quinta-feira, outubro 06, 2016

Como foi isto possível, há 40 anos e agora? Não temos emenda?

Há 40 anos, em 1976, Portugal encontrava-se completamente entregue à Esquerda, economicamente. Mais que hoje e tal foi o resultado de dois anos de Revolução, logo a seguir ao golpe de Estado de 25 Abril 1974.

Culturalmente, o ambiente era de completa subjugação das "entidades" a essa mesma Esquerda.

Economicamente o panorama era este mostrado pelos jornais da época:
 
Em Fevereiro de 1975 a revista Vida Mundial, totalmente subsidiária desse esquerdismo pró-comunista mostrava o panorama da economia portuguesa menos de um ano depois do golpe.




A Vida Mundial de 10 de Abril de 1975 escassas semanas após a nacionalização da banca e seguros mostrava o resultado da Revolução na economia:







Em 1976, culturalmente e para culminar todo o processo revolucionário foi aprovada democraticamente uma Constituição que garantia uma via para o socialismo comunista, ou seja, claramente dito, "uma sociedade sem classes".

Tal Constituição não foi elaborada exclusivamente pelos comunistas de Coimbra, Gomes Canotilho e Vital Moreira, antes pelo contrário: o principal artífice foi o social-democrata Jorge Miranda, professor catedrático de Direito.

A Constituição de 1976 é um compromisso com essa Esquerda comunista e socialista que afinal de contas a aprovou com a aquiescência, em reserva mental, do então PPD. Contra, só votou o CDS...

O Jornal de  2.4.1976:

Um ano depois toda a gente da política estava contente com o resultado: "um documento excepcional"!

O Jornal 1.4.1977:


Com todas estas maravilhas económicas e culturais, como foi possível isto, logo em 1977 e 1978:



Austeridade e mais austeridade, logo em 1977:


A pergunta que deve colocar-se à Esquerda que isto provocou é simples: como entender o fracasso da Economia de um país quando o Estado manda na sua maior parte e tem o poder político capaz de decidir medidas para controlar essa Economia, não o fazendo de modo positivo e eficiente?
Como entender que o "investimento global" tenha descido quase 40 por cento em menos de um anos, após o golpe de Estado?

E que dizer da oferta de 120 milhões de contos que os capitalistas portugueses que ainda tinham ilusões em Junho de 1974 fizeram ao governo de então e não foram sequer ouvidos, muito menos aceite a respectiva proposta?

O artífice número um desta tragédia nacional-o Partido Comunista Português-  que se desenrolou há 40 anos e se repetiu dez anos depois, em 1984, explicava assim, em Abril-Maio de 2013:


O que se torna incrível e inexplicável é a condescendência dada ao Partido Comunista Português para apresentar estas ideias, sem lhe assacar a responsabilidade directa naquele efeito pernicioso para a Economia nacional há 40 anos.

O PCP, ontem como hoje, pretende uma Revolução que altere a relação de forças na Economia, colectivizando os principais sectores.

Se tal sucedesse, o resultado seria o mesmo de então: falência do Estado, bancarrota em poucos meses.

Isto parece tão claro como água cristalina. Qual a razão pela qual se continua a dar crédito a esta Esquerda que nos deu duas ou três bancarrotas e se prepara para outra?

À primeira quem quer cai...à segunda só quem quer e depois disso só mesmo quem for tolo.

quarta-feira, outubro 05, 2016

Portugal, um país colonizado pela Esquerda




Pacheco Pereira escreve na Sábado de hoje um artigo em que defende que a guerra de guerrilha que defrontamos em Angola, Moçambique e Guiné, durante mais de uma dúzia de anos nos sessenta e setenta do século que passou, era uma "guerra colonial". Porquê? Porque sim e porque foi assim que a esquerda  a definiu, desde o início. "Para quem se lhe opôs, desde os desertores, os refractários, os militantes contra a guerra nas escolas e fábricas, os partidos clandestinos que combatiam a ditadura, ninguém a designa a não ser como guerra colonial".  E pronto, está assim explicado.


Como é óbvio não está e a opção pela linguagem usada carece de justificação.
A questão principal tem a ver com um ponto incontornável e que aquela oposição esquerdista se recusou sempre a discutir, por motivos estritamente ideológicos: os territórios ultramarinos que descobrimos sem vivalma, no séc. XVI, na África, eram colónias portuguesas?
Foram assim designadas durante um período histórico em que tal era corrente. Houve até um Acto Colonial que durou o tempo em que a noção de imperialismo e colonialismo não tinham a conotação que posteriormente passaram a ter. Essa Lei constitucional  aprovada em 1930 e que vigorou até à revisão constitucional de 1951 definia claramente que Portugal,  tinha uma "função histórica e essencial de possuir, civilizar e colonizar domínios ultramarinos". Sem complexos, portanto.

A partir de então, a política portuguesa em relação aos territórios ultramarino mudou de orientação ideológica:  "Com a revisão constitucional de 1951, a visão imperalista foi teoricamente abandonada, sendo substituída por uma estratégia que visava a assimilação civilizadora das colónias à metrópole, com o objectivo final de criar uma nova ordem política, que podia ser a integração total, autonomia, federação, confederação, etc. Reflectindo esta nova visão teórica, as colónias passaram a designar-se por "províncias ultramarinas".

Foi esta ideia básica que se manteve durante todo o Estado Novo e ainda no tempo de Marcello Caetano com o Estado Social.

Foi esta ideia básica que sustentou a defesa da integralidade do território ultramarino, perante as potências internacionais, incluindo os EUA de Kennedy, ao tempo do início da guerra de guerrilha feita pelos "movimentos de libertação" que para os portugueses eram apenas "movimentos terroristas".

Assim, a escolha da linguagem corrente, a propósito da guerra de guerrilha que se desenvolveu nos territórios portugueses do Ultramar africano é tributária da submissão ideológica que cada um tomar. Não é um dado de facto que tal guerra fosse "colonial" tout court. Sê-lo-á apenas para quem entender, como o entendia a esquerda comunista de oposição a Salazar/Caetano, que Portugal era um país imperialista e que subjugava ilegitimamente os territórios ultramarinos que eram apenas colónias e nada mais, prontas a serem depenadas nos seus recursos naturais e explorados os seus povos, sem outra razão.

Pacheco Pereira continua fossilizado nesse tempo. Que fique para lá, para sempre.

Quem quiser entender melhor o que era o conceito de "província ultramarina" para os portugueses que não eram comunistas nessa época de Salazar/Caetano ( Pacheco Pereira era...) e que aliás era a esmagadora maioria do povo de Portugal, o melhor será ler estas páginas da revista Observador de 15 de Outubro de 1973.





De 1951 a 1974 Portugal não teve "colónias" mas sim "províncias ultramarinas" e a mudança de designação não foi apenas semântica mas continha em si um conceito explicado e entendido politicamente como relevante e essencial para tal.
Portugal tentou durante o tempo de Salazar/Caetano manter os territórios ultramarinos como se os mesmos fossem parte integrante de uma Nação una e indivisível. Tal conceito evitou a cedência aos americanos que repetidas vezes tentaram negociar a entrega desses territórios a populações autóctones e indígenas, com base em princípios que decorriam do direito internacional dos povos à autodeterminação.

Tal conceito decorreu da relação de forças internacionais no pós-guerra, com a proclamação desse princípio que deu azo aos movimentos de libertação nos respectivos territórios espalhados pelo mundo e que alguns países ocidentais tinham tomado posse militar e administrativa em séculos passados.

Portugal tentou contornar tal dificuldade inventando um conceito que nos tornaria supostamente únicos nesse concerto de Nações.

Os imperialismos que ocuparam espaço no século XX , designadamente o das duas maiores potências, com outras à espreita ( China) não permitiram veleidades aos portugueses e apoiaram os movimentos autóctones que pretendiam a independência desses territórios.
Para nós o momento chegou em 1974 com a tomada de poder efectivo pela esquerda comunista e socialista aliada aos militares "de Abril".

O conceito que até então existia acerca dos territórios ultramarinos e que se encontra explicadinho naquele artigo da Observador, esboroou-se em dois tempos através da modificação da linguagem corrente.

De repente e da noite para o dia os esquerdistas dos jornais começaram a escrever "colonialismo" e "imperialismo" como se tais expressões fossem do uso corrente de todos, o que não era verdade.

Eram apenas expressões próprias dessa esquerda comunista e socialista que foram ingenuamente aceites pelo resto das entidades políticas que passaram a existir em Portugal.

Isso não impede, porém, que a verdade dos factos históricos seja conhecida, reposta e modificada tal linguagem que não corresponde ao que se passou.

A não ser que Portugal tenha sido durante décadas uma colónia da esquerda, o que de facto sucedeu a partir de 1974, mas não antes. E é desse período anterior que estamos a tratar, do oficial e não do clandestino.

Se Pacheco Pereira e quejandos ainda vivem na fantasia desse tempo mítico clandestino que prolongaram até agora, que ao menos tal seja mostrado claramente.

Portugal nem sempre foi uma colónia da Esquerda e se alguns assim o pensam estão enganados.

E não venham para cá com a cantilena de sempre sobre o regime ser fascista. É chão cujas uvas estão podres.

Nesse número da revista dá-se conta da evolução da campanha eleitoral então em curso. Assim:



Quem ler pode verificar que aparece o nome de Mário Soares, Àlvaro Cunhal, a referência explícita à linguagem que agora denuncio e ainda a "pichagem" no mural com a escultura do marechal Carmona e que é do...MRPP. Isto em 1973...

Deixem-se por isso dessas merdas do fassismo que já cheiram mesmo mal.

domingo, outubro 02, 2016

Obituário de sete anos de jornalismo zombie no Público

A directora cessante do Público, Bárbara Reis faz hoje na última página do jornal o obituário do seu consulado de sete anos à frente da redacção.

Começa logo mal, a citar uma jornalista-Cristina Ferreira- e o seu exercício de auto-complacência em repetição no qual declara que nunca encontrou erros naquilo que escreveu...
Por aqui encontrei algumas vezes e escrevi sobre o assunto. A senhora só viu assunto nos assuntos do Passos e seus próximos.
Sobre o inquilino que esteve até 2011 na mesma cadeira, pouco ou nada viu de errado também.

Quais os troféus de caça jornalística que esta directora cessante apresenta no obituário? Poucos:
a reportagem da guerra no Iraque, em 2010; a da primavera Árabe no ano seguinte, coisas que nunca me importei de ler porque os jornais e revistas estrangeiros explicam bem melhor. Depois um prato forte que terá sido, no seu entender, o caso Tecnoforma, ainda sobre o Passos. O Passos é assim a bête noire deste jornalismo apasquinado e que nunca nestes sete anos se importou com José Sócrates, verdadeiramente. É caso para perguntar a razão...

O problema principal do Público é assim a partidarite esquerdóide tipo BE que alimenta a redacção editorial do jornal, até agora e da qual a directora mai-la inenarrável São José de Almeida são os esteios principais.

O Público de Bárbara Reis andou estes sete anos a marinar nestas águas turvas e a acumular prejuízos aos milhões. O accionista Sonae paga porque é uma espécie de pizzo que paga a essa esquerda pela tranquilidade em nunca ser incomodado. Compensará?

Este último editorial é assim o cúmulo da pouca-vergonha.

Veremos o dia de amanhã mas não se augura nada de substancialmente diverso. Aliás, a anedota principal deste derradeiro número orientado pela artsy artsy que agora sai é apresentada na página 10: "José Eduardo Martins- um pensador "livre" a fazer oposição em Lisboa".

José Eduardo Martins é um pensador "livre"? É...é...e diz que "não faz advocacia ao almoço".  Pois não. Faz na firma Abreu Advogados, desde 2005. Já deputou no Parlamento e agora deputa nas tv´s ao lado de outros deputantes notáveis, debitando sobre tudo e todos em nome das entidades de sempre.
Sobre o tal assunto da advocacia que não faz ao almoço ninguém o questionou sobre este tipo de advocacia sem andar a refeiçoar, como diz um conhecido palhaço deste circo:

“A Abreu Advogados foi a sociedade responsável pelo apoio jurídico ao Grupo Amil no processo de aquisição de 100% do capital social da HPP - Hospitais Privados de Portugal à Caixa Seguros e Saúde. A assessoria implicou o trabalho concertado de várias áreas de prática de direito como o societário, fusões e aquisições, concorrência, regulação fiscal e público. A equipa da Abreu responsável foi liderada pela sócia Inês Sequeira Mendes e envolveu ainda os juristas Miguel Teixeira de Abreu, Duarte de Athayde, Manuel de Andrade Neves, Luís Marques Mendes, António Pina e Alexandra Courela.”»
[in "Os Facilitadores", págs. 59-64].

O jornalismo do Público vai continuar assim? Temo bem que sim, porque não parece susceptível de emenda. É um jornalismo morto-vivo. Zombie.

sábado, outubro 01, 2016

A revista Tintin faz 70 anos. Lucky Luke também. E ainda Blake & Mortimer

Em França decorre agora, até Janeiro do ano que vem, uma exposição no Grand Palais de Paris ( junto a um edifício que tem um apartamento que foi de um amigo muito pródigo de um certo político que por cá anda com as barbas de molho) dedicada a Tintin e aos 70 anos da revista que o popularizou, precisamente o Tintin belga.

O primeiro número dessa revista saiu em 26 de Setembro de 1946 e durante trinta anos publicou as aventuras do herói da poupinha ruça mais o seu cão amestrado que falava francês.

A revista Paris Match em número hors série de Julho deste ano deu-lhe destaque para contar a história: 







 Em Portugal as histórias do Tintin Belga ( e da edição francesa publicada desde 28.10.1948) também foram publicadas e em 8.12.1956 o Cavaleiro Andante dava seguimento às aventuras de Tim-Tim na América do Norte.


 Em 1.6.1968 saiu o primeiro número da edição em português da revista que incluía historietas do Tintin original, belga e ainda da revista Pilote, francesa. O melhor da banda desenhada de expressão francófona, no auge do seu esplendor artístico.

A primeira historieta de Tintin na edição portuguesa da revista foi Carvão no Porão, como se pode ler neste sítio muito interessante, dedicado ao assunto. Ou neste que também tem interesse.  O Tintin em versão nacional durou 15 anos, editado pela Bertrand.



Comprei o primeiro número em Fevereiro de 1972 e também lhe juntei logo a seguir a versão original, belga que chegava cá pela livraria Bertrand. O número de Natal desse ano era este:


 Por isso mesmo, o herói Lucky Luke, original de Morris, aparecido na revista francesa Spirou em 10 de Outubro de 1946, foi publicado no Tintin português, porque a partir de 4 de Abril de 1968 Lucky Luke fez a sua estreia na revista Pilote com a historieta Dalton City.
Os álbuns de Lucky Luke, aliás,  continuam a publicar-se sob a responsabilidade artística de outros autores ( Morris morreu em 2001), mantendo a originalidade do espírito o desenho. Vai quase em 80 álbuns e anuncia-se um novo para este ano. Da parte de Morris foram 72 e a seguir apareceu Achedé que é quase, quase um Morris perfeito. Mas é precisamente isso que lhe falta: o toque de génio no desenho que torna Morris único. O rabisco de Morris é inimitável nessa parte porque é a sua essência. Tal como o de Edgar Pierre Jacobs que assinava as histórias de Blake & Mortimer ( com o inefável Olrik sempre presente). O traço deste é de tal modo único que a imitação actual, quase perfeita, de André Juillard que o desenha desde 1999, padece do mesmo defeito: falta-lhe a parcela de génio suplementar que aquele autor original, falecido em 1987, trazia às histórias.

A revista Lire deste mês dá um destaque a Lucky Luke em número especial:


Não li nada na imprensa local a assinalar a efeméride...

Quanto à bd do Tintin, o interesse durou dois anos. Em Fevereiro de 1974 descobri isto, no escaparate da livraria Bertrand...


E em Junho do mesmo ano foi o coup de foudre, com esta edição mensal..


 Em Fevereiro de 1975 outro choque artístico, com o anúncio desta revista...e das obras deste autor- Gir/Moebius.



O Tintin tinha ficado para trás e a bd nunca mais foi a mesma, para mim. Agora, regresso ao passado fantástico desses anos.

Ah! E já me esquecia: em Março de 1974 aparecia nos mesmos escaparates da Bertrand esta revista dedicada a Lucky Luke. Comprei-a por causa do poster, fantástico da autoria de Gir.
A revista Lucky Luke aguentou 14 números.


E em aditamento, deve acrescentar-se outra série que perfaz 70 anos, porque publicada no primeiro número de Tintin, em 26.9.1946: Blake & Mortimer, de Edgar Pierre Jacobs, colaborador no Tintin, desde a primeira hora e colega de Hergé, com quem aliás colaborou em algumas histórias ( Sete bolas de cristal e O templo do sol).
As historietas de E.P. Jacobs versam sobretudo assuntos de ficção científica com pés bem assentes na terra, o que se alterou brutalmente com a revista Métal Hurlant, em 1975.

As revistas Le Point e Historia consagraram um número especial à série em Julho de 2014 em que escalpelizam as personagens, entre as quais um certo Olrik...


Após a morte de E.P.Jacobs, em 1987, seguiram-se outras histórias da série, desenhadas por outros artistas, desde 1996 ( com L´affaire Francis Blake, assinado por Jean Van Hamme e Ted Benoit) até hoje, com argumentos e desenhos de outros autores.

A última saiu este Verão na revista Le Figaro Magazine, em fascículos semanais, desde 9.7.2016, como antigamente.
O álbum sai em Novembro e a história, sobre a figura mítica de Shakespeare, é deliciosa e muito bem desenhada por André Juillard, com argumento de Sente. Realismo fantástico  numa história rocambolesca passada em 1956 com flash-backs a um passado distante, tendo Veneza e Londres por cenário.
E também aparece o sempre presente Olrik que mesmo atrás das grades manipula os acontecimentos. 


A série Blake & Mortimer é conhecida em Portugal pelo menos desde 1952, data da publicação no Cavaleiro Andante nº 30-132, da historieta O mistério da grande pirâmide, publicado originalmente em 1950, no Tintin belga.

ADITAMENTO em 5.10.2016:

Afinal, este lembrou-se e publicou isto na edição de hoje da revista Sábado. Um bom resumo, numa página, sobre o que foi a revista e a série Tintin:

Outro com amigos pródigos...



Se esta notícia for verdadeira, o que esperar deste caso e do CSM que analisará certamente o assunto?

Esperemos para ver. No entanto, desde já se pode especular o seguinte:

Se esta notícia tivesse a foto e nome do juiz Carlos Alexandre em vez deste juiz, o que diria a bempensância das entidades deste burgo que assentam arraiais nos media?

Veríamos o inefável pregador Louçã outra vez a rasgar as vestes em defesa de alguém que também conta com amigos ricos? Veríamos o hirsuto Oliveira a prestar homenagem ao vício, novamente? E os demais  palhaços  do circo da komentadoria ambiente o que diriam?

sexta-feira, setembro 30, 2016

Branquear a LUAR: foram meninos de coro...

Segundo se anuncia, há branqueamento em curso da antiga organização terrorista, perdão, revolucionária, LUAR, de que faziam parte Palma Inácio e Camilo Mortágua, entre muitos e muitos outros.
O dinheiro roubado ao banco de Portugal afinal foi apenas uma singela "recuperação de fundos" por alguém que nada tinha lá posto...mas enfim, é essa a historieta que esta esquerda pretende agora retomar e voltar a contar, usando outra expressão ainda mais interessante e moderna: "autofinanciamento". Tal e qual. 

A LUAR foi uma organização política de cariz revolucionário e de extrema-esquerda. O primeiro congresso ocorreu em Março de 1975 e foi assim relatado pela Flama, dessa época:




 Lá estavam Palma Inácio e Camilo Mortágua, os piratas revolucionários do combate ao fassismo.


Veja-se também quem lá estava...a nata dos cantores revolucionários da época.



Em 23.11.1974, Palma Inácio tinha explicado como ocorreu o assalto ao banco de Portugal na Figueira da Foz e como tinha sido repartido o dinheiro, muito menos que os 30 mil contos roubados, porque a maior parte das notas estava por estrear e os inteligentes ficaram sem a maquia. Sobrou pouco mais de 6 mil contos de fundos recuperados, ou como agora se diz, autofinanciamento.

A versão actual que agora se pretende impor ao senso comum é contemporânea de outra declaração daquele pirata Mortágua acerca das intenções da LUAR, para o futuro e se tal se proporcionasse...



O referido Camilo Mortágua na altura não se coibia de afirmar perante milhares de testemunhas:

" Se as condições o exigirem, se o contexto actual se modificar, estamos dispostos a repetir de novo a recuperação de fundos para que sejam os capitalistas a financiar o esforço da revolução operária neste país", ou seja, os assaltos a bancos, como ocorreram dali a pouco tempo...com outro tipo de associação de benemerência revolucionária: as FP25.

A filha do pirata não defende outra coisa, com outros meios, mais democráticos e mais suaves na linguagem: apanhar aos ricos o que eles amealharam, para o mesmíssimo efeito: distribuir pelos necessitados que segundo o Costa, primeiro-ministro são aqueles a quem se deve dar o que se retira aos que têm alguma coisa. "A cada um segundo as suas necessidades; de cada um segundo as suas capacidades", Marx dixit, Costa repetix.

Na assistência, em Novembro de 1974, os  artistas de sempre: José Afonso, Sérgio Godinho, Carlos Alberto Moniz, Vitorino, Francisco Fanhais e outros que tais. Os mesmos que anos mais tarde juravam por tudo o que lhes era sagrado que aquela gente estava toda "inocente", das mortes das FP25.
A LUAR, nessa altura já era...

Em data posterior o aludido pirata Palma andou em bolandas pelos tribunais por causa da difamação a Emídio Guerreiro e lá reconheceu que afinal o velho revolucionário que chefiou o PPD era um herói da democracia.
O Público contou a história em 1999...

O filho de Marcello Caetano fala sobre o pai

Vale a pena ler esta entrevista de Miguel Caetano, no Observador. Aqui se colocam algumas passagens que me interessaram particularmente:




Obs- Pedro Feytor Pinto, diretor de Informação de Marcello Caetano, disse-me que o seu pai, se fosse um animal, seria uma águia. E depois fez a afirmação que deu título à entrevista: «Marcello era muito mais às direitas do que Salazar». Quer comentar?

Miguel Caetano- Podia ser tanta coisa, podia ser uma águia, podia ser um leão… Dizer que era mais à direita que Salazar, era preciso conhecer o pensamento de Salazar. Agora, Salazar era muito mais conservador que o meu pai e isso viu-se quando o meu pai foi ministro da Presidência, era muito mais viajado, conhecia a Europa, África, quando falava das coisas não falava de cor. Era um homem preparado, professor de Direito muito considerado em Portugal e no estrangeiro, e isso dava-lhe outra visão, tinha outra abertura ao mundo. Mas tinha, ou talvez por isso, por ser professor, um espírito pedagógico permanente e isso criou nele uma tendência de ver quase todos como alunos, não aceitava bem que lhe dissessem o que fazer. Era um homem de convicções, mas procurava compreender as transformações que se iam passando no mundo. O facto de compreender não queria dizer que concordasse.
(…)


Obs- Falavam de política em casa?

Miguel Caetano- Em política, nesse sentido, não. O meu pai não trazia para casa questões políticas, mas dizia o que pensava sobre as coisas. Ouvíamo-lo falar com várias pessoas e sabíamos a opinião que tinha. Mas não havia doutrinação política lá em casa. Havia valores, isso sim. A sua profunda formação cristã levava-o a falar-nos do corporativismo como uma doutrina assente nas Encíclicas e na tradição portuguesa das corporações medievais. Durante a guerra, a de 39-45, que acabou quando eu fiz dez anos, sempre o ouvi defender os nossos aliados históricos, os ingleses.


(…)

Obs- Quando é que percebeu que defendia ideias diferentes das do seu pai?

Miguel Caetano- Não havia propriamente um confronto de ideias, e houve vários períodos da minha actividade que coincidiram com o tempo em que o meu pai não estava na política e em 68 até houve uma aproximação. Mas eu era parte de uma geração que entendeu sempre que era possível fazer melhor. Não escolhemos fazer uma revolução, mas apostámos que a transformação de Portugal passava por agarrar todas as oportunidades de fazer coisas novas, de encontrar novos caminhos, que nos conduzissem a ser um país mais moderno, através de mais criação de riqueza e da sua melhor distribuição.

Obs- Quando começa a afastar-se?

Miguel Caetano- A partir da eleição do presidente da República, em 1972. Na primeira fase ele está interessadíssimo em saber o que o meu grupo quer, falamos muito sobre o assunto.

Obs- E o que queria o seu grupo?

Miguel Caetano- Houve uma transformação de movimentos ligados à igreja, com percursos diferentes. O meu grupo convenceu-se que era possível e desejável transformar a sociedade portuguesa pelo desenvolvimento económico, pelos movimentos cívicos, pelas cooperativas e envolvemo-nos nisso. Evidente que na minha idade eu achava que se não fosse por esse caminho, não havia caminho. Agora, quem é que teve razão? Lá que não houve caminho, não houve, mas também não sabemos se pela dinâmica que propúnhamos íamos lá. O problema foi a descolonização, tudo o resto teria sido resolvido, mas sem a guerra colonial. Nós também não tínhamos solução para a guerra colonial. E aí dá-se um impasse: o meu pai achava que tinha de fechar a torneira, nós achávamos que fechando a torneira não se ia a lado nenhum.

(…)
Obs-Como era a sua relação com o Partido Comunista?

Miguel Caetano- Sempre colaborei com gente que sabia estar ligada ao Partido Comunista, ou a outros partidos de inspiração marxista, desde que os objectivos fossem comuns. Mas não tinha dúvidas sobre a concepção totalitária do Estado que perfilhavam. E ainda hoje me espanto quando vejo, num Estado que perfilha o modelo das democracias ocidentais, atribuir a Ordem da Liberdade a todos aqueles que lutaram contra a ditadura do Estado Novo para a substituir por outro modelo de ditadura. No entanto, sempre defendi que se devia caminhar para uma democracia onde partidos comunistas tivessem o seu lugar, deixassem a clandestinidade.

Obs- O 25 de Abril foi agridoce?

Miguel Caetano- O 25 de Abril foi um momento extremamente difícil e ambíguo. A esperança de que fosse o início da construção duma sociedade mais justa, mais livre, que não se podia transformar em alegria por significar simultaneamente a derrota, a prisão e o exílio do meu Pai. Permitiu acabar com a guerra, com a censura e com a polícia política. Descolonização exemplar não houve, nem sei se podia haver, mas não conseguimos proteger minimamente os interesses dos cidadãos portugueses. Penso que nos anos cinquenta, quando o meu pai foi ministro da Presidência, deixou bem claras as suas opções quanto ao desenvolvimento económico, a industrialização do país, a abertura à Europa. Creio que se tivesse tido oportunidade teria tentado pôr em prática as soluções que defendeu mais em privado para o nosso problema colonial: autonomia progressiva, integração dos quadros locais de todas as raças e etnias no governo e na administração, negociação ainda em contexto de paz.
(…)

Obs- Em que estado encontrou as empresas públicas?

Miguel Caetano- No final dos anos setenta, fui convidado para assessor do secretário de Estado do Planeamento e uma das minhas missões era assegurar a articulação do Instituto das Participações do Estado com a orgânica de planeamento. Não tive contacto directo com as empresas que constituíam o universo do IPE, mas o objectivo era pôr a casa em ordem. Entre 1980 e 1988, envolvi-me em duas empresas com resultados bem diferentes nas negociações financeiras. Encontrei um mundo de empresas descapitalizadas, dependentes da banca nacionalizada, numa altura em que as taxas de inflação se situavam entre os 20% e os 30% e os bancos cobravam juros na ordem dos 25% a 35%. Se reorganizar uma empresa, fixar objectivos, definir funções e métodos de trabalho, estava dentro das minhas competências, na gestão financeira eu era inexperiente. Num dos casos, encontrei esquemas de empréstimos concedidos em que o gestor do banco recebia uma comissão e vi o interesse desse mesmo gestor bancário na realização de negócios que eram prejudiciais à empresa em questão. Tentei, sem sucesso, apresentar a situação à administração do banco, que recusou tomar conhecimento. No outro caso, pelo contrário, encontrei gestores competentes e sérios, empenhados em colaborar na procura e concretização de soluções que fossem do interesse de ambas as partes.

Obs-Parece que não mudou muita coisa na banca…

Miguel Caetano- É evidente que toda a banca foi sempre permeável a esse tipo de situações. Simplesmente, havia umas mais estruturadas do que outras. E a seguir ao 25 de Abril era uma prática quase generalizada, digamos que as hierarquias estavam mal escolhidas, era fácil fazer, não havia controlo. Hoje é outro género, naquela altura houve algo parecido com a democratização da corrupção. De repente, parece que se descobriu que todos tinham direito a isso. Encontrei um ambiente incontrolado. Quando tentei resolver, percebi que estava tudo cheio de pequenos interesses.

(…)
Obs- Acredita que a sua geração de políticos era diferente da que está hoje no poder?

Miguel Caetano- Na geração anterior à nossa, no caso do meu pai, por exemplo, o que se passou foi que se criou uma escola de discípulos. E ele sentia isso, que os tinha formado. Na transição, do fim do Estado Novo à consolidação do regime democrático, que é quando a minha geração vai para a política, não havia políticos de carreira. Havia independentes e chefes de grupo que tinham uma atitude integradora. E, mesmo com opiniões diferentes, havia uma enorme amizade. O nosso relacionamento de grupo era tão forte que a maior parte ainda hoje mantém relações de amizade. Os políticos de então, na maioria, continuaram a contribuir sem se entregar ao jogo do poder.
(…)
Obs-Como se define hoje, politicamente?

Miguel Caetano- Sou socialista cristão. Defendo o socialismo em liberdade, são os valores que escolhi e que mantive. O que não quer dizer que me reveja neste PS, que não revejo. O meu ponto de partida foi uma educação tradicional, de matriz católica, mais ou menos conservadora, mas aconteceu em 1958 a eleição de um novo Papa, João XXIII, e o início de um novo ciclo de vivência dos valores cristãos.

Obs- Os seus filhos, votam? Falam sobre política?

Miguel Caetano- Votam, em geral mais à direita do que o Pai [risos]. E conversamos, mas gosto pouco de discutir política. Aceito argumentos, mas cada um tem os seus.

Obs-A ideia que tinha de que o país podia ser melhor e o que vê hoje, que sentimento lhe deixa?

Miguel Caetano- Frustração.

quinta-feira, setembro 29, 2016

Fontes do jornalismo: num mundo de segredos a verdade está sempre oculta...


Interessante artigo de José Vítor Malheiros ( o outro Jacques Julliard português, a par de Manuel Carvalho) sobre as fontes do jornalismo.
"Existem regras bem definidas para os casos em que um jornalista pode e não pode. deve e não deve publicar o que lhe contam."
 Há uma aparente contradição em escrever que o jornalista deve sempre ressalvar a hipótese de a fonte não autorizar tacitamente a publicação, com a circunstância de se ter como legítimo direito de publicação o que se ouviu de outrém que estava a dizer algo aos berros...mas enfim.
Não sei se o artigo tem a ver com o recente livro de J.A.S. mas se tem não me soa bem.
Aceitando-se plenamente o princípio de quem nem tudo é publicável, mesmo do ponto de vista subjectivo do interesse público ( o caso das escutas a José Sócrates, antes das eleições e durante o processo Face Oculta são um bom case study) resta saber como se pode confiar num jornalismo que frequentemente ultrapassa essa fronteira ténue da confiança nas fontes.




Por exemplo, esta história passada o final do Governo Guterres, com um ex-ministro , precisamente o falecido professor Sousa Franco, que um dia no restaurante Gambrinus proclamou alto e bom som, para os demais circunstantes, o que lhe ia na alma quanto a tal governo já no "pântano".

Sousa Franco padecia de surdez e falava muito alto para se fazer ouvir e nesse dia havia circunstantes que ouviram mais do que deviam e foram fonte de notícia no Independente então dirigido por Inês Serra Lopes:

Se JVM fosse director do Independente publicava esta notícia ou não? E se não publicava, deveria outro jornalista fazê-lo, do modo como o fez?

Se o mundo da política se transforma num universo de segredos, alguns de polichinelo e que apenas o grande público não conhece, onde ficará o lugar para a Verdade?


quarta-feira, setembro 28, 2016

Os inquéritos do sindicalista Ralha são à la carte...

O juiz Carlos Alexandre em dado momento da entrevista à SIC, referiu o seguinte:

"Um dia explicarei em público, no dia em que quem me quiser sujeitar ao processo criminal e disciplinar que daí advirá. Saber porque é que a Direcção-Geral da AT decidiu empreender uma fiscalização ao momento em que era liquidado por terceiro funcionários do lote de 60 existentes na repartição e de sete mil existentes na AT. Um dia explicarei o meu pensamento sobre o procedimento da AT"

O sindicalista Ralha, pressuroso, anunciou logo que tal merecia inquérito. E ele aí está:

A Direcção-Geral da Autoridade Tributária solicitou à Inspecção-Geral de Finanças a realização de um inquérito à actuação do Fisco na sequência das declarações públicas do juiz Carlos Alexandre.

Dias antes, também publicamente, a juíza conselheira do STA, Dulce Neto disse muito pior, acerca do funcionamento da corporação do sindicalista Ralha e muito, muito mais grave. O sindicalista  Ralha...moita carrasco. Não ouviu, não leu nem soube nada. Não pediu inquérito nenhum nem quer que haja algum, se calhar...

A juíza conselheira Dulce Neto, vice-presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA), descreveu, ontem, um cenário de terror na relação entre a Administração Fiscal e os contribuintes. Segundo a magistrada, as Finanças arrastam propositadamente processos tributários com recursos, sabendo que os mesmos serão decididos a favor do contribuinte: "A Administração Fiscal está cega de mais na tentativa de arrecadar receita, deixando empresas e famílias exauridas", declarou Dulce Neto, durante uma conferência promovida pela Associação Sindical dos Juízes (ASJP).

É tempo por isso de alguém publicamente solicitar um inquérito à actuação da A.T. uma vez que o sindicalista Ralha não se quer ralar com isso...e o inquérito deveria analisar a razão pela qual o sindicalista Ralha não se rala com todas as coisas que envolvem a A.T, mas apenas com algumas...

terça-feira, setembro 27, 2016

O PCP e a ditadura do proletariado

20 de Outubro de 1974. Suprime do seu programa político a Ditadura do Proletariado enquanto modelo de exercício do Poder na fase de transição para o Socialismo.

O PCP começou o PREC, logo após o 25.4.74, ainda com a ideologia fóssil dos anos de clandestinidade e da "ditadura do proletariado".
Na Europa ocidental de 1974, não havia nada parecido. Ninguém se incomodou com tal fenómeno, por cá.

A história edificante do pai que ensinou as filhas a odiar os ricos

O Diabo de hoje:


Calma! Isto é só fumaça...

Ainda não chegamos aqui, como em Setembro de 1974...


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso