terça-feira, maio 15, 2018

Morreu Tom Wolfe

O escritor americano Tom Wolfe morreu hoje e sinto que desapareceu alguém que me fazia falta. Há poucos assim, no meu pequeno altar de heróis por conta própria.

Não me lembro da altura em que fiquei a conhecer Tom Wolfe e a sua obra, mas como lia a Rolling Stone desde meados dos anos setenta do século passado, foi naturalmente por aí que tomei conhecimento dos artigos que o mesmo escrevera na revista.
Não li a edição de 4 de Janeiro de 1973 em que se publicou um artigo extenso que se prolongou pelo número seguinte, sobre os astronautas da missão Apollo 17, a última que a Nasa efectuou com destino à Lua.

O artigo original desenvolvia-se assim:




Na edição de 11.6.1992 por ocasião do 25º aniversário da revista o autor explicava como tinha surgido a ideia do artigo, bem como dos anteriores ( particularmente o primeiro, sobre o "radical chic", da entourage de Leonard Bernstein, em Nova Iorque).


Em 3 de Janeiro de 1974 outro artigo de Tom Wolfe, sobre o Funky Chic que vale a pena ler na íntegra e ver a ilustração da capa, da autoria de Peter Palombi, juntando o símbolo da Rolls Royce, a Dama de Prata, desenhado originalmente por Charles Sikes da Royal Academy of Art, em 1911 ( informação no sumário da revista que ainda introduz o artigo com esta consideração: serão as nossas vidas condicionadas pelas modas ou antes as modas que determinam as nossas vidas? Diz que a resposta está no artigo).
Ainda mais interessante: na parte final Tom Wolfe escreve que Goethe uma vez notou que Luís XVI passou a dormir no chão do quarto em vez de o fazer na  cama real para se sentir mais perto do povo, na medida em que começou a acreditar que a monarquia seria abominável... :


A primeira vez que li algo de Tom Wolfe na revista foi precisamente no número em que iniciou a prè-publicação do romance A Fogueira das vaidades, em19.7.1984, o primeiro de outros romances que se seguiram, também sucessos editoriais ( A man in full e Charlotte Simmons) [ de facto não foi neste número da Rolling Stone que pela primeira vez li algo sobre Tom Wolfe. Só agora, passados dias, dei conta, ao ler o obituário no sítio da Rolling Stone que já tinha lido antes, em Agosto de 1980,  isto] :


Na entrevista extensa, com oito páginas incluindo as fotos mostradas, Tom Wolfe fala de um livro que estava a escrever sobre Nova Iorque e que era precisamente o que em 1984 pude ler na edição da R.S: 





 Tom Wolfe tinha escrito no final dos anos setenta, para a revista Esquire de Dezembro de 1979, uma resenha do que tinham sido os anos setenta. Fica aqui, integralmente porque merece ser lido:





Em 1982 a revista espanhola Vibraciones publicou uma entrevista original com o autor:


Duvido que na altura houvesse muita gente em Portugal que se interessasse pela obra de Tom Wolfe...mas em 2002, o Expresso recenseou um dos livros do autor, aliás dos mais interessantes: Hooking Up.

 Em 2013 Tom Wolfe atirou-se aos lobos de Wall Street, na edição digital da Newsweek, assim:

Onward! Onward! Faster! Faster! At a thousand, two thousand, three thousand banking operations, investment funds, and exchanges, quants kept adding computers and servers and servers and computers row above row above row on floor-to-ceiling racks that stretched on infinitely like the stacks of the biggest library in the world… wrapped in miles of white fiber-optic cables that interconnected the machines… But these stacks were by no means quiet as a library’s. There were aisles between the stacks so that someone, presumably someone from IT, could get to any machine, every cable connection, if he had to. But any human being who entered, even an IT guy or a quant, was engulfed, oppressed, unnerved, spooked out by an overwhelming droning sound and an X-ray-blue fluorescent light that made your skin look posthumous. The droning seemed to create a pressure upon your skull. Sometimes the drone would rise slightly, then lower… and rise… and lower. It made you think this enormous robo-monster was breathing… If you were knowledgeable enough even to be allowed to enter one of these huge server rooms, you knew that most of the droning came from air-conditioning units high as a wall… that ran constantly to keep this concentration of machines from auto-melting because of their own ungodly heat. In some gigantic facilities they let the heat rise into plenums and piped it from there to heat the entire building. You could know all that, but the robo-monster would ride your head so hard, you would turn anthropomorphic in spite of your superior brain… The robo-monster—it’s breathing… it’s starting to move… it’s got me by the head… it’s thinking with its CPU (Central Processing Unit) mind, thinking in algorithms, sequences of programmed decisions along the lines of “If A261, then G1432, and therefore B5556 or QQ42—” spotting discrepancies, making buy-sell decisions, even deceptive looks-like-a-buy feints to trick competing robo-brains into making foolish calculations. The monster’s human… No, he’s not human… No human brain could possibly think or act as fast, as accurately, as cunningly as a robo-brain.

Thorp’s 10-second transactions during the Bell breakup would have been an eternity in the robo-world. The investment banks, funds—and exchanges—began adding acres of robo-racks in the race to spot mispricing opportunities first and execute transactions in the same instant. It was no longer a matter of oldfashioned split seconds. It came down to millionths of a second. This became known as High Frequency Trading.

The robo-monster accounted for 10 percent of all trades in 2000. Thereafter, the number rose in a steep, steady climb to a peak of 73 percent in 2009, close to three of every four trades—and nobody in the outside world, not even the press, had ever heard of it! The first mention of it in the press was not until July 23, 2009, in the New York Times.

The majority of men working full-time right here on Wall Street didn’t know much more. They were as innocent as the suckers, the guppies, the muppets. They learned in such tiny steps, they didn’t get the whole picture until very late in the game. Their first inkling came when the investment banks’ trading floors began to calm down… fewer and fewer traders yelling at each other or into the telephone or at Fate. Before long they were sitting at desks behind banks of computer screens and communicating with each other by text message.
(...)

O último recorte é recente, de finais de 2017 e foi comentado, aqui:


O que gostava de ler em Tom Wolfe era o estilo sarcástico qb, impiedoso, inteligente e que se nota naquele artigo, acima, da Esquire e se estende pelas páginas de Hooking Up.

O romance A Fogueira das Vaidades, esse, é um dos que vale a pena ler, como se fosse um livro de Eça, dos tempos modernos.

Que descanse em paz, Tom Wolfe. Não escreve mais mas ficam os livros e artigos que escreveu.

João Cravinho, o apitador que via os combóios passar

João Cravinho, um dos notáveis do PS, está lá desde sempre e ajudou sempre a consolidar equívocos económicos desde a primeira bancarrota.

foi aqui dito porquê:

Em 1974 era assim e a leitura do livro de Rosado Fernandes ajuda a compreender melhor as ideias de caca destes indivíduos tidos por muito sabedores. Em dois tempos, num andamento de alguns, poucos meses, destruíram o essencial do tecido económico português, com as nacionalizações e ocupações de terras. Este foi um dos arautos:


Em 1976, em plena bancarrota não tinha mudado de ideias:


 Em 1983, depois de nada ter aprendido com a primeira bancarrota, achava que a segunda se evitaria com "novos empresários" criados de raiz.

Expresso 12.3.1983:



Cravinho, a par de Constâncio,  é um dos maiores bluffs da política portuguesa e tentei perceber porquê, aqui.

Contudo, Cravinho tem sido ao longo das décadas um dos whistleblowers mais notórios, entre o pessoal dos partidos, a anunciar os perigos da corrupção. Nisso só é batido pela passionária Maria José Morgado.
Cravinho apita é quase sempre fora de horas e fica por isso, por umas assobiadelas para dizer que  vê os combóios passar...
Cravinho, pela posição que tinha no PS estaria em condições de travar esses combóios, mas nada fez por isso de consequente.

Ficou-se sempre por isto:

Público 13.10.1998, tempo de Guterres. Um pacote sem efeito algum.


Cravinho quando teve oportunidade concreta de fazer alguma coisa, fez nada de nada. Antes, fez ainda pior porque desmantelou um cóio de corrupção ( a JAE) e ajudou a criar um monstro, como se veio a demonstrar com as PPP´s e o que se passou no tempo de Sócrates.

 Assim, como explicava o general Garcia dos Santos, em 24.4.2012, numa entrevista ao jornal i e que em 2009 já tinha sido referido. Muito a tempo de parar a loucura Sócrates que estava instalada e conduziu a outra bancarrota, em 2011:

Quer outro exemplo? As auto-estradas, as Scuts. Eu tive uma conversa com o engenheiro Cravinho em que ele me disse que ia pôr a funcionar as Scuts. Eu disse: “Ó senhor ministro isso é um tremendíssimo disparate!”. A Scut é uma invenção inglesa, ao fim de pouco tempo os ingleses puseram aquilo completamente de parte, por causa do buraco que era previsível. Mas disse-me que o assunto estava exaustivamente estudado sob todos os aspectos, técnico, financeiro. Está à vista o buraco que são as Scuts.
Jornal i- E as PPP?
Garcia dos Santos- É a mesma coisa.
Jornal i-Quando saiu da JAE denunciou uma situação generalizada de corrupção. Acha que as PPP também se integram nessa situação? O Tribunal de Contas diz que houve contratos que lesaram o interesse público...
Garcia dos Santos-Tem que se admitir a possibilidade de haver ali corrupção, e da forte. Como é que se atribui a uma determinada entidade certos privilégios que não seriam naturais? É porque se calhar há alguém que se locuptou com alguma coisa. Infelizmente, outra coisa que funciona mal no nosso país é a justiça. Nunca chega até ao fim.

Jornal i- Foi colega do eng. João Cravinho no Técnico…
Garcia dos Santos-Foi por isso que ele me chamou para ir para a Junta. Sabe o meu feitio e quis que eu limpasse a casa.

Jornal i-Mas o que é que aconteceu? O eng. João Cravinho chama-o para limpar a casa, o senhor limpa, e depois zangam-se. O que se passou?
Garcia dos Santos-Fomos colegas no Instituto Superior Técnico. Houve um jantar de curso e nesse jantar o Cravinho a certa altura chama-me de parte e diz: “Tens algum tempo livre?”. E eu disse: “Tenho, mas porquê?”; “Eu precisava de ti para uma empresa”; “Que empresa?”; “Agora não interessa, a gente daqui a uns tempos fala”. Passado uns tempos chamou-me e disse-me: “Eu quero que vás para a Junta Autónoma das Estradas, mas não digas a ninguém que o gajo que lá está [Maranha das Neves] nem sonha”. O Cravinho deu-me os 10 mandamentos do que eu precisava de fazer na Junta, limpar a casa, obras que era preciso fazer, etc. Entretanto, comecei a conhecer a casa, dei a volta ao país todo e um dia disse-lhe: “Há aqui uma série de coisas que é preciso fazer e há 11 fulanos que é preciso pôr na rua”. Ele retorceu-se, chamou-me daí a dois dias, disse que era muito complicado. O problema é que era através de uma das pessoas que eu queria pôr na rua que passava o dinheiro para o PS.

Em 2015 voltou a apitar forte e feito, numa entrevista ao Público em que dizia o mesmo que agora diz: que José Sócrates impediu a aprovação pelo Parlamento, do seu famoso pacote anti-corrupção, outra das acções frustradas do apitador.


Na altura, escrevi assim:

Em resumo: em 2006 tentou outra vez o pacote anti-corrpução que já tinha tentado vinte anos antes ( !), sem grande sucesso. E voltou a não ter sucesso.
Denunciou tal coisa devidamente? Bateu fragorosamente com alguma porta e com ruído que o país ouvisse? Qual quê!

A notícia é da TSF de Janeiro de 2007:

João Cravinho foi nomeado pelo Governo administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres. O deputado promete que, antes de abandonar o Parlamento, vai deixar definido o pacote anti-corrupção.

Portanto agora sabe que afinal quem contribuiu para a sua nomeação para o tal BERD ( onde foi ganhar o que nunca ganharia como governante ou deputado) era mesmo uma das forças da corrupção ambiente e  de alto coturno mas continua na mesma e sem o dizer claramente, deixando nas entrelinhas tal afirmação. Sempre o mesmo corajoso, na luta contra a corrupção, este Cravinho. Garcia dos Santos é que o topou bem...

Sobre o pacote anti-corrupção foi um ar que se lhe deu e Cravinho estava longe, não sentindo o fedor. Diz que sente agora...


Este "agora" referia-se a 2015.

Passados três anos volta a dizer coisas, aproveitando a onda de indignação postiça que assola este PS de que Cravinho faz parte e a quem deve toda a boa vidinha que levou ao longo dos anos.

Este Cravinho, mai-la Morgado quando podem fazer algo, apitam...

segunda-feira, maio 14, 2018

Um escândalo no CEJ

Este PS julga-se acima de tudo e de todos. É isso que resulta disto:

O professor da Faculdade de Direito de Lisboa suspeito de ter sido o verdadeiro autor da tese de mestrado do ex-primeiro-ministro José Sócrates vai fazer parte do júri das provas orais dos candidatos a magistrados do Centro de Estudos Judiciários, noticia a edição online da revista Sábado.
Domingos Farinho está a ser investigado por peculato no âmbito de uma certidão extraída da Operação Marquês, uma vez que a colaboração remunerada que prestou ao antigo governante pode colidir com a exclusividade que esperava vir a ter na universidade – o que fez com que tivesse sido em nome da sua mulher que ficou o contrato de prestação de serviços com José Sócrates.
Quando foi interrogado, o professor universitário garantiu ter apenas efectuado “o trabalho normal de uma revisão formal de uma tese e uma espécie de orientação”,  pois era a primeira vez que o antigo governante “fazia um trabalho académico”. Sócrates, referiu, “escrevia em bruto” e Farinho “dizia como fazer”. Porém, refere a Sábado, segundo o relatório final da Autoridade Tributária que consta dos autos da Operação Marquês, “pela análise da caixa do correio electrónico do arguido José Sócrates, identificou-se algumas conversas onde se indicia que Domingos Farinho não fazia apenas trabalho de revisão, mas também de investigação e de redacção de texto, que posteriormente era revisto e analisado” pelo estudante de Paris.
 
A tese sobre tortura e democracia acabaria por dar origem ao livro A Confiança no Mundo, apresentado numa cerimónia no Museu da Electricidade, em Lisboa, em Outubro de 2013, que contou com a presença de Lula da Silva, ex-presidente do Brasil entretanto preso no âmbito da Operação Lava-Jato. 
Foi o próprio director do Centro de Estudos Judiciários, João Silva Miguel, quem, através do Aviso 5091/2018, fixou a composição do júri para as provas da fase oral e da avaliação curricular do 34.º Curso de Formação de Magistrados, escreve a Sábado.

Que exemplo moral e ético pretende o CEJ dar aos futuros magistrados? Este que acima se expõe?

É preciso dizer que à frente do CEJ está o magistrado  João Silva Miguel e como vice-director, o magistrado Luís Silva Pereira, irmão de Pedro Silva Pereira cujo filho passou temporada em Paris, sob a protecção especial de José Sócrates.
Pedro Silva Pereira é um dos indignados da 25ª hora deste PS por causa do comportamento ético de José Sócrates, a dizer o menos.

O CEJ com esta escolha está a dar o mote ao ambiente geral: um suspeito de corrupção, na forma de peculato e falsificação, metido a membro de júri de avaliação de candidatos a magistrados.

Nem de encomenda!

PS. Não será tempo de a sociedade civil se interrogar sobre a força da Maçonaria no CEJ?

Morreu Rosado Fernandes

Morreu ontem Raul Miguel Rosado Fernandes que foi professor de literatura clássica, latim e grego, tradutor e mais ofícios académicos, como reitor. Foi ainda líder de associação de agricultores e deputado, portanto político.

Notícia de hoje, no CM:

Obituário de Francisco José Viegas:


Em 2006 comprei a autobiografia, intitulada "Memórias de um rústico erudito" que revela no título uma incorrecção política que me suscitou curiosidade e por isso folheei. 


As páginas sobre o que foram os primeiros dias a seguir àquela manhã de Abril de 1974 merecem ser lidas, porque são o relato na primeira pessoa de uma tragédia vivida em directo. A petite histoire do escriturário Domingos que não queria dar ao "colectivo" o que lhe pertencia, faz lembrar o filme sobre a herdade Torrebela.

Aqui fica explicado resumidamente o motivo pelo qual o PCP (  e o PS) são os principais responsáveis pelo nosso atraso económico relativamente à Europa. 






É caso para perguntar "como foi possível isto tudo "? Como é que o PCP continua a ter "boa imprensa" depois de ter arruinado um país?
E como se compreende que quem isto escreve seja malvisto, como "cada vez mais reaccionário" ?

Porque é que pessoas com um módico de inteligência de deixaram assim enganar e continuam na mesma depois destas décadas?

O fedor de João Galamba

 Observador, Alexandre Homem Cristo:

Aqueles que no PS se dizem enganados por José Sócrates são os mesmos que, entre 2011 e 2014, fizeram a vida negra a António José Seguro. Este não é um pormenor. Sim, do ponto de vista político, havia discordâncias e estes defendiam um rumo diferente do do então secretário-geral do PS – um rumo que protegesse o legado do governo de Sócrates e sacudisse responsabilidades na bancarrota de 2011. Mas o seu choque com a liderança de Seguro era bem mais profundo. Tinha a ver com acesso ao poder (porque Seguro os rejeitou) e tinha a ver com ética republicana (porque Seguro censurou os seus modos de actuação). Aliás, Seguro apontou-lhes mesmo o dedo acusatório: eles representavam o PS da velha política, que misturava política com negócios, interesses e favores. O PS que “Tozé” Seguro prometia extinguir.
Ora, esse PS não se extinguiu porque António Costa, quando provocou eleições internas no PS sob o apoio destes críticos internos, foi o ponta-de-lança para a salvação desse PS. E, em campanha para as eleições internas, no Verão de 2014, foi precisamente esse o aviso que António José Seguro deixou, em entrevista à revista Visão (edição 1117, 31/07/2014). Está lá tudo. De tal modo que, hoje, não dá para que alguém do núcleo duro do PS se faça desentendido.
Seguro alertou para a corrupção, a que chamou de «partido invisível» que “não tem rosto, não tem estatutos, não se reúne. Mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse «partido». Esse partido invisível tem de ser destruído”. Seguro identificou um PS viciado no poder: “Depois dos governos de Guterres e Sócrates, mas sobretudo com o último, [o PS] passou a ter uma cultura de poder. Por isso, muita gente, logo no início, disse: «com o Costa é que a gente lá chega». Não interessam o projecto, as ideias, o que as pessoas fizeram durante três anos, a disponibilidade… Para algumas pessoas, no interior do PS, interessa é aquele que dá poder e o distribui”. E Seguro afirmou não ser esse o seu PS, mas sim o de António Costa: “A minha linha de fractura é entre a nova e a velha política. A velha política que mistura negócios, política, vida pública, interesses, favores, dependências, jogadas e intriga. O que existe no PS mais associado a essas coisas é apoiante de Costa”.
Mais claro era difícil. À época, João Galamba, então dos mais próximos de Sócrates, acusou Seguro de se dedicar à “insinuação canalha” sobre o seu próprio partido, associou as declarações a “desespero” e qualificou-as de “vómito”. Hoje, porta-voz do PS, o mesmo João Galamba faz parte do grupo dos ditos “enganados” por José Sócrates e preocupados com a honra da democracia.

Esse tal João Galamba deve andar num fedor que tresanda a léguas...

domingo, maio 13, 2018

Os radicais livres que mataram Aldo Moro há 40 anos

Há sensivelmente 40 anos a extrema-esquerda italiana, reunida em grupúsculos de iluminados radicais como as Brigate Rosse, depois de terem assassinado mais de 40 pessoas, mataram Aldo Moro, o dirigente máximo do partido Democracia Cristã, prestes a formar um compromisso histórico ( uma geringonça...) com o então PCI, dirigido por um Berlinguer de feição europeista.

A notícia da morte,  em 12 de Maio de 1978, pelo O Jornal:


 A capa dessa edição de o jornal, com um desenho de João Abel Manta, sublinhando o discurso subliminar contra o "fassismo":


 E o artigo sobre os autores do assassínio que se propunham avançar por toda a Europa para espalhar a fé comunista de radicais livres:


Esta mentalidade prosélita também teve expressão em Portugal com a criação das FP25 e os atentados assassinos, levados a cabo por esses terroristas.

 Na altura, a actividade começou em Portugal passados dois anos daquele apelo revolucionário. Como então explicava O Jornal, em Maio de 1980:

E afinal, nas artes da pirataria terrorista já éramos pioneiros de longa data. Palma e Mortágua; Mortágua e Palma...

 A viúva das bombas por detonar dizia então "olhe que não! olhe que não"...mas sim, de facto:

Por isso deu com os costados nos bancos da Boa-Hora e agora anda a tentar limpar o cadastro em entrevistas para canalha ler.



 Os outros, os que andaram a matar gente e a copiar os italianos,  andam a comemorar às escondidas os feitos passados, todos com a mesma matriz comunista.
São os "filhos da madrugada" que comemoram há um mês atrás...


  Na Itália estes radicais livres tiveram outro tratamento. Uma das autoras directas do rapto de Aldo Moro que provocou a morte imediata dos cinco guarda-costas e depois do próprio Moro, Adriana Faranda, falou agora e a revista francesa Marianne, desta semana, transcreveu o que disse e se resume numa frase:" hoje posso dizer que a nossa concepção do mundo estava desligada da realidade". Vão dizer isso àqueles piratas e respectiva prole que ainda hoje comemoram os feitos de antanho...:
Adriana Faranda foi condenada a trinta nos de prisão e cumpriu  quinze. Vale a pena ler a história desta tragédia destes radicais livres amarrados ao marxismo:


Nota-se assim que Aldo Moro foi assassinado por uma mera intransigência de "princípios". Algo, aliás já apontado em 29.11.1992 na revista Panorama pelo então, à época de 1978, ministro do Interior italiano, Francesco Cossiga, depois presidente:

 


 Moro foi morto pelas Brigate Rosse por uma "questão de princípio" de ambos os lados. A Democracia Cristã não aceitou negociar com terroristas. Estes não aceitaram negociar com a "burguesia" para não perder a face oculta...

Para além dos radicais livres das Brigate Rosse havia outros que se reuniam na Lotta Continua, todos com o mesmo desiderato que é afinal o dos actuais radicais livres portugueses herdeiros directos dessa canalha. A Revista italiana L´Espresso de 5 de Setembro de 1996 ainda lhe dava espaço, para contar as actividades assassinas deste grupo de radicais livres:




Este tipo de gente continua entre nós...disfarçada de um parlamentarismo serôdio que lhes serve de capa para as novas lutas contínuas, sempre na senda da pirataria. Quem não os conhece, compra-lhe as ideias...que são sempre as mesmas, feitas daquela caca ideológica desligada da realidade.

Os radicais livres amarrados ao marxismo

Rui Tavares, um radical livre, amarrado ao marxismo, decanta hoje no Público, em duas páginas, as suas memórias de um ano de 1998, para falar do tempo de 1968 que não viveu e tentar uma transposição para o presente 2018.
Como figura memorável dessa diacronia comemorativa vai buscar o protagonista daquele tempo, Daniel Conh Bendit,  tornado parlamentar europeu até  2014,  então muito  ocupado  com a "unidade da Europa".

O artigo resume bem a figura híbrida em que viceja um pensamento indefinido que assenta numa mistela imiscível: o libertarianismo anárquico e o marxismo. Uma mistela chique a valer que agitada resulta em caca ideológica. É disso que consome Rui Tavares e muitos jornalistas acreditam ser uma ambrósia de deuses.

Senão repare-se no que escreve o radical livre amarrado ao marxismo. Basta uma das páginas:


Está lá o elogio do libertarianismo, ao ligar os acontecimentos de Maio de 1968 à hostilização do "paternalismo" e do "autoritarismo internacional" representado pelos poderes das superpotências.
"Dessa dupla oposição nasceu uma esquerda que reencontrou as suas raízes libertárias e as voltou a juntar à sua paixão pela igualdade, e que ao fazê-lo teve de recusar os dois imperialismos em simultâneo, o soviético e o americano".

Ao mesmo tempo enuncia o fundamento marxista, sempre presente na denúncia dos lugares onde "a liberdade-fraternidade é decantada pelo desdém aristocrático com que os ricos e bem-nascidos olham para os suburbanos, os provinciais e os imigrantes".

 É este o discurso resumido destes radicais livres, que se julgam o supra-sumo da modernidade embrulhada nestas ideias de caca.

Misturam isto:


Com isto:


Com esta caca ideológica levam a vidinha num Parlamento europeu, a ganhar os 200 ou 300 mil euros por ano, a fazer de conta que lutam contra moinhos de vento.

E o Público, do Dinis, Dinis, alguém assim quis, franqueia-lhe as páginas porque chafurda no mesmíssimo pathos.

Estes palermas ideológicos são mesmo os herdeiros directos do tal Maio de 1968 que ainda não acabou de ser celebrado pelos mesmos. 
O tal Conh-Bendit, esse, já declarou que está farto destas palermices...

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso