quarta-feira, outubro 13, 2021

A ditadura, a censura e o politicamente correcto como marketing

 O Tal&Qual de hoje tem esta página acerca de um coleccionador de discos, particularmente dos Beatles, o estimável Abel Rosa. 


O artigo anuncia uma nova edição deste livro editado no final do ano passado: 


Os Beatles em Portugal foram censurados no tempo do Estado Novo de Salazar e também no Estado Social de Caetano. Porquê e como? 

Explica o autor, primeiro em relação ao filme A Hard day´s night, de meados dos sessenta e que sofreu vários cortes em certos diálogos e foi classificado para maiores de 17 anos. Nisso consistiu a censura:






Também em 1970, o mesmo se passou com o filme Let it Be, aprovado para maiores de 12 anos, sem cortes...embora com considerações sobre moralismos:



Enfim, uma censura venatória, de caça a expressões ou exposições gráficas consideradas como atentatórias da moral pública e bons costumes, mas não só, porque também cingida a provocações de índole política, num tempo de revolucionários comunistas encapotados em extremismos variados. 

O livrinho tem interesse documental e tem boa apresentação, mas carece de outro contexto de época. 

Na mesmíssima altura, antes dela e depois dela, na terra de onde provinha o produto acabado dos Beatles, havia igualmente...censura. E se calhar da boa porque não incomodava por aí além quem do lado de cá bramia ou assobiava nas salas contra os cortes...o que aliás era frequente. 

Em 1967, uma canção aparentemente inócua dos Beatles,  A day in the life, foi censurada pela prestigiada BBC, onde penavam alguns portugueses como o comunista António Cartaxo, num exílio prateado.

A censura neste caso tinha a ver com...bons costumes. 



E se formos a ver na Wikipedia o rol das canções proibidas pela estação britância, considerada por cá como um modelo de fazer rádio, então é o escândalo, segundo os critérios acima enunciados. Fica aqui uma amostra das centenas e centenas de canções censuradas na estação. Muito mais do que por cá alguma vez sucedeu, no tempo em questão: 



E não se pense que o fenómeno se restringiu à púdica Albion, por influência dos tempos vitorianos. na França republicana de sempre, jacobina e revolucionária, berço dos filósofos do politicamente correcto, a censura era de preceito nos rádios, tal como se conta aqui:


Portanto para se escrever sobre censura em artefactos culturais talvez seja necessário contextualizar um pouco mais, alargando o leque de países onde tal se praticava e continua a praticar, agora sob outro prisma e com outras tácticas, ainda mais perversas, ou seja, outro marketing. Assim


Is it only rock n roll? No...

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