quinta-feira, novembro 10, 2016

A escolha de elites

A revista Sábado na edição de hoje traz a história pessoal, resumida, da vida de António Domingues, o gestor bancário nomeado pelo Governo para administrar a CGD e de caminho tirá-la do imbroglio em que a meteram alguns génios anteriores, como Santos Ferreira e A.Vara sob os auspícios do patético José Sócrates.

O gestor de 59 anos saiu de Sabadim,  em Arcos de Valedevez com a fama de ser muito bom a fazer contas. Na Primária da aldeia era o melhor e foi educado pelo avô que tinha uma máxima vulgar na altura dos anos cinquenta: só se deve comprar um fato quando se tem dinheiro para três. Salazar, tal como milhares de portugueses nessa época, pensariam o mesmo, provavelmente,

Domingues estudou Economia no ISEG porque era muito bom em Matemática e acabou com 16, nota de mérito para aceder a altos voos na banca. Antes aprendeu a fazer a contabilidade pelo POC e ascendeu a lugares na banca pública e até em Macau o que é de desconfiar.

Na altura das privatizações, no dealbar  dos anos noventa, a seguir ao desastre das nacionalizações, integrou quadros dirigentes de gestores privados no BPA e depois no BPI, em 1989.

Agora aparece na CGD nomeado por este governo sob a influência de um Mário Centeno cujo perfil não deve andar longe daquele.

O interessante no pequeno ensaio biográfico da Sábado é ficarmos a saber que integrou o MRPP de Saldanha Sanches e Maria José Morgado ( e José Manuel Durão Barroso, já agora), logo em 1973, tendo sido preso por isso.



Espanta sempre um pouco saber que pessoas que se afiguram inteligentes ao ponto de serem muito boas a fazer contas,  tenham sido adeptas de ideologia macabra e como reconheceu o próprio Saldanha Sanches algo surrealista e infantil.

Não é pela idade, certamente. Aos 18 anos deveria já ter juízo suficiente para entender o logro. Nunca percebi muito bem porque razão estas pessoas, com inteligência qb caem nessa armadilha ideológica aparentemente fácil de perceber e desmontar e muito mais para quem sabe fazer contas.

 Será que essas pessoas entenderam verdadeiramente o maoismo e o que seria o seu resultado com a aplicação prática em Portugal?

Outro fenómeno vindo da mesma cepa é o advogado Vasco Vieira de Almeida. Igualmente pescado pelo "mercado" ainda estudante em virtude de méritos escolares, integrou também a banca, privada.
Em 1971 era administrador também do Banco Português do Atlântico. Em 1974 era ministro e depois embaixador.
Agora é advogado de uma das poucas sociedades que o Estado parcialmente também sustenta com pareceres avulsos, a eito . 
A história deste está aqui mas era notícia na Vida Mundial de 14.5.1971.

A escolha destas pessoas, essencialmente técnicos e sabedores de matérias específicas que lidam com dinheiros, bancos ou leis obedece a critérios de selecção supostamente rigorosos. Necessariamente assentes numa putativa competência para  lidar e resolver problemas específicos de natureza técnica. Mas igualmente política  porque estas pessoas estão de algum modo ligadas ao poder político por amizades ou afinidades.
Foi assim com o tal Vasco Vieira de Almeida e é assim com este Domingues.

Em 13.11.1970 a mesma revista Vida Mundial publicou uma lista, numa única página, de todos os ministros que exerceram funções desde 1926 até essa altura. Portanto estão aqui todos os ministros que Salazar e Marcello Caetano escolheram, até essa data.

Vale a pena ler e quem conhecer comparar com o que se passa hoje e nestas últimas 4 décadas de democracia...sensivelmente o mesmo espaço temporal. Portanto, pode comparar-se e ver qual regime privilegiava mais a competência efectiva e a qualidade intrínseca dos seus governantes...



quarta-feira, novembro 09, 2016

Como a esquerda portuguesa viu a vitória de Reagan em 1980

Em 11.11.1980, o Jornal, em edição especial por causa das eleições presidenciais de cá e um certo Mário Dionísio até escrevia numa página inteira um artigo sobre "como votar", cá.

Lá fora, nos EUA Reagan tinha ganho e o jornal publicava esta primeira página compungida que aludia à vitória dos falcões na Casa Branca...


Na semana seguinte, tentava explicar como foi possível tal coisa e os efeitos previsíveis...


Nessa altura ainda existia um jornal que não afinava pelo mesmo diapasão, o Tempo...que era mais claro na mensagem:



Gambrinus: por causa do Donald, o Dragão afinal era um pato...

Não há muito sítio na blogosfera ( ou fora dela) que exulte com a vitória do pato Donald. Veremos agora como vai ser, mas para já,  há poucos, muito poucos que deitam foguetes antes da festa, exultando, inebriados, com um devir incerto.

Um dos poucos festejantes é um pobre transformer de elite que assina como besta alada e costuma adornar-se à desmesura com insultos a esmo por tudo e principalmente por nada, julgando que não ofende ninguém.
O desgraçado, há dias e no entremez dos impropérios habituais, prometeu o improvável: pagar jantar no Gambrinus a quem aparecesse no dito local em hora a combinar, se o pato Donald fosse eleito para a  Casa Branca. Azar: foi mesmo.

Assim, como o prometido é devido e a promessa foi pública é tempo de ensinar ao alado imaginário o que manda o Código civil: o artº 459º do dito é clarinho como os impropérios expelidos com a frequência dos arrotos em maré vazia intestinal: paga e não bufes, a quem se dignar aparecer!

Assim, lembra-se a quem não souber que o alado imaginário prometeu o repasto a quem aparecer à porta do Gambrinus, sem distinção de credo, raça, idade ou sexo.

Vai ser um fartote para a indigência local se vier a saber da promessa e aos avisados do costume nada mais têm que fazer do que garantir a prandeal promessa, apresentando-se à merenda que este pato improvável vai custear... a não ser que tenha desaparecido nas lendas de mais uma transformação imaginária.

Quanto a mim, não irei pelo simples motivo que me tornei persona non grata por aquelas paragens lendárias. Já fui, corajoso e tudo. Agora sou apenas um "pírulas"...

Coisas do destino infausto que me impedem de depenar um pobre alado feito de escamas de fantasia. A mim, resta-me a bela Giena...

terça-feira, novembro 08, 2016

A esquerda mortágua e a realidade antiga e sempre presente

A deputada Mortágua é entrevistada hoje pelo Jornal de Notícias do "amigo" Camões. E que diz? Duas coisas a destacar.
Uma é que está muito "orgulhosa" de ter promovido o saque tributário a quem tem mais. Outra que em relação ao PCP, as divergências são de pormenor porque em 99% dos casos estão de acordo. Bem me parecia...

Ninguém pergunta a esta indivídua nada sobre a sua vida privada, o que não deixa de ser curioso, uma vez que aparentemente toda a gente sabe...mas é tabu. A coisa continua a ser tabu. Enfim.

Sobre Orçamentos de Estado vale a pena ler o que se escrevia na Vida Mundial de 17.1.1969, por ocasião do primeiro Orçamento após a chegada de Marcello Caetano ao poder.

Vale a pena porque mostra o modo como se discutia publicamente o assunto, após uma primeira apresentação de razões pelo então presidente do Conselho, na televisão, em "conversa em família".


"Não se deve gastar mais que o estabelecido, salvo se a certa altura do ano for apurado com segurança haver maior receita do que se tinha orçado".

O equilíbrio orçamental em estado perfeito. Será que passou completamente de moda tal filosofia? Parece que sim e temos 3 bancarrotas no currículo nacional, nos últimos 40 anos. Quantos países da Europa se podem gabar de tal feito inédito?
Com relevo e tirando a Irlanda, mais nenhum outro. Prémio do feito? Todo para a Esquerda nacional das mortáguas e outros piratas.
Mais: andamos ainda a enaltecer eleitoralmente quem nos garantiu tal feito digno do Guiness e parece que se houvesse eleições os mesmos tinham a vitória no papo.

Que se passa connosco, afinal? Perda de memória? Desinteresse pelo passado? Confusão mental com o presente?
Ninguém parece ligar ao "comunismo" e seus rebentos ideológicos, como causa natural e implacável de tais efeitos e apostam em repetir os mesmos erros, sempre com base em ideias fantásticas de que o tempo é outro e o que lá vai, lá vai.
Incrível!


 No mesmo número da revista um artigo sobre Cuba que mostra o modo como era encarado o problema da "revolução cubana".  Nada de comunismo, nada de repressão, de censura, de limitação de liberdades. Só batalhas de produção, só sucessos económicos e anúncios de coisas grátis para todos, como a água, electricidade e telefone. E dentro de pouco tempo até os transportes e a habitação. A escolaridade efectiva "era total" e as bolsas de estudo faraminosas. A contrapartide de sacrifícios, se os houvesse, estaria na "política social extremamente avançada".
Ou seja, o paraíso na terra...

Como é que depois disto iriam os jornalistas e intelectuais da treta acreditar na realidade dos países socialistas, pintada por alguns atrevidos nos países ocidentais ?
A Leste e em Cuba era tudo cor-de-rosa e quem dissesse o contrário era da CIA. Foi assim, logo em 1974 e isto ajuda a explicar o que se passou no PREC.
A Mortágua e os piratas que lhe deram origem são fruto desta escola.


segunda-feira, novembro 07, 2016

A CGD em 1967

Em 19.5.1967 a Vida Mundial dedicou um artigo extenso em "estudo da semana" à banca em Portugal.

Sobre a Caixa Geral de Depósitos que agora atravessa um período negro por causa destes últimos governantes que lá estiveram, escrevia assim:






 "Sobretudo a partir da reforma de 1929 a Caixa tem distribuido predominantemente o crédito a favor do sector privado, financiando os diferentes sectores com prioridade da agricultura e da indústria através da Caixa Nacional de Crédito".
"A Caixa auxiliou a debelar a crise económica de 1929 e dos anos seguintes e contribuiu para o gradual e persistente abaixamento da taxa de juro".
"Do quadro extremamente vasto e complexo das actividades da Caixa (...) cabe destacar pela sua relativa juventude uma actividade de índole diferente das anteriormente citadas: referimo-nos à construção de habitações para funcionários do Estado e dos corpos administrativos."


A Esquerda que predominava em 1969

Ainda a propósito de Mário Dionísio estes recortes da revista Vida Mundial mostram a importância que se dava na época a alguém definido ( por Augusto Abelaira) como um "romancista sem romances".

A entrevista apareceu em 26.9.1969 num número especial dedicado às eleições de 1969, em que se destacava amplamente o papel da oposição ao regime de Marcello Caetano.


Quanto às eleições desse ano e ao papel reservado à então Oposição talvez valha a pena mostrar os nomes dos que assistiram ao encontro em Leiria dos representantes dessa Oposição, capitaneada por um certo Vasco da Gama Fernandes que depois foi presidente da AR.
Curiosamente queixavam-se da Censura, e com razão, mas deixaram desta vez a imprensa "de fora". Fecharam-lhe a porta...


E também como se reportava em Junho de 1971 a actividade bombista de certos piratas revolucionários, clandestinos e percursores das mortáguas.


Aliás, em matéria de tretas na capa da revista não houve míngua delas, em 1969: tudo gente de bem e de esquerda...liberal.


A revista do ano da imprensa também se figurava cosmopolita...


domingo, novembro 06, 2016

As tretas das Letras II

Vasco Pulido Valente gasta o melhor da sua crónica de hoje,no Observador a desbastar a efeméride do centenário de nascimento de um crítico e escritor português, Mário Dionísio.

"É celebrado este ano o centenário de uma pessoa de que hoje ninguém se lembra e que ninguém lê, Mário Dionísio. Foi um mau poeta, um mau romancista, um mau pintor de fim-de-semana e, principalmente, um mau crítico. Mas no cume do antifascismo, logo a seguir à guerra, foi também o “controleiro” do PC para o “sector intelectual”. Quando Cunhal, já preso, exigiu aos pobres literatos portugueses o estrito acatamento do “realismo socialista” de Jdanov, Mário Dionísio saiu do partido, mas ficou até ao fim da vida um “simpatizante” convicto. Conheci muito bem o indivíduo. Primeiro, como professor de literatura portuguesa no Colégio Moderno de João Soares (avô) e, depois, porque os meus pais, igualmente devotos da seita, eram amigos dele."

Este artigo vitriólico e ajustado ao tempo do tal Dionísio contrasta com o perfil que a Wikipedia lhe traça, no qual nem uma vez aparece a menção a PCP...o que é curioso para quem foi um comunista de gema. É por isso bem vindo o artigo de VPV para mostrar outra verdade escondida, na alheira da Wiki.

Andei à procura nos catálogos que tenho, antigos, da editora do tal Dionísio e descobri que era na Europa-América.


Nada de especial, de facto, a não ser o tratamento ditirâmbico que lhe era dado, em 1971, no referido catálogo.
Mário Dionísio era ainda conhecido do suplemento Quinta-Feira à Tarde, no Diário Popular, como mostra este de 21 de Fevereiro de 1974.



Contrastando com este perfil exposto havia outro indivíduo dado às letras e que aparece também no Jornal de Letras que menciono no postal abaixo: Adolfo Simões Muller, da mesma época ( este nascido em 1909, aquele em 1916) cujo perfil na Wiki é mais generoso em termos de obra e merece maior atenção.  Simões Muller era autor de algumas obras de divulgação de "clássicos" que a editora Livraria Tavares Martins publicava para os jovens do meu tempo. A blblioteca itinerante da Calouste Gulbenkian, na sua carrinha Citroën que passava mensalmente e parava perto da escola primária, encarregava-se de os publicitar e emprestar para ler. Para dizer a verdade nunca foram lá do meu agrado as adaptações dos clássicos, como a dos Lusíadas, da Peregrinação ou das Viagens de Gulliver.
Melhor que isso era o trabalho nas revistas antigas, com destaque para o Cavaleiro Andante que não é do meu tempo, na medida em que teve expressão máxima nos anos cinquenta do século que passou, mas deixou as raízes para o Tintin que veio logo a seguir, em Junho de 1968.

Por isso fica a entrevista do indivíduo que foi responsável pela publicação em Portugal, na revista O Papagaio,  da obra de Hergé que conheceu através do padre Abel Varzim que estudara em Lovaina e conhecera pessoalmente Hergé.



E por falar nisso aqui fica a história resumida em duas páginas daquele jornal de Letras, de 16.3.1987 da BD em Portugal, onde se menciona O Papagaio, O Mosquito, O Diabrete e o Cavaleiro Andante. Tudo do tempo de Salazar, altura em que o tal Mário Dionísio defendia o modelo da União Soviética como o melhor para o nosso país.
Lá, porém, não havia banda desenhada de Hergé ou de americanos, franceses ou belgas. Havia Censura. Que eles mesmos achavam uma coisa horrível, por cá...

Estes indivíduos regulavam bem cachimónia?!


As tretas das Letras I

Ao folhear um velho Jornal de Letras, de 16.3.1987 deparei com este artigo de Manuel Maria Carrilho sobre a Filosofia e Letras adjacentes.


Um catálogo da "Feira do Livro", da Editorial Presença, de 1974, mostrava uma obra em 14s volumes sobre a História da Filosofia.
 O plano da obra:


Manuel Maria Carrilho cita no artigo um outro de Eduardo Prado Coelho no Expresso em que se expressava a ideia de que o ensino de Letras é uma inutilidade a qual tem valor formativo. E cuja inutilidade tem imensos efeitos...nomeadamente nas profissões jurídicas.

No mesmo número do JL aparece uma evocação de Paulo Quintela, um docente de tretas e tradutor de génio e ainda um artigo extenso sobre a Banda Desenhada em Portugal. 

Vai a seguir.

sábado, novembro 05, 2016

A alheira e a forma de ocultar a verdade

RR:

"Bastonária [ da Ordem dos Advogados, Elina Fraga] culpa Ministério Público por fugas de informação.
O Ministério Público é o grande responsável pelas fugas de informação da investigação criminal, acusa a bastonária da Ordem dos Advogados no programa Em Nome da Lei da Renascença.

Elina Fraga reforça uma acusação que já fizera na Renascença e que lhe valeu o levantamento de um inquérito, pela procuradora-geral da República, entretanto arquivado.

“O que tem acontecido na comunicação social é o acompanhamento de buscas e detenções em directo. Essa informação, naturalmente, tem que partir da investigação criminal”, atira a bastonária dos advogados.

“Basta ver uma determinada publicação, que eu não vou aqui referenciar, para todos os dias estar aí transcrito o que a investigação criminal está a fazer”, sublinha."


A bastonária Elina, tal como o anterior bastonário Marinho, recalcitra na acusação gratuita ao MºPº: é o culpado das "fugas de informação" nos processos mediáticos.

A bastonária Elina não sabe mais do que presumir culpas, lançar suspeitas a esmo e aventar palpites firmes,  mas como prova das acusações apresenta apenas uma: como os media acompanham buscas e detenções só podem ser informados pela "investigação criminal", ou seja, no caso pelo MºPº.

Assim, para a bastonária Elina a tal investigação criminal é do MºPº e apenas do MºPº. A bastonária Elina deve perceber tanto de processo penal como os antigos fabricantes de alheiras percebiam de carne de porco: o suficiente para esconder na tripa de fora o que lhe vai na de dentro. 

A bastonária Elina devia saber como se emite um mandado de busca, se entrega um mandado de busca, mormente a advogados e ainda como se executa um mandado de busca, antes de alheirar seja o que for como argumento acusatório.

Como não o faz, não passa de  dispensadora de aleivosias, difamadora avulsa em processos de intenção rematados e incompetente arrogante  que nem devia estar no lugar que está.

Mas enfim, talvez alguém do Bloco lhe dê o alento que precisa...

sexta-feira, novembro 04, 2016

O extremismo esquerdista é que nos vai salvar...




 Observador:

Catarina Martins: O país está “mutilado pelo extremismo europeu”.

Esta actriz de  meia tijelinha  ensaia agora na política a farsa em  dois actos,  "como repetir o PREC com ajuda do PS".

Retratos do establishment lisboeta

Esta semana houve dois funerais com relevância pública de assinalar por causa dos falecidos serem conhecidos do público e por vários motivos.

As revistas de "sociedade" não esqueceram o assunto e dedicam páginas aos dois enterros, com fotos dos presentes na circunstância.

Tirando as famílias directas torna-se interessante ver quem foi aos funerais e em Agosto já tinha sucedido outro evento do mesmo tipo com o falecimento da mulher de Durão Barroso.

As fotos são um retrato de um certo establishment lisboeta que se firmou de há umas décadas a esta parte no universo nacional de dimensão de bairro´.

Primeiro o desta semana, o mais mediatizado: o do médico João Lobo Antunes, tal como a revista Lux e a Caras desta semana o mostram.

Lux:


Caras:




Depois o funeral de Jaime Fernandes também serve para mostrar um certo establishment dos media nacionais, com poiso em Lisboa. Até um Sérgio Figueiredo lá esteve...e o curioso é que apenas a revista Lux dá conta do assunto. A Caras nem uma foto ou sequer menção. Nada. Não é notícia. Blackout total. Por contra, Lobo Antunes tem direito a nove páginas de reportagem fotográfica.
Vá-se lá entender...


Torna-se evidente que este funeral de um profissional de rádio não representa a mesma coisa, mediaticamente que o de um profissional de medicina que atendeu muitos ilustres do establishment ao longo dos anos. Essa a diferença substancial. Porém, o establishment que conduziu Jaime Fernandes a Provedor do Ouvinte é sensivelmente o mesmo. Agora, com respeito à sua profissão de origem é apenas mencionado como responsável pelo programa Oceano Pacífico, esquecendo-se tudo o que antes fizera de mais relevante e importante para a juventude ouvir música de qualidade.
No entanto, Jaime Fernandes teve maior influência cultural do que aquele cirurgião. O meio pode ser diferente, mas nem tanto assim, como se vê pelas presenças no funeral.
Portugal é um pequeno país em que quase tudo se concentra na capital. Umas pessoas conhecem as outras,  nos mesmos lugares e assim se forma o establishment das nomeações, escolhas políticas, rodas de amizades, ascensão social etc etc. O espirito videirinho ou o carácter específico fazem o resto. E assim se constroem vidas que se passam em herança, por vezes.

Em Agosto passado, no funeral de Margarida Uva, mulher de Durão Barroso, as figuras públicas juntavam-se no féretro.



As outras revistas de "sociedade", a VIP ou a Nova Gente, do mesmo género de publicações que infestam o cesto das ditas nas salas de espera de consultórios privados, tratam do assunto do mesmo modo, o que nos pode dar um retrato aproximado desse tal establishment que se cultiva actualmente em Lisboa.
É um mundo muito pequeno, de interacções avulsas, com grande destaque para figuras políticas.

Salvo o erro nenhum destes falecidos pertencia a agremiações lusitanas secretas de pendor maçónico, senão veríamos o séquito impressionante dos beija qualquer coisa do costume.

É este mesmo establishment que gera fenómenos desta natureza fantástica e que aproveito de uma menção nos comentários: o que conta para este antigo "editor de economia" na Antena Um, passado a director da informação que conta e que depois salta para rtp´s e outros serviços públicos, sempre ao serviço do público que conta, é o tal establishment. O outro país é apenas um adereço.

Neste caso, o factor de prevalência de escolha seria uma matrícula...e se a moda pega a competição vai ser renhida.



A ideia de mostrar o establishment em determinado momento foi aproveitada pela revista americana Vanity Fair que todos os anos publicava uma lista detalhada desse establishment.

A de 2007 figurava assim:



Em Portugal o Jornal de Negócios, no Verão também dedica umas semanas ao assunto de escolher as figuras que se apresentam ao jornal com maior influência.
Portanto, não é de todo despropositado casar aqueles funerais, relativamente às pessoas que lá estiveram em homenagem aos falecidos e por mor das respectivas famílias e amigos...

Um elogio improvável

José Adelino Maltez, versado em filosofias e mais maçonarias, analisa o livro que José Sócrates assinou sem lhe colocar a dúvida metódica que alguns filósofos aconselham: quem escreveu realmente o livro? As dúvidas são legítimas a tal ponto que quem as ignora passa por ingénuo ou pior que isso. Uma coisa é certa: o elogio a Sócrates já não se apaga. Porquê, santo Deus? Porquê? E tudo o resto não conta para nada? Este filosofante vive no mundo lunar ou com os pés assentes em Terra? Enfim.

No caso, prefiro a melhor das hipóteses embora deixe a critério alheio a escolha da alternativa certa...

Sapo24:

José Adelino Maltez, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, leu o livro de José Sócrates com a lente da ciência política. "Gostei dessa procura do carisma em política, entre a origem teológica e a procura do chefe, ou da personalização do poder, mesmo na democracia contemporânea. E fui determinando os rastos de investigações que o levaram a descrever a nova religião secular, na senda do que semeou Max Weber", escreve na análise que publicamos.

 

quinta-feira, novembro 03, 2016

Mentirosus vulgaris?




Observador:

O jornal i confirma que houve uma troca de emails entre Brandão Rodrigues e Wengorovius Meneses que prova a ingerência por parte do ministro na equipa da Secretaria de Estado do Desporto.

Havia suspeitas que este indivíduo de Coura era um aldrabão porque foi isso que o disse um seu antigo professor e orientador de tese académica.

Agora, como este assunto era do "interesse público" importa averiguar se também é um refinado    mentiroso ...e correr com este espécime do governo.
O Nogueira da Fenprof vai chorar baba e ranho político.


terça-feira, novembro 01, 2016

o dom parolo

Estive a ver a reportagem do CMTV  a propósito da apresentação do livro Carisma, cujo autor de capa, José Sócrates, foi acompanhado por repórteres de tv no percurso de entada na FIL.

Um dos repórteres da CMTV perguntou de chofre e microfone em riste se "já teve tempo de ler o livro escrito em seu nome"? E ainda sobre o que dizer da quantia de 100 mil euros, paga muito acima dos custos de mercado.

O visado, estoicamente, ignorou tais questões e prosseguiu a marcha patética.

Será difícil encontrar exemplo semelhante de alguém, suposto autor de um livro, ser confrontado assim, directamente e com os rodeios dos media, acerca da falsidade da obra.
Apesar das suspeitas e dos factos conhecidos, o suposto autor remete tudo para a falsidade das imputações e a vontade de alguns o denegrirem.
Neste ponto, o mais relevante acaba por ser esse aspecto paralelo e escandaloso ficando para trás qualquer apreciação crítica da obra.
A um dos circunstantes vindos em excursão de Vila Real foi-lhe perguntado se já comprara o livrito. Hesitou e disse que ainda não e era coisa para se ver depois. Obviamente nunca irá comprar tal livro e muito menos lê-lo. A viagem foi turística e alguém pagou...e o método já tinha dado provas aquando do ajuntamento arrebanhado de alguns indianos do Martim Moniz numa campanha eleitoral passada.

Mas se o livro não será para ler, há quem o tenha lido. Vasco Pulido Valente escreveu no Domingo:

 "Que dizer da coisa, senão que o próprio autor chega ao fim de 152 páginas (letra grande, mancha larga) sem, confessadamente, saber ao certo, ao certo, do que está a falar? Aparte isso, Sócrates, como era de esperar, usa a técnica do aluno cábula e sem ideias. “O Dom” dele é de parafrasear e comentar meia dúzia de cavalheiros respeitáveis (Weber, Cassirer, Kojève e por aí fora) e citar dezenas de outros por empréstimo, ou seja, porque já vinham citados no pouco que ele leu. Este método iria inevitavelmente acabar por produzir uma enormíssima trapalhada: repetições, contradições, despropósitos e vacuidades, com muito erro pelo meio e algumas sentenças de Sócrates, que roçam o vexatório. Apesar dos recados políticos e de um ou outro disfarçado aceno a um público imaginário, não se percebe por que razão o indivíduo escreveu este livro. Sonhará ele ainda vir a ser o “líder carismático” do futuro? Suspeito que sim."

 Hoje no Correio da Manhã,  Francisco José Viegas tem esta crónica:



Não li o livro e não tenciono dar para o peditório político de recuperação de imagem de um político morto ( mas não enterrado).
Porém, fico com curiosidade em saber que teólogo brasileiro é citado do francês, numa parolice digna de um Farinho distraído...( será Boff?)

Sobre as licenciaturas a preceito de estatística e dos doutoramentos que se preparam à pressão para se ascender à categoria de professor doutor a parolice é ultrapassada pela tragédia do nosso ensino, montada e encenada pelos mesmos de sempre, verdadeiros catedráticos da sabedoria sustentada em diplomas.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso