domingo, setembro 09, 2018

Os descontentes do sistema

Anteontem foi o caso do militar na reforma, Tinoco de Faria que disse o que lhe vai na alma, ainda assim em modo contido.

No Sol de ontem apareceu uma entrevista bem extensa com outro descontente do sistema, neste caso do urbanismo de Lisboa e da Câmara gerida, segundo afirma pelo primo de  Ricardo Salgado, de seu nome Manuel Salgado, arquitecto. Parece que é o rei de Lisboa porque faz o que bem entende...e ainda lhe sobra tempo para apreciar os rendimentos de uma sociedade- Risco-de arquitectura, entregue a familiares directos. Uma vergonha.

O que o entrevistado diz sobre a aprovação do projecto de Ricardo Robles de turismo de habitação é uma pura denúncia de corrupção. Criminal, na vertente do favorecimento indevido...







sábado, setembro 08, 2018

Os crimes económicos do PCP contra Portugal

Sol de hoje:



O PCP é o maior responsável pelos maiores crimes económicos jamais cometidos em Portugal. No entanto, continua a enganar as pessoas do modo como se pode ler.

Aqui neste blog procura-se demonstrar tal com factos e mais factos. Basta ler...e cada um tirar as conclusões por si.

sexta-feira, setembro 07, 2018

A tropa em Portugal

Há em Portugal um sector de elite que ainda não foi totalmente corrompido pelo sistema dominante que se formou e sedimentou nos últimos 40 anos. A tropa, em geral, ainda mantém traços antigos da nossa natureza e identidade. Mesmo com a Maçonaria perto dos Comandos há gente na tropa que vale a pena ouvir e apreciar o que dizem pela naturalidade e incorrecção política com que o fazem.

Um desses exemplos aparece hoje no i numa entrevista extensa que vale a pena ler integralmente.
O pretexto é um almoço de homenagem a um militar- Pipa Amorim- demitido do comando do Regimento de Comandos por razões que eventualmente a Maçonaria conhece e oficialmente foram (mal) expressas por um dos aficionados da seita da Viúva, o lamentável Vasco Lourenço, duplamente porque ainda por cima se partidarizou na loca infecta mais frequentada por aqueles órfãos: o PS.



quinta-feira, setembro 06, 2018

O Arnaldo Matos é que sabe...

 Observador:

O ex-ministro Armando Vara já tinha tinha dito em interrogatório que a filha era “alheia” a todas as movimentações financeiras que o levaram a ser constituído arguido na Operação Marquês. E foi essa a palavra, “alheia”, que a defesa de Bárbara Vara escolheu no requerimento de abertura de instrução do caso, para mostrar que não terá tido qualquer intervenção no esquema que o Ministério Público acredita ter servido para pagar luvas ao ex-primeiro-ministro José Sócrates.

A tese da defesa, que pede a abertura de instrução para evitar que Bárbara Vara seja julgada por dois crimes de branqueamento, assenta no desconhecimento da arguida. A filha de Armando Vara garante que apenas deu o nome a contas do pai por uma questão de segurança e que desconhecia que tinha sido ele quem, afinal, comprou o apartamento que vendeu na Avenida do Brasil, em Lisboa. No requerimento a que o Observador teve acesso, os advogados Rui Patrício e João Lima Cluny concluem que o Ministério Público não conseguiu demonstrar a intervenção da arguida no caso e que se limitou a “especular”
.

Aqui há uns tempo este advogado, Rui Patrício, muito deontológico, sério e televisivo, disse assim numa entrevista:

Aprendi com o maior advogado com quem trabalhei, o José Manuel Galvão Teles, que se eu acho que o cliente me está a mentir, e posso dar-me a esse luxo, vai porta fora. Não gosto que me mintam, gosto que me digam a verdade. Depois de me dizerem a verdade eu logo vejo como é que lido com ela e logo vejo se quero lidar ou não com ela, posso querer ou não querer. E se quiser lidar, eu posso querer lidar de uma maneira, que acho que é aquela que serve melhor os interesses do cliente, que está de acordo com a lei, com a deontologia, com a minha consciência e o cliente não querer. 


Portanto devemos entender que o advogado Rui Patrício acreditou que a filha de Vara não lhe mentiu. E portanto que engoliu a história que a mesma lhe contou. Ele e outro advogado de apelido Cluny.

Como é que dizia há dias o maluco do Arnaldo Matos sobre tudo e todos? Pois, é isso mesmo...

O PCP quer destruir o tecido produtivo nacional. Nem mais...

O PCP goza em Portugal de uma  imagem reflectida na imprensa e media em geral que não se compreende.

A Sábado de hoje mostra este fenómeno recente que assume uma gravidade assinalável no contexto da nossa economia actual.



A greve dos estivadores do porto de Setúbal afecta de modo grave a produção de carros na AutoEuropa, uma das poucas unidades industriais de peso na economia e que além do mais é estrangeira e por isso naturalmente subsidiária do grande ogre capitalista mundial. O PCP e o esquerdismo comunista estão por trás desta estratégia destruidora.

Depois da destruição paulatina e eficaz da tessitura industrial nacional, após o 25 de Abril de 1974, levada a cabo pelo esquerdismo comunista, pouco resta em Portugal das grandes empresas industriais que produzem riqueza em moldes capitalistas. São essas empresas o inimigo principal do PCP, na medida em que representam o capitalismo como sistema a destruir.

O PCP nisso não mudou uma vírgula no discurso político e ideológico que tem, desde sempre e desde tempos imemoriais. O PCP, um partido de fósseis ideologicamente ambalsamados anseia e almeja a revolução popular que deponha o capitalismo e acabe com as classes, mormente a burguesia capitalista, conduzindo ao socialismo comunista.

A edição de Setembro e Outubro de 2018 assim o mostra à saciedade:






Além das grandes empresas industriais também estão na mira da destruição "os monopólios" da distribuição alimentar, as temíveis "multinacionais", ogres de um socialismo que tem como modelo actual o sistema vigente na Venezuela, por exemplo. É ler o artigo acima para se entender a estratégia comunista.



É espantoso como as pessoas em geral toleram esta ideologia destruidora do interesse nacional, em nome de um proletarianismo bacoco e serôdio que tem como modelo-imagine-se! a Venezuela. É aí que se aplicam as regras ideológicas que os comunistas defendem.

E no entanto, se formos a ver, compreende-se o logro.

Este artigo de Carlos Guimarães Pinto, já de 2016 sobre a mesma Venezuela e modelo que o PCP defende, ajuda a entender porque é que o PCP continua com votos em Portugal e a dominar o sector sindical mais representativo...

"Apesar de não parecer a quem acompanha a imprensa portuguesa, há fome na Venezuela. O país está a ferro e fogo com a calamidade económica que se abateu. Esta situação certamente apanhará muitos comentadores políticos de surpresa. Afinal, desde que Chavez subiu ao poder, a Venezuela seguiu todas as políticas económicas certas.

Sem uma Comissão Europeia a exigir controlo nas contas públicas, a Venezuela pôde assumir políticas orçamentais expansionistas, com défices elevados que, como sabemos, graças ao multiplicador, se pagam a si mesmos. Para garantir que o orçamento é pago por quem mais pode, a Venezuela tem um IRC de 34% e um IRS bastante progressivo que taxa mais quem ganha mais. Assim as empresas e os mais ricos não podem escapar a dar a sua contribuição para o bem comum.

Por outro lado, o regime Chavista soube sempre defender os interesses dos trabalhadores. Na Venezuela é praticamente impossível despedir após o primeiro mês no emprego. O regime chavista acabou com a precariedade laboral. Os trabalhadores vivem no conforto de saber que não podem ser despedidos façam o que fizerem o que, como sabemos, aumenta a sua satisfação no trabalho e produtividade. Para além disso, a licença de maternidade é de 1 ano, paga integralmente. Para dar o exemplo ao sector privado, o estado reduziu fortemente o horário de trabalho da função pública, reduzindo a semana a 4 dias.

O salário mínimo sobe a cada 6 meses e é hoje o triplo do que era há 2 anos. Como todos sabemos, o salário mínimo não cria desemprego. Pelo contrário, o salário mínimo aumenta o consumo que por sua vez cria mais emprego. Quanto maior o salário mínimo, mais consumo e mais empregos.

O governo controla grande parte dos sectores estratégicos: transportes, educação, energia, banca e até a distribuição alimentar. Não é o malvado lucro que determina as opções de gestão, mas sim a busca pelo bem comum. A forte presença do estado na banca garante que os empréstimos estão ao serviço do bem comum e não de interesses empresariais. Na energia, todos as famílias têm tarifa social e pagam muito pouco pelas 20 horas de electricidade que têm por dia.

A Venezuela foi dos países que mais investiu em educação do Mundo. Gastar dinheiro numa grande rede pública de educação é o primeiro passo para uma economia desenvolvida. Como sabemos, quando se fala de educação pública, quanto mais dinheiro for gasto, melhor.

A idade da reforma na Venezuela é aos 60 anos para os homens e 55 para as mulheres, deixando os empregos livres para os mais jovens. Basta descontar 15 anos para garantir uma reforma indexada ao salário mínimo.

Qualquer comentador isento e moderado dirá que na Venezuela se fez tudo bem. Não se percebe como chegaram a esta crise."

quarta-feira, setembro 05, 2018

Franco é, comunista o põe

Sobre a exumação do cadáver de Franco, em Espanha, no Vale dos Caídos, este artigo de Soares Martinez vale a pena ler, para contrapor ao escrito de Manuel Carvalho no Público do outro dia e também do Expresso.

O artigo do Expresso é sempre a mesma merda. O do Público é o que é: isso mesmo também. O comunismo em Portugal conseguiu um feito notável que não se replica em mais nenhum outro país: mandar na linguagem. E todos vão atrás deste panurgo de circunstância.





Em 1978 o Jornal publicou esta ilustração do comunista João Abel Manta, em poster:


A mensagem subliminar é clara: Salazar, Franco, Hitler e Mussolini, tudo da mesma laia. JAM nunca desenhou Estaline em imagem que se visse a realidade. Quer dizer, desenhar até desenhou. Mas meteu-o num conjunto de sabidolas da genialidade esquerdista, numa ilustração em 1975.

Estão aqui os pais desta ideologia que nos domina a linguagem, ainda hoje. Não será tempo de a alterar? Não basta o que basta?

Até quando será preciso pagar tributo a esta aberração?


O retrato de Marcelo feito por Artur Portela Filho

O Jornal, 2 de Abril  de 1976. Um retrato aprimorado do que era então Marcelo Rebelo de Sousa. Os nomes a descodificar não são difíceis, para quem acompanhou a política da altura.


O escriba APF tinha na altura estas páginas regulares sobre a Feira das Vaidades e eu adorava ler isto.

Glossário das personagens por ordem de aparição em cena:

Personagem central, Marcial Ribeiro de Souzela: Marcelo Rebelo de Sousa.

O pai de Marcelo, Baltazar Rebelo de Sousa,  sub-Secretário de Estado no governo de  Salazar, deputado na Assembleia Nacional,  enviado para Moçambique, como Governador, por Marcello Caetano, logo em 1968

Prof. Guedes Navarro: Marcello Caetano.

Prof. Salema: Salazar.

Brás Ferreiros: Brás Medeiros, co-proprietário do Diário Popular, a par do tio de Francisco Balsemão.

Francisco Leão e Francisco Baião: Pinto Balsemão.

Visconde de Saque e Arneiro: Sá Carneiro.

Magalhães Tota: Magalhães Mota, co-fundador do PPD/PSD, já falecido.

Prof. Guerra: Emídio Guerreiro, antigo anarquista, presidente efémero ( 1974-1975) do PPD.

Jornal Povo: Jornal Novo.

João Amândio Seabra: José Augusto Seabra, deputado do PPD, já falecido.

Alfaro de Sousa: Alfredo de Sousa, deputado do PPD, já falecido.

Vargas Velho: Henrique de Barros, primeiro presidente da Assembleia, ainda Constituinte.

Marquês de Solares: Mário Soares.

Conde de Abranhos: Diogo Freitas do Amaral.

Palmelense: Expresso.

Diário da Tarde: Diário Popular.

Partido Regenerador Renovado: PPD

Abrilada: 25 de Abril 1974

Em 20 de Fevereiro de 1976 Artur Portela Filho publicou outro apontamento da Feira das Vaidades. Desta vez sobre a formação do CDS.



Glossário:

Conde de Abranhos: Diogo Freitas do Amaral.

Abelino Adérito de Castro: Adelino Amaro da Costa, já falecido no desastre em que morreu Sá Carneiro.

Baltazar Honório: Basílio Horta ( tem patilhas...)

Conselheiro Vargas Paixão: antigo ministro da Educação de Marcello Caetano, Veiga Simão, tornado socialista...

Coronel Pato: Pato Anselmo, opositor do Exército e de Salgueiro Maia, no dia 25 de Abril de 1974, junto à Praça do Comércio.


O apito enferrujado de João Cravinho

Sobre João Cravinho, do PS que Sócrates e o seu grupo entenderam mandar para fora, para o BERD a fim de o sossegar com essa chupeta bem adocicada, já por aqui se escreveu muita coisa. Sempre com um leit-motiv: tal como Maria José Morgado é um lutador incansável contra a corrupção, mas sempre que tiveram ocasião propícia para atacar uma das suas manifestações mais perniciosas recuaram e nada fizeram. Perderam por isso a consideração mínima exigível para continuarem a apitar porque só vêem combóios a passar. Sempre que estiveram nas estações estenderam-lhes a bandeira do livre-trânsito. E continuaram a apitar...para mostrar como são bons nesse exercício.

Hoje no Público, João Cravinho declara-se estúpido e ingénuo. E não só, acrescentaria. Também chico-esperto nessa medida.  Se assim não fosse, o BERD e a conta bancária recheada do bom ordenado, seriam apenas uma miragem.



De um postal de 15 de Maio de 2018 fica quase tudo o que se pode dizer de João Cravinho sobre o seu combate feroz contra a corrupção e ainda a sua atitude concreta de chico-esperto.

Assim, como explicava o general Garcia dos Santos, em 24.4.2012, numa entrevista ao jornal i e que em 2009 já tinha sido referido. Muito a tempo de parar a loucura Sócrates que estava instalada e conduziu a outra bancarrota, em 2011:

Quer outro exemplo? As auto-estradas, as Scuts. Eu tive uma conversa com o engenheiro Cravinho em que ele me disse que ia pôr a funcionar as Scuts. Eu disse: “Ó senhor ministro isso é um tremendíssimo disparate!”. A Scut é uma invenção inglesa, ao fim de pouco tempo os ingleses puseram aquilo completamente de parte, por causa do buraco que era previsível. Mas disse-me que o assunto estava exaustivamente estudado sob todos os aspectos, técnico, financeiro. Está à vista o buraco que são as Scuts.
Jornal i- E as PPP?
Garcia dos Santos- É a mesma coisa.
Jornal i-Quando saiu da JAE denunciou uma situação generalizada de corrupção. Acha que as PPP também se integram nessa situação? O Tribunal de Contas diz que houve contratos que lesaram o interesse público...
Garcia dos Santos-Tem que se admitir a possibilidade de haver ali corrupção, e da forte. Como é que se atribui a uma determinada entidade certos privilégios que não seriam naturais? É porque se calhar há alguém que se locuptou com alguma coisa. Infelizmente, outra coisa que funciona mal no nosso país é a justiça. Nunca chega até ao fim.

Jornal i- Foi colega do eng. João Cravinho no Técnico…
Garcia dos Santos-Foi por isso que ele me chamou para ir para a Junta. Sabe o meu feitio e quis que eu limpasse a casa.

Jornal i-Mas o que é que aconteceu? O eng. João Cravinho chama-o para limpar a casa, o senhor limpa, e depois zangam-se. O que se passou?
Garcia dos Santos-Fomos colegas no Instituto Superior Técnico. Houve um jantar de curso e nesse jantar o Cravinho a certa altura chama-me de parte e diz: “Tens algum tempo livre?”. E eu disse: “Tenho, mas porquê?”; “Eu precisava de ti para uma empresa”; “Que empresa?”; “Agora não interessa, a gente daqui a uns tempos fala”. Passado uns tempos chamou-me e disse-me: “Eu quero que vás para a Junta Autónoma das Estradas, mas não digas a ninguém que o gajo que lá está [Maranha das Neves] nem sonha”. O Cravinho deu-me os 10 mandamentos do que eu precisava de fazer na Junta, limpar a casa, obras que era preciso fazer, etc. Entretanto, comecei a conhecer a casa, dei a volta ao país todo e um dia disse-lhe: “Há aqui uma série de coisas que é preciso fazer e há 11 fulanos que é preciso pôr na rua”. Ele retorceu-se, chamou-me daí a dois dias, disse que era muito complicado. O problema é que era através de uma das pessoas que eu queria pôr na rua que passava o dinheiro para o PS.

Curiosamente a jornalista São José de Almeida que o entrevista, não se lembrou destes episódios para os recordar ao entrevistado e procurar a explicação do dito. Particularmente para lhe perguntar se então, nessa altura, perdeu o pio, perdão, o apito...

terça-feira, setembro 04, 2018

A vantagem da internet

No outro dia comprei a revista Mojo, inglesa, dedicada a temas da música popular. Em parte fi-lo por causa desta foto de Paul McCartney na sua casa de Londres ( Soho) com um mostruário de discos e dois gira-discos encastrados num móvel antigo.


Os gira-discos intrigaram-me e como não descobria a marca procurei fonte de conhecimento. Teclei "mojo Paul MacCartney turntables" e o resultado não podia ser mais auspicioso. Em meia dúzia de cliques para fazer "scroll" descobri a marca dos gira-discos.

São ambos Garrard, dos anos 60. Um, o da esquerda é este modelo 401 ( foto retirada da net, colocada por alguém para venda a interessados). Tem ainda um braço SME. Coisa apetecível...:



O outro é o modelo Lab80:


Mais: com base das fotos dos discos dos quais só se pode ver a lombada fina alinhada nas estantes acima do artista, houve quem identificasse alguns discos, no mesmo forum.  Na prateleira imediatamente acima do ombro esquerdo do artista estão discos dos Pink Floyd ( nota-se a lombada preta de Dark side of the moon e a tonalidade esverdeada de Animals, de 1975). Logo a seguir pelo menos um de Paul Simon ( There goes rhymin Simon, de 1973, indubitavelmente).

São coisas destas que aprecio na internet e que os jornais ou revistas nunca conseguirão acompanhar devidamente. Mas foi através de uma revista que lá cheguei...um paradoxo?

Há uns anos para descobrir o mesmo teria que consultar várias revistas de especialidade e com poucas hipóteses de sucesso.
Os Garrard são actualmente gira-discos muito procurados, porque são clássicos e ainda de qualidade segura, se devidamente arranjados. Porém, para descobrir uma foto dos mesmos só na internet...

Resta ainda um mistério para descobrir nessa foto: a marca da coluna de som que se encontra por cima e atrás da cabeça de Paul McCartney. Rogers?

Os poderes do Ministério Público, a PGR e o pensamento sobre o assunto

O Público de hoje traz dois artigos sobre o futuro da PGR. Um é do cronista "da direita" que detesta Salazar e joga damas com os bloqueiros trotskistas, João Miguel Tavares que sabe tudo, como é próprio de komentador que leva a vida naquilo.  Anda há meses a pugnar pela recondução no cargo da actual PGR só porque lhe parece que assim é que o MºPº continuará no bom caminho.



O segundo é uma "caixa" na notícia sobre a fase de instrução do processo Marquês. Diga-se antes do mais que a fase de instrução em qualquer processo penal é dirigida por um juiz. Ou seja, o MºPº está lá para o que der e vier na defesa da legalidade mas não orienta o processo. Parece que o jornalismo especializado não percebe isto que é básico.


Ao longo de mais de uma dúzia de anos já escrevi tantas vezes sobre o MºPº e o PGR que julgo ter dito o essencial daquilo que penso da instituição que conheço relativamente bem, incluindo o que desconheço e suspeito pelas aparências iniludíveis e inequívocas.
Ora é precisamente neste nível que se apresenta o problema da recondução de Joana Marques Vidal, actual PGR. Já escrevi que não deveria continuar e não mudei de ideias, embora deva explicar melhor as razões para tal, admitindo ao mesmo tempo que possa estar enganado e que esta PGR continuará a manter os elevados standards de prestação pessoal no essencial da função,  a que nos habituou nestes  anos passados.
Para mim o principal problema de Joana Marques Vidal é o de ser demasiadamente "par" dos magistrados que dirige e não ter suficiente formação cultural e pensamento próprio e estimulante sobre a instituição que dirige. Tendo indubitavelmente as características próprias de magistrado- a probidade e seriedade na actuação- o que aliás partilha com o antigo PGR Souto Moura, carece a meu ver da suficiente segurança intelectual para se impor como referência a seguir nessa liderança, indicando rumos e mostrando pensamento a propósito. A sua retracção e reserva nas intervenções públicas quando aparece o microfone agressivo dos repórteres, deve-se mais ao receio de se expôr do que à qualidade inerente de quem tem a segurança expositiva de um Cunha Rodrigues. Não se exigindo esta excepcionalidade, também um PGR se não deve contentar com aquela exiguidade de pensamento que remete tudo para a "Lei". Isso é próprio do jacobinismo que não deve abonar ninguém.

Não obstante, para se entender melhor as razões de reserva, devo explicar até a mim mesmo porque penso assim. E tal só com o fundamento devido e que todos podem perceber.
Tal obrigará a vários postais e repescagem de escritos antigos,  ainda úteis no meu entender.

Há dois textos de 2010 em que se equacionavam estes problemas a propósito de declarações de magistrados com responsabilidades. As primeiras eram do próprio PGR da época, Pinto Monteiro, demasiado vilipendiado jornalisticamente pelas razões erradas, a meu ver ( tal como fizeram com Cunha Rodrigues e Souto Moura e frequentemente os mesmos escribas...)

Assim:

Este texto já tem dez anos (3.8.2010), mas serve para o que quero dizer a seguir sobre os poderes do Ministério Público e os do PGR em concreto, mai-los poderes que delega no vice-PGR...

O PGR Pinto Monteiro disse numa entrevista ao DN de hoje algo que não é inédito, pois que já se havia pronunciado de modo equívoco logo no início do mandato, sobre os "condes, duques e marquesas" do M.P. Poucos entenderam precisamente o que quis dizer, mas hoje complementou bem ao dizer que "é absolutamente necessário que o poder político (seja qual for o governo e sejam quais forem as oposições) decida se pretende um Ministério Público autónomo, mas com uma hierarquia a funcionar, ou se prefere o actual simulacro de hierarquia em que o procurador-geral da República, como já vem sido dito, tem os poderes da Rainha de Inglaterra e os procuradores-gerais distritais são atacados sempre que pretendem impor a hierarquia."

Com estas declarações, o PGR Pinto Monteiro não tem quaisquer condições para continuar no cargo porque não acredita no MP, como pelos vistos nunca acreditou. Acredita no poder político. E por isso apela ao mesmo para modificar estas normas do estatuto do MºPº:

Artigo 75.º
Paralelismo em relação à magistratura judicial

1
- A magistratura do Ministério Público é paralela à magistratura judicial e dela independente.
2 - Nas audiências e actos oficiais a que presidam magistrados judiciais, os do Ministério Público que sirvam junto do mesmo tribunal tomam lugar à sua direita. 

Artigo 76.º
Estatuto


1 - Os magistrados do Ministério Público são responsáveis e hierarquicamente subordinados.
2 - A responsabilidade consiste em responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus deveres e pela observância das directivas, ordens e instruções que receberem.
3 - A hierarquia consiste na subordinação dos magistrados aos de grau superior, nos termos da presente lei, e na consequente obrigação de acatamento por aqueles das directivas, ordens e instruções recebidas, sem prejuízo do disposto nos Artigos 79.º e 80.º
Artigo 79.º
Limite aos poderes directivos


1 - Os magistrados do Ministério Público podem solicitar ao superior hierárquico que a ordem ou instrução sejam emitidas por escrito, devendo sempre sê-lo por esta forma quando se destine a produzir efeitos em processo determinado.
2 - Os magistrados do Ministério Público devem recusar o cumprimento de directivas, ordens e instruções ilegais e podem recusá-lo com fundamento em grave violação da sua consciência jurídica.
3 - A recusa faz-se por escrito, precedendo representação das razões invocadas.
4 - No caso previsto nos números anteriores, o magistrado que tiver emitido a directiva, ordem ou instrução pode avocar o procedimento ou distribuí-lo a outro magistrado.
5 - Não podem ser objecto de recusa:
a) As decisões proferidas por via hierárquica nos termos da lei de processo;
b) As directivas, ordens e instruções emitidas pelo Procurador-Geral da República, salvo com fundamento em ilegalidade.
6 - O exercício injustificado da faculdade de recusa constitui falta disciplinar.

O que quererá dizer o PGR com a expressão hierarquia a funcionar? Que a mesma actualmente não funciona ou que o modelo não lhe serve? Provavelmente esta última opção, mas é preciso que explique melhor e principalmente porque o pretende.
O Estatuto do MP, prevê a intervenção hierárquica nos termos expostos e que não se confundem com a intervenção de um qualquer director-geral ou funcionário superior de ministério. O Ministério Público é uma magistratura, "paralela à judicial" e isso tem de ser interiorizado devidamente pelo PGR. Por um qualquer PGR.
O anterior PGR Cunha Rodrigues tinha respeito efectivo pelos magistrados que dirigia, nos termos precisamente expostos. Nunca disse coisas espantosas como este PGR agora disse, estes dias. Coisas inadmissíveis e intoleráveis para um PGR em relação a magistrados do MP em funções. Cunha Rodrigues defendia esta autonomia do MP porque sabia ser a melhor e que oferecia maiores garantias de objectividade, isenção e respeito do princípio da igualdade dos cidadãos perante a lei. Mesmo no caso do fax de Macau, não se assistiu a este despautério.
Um magistrado da primeira instância do MP, como são os do Freeport ou da Face Oculta têm tantos poderes como os magistrados do STJ, com uma diferença: cada um na sua instância. Se o PGR quiser alterar ou modificar a atitude dos magistrados da primeira instância, deve explicar porquê através de instruções escritas. E se a hierarquia intermédia quiser intervir directamente num processo tem um meio idóneo: avoca o processo ao magistrado titular. E percebe-se bem porquê: seria inadmissível que o PGR ou outro superior hierárquico no MP dessem ordens verbais, informais e exigissem comportamentos ao magistrados nas instâncias inferiores que estes repudiassem moral ou eticamente. Estas regras de procedimento hierárquico existem para proteger os cidadãos do arbítrio do MºPº e do abuso de poder através da denegação de justiça efectiva e prática e nesse caso insindicável. Estes problemas só se colocam quando os elementos do poder político são incomodados e isso deveria fazer reflectir o povo em geral e os jornalistas em particular.
A autonomia interna do MºPº tem um sentido e uma função: assegurar que os magistrados não sejam pressionados pela hierarquia, indevidamente. É um velho problema e que parece que Pinto Monteiro não quer entender ou prefere olvidar.

Se é isso que o PGR pretende que o diga claramente, porque o seu discurso deixou de fazer sentido. Mesmo político.

Além disso, Pinto Monteiro decidiu o caso do expediente do Face Oculta, com as escutas fortuitas ao primeiro-ministro, do modo como decidiu e de acordo com as competências que a lei lhe confere nesse caso singular: sózinho, sem dar cavaco a ninguém, mesmo à Assembleia da República, quando esta lhe pediu a cópia do despacho administrativo que proferiu num expediente que nem inquérito era. Se isso não é ter poder, não sei o que seja ter poder. Efectivo e real. Sem delegação nem sindicância.

Depois, ainda de 2010 um comentário a um texto num blog de um PGD entretanto jubilado e que foi director da PJ. Alípio Ribeiro escrevia coisas interessantes e por vezes crípticas, como esta:

Daqui, este excerto sobre o Ministério Público que temos:

“O Ministério Público encontra-se num beco sem saída.” A opinião deste Procurador-geral adjunto (actualmente, inspector do MP) está expressa no seu blogue pessoal http: / /outrosdireitos.blogspot.com. Para Alípio Ribeiro, ninguém empurrou esta magistratura para o tal beco, mas ela “caminhou para lá, alegremente, entre ditos e mexericos”.


Para Alípio Ribeiro, a solução para crise no MP está na própria hierarquia: “Enquanto não for assumida e não for compreendido que a tão proclamada autonomia é o resultado daquela, [o MP] continuará a ser um rosto sem voz e uma estrutura sem propósito”.

Confesso não entender este entendimento do MP. Ainda para mais, exarado por um distinto magistrado que não assina como tal ( nem poderia ou deveria, no meu modesto entender) e por isso argumentarei com Alípio Ribeiro num plano de relativa igualdade blogueira, até porque o mesmo pode facilmente saber quem sou ( não me escondo num nick manhoso nem asseguro que estou em colectivo...).

Assim, o que significa um MP como "um rosto sem voz e uma estrutura sem propósito"?

Todos sabem ou podem saber o que o MP português é. Para poupar tempo e esforço a quem quiser actualização de conhecimentos, cito um dos escultores desse rosto e estrutura:
Figueiredo Dias, que teoricamente detém uma autoridade inquestionável, dizia há uns anos atrás: " não existe outro modelo de ministério público que sobreleve em vantagens ou sequer iguale, o adoptado pelo processo penal português".

Em 1999, numa entrevista ao O Diabo, dizia: “Do meu ponto de vista, o modelo de repartição de competências entre os magistrados judiciais e o ministério público é o melhor que se pode ter , é o que eu defendo. Como é o modelo do relacionamento entre o MP e as polícias.”

Perante este modelo de MP, o que será a falta de voz? A ausência de explicações adequadas de despachos de arquivamento ou acusação, proferidos pelos seus magistrados e estruturas dirigentes particulares, como o DIAP e o DCIAP?

E quem é o rosto actual do MP? Um rosto tipo Jano, com dupla face, num lado o PGR e do outro todo o MP de base? Ou a multifaceta própria de um organismo colectivo com diversas figuras de proa que dantes, no ancien régime, se assumiam como duques, marquesas e condes?

Mais ainda: o que é uma "estrutura sem propósito"? Não entendo de todo porque o propósito está de tal modo definido que a estrutura não lhe pode fugir. O MP exerce a acção penal, em exclusivo e representa por vezes o Estado ( quando este lhe pede ou por feição própria) e ainda outros propósitos como a defesa de interesses de incapazes e interesses difusos, cada vez mais alargados porque até as empresas públicas lhe podem pedir representação.

Perante esta realidade que Alípio Ribeiro não ignora, resta o outro problema elencado no pequeno postal sucinto: a hierarquia e o seu exercício que condiciona a autonomia.

Como deveria ser o exercício hierárquico para evitar o efeito deletério em relação à autonomia?

Sabemos que o MP é um órgão cujo PGR exerce o poder que a lei lhe confere, em autocracia. O PGR não responde perante nenhum outro órgão do MP e depende do Governo que o escolhe e indica ao presidente da República.
Para além disso, a lei, no estatuto do MP, confere a cada um dos escalões de magistrados que exercem na primeira, segunda e última instância, poderes próprios de uma autonomia que os define como são: magistrados, sujeitos à lei e cujas ordens de superiores só actuam no âmbito de processos e segundo regras prè-definidas legalmente.
Um superior hierárquico se entender que o trabalho concreto de um subordinado hierarquicamente não é o que deveria ser, tem uma de duas opções: ou avoca o processo concreto, explicando por que o faz e assume a responsabilidade de o despachar; ou participa factos susceptíveis de apreciação disciplinar, ao respectivo conselho superior.
Além disso, o magistrado de base, está sujeito a inspecções periódicas pelos inspectores de carreira no MP. Será que isto precisa de mudança, para tornar o MP mais semelhante a uma estrutura militar com rosto de sargentos, coronéis e ordenanças, em vez de duques e condes?

Como pretende então Alípio Ribeiro que seja esse poder hierárquico? Não é a primeira vez que assim manifesta publicamente a sua ideia de mudança, mas não indica o roteiro. Nem sinal dele ou do seu esquisso sumário.

Por exemplo, o papel do actual PGR, ao avocar em modo desusado, um processo que em princípio teria competência material para despachar ( o único processo em que tal sucede, ao abranger responsabilidade de titulares de órgãos de soberania como o PM), agiu no âmbito dessa tão almejada hierarquia com rosto?

Pretende Alípio Ribeiro sindicar o modelo actual, elogiado por Figueiredo Dias, no sentido de o delapidar da autonomia existente, nos escalões intermédios, e permitir a ordem directa e sem rodeios dos superiores hierárquicos para os escalões inferiores?

Não sei. Confesso que não sei e não imagino qual seja exactamente o modelo ideal sugerido por Alípio Ribeiro.

Estes dois textos, já com oito anos em cima permitem equacionar o problema que o MºPº defronta hoje em dia e que entronca na questão que é preciso colocar a Joana Marques Vidal: o que pensa do Ministério Público que temos?

E já agora, também o próprio A.R. poderia esclarecer melhor o seu pensamento actual sobre o assunto. Estou certo que não se desviará muito do que o antigo Cunha Rodrigues ainda pensa e cujo depoimento ninguém parece estar interessado em colher.

Assim, os komentários ficam para os pobres de espírito nestas matérias, como é o caso notório do João Miguel Tavares e outros.

Em jeito de achega para futuros postais, importa perceber quais são os poderes reais do MºPº e dos seus magistrados e tal comporta o entendimento do funcionamento da instituição no quadro legal existente.

Um dia perguntaram ( os jornalistas) a Laborinho Lúcio algo sobre os poderes do PGR. A resposta típica foi esta que o CM de 26.2.2012 reproduziu: " "tem todo o poder de intervenção no processo". A resposta é equívoca porque o PGR não tem esse poder tão lato assim. Não pode avocar um processo e dirigi-lo pessoalmente ( a não ser no caso concreto da "extensão procedimental" relativa ao primeiro-ministro, por força de imposição legal de 2007, salvo o erro). E quanto ao resto, ou seja, instruções concretas, tal tem muito que se lhe diga, perante o Estatuto do MºPº. 



segunda-feira, setembro 03, 2018

O presidente da República não sabia disto?

Sapo 24:

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma iniciativa na faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C), Ana Abrunhosa, informou já terem sido remetidos ao Ministério Público 21 casos.

"Isso preocupa-me muito. Eu disse que bastava um caso para ser preocupante. Não imaginava que uma entidade que é Estado - a CCDR é Estado - viesse a chegar à conclusão de que devia ser investigado um número tão grande de casos", afirmou o Presidente da República.

O chefe de Estado salientou que "não é um caso, não são dois casos, não são dez casos - são 21 casos, em 160 e tal habitações prontas e 261 correspondendo ao panorama global".

O presidente da República não conhece bem a mentalidade portuguesa e que se espelha plenamente nestes fenómenos. Nem o Governo conhece. 

O que sucedeu? Parece simples: 

Houve donativos de várias entidades, privadas e públicas para ajudar a reconstrução de casas atingidas pelo incêndio. Alguns milhões. 

O que fez o Governo? Isto:

o XXI Governo Constitucional decidiu criar o REVITA, um fundo de âmbito social, com o objetivo de gerir os donativos entregues no âmbito da solidariedade demonstrada, em estreita articulação com os municípios de Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande.

Pretende-se, deste modo, contribuir para uma maior eficiência na gestão dos recursos alocados a este Fundo, na sua afetação aos que deles necessitam, promovendo um reforço da celeridade em todo o processo de revitalização das áreas afetadas.

O REVITA agrega a recolha de donativos em dinheiro, em espécie de bens móveis ou em serviços, com vista à sua aplicação integral na revitalização das áreas afetadas pelo incêndio, prioritariamente na reconstrução ou reabilitação de habitações e seu apetrechamento.

Um bom Governo republicano, socialista laico, jacobino e positivista faz isto: legisla tudo o que puder para sossegar esse espírito maligno. E foi o que fez. 

Como funcionavam as regras desse Revita? Arranjaram-se uns nomes para gerir o novo mostrengo e espera-se que tudo corra pelo melhor. 

O que é que tinha que correr pelo melhor? As regras de funcionamento eram simples, também. Mas...não são muito claras em relação a critérios de atribuição e prioridade porque permitem confusões desnecessárias.



Este regulamento foi modificado pouco depois ( em 12.7.2017)  e introduzido o critério jacobino por excelência: para se beneficiar dos apoios era necessário ter o domicílio fiscal e factura de electricidade de Maio de 2017.




Perante estes regulamentos alguém pode dizer que as reconstruções ou reabilitações que não obedeçam a critérios mais ou menos objectivados, estão dentro da alçada de alguma lei penal, mormente fraude na obtenção de subsídio? 

A alusão a responsabilidade pela irregularidade na obtenção de subsídio, prevê-se assim:



Por outro lado, não teria sido preferível que o tal Revita fosse mais apoiado no terreno por quem conhecia as habitações concretas nas aldeias que sofreram as consequências dos incêndios?  E quem seriam tais pessoas? Não era o presidente da Câmara da Vila, certamente. 
Em cerca de duas centenas e meia de intervenções em habitações era assim tão difícil analisar caso a caso, antes de se decidir através do meio jacobino por excelência, ou seja, o papel selado pelos regulamentos legais?

E no caso de regulamento pouco claro, como é o caso, o que dizer da chico-espertice nacional, passatempo preferido da maior dos portugueses? 

Não seria obrigatório esperar que algo pudesse correr mal e atalhar logo que se previsse tal hipótese em vez de esperar pelas denúncias e procedimentos formalizados dos inquéritos criminais como está a ser o caso?


ADITAMENTO:

Face a esta notícia de hoje, do i, pode perguntar-se se não é o próprio Governo que também está a desviar subsídios destinados às vítimas dos incêndios de Pedrógão, não os integrando sequer no programa Revita.

Como é que isto é? Rui Rio diz que é imoral. No mínimo...

Aurea mediocritas, por Opção

Artur Portela Filho, um jornalista do tempo do antigamente e do que se lhe seguiu, arribou ao Público de hoje, muito bem conservado nos seus 81 anos. E que disse? As palermices de sempre de um socialista encostado sempre à tendência MES, embora agora goste do Costa. Deve ter gostado do Sócrates, também.

É ler:


Portanto, a seguir ao 25 de Abril foi o primeiro director do jornal diário Jornal Novo, criado pelos capitalistas que ainda existiam e subsistiam em Portugal, numa altura de nacionalizações a eito e incentivadas a preceito por estes arautos de um socialismo em cuecas, ou seja despido de preconceitos.

O que foi este Jornal Novo? Comprei-o mesmo no tempo em que saiu e tenho ainda alguns números, como o 9, de 28 de Abril de 1975, logo a seguir às primeiras eleições "livres" ( mas sem a presença de algumas forças políticas...escorraçadas desse convívio democrático peculiar. Ou seja, agora como dantes.)
Também se pode ler a opinião do actual presidente da República sobre as eleições, a "esquerda" e a "direita". Quem se admira do que este presidente faz, faria bem em ler estas coisas, particularmente a noção de que "o dia 25 de Abril de 1974 foi o início da libertação do povo português". Foi apenas o início...supondo-se por isso que actualmente se encontrará liberto. Depois de três bancarrotas...para as quais este presidente contribuiu com o seu saber e influência. Há maior liberdade agora que antes de 25 de Abril de 1974? A pergunta merece uma resposta e não é simples de dar.

Neste número dá-se as boas vindas a um outro jornal- precisamente O Jornal que sairia dali a dias e teria a mesma área política de intervenção informativa.


 Para Artur Portela Filho esta aventura do Jornal Novo foi algo contra o capitalismo, subsididado pelo capitalismo. "Um jornal de combate contra a direita, a extrema-direita e contra o gonçalvismo", diz agora, para se justificar da contradição.

No tempo do "caso República", em pleno PREC fizeram uma "mesa-redonda", com a presença de um certo Jardim Gonçalves. Sim, esse mesmo.


Já no número 133 de 23 de Setembro de 1975 a preocupação era saber o que seria o socialismo e a social-democracia. Questão  magna para a qual o actual presidente da República também deu o seu óbulo. E deu muitos outros, ao longo destes anos democráticos. Demasiados e consistentes para solidificar a aurea mediocritas instalada.


Em determinada altura de 1976, tendo saído do jornal porque os investidores apostavam mais num outro personagem de relevo indelével ( Daniel Proença de Carvalho...) para prosseguirem os objectivos, Artur Portela Filho entrou noutra aventura: uma revista novinha em folha. Opção foi o nome e saiu em Abril-Maio de 1976.

A seguir vieram outras mas a revista acabou também, sem história. Artur Portela Filho fala num gráfico que fazia as capas à la Newsweek. Nem tem a noção do ridículo quando diz uma coisa destas.



Em tempos já escrevi sobre esta aventura de APF:

A revista Opção surgiu em 29 de Abril de 1976 e tinha como director Artur Portela Filho. No editorial não fazia segredo ao que vinha, como jornalista: o mesmo que os do O Jornal. Um jornalismo de causa, no caso o socialismo que nesse caso seria uma espécie de outro MES porque o "democrático" estava tomado pelo PS.

No primeiro número o editorial era assim:

E no número 4 em cuja capa aparecia Freitas do Amaral havia artigos surrealistas tendo em conta os autores do escrito. Por exemplo este que depois abandonou o "socialismo" e converteu-se ao capitalismo mais puro, o da vidinha à sombra do Estado, onde perdura agora, no BERD. O percurso de Cravinho é muito interessante de estudar porque foi talvez um dos maiores bluffs da democracia "democrática". Ele e Vítor Constâncio. É ver onde estão ambos.


 Ou este ainda mais incrível do desvario da época. É ainda mais incrível como é que pessoas aparentemente estudadas puderam ser tão...tão...

Sobre o director da publicação Artur Portela Filho, passados anos escrevia ainda disto:

A OPÇÃO era, não apenas o jornalismo pontual, embora analítico e crítico, mas também um conjunto lato de perspectivas, de propostas. Na sua estratégia editorial geral. Nas suas reportagens. Nas suas entrevistas e mesas-redondas. Nos seus inquéritos. Eram seus colunistas mais ou menos regulares: Eduardo Lourenço, Remy Freire, João Cravinho, António Lopes Cardoso, António Reis, Eduardo Prado Coelho, Kalidás Barreto, Sena da Silva, Maria Belo, Luís Sttau Monteiro, César Oliveira, Jorge Fagundes, José Augusto Seabra, Gonçalo Ribeiro Teles, José Manuel Galvão Teles, Aurora Murteira, Diniz Machado e outros. Numa palavra, um banco de opções.
Propunha-se a OPÇÃO pensar Portugal e a revolução. Adiantar interpretações, discutir e propor medidas. Num empenhamento global de modernização e de democratização social, cultural, económica.

O currículo, apontado pelo mesmo:


Membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, eleito
pela Assembleia da República  (1994-2001).

Membro, vice-presidente e presidente do Conselho de
Comunicação Social, eleito por maioria qualificada de mais de dois
terços pela Assembleia da República ( 1983-1989 )

Director-fundador do semanário "OPÇÃO" (1976 -1978 )
Director-fundador do diário "Jornal Novo" ( 1975-1976)
Chefe de redacção do semanário cultural "EUROPA"
Redactor do "Diário de Lisboa", onde também coordenou
as páginas de "Vida Literária" ( 1956-1961)
( Sendo esta a sua iniciação no jornalismo, cabe aqui referir,
como seus mestres/colegas, desde logo, compreender-se-á,
seu pai, Artur Portela, e também Norberto Lopes, Mário Neves,
Carlos Ferrão, José Ribeiro dos Santos e outros)

Colunista no "Jornal do Fundão"( onde igualmente dirigiu
uma página cultural, premiada pela Associação Portuguesa
de Escritores ), em "A Capital", "República", "Diário de Notícias",
"Diário Popular", "A Luta", etc.

Cronista radiofónico (TSF) e, brevemente, entrevistador
de televisão (RTP)

Entre outras, publicou entrevistas com Agostinho Neto, Samora
Machel, Olaf Palme, Felipe Gonzalez, Santiago Carrillo,
Tierno Galván, D. Helder Câmara, Tenessee Williams e numerosas
figuras de primeiro plano da vida política e cultural portugues. 


Não fala na Funda...

Em 1976, Artur Portela Filho era quase quarentão. João Cravinho já era. Remy Freire não sei mas seria mais velho.

Todos eles tinham idade mais que suficiente para terem juizo perfeito, em 1976. Portanto, escreviam como se pode ler e acreditavam no que se pode ver. Que desgraça.

Deu no que tinha que dar: mediocridade, miséria mantida e atraso garantido. É isso o socialismo e continua a ser, nos dias de hoje.

domingo, setembro 02, 2018

A felicidade dos anti-salazaristas

 Editorial de Manuel Carvalho, Público de ontem:


Na edição desta sexta-feira do diário espanhol El País publicava-se uma fotografia da campa quase rasa de Salazar para se tentar um paralelismo com o imponente santuário do Vale dos Caídos erguido para celebrar a vitória de Franco e do franquismo na brutal Guerra Civil de 1936-39 — e que serve de albergue aos restos mortais do ditador. A comparação não procura apenas colocar frente a frente a celebração monumental do franquismo e a frugalidade do legado salazarista. O que se pretende por estes dias em que a Espanha discute a exumação do cadáver de Franco e as melhores formas de matar a simbologia extremista do Vale dos Caídos é, afinal, mostrar as duas formas distintas como os dois países vivem no presente as memórias das suas ditaduras. Portugal parece ter remetido o salazarismo para a categoria das memórias distantes, enquanto a Espanha continua a debater-se com os vírus que originaram o franquismo e que, ainda hoje, persistem em perturbar o seu metabolismo nacional.

Falar hoje sobre o salazarismo tornou-se, para nossa felicidade, uma questão reservada aos académicos e aos cidadãos interessados na história contemporânea do país. Na Espanha, Franco, a Falange, Primo de Rivera ou os “heróis” da guerra civil são ainda objecto de uma adoração política que se alimenta de um radicalismo de direita enraizado na sociedade ou em instituições fundamentais como a Igreja. Portugal enterrou o salazarismo mais facilmente porque Salazar impõe-se na sequência de um golpe militar e não como epílogo de uma guerra civil que matou centenas de milhares de espanhóis.

Depois de 40 anos de democracia, a Espanha sente-se obrigada a encarar o seu passado demasiado presente. Não é mais possível acreditar numa coexistência alheada com os fantasmas do franquismo. A exumação do cadáver de Franco e a tentativa de apagar as veleidades heróicas da extrema-direita da Espanha plantadas no Vale dos Caídos são um primeiro passo para os enfrentar. Mas acreditar que basta apagar os lugares da memória para que a memória seja erradicada do presente é pura credulidade. As raízes do radicalismo que deram origem a Franco permanecerão vivas.

Ao contrário do que aconteceu em Portugal, onde a extrema-direita se limita a um grupúsculo irrelevante, os seguidores do franquismo continuarão por aí.


O actual director do Público, Manuel Carvalho,  é anti-salazarista primitivo como se demonstra por este escrito. Salazar, para ele, está ao mesmo nível que Franco nas memórias a desprezar e simboliza o que Manuel Carvalho não suporta: a direita que se opôs ao comunismo. O tempo de Salazar, para ele, é o do fascismo. O fascismo é a expressão que designa qualquer sistema que se oponha ao comunismo, ainda hoje. Basta ler O Militante para o entender imediatamente.

Manuel Carvalho do Público faz por isso mesmo o jogo comunista porque assume todas as razões do comunismo e agora encontra-se reciclado no esquerdismo sem remédio que as herdou. O anti-zalazarismo vem todo daí. E toda a gente dos media vai atrás desta merda ideológica que envenena o país há um pouco mais de 40 anos.

Enquanto isto durar não há História contemporânea que se aproveite, em Portugal. 
Enquanto esta ideologia não for inumada continuará a exumar ódio político que enxundia toda a Realidade do passado. 


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso