domingo, novembro 13, 2016

Torquemada é inocente!

Este advogado que também politica, desde que ajudou a fundar o PS, é um exemplo de espécimen jurídico que exaspera o mais paciente dos jobs que abundam na profissão.



Ao ler esta crónica no CM de hoje, sobre um fait-divers criminal como é o caso do assassino presumido Pedro João Dias,  a postura escrita e falada desde causídico é simples: inocente presumido, sempre e desde que haja um processo,como tem que haver, porque nada se faz sem processos. Quem se atrever a arejar um pensamento coerente com os factos conhecidos e  imputar alguém culpado, fora desses parâmetros jacobinos,  é criminoso e deve ser condenado sem qualquer presunção de inocência acerca da intenção em denegrir.
Convoca sempre a ditadura fascista, a inquisição, ou qualquer outro tremendismo, porventura o próprio nazismo ou o diabo em figura de gente para defender o indefensável e que estriba sempre na lei jacobina que acapara.

Hoje tocou a vez a Torquemada, um frade espanhol que morreu de velho e, coitado,  é vergastado como culpado daquilo que o causídico execra: considerar que a inocência nem sempre é de presumir contra tudo e contra todos só porque a lei processual assim o determina, para evitar que se condenem inocentes...

A única justiça que este causídico diz respeitar  é a de um tribunal oficial e burocratizado nas leis jacobinas, o que se torna curioso, sabendo que uma boa parte dos exemplos que convoca se refere a pessoas que nunca foram julgadas em qualquer tribunal e nem por isso deixam de ser exemplos do contrário que supostamente defende.

Quem assim pensa se calhar padece de um défice de entendimento qualquer, provocado eventualmente por um traumatismo de espécie desconhecida e que um psiquiatra provavelmente nem entenderá.

A par deste que provavelmente acredita naquilo que diz e por isso mais perigoso é, existe outra espécie de advogados também perigosos para a Justiça com J grande: os cínicos e amorais que fazem do Direito um jogo de palavras e dos conceitos armas de uma defesa imoral. Sabem perfeitamente que os clientes são culpados dos crimes imputados e procuram na lei o modo de os safar da punição devida.
São mercenários do Direito para quem a Justiça é uma balela e todos os juristas os conhecem...

 A lei positivada faz-lhes muitas vezes a vontade porque foi gizada por ingénuos do primeiro tipo e que depois se mostram muito chocados com os resultados práticos e vão a correr tentar mudá-la. Passados anos e anos...


Questuber! Mais um escândalo!