sábado, dezembro 16, 2023

Música de 1973: forever and ever!

 Recordar a música popular de há 50 anos tem as suas particularidades na memória do que restou para lembrar.

Este ano, já por duas vezes tentei incursões nessas memórias auxiliadas por recortes da época e dei conta do que se poderia ouvir no rádio e em discos singulares, vindo de Portugal, França ou Brasil e de outras paragens.

O rádio era importante porque alguns programas, poucos e particularmente em FM, permitiam ouvir discos estrangeiros da música popular anglo-saxónica que aliás eram os mais procurados por uma juventude à espera de novidades e pouco sintonizada no gosto maioritário das musiquinhas demasiado populares, do fado ou da canção ligeira. 

Num artigo da revista semanal R&T de 5.1.1974 indicavam-se alguns desses programas, mais significativos, como Página um ( 19:30-221:00) no Rádio Renascença) ou  Limite, faltando mencionar outros como Dois Pontos ( desde Junho de 1973, no FM estéreo do Rádio Comercial)  ou o Espaço 3P, à noite no FM do Rádio Comercial, com programas como Boa noite em FM).


Era nesses programas que se ouviam tais novidades e algumas delas faziam a transposição para o gosto mais comum da programação diário de alguns programas, particularmente na hora de almoço. 

Em 1973, Demis Roussos era rei nas ondas hertzianas dos programas mais populares, com o disco de sucesso Forever and Ever que tinha pelo menos quatro êxitos notórios ( o tema-título; My Friend the wind; Goodbye my love goodbye e Velvet Mornings). Foi provavelmente o artista que mais passou no rádio dessa época e por causa desse disco e singles associados. 

Na música brasileira, tal como já referido, havia dois ou três estrondos musicais, a par de um sucesso do género de Demis Rousos: O Homem de Nazaré, de Antonio Quadros. Para além disso ouviu-se um par de temas, com o tal estrondo sonoro, no final desse ano, de um grupo desconhecido chamado Secos & Molhados, com um português, João Ricardo,  a liderar. 

Do Brasil, esse ano de 1973 foi considerado musicalmente inovador e por cá chegava alguma música, mas desse género mais típico da produção local, nem por isso. Não havia Luiz Melodia ou Edson Trindade ou mesmo Benito de Paula e Dominguinhos e Anastácia que produziram músicas que os brasileiros apreciaram muito nesse ano. Para escutar tais músicos e músicas foi preciso aguardar mais uns anos até aparecer no final dos anos setenta, o programa no Rádio Comercial, ao Domingo,  Os Cantores do Rádio de José Nuno Martins que os divulgou. 

Havia Maria Betânia que no ano anterior cantara Esse cara, num disco em estúdio chamado Drama e em 1973 repetiu em versão ao vivo, no disco Drama 3º ato e havia o fantástico Índia, de Gal Costa, um tema que pouca gente gente desconhece porque é efectivamente um clássico.

A revistinha Mundo da Canção, editada no Porto e muito chegada à oposição comunista, dedicada a publicar letras das música mais interessantes do que não era ouvido frequentemente no rádio, dava conta do que então se vendia, pelas editoras, no final de 1973:



Olhando as listas, pouco escapava do que se poderia ouvir lá fora e alguns programas de rádio passavam, para quem não comprava discos. 

Alguns discos ficaram no ouvido desde então e outros foram ficando ao longo das décadas, tornando-se clássicos da música popular. No ano de 1973 são às dezenas os discos que merecem ser mencionados e aqui anotam-se os que ficaram no ouvido na época e depois dela, até hoje. 

O disco de Roberta Flack, Killing me softly with this song é um dos que ficou desde o início porque a canção-título é das que se apega ao ouvido para nunca mais de lá sair, como um vírus residente que emerge de vez em quando. E é seguida pela balada Jesse, com igual força musical. 

Na mesma música "soul", nesse ano Stevie Wonder publicou Innervisions, saído em Outubro que tem o tema Living for the city que se ouvia nos rádios em onda média, bem ritmado. O meu preferido, no entanto,  era o último tema,  He´s Misstra know-it-all com a introdução pianística sincopada com o baixo e de beleza melódica assinalável, na versão bem gravada da Motown. 


No Verão tinha surgido o disco a solo de Paul Simon, There Goes Rhymin Simon. Há três canções memoráveis: Kodachrome, Take me to the mardis gras e American Tune. E quando descobri que uma outra, Something so right, era ainda melhor, fiquei rendido a tal disco, provavelmente o melhor a solo, do artista. A capa é de Milton Glaser e a participação de Phil Ramone na gravação foi essencial, para obtenção de alta qualidade na definição sonora, na prensagem original da Columbia.

No final do Verão podiam ouvir-se os acordes de um tema do disco VI dos Chicago, Feeling Stronger Everyday que também passava muito na onda média da época. Começa logo num ritmo evolutivo de metais sonantes, para acelerar mais um pouco no final, de ritmo frenético. 

O lançamento do disco foi acompanhada por um poster que aliás reproduzia a foto do grupo, na capa interior  em que os músicos aparecem vestidos com calças à boca de sino e "parkas" com bolsos chapados, como ainda não se vira por cá, como moda.  O poster foi publicado pelo jornal Musicalíssimo nº 54 de 9 de Novembro de 1973. Guardei-o para forrar a porta do quarto, do lado de dentro, durante uns tempos.



Outro disco com muito sucesso na época, junto da "malta jovem" e agora completamente esquecido foi o Grand Hotel dos Procol Harum. O disco é recheado de bons temas, para além do que lhe empresta o título e é uma pena que esteja esquecido. Foi um dos discos desse meu tempo de juventude. Começa na simplicidade do tema introduzido com algumas notas de piano e embrenha-se logo na majestade da orquestração e coros. Vinha acompanhado de um libreto ilustrado, em papel couché,  com esquissos a lápis que acompanhavam as letras e na altura copiei o tema principal de um disco que me emprestaram. Em plena aula. Talvez de Moral...



No final do ano apareceu nos escaparates um outro disco de um artista que até então coleccionava sucessos e até tinha estado em Portugal no festival de Vilar de Mouros de 1971. Elton John publicou Goodbye Yellow Brick Road, disco duplo, com uma capa memorável, ilustrada em tons suaves e em trompe l´oeil de execução sofrível, mas eficácia visual impressionante. Contém alguns temas de êxito, como Saturday night´s allright fot fighting e outros Roy Rogers e a Candle in the wind.


Musicalmente um pouco mais evoluídos, com tendência prog, os Genesis publicaram Selling England by the Pound, incensado pelos tenores da locução radiofónica dos programas de qualidade ( Espaço 3P, João David Nunes e afins Jorge Lopes), continha a sua pièce de résistence, no tema The Cinema Show, na sequência de discos anteriores musicalmente mais elaborados. Mas também tinha um "hit" para a onda média e que passava aliás frequentemente, no rádio da altura: I know what i like ( in your wardrobe). E os notáveis da locução anunciavam que no tema  More Fool me, quem cantava não era o principal, Peter Gabriel, mas o baterista, Phil Collins, o que fazia pela primeira vez nos discos dos Genesis.  
O tema Firth of Fifth anuncia o estilo do disco seguinte, The Lamb lies down on Broadway. Estes, como os restantes discos dos Genesis, até 1976, são daqueles que se escutam do princípio ao fim, sem interrupções porque o encanto perdura o tempo todo de duração. 


No topo do snobismo musical, no entanto, havia outro grupo que levava a palma aos Genesis. Os Traffic eram um grupo de happy few que os apreciavam de molde a mostrarem a capa dos discos aos passantes nas praças das cidades. Era um sinal distintivo de qualidade no gosto, para quem conhecia...
Em 1973 publicaram On the road, ao vivo e que passava frequentemente nos programas de rádio FM, particularmente os temas mais longos...como a faixa inteira de Sometimes i feel so uninspired, com mais de dez minutos de duração...mas de beleza transcendente pelo menos com tal duração. 
Obviamente que estas músicas estão a anos luz do single do Homem de Nazaré, de António Marcos ou ainda mais longe do que Forever and ever de Demis Roussos...e que era o que a maioria dos rádios passava e a maior parte das pessoas queria ouvir.


Mais prosaicos mas não menos inspirados, os Rolling Stones de 1973 publicaram Goat´s head soup, a seguir ao duplo Exile on main street do ano anterior, uma espécie de magnum opus, apesar de mal gravado, num estúdio móvel e nunca mais melhorado desde então, mesmo com as técnicas modernas.
Goat´s head soup é um disco melhor gravado e foi precedido do single estrondo, Angie que muitos ouviram sem perceberem de quem se tratava porque sai do estereótipo do rock e rhythm n´ blues da banda. Curiosamente é dos discos dos Stones que musicalmente mais me agradam, pela qualidade da gravação. 


No mesmo ano foi publicada uma colectânea do grupo que reunia os clássicos, numa gravação com qualidade notável e que ajudou a conhecer temas antigos dos Stones dos anos sessenta. More hot rocks, com temas como Sitting on a fence que só conheci quando ouvi tal colectânea já nos anos dois mil. Ou We love you que só conhecia na versão punk dos Cock Sparrer. Em 1977...e que aliás aprecio mais. 


Os Beatles não ficaram atrás e nesse ano publicaram duas colectâneas, em álbuns duplos, reunindo temas dos anos do início até 1966 e os posteriores, em discos vermelho e azul:


Quem não conhecia os velhos temas de sucesso do grupo poderia ter ficado a conhecer nessa altura, como foi o meu caso. 
Yesterday? Lá estava! And i love her? Também. You´ve got to hide your love away, idem, tal como Michelle ou In my life e Eleanor Rigby, todos no vermelho; e Penny Lane, Lucy in the Sky with diamonds, A day in the life, all you need is love, Lady Madonna, Revolution, Don´t let me down ou Come together,  do azul. 

Para findar o elenco faltam alguns álbuns de referência e o maior deles é o de Frank Zappa e os Mothers of Invention em 1973 com Overnite Sensation, verdadeiramente sensacional e de todos os discos mencionados o que mais tenho ouvido repetidamente ao longo dos anos. 
O disco, a que se seguiu Apostrophe e depois One size fits all é dos que mais aprecio na obra de Zappa, nessa trilogia de música rock tradicional. 
É um disco que tenho coleccionado em vários formatos disponíveis ao longo dos anos, para acabar sempre com a versão original na prensagem americana da casa Santa Maria. A mais recente reedição, em versão dupla a 45 rpm, em comemoração dos 50 anos,  não fica atrás e ainda ando a tentar descobrir qual a melhor, se esta ou a original.
Seja como for, cinco estrelas para um disco com 50 anos!





Impressionante! Em 1974 na revista Cinéfilo, José Nuno Martins fez-lhe uma recensão crítica, com alusões eventualmente inspiradas em leituras alheias, do estrangeiro...e com uma capa que é a versão britânica do disco:


É um disco que se ouve do início ao fim sem uma ponta de desgaste temporal. É sempre uma nova audição com o mesmo prazer de sempre e a descoberta de sonoridades parece ocorrer a cada instante, tal a variedade e riqueza musical. 

Outro disco de referência, neste caso da música reggae e que na época passou totalmente despercebido do público em geral é o de Bob Marley, Catch a Fire, na sua primeira gravação para a Island Records. É um disco raro porque esta edição teve apenas 20 mil exemplares, com uma capa que se apresenta assim, em forma de isqueiro Zippo. O reggae só dali a um ano ou dois se tornou mais conhecido na música popular:



Por último, um disco de John Cale, Paris 1919, que apreciei desde o primeiro momento em que o ouvi, algures num programa de rádio que poderia ter sido o Dois Pontos de meados dos setenta. 

É um disco diferente e com melodias fantásticas que me encantaram então e agora. 



Há dezenas de outros discos igualmente interessantes que poderia enunciar e mostrar, publicados ao longo do ano de 1973. Estes são seguramente os mais significativos, então como agora. 
Porém, para apresentar listas, nada melhor que a internet...e há gostos para tudo. Os meus são estes. 

E porque quod abundat non nocet, para registo fica a lista compilada dos discos estrangeiros, escolhidos pela relevância que tiveram para mim nessa altura e posteriormente, do ano de 1973, falhando alguns que não foram recenseados nas fontes que usei ( jornais e revistas da época que tenho guardados) e cujas datas reflectem a publicação de tais recensões mais que a verdadeira data de saída dos discos.

JANEIRO 1973:

Lou Reed-  Transformer, só ouvido nos anos oitenta e de facto um grande disco da música popular, na versão original, com prensagem a condizer, neste caso Best Buy em flexy disc.
Duane Allman- An Anthology, um disco post-mortem ( Allman morreu num acidente de moto em 1971, com 24 anos) e que ouvi nos anos setenta e só arranjei o ano passado, na versão original. É uma compilação fabulosa de intervenções de guitarra do artista, memoráveis e em vários temas de outros tantos artistas, como Eric Clapton em Layla
Neil Young- Journey Through the past.A banda sonora do filme com o mesmo nome, contém alguns temas da época de um Neil Young que ainda se escutava como no início da carreira. 
Frank Zappa- The Grand Wazoo. Um disco do período mais jazzístico do compositor da música popular que me agrada mais ouvir. Não ouvi na época e só descobri décadas depois, com os demais hot rats e burnt weeny sandwitch

FEVEREIRO 1973:

Can- Ege Banyasi. disco-farol do então chamado ( pelos locutores do rádio) rock alemão, pricipalmente instrumental, por vezes ritmicamente repetitivo e agradável de ouvir ( poucas vezes). Só o descobri décadas mais tarde. 
Beach Boys- Holland. Depois dos êxitos dos anos sessenta, este disco é outra coisa, sem Brian Wilson, mas dos que mais me agradava ouvir em 1973, por causa da California Saga que nunca me saiu dos ouvidos estas décadas todas. 
Rolling Stones- More Hot Rocks. Ficou referido no postal que é dos discos que me permitiu ouvir gravações mais antigas dos Stones, em data mais recente, dos dois mil.
Gentle Giant- Octopus. Um disco que era passado muitas vezes nos programas de elite radiofónica, nas longas noites em FM. É um disco de culto e começa com umas risadas e o som de uma moedinha a rodar numa mesa de madeira, acabando o primeiro lado com Knots, pièce de résistence. Ouvido vezes sem conta, é um dos ícones maiores da música prog, tal como os três discos anteriores e os quatro que se lhe seguiram, até 1976.

MARÇO 1973:

Matching Mole- Little red record. Um exemplo do som vindo de Cantuária e que tinha como pivot Robert Wyatt, saído de Soft Machine. Outro ícone do prog e que neste segundo lp, ouvido mais tardiamente que o primeiro, aliás musicalmente mais apetecível, mostra a minha referência e preferência musical de então. 
Elton John- Don´t Shoot me i´m only the piano player. Um disco pop, incontornável na época porque muito ouvido no Crocodile Rock ou em Daniel, a balada de sucesso. A seguir , no fim do ano, viria Goodbye yellow brick road, outro êxito esmagador nas tabelas de vendas.
Maxime Le Forestier- ( Mon Frère). É um disco que considero excepcional, tanto nas composições, como no canto ou instrumentação, acústica na maior parte dos casos e com uma guitarra que apetece imitar...
Traffic- Shoot out at the fantasy factory. Outro grupo do progressivo, muito passado nos programas que o cultivavam. O tema Evening Blue, cantado por Stevie Winwood, ainda hoje é dos que prefiro, tal como  final Sometines i feel so uninspired, repetido na versão ao vivo em On the Road, mais para o final do ano.
Mahavisnhu Orchestra- Birds of Fire. De audição recente é um disco que mistura o jazz com o prog e o clássico mais rock, considerado uma obra-prima de John McLaughlin, o guitarrista-prodígio.
Litte Feat- Dixie Chicken. Um disco que não se ouviu por cá quando saiu. Sucessor de Sailin Shoes, a obra-prima do grupo e que também não se ouvira quando saiu nos EUA. Só nos oitenta foi possível ouvir com as reedições do catálogo WEA, via importação da Alemanha, após a entrada na CEE.

ABRIL 1973:

Roy Harper- Lifemask. Um disco fantástico de Roy Harper que aprendi a ouvir, nos programas de Jaime Fernandes, Dois Pontos, na segunda metade dos setentas. Os discos mais importantes que me foram dados a ouvir e levaram a coleccionar, primeiro em cd, nos anos oitenta e depois nas versões originais, foram os que o artista publicou entre 1971 e 1977. Cinco discos imprescindíveis, para mim  dos melhores da música popular.
Rick Wakeman- Six Wives of Henry VIII. Confesso não ter dado importância a este disco porque só reparei na música de Rick Wakeman, a solo, em 1975, com o disco The Myths and Legens of King Arthur, muito passado no programa Página Um, de Luís Filipe ( Paixão) Martins que ouvia religiosamente, nessa altura. Contudo actualmente posso reconhecer que aquele será um disco superior a este, mas não muito.
Blue Oyster Cult- Tyranny and Mutation. Este é uma descoberta recente, embora sempre me intrigassem desde meados dos anos setenta, quando publicaram Don´t Fear the reaper, em 1976. Depois de ouvir esses discos anteriores tornei-me fã, incondicional, do grupo, há algum tempo atrás e procurei ouvir tudo, com o atraso de décadas. Por cá também nunca foram divulgados no rádio. 
Alice Cooper- Billion Dollar Babies. De perfil musical semelhante ao grupo anterior, Alice Cooper teve um sucesso americano com os discos que mimavam a tendência "glam" da época. O disco vale pela capa original, artificiosamente elaborada e uma ou outra canção, nem sequer muito memorável. O disco anterior, School´s out, era ainda mais idiossincrático nesse aspecto. 
Procol Harum- Grand Hotel. Já mencionado no postal foi certamente um dos discos de referência desse ano para a juventude da época. 
Pink Floyd- Dark side of the moon. Pouco mais há a dizer deste êxito esmagador do grupo, com um dos discos mais vendidos de sempre, à roda de 40 milhões de exemplares. Toda a gente conhece, mas julgo que poucos ouviram do princípio ao fim, muitas vezes. E vale a pena. 

MAIO 1973:

Roxy Music- For Your Pleasure. É o segundo disco do grupo, ainda com Brian Eno que sairia logo a seguir para aventuras sonoras a solo e que me agradavam muito. Mais que estes Roxy que só passei a apreciar num disco seguinte, Country Life, de finais de 1974, muito por culpa do Página Um que insistia todos os dias em passar tal disco, durante o ano de 1975.
Nitty Gritty Dirt Band- Will the circle be unbroken. Este foi um disco divulgado por Jaime Fernandes no programa Dois Pontos e no Country Music, música da América, em meados dos anos setenta. Triplo, contém uma colectânea de intervenções, gravadas para o efeito, de alguns dos maiores artistas da música desse género, com centro em Nashville, no Grand Ole Opry. Como música country tradicional não me suscita grande interesse musical mas tem alguns temas de Doc Watson que também aprendi a gostar através de Jaime Fernandes e de quem coleccionei depois os discos originais. Tal como o grupo NGDB de quem tenho igualmente os lp´s dessa época dos setentas e que aprecio muitíssimo.
Led Zeppelin- Houses of the Holy.Comecei por conhecer este disco através do single Over the hills anda far away. O resto só anos mais tarde apreciei com uma boa aparelhagem sonora, única maneira de tirar partido da sonoridade dos Led Zeppelin. O disco seguinte, Physical Grafitti, em 1975,  foi o da descoberta.
King Crimson- Lark´s tongue in aspic. Um disco de um grupo que fui descobrindo ao longo dos anos, depois da surpresa de Red, em 1974, com o tema Starless que adorava ouvir e é um dos exemplos mais acabados do prog inglês. O primeiro disco do grupo, In the Court of the Crimson King é outro monumento musical que aliás só conheci mais tarde, tal como este. 
Byrds- um disco epónimo de reunião de um grupo que praticamente acabou no final dos anos sessenta, com o disco Untitled de 1970. Como os programas de rádio passavam por vezes temas antigos, como Mr. Tambourine man, de Bob Dylan e que os Byrds divulgaram com grande sucesso, quando este disco apareceu, o ritmo gingado de Full Circle cativou-me do mesmo modo que me tinha cativado o California Saga dos Beach Boys. Para mim, são dois temas musicais que me transportam imediatamente para esse tempo. 
Soft Machine- Six. É um disco de jazz-rock e que ouvi pela primeira vez no início dos anos oitenta, acompanhado por outro de Beck, Bogart and Appice. Soft Machine era um grupo mítico, que tinha no início Robert Wyatt e Kevin Ayers, os verdadeiros heróis musicais da minha adolescência. Não devo ter ouvido mais de meia dúzia de vezes este disco, mas tem uma capa original curiosa e alguns temas instrumentais que aprecio.

JUNHO 1973:

David Bowie- Alladin sane.  Durante muitos anos David Bowie não me interessou ouvir, à parte o tema do Major Tom, em Space Oditty. Nos anos setenta, com o disco Low, dei mais atenção, porque era acompanhado musicalmente por Brian Eno que estimava ouvir.  
Nos anos oitenta, o som especialmente gravado de Scary Monsters e Let´s Dance, conquistou-me mas não o suficiente para ouvir os discos antigos. Só recentemente ao ouvir edições originais, como a desde disco, descobri que vale a pena ouvir tudo. 
John Cale- Paris 1919. Conheci a música de John Cale, ao ler em 1974 a Rock & Folk. Ou seja, depois deste disco sair. Mas ouvi-o num daqueles programas de rádio e fiquei sempre com tal pulga no ouvido, continuando com o Fear e o Slow Dazzle e principalmente o disco June 1, 1974 tirado de um espectáculo ao vivo, no Rainbow de Londres, com Brian Eno e Kevin Ayers, os artistas que então mais apreciava. Anos depois arranjei o disco, incluindo um bilhete para tal concerto, como bónus do vendedor do ebay.
Faces- Oh la la! Dos Faces desta fase com Rod Stewart só conhecia algumas, poucas canções. Recentemente, ouvindo as gravações originais desses discos voltei a interessar-me pela música do grupo e por causa da qualidade de tais gravações, tipicamente rock.
 
JULHO 1973:

Ange- Le cimetière des Arlequins. Durante muitos anos nem conhecia a música dos Ange, o grupo progressivo francês muito mostrado na Rock & Folk. Quando tive oportunidade de ouvir a música original nos lp´s originais, fiquei impressionado, particularmente com este que é o  segundo do grupo, a seguir a Caricatures.
Kevin Ayers- Bananamour. De Kevin Ayers, desaparecido há dez anos, todos os discos são bons e este não é excepção, sendo o quarto que editou desde 1969, sendo os dois primeiros de antologia. Kevin Ayers foi sempre um dos músicos que mais apreciei na música popular, desde 1974. 

SETEMBRO 1973: 

Jethro Tull- A Passion Play. Deste disco que se ouve sem distinção de faixas, foi extraído um single, Edit #8 que reeditou o sucesso de discos anteriores. É o que vale. 
 Bob Dylan- Pat Garrett & Billy the Kid. Um dos poucos discos de Bob Dylan que não tenho e julgo nunca ter ouvido integralmente. Conheço a balada Knocking on Heaven´s door e vi a figura de Bob Dylan enquanto personagem do filme na capa da Rock & Folk, no mês de Setembro de 1973 sendo essa a primeira  vez que a capa de tal revista me impressionou. Um ano depois comecei a comprá-la tornando-se a referência de leitura sobre música popular, a par da Rolling Stone, Creem, New Musical Express e Melody Maker. Nos anos oitenta e seguintes,  Mojo, Uncut, Record Collector, Word e outras que já acabaram.

OUTUBRO 1973:

Allman Brothers- Brothers and Sisters. É o disco que tem originalmente Ramblin man e Jessica, ambas de Dickey Betts. Basta porque são duas boas canções. 
Grand Funk Railroad- We´re an american band. Não tenho este disco porque nunca vi a edição original para comprar. No entanto, a canção título era tema que passava com muita frequência no rádio da época, em AM e FM. 
Eric Clapton-Rainbow Concert . Foi neste disco que ouvi pela primeira vez Presence of the Lord, um tema original de Clapton para o disco de 1969 dos Blind Faith, cantado por Stevie Winwood que aliás também o canta neste Concert. O tema vale o disco e foi por isso que o comprei depois. 

NOVEMBRO 1973:

Van Morrison- Hard nose the highway. Ouvi tantas vezes este disco no rádio, tal como um outro ao vivo do mesmo artista, que julguei sempre ser um clássico. Warm Love ou Autumn song confirmam tal impressão. 
Neil Young- Time fades away. Um disco ao vivo que se segue a Harvest e precede a trilogia da depressão de meados dos setenta, de On the Beach e Tonight´s the night. O tema L.A. vale o disco inteiro, ouvido na versão original em vinil. 
Cat Stevens- Foreigner. Depois de se ouvir os dois discos precedentes- Tea for the Tillerman e Teaser and the firecat- na versão original da Island,  pouco há mais para ouvir de Cat Stevens, a não ser uma canção de 1975, Two Fine People. Foreigner é uma longa suite ininterrupta no lado um com uma melodia memorável quase no final. O resto ouve-se, particularmente a bateria de Bernard Purdie.
Steve Miller- The Joker. O título tema abre o segundo lado do disco com uma toada acústica sublinhada por um baixo bem puxado e logo a seguir um assobio a guitarra eléctrica deslizante que condiciona o tema no solo que lhe aplica ao longo da canção. Memorável, em rádio.  

DEZEMBRO 1973:

Lou Reed- Berlin. Tal como sucedeu com Bowie, durante anos não liguei à música de Lou Reed, apesar de ouvir no rádio, repetidamente o Rock n Roll animal e a balada eléctrica de Sweet Jane, prolongada na versão ao vivo desse disco. Aí pelos anos oitenta, ao ouvir Caroline says, no início deste disco, que me pareceu uma versão da antiga cançoneta Sunday Morning, dos Velvet Underground,  deixei-me levar. E comprei o disco, em versão alemã.  
Can- Future Days. Um disco do rock alemão mais conceituado e neste caso um sucesso. Repetitivo mas audível. 
Brian Ferry- These Foolish Things. Um álbum de "covers", uma das quais, These foolish things, precisamente e ainda A hard rain is gonna fall de Bob Dylan,  ouvi no Página Um e fiquei rendido ao encantos da música de Brian Ferry. 
New Riders of Purple Sage- Panama Red. Uma música semelhante à dos Grateful Dead do tempo do country rock de American Beauty e o disco conquistou-me apesar de o ter ouvido apenas nos anos oitenta. 

E foram estes os discos que ficaram na memória de há 50 anos, alguns deles com memórias mais recentes mas reportadas a tal época. 
Ainda há mais, porventura interessante e a merecer atenção. Por exemplo um de Charlie Rich, com o título Behind Close Doors que gosto de ouvir, tal com o dos Carpenters, Singles 1969-1973, lançado no final de 1973 e que contém êxitos como Top of the World
A escolha é pessoal tal como o gozo de escrever sobre isso, aqui. 

No livro de Miguel Esteves Cardoso, Escrítica pop, de1981, nas listas compiladas da década, em 1973 aparecem discos que aqui não se mencionam, como os de Judee Sills ou Judy Collins; The Band ( Moondog Matinée); Tim Buckley ( Sefronia)Leo Kottke ( Greenhouse); Loudon Wainright III ou Leonard Cohen ( Live Songs) e ainda os Stooges com Raw Power, Fripp/Eno ( No pussifooting) ; Kraftwerk ( Ralf and Florian) e Walter Carlos ( A Clockwork Orange). E também Gram Parsons e o disco GP. 
Tirando este último de Gram Parsons, o de Leo Kottke mais o de Fripp/Eno e a banda sonora de A Clockwork Orange, que tenho em versões originais, os demais não me interessam particularmente.
Seja como for,  a lista de MEC é valorada com estrelas, com um ou outro apontamento sobre alguns discos. Por exemplo sobre a banda sonora de A Clockwork Orange considera uma obra de sintetizador, "ora épico, ora frívolo, mais uma ode à electrónica do que qualquer outra coisa".
Pergunto-me que outra coisa poderia ser...e porque é que escreveu que os Eagles eram "medíocres", realçando a excelência da obra de Gram Parsons, com dois discos, um deles póstumo, em comparação. Será que ouviu tudo?! Os Eagles medíocres?!

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