segunda-feira, agosto 14, 2017

Continuamos a ter aldrabões a governar

Alexandre Homem Cristo, Observador:

A 19 de Junho, dois dias após o incêndio de Pedrógão Grande, a equipa do ministério da Administração Interna informou que a rede SIRESP estava “a funcionar com toda a normalidade” e que “em nenhum momento esteve inoperacional”. A 6 de Julho, quase três semanas depois e com muitas averiguações feitas aos serviços da Administração Interna, o governo assegurou que as falhas no SIRESP eram de “menor relevância”. Entretanto, a 17 de Julho, António Costa abria a porta ao reconhecimento de que o SIRESP havia deixado de funcionar num momento crítico, afirmando que “temos de ter uma rede que funcione em todas as circunstâncias – é inadmissível que não funcione, em particular as redes de comunicações de emergência”. E a 28 de Julho, a ministra da Administração Interna assume a existência de um “problema efectivo” no SIRESP, mas deixa o aviso aos seus críticos: “é uma falta de sentido de Estado estar sempre a lançar lama sobre o SIRESP e a desestabilizar”.
Estas são as quatro primeiras versões (há uma quinta, já lá vamos). Recapitule-se: (1) a de o SIRESP ter funcionado com toda a normalidade; (2) a das falhas do SIRESP terem sido de “menor relevância”; (3) a de que o SIRESP falhou excepcionalmente num momento de emergência; (4) a de que há um problema efectivo no SIRESP. Ora, apesar de contraditórias, estas versões têm em comum um único foco de responsabilidade: o SIRESP, a sua gestão e a sua articulação com o Estado. Primeiro, para o ilibar. Depois, para o comprometer cada vez mais.
É, pois, sob esse foco que se tem debatido na arena política e investigado na imprensa. E é também nesse sentido que, a 9 de Agosto, a ministra da Administração Interna fez saber que pediu à Secretaria Geral do seu ministério que iniciasse “os procedimentos necessários à efectivação da aplicação de penalidades à SIRESP SA por falhas de disponibilidade e por falhas de desempenho, em cumprimento do contrato, bem como da sua responsabilidade enquanto operadora, pelo funcionamento do sistema”. Ordem que, de acordo com uma interpretação prévia de Joaquim Miranda Sarmento, especialista em parceiras público-privadas, terá pouca margem para sucesso, face a uma cláusula “força maior”, que consta do contrato e que impõe sobre o Estado a responsabilidade nos momentos de desastres naturais. Uma interpretação que a ministra Constança Urbano de Sousa rejeita, embora a 28 de Junho, no parlamento, tenha reconhecido a existência de um “fenómeno extraordinário”.
Tudo isto colocou o governo numa posição desconfortável. É que esta quarta versão dos factos, negada de início e depois forçada pela investigação dos jornais, é incómoda (expõe a incompetência governativa na articulação com o SIRESP) e particularmente problemática para o primeiro-ministro. António Costa assumiu a pasta da Administração Interna no governo de José Sócrates e, nessas funções, liderou a renegociação e a assinatura do contrato do SIRESP – ou seja, isso torna-o co-responsável político do problema que o SIRESP se tornou e pelo conteúdo no contrato desta PPP.
Não surpreende, portanto, que três dias depois, a 12 de Agosto, surja a quinta versão dos factos, desta vez pela boca do primeiro-ministro, para que fique definitiva: o SIRESP “colapsou” mesmo e a responsabilidade afinal é da PT. Vendo para além dos relatórios e dispensando as conclusões da comissão de peritos que o parlamento convocou, António Costa já apresentou a sua (nova) versão dos factos. Uma versão particularmente conveniente, diga-se. Por um lado, iliba o governo e anula as suas co-responsabilidades. Por outro lado, faz de bode expiatório uma empresa (Altice, detentora da PT) à qual declarou guerra e contra a qual tem direccionado as suas críticas – e, já agora, ameaça-a com a mudança do SIRESP para outra operadora. Situação win-win.
Faltam quatro dias para se completarem dois meses desde o incêndio de Pedrógão Grande. Sobre o que correu mal, há versões em abundância, mas certezas ainda só uma prevalece: o governo tudo fará para se descartar de responsabilidades, tanto operacionais como políticas. Sim, Marcelo vincou que há que “apurar tudo, mas mesmo tudo” sobre o que aconteceu em Pedrógão Grande. Mas os actos contam mais: se, no final, aceitar este atira-culpas político, fará também ele parte do logro.

Há uma similitude de procedimentos no caso Sócrates e do seu antigo ministro, António Costa que também tinha sido antes governante de Guterres:  são ambos aldrabões de alto coturno. 

domingo, agosto 13, 2017

Magalhães & Silva, Catão de circunstância

O advogado e fundador do PS, Manuel Magalhães e Silva escreve umas croniquetas no CM, de vez em quando.

Hoje deu para assumir  um papel que lhe assental mal, o de Catão. Magalhães e Silva é advogado de firma prestigiada no gotha do nosso universo político e portanto, privilegiado em funções que se distinguem, desde as governativas até às de supervisão. Deve por isso ganhar a vida em proporção à importância que tem nesse universo.



Este advogado  devia estar calado nestes assuntos de seriedade porque a desmultiplicação dos papéis em jeito de catão que assume publicamente só se compara com a gomina que põe no cabelo para brilhar na tv, onde frequentemente é chamado para debitar opinião sobre tudo e o habitual par de botas, particularmente em assuntos de justiça candente que envolva notáveis do PS e arredores.

Esta notícia é do JN, de 3.2.2013 e não me dei ao trabalho de procurar mais na internet, no Base para ver mais:
 
"Alguns dos maiores gabinetes de advogados são contratados ano após ano para prestar serviços de assessoria e consultoria jurídica a entidades públicas.
A lista, disponível na Internet, mostra que no ano passado foram entregues ajustes directos a consultórios de advogados no valor de 7,6 milhões - inferior ao entregue em anos anteriores, reflexo da contenção notada em todos os ajustes directos, mas ainda assim suficiente para pagar o projecto de requalificação do troço nascente da Avenida da Boavista, da Câmara do Porto.
Em 2012, os maiores adjudicados foram a BAS (a sociedade de Pedro Madeira de Brito e Artur Filipe da Silva, com 548 mil euros), a Abreu & Associado (411 mil), a Nuno Cerejeira Namora, Pedro Marinho Falcão & Associados (386 mil), a Jardim Sampaio, Magalhães e Silva e Associados (367 mil), a Paz Ferreira & Associados (346 mil) e a Sérvulo & Associados (314 mil). Em número absoluto, esta sociedade foi a que assinou mais contratos.
Este ano, sobretudo graças aos 650 mil euros que o Banco de Portugal pagará à Vieira de Almeida & Associados por serviços de assessoria jurídica, durante três anos, o valor contratado com gabinetes de advogados ultrapassa o registado na mesma altura do ano passado.

Alexandra Figueira | Jornal de Notícias | 03-02-2013"


 Costa e Lacerda Machado conhecem-se desde a faculdade, onde se tornaram bons amigos, ao ponto de este ser depois seu padrinho de casamento. O outro amigo próximo era Eduardo Cabrita, com quem o jovem advogado parte depois para Macau, onde está dois anos como assessor jurídico — indicados precisamente por Costa ao então secretário-adjunto Magalhães e Silva. É aqui que conhece Jorge Coelho, que se lembra dele como um jovem “afável e competente”, que fazia parte da equipa de futebol que organizava.

É deste tipo de atitudes que detesto particularmente: estes indivíduos falam como se fossem donos de uma moral que arvoram em público, apenas porque são alguém politicamente e portanto com as costas sempre aquecidas pelo conforto político. Sem isso seriam zero no panorama mediático-social. Ou antes, seriam tanto como os demais que não têm esse poder. 

O tal juiz de Oeiras que é afilhado de casamento de um dos candidatos à Câmara, das duas uma: ou decidiu mal, legalmente e portanto poderá vir a ser sindicada a sua decisão; Ou decidiu mal, por peita moral, por prevaricação deliberada e tal não se sindica com artigos manhosos como este. Ou então decidiu bem, legalmente e por isso sem motivo algum para crítica, o que deveria envergonhar quem escreve desse modo e afastá-lo de vez de toda a actividade pública de supervisão de comportamentos de magistrados, precisamente por causa da suspeita, agora séria, de má índole ou má capacidade de ajuizamento de quem assim actua.

Presumi-lo corrupto e deixar a suspeita que não é sério, como faz Magalhães e Silva, tendo em conta o que este representa politicamente e pela actividade que publicamente tem exercido, é um exercício venal em prol de  uma moralidade de vão de escada e representa um grau mais acima na hipocrisia ambiente.

Se há coisa que o advogado Magalhães e Silva devia resolutamente abster-se de fazer é a prolação de juizos morais escritos e publicados sobre comportamentos alheios deste género relativamente a magistrados.

sábado, agosto 12, 2017

A miséria do socialismo: ideias erradas sobre o progresso.

Esta crónica de Filipe Pinhal no Sol de hoje afigura-se uma das melhores explicações do modo como o socialismo traz miséria, prometendo progresso...


As ideias que o socialismo combate, são, para além do mais, estas, explicadas no Expresso de hoje por Vasco de Mello, um dos membros das "famílias" que foram expoliadas no PREC pelos comunistas e socialistas que queriam tomar conta do que nunca conseguiram: aprender a gerir empresas e fazê-las prosperar. Esperavam que a simples expropriação da riqueza alheia se tornasse fonte de progresso e determinaram apenas bancarrotas sucessivas:



Como todos se conhecem o melhor é ir ao essencial: o sistema de contactos implica a corrupção?

Sol de hoje:


O juiz que decidiu inviabilizar a candidatura de Isaltino à Câmara é suspeito de parcialidade por ser afilhado de casamento de outro candidato? Só no caso de se verificar que agiu com critérios para além dos estritamente legais ou em desconformidade com decisões anteriores sobre o mesmo assunto.

Foi esse o caso? O tribunal Constitucional decidirá sobre o primeiro aspecto e o jornalismo elucidará o segundo.

Quanto ao resto, sobre a familiaridade dos envolvidos, os conhecimentos e contactos do costume, ficamos conversados com este artigo no SOL: Isaltino conhece e é amigo do marido da juiz presidente da comarca de Oeiras, que é advogado e não se sente impedido por isso de participar em iniciativas políticas partidárias. Também deve conhecer muito bem o assunto "Tagus Park"...

Aliás, sobre este "sistema de contactos" já o actual presidente do Tribunal Constitucional, Professor Costa Andrade se pronunciou há muito para dizer o essencial através das suas habituais conjugações perifrásticas. Citou um académico para expôr o que toda a gente percebe, mesmo a mais humilde das mentes analfabetas:

LUHMANN faz intervir o conceito e a teoria dos “sistemas de contacto”. Que emergem e se instalam em relação aos diferentes sistemas (judicial, administrativo, político, económico, desportivo, etc) que têm de tomar decisões, no termo de um processo que, por suposição normativa, tem de ser organizado e conduzido segundo as exigências de diferenciação e autonomia face aos sistemas-ambiente.
Por exemplo, do juiz em relação às partes e nomeadamente aos advogados; da administração pública em relação aos interessados nas suas decisões como, por exemplo, os oponentes num concurso; dos governantes face aos agentes económicos, aos grupos de interesses, associações, organizações sociais, lobies, etc.
Há sistema de contacto quando agentes dos diferentes sistemas (vg., juiz/advogado, Ministro/empresário), esbatendo ou mesmo neutralizando as fronteiras da diferenciação e autonomia, criam entre si teias de amizade, compromisso ou confiança de que emergem expectativas comuns a suportar critérios generalizados para a solução dos “casos” que venham no futuro a colocá-los frente a frente.

Portanto é de uma suprema hipocrisia ( como a de Daniel Oliveira esta semana no Expresso) atirar ao juiz a arma de arremesso da parcialidade e prevaricação, apenas com base na pressuposição de que a afinidade de uma amizade de casamento influenciou decisiva e fatalmente a invalidação da candidatura.

Nos vários sistemas de poder, em Portugal, temos tantos e tantos exemplos de pessoas que convivem nos diversos patamares de poderes e contra-poderes e das influências por amizade, família ou partidarismo que será impossível determinar e separar todas essas pessoas de modo a higienizar em modo jacobino toda a vida pública pelas aparências.

A mim sempre me chocou que no topo da hierarquia do Ministério Público de Lisboa preponderasse uma magistrada casada com um advogado, fundador do PS ( ele próprio o disse, numa entrevista, em 2011 a Anabela Mota Ribeiro: "a minha intervenção cívica fez-se sempre na área daquilo que é hoje o Partido Socialista, de que não sou militante. Não tenho relação com eles mas curiosamente fui um dos fundadores do partido. Fazia parte da base interna que mandatou as pessoas para irem à Alemanha votar na formação do partido. Nunca tive a experiência radical de ser do MRPP ou do PC.) 
 O que se passa com este indivíduo muito esperto é exemplar...sobre o que deveria ser a fronteira entre o poder executivo de possibilitar que alguém possa ganhar muito dinheiro ( porque é disso que se trata) e as relações de contactos que tem com outros poderes, mormente o de âmbito judicial ou do Ministério Público.
É muito mais grave que um indivíduo assim consiga ganhar concursos de ajuste directo que dão muito dinheiro a ganhar, determinados por pessoas no poder executivo quando é casado com alguém cujas funções são depois as de prevenir e combater tráficos vários de influência.

A prova de que a mulher que era procuradora-geral distrital de Lisboa no tempo de Sócrates e dos governos PS e não só ( resta ainda indagar e saber o que fez no tempo do processo Casa Pia) não era imune ao sistema de contactos enunciado está na circunstância de actualmente ser ministra deste governo do PS e como governante ter decidido casos concretos em que como magistrada tinha entendimento radicalmente diverso.

Não há qualquer volta justificativa a dar a este assunto e não vejo ninguém preocupado com isso... como se tal fosse muito natural e não levantasse o mesmo género de suspeitas de favorecimento que o caso do tal juiz de Oeiras.

Por isso, estou farto de hipócritas.
 

Os nomes da Rosa e os patifes sem nome

Sol de hoje:


Só um exemplo, através de outro pindérico que vai bater com os costados na cadeia daqui a algum tempo ( não será o Constitucional que o impedirá, sob pena de escândalo maior que o do próprio processo).
Este pindérico que tirou um curso superior à pressa e estudo aos fim de semana na defunta Independente, a par do inginheiro com quem fazia tandem, telefonava, em 2009,  a expor claramente os propósitos: subverter o Estado de Direito, tomando conta de todos os media importantes. Como é que esta dupla de pindéricos chegou a isto? Com o apoio tácito dos homens da rosa, na Sombra do poder. Daí que estes casos sejam sinal de profunda corrupção política que noutro país civilizado teria acabado com o partido que os acolheu.

Resta agora a exposição clara da corrupção, com destaque para a criminal que tem como protagonistas já identificados os que se encontram arguidos nos processos respectivos ( Marquês e BES, particularmente) e que José António Saraiva elenca acima.

Em baixo segue o registo das conversas fatais destes pindéricos. As manobras denunciadas pelos próprios são tão claras que a lógica de defesa se assemelha a uma batata.


sexta-feira, agosto 11, 2017

O patético relatório sobre o incêndio de Pedrógão


Público de hoje que mostra à saciedade a patetice desta ministra Constança: toda a gente que tinha obrigação de proteger as pessoas e bens, dependentes do ministério desta fulana, andava "às cegas", sem coordenação e sem sentido exacto do que deveria fazer. Assim morreram 65 pessoas. A ministra sacode a água do capote para os seus dependentes hierárquicos e até manda fazer mais inquéritos para se apurar o que aconteceu...
Ainda não sabe porque só sabe com relatórios. A realidade vivida, para este tipo de pessoas não existe a não ser através de relatórios. Sem eles, a realidade é inexistente.A essência da realidade para estas jacobinadas de trazer por casa é sempre observada através dos relatórios. Foram educados assim, sempre fizeram o trabalho assim e não é agora que vão mudar.
Na educação, na saúde e na segurança o problema é este e não vejo quem o queira discutir. Começam logo por questionar como será possível conhecer os factos, sem relatórios...e como a resposta irá sempre para além da simplicidade que entendem através dos relatórios, nada haverá a fazer, até porque são autosuficientes na própria estupidez.
A partir do momento em que recebem o relatório é este que passa a assumir o lugar da realidade. Patético é expressão fraca, para este fenómeno. O ISCTE que explique...




Crónica de Eduardo Dâmaso no CM de hoje, sobre o mesmo "fenómeno extremo" da patetice elevada a cargo ministerial.

 
O efeito que tal provoca, seguindo o velho ditado ridendo castigat mores.



quinta-feira, agosto 10, 2017

Um país de gente corrupta?

Crónica de José Manuel Fernandes no Observador:

1. Ainda bem que não sou munícipe de Oeiras. Sou eleitor de Sintra, mas isso não me livra de incómodas perplexidades.
Nem sei bem por onde começar a falar de Oeiras. Talvez por aquilo que nem todos sabem: estamos no concelho onde o nível médio de educação da população é mais elevado do país. Em Oeiras 30,7% dos habitantes tinham o ensino superior, de acordo com o censo de 2011, quando a média nacional era de apenas 13,8%. Só em Lisboa superava Oeiras neste indicador Oeiras, com 31,1% de licenciados. Só que em Lisboa há muito mais habitantes com pouco ou nenhuma formação (27,1% só têm, na melhor das hipóteses, o 1º ciclo do Básico, contra apenas 20% em Oeiras). Mais: o concelho de Oeiras era mesmo, nesse censo de 2011, o único do país onde mais de metade da população tinha concluído pelo menos o ensino secundário (53%, contra uma média nacional de apenas 30,5% e acima dos 49,1% em Lisboa).
Ou seja: o que quer que aconteça nas eleições naquele concelho não acontecerá por falta de formação e educação da sua população. Mas será que sucede por a essa formação e educação não corresponderem bons níveis de rendimento? Também não. De acordo com os cálculos do INE, em 2013 (últimos dados disponíveis) o poder de compra per capita de Oeiras era 80,7% superior à média nacional. Só Lisboa tinha um indicador melhor, pois o poder de compra na capital mais do que duplica a média nacional. Cidades como Cascais ou o Porto ficavam claramente atrás de Oeiras.
Temos assim que o concelho mais educado do país e o segundo com mais poder de compra se preparava para reeleger como presidente da Câmara Isaltino Morais, alguém condenado por fraude fiscal e branqueamento de capitais. E escrevo “preparava” porque um juiz entendeu recusar a sua candidatura com base em irregularidades formais. Não sei como esse processo terminará, mas não tenho muitas dúvidas de que Isaltino iria ser coroado de novo em Oeiras – e que sê-lo-á se a sua candidatura acabar por ir por diante. E não tenho dúvidas porque os oeirenses já o reelegeram em 2005 e 2009 quando já havia muitas dúvidas sobre a sua probidade e era arguido em vários processos, tal como depois elegeram em 2013 o seu número dois, alguém que concorria numa lista com o seu nome. O que significa que apenas iriam reincidir.
Mas este é apenas o começo da história. A continuação conheceu esta semana o rocambolesco episódio da recusa das listas encabeçadas por Isaltino por um juiz que foi secretário da concelhia do PSD no tempo em que o seu principal rival nestas eleições – o seu antigo benjamim Paulo Vistas – ocupava a presidência desse órgão. Pior: o dito juiz é afilhado de casamento desse mesmo Paulo Vistas mas não achou que essa sua proximidade a um candidato lhe impunha pedir escusa quando lhe tocou avaliar a validade das listas candidatas. Pior ainda: não se sentiu inibido para tentar barrar, na secretaria, a candidatura de Isaltino, existindo até a indicação de que numa anterior ocasião decidiu de forma diferente quando confrontado com o mesmo tipo de alegada irregularidade na recolha de assinaturas por… Paulo Vistas.
Satisfeitos? Já acham bastante para o “concelho mais educado do país”? Pois então deixem-me acrescentar que o pesadelo não acaba aqui.
Começando por Paulo Vistas, actual presidente da câmara e que era tido como o principal rival de Isaltino Morais, temos de recordar que ele foi também o principal suspeito na investigação às ruinosas PPP de Oeiras. Não consegui apurar em que estado se encontra este processo, só sei que essas PPP municipais foram mesmo um mau negócio para o erário público.
Passando a Joaquim Raposo, o candidato do PS e que durante muitos anos dirigiu os destinos do vizinho município da Amadora, os processos em que foi suspeito ou esteve a ser investigado são ainda mais numerosos, mais estranhos e envolvendo ligações mais perigosas. José Guilherme, o famoso empresário que fez uma “gentileza” a Ricardo Salgado, tem a sua base na Amadora e era um dos protagonistas de um processo, entretanto arquivado, que chegava também ao ex-deputado do PSD Duarte Lima, a Armando Vara e a José Sócrates. Esse foi um daqueles processos que esteve anos parado sem qualquer diligência num tempo que o Ministério Público era conhecido como o “arquivador-mor do reino”. Dele nos ficou pelo menos a informação das companhias do autarca que o PS foi repescar para tentar conquistar Oeiras – e sobre o que nos dizem essas companhias abstenho-me de comentários. De resto sabemos também que pode não ter declarado devidamente o seu património imobiliário ao fisco, omitindo a existência de uma piscina numa sua casa.
A seguir ao trio Isaltino-Vistas-Raposo surge por fim o candidato oficial do PSD, Ângelo Pereira, uma figura ainda tão pouco conhecida que os cartazes da sua campanha optaram por o representar como um boneco que apresenta o seu currículo. Mesmo assim já foi apanhado no “huaweigate”, apesar de tudo uma coisa de crianças ao lado de todas as sombras que pairam sobre o triunvirato de “adultos” que se apresenta a votos em Oeiras (Vistas, de resto, também está envolvido neste “huaweygate”).
Nada aqui é bonito de se ver, nada aqui é boa referência para a nossa cultura democrática – neste caso a cultura democrática de um concelho “de elites”, aquele onde menos se pode atribuir à falta de educação ou de informação as escolhas dos seus eleitores. Eles sabem o que estão a fazer, oh lá se sabem.
2. Como referi logo na abertura deste texto não sou munícipe de Oeiras – mas sou de Sintra, aquele concelho onde o actual presidente e candidato do PS, Basílio Horta, se enganou em apenas três zeros nas suas declarações de rendimentos depositadas no Tribunal Constitucional. Três zeros que valem 5,6 milhões de euros. Mesmo dando de barato que foi um engano, o crescimento de conta bancária de Basílio entre 2002 e 2010, e depois 2013, está muito mal explicado. A mim, que sou eleitor do concelho, não me satisfaz. Sobretudo não gosto de encontrar, como dizer?, fragilidades destas em alguém que entre 2002 e 2010 esteve vários anos à frente do AICEP, colaborou de muito perto com o então primeiro-ministro José Sócrates e o seu ministro da Economia Manuel Pinho, e sobretudo deu a cara por projectos ruinosos que custaram centenas de milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos (o mais notório de todos o do investimento na fábrica da La Seda em Sines, mas também o da unidade da Pescanova em Mira) e nunca se distanciou da política suicida seguida nesses anos.
Seja lá como for, enganos como os invocados por Basílio Horta como justificação para o que está nas suas declarações de rendimentos não podem passar sem penalização política. Quanto a uma penalização eleitoral, os eleitores de Sintra julgarão.
Quanto ao resto do país, que parece encolher os ombros, não sabemos se é apenas por estar a banhos, se por nas suas terras conhecerem outras histórias do mesmo jaez, se por puro e desesperado desencanto. Seja qual for a resposta, é um mau sinal – sinal de que a nossa democracia está longe de ter os hábitos de rigor e probidade que encontramos em países não só com democracias mais antigas, como com instituições mais saudáveis e que, claro, são mais ricos. Bem mais ricos. É que, no fim do dia, a salubridade das instituições está por regra associada a economias mais dinâmicas e inovadoras. E por cá, quanto a salubridade, o tempo é mais de colocar uma mola no nariz.

Comentário:

O caso mais interessante é o de Basílio Horta. Inacreditável.

Dantes, esta notícia fazia a primeira página...

Sábado, hoje:


O que esta notícia escondida nas páginas interiores da Sábado mostra é o seguinte: seis meses antes do assalto a Tancos, uma denúncia concreta, considerada credível pela PJ, dava conta da iminência de um assalto às instalações militares. A PJ actuou e o MºPº também. Um JIC do Porto entendeu que não era competente para dar seguimento e chutou para o canto de Leiria, sem perceber a importância do assunto e principalmente sem dar conta de que o processo carecia de despacho urgente e que lhe era exigível ( esta informação vem na revista no sentido de em Leiria o processo já ser urgente, o que pressupõe que no Porto já o seria, mas pode não ter sido o caso).

Enfim, em Leiria, outra manifestação de incompetência judicial: o JIC respectivo mandou para o TCIC de Lisboa e este agora está provido com dois juizes. Um é Carlos Alexandre que evidentemente nunca teria feito o que o outro, Ivo Rosa,  acabou por fazer: indeferir o pedido do MºPº, inviabilizando eventualmente o sucesso da operação preventiva e provavelmente permitindo o assalto que assim se efectuou em modo que talvez não sucedesse se tivesse sido possível ouvir em tempo real os preparativos do mesmo...
Agora, diz a notícia, que o dito juiz já defere tudo...mas Inês é morta e só resta esperar que aprenda. Mas duvida-se muito, perante os exemplos concretos que têm vindo a lume.



A intenção deliberada em denegrir o Estado Novo segundo o politicamente correcto

A Sábado de hoje, dirigida por Eduardo Dâmaso dá uma capa a uma vítima célebre de "violência doméstica" com entrevista a preceito. Em título de capa, encima com outro assunto que me leva ao comentário: "Como Oliveira Salazar escondeu 700 mortos".

O propósito é iniludível: denegrir o antigo presidente do Conselho a propósito da tragédia que atingiu a região periférica de Lisboa, numa catástrofe natural nunca vista, na noite de 25 de Novembro de 1967.
A ideia básica para quem assim denigre é simples: o regime de Salazar pretendeu ocultar o número certo dos mortos, como se tal fosse fundamental para esconder a dimensão de uma catástrofe sem paralelo no século XX português.
Nem uma coisa nem outra são assim e quem se esforça tanto para assim denegrir tem que se lhe diga na manipulação de informação e censura interior, interna e implícita. Ou seja, não tem qualquer moral para acusar um regime de fazer o que fazem sempre que consideram adequado.

No caso deste artigo assinado por uma Maria Henrique Espada, o esquema jornalístico é o habitual: entrevistar duas ou três pessoas concretas sobre o facto que se pretende relatar, escolhendo pontos de vista que à partida confirmem o prè-juízo. Salpicar o artigo de considerações a apelar ao sentimento e à emoção, misturar tudo muito bem e rematar com um efeito estilístico provavelmente aprendido na escola de "comunicação" ou, no pior dos casos, nas madrassas actuais do politicamente correcto ( ISCTE, por exemplo). E fica passada e repassada a mensagem gramsciana.

Leia-se por isso o artigo, analisando a idiossincrasia corrente em que até participa o actual presidente da República, cada vez mais carente de afecto da esquerda bem-pensante:




Seria suposto, para quem agora lê os relatos da tragédia de antanho que fossem mostradas imagens que supostamente a Censura da época não deixou publicar. Imagens essas que porventura se encontrem em arquivos de redacção ( Diário de Notícias, por exemplo) ou de natureza documental, de entidades oficiais da época, o que se admite possa ser muito difícil porque o actual regime destruiu efectiva e censoriamente muita dessa documentação. A que existe não está estudada, porque não interessa a ninguém mostrar a verdade histórica do nosso passado recente e que não seja apenas para a denegrir.
Este fenómeno é tão vulgar que espanta como é que ainda ninguém da gente nova se lembrou de estudar e mostrar que este rei democrático vai nu há muito tempo  e se ocupa permanentemente em falsificar uma verdade histórica, com um objectivo claríssimo: impedir que o contraste ponha ainda mais a nu  deficiências graves do actual sistema, comparativamente ao anterior.
No fundo, o actual regime tem medo do anterior. Não se sente verdadeiramente superior porque na verdade todos os sinais indicam o contrário, exceptuando o aspecto da aparente liberdade, sempre apresentada como um Bem supremo e inquestionável. É nesse mito que se labora e ora de modo laico. A Sábado é mais um instrumento de tal propaganda que não difere muito da do anterior regime que pretendem denegrir.

A jornalista escolheu como interlocutores no esquema habitual de entrevistas sobre factos passados, três pessoas que aparentemente foram testemunhas directas dos acontecimentos. Dois antigos bombeiros bombeiro que viram muitos mortos e ajudaram a carregá-los literalmente aos ombros para a morgue;  a antiga secretária do PSD Conceição Monteiro, nora de uma figura muito importante do regime ( Armindo Monteiro) e que se salvou por sorte e uma jornalista chamada Diana Andringa, comunista antiga e opositora de sempre do antigo regime que também viu de perto os acontecimentos. Isso para além do próprio presidente da República que apresenta o relato dos estudantes da época que tentaram ajudar as vítimas da catástrofe e afinal foram prejudicados nos estudos pelo próprio padrinho do casamento dos pais, Marcelle Caetano, pouco condoído do esforço dos estudantes ( será caso para dizer que nessa altura ser padrinho de casamento de alguém não era motivo suficiente para suspeição de imparcialidade e isenção...).

A jornalista Andringa, naturalmente, coloca o acento tónico na censura noticiosa e na "repressão policial" que nem neste artigo poderia faltar. Assim, a GNR, no Técnico andaria nessa altura preocupada com  "quem andava a fazer agitação" em vez de ir ajudar as vítimas e na mesma frase refere, sem atentar em qualquer contradição que "os polícias sinaleiros ( PSP) paravam o trânsito para dar prioridade às camionetas carregadas de estudantes para as zonas afectadas".

Por outro lado, a ênfase no número real de mortos, contados por três jornalistas armados em verificadores de óbitos na morgue ( a dita, mais Pedro Alvim e Fernando Assis Pacheco, cuja filha escreve agora no mesmo registo, na Visão) dava um número redondo de 700 mortos enquanto o Diário de Notícias, no dia seguinte,  só tinha mencionado 427! E a Censura teria dado ordens para que o "número de mortos não voltasse a subir"...

Um actual investigador a UMinho acha triste que não se saiba o número e o nome dos mortos...e o investigador António Araújo também lamenta a falta de estudos sobre a tragédia. Enfim, podem sempre ocupar-se do assunto, não?

De resto e para concluir um fenómeno actual ressalta e se torna evidente:

Se as imagens da época foram censuradas por serem chocantes, porque não publicam agora as que então o foram?

Por exemplo, estas que estão disponíveis em publicações da época:


Como não espero resposta alguma destes hipócritas incongruentes e igualmente censores vou procurar dar a resposta que julgo adequada e explicativa.

Esta gente não publica estas imagens e escreve-se muito indignada com a Censura do antigo regime por dois motivos: o primeiro porque não compreendem o tempo e o modo do antigo regime ou se compreendem, como é o caso da comunista Andringa, é apenas do ponto de vista dos opositores ao dito e  assim ainda maior é a incongruência, porque defendiam um regime que era muito, mas muito pior, nesses aspectos e noutros, do que aquele que combatiam. O mal maior é que nada esqueceram e pouco aprenderam. Continuam iguais ao que eram há 50 anos...

O segundo ainda é mais grave: a Censura actual existe e é insidiosa, confinada no bestunto de quem agora escreve e não aos ditames de qualquer coronel reformado das ideias certas. A Censura actual é a do politicamente correcto apreendido com os que ensinam segundo o ar do tempo e da conveniência de uma esquerda que se afigura ainda mais incongruente e perversa. A liberdade que defendem é a proibição de mostrar o real, o mais aproximado possível ao que é, substituindo-o pelo que deve ser, segundo os seus critérios peregrinos e perversos

Assim, nem se dão conta que estão mais aprisionados da verdadeira Liberdade do que antes, no antigo regime. E isto não é figura de estilo.

O aproveitamento político da catástrofe é mostrado claramente no artigo da Sábado, feito pelos estudantes da altura, os tais que a GNR andava a "perseguir". Hoje não é preciso a GNR perseguir porque tal efeito é garantido pelos Galambas e a espécie das Andringas, em artigos de opinião e declarações em directo no telejornal.

Para entender melhor a tal Andringa e a sua acrisolada paixão à liberdade de informação basta ler este texto da sua autoria publicado no Expresso de 27 de Setembro de 1975: a liberdade de imprensa e informação deixada por conta das "comissões de trabalhadores"...


quarta-feira, agosto 09, 2017

Os mistérios de Pedrógão e o SIRESP como bode expiatório

A ministra improvável do MAI falou e disse. O que disse sobre as causas da morte das pessoas na EN236-1 suscita perplexidades.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, admitiu esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que houve “descoordenação” na resposta das autoridades ao incêndio de Pedrógão Grande, mas negou que a GNR tenha enviado pessoas para a EN 236-1.
“A EN 236-1 e as suas múltiplas vias de acesso foram atingidas de forma repentina e imprevisível por um fenómeno extremo que ainda está a ser estudado”, afirmou a ministra, sublinhando que “a partir das 20h a estrada foi transitada pela GNR sem qualquer perigo” e que “não houve nenhum alerta, nem por civis, nem por autoridades, nem por bombeiros”.
“Por essa razão não foi ordenado o encerramento dessa via”, explicou Constança Urbano de Sousa, sublinhando que a estrada “esteve sempre aberta ao trânsito até haver notícia dos trágicos acontecimentos”. “Não há qualquer evidência de que a GNR tenha encaminhado qualquer viatura para a estrada”, acrescentou ainda.

Pergunta imediata: se às 20:00 a GNR passou na EN236-1, porque razão tinha fechado, cerca de uma hora antes, o IC8?
Há testemunhos de pessoas que disseram ter sido desviadas do trajecto em que seguiam, no IC8 para a EN 236-1, tendo possibilidade de retomar aquela via ou seguir pela EN236-1, em dois sentidos. Espera-se que isto não seja uma habilidade de chica-esperta para contornar a evidência, mas temo que sim.

Outra pergunta: se às 20:00 a GNR conseguiu passar sem problemas na EN236-1 e poucos minutos  depois morreram lá dezenas e dezenas de pessoas, que dizer da inoperância e desconhecimento acerca da direcção do incêndio, já muito perto daquele local? E que dizer de nem sequer lhes ter ocorrido um pequeno pensamento de cortar efectivamente essa estrada, quando o poderiam ter feito e ao verem, com os próprios olhos as condições mortíferas da mesma ( copas das árvores a fazer de túnel na estrada, por exemplo) , caso o incêndio a atingisse?

Porque é que agora por tudo e por nada fecham as estradas e nessa altura não o fizeram? Aprenderam apenas agora a fazer tal coisa? E então, repito a pergunta inicial: qual a razão de terem cortado o IC8 uma hora antes?

Porque razão a pateta da ministra não responde a estas questões?

Elos de contactos

i de hoje:





Este negócio da construção da linha de alta velocidade Poceirão-Caia, no tempo do governo Sócrates, foi encarado como um investimento público de dimensão demasiado grande para o tempo de crise económica que então se prenunciava e a capacidade financeira que tínhamos. Em 2012 o governo de Passos Coelho suspendeu o projecto, mas na época eram já demasiadas as vozes públicas contra o projecto faraónico, para o tempo em que estávamos.

O tribunal de Contas acabaria por considerar que...

 A rede ferroviária de alta velocidade em Portugal foi cancelada em 2012, mas a factura ascendeu a pelo menos 153 milhões de euros. Segundo uma auditoria publicada hoje pelo Tribunal de Contas (TdC), ao longo dos 12 anos em que o projecto esteve a ser elaborado foram gastos 120 milhões de euros em contratação externa e 32,9 milhões de euros em custos de estrutura da RAVE, a empresa pública criada para levar a cabo o TGV.

Além dos 153 milhões de euros em custos directos, a factura pode ainda subir: existem três pedidos de indemnização ao Estado das empresas a quem o projecto foi adjudicado, cujas petições iniciais ascendem a 29,4 milhões de euros, e o cancelamento do projecto transferiu para a Parpública contratos de financiamento de 599 milhões de euros que haviam sido celebrados pelo consórcio ELOS, que ganhou um dos troços.

Projecto dava "rendas a privados" e iria custar 11,6 mil milhões

O relatório do TdC incide no período entre 2000, ano de criação da RAVE, e o fim do projecto. A construção da rede assentava em seis contratos através de Parcerias Público Privadas (PPP), através dos quais seriam desenvolvidos, em primeiro lugar, três eixos ferroviários. E várias opções são postas em causa. O total de encargos para os organismo públicos envolvidos no projecto ascenderiam a 11,6 mil milhões de euros e "os riscos de procura relevantes recairiam sobre a CP e a REFER, empresas públicas economicamente deficitárias".

Em contrapartida, os pagamentos pela disponibilidade da infra-estrutura às concessionárias" gozariam de estabilidade, característica típica das rendas". A incidência do risco de procura nos pagamentos a efectuar às concessionárias "seria residual", acrescenta o TdC. Este modelo, segundo o a auditoria, "não encontrou paralelo nos modelos existentes noutros países, nomeadamente da Europa".

Outra crítica dos juízes é que, atendendo à complexidade e à falta de experiência prévia na implementação de um sistema de transporte inteiramente novo, houve "algum excesso de optimismo, porquanto seriam de admitir imprevistos durante todo o processo". Além disso, não foi obtida experiência através da execução de um só contrato para, posteriormente, abrir novos processos de contratação. "Tal como noutros sectores, no sector ferroviário o Estado pretendeu implementar um modelo não testado sem a utilização do que habitualmente se designa por projecto-piloto", refere a auditoria.

O projecto foi ainda iniciado sem ser possível aferir o custo-benefício para Portugal e o Estado não comprovou, perante o tribunal, a comportabilidade dos encargos que decorriam do único contrato PPP assinado e ao qual foi recusado o visto prévio. Em suma: "os estudos preliminares demonstraram que o investimento na rede ferroviária de alta velocidade não apresentava viabilidade financeira"


Os protagonistas directos do negócio Elos ( foto Público) . Os escondidos estão agora à vista.

O que o jornal i de hoje conta é matéria já conhecida. O consórcio Elos ganhava a dois carrinhos. Ganhava se fosse construído o troço e ganhava se o não fosse, ficando o risco todo para o Estado. Começaram logo a laborar e facturar.
Por isso mesmo o Estado foi já condenado a pagar 150 milhões de euros ao tal consórcio.

O que a notícia traz de interessante é a circunstância de terem sido os advogados ligados ao consórcio a incluir a cláusula penalizadora em caso de não construção, o que aliás era uma possibilidade bem real, precisamente encarada pelos mesmos como mais uma oportunidade de negócio à sombra do Estado e aparentemente inatacável, face a regras jurídicas que não contemplaram certamente a má-fé destes indivíduos...

Quem foram os juristas que intervieram nestas "negociações" preliminares? Estão aqui os nomes, conhecidos em 2011 e que o i não traz:

O trabalho de assessoria jurídica ao projecto no troço Poceirão-Caia, ganho pelo consórcio Elos, foi desenvolvido por equipas das cinco sociedades de advogados.

O projecto venceu um prémio europeu, que será oficialmente anunciado no final deste mês. O galardão foi atribuído pela publicação especializada “Euromoney Project Finance Magazine”.

A assessoria foi da responsabilidade da Vieira de Almeida & Associados (VdA), cuja equipa foi liderada pelo sócio Manuel Protásio.

Já o apoio aos bancos, a área de Direito Financeiro, o apoio foi proporcionado pelo escritório Campos Ferreira, Sá Carneiro & Associados (CS Associados)e teve como protagonista o advogado Duarte Brito de Goes.

Bernardo Dinis de Ayala, sócio da Uría Menéndez - Proença de Carvalho (UM-PC) foi o responsável pela assessoria jurídica aos bancos na área de Direito Público. E, por seu turno, Alberto Galhardo Simões, da Miranda, o aconselhamento ao Banco Europeu de Investimento.

Outro dos juristas envolvidos neste projecto foi Pedro Leite Alves, sócios do escritório Jardim, Sampaio, Magalhães e Silva, competindo-lhe a assessoria jurídica à entidade adjudicante, o Estado português.

O montante referente à construção ascende a 1,359 mil milhões de euros, é apontado como o mais significativo investimento público em infra-estruturas realizadas nos últimos anos em Portugal e deverá manter esse estatuto durante os próximos anos.

O troço em causa foi adjudicado pelo consórcio Elos – Ligações de Alta Velocidade, coliderado pela Brisa e pela construtora Soares da Costa.

O consórcio vencedor integra também a Iridium Concesiones de Infraestructuras, do grupo espanhol ACS, Lena, Bento Pedroso, Edifer, Zagope, a norte- amaricana Babcock & Brown Limited, o Millenium BCP e a Caixa Geral de Depósitos.


Comparando este caso que nem é singular porque repetido noutras situações durante o governo de José Sócrates, com o da construção da Ponte Salazar será caso para dizer que  as diferenças são abissais, a noção de interesse público não tem comparação e a seriedade dos governantes de então, comparando com as patifarias actuais e as personalidades endemicamente corruptas de hoje,  nem se fala. Isto diz mais do actual regime, em comparação com o anterior que muitos discursos antifassistas...


A democracia permitiu o aparecimento destes patifes em série que desgraçaram o país em sucessivas bancarrotas. Portugal tudo aguenta, mesmo esta canalha que continua a governar e até com maiorias confortáveis.


Tirando aqui e ali umas vozes isoladas que teimam em fazer comparações com o passado remoto, temos até um presidente da República que se lembra de destacar a superioridade moral do actual regime, face ao anterior, no caso da ocultação das vítimas de tragédias nacionais.

De facto, se pensasse melhor, veria que a verdadeira ocultação desta tragédia nacional acima exposta é obra dos apaniguados do actual regime, com destaque para os media de que o mesmo presidente da República fez parte integral.

E se isto não é verdade que tenham a coragem de o dizer...e ao mesmo tempo mencionem os advogados acima citados. Estão lá quase todos os do regime actual. O resto está metido nos demais negócios similares.

Como é possível a um povo martirizado por estes patifes, dar a volta a isto?

Por outro lado esta questão traz à luz um assunto que já aflorado noutros sítios e mesmo aqui: será justo julgar José Sócrates, exclusivamente por estas patifarias, como criminoso de delito comum?
Se o for e vier a ser condenado, compreende-se que o mesmo cite um humorista brasileiro dos anos setenta da tv: "cadê os outros"?

Esta questão da Elos é mesmo um dos pontos nevrálgicos do regime podre que tivemos e se Sócrates recebeu luvar por isto e por outras coisas foi porque esta caterva de indivíduos assim quiseram e facilitaram. Tinha José Sócrates o poder exclusivo ou determinante para que este e outros projectos fossem aprovados com o perfil indicado? Duvido. Participou nisto, sem dúvida alguma. Mas...terá sido o seu mentor? Nem por sombras, pelo que a "operação Marquês" se arrisca a caminhar por veredas muito perigosas ao não dar conta deste fenómeno.

E então surge a questão fundamental: quem foi ou quem foram os autores dos crimes económico-financeiros e de responsabilidade política que todos estes casos denotam?

Não está apurado, ainda,  e o jornalismo nacional não se esforça muito por isso, porque escolher o alvo Sócrates como único bode expiatório é mais fácil. Mas não o mais justo.

Há juristas metidos nisto  e é preciso dizer os nomes. Há banqueiros metidos nisto e é preciso enunciar os apelidos. Há outros políticos e para-políticos comparsas e cúmplices desta gigantesca patifaria e não são os mais evidentes.

Portugal precisa de uma barrela, como o Brasil e não vejo que a possa fazer.

segunda-feira, agosto 07, 2017

A inauguração da ponte que teve o nome de Salazar

Fez ontem 51 anos que foi inaugurada a ponte Salazar, actualmente denominada 25 de Abril, por obra e graça de quem lhe substituiu o nome. Instantaneamente, da noite para o dia, a ponte deixou de ser fassista e passou a democrática.

O antigo Secretário de Estado de Salazar, Joaquim Silva Pinto, entretanto adornado ao PS e à Maçonaria, escreveu um livrito, recentemente ( De Marcelo  a Marcelo)  em que dá conta do modo como a construção foi aprovada, em 1960.  Silva Pinto traça no livrito um retrato de homenagem ao então director do LNEC, engº Manuel Rocha, prestigiado como poucos, mesmo junto de Salazar.

Seria interessante saber - e o autor nem fala disso- se a construção da ponte trouxe à ilharga os fenómenos correntes de corrupção, de luvas, de "trabalhos a mais", de desvios e desmandos orçamentais vários, como agora acontece frequentemente nas obras públicas de grande dimensão, em Portugal. Uma coisa é certa: foi acabada antes do prazo e elogiada no estrangeiro como uma obra de engenharia notável. Portugal tinha então um prestígio que nunca mais veio a ter, mesmo com a "descolonização exemplar".

E ainda falta dizer outra coisa: a alma mater da concepção de engenharia, o LNEC, era dirigido na altura por Manuel Rocha, um engenheiro que era da oposição a Salazar, mas que este, sabendo de tal facto nem por isso afastou do cargo, por ser competente e sério, como dantes se dizia e agora é palavra gasta que precisa de vários reforços para ter o mesmo significado.
Silva Pinto até conta que por via disso ( da oposição do engenheiro ao regime) a Censura chegou a cortar alguns textos que publicou e Salazar terá feito algo para contrariar essa censura.



O Diário de Notícias da época, do dia 6 e 7 de Agosto de 1966 dava este destaque ao assunto:


Como se pode ler, o assunto esteve em discussão no Conselho de Ministros da época, durante 15 horas.


Os dois bancos intervenientes...um deles era o "Banco do Povo"...


Cerca de nove anos depois disto, o BNU voltava a ser o "Banco do Povo"...assim:


Ironias do destino...ao qual não escapou esta, traduzida numa simples moeda que mostra o nome original da ponte. Será esta moeda fassista?



sábado, agosto 05, 2017

Um livro esquecido: grupos económicos portugueses, em 1973

Artigo de Filipe Pinhal, antigo banqueiro, sobre o Portugal de 1973. Vou ver se encontro o livro recomendado.


Américo Amorim por A.Horta Osório

Este obituário em modo de homenagem, no Expresso de hoje,  vale a pena ler porque acrescenta valor ao que sabíamos sobre o valor de Américo Amorim como empresário português, com os valores antigos.


No artigo menciona-se o caso do Banco de Fomento a cuja privatização concorreu A. Amorim, em meados dos anos noventa. No artigo refere-se que A. Amorim foi afastado dessa privatização na "secretaria", graças a lobbies então poderosos a nada mais se esclarece.

No entanto, a internet ( e os arquivos se preciso forem) ajuram a esclarecer melhor o que se passou.
Aqui escreve-se assim, sobre o caso, em depoimento do antigo governante do PSD, Miguel Cadilhe:

Em meados dos anos 90, na privatização dos bancos Fomento e Borges, disse-lhe que era bem-vindo e ele concorreu, foram três os candidatos, mas o júri do concurso público, num acto que me pareceu muito mal, não abriu a sua proposta nem a de outro concorrente, abriu somente a de um.

O Esquerda.net, sobre isto diz isto:

 De regresso à banca, funda com Horácio Roque o Banco Nacional de Crédito (BNC). Amorim acabava de ser preterido por Guterres na privatização do Banco de Fomento Exterior. Um desaire que ainda consegue anular formalmente em tribunal, demasiado tarde, quando o BFE já estava absorvido pelo BPI. O Expresso conta (2.2.2013) que Amorim “telefonou indignado ao primeiro-ministro. Guterres confortou-o, prometendo que seria compensado numa futura operação. A Galp estava mesmo condenada a ficar para Amorim”.

E adianta pormenores curiosos a propósito do BCP e do BPN em que Amorim participou e que são referidos por Horta Osório quanto à desilusão de Amorim, com o bcp:

Amorim é um dos fundadores do BCP, em 1985. Quando Jardim Gonçalves reforça o seu poder com a blindagem dos estatutos e limita o direito de voto a 10%, Américo Amorim, com 20% das ações, vende a sua quota ao Banco Central Hispano. Com esses 300 milhões de euros, funda a Real Seguros e o Banco Português de Negócios. Mas quando outro ex-Secretário de Estado de Cavaco, Oliveira e Costa, se liga ao BPN, em 1997, Amorim já está vendedor dos seus 25%.

Conclusão do obituário da Esquerda.net, sempre, sempre contra a burguesia:

 Amorim é o homem mais rico de Portugal - uma fortuna de mais de 3000 milhões de euros, segundo a revista Exame - mas a sua não é nenhuma das “grandes famílias” do Estado Novo. A raiz da sua fortuna - a Corticeira - conviveu com a ditadura ao longo de décadas mas se deu o salto foi porque soube adaptar-se às circunstâncias políticas do pós-25 de Abril. Entre imobiliário e banca privada, telecomunicações, turismo e energia, Amorim soube realizar enormes mais-valias nas permanentes mudanças de sector e de posição em cada sector, sem nunca perder o pé da actividade multinacional na cortiça. Projectou-se nas oportunidades abertas pela mão do Estado, no ciclo privatizador da integração europeia e, mais recentemente, no centro do “triângulo dourado” Angola-Brasil-Portugal, aliado às famílias do poder angolano e moçambicano.

Sobre o tal negócio com o Fomento em que Amorim foi afastado na secretaria em prol de um BPI...no tempo de Guterres quem seriam os tais "lobbies" poderosos que afinal acabaram no pântano? Seria interessante conhecer tais personagens...

Na altura da decisão que o STA tomou, de anular o concurso viciado, em 14.5.2001, o Público escrevia assim, citando o actual presidente da República, então komentador da TVI:

As consequências desta decisão, que constitui a primeira anulação num caso de privatizações, serão muito mais políticas. Nas revelações que fez, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa fala em "incompetência brutal" e "relação patológica anormal com os grupos económicos". "É uma decisão em que se chega à conclusão de que, sem que se diga que há favoritismo, e eu penso que não houve, houve incompetência do Governo". Logo depois acrescenta que "o Governo se esqueceu de cumprir uma das regras básicas num processo como este, que é ouvir os interessados antes da selecção", esclarecendo logo de seguida que "nem sequer foi o Governo, foi a comissão que seleccionou e depois o Governo, na medida em que decidiu com base nisso". Nas revelações que fez a propósito deste caso, o ex-líder do PSD fez questão de lembrar que o secretário de Estado que "acompanhou de perto" este processo é hoje o presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Teixeira dos Santos. Aproveitou ainda para referir que este caso também mostra um pouco a lentidão da justiça, já que, quando a decisão é tomada, o banco já não existe.

Com que então, monsieur Teixeira dos Santos, um dos coveiros das finanças do país, com José Sócrates e com currículo vindo de longe. Teixeira dos Santos e...Artur Santos Silva, então executivo do BPI? E quem mais?

Partido Comunista Português: o embuste permanente

O falecido Mário Soares disse um dia que o comunismo era um embuste. Do século, ou coisa parecida.

O PCP sempre foi o mesmo partido desde os tempos da clandestinidade até agora. A linguagem dos seus lideres e propagandistas nunca mudou e conseguiu transformar e impor no léxico corrente as suas designações próprias acerca do que foi o antigo regime. "Fascismo", "reaccionários", "imperialistas" ( agora neo-liberais), "burgueses", foram expressões que pegaram de estaca na sociedade mediática portuguesa que sempre protegeu estes salafrários da política  e que em todos os países do mundo, sem excepção, onde tiveram o poder criaram miséria, desgraça social e privilégios para uns tantos do partido e da classe dirigente que nem por sombras a "burguesia" alguma vez alcançou.
E como conseguem tudo isto? Apenas com a linguagem, o que é notável. A linguagem é a principal arma do comunismo porque é como as palavras que se mente e em política a retórica é a arma principal de todos os demagogos e salafrários.

Hoje no  Público,  o articulista João Miguel Tavares que foi contaminado por este ambiente deletério que herdou culturalmente,  insurge-se contra o que considera a hipocrisia comunista. Está enganado. O PCP não engana ninguém que não queira ser enganado. Só engana aqueles que preferem o engano ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito, ou seja, a paixão pela igualdade assolapada e alimentada pela inveja. A inveja é o principal combustível do comunismo. A inveja da "burguesia", a inveja do poder da religião, a inveja do outro que se julga superior ou é mesmo, a inveja do que detém meios de produção e capital, etc etc. Tudo, mas mesmo tudo vai desembocar nesse fenómeno psicológico que alimenta o comunismo em todo o lado. O último exemplo é a Venezuela.

Será o professor Bonaventura, o aluado que se subsidia principescamente no Estado para propagandear ideias comunistas, um invejoso? É perscutar o que diz, o que faz e quem realmente é o professor Boaventura do CES de Coimbra, desde os tempos áureos da cooperativa de Barcouço.

Enfim, o artigo de JMT, no Público de hoje:


Não há dois sistemas no PCP. Há apenas um com linguagem adequada aos destinatários. Se for a burguesia a destinatária é preciso edulcorar o discurso para não assustar o poviléu. O PCP não descobriu a receita porque vem do tempo de Lenine, o grande doutrinador embalsamado em Moscovo e fossilizado para a posteridade ver in loco quem era o bicho santificado pelo comunismo.

Para perceber o discurso real do PCP basta ler o que publicam para consumo interno dos fiéis e crentes no fóssil, como seja O Militante, órgão periódico que tem dezenas e dezenas de anos, tantas como as de duração deste partido que se recusa a desaparecer, em Portugal e que apesar da fraca representação eleitoral é tido como um dos esteios da democracia que temos, influenciando através dos seus sindicatos exclusivos diversos sectores da sociedade portuguesa. mormente no funcionalismo público.

Número de Julho/Agosto de 2017:


A linguagem, os propósitos declarados, os mitos, as evocações, etc, não enganam ninguém nem o PCP tem "dois sistemas". Tem apenas um e o de sempre: tentar impor a ideologia fóssil no poder político do país, graduando os termos conforme as fases do "prec" no momento. Ensinamento de Lenine.

No mesmo número de O Militante aparece esta obscenidade, transcrita por uma jovem economista ( da economia burguesa ou a dos kolkhozes e sovkhozes?):



O modo como é apresentada a educação das crianças após os ensinamentos da Revolução de Outubro, além de ser profundamente reaccionária nos seus próprios termos é um exemplo da lavagem ao cérebre sofrida por estas vítimas de violência política que nem se apercebem de o serem. Verdadeira vítima, esta Ana Oliveira.

Sobre este assunto da educação e do feminismo transcrevem-se algumas páginas de um livro de um autor americano que na primeira metade dos anos setenta do século passado, visitou a União Soviética e procurou perceber o regime e o povo. Os Russos, de Hedrick Smith, foi um livro publicado pela Europa-América do maçónico Lyon de Castro, em 1978. Só  não leu quem não quis. Só não soube que não se interessou...




Na RTP2 anda a passar uma série sobre o que ocorreu na RDA aquando da queda do muro, particularmente o papel dúplice da STASI, a polícia política que fazia passar a PIDE por instituição benemérita de meninos de coro.

Só não vê quem não quiser e só não entende que se recusar a tal. Quem acredita que a "burguesia" é o Mal absoluto ou que os pobres merecem ser incondicionalmente ricos tem aí com que se entreter e pensar. Mas não pensam porque as religiões laicas são mesmo assim.


Enquanto em Portugal não houve coragem para designar o PCP como um partido fascista, realmente fascista, usando a sua própria linguagem e proibindo-o legalmente de acordo com a Constituição que eles mesmos aprovaram, pouco mais haverá a dizer.

Não é que defenda a sua expressa proibição, em princípio, mas de acordo com a Constituição é isso que deve ser feito e portanto, deverá alterar-se essa mesma Constituição para que não se faça. Que isto fique claro...

Os ceo´s do SNS

CM de hoje, sobre salários dos médicos do SNS:


A questão não é o "salário de Barroso" pois a lista publicada e que foi surripiada de lugar sigiloso ( os médicos não gostam que se saiba quanto ganham efectivamente...) é que constitui o verdadeiro escândalo.

Há muitos médicos do serviço público que ganham salários de ceo. Julgam que por terem o ofício específico de tratar doentes devem ser privilegiados relativamente aos demais cidadãos que sendo funcionários públicos têm funções diversas.

De resto, a maioria dos médicos em funções nos hospitais públicos não ganham nada disto que aparece na lista. Estes privilegiados, sim e resta saber exactamente porquê. O tal Barroso diz que é por estar em serviço permanente ( "24 horas, 365 dias por ano"). Lembro-me que na altura em que este Barroso andava a comentar futebóis na tv, se calhar estava a ganhar a dois carrinhos e em exclusividade permanente, o que leva a crer que a todo o momento o indivíduo poderia ter de abandonar a cadeira de komentador, onde passava largas horas, para acorrer a emergências.

Por outro lado a explicação ainda vai um pouco mais longe: o salário médio  ronda os 7 mil euros, sendo a base 5 mil euros. Ganham tanto, em média, como o presidente da República neste país e acham isso perfeitamente banal. Afinal, são médicos...nesta terra de parolos que ainda não percebeu que um médico é um profissional de medicina como outro qualquer, com uma função específica que sendo inestimável não o deveria distinguir no salário. Os bombeiros também são; os enfermeiros, idem e por aí fora. Isto não é demagogia porque é apenas resposta a demagogos.

Como é que conseguem ganhar tanto assim, duplicando depois o tal "salário médio"? Com os "incentivos". Exactamente, "incentivos"...e tal fenómeno não se restringe a esta classe de cirurgiões hepáticos.

Se tivessem vergonha não precisavam de tantos incentivos.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso