sexta-feira, fevereiro 24, 2023

Os padres são assim.

 Ou deviam ser, tal como eu os conheço e admiro por isso. Neste caso é um padre de Lisboa que é monsenhor, não sei de onde é natural mas exprime o que sei que são os padres, essencialmente: pessoas bem formadas moralmente e com um conhecimento da natureza humana muito superior a outras pessoas. 

A formação moral acompanha a religiosa e neste caso é exemplar do que julgo ser o paradigma do sacerdote católico. 

Aqui fica a entrevista no jornal Sol de hoje, para que se veja o que é e deve ser um padre, segundo o que entendo.








È bom professar a fé católica quando sabemos que os padres são assim. E todos receberam uma formação moral idêntica, sendo certo que para mim a maioria dos padres, é assim. Podem não o exprimir tão claramente ou com a eloquência desejável, mas sente-se que são assim. 
Pelo país fora há muitos padres assim, a maioria, a meu ver. São eles quem sustenta a estrutura institucional da Igreja Católica. 

O jornalismo do Crime

 O Observador de hoje tem esta, de um jornalista jovem, certamente formado naquelas escolas que já conhecemos...

Só o tema já é motivo de perplexidade porque não se compreende como alguém, num órgão de comunicação social, perde tempo com isto que é digno do que o antigo jornal O Crime explorava para sobreviver num tempo em que os jornais se vendiam nas ruas e quiosques. 


Não há ninguém na redacção do Observador que diga ao jornalista que isto é uma imbecilidade digna do tal Crime? E que o facebook não deve ser fonte de notícias para submeter a fact-checking deste género porque toda a gente pode escrever o que lhe apetecer e o sítio deixar?

É por causa do nome "Salazar"? Pior ainda porque qualquer sítio em que se procure tem tudo o que é preciso saber para que alguém escreva qualquer coisa, menos o essencial que é perceber o seu tempo. 

quinta-feira, fevereiro 23, 2023

Jornalismo: a técnica de engolir Sapos

 No SAPO24, com assinatura de uma jornalista- Alexandra Nunes, jovem licenciada pela certa, em Comunicação Social ou similar-  continua-se uma cruzada contra os "sectores conservadores da Igreja" que questionam alguns métodos e conclusões do Relatório da Comissão Independente que investigou os abusos sexuais de menores nas instituições da Igreja Católica.

  No sítio escreve-se "abusos sexuais contra as crianças na Igreja Católica", o que é equívoco e devia ser mudado tal título, sob pena de o relatório ser muito, muito incompleto e parcial. Igreja Católica o que é, afinal? Diz na wikipedia que é a maior igreja cristã e que em Portugal tem mais de 7 milhões de fiéis. Foram todos investigados, mesmo potencialmente? Aprendi em jovem que Igreja, neste sentido somos todos os que a ela pertencem. 

Mais não fora, poderia ter pedido opinião a quem deve saber um pouco mais e assim definiu:

Igreja é a tradução de uma palavra grega – ekklesia – que significa assembleia convocada. A Igreja, portanto, é a assembleia dos povos de todo o mundo, convocada por Deus, como tinha sido convocado o primeiro Israel.
(...)
A Igreja, como povo de Deus é um organismo, constituído por homens e vivificado por um princípio vital, como acontece com os demais seres vivos que conhecemos, princípio que é o Espírito divino. Por isso, também se diz que a Igreja é o corpo místico de Cristo, de que Ele é a cabeço e nós os seus membros.

O tom e o som deste jornalismo é o mesmo, sempre redigido em modo manhoso e de forma a imputar em modo implícito a ilegitimidade de qualquer crítica ao aludido relatório que estes jornalistas tomam como a suprema expressão de uma verdade indiscutível, negando-se a si mesmos o papel primordial de um jornalista: procurar a verdade dos factos, percebendo o assunto em causa e escrevendo em modo isento, deixando as conclusões para o leitor. 

Para tal é essencial ouvir pessoas que possam ter opiniões diversas e racionalizar as questões que se podem colocar. 

Tal como referido por Daniel Sampaio, o método de investigação foi este, essencialmente:

"A divulgação pública de relatos das vítimas foi muito bem ponderada pela Comissão Independente (CI)", começa por dizer o psiquiatra Daniel Sampaio ao SAPO24. "Desde o início do nosso trabalho, e de acordo com o nosso lema Dar voz ao silêncio, pretendemos ouvir as vítimas de abuso sexual na Igreja Católica portuguesa. Para isso construímos um questionário online e uma linha telefónica, disponíveis para quem quisesse testemunhar o seu abuso. Assim se obtiveram centenas de testemunhos no inquérito, para além da escuta das vítimas que o quiseram fazer presencialmente, mas a quem nunca foi pedida a identificação", explica.

Neste caso concreto não há qualquer trabalho nesse sentido, de perceber a especial delicadeza da análise da verdade dos depoimentos, e nem se questiona sequer o método. 

Desde logo a partir dos títulos dos artigos, passando pelo conteúdo manhoso que procura sempre verter uma opinião de sentido único, a ideia é que foi um método perfeito e adequado aos resultados obtidos, sem mais. E a opinião que pode não coincidir com a do jornalista é obliterada, amarfanhada na confusão de argumentos e manipulada contra quem a emite, tendo subjacente uma censura objectiva e uma hostilidade latente a quem pensa de modo diverso. O contrário do jornalismo e uma ofensa à deontologia e ética profissionais que passa impune porque quem manda cala, consente e promove. Caso contrário, deixaria de mandar. 


Este caso traz à colação inevitavelmente o da Casa Pia em que os métodos jornalísticos foram outros, as manipulações foram demasiado evidentes, as obliterações e notícias de outro teor e o jornalismo mostrou para que serve: servir o dono, acima de tudo, mesmo que seja apenas ideológico. 

No processo Casa Pia o depoimento das testemunhas, "alegadas vítimas", como então se escrevia,  foi imediata e permanentemente desvalorizado, sempre questionado e destacaram-se neste processo de algum modo kafkiano, alguns órgãos de informação, como o nefando 24H do famigerado Pedro Tadeu, comunista reciclado na manipulação mediática e ideológica. 

Praticamente até à condenação dos acusados, alegadamente em número e espécie muito abaixo do real entrevisto nas declarações das "alegadas vítimas", por força das regras processuais penais, todo o esforço dos imputados e putativos suspeitos, assentou numa estratégia de sentido único: desvalorizar e desacreditar as testemunhas "alegadas vítimas". 
Tal foi notório numa declaração famosa aqui citada em 12.6.2018, a propósito dos casos de abuso sexual de menores:

Uma coisa é certa: há inúmeros casos, actualmente, de condenações por abuso sexual de menores cuja prova assenta exclusivamente no depoimento das vítimas  e na credibilidade que merecem pela ausência de obstáculos relevantes a tal credibilidade, incluindo por isso perícia psicológica que também a possa atestar.
Não por acaso, o antigo presidente da AR e sombra do regime, Almeida Santos dizia na altura que " as crianças podem mentir". Pois podem...e deu muito jeito  supor tal facto, não aceitando o contrário que é o de as crianças poderem mesmo estar a dizer a verdade.


No caso concreto dos abusos sexuais de menores nas instituições da Igreja Católica não se colocou sequer a dúvida sobre os depoimentos das vítimas, nem se qualificaram estas como "alegadas", nem sequer houve tergiversação da parte de quem investigou, mormente o psiquiatra Danial Sampaio que diga-se em abono da verdade, acredita sempre nos depoimentos de tais vítimas, principalmente os iniciais, como disse aqui, em Fevereiro de 2013:

"Existem sempre contradições em situações complexas. Eu acredito totalmente nos primeiros testemunhos. E não esquecerei que houve muitas crianças abusadas em local da responsabilidade do Estado e onde deveriam estar em segurança.".

Ora quem esteve sempre em cargos de especial melindre em que estas situações podem ocorrer, tem o dever de agir, até de denunciar, ao contrários dos clérigos da Igreja Católica em muitas dessas situações 
Por exemplo, o presidente da CI ( Coordenador, pronto, que agora é só coordenadores...), Pedro Strecht, médico, prestou serviço durante muitos anos em instituições nas quais de certeza se falou nestes casos, até porque os mesmos não eram mistério desconhecido para tais pessoas. 
Pedro Strecht, sendo presidente da CI tem obrigação de saber isto, tanto mais que não se coibiu de apontar o dedo aos clérigos que ocultaram, alguns durante anos, os abusos ocorridos, não os denunciando.

Então talvez seja altura de questionar o próprio Pedro Strecht se de facto, durante os anos em que esteve em instituições ligadas a criancas, nunca ouviu falar nestes problemas e se alguma vez denunciou algum caso de que tivesse conhecimento e já agora porquê.
Segundo se lê, esteve desde os anos noventa, como médito, no Centro de Estudos Dr. João dos Santos - "Casa da Praia" e da Cooperativa "A Torre". Também aí se escreve que o Pedopsiquiatra nascido em 1966, Pedro Strecht é médico especializado de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e tem como preocupações primordiais a criança e suas perturbações.

Então deve ter lido isto ou até sabido disto e muito mais que foi notícia nos anos oitenta: 


A questão não é despicienda de todo uma vez que na altura do processo Casa Pia, alguns meios de (des)informação acerca do caso , mormente um famigerado Repórter X, questionaram abertamente o profissionalismo do pedopsiquiatra que, diga-se em abono da verdade, numa tergiversou nesse caso concreto e por isso foi alvo da atenção daqueloutros, deste modo:


Em relação a Pedro Strecht a questão tem a ver simplesmente com o seguinte: como compagina um eventual comportamento seu, no sentido indicado, com a crítica aos bispos da Igreja Católica, actualmente? 
É simples de responder e talvez ajude a perceber o essencial: quem questiona os métodos da CI tem toda a legitimidade para o fazer porque a verdade não é apenas o que interessa em determinado momento proclamar, mas sim toda a verdade que se pode perceber, com o seu contexto e explicação cabal. 





terça-feira, fevereiro 21, 2023

O jacobinismo estúpido de um jornalista-João Miguel Tavares

 No Público de hoje, o jornalista João Miguel Tavares insurge-se contra o P.e Portocarrero por causa de um artigo de opinião do mesmo, no Observador. E escreve assim, vituperando-o por não ter assumido com uma corda ao pescoço os pecados de alguns membros da Igreja Católica nos casos de abusos sexuais de menores. Tudo o que seja menos que isso não vale para o jornalista que veste assim a pele de jacobino aggiornato pela bempensância do politicamente correcto que perpassa em programas de tv, humorísticos e não só. 

O único discurso válido sobre o relatório da CI que investigou os pecados de clérigos e não só, para além do mais, através de formulários e depoimentos apócrifos, é a condenação sem apelo nem agravo da Igreja Católica in totum. A Igreja Católica é culpada dos abusos sexuais de menores que alguns dos seus membros cometeram ao longo dos anos, ponto final. Logo, parágrafo para se concluir que deve assumir tal culpa, sem tergiversar, sem questionar métodos de investigação e sem qualquer relativização. Um processo kafkiano e digno de stasis. 

O Relatório tornou-se um documento sagrado, indiscutível e erigido à categoria de dogma de investigação sumária, porque outra coisa não deixou de ser. Sem qualquer contraditório e sem qualquer verificação de fact-checking mínimo ou razoável. 

Seguindo tal método, os indiciados no processo Casa Pia eram obviamente culpados, incluindo Paulo Pedroso e outros. E sem apelo ou qualquer agravo. 

Nunca vi o jornalista defender tal coisa. Eppure...para a Igreja Católica serve. O jacobinismo serve para tudo e sempre serviu desde os tempos remotos de Affonso Costa que este ingénuo que se faz de tal agora segue. 


O artigo de Portocarrero no Observador, aliás muito sensato e razoável, na minha opinião, é este:











A ideia básica deste neo-jacobinismo é simples de enunciar: os abusos são hediondos e indiscutíveis e a Igreja contemporizou com alguns factos agora conhecidos porque a hierarquia os conhecia e não denunciava às "autoridades civis", ao tempo em que tal tinha outra configuração social.
 Logo toda a Igreja ( que aliás são todos os fiéis, influindo os clérigos)  é culpada de tais factos hediondos porque os não denunciou in illo tempore e permitiu que se replicassem. Portanto está condenada definitivamente, devendo ser castigada no pelourinho mediático até que a voz lhes doa e os fiéis percebam tais pecados. 
Tudo o que saia desta inquisição é considerado pecado digno de fogueira mediática.

ADITAMENTO:

No Observador, perante a crítica ao Relatório da CI, designadamente a efectuada pelo Pe Portocarrero, já surgiram as reacções dos indignados do costume, neste caso pela tecla de um jornalista- João Francisto Gomes- que lhes dá eco, titula do modo que se pode ler e invoca "conservadores", "reaccionários" e outras categorias de negacionistas que apenas tentam fazer o que qualquer jornalista deveria fazer: questionar factos, números e motivações. 
Ao jornalista em causa nem sequer lhe passa pelo bestunto que isso é a essência do jornalismo e não atacar por escrito quem ousa pôr em dúvida as "verdades" assumidas como tal por quem nem sequer as questionou...

É este o jornalismo que agora se ensina e pratica: uma mistela de opinião com manhosice redactorial para levar água a moinhos de águas chocas. 
O que merecem estes jornalistas? Consideração e respeito por quem ainda os poderá ler?!





domingo, fevereiro 19, 2023

A TV não é para ensinar...

 Quem o dizia era António Victorino de Almeida, numa entrevista à revista R&T de 18 de Agosto de 1973, a propósito do modo de fazer programas de televisão e transmitir mensagens mediáticas. E acrescentava que a tv "servia para estabelecer uma comunicação de pessoa para pessoas, de opinião para opiniões e de sensibilidade para sensibilidades".

António Victorino de Almeida há 50 anos era uma estrela de televisão, em Portugal. E merecidamente, porque tinha começado no ano anterior uma série de programas que se estenderam pelos anos vindouros, sobre a música em geral e a erudita em particular. 








O primeiro programa chamava-se Histórias da Música e estreara-se em 1972 e foi um sucesso, tanto mais que António Victorino de Almeida era figura que já era conhecida desde o Festival de Vilar de Mouros de 1971. 
O programa de tv era uma pedrada no charco da tv que então havia no capítulo da divulgação cultural, neste caso musical. 
Tinha um modo diferente de realização, de produção e era muito apelativo no estilo. Tudo o que o programa "Mythos" de que agora se fala, a meu ver não tem. 

Em Junho de 1973 tinha acabado de comprar esta revista no quiosque habitual, uma loja de esquina: 


Vi nessa altura o maestro e compositor na rua e interpelei-o para lhe dizer que gostava dos seus programas de televisão, pedindo-lhe um autógrafo ao que o mesmo solicitamente acedeu. E está aqui a prova, numa contracapa da revista e é um dos poucos autógrafos que alguma vez pedi na vida ( o outro é de António Pinho da Banda do Casaco) :




António Victorino de Almeida explicou em tempos ( 2010, na sua autobiografia) como realizou tais programas, cerca de 70 ao longo dos anos e com nomes distintos ( Histórias da Música, Tema e Variações, A Música e o Silêncio). 
Essencialmente estava em Viena há alguns anos, tendo uma bolsa da Gulbenkian e chegou a Adido Cultural, na Embaixada e um posto à medida, uma vez que era amigo do embaixador e fazia já divulgação cultural. A RTP veio a seguir. Deste modo:





António Victorino de Almeida foi verdadeiramente um precursor dos programas de tv culturalmente evoluídos e com sucesso de audiências como agora se fiz. 

Ainda hoje se poderia aprender com os seus programas como fazer tais coisas, sem se tornarem aborrecidas para quem vê...

ADITAMENTO:

Há 50 anos, no final de 1973 o programa mereceu as maiores referências elogiosas, da crítica de tv em Portugal, praticamente assegurada por pessoas da esquerda, incluindo comunista, como se pode ler na revista R&T de 5.1.1974:





O fenómeno é tanto mais interessante quanto a circunstância de o lugar de Adido Cultural na embaixada de Portugal em Viena ter sido criado para o destinatário, por alguém muito bem relacionado com os sectores da oposição ao regime em Portugal, incluindo o aludido embaixador, Guilherme Castilho, tido pelo autor como "um homem com ideias políticas muito próximas do socialismo" e por isso destacado para Viena, "uma espécie de gaiola dourada para os diplomatas portugueses que decididamente não fossem da confiança do governo de então". 
No Governo de então estava Rui Patrício, ministro,  primo do autor e pessoa que o próprio assegurava  ser sua característica, desde pequeno, "nunca fazer batota".
Assim, por aqui se pode ver como eram as coisas políticas no tempo que passado cerca de um ano passou a ser designado como "fascismo", incluindo pelo autor...

SEGUNDO ADITAMENTO:

A propósito do conhecimento de pessoas do regime e oposição, antes de 25 de Abril de 1974, torna-se curioso mostrar aqui a crítica a um programa de televisão, no início dos anos setenta, feito por um antigo ministro de Salazar e com uma crítica de um comunista, no DL de 2.1.1972:



A oliveira de plástico e o real da AI

 Dois artigos deliciosos no CM de hoje. Um sobre o ChatGPT:


E o outro sobre um programa inenarrável ( vi um bocado no Domingo passado e pensei que era uma reposição dos anos setenta...ahahaha):


Fui ver quem é este professor catedrático da FLUL e  fiquei esclarecido no essencial: é um mestre, no sentido antigo da expressão, em filosofia e teologia, conhecedor dos gregos e da sua filosofia. Simpatiquíssimo pela certa, sabedor ainda mais. Eppure...o princípio de Peter assenta-lhe que nem luva. 

Aceitou figurar num programa de tv, com uma oliveira de plástico a servir de cenário, porventura evocando as oliveiras reais com as cigarras a chasquear no Verão que se encontram no caminho de subida à Acrópole. 

O resto é como se lê na crónica: inenarrável. Só visto. 

sexta-feira, fevereiro 17, 2023

Da discussão nascem luzes

 A discussão problemática encetada no postal anterior suscitou pelo menos uma vantagem, para mim: a descoberta de uma antiga recordação arquivada numa revista antiga e uma incursão num tema que não domino de todo, a filosofia, a propósito da alegoria da caverna de Platão e em colação, Nietzsche.

Devo dizer que estes temas e postais se destinam a recreio individual, em primeiro lugar; depois, se tal se proporcionar, a proveito alheio se assim for. 

Este blog não tem nenhuma intenção particular para além disso e por isso escrevo para me divertir, o que é irónico quando surge o efeito contrário. Espero ter ficada resolvida a questão pessoal no postal anterior e a nova que agora se coloca não é para afrontar seja quem for mas para dar conta de uma iluminação que aliás agradeço a quem a proporcionou, ou seja a discussão.

A circunstância de ter colocado no postal anterior uma citação de um livro- A história da Filosofia de Will Durant, edição da Cultura Editora, de 2021 com tradução de Francisco Silva Pereira, do original de 1926 reeditado em 1961- teve a ver com a filosofia em geral, começando com a dos gregos que segundo o autor já teriam estudado, filosofando e dissecando, tudo. 

Este:


O livro tem uma estrutura que começa assim:


Quando escrevi o nome Durant uma luzinha começou a alumiar na minha memória até se tornar visível que tinha por aqui uma revista Seleções do Reader´s Digest, a edição brasileira, de Outubro de 1969, uma das primeiras que comprei e que trazia algo sobre Will Durant, cujo perfil na wikipedia é interessante, a meu ver, para dar o contexto do livro em causa. E era assim a revistinha que reporta quase à minha adolescência mais remota ( e por isso é que coloco aqui estas coisas, com este ensejo de reportar o tempo que passou, para mim):


As figuras no perfil da wiki fizeram-me lembrar disto:



Apesar de o artigo se referir a uma obra de divulgação de História, aliás muito celebrada mediaticamente, contém passagens cujo interesse actual ainda se torna relevante:





 

Will Durant foi um divulgador que assentou muito na perspectiva de um certo povo escolhido mas vale a pena ler o que escreveu nestas páginas que a revista Seleções "condensava" e me davam gosto ler porque era um modo de ler livros em poucas páginas, descobrindo coisas novas, como agora. Sempre em modo diletante e passando de uns assuntos para outros. 
Tem interesse ler a passagem sobre o diálogo entre um general e um filósofo a propósito de acontecimentos antigos e de agora, aliás de sempre e muito actuais. 
Will Durant faz mais uma vez apelo aos filósofos, particularmente os gregos, porque foi também divulgador de filosofia, mormente da obra de Nietzsche. 
Encontrei no Youtube uma lição sobre o filósofo alemão em que durante mais de hora e meia fala do filósofo e repete as ideias já expressas no postal anterior: Nietzsche, além do mais, também chegou a ser adepto de um sistema aristocrático de governo ou poder ou influência, pelo que entendi. Ou seja, não acredita nas virtualidades de um sistema democrático porque tal exclui o aparecimento no mando de alguém com capacidades superiores ao vulgo. 
A partir da hora e meia do video é possível ouvir tal explicação. E em seguida há outro video sobre a vida de Nietzsche, menos emblemático do que a idiossincrasia de Will Durant e por isso menos polémico, mas não menos assertivo e com imagens do ambiente local onde o filósofo nasceu e viveu.
Foi o que valeu a discussão anterior: permitir que ficasse um pouco mais esclarecido sobre este filósofo...e que numa leitura apressada do livro Assim falou Zaratustra se encontra esta passagem em modo de alegoria...de alguém que desce de uma montanha e se põe a pregar. 


E um postal sobre carros fica assim adiado...


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso