quarta-feira, outubro 13, 2021

O MIPAD discrimina em função da raça

Observador:

 


O que é o MIPAD? É uma organização destinada a promover pessoas descendentes de africanos e com elas todo o continente e obviamente a raça negra em "diáspora". Está lá escrito, com fotos dos seus heróis e pessoas destacadas no mundo, com tal característica particular: serem descendentes de africanos.


Interrogo-me o que seria se existisse uma organização similar destinada a promover os europeus de raça branca em diáspora pelo mundo fora...sendo certo que já houve em tempos um país e um führer que teve como desiderato agregar numa região, na Europa, uma raça escolhida, ariana, pura segundo critérios dúbios do tempo de um Lombroso, o antropólogo italiano, darwinista. 

Acho isto incrível e assustador a passividade de quem se encrespa contra o racismo, sempre que tal efeito atinge pessoas de cor diferente da branca europeia mas não se incomoda com a discriminação positiva que seja, tendo como base o único critério da raça e local de proveniência dos distinguidos. 
A notícia das "distinções" deste ano está na internet, sem qualquer reserva e apresentada como uma espécie de passagem de modelos dos descendentes de africanos reconhecidos como valores na "diáspora". A palavra é deles, do MIPAD, lamentável mas assim mesmo. 

A CRP anotada por Vital Moreira e Canotilho, sobre isto diz o seguinte: 





Este direito altamente secante esconde a aldrabice de sempre: mascarar em conceitos difusos a ideia básica de proibir a descriminação racial, mesmo positiva, admitindo-a paradoxalmente em circunstâncias favoráveis. 

Em 1974 a revista brasileira Manchete trazia uma reportagem curiosa que julgo ser improvável nestes tempos que correm e que afinal assume o mesmo efeito discriminatório e racial, positivo, relativamente a outro povo particular que partilham com os cristãos a Bíblia do Antigo Testamento: 







Nesse tempo de 1974 o paralelo assinalado não incomodava nenhuma concepção politicamente correcta porque nem existia. E assim é que estaria bem. 
 Actualmente, porém, entender como perfeitamente normal que se distingam pessoas descendentes de africanos, só por isso e porque se salientaram neste ou naquele campo de actividade humana, parece-me completamente extravagante pois significa ter dois pesos e duas medidas relativamente a estas questões. 
Uma hipocrisia, dupla ainda por cima, uma vez que a distinção de pessoas descendentes de africanos, no mundo que não é africano, apenas por isso,  significa o reconhecimento de uma menoridade cultural e de um atraso em desenvolvimento que merece outro olhar que não o rácico, afinal condescendente e paternalista. 
Quem é que é racista, afinal? 

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