quinta-feira, julho 21, 2016

O jacobinismo nunca dorme...nós é que sim.

Há cerca de dois anos, um tal Sá Fernandes, intelectual de elevada craveira e que dizem que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa, decidiu no seu pelouro de vereação acabar com uns emblemas ajardinados e antigos, que existiam na Praça do Império, em frente aos Jerónimos.
Tais emblemas incluem brasões e símbolos da nossa portugalidade e remontam ao tempo em que ainda tínhamos colónias, como uma boa parte dos países europeus.
Em 1940, para comemorar os 800 anos da nossa nacionalidade e os 300 anos da restauração da mesma, fez-se uma exposição em Lisboa que foi chamada do Mundo Português e foi nessa altura que se construíram pavilhões evocativos e idealizou um jardim, em frente ao mosteiro dos Jerónimos que mais tarde, ainda no tempo de Salazar, veio a incluir  os referidos brasões desenhados em bucho, como elementos decorativos e simbólicos do nosso passado histórico ultramarino.

É desse passado histórico que o tal Sá Fernandes, mais a Câmara de Lisboa, responsável pelos jardins locais,  se envergonham e por isso, no alto do poder de vereação decidiram acabar com os símbolos desse mal que inclui a Cruz de Cristo que ornava as nossas caravelas quando partiram para as Descobertas.
É destes jacobinos que temos para obliterar a História à boa maneira comunista que apagava das fotografias os elementos entretanto tornados indesejáveis de figurar na história representada.

O jornal O Século, em 1940 publicou uma edição especial que pode ser vista integralmente aqui e mostra nesta imagem a composição arquitectónica, com os jardins agora em causa.  



O Século Ilustrado de 29.6.1940 mostra a inauguração:



 Durante o tempo de Salazar e Caetano e até aqui há  duas décadas atrás, os jardins e respectivos emblemas simbólicos eram cuidados assim:





Actualmente, depois de instalado na CML o poder maçónico e jacobino,  encontram-se assim, num acto de abandono voluntário e equivalente ao das fotos do comunismo estalinista:


Assim foi notícia há dois dias que um gabinete de arquitectura qualquer ganhou um concurso de ideias para refazer esteticamente o local, o que inclui, natural e obrigatoriamente ( se não,  nem sequer teriam ganho...estou em crer)  a substituição dos referidos brasões simbólicos por outra coisa qualquer, eventualmente de índole maçónica que é a profissão de fé da actual CML.

Enfim, mais uma jacobinice, das antigas e de sempre e que a falta de cultura dos portugueses em geral permite e condescende.

A propósito de tal assunto, por ocasião da referida Exposição do Mundo Português foi construida uma nau representativa das que marearam em busca de outras terras e outros mares, nos séculos XVI  e XVII. O galeão da carreira da Índia foi idealizado no início de 1939 como relata este artigo do Século Ilustrado de 25 de Fevereiro de 1939.


Foi construído no Arsenal da Marinha e serviu para engalanar o Pavilhão do Mar nessa mesma Exposição.
Foi inaugurado em Setembro de 1940, como relata o artigo desse mês da mesma revista com a imagem de Salazar, o cardeal Cerejeira e Leitão de Barros, um dos autores da ideia.
Estas fotografias, os jacobinos maçónicos não apagam da memória.

Por uma razão suplementar: a nau Portugal chama-se Sagres tal como o actual navio-escola que ostenta nas suas velas a mesmíssima Cruz da Ordem de Cristo que tanto incomoda esta gentinha de pequenez histórica assegurada.





terça-feira, julho 19, 2016

O nosso nacionalismo de sempre

Pedro Soares Martinez publica hoje no O Diabo este artigo que mostra o que era o nacionalismo salazarista e que não envergonha ninguém.
Em vez de se andar sempre com o (g)orgulho nacional na boca, deveria ser esta a noção mais estimada do conceito.


Neste momento, um dos exemplos mais flagrantes do conceito é este e que merece admiração:





segunda-feira, julho 18, 2016

O concurso de ideias peregrinas do Governo

Diz aqui que o Governo pede ideias para o Orçamento de Estado e até dá um prémio para as melhores contribuições. Tal é apresentado como uma grande inovação...ou seja uma grande ideia. Deve ser de ideias como estas que o governo anda à procura.

Os portugueses podem apresentar propostas destinadas, por exemplo, à agricultura, ciência, cultura, educação de adultos e a formação ao longo da vida.
O Governo sublinha tratar-se de uma experiência inovadora, não se conhecem outros exemplos de orçamentos participativos numa escala nacional, embora existam vários noutras escalas, em autarquias, regiões ou Estados federados.


As cabeças de cartaz destas ideias peregrinas são estas: a da esquerda é da "modernização administrativa" e não tem ideias. A da direita é um antigo erc cujas ideias secaram há muito e o do meio está a rir-se de nós porque ideias nunca teve, a não ser uma: ir para o governo e colocar os correlegionários que são legião. O resto são outros que fazem e quando não fazem botam um concurso de ideias feitas ou a fazer.

As legiões batem palmas e o jornalismo nacional exulta com a grande ideia.




sábado, julho 16, 2016

A elite do Expresso

José de Faria Costa, um catedrático de Direito Penal da Universidade de Coimbra escreveu este pequeno texto que o Expresso publica na edição de hoje, sobre o fim das penas e do direito penal.


Para quem não saiba, eis o seu currículo:

"JOSÉ FRANCISCO DE FARIA COSTA, filho de Joaquim Costa e de Maria Fernanda Esteves de Faria Costa, nascido em 26 de Janeiro de 1950, fez os seus estudos a nível do ensino secundário no Liceu de D. Manuel II, no Porto, tendo-se matriculado, em 1968, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde veio a concluir a licenciatura, em Fevereiro de 1974, com a classificação final de 17 valores. Pós-graduou-se, na mesma Faculdade, em 1980, em Ciências Jurídico-Criminais, apresentando a dissertação A caução de bem viver. Um subsídio para o estudo da evolução da prevenção criminal, tendo obtido a classificação final de Muito Bom, com 18 valores. Em 10 de Março de 1992, doutorou-se, na Faculdade de Direito de Coimbra, apresentando-se a provas públicas com a tese O perigo em direito penal (Contributo para a sua fundamentação e compreensão dogmáticas), tendo sido aprovado, por unanimidade, com distinção e louvor. Em 1997 é aprovado por unanimidade nas provas, por concurso documental, para a categoria de professor associado. Em Março (6-7) de 2003 faz provas públicas de agregação, tendo sido aprovado por unanimidade. Em Janeiro de 2004 é aprovado, por unanimidade, em concurso público documental, para a categoria de professor catedrático. É professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra desde então, tendo sido Presidente do Conselho Directivo daquela Faculdade entre 2005 e 2009. Entre 2009 e Julho de 2013 foi Presidente do Instituto de Direito Penal Económico e Europeu exercendo, actualmente, as funções de Provedor de Justiça de Portugal. Por inerência do cargo faz parte do Conselho de Estado. No dia 10 de Março de 2016, o Provedor de Justiça de Portugal assumiu, pela primeira vez, a Presidência da Federação Ibero-Americana de Ombudsman (FIO)."

 Essencialmente, segundo escreve,  uma pena serve para castigar e prevenir a prática de futuros delitos, mostrando também à sociedade que o crime não compensa. Qual a medida da dosagem? É coisa difícil de dizer e depende do ar to tempo, sendo certo, porém, que o que se pretende, sempre, é "restaurar a paz jurídica que o crime estilhaçou".

É isto que se ensina em Coimbra e Faria Costa é um dos seus professores de elite.

Outra figura da elite, deste vez jornalística, escreve também no Expresso sobre o conceito de "sector público" .
  Clara Ferreira Alves que em tempos foi apelidada de analfabeta por VPV e depois de o accionar penalmente perdeu o processo, denota agora que aquele teria razão. Como não foi penalmente estilhaçada a paz jurídica, fica a expressão de VPV em apelidar CFA de analfabeta, com todo o relativismo que tal implica, mas com a certeza de que nunca mereceu pena por ter dito tal coisa.

  O modo como analisa o tal sector público, o privado e a interacção política com ambos é sinal de que VPV tinha razão, de facto.


sexta-feira, julho 15, 2016

A táctica da defesa de Sócrates...é o sinal da sua cruz

Observador:

A defesa de José Sócrates considerou hoje que o surgimento de novas suspeitas do Ministério Público na Operação Marquês tornou-se “recorrente à medida que as `velhas´ vão falindo” e os prazos para encerrar o inquérito são “sucessivamente violados”.

Esta posição dos advogados José Araújo e Pedro Delille surge após o Ministério Público (MP) ter dirigido na quarta-feira buscas a sociedades do grupo PT, residências de antigos gestores daquela empresa e a um escritório de advogados no âmbito da Operação Marquês, em busca de “eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito e os grupos PT e Espírito Santo”.



Uma imagem para esta nova ignomínia... já com alguns anos, tirada na terra das cerejas e que mostra bem como é possível enganar muita gente durante muito tempo, com tácticas apropriadas.



quinta-feira, julho 14, 2016

Teorias de conspiração sobre o BES, Durão Barroso e a Goldman Sachs.

As teorias de conspiração não têm limites para a imaginação, mas uma das formas de as debater é a verificação dos factos, o fact checking velhinho, dos jornais.

Lendo este blog apanham-se uns supostos "factos" que merecem atenção por esse motivo.

Um dos factos, indesmentível, será este, noticiado em 4.8.2014:

Quem sobreviveu melhor ao naufrágio do BES? O Goldman Sachs

O banco norte-americano vendeu mais de 4 milhões de acções do BES no passado dia 23 de Julho, ou seja poucos dias antes da CMVM ter decidido a suspensão da negociação dos títulos em bolsa. - Veja mais em: https://www.dinheirovivo.pt/banca/quem-sobreviveu-melhor-ao-naufragio-do-bes-o-goldman-sachs/#sthash.RPcHFCkW.dpuf

O Goldman tinha superado a fasquia dos 2% do capital do BES no dia 15 de Julho, na sequência da compra de mais de 89 milhões de acções do banco e da aquisição de quase 38 milhões de instrumentos financeiros. Na altura, o banco justificou a compra das posições, que lhe permitiram ficar com 2,27% do capital do BES, “no sentido de facilitar a transacção de clientes
”.

Para além desses factos há outros que merecem a atenção aludida:


Ali diz-se que o filho de Durão Barroso ( que costumava passar verões em Moledo há vinte anos, se tanto...) foi colocado no Banco de Portugal em Julho de 2014,  por cunha do pai junto do presidente do BdP,  a fim de vigiar o que se passava no BES...e por esse motivo foi colocado  no departamento que estava a tratar da resolução desse banco que aliás aconteceu no final desse mês.
Terá sido nesse período de um mês, se tanto, que alguns amigos foram avisados, a partir desse departamento para "fugirem" do BES porque este iria ser desmantelado. Esses tais amigos safaram-se de perderem dinheiro e "a única entidade" que lucrou com a destruição do BES terá sido a Goldman Sachs. La boucle est bouclée...

Este supostos factos carecem de demonstração em sede de inquérito eventualmente criminal se tiverem "pés para andar" porque se trata de um crime e grave, se forem verdadeiros. Duvido que o sejam. Se o fossem seria uma espécie de caso marquês um pouco mais sofisticado pela gente que envolve, mas ainda mais básico e sórdido que o outro, the real thing. "Porreiro, pá?" . Não acredito nisto, pura e simplesmente por esse lado mais rasteiro que me deixa céptico. Seria associar o Barroso e esse inenarrável que anda por aí a mistificar quem quer sê-lo.

Porém, como é que se fazem estas investigações? Directamente, pelo DCIAP, com urgência e sem a PJ. Não é por nada, mas sem a PJ.

Em tempo: estou em crer que uma outra incrível,  Ana Gomes,  ainda vai pegar neste assunto que visa o Barroso. E até me admira que ainda nem tenha vindo a público falar do assunto.

quarta-feira, julho 13, 2016

Vai ser preciso fazer desenhos, para entenderem...

Observador:

Tesouro pagou juros superiores a 3% para emitir dívida a 10 anos, um pouco mais do que no último leilão com prazo longo. Isto no mesmo dia em que a Alemanha paga juros negativos no mesmo prazo.


No jornal O Diabo desta semana já vinha um esboço...

terça-feira, julho 12, 2016

A Educação segundo o modelo de Esquerda...e o elitismo dos médicos.

O Militante deste bimestre ( Julho Agosto 2016) traz na capa a questão da escola pública, versão PCP. Luta de classes, luta de classes, sempre.


Ora como é que o PCP equaciona o problema da educação em 2016? Assim:






A diferença entre o modo como o PCP equacionava o problema em 1975? Basta ler e comparar...porque realmente não há nenhuma diferença substancial. Em 40 anos o PCP manteve-se firme e hirto na ideia fóssil da luta de classes na Educação e o actual ministro da Educação, um inenarrável de Paredes de Coura, deu-lhe o caminho todo.
Expresso de 31.10.1975:




Tudo começou com o "unificado" e a preparação dos professores...como mostrava O Jornal de 26.9.1975.


Curiosamente nesta caminhada, desde cedo houve um sector que foi protegido especialmente, sem oposição do PCP ou do PS: o da Medicina. Até hoje. Porque será?!

O Jornal 16. 7.1976 e 23.7.1976. Passaram 40 anos...e o então Miller Guerra defendia com unhas e dentes o seu feudo que não foi desfeito por um tal Arnaut, do SNS...e do PS profundo e maçónico.

E elite médica continuou ao longo das décadas, sem paralelo noutras profissões. Porquê?!







segunda-feira, julho 11, 2016

A parolice de sempre...

Observador:

O Barclays Capital tem dúvidas sobre se Portugal será capaz de evitar um novo resgate, porque o país “está novamente sob escrutínio apertado dos mercados” e as condições económicas “estão a virar para pior“. O crescimento da economia, diz o banco britânico, não excederá os 0,7% este ano e os 0,3% em 2017. Estes são alguns dos factores que preocupam o Barclays Capital, juntando-se uma “crise bancária sistémica” e a “falta de um plano convincente” para equilibrar as contas públicas.

 E como é que o ministro das Finanças encara este cenário? Assim:


sábado, julho 09, 2016

O Tempo acabado de Nuno Rocha

Pela leitura do semanário Sol de hoje dei conta da morte do jornalista Nuno Rocha, na passada terça-feira, aos 83 anos.

A notícia passou despercebida e não dei conta até hoje, o que é significativo pelo que representa em termos de omissão jornalística.

Nuno Rocha é um dos primeiros jornalistas resistentes ao comunismo esquerdista que se instalou em Portugal logo após o 25 de Abril. Um exemplo muito raro e assinalar, porque todos eram de esquerda, nessa altura e não admitiam convívio fácil com quem pensasse ao contrário.

Nuno Rocha, em 29 Maio de 1975 fundou o semanário Tempo, logo após ter sido fundado O Jornal, por jornalistas de esquerda e que saiu nos primeiros dias do mês, para glorificar o regime e o então MFA.
O Tempo era um jornal contra-revolucionário e por tal motivo perseguido politicamente, como se demonstra por esta notícia no O Jornal de 12 de Setembro de 1975, em pleno PREC. Se este processo tivesse saído vencedor em 25 de Novembro de 1975, Nuno Rocha seria certamente uma das pessoas presas, por motivos políticos, tal como o fora já em 13 de Abril de 1975, pelo COPCON de Otelo Saraiva de Carvalho.

A notícia que segue é a demonstração da poltranice do jornalismo nacional que temos, ainda temos. E a prova está na omissão noticiosa dos jornalistas que há, formados numa escola que não sabe ensinar porque dirigida por herdeiros do PREC e esquerdistas de sempre, alguns deles envergonhados.


Em 1985 o semanário comemorou dez anos. Assim:


A bicicleta parada

Durão Barroso aceitou um lugar de topo na administração de um banco mundializado, o Goldman Sachs, um dos bancos do sistema capitalista em que vivemos.
Este sistema capitalista do FMI, da "troika", dos "mercados", das bolsas mundializadas e em rede, seguindo as cotações de bens que se produzem e transaccionam é o que temos em Portugal e na Europa. Não é outro porque não há outro. Ou haverá?

Segundo as reacções à nomeação de Barroso parece que sim. Uns apontam-lhe o marxismo primitivo, sob a alçada de um MRPP de Fernando Rosas, coisa que Durão Barroso se libertou há longos anos, ao contrário do Rosas que ainda lá continua, com o fardo da luta de classes em cima.
Outros, mais claros na indignação mostram aquilo que verdadeiramente são e que os demais não querem notar: revolucionários de esquerda marxista que nunca abandonaram as ideias que sintetizam tacticamente numa imagem: o processo revolucionário não pode parar. Tal como uma bicicleta, se parar, cai.

Ora leia-se o que dizem certos bloquistas sobre tal nomeação: a ideia básica é a de que Barroso vai servir o capitalismo, como serviu enquanto esteve à frente da União Europeia, como agente "do gansterismo financeiro global". Palavras, para quê? É este um dos movimentos da "geringonça" que irá fatalmente desconjuntar-se um dia destes, por contradição insanável e para bem de todos nós, Um segundo 25 de Novembro, precisa-se urgentemente.



Este anseio de prec vem de longe, de muito longe e muito andou para aqui chegar...

Em 31 de Outubro de 1975 um escasso mês antes da bicicleta ser abruptamente parada pelas autoridades do país, no Expresso, um dos militares de Abril, exprimia-se assim, idiossincraticamente:


Esta ideologia de classe antagónica ao sistema capitalista que temos não abandonou a bicicleta, entregando-a aos vencedores. Recuperou-a, guardou-a na garagem à espera de melhores dias que não apareceram, nem mesmo com bombas revolucionárias das FP25.
Até agora, por obra e graça dos compagnons de route que sempre o foram e vivem na corda bamba das contradições. Estão no sistema capitalista mas não querem fumá-lo, apenas defumá-lo.

Pelo contrário, os sempiternos trotskistas que aguentam tudo, até cuspirem na própria sopa que comem, não desistem...ora leia-se um dos padrecas da geringonça em entrevista de 2009. A intenção, clara, desde sempre é a de ultrapassar o PS, o verdadeiro obstáculo ao poder popular que defende. E diz, no fim: "Tem de haver, para um projecto de governo à esquerda, a ambição de criar uma nova força que não é o PS". E sobre o momento de tal transmutação alquímica que carece sempre de votos a mais que o tal PS: "não teremos ainda nestas eleições [os tais votos] mas há-de chegar o dia, e bem perto, em que havemos de os ter".

Mais claro que isto não há.



O comunismo, tal como a ferrugem, nunca dorme. E mesmo a opinião de antigos comunistas que abandonaram há muito a luta de classes é insuficiente para afastar de vez, da arena democrática, estes revolucionários esquerdistas que querem mergulhar o país noutra idade das trevas, as autênticas.

António Barreto ao Público de 23.10.2015, antes da geringonça se alcandorar ao voo alto em que se encontra, com as asas já perto de um sol que as irá derreter.


O nosso desastre está perto mas o da geringonça virá a par.

O problema está diagnosticado. A causa é sistematicamente mistificada. Como aqui se explica, no artigo de André Azevedo Alves, sobre "é o défice, estúpido!":

 A verdade é que, no actual contexto português (resultado dos efeitos acumulados dos défices passados), o défice deixou de ser matéria exclusivamente nacional, como bem explicou Rui Ramos:
“O défice, ao contrário do que insinua a actual maioria parlamentar, não é uma simples birra estatística ou ideológica. Para uma das economias mais endividadas e estagnadas da Europa, que só o BCE separa da bancarrota, o défice é um problema de financiamento externo.”
Como até o Quantitative Easing do BCE deverá ter os seus limites, será muito difícil arranjar quem pague a reversão de medidas do governo anterior e o laxismo orçamental. Seria importante perceber de uma vez por todas – e independentemente das cores partidárias – que o que realmente constitui uma traição a Portugal é não aprender nada com os erros cometidos, empurrando alegremente o país para um desastre anunciado e um novo pedido de assistência externa.

quinta-feira, julho 07, 2016

A Previdência há 48 anos

Esta revista de 7 de Julho de 1972 mostra os números da Previdência, da Segurança Social, de 1968 e 1969, logo após o fim do Salazarismo e o começo dos Governos de Marcello Caetano.

Os números mostram o que eram então "os dinheiros" da Segurança Social. Hoje nem sabemos bem...porque o analfabetismo matemático permite as maiores asneiras das várias cátedras que assentam em S. Bento.



Sobre o que era o Banco Franco-Portugais esta notícia ajuda a perceber melhor...o papel dos emigrantes de então. E talvez porque razão o Crédit Lyonnais foi o banco que deu a mão aos Espírito Santo quando regressaram, nos anos noventa, a Portugal.


Analfabetismo matemático

 Sapo RR:

José Pacheco Pereira entende que Portugal está encurralado. Por força do domínio de Bruxelas (da chamada "Europa") face à governação dos estados e, no caso português, também pela fragilidade da solução governativa e do modo com a poderosa "Europa" a encara.

O conhecido comentador, antigo deputado e dirigente do PSD, diz que se a herança de Sócrates foi a bancarrota, a de Passos Coelho é a dos problemas escondidos debaixo do tapete. 


(...)
 Enquanto que a herança do governo de Sócrates foi a banca rota, que, objectivamente, existiu, a herança do governo de Passos Coelho, para além de não ter resolvido nenhum problema estrutural do país, vai ser, a prazo, ver como o processo de privatizações levanta muitos problemas e é também a situação calamitosa em que se encontra o sistema financeiro. Caiu tudo em cima deste Governo. Antes, foi escondido. Foi deliberadamente escondido para efeitos eleitorais. 

O horror às regiscontas e o analfabetismo matemático

Estamos melhor ou pior do que há um ano atrás? Provavelmente, pior...

Porque é que isto acontece ciclicamente e com o PS como protagonista de sempre? Provavelmente por causa de um fenómeno que em 1988, num livro então publicado pela Europa-América se chamou Inumerismo, ou " o analfabetismo matemático e as suas consequências".


As três primeiras páginas explicavam o livro:


Em resumo, o horror às regiscontas provém daqueles que sempre tiveram dificuldade em fazer contas. É um reflexo de defesa patético e perigoso que espelha um complexo de inferioridade, ultrapassado pela sobrevalorização de uma certa "cultura" livresca e dispensável na maior parte dos casos.

 E...no tempo de Salazar/Caetano estávamos melhor, relativamente? Tendo e pensar que sim, perante as perspectivas que então tínhamos, mesmo sem Ultramar e apenas com as nossas empresas que na época eram prósperas e geridas com "alta qualidade".
O país de então era muito mais pobre do que hoje, mas a  riqueza de hoje é supérflua em muitos casos e tipicamente de "novo-rico" o que provoca a inquietação da instabilidade e insegurança do status quo. Muita da prosperidade actual parece oca e sem base de sustentação, como o excesso de auto-estradas, por exemplo.

Antes de 25 de Abril de 1974 a construção de auto-estradas era um projecto ambicioso que se iria fatalmente desenvolver, mesmo sem o assistencialismo da CEE ou de fundos estruturais europeus.

Assim o relata o Observador ( the real thing) de29.5.1971, em pleno marcelismo:


De notar o modo coerente, lógico e compreensível para o senso comum, como se planeavam estas coisas de se pensava executar.



Na época Observador, 9 de Novembro de 1973) Portugal tinha mais engenheiros do que a Espanha...


E a evolução mostrava-se em anúncios, assim, a carros populares, neste caso franceses e italianos:




 Ou os carros japoneses, num anúncio de globalização avant la lettre ( Século Ilustrado 9.5.1973).



  E também a um fenómeno de costumes importados: o uso do chiclete ( Século Ilustrado, 26.12.1970)...




Começava a dar-se atenção à formação profissional nas empresas de um modo que hoje duvido que aconteça com a mesma coerência e qualidade, como mostram estas imagens do Observador de 5.11.1971.



No entanto, o discurso do Humanismo versus tecnocracia colocava-se num registo parecido ao actual...como mostra este artigo de 9.11.1973



Quanto à tal cultura livresca, também não ficou para trás, com um fenómeno inesperado, advindo do lançamento em 1970 de uma série de 100 livros, a um ritmo semanal...e cuja história já foi contada aqui:
Em 1970, em colaboração com a RTP, a Editorial Verbo lança a Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP , uma colecção de livros de bolso. A ideia surge de uma experiência idêntica que se havia realizado, com grande sucesso, em Espanha, com a televisão espanhola e uma editora madrilena.
 O então Presidente da Direcção da RTP, depois de uma viagem a Espanha, vem muito entusiasmado com a ideia e é dirigido um convite à Verbo para ser a editora portuguesa a participar neste projecto. 
Tratava-se de uma acção completamente inovadora no mercado português, da qual jamais, na altura, se teve noção da dimensão que o empreendimento iria tomar e na qual todos os detalhes foram cuidadosamente trabalhados. Foram estudados incansavelmente cada um dos 100 títulos a incluir; a periodicidade, acabando por se optar pela semanal; o papel a utilizar nos livros; a cartolina das capas; o tipo de letra; o formato do livro; o grafismo das capas (da autoria de Sebastião Rodrigues, o pai do design gráfico português) e a distribuição. 
Também na distribuição este projecto se revelou extremamente inovador. Montou-se uma rede de distribuição inédita, com 3500 pontos de venda (note-se que então o número de livrarias registadas não ultrapassava o 600), para o abastecimento dos quais a Editorial Verbo teve que reforçar a sua frota de transporte com oito novos furgões.


Curiosamente, passados tantos anos, foram repescar a mesma ideia...pelo que já agora poderiam fazer o mesmo à colecção foi lançada logo em 1971 pela Europa-América e que durou muitos mais anos.


terça-feira, julho 05, 2016

Os réditos de António Costa

O Correio da Manhã de ontem publicou estas duas páginas sobre os rendimentos conhecidos de António Costa, em 2014. Como comentador da SIC recebeu mais do que como autarca...e espera-se agora que fique esclarecido que impostos pagou sobre as duas importâncias.

É que o assunto carece de explicações que suscitam dúvidas, por aqui já afloradas...



O presidente da República não é uma estrela pop: é o supremo magistrado da Nação.

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República e professor de Direito, com larga experiência política e jornalística, mais a pessoal de ter conhecido todos os intervenientes políticos de há 50 anos a esta parte, anda a fazer figuras polémicas, no mínimo.

Ontem, em Trás-os-Montes, por ocasião de uma homenagem a um escritor português já falecido, Adolfo Rocha, de pseudónimo Miguel Torga, lá foi proclamar que "as pessoas precisam mesmo de comunicar, de desabafar, de sentir que se está próximo, nem que mais não seja para entregar uma carta que eu depois leio à noite".  Esta declarações foi proferida depois de uma circunstante lhe ter chamado primeiro-ministro e o PR ter achado que era "como se fosse"...

O presidente Marcelo diz isto como quem bebe o copo de circunstância sem perceber, porventura, que a ignorância da populaça também não permitirá perceber qual a sua função no Estado e o significado político que pode ter um encontro de um presidente da República com um arguido que esteve preso durante um ano, preventivamente, por suspeitas de crimes gravíssimos contra o Estado. A circunstância de esse indivíduo ter sido primeiro-ministro ainda agrava mais a situação concreta e o encontro do supremo magistrado da Nação com esse arguido, em tom de "porreiro, pá!" é deletério para as instituições, sendo inadmissível que um PR se dê a esse papel em modo ligeiro como sucedeu, atento o significado objectivo e a imagem subjectiva que tal projecta no povo ignorante.

O antigo primeiro-ministro que lá esteve a convite de um autarca, apaniguado ou não, correlegionário ou não, isso pouco importa, a não ser para se poder ver melhor a pouca-vergonha, procura tal exposição porque não tem qualquer vergonha que o demova e não vive no mundo dos princípios materiais do Estado de Direito. Percebeu que a sua salvação poderá ser apenas a da colagem explícita aos políticos que o poderão proteger de longos anos de prisão. E como não é burro, aceita tudo o que lhe aparece para se mostrar como é e esconder o que sempre foi, numa aparente contradição que lhe assenta como uma luva.

O presidente da República ao aparar-lhe este jogo só se desprestigiou, julgando que é muito inteligente não dar importância a estes assuntos e tergiversando sobre a "gratidão" putativa que é devida aos políticos que servem o país e a quem as populações devem ficar gratas...como se tal fosse assim e o exercício do poder político fosse uma benesse de quem governa para com os governados.

Estamos bem arranjados com estas personagens de ópera bufa...

segunda-feira, julho 04, 2016

Os homens da regisconta que pagam as contas do país...

Este texto que segue foi agora publicado na revista Exame de Julho do ano corrente e está assinado por Henrique Raposo.

É o perfeito antídoto para os que perseguem os homens da regisconta em nome de uma suposta superioridade intelectual da cultura anti capitalista pelo capricho esquerdista de o serem, apenas.

No Norte estão as pequenas grandes indústrias que nos salvam da bancarrota definitiva. É a esses que  se deveria prestar maior atenção em vez de  se andar a catar neo-liberalismos imaginários e homens de regisconta de fantasia para fustigar quem quer produzir riqueza em vez de proclamar apenas as grandiosas pretensões de diminuir a pobreza que redundam sempre em aumentá-la.


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso