As revistas de "sociedade" não esqueceram o assunto e dedicam páginas aos dois enterros, com fotos dos presentes na circunstância.
Tirando as famílias directas torna-se interessante ver quem foi aos funerais e em Agosto já tinha sucedido outro evento do mesmo tipo com o falecimento da mulher de Durão Barroso.
As fotos são um retrato de um certo establishment lisboeta que se firmou de há umas décadas a esta parte no universo nacional de dimensão de bairro´.
Primeiro o desta semana, o mais mediatizado: o do médico João Lobo Antunes, tal como a revista Lux e a Caras desta semana o mostram.
Lux:
Caras:
Depois o funeral de Jaime Fernandes também serve para mostrar um certo establishment dos media nacionais, com poiso em Lisboa. Até um Sérgio Figueiredo lá esteve...e o curioso é que apenas a revista Lux dá conta do assunto. A Caras nem uma foto ou sequer menção. Nada. Não é notícia. Blackout total. Por contra, Lobo Antunes tem direito a nove páginas de reportagem fotográfica.
Vá-se lá entender...
Torna-se evidente que este funeral de um profissional de rádio não representa a mesma coisa, mediaticamente que o de um profissional de medicina que atendeu muitos ilustres do establishment ao longo dos anos. Essa a diferença substancial. Porém, o establishment que conduziu Jaime Fernandes a Provedor do Ouvinte é sensivelmente o mesmo. Agora, com respeito à sua profissão de origem é apenas mencionado como responsável pelo programa Oceano Pacífico, esquecendo-se tudo o que antes fizera de mais relevante e importante para a juventude ouvir música de qualidade.
No entanto, Jaime Fernandes teve maior influência cultural do que aquele cirurgião. O meio pode ser diferente, mas nem tanto assim, como se vê pelas presenças no funeral.
Portugal é um pequeno país em que quase tudo se concentra na capital. Umas pessoas conhecem as outras, nos mesmos lugares e assim se forma o establishment das nomeações, escolhas políticas, rodas de amizades, ascensão social etc etc. O espirito videirinho ou o carácter específico fazem o resto. E assim se constroem vidas que se passam em herança, por vezes.
Em Agosto passado, no funeral de Margarida Uva, mulher de Durão Barroso, as figuras públicas juntavam-se no féretro.
As outras revistas de "sociedade", a VIP ou a Nova Gente, do mesmo género de publicações que infestam o cesto das ditas nas salas de espera de consultórios privados, tratam do assunto do mesmo modo, o que nos pode dar um retrato aproximado desse tal establishment que se cultiva actualmente em Lisboa.
É um mundo muito pequeno, de interacções avulsas, com grande destaque para figuras políticas.
Salvo o erro nenhum destes falecidos pertencia a agremiações lusitanas secretas de pendor maçónico, senão veríamos o séquito impressionante dos beija qualquer coisa do costume.
É este mesmo establishment que gera fenómenos desta natureza fantástica e que aproveito de uma menção nos comentários: o que conta para este antigo "editor de economia" na Antena Um, passado a director da informação que conta e que depois salta para rtp´s e outros serviços públicos, sempre ao serviço do público que conta, é o tal establishment. O outro país é apenas um adereço.
Neste caso, o factor de prevalência de escolha seria uma matrícula...e se a moda pega a competição vai ser renhida.
A ideia de mostrar o establishment em determinado momento foi aproveitada pela revista americana Vanity Fair que todos os anos publicava uma lista detalhada desse establishment.
A de 2007 figurava assim:
Em Portugal o Jornal de Negócios, no Verão também dedica umas semanas ao assunto de escolher as figuras que se apresentam ao jornal com maior influência.
Portanto, não é de todo despropositado casar aqueles funerais, relativamente às pessoas que lá estiveram em homenagem aos falecidos e por mor das respectivas famílias e amigos...