísico. Há muitos assim, em Portugal, e todos grandes citadores.

Sobre o caso concreto cita o juiz Carlos Alexandre para dizer que "ficará em muito maus lençóis se o que tiver para apresentar no final deste processo for nada."

Nada? E o que será o "nada"? Ora venha de lá o Hobbes...

O que resulta deste processo, para já e citando notícias dos jornais é tremendo e fantástico. E cito aqui um pequeno artigo de outro citador do Observador, João Marques Almeida que escrevia anteontem sobre "um antigo PM reconheceu que recebeu envelopes com dinheiro de um amigo, e trata esses "empréstimos" com a maior das naturalidades. Os empréstimos poderiam ter vindo de um amigo sem relações empresariais com o Estado no seu passado. Ou de um amigo com fortuna feita no estrangeiro. Mas não. Foi um amigo que trabalhou numa empresa que ganhou muito dinheiro com contratos públicos durante os últimos governos do PS. Nenhum socialista, nenhum membro do PS, denhum amigo de Sócrates acha isto estranho?" - perguntava o mesmo escriba, acrescentando : " a solidariedade socialista exprime-se através de envelopes com dinheiro? Será um hábito corrente? Ainda não ouvi um único socialista mostrar a mais leve estranheza pelo facto de um antigo PM ter recebido envelopes com dinheiro".  Por acaso até houve um socialista que tal manifestou- Henrique Neto.

Porém, o que importa aqui é citar outra vez Bragança a propósito daquele "nada" jurídico, separado de tudo o que já se sabe.
Em primeiro lugar, quem ficaria em maus lençóis não é o juiz Carlos Alexandre, que no caso é   o juiz de instrução de um inquérito que o Ministério Público dirige. Portanto quem assim ficaria era o Ministério Público em primeiro lugar. Mas...ficaria porquê? Por não se provar o quê? A corrupção?

Ora é aqui que entronca a questão de fundo: a corrupção é,  simplificando e para não citar a lei expressamente, um crime que pressupõe uma entrega ou promessa de entrega de algo que é indevido,  em troca de outra coisa, geralmente um benefício que não deveria ser outorgado desse modo.

Um PM recebe um balúrdio de milhões de um amigo que foi beneficiado por actos admistrativos do seu governo e contratos de ainda mais milhões, sensivelmente na mesma altura em que tal ocorreu.

É preciso mostrar e provar o quê, neste caso? O acto de entrega dos milhões, com um filme em 3D?  Se os tribunais não foram capazes de ver para além da peneira que tapa este sol, não serão capazes de ver nada mais e portanto o problema, citando Hobbes que o citador cita será " o medo [que] é a paixão democrática por excelência" .

Quando ao caso de Bragança e outros parece-me mais uma visão de guião cinematográfico, para citar não sei quem: toda a gente já percebeu o enredo do filme mas todos esperam por saber como é que o vilão será apanhado no final. Se é por bala de prata em duelo ao sol; por explosão no espaço sideral ou confinado ao espaço de umas algemas simbólicas que o manietarão para a vida pública para todo o sempre.

De resto, o citador, de Bragança, deveria ser um dos jurados desse julgamento. Isso para ver se citaria outra vez Hobbes ou se se libertaria desse fardo de homem branco, professor de universidades.

A opinião de um juiz

Observador:

Apesar de estar detida, uma pessoa não perde o direito à opinião. É a consideração do juiz do Tribunal de Relação de Évora, Renato Barroso, quando lhe perguntam se um preso pode dar entrevistas.
“Um individuo que está detido não perde o seu direito à opinião. Depois a forma como a manifesta é que é mais ou menos discutível”, disse o juiz à Renascença, sobre o caso de José Sócrates. 


Isto acontece igualmente com os juízes. Apesar de estarem presos à sua profissão, também não perdem o direito à opinião. Depois, a forma como a manifestam é que é mais ou menos discutível.

Exactamente e a forma como este juiz exprimiu é bem discutivel porque para dizer isto mais valia estar calado e para suscitar equívocos com estes género de declarações, ainda mais...

Paus mandados & associados

O Correio da Manhã de hoje continua a divulgar casos sérios da democracia portuguesa, num trabalho meritório de sopesação de valores. O valor do segredo de justiça, neste caso totalmente irrelevante para a investigação e apenas com relevo para a boa imagem destes indivíduos,  contra o do conhecimento de malfeitorias graves contra o país, animadas por um grupo de indivíduos que tinham como pivot, o actual recluso 44.Qual o valor a proteger aqui? Parece evidente, depois do caso Charlie...de modo que a hipocrisia dos visados, tendo feito o mal, refazendo agora a caramunha deve contar o que vale.
Por estas e por outras, alguns figurões, acompanhados dos falsos ingénuos do costume, armados em idiotas inúteis, defendem a proibição de escutas, pura e simplesmente. Provavelmente na mesma frase serão capazes de louvar Edward Snowden ou Julian Assange...

Também se explica por estes factos a razão pela qual o advogado Proença gostava de um Ministério Público mais "democrático": para que alguns pudessem atacar melhor a democracia, sem que se viesse a saber.

Atentar contra a liberdade de imprensa não é apenas metralhar as instalações de um jornal para o calar. É de igual modo metralhar virtualmente os seus donos e directores a fim de o vergar a uma linha de conduta editorial consentânea com os interesses particulares de um grupo ligado ao poder político executivo. É portanto cerzir uma teia de influências, usando dinheiro suspeito, para coarctar a liberdade de informação, por redução da mesma a uma opinião domesticada e que não atente contra os interesses desse grupo ou dos indivíduos que o detém.  Se o pivot for um primeiro-ministro, como inequivovamente era José Sócrates aquando do escândalo do Face Oculta, a ocultação desses factos e a destruição de provas dos mesmos é em si mesmo um crime cujos autores, no caso, ficaram impunes e eram dos mais elevados titulares de cargos de relevo nacional. Um escândalo com esta dimensão estereoscópica é inédito na democracia portuguesa, porque nem mesmo no caso do fax de Macau tal sucedeu, uma vez que apenas se limitaram danos por conveniência em não envolver o então presidente da República Mário Soares, o desbocado desmomoriado que por aí anda outra vez. Na altura não havia escutas mas passou a haver o livro de Rui Mateus que pôs preto no branco os contornos do escândalo que passou impune.

Sobre Carlos Magno resta dizer que ainda lhe restou uma réstea de dignidade ao abster-se na votação, o que terá provocado mais uma fúria do recluso que terá comentado que Magno tudo lhe devia na vida.  Se for assim é triste como a noite.

Agora é isto que se pode ler:




















Tudo isto redundou em quê? Uma imagem por mil palavras, tirada por alguém das "redes sociais" e que mostra o discurso às tropas do novo director do DN, André Macedo, sob a sombra tutelar e esconsa, à direita na imagem, do novo presidente de administração, o dito que está em tudo o que mexia. Ah! E diga-se já uma coisa: o actual Diário de Notícias parece que vende uns milhares de exemplares, muito poucos. Vale ainda menos do que valia quando estava lá o jornalista desportivo Marcelino e por isso vale o velho ditado de que atrás de mim virá quem de mim bom fará...actualmente com este novato é a coisa mais insípida, mais desinteressante que pode haver em jornal e já começou a corrida para a meta da bancarrota. Daqui a dois anos, se tanto, fecha ou muda de rumo, até porque o papel que lhe estava reservado de tropa de choque para a candidatura presidencial e inenarrável está resolvido a zero.


Por outro lado, temos esta esta informação relevante sobre o verdadeiro valor do segredo de justiça para estas pessoas: tal como o outro, estão-se bem a c. para tal, a não ser que a m. lhes caia em cima.

Tudo isto advirá do conteúdo do despacho que decretou a prisão preventiva ao recluso 44 e por isso é segredo de polichinelo que mais uma vez é usado como arma de arremesso por causa da caca que lhes anda a sujar os fatos tipo boss.

De resto sobre a TVI e a designação de um tal Sérgio Figueiredo, figura ímpar no universo da fundação EDP,  para seu director já por aqui se havia anunciado em tempos a conversa de pé de orelha pelo mesmo mantida com o recluso 44, ainda em liberdade.Assim, em  16 de Julho de 2012.

Aqui há dias ( 7 de Junho) o D.N. noticiava que o ex-primeiro-ministro José Sócrates esteve por cá, almoçando no restaurante Altis Belém Hotel & Spa, em Lisboa.
A notícia acrescentava que o almoço teve a companhia de um tal Sérgio Figueiredo, ex-jornalista, director do Jornal de Negócios e que agora administra a Fundação EDP. Teria sido o parceiro de almoço o padrinho da sinecura?

Para terminar noticiava-se que José Sócrates, que como foi dito pelos seus próximos ( um tal Renato do Porto) leva uma "vida muito contida", fez-se transportar num Mercedes "topo de gama" com motorista. Alvitrava-se então que ainda se tratava de resquícios dos privilégios que mantinha para si ( a par dos famigerados plafonds em cartões de crédito para almoçaradas e jantares) e cortara deliberadamente a muitos outros...mas o D.N. de 13.6.2012, segundo escreve hoje no mesmo diário Óscar Mascarenhas, esclarecia que afinal o mercedolas é mesmo pertença do antigo primeiro-ministro que vive de modo frugal e "muito contido" em Paris. E sem rendimentos que se lhe conheçam...

Óscar Mascarenhas acrescenta ainda um condimento a esse comentário desenvolvido: o restaurante em causa "recebeu recentemente uma estrela do Guia Michelin".

A estrela é a cereja no topo do bolo. Mercedes... 


Conclusão de tudo isto? Ainda há cegos voluntários que não querem ver. Um deles chama-se Renato.

Quanto ao Expresso estas coisas deixaram de ser notícia há muito. E não admira...

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Eu sou CM

Segundo o Correio da Manhã de hoje, " José Sócrates usou o seu amigo e advogado pessoal Proença de Carvalho para condicionar a ERC contra o Correio da Manhã", por causa das notícias que o chateavam...designadamente as relativas à estadia em Paris e à  ligação à Octapharma. No início de 2014 parece que deveria ocorrer uma reunião no escritório do advogado, em que o presidente da ERC deveria estar presente a fim de se discutir o assunto.

O presidente da ERC, Carlos Magno, já desmentiu a presença na reunião, mas parece que há telefonemas comprometedores. Se for verdade, o presidente da ERC já nem o devia ser...

Seja como for, neste assunto, sou Correio da Manhã e contra os fundamentalistas que atentam contra a liberdade de imprensa no nosso país, como parece ser o caso flagrante daqueles dois figurões. 


quinta-feira, janeiro 15, 2015

Mário Soares, o salafrário da República


Observador: "Soares: Por Sócrates “ainda me vou bater”


Na apresentação do livro de entrevistas de Mário Mesquita, “Mário Soares na construção da democracia”, o antigo chefe de Estado volta a acusar a justiça, mas sobretudo o juiz Carlos Alexandre que ordenou a prisão preventiva: “Porque é que está preso? Porque é que há um juiz que é capaz de dizer que ele merece estar preso, sem nunca ter sido julgado?”.
Na apresentação do livro, Soares voltou a considerar a prisão de Sócrates “uma infâmia, esta situação em que está preso um ex-primeiro-ministro sem nunca ter sido julgado. É coisa que não é aceitável”. É como não é aceitável, Soares, que diz que se vai afastar da vida política ativa deixa um recado: “Por isto ainda me vou bater
”.

Observador, "o descaramento não tem limites":   

Um antigo membro do Conselho de Administração de uma empresa de construção “emprestou” dinheiro a um antigo PM de um governo que exerceu funções durante o período em que essa empresa beneficiou de contratos de obras públicas. Foi isto que aconteceu. Será normal?

Os empréstimos poderiam ter vindo de um amigo sem relações empresariais com o Estado no seu passado. Ou de um amigo com fortuna feita no estrangeiro. Mas não. Foi um amigo que trabalhou numa empresa que ganhou muito dinheiro com contratos públicos durante os últimos governos do PS. Nenhum socialista, nenhum membro do PS, nenhum amigo de Sócrates acha isto estranho? Acham normal? A solidariedade socialista exprime-se através de envelopes com dinheiro? Será um hábito corrente? Ainda não ouvi um único socialista mostrar a mais leve estranheza pelo facto de um antigo PM ter recebido envelopes de dinheiro
.

Mário Soares é o salafrário da República. Um indivíduo que perdeu a noção básica e substancial do que significa um Estado de Direito e que tem a distinta lata em proclamar publicamente que "Portugal não é uma democracia". Isso para além de proferir disparates jurídicos em catadupa que envergonhariam um estudante de direito penal de primeiro ano. Mário Soares tem gozado de um estatuto de impunidade inadmissível e só justificável pela poltranice dos jornalistas que temos.

Portugal seria uma democracia, para Mário Soares, se o poder judicial se pusesse de cócoras como se pôs, aquando do escândalo de corrupção do fax de Macau que o envolveu directamente enquanto presidente da República, tal como denunciado por Rui Mateus, um dos fundadores do PS e companheiro de recolha de fundos de Mário Soares, junto dos alemães, nos anos setenta e oitenta.
Rui Mateus escreveu um livro que foi rapidamente censurado, nunca reeditado e foi logo tratado como um pária. Desapareceu misteriosamente da cena pública e o salafrário da República devia ser obrigado a responder publicamente por isso, explicando o que se passou, porque saberá melhor que ninguém o que aconteceu.
Em vez disso, sustentado numa impunidade mediática continua a ofender, insultar e vilipendiar os poderes institucionais do Estado de Direito que prenderam um seu correligionário, por motivos que se suspeita serem inconfessáveis mas que não andarão longe daqueloutros que motivaram o afastamento do tal Rui Mateus: pânico por temer que o PS se desconjunte e desapareça.

Desapareça, sr. Soares!

NB. O epíteto "salafrário" é mais suave do que o epíteto de "voyou" com que o semanário francês, Marianne, de esquerda, brindou em tempos o então presidente da república francesa, Sarkozy,  devido à ampla liberdade de expressão. Em França, tal passou como um acto legítimo de exercício dessa liberdade.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

O mito da liberdade de expressão tipo Charlie.

Há alguns anos o desenhador Siné, mais célebre que os célebres do Charlie Hebdo, colaborava neste jornal. Até um dia de Julho de 2008 em que...foi despedido por usar a sua liberdade de expressão para mencionar o judaísmo...

"Le 2 juillet 2008, Siné avait rédigé une chronique dans Charlie Hebdo dans laquelle on trouvait une réflexion sur Jean Sarkozy, un des fils de la lignée De Nagy Bocsa :

« Il vient de déclarer vouloir se convertir au judaïsme avant d’épouser sa fiancée, juive, et héritière des fondateurs de Darty. Il fera du chemin dans la vie, ce petit ! »
Pour cette petite ironie, il apprit en ouvrant l’hebdomadaire du 16 juillet 2008 qu’il était licencié, soit environ deux semaines plus tard. N’est-ce pas là une méthode digne et respectueuse ? Surtout lorsque l’on sait que l’instigateur de cette technique de renvoi n’est autre que Philippe Val, aujourd’hui directeur de France Inter, nommé par… Nicolas Sarkozy lui-même, le père de la jeune victime.
N’y aurait-il pas là un lien de cause à effet, une récompense ? Nous nous refusons d’aller jusqu’à cette extrémité et laissons ce genre de théories haineuses aux esprits contaminés par le complotisme, le conspirationnisme et la grippe H1N1.
La raison invoquée par Philippe Val pour justifier cette purge est la suivante : selon lui, les propos de Siné « pouvaient être interprétés comme faisant le lien entre la conversion au judaïsme et la réussite sociale, et ce n’était ni acceptable ni défendable devant un tribunal »."

Está aqui este texto.



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso