Um dos episódios mais vergonhosos e estúpidos de todo o PREC que se instalou em Portugal praticamente desde as primeiras semanas a seguir ao 25 de Abril de 1974 foi uma coisa chamada "dinamização cultural", "uma campanha de propecção socio-cultural, alargada de norte a sul do país, que, no fundamental, consistia no facto de intelectuais e artistas procederem a espectáculo e outras práticas pedagógicas e formativas que resultariam num real enriquecimento das populações. junto das quais se buscavae se propunha um contacto directo e fraternal".
Isto dizia-se no boletim editado regularmente pela Fundação Calouste Gulbenkian, para as bibliotectas fixas e itinerantes. A Fundação adaptou-se completamente aos esquerdistas comunistas e o boletim reflectia essa visão ideológica de pendor colectivista.
Em 1975 as campanhas da tal dinamização andavam no terreno e eram assim explicadas:
Na foto da direita vê-se a "tropa" junto das "populações locais" em plena actividade. Pelo ar seráfico da circunstante pode ler-se o interesse profundo que essas campanhas despertavam e disso dá conta o pequeno (des)apontamento.
Tais campanhas tinham assim objectivos claros de propaganda da revolução e dos seus benefícios para as populações que as mesmas recusavam obstinadamente entender, por serem de extracção "reaccionária", avessas a mudanças e portanto refractárias à modernidade por influência da Igreja.
Uma das campanhas com mais impacto logístico foi a operação "nortada" protagoniada pelos "comandos" de Jaime Neves, no início de 1975 e portanto ainda longe do papel desempenhado por este comandante, no 25 de Novembro desse ano, em prol de uma das facções do MFA, a saber, o "grupo dos nove".
Nessa campanha, melhor explicada neste recorte da Vida Mundial de 16 de Janeiro de 1975 se pode ler todo o idealismo de um combatente de elite, pronto para ser despachado em missão de evangelização da revolução dos cravos...
A revista francesa Paris Match, de 1 de Março desse mesmo ano mostrava algumas imagens desse "corpo de elite" que fora para Trás-os-Montes na operação "Nortada", supondo-se que terão ido à lã dos preconceitos reaccioinários e vindo tosquiados de desilusão..
Não obstante estas tristes figuras para quem assumia tanto garbo militar, a verdade é que os comandos de Jaime Neves tiveram um papel determinante nos acontecimentos do "25 de Novembro", como se mostra por estas passagens do livro Abril nos Quartéis de Novembro, dos jornalistas esquerdistas Avelino Rodrigues, Cesário Borga e Mário Cardoso.
Ao ler estas "justificações" ficamos com a impressão de que o golpe do 25 de Novembro "começou sozinho" e que afinal os comandos de Jaime Neves pretendiam "ir mais longe" logo que se tornou clara a vitória das "forças moderadas" ( grupo dos nove). Não foi porque o dissuadiram ou não o deixaram, o que vai dar ao mesmo. Jaime Neves e os seus comandos integraram-se em pleno no processo revolucionário que se interrompera por momentos e quase os obrigaram a pedir desculpa pela interrupção porque o programa continuou...
Em suma: o 25 de Novembro em termos militares foi a mesma rábula que o 25 de Abril em que as semelhanças com a guerra do Solnado são tentadoras.
É costume dizer-se que a partir do 25 de Novembro a "direita" retomou o poder e acabou o prec. Este suicídio colectivo e em marcha acelerada terminou, de facto, mas apenas na instituição militar. O resto continuou bem vivo e actuante e dali a pouco começava outra aventura: a das FP25, com os resquícios dos doidos do prec, alguns deles ainda hoje no asilo ideológico em que se meteram.
Porém, nunca se terminou com o esquerdismo comunista, porque dali a meses tínhamos uma Constituição "à maneira" que deixava intocáveis as nacionalizações e deixou-se lavrar o fogo da linguagem esquerdista na pradaria dos usos e costumes, até hoje.
A sociedade portuguesa se não estava modificada até então, ficou-o nos anos a seguir. O grande vencedor do 25 de Novembro foi o esquerdismo moderado do PS e a social-democracia do PSD que conquistaram a alforria eleitoral que nos conduziria às duas bancarrotas em perspectiva.
E ainda há quem diga que as pessoas não mudam...e na verdade em relação a alguns capitães de Abril tal se verificará. Ainda andam por aí, feitos lémures de 1975 a catequizar jovens das escolas sobre os grandes benefícios do 25 de Abril de 74 que trouxe a luz ao Portugal apagado de então.
quarta-feira, março 18, 2015
terça-feira, março 17, 2015
Lerpou outra vez. Naipe fraco, novamente
Observador:
A defesa do ex-primeiro-ministro viu chumbado novo trunfo para conseguir libertar Sócrates. Apesar de não considerar o pressuposto de perigo de fuga, o Tribunal da Relação manteve a medida de coação.
Entretanto, o advogado Araújo, ontem, vendo a jornalista do CM, Tânia Laranjo, a reboque e de microfone na mão, a fazer perguntas, disse-lhe que devia "tomar banho mais vezes", porque "cheirava mal". Além disso, na mesma altura, proferiu outros mimos extensíveis aos demais jornalistas enquanto caminhava sob as arcadas da Praça do Comércio, referindo-se indistintamente à "gajada" e "canzoada", termos apanhados a vol d´oiseau, pelos microfones amplificados dos mesmos e que captaram conversa privada entre si e o colega que o acompanhava.
Coisa diversa e reveladora de um instinto que me abstenho de qualificar, por economia de adjectivo apropriado, foi o que disse depois em Évora, às portas do ep onde se encontra o seu cliente, recluso 44.
Em conferência de imprensa improvisada para a mesma "canzoada", referiu-se ao professor Costa Andrade, autor do parecer informal, escrito no Público, sobre a natureza da pretensão de habeas corpus baseada na (in)competência do STJ.
Disse então que o professor, enquanto fora deputado gostava muito de andar de avião e que " ainda um dia destes vamos falar das viagens de avião do professor Costa Andrade".
A natureza intrínseca desta alusão despropostitada e direccionada ad hominem é estranha. O professor Costa Andrade foi deputado nos anos da Constituinte e depois nos noventa, na legislatura em que governava Guterres e o PS. Portanto, os factos insinuados e que o foram com inequívoco sentido de o denegrir publicamente, ocorreram há vinte anos.
Vir agora com alusões deste tipo, revela o carácter de alguém que sendo advogado devia ater-se à defesa dos direitos e interesses do seu constituinte. Para já, tem sido uma defesa inconsequente e eventualmente prejudicial para esses interesses. Se entre estes se contam o ataque pessoal à honra de um professor de Direito Penal, um dos maiores que o país tem, é de temer o pior quanto a outros coelhos a sair daquela cartola, incluindo os que visam os magistrados.
A atitude é inédita e se o seu cliente a patrocina ficamos entendidos sobre o que se está a passar...
A defesa do ex-primeiro-ministro viu chumbado novo trunfo para conseguir libertar Sócrates. Apesar de não considerar o pressuposto de perigo de fuga, o Tribunal da Relação manteve a medida de coação.
Entretanto, o advogado Araújo, ontem, vendo a jornalista do CM, Tânia Laranjo, a reboque e de microfone na mão, a fazer perguntas, disse-lhe que devia "tomar banho mais vezes", porque "cheirava mal". Além disso, na mesma altura, proferiu outros mimos extensíveis aos demais jornalistas enquanto caminhava sob as arcadas da Praça do Comércio, referindo-se indistintamente à "gajada" e "canzoada", termos apanhados a vol d´oiseau, pelos microfones amplificados dos mesmos e que captaram conversa privada entre si e o colega que o acompanhava.
Coisa diversa e reveladora de um instinto que me abstenho de qualificar, por economia de adjectivo apropriado, foi o que disse depois em Évora, às portas do ep onde se encontra o seu cliente, recluso 44.
Em conferência de imprensa improvisada para a mesma "canzoada", referiu-se ao professor Costa Andrade, autor do parecer informal, escrito no Público, sobre a natureza da pretensão de habeas corpus baseada na (in)competência do STJ.
Disse então que o professor, enquanto fora deputado gostava muito de andar de avião e que " ainda um dia destes vamos falar das viagens de avião do professor Costa Andrade".
A natureza intrínseca desta alusão despropostitada e direccionada ad hominem é estranha. O professor Costa Andrade foi deputado nos anos da Constituinte e depois nos noventa, na legislatura em que governava Guterres e o PS. Portanto, os factos insinuados e que o foram com inequívoco sentido de o denegrir publicamente, ocorreram há vinte anos.
Vir agora com alusões deste tipo, revela o carácter de alguém que sendo advogado devia ater-se à defesa dos direitos e interesses do seu constituinte. Para já, tem sido uma defesa inconsequente e eventualmente prejudicial para esses interesses. Se entre estes se contam o ataque pessoal à honra de um professor de Direito Penal, um dos maiores que o país tem, é de temer o pior quanto a outros coelhos a sair daquela cartola, incluindo os que visam os magistrados.
A atitude é inédita e se o seu cliente a patrocina ficamos entendidos sobre o que se está a passar...
segunda-feira, março 16, 2015
Portugal e o mundo moderno de há 45 anos
Se no tempo de Salazar os costumes eram outros, como eram os costumes no tempo de Salazar e do Estado Novo tardio?
É sobre isso que vou tentar mostrar alguma coisa e do modo habitual: com recortes de jornais. Para mostrar o tempo que passou nada melhor que factos registados desse tempo e imagens que no-lo devolvam na memória, seja de quem o viveu seja o de quem o interpreta agora através dos sinais. Julgo que é uma boa forma de conhecer o tempo antigo que ainda perdura na memória de muitos, tentando perceber o que mudou, como e quando.
Não vejo outra forma de perceber o passado, sem ser através dos sinais que deixou e muitos mitos advêm da dificuldade em rememorá-lo ou em compreendê-lo através dos signos e testemunhos.
Em 1969 surgiu nos escaparates uma revista de cariz popular, dedicada a espectáculos e manifestações culturais populares. Quando surgiu em Dezembro de 1968 tinha o nome de Cine Disco e depois de alguns meses de publicação quinzenal assumiu o nome de Mundo Moderno, um achado fabuloso porque mesmo moderno.
Nessa altura de finais de 1969 as manifestações culturais que se produziam cá dentro do país e as que vinham de fora, passavam pelo crivo da censura que era não só política mas também de costumes ( como noutros países europes o era também) .
A produção cultural-musical em Portugal era incipiente e centrava-se em festivais da Canção com imenso auditório nacional, por causa da divulgação televisiva a preto e branco. Nesse ano de 1969 começaram a aparecer os baladeiros e apareceu na tv o zip-zip.
Porém, do estrangeiro vinha a música pop e rock e os êxitos de lá eram os de cá, com um intervalo de alguns meses, suficientes para se publicarem os discos por cá, passando-os no rádio.
Assim, foi em 1969 quanto a mim que se operou uma mudança significativa neste campo musical popular e a revista traduziu isso em páginas de interesse pelo assunto.
Este número do início desse ano é exemplar da mudança que se operava na sociedade portuguesa, a começar pela capa, sem qualquer referência à foto e ao assunto.
As letras das canções pop do momento não se encontravam em mais lado algum ( no caso de Revolution dos Beatles, nem sequer no disco "branco")
A revista tinha um concurso de "misses" que consistia na publicação de fotos de interessadas que concorriam... enviando deste género:
O fenómeno "hippie" aparecido e desaparecido na California em 1967, ainda era notícia por cá, em 1970, no número de 1 de Março desse ano...
Por outro lado, a música popular de qualidade tinha o seu espaço radiofónico no Em Órbita que nesse mesmo ano fez um "top".
Bob Dylan e o festival da ilha de Wight não foi esquecido no nº 37 da revista, de 1 de Junho de 1970.
A par disso publicavam-se alguns textos que dão uma imagem do Portugal de então que alguns ensaios não conseguiriam.
Vale a pena ler, sem grandes comentários porque acho que se apanha um retrato aproximadoo do que era a nossa Nação na primavera de 1970, há 45 anos. E como mudou...
É sobre isso que vou tentar mostrar alguma coisa e do modo habitual: com recortes de jornais. Para mostrar o tempo que passou nada melhor que factos registados desse tempo e imagens que no-lo devolvam na memória, seja de quem o viveu seja o de quem o interpreta agora através dos sinais. Julgo que é uma boa forma de conhecer o tempo antigo que ainda perdura na memória de muitos, tentando perceber o que mudou, como e quando.
Não vejo outra forma de perceber o passado, sem ser através dos sinais que deixou e muitos mitos advêm da dificuldade em rememorá-lo ou em compreendê-lo através dos signos e testemunhos.
Em 1969 surgiu nos escaparates uma revista de cariz popular, dedicada a espectáculos e manifestações culturais populares. Quando surgiu em Dezembro de 1968 tinha o nome de Cine Disco e depois de alguns meses de publicação quinzenal assumiu o nome de Mundo Moderno, um achado fabuloso porque mesmo moderno.
Nessa altura de finais de 1969 as manifestações culturais que se produziam cá dentro do país e as que vinham de fora, passavam pelo crivo da censura que era não só política mas também de costumes ( como noutros países europes o era também) .
A produção cultural-musical em Portugal era incipiente e centrava-se em festivais da Canção com imenso auditório nacional, por causa da divulgação televisiva a preto e branco. Nesse ano de 1969 começaram a aparecer os baladeiros e apareceu na tv o zip-zip.
Porém, do estrangeiro vinha a música pop e rock e os êxitos de lá eram os de cá, com um intervalo de alguns meses, suficientes para se publicarem os discos por cá, passando-os no rádio.
Assim, foi em 1969 quanto a mim que se operou uma mudança significativa neste campo musical popular e a revista traduziu isso em páginas de interesse pelo assunto.
Este número do início desse ano é exemplar da mudança que se operava na sociedade portuguesa, a começar pela capa, sem qualquer referência à foto e ao assunto.
As letras das canções pop do momento não se encontravam em mais lado algum ( no caso de Revolution dos Beatles, nem sequer no disco "branco")
A revista tinha um concurso de "misses" que consistia na publicação de fotos de interessadas que concorriam... enviando deste género:
O fenómeno "hippie" aparecido e desaparecido na California em 1967, ainda era notícia por cá, em 1970, no número de 1 de Março desse ano...
Por outro lado, a música popular de qualidade tinha o seu espaço radiofónico no Em Órbita que nesse mesmo ano fez um "top".
Bob Dylan e o festival da ilha de Wight não foi esquecido no nº 37 da revista, de 1 de Junho de 1970.
A par disso publicavam-se alguns textos que dão uma imagem do Portugal de então que alguns ensaios não conseguiriam.
Vale a pena ler, sem grandes comentários porque acho que se apanha um retrato aproximadoo do que era a nossa Nação na primavera de 1970, há 45 anos. E como mudou...
Lerpou. O naipe era fraco.
Observador:
Ao sexto pedido, a mesma decisão: o habeas corpus interposto pela defesa de José Sócrates foi recusado esta segunda-feira pela Supremo Tribunal de Justiça. O juiz relator Santos Cabral e o juiz adjunto Oliveira Mendes consideraram que “sem embargo da relevância das questões suscitadas e da sua importância processual”, estas não podem ser fundamento de um pedido de libertação imediata por prisão ilegal. Oliveira Mendes, por seu turno, acrescentou um esclarecimento. Segundo a lei, há dois pressupostos que devem verificar-se para a investigação ser instruída por um tribunal superior: o suspeito em causa ser primeiro-ministro e os crimes de que é indiciado terem sido praticados no exercício das funções. Sócrates já não era, nem é, primeiro-ministro.
Ao sexto pedido, a mesma decisão: o habeas corpus interposto pela defesa de José Sócrates foi recusado esta segunda-feira pela Supremo Tribunal de Justiça. O juiz relator Santos Cabral e o juiz adjunto Oliveira Mendes consideraram que “sem embargo da relevância das questões suscitadas e da sua importância processual”, estas não podem ser fundamento de um pedido de libertação imediata por prisão ilegal. Oliveira Mendes, por seu turno, acrescentou um esclarecimento. Segundo a lei, há dois pressupostos que devem verificar-se para a investigação ser instruída por um tribunal superior: o suspeito em causa ser primeiro-ministro e os crimes de que é indiciado terem sido praticados no exercício das funções. Sócrates já não era, nem é, primeiro-ministro.
O legado de Salazar foi malbaratado?
Em finais de Julho de 1970, o reino de Salazar já não era deste mundo. O seu legado, com o desaparecimento de cena política dois anos antes e a morte lenta que sofreu , foi analisado ao tempo pela revista Vida Mundial. Cito os recortes porque me reconheço na análise e me parece interessante como ponto de discussão.
Toda este tema, aliás, é apresentado como um modo de tentar perceber o que se passou nestes últimos 45 anos da nossa vida colectiva.
Não me parece que o legado do tempo de Salazar pudesse ser executado religiosamente pelos seus fiéis.
Desde logo porque esse legado era algo que o tempo mudara inexoravelmente e os executores testamentários sabiam disso porque tinham vivido o tempo em que a herança se constituíra, conhecendo os desígnios do de cujus.
Foi esse o principal drama de Marcello Caetano, do qual, no meu ponto de vista, se saiu garbosamente e com honra, tendo sido afogado com a praia à vista.
Em 30 de Julho de 1970, a revista consagrou todas as 64 páginas a esse legado e à sua história.
No intróito explicava assim, citando um discurso de Salazar, de 18 de Fevereiro de 1965 ( data daquela imagem que publiquei abaixo) em que se referia ao regime do Estado Novo e seu futuro:
No discurso, Salazar mencionava que a natureza do regime não estava em causa com a sua sucessão por "corresponder ele às características da índole portuguesa e aos anseios da maior parte da população".
Acho que era exactamente assim e Salazar tinha razão. Mas não por muito tempo porque foi a partir daí que a "índole portuguesa" começou a mudar e os "anseios da maior parte da população" se modificaram.
É este o ponto essencial da minha argumentação: foi essa índole e esses anseios que se modificaram com o tempo e isso pouco tem a ver com Salazar ou líder que lhe sucedeu, Marcello Caetano.
Este, em finais de Setembro de 1970 quando efectivamente sucedeu a Salazar na chefia do governo e com o regime ainda semelhante ao anterior, discursou e definiu o que iria fazer do legado de Salazar: continuar a executá-lo, mas adaptando-o a novas realidades, como Salazar faria se fosse vivo e com plenas capacidades.
Marcello Caetano é explícito: "o próprio dr. Salazar teve ensejo, durante o seu longo Governo, de muitas vezes mudar de rumo, reformar o que ensaiara antes, corrigir o que a experiência revelara errado, rejuvenescer o que as circunstâncias mostravam envelhecido."
O que poderia fazer Marcello Caetano do legado de Salazar? Manter os pressupostos de não discutir a pátria, a família ou Deus? À custa de um maior cerceamento das liberdades fudnamentais de expressão e reunião?
Mesmo que o quisesse, os tempos já não eram os mesmos. Mudaram e foi isso que alterou tudo. Não foi a mudança de líder.
Quanto à pedra de toque do regime, o da integralidade da Nação, colocava-se o tema da guerra no Ultramar.
No início, em 1961, Salazar fora claro: rapidamente e em força, para defender o que era nosso. Vinte anos antes, recusou entrar na II Guerra...
O que alterou essa política de força no Ultramar português? O mesmo que sucedeu com os EUA no Vietnam. Não foi o líder dos EUA que perdeu a guerra por desistência de "ãnimo". Foi o conjunto de circunstâncias que a tal conduziram. E o tempo tem muito a ver com isso. Há quem dê a volta ao tempo e o engane, mas não por muito tempo. O tempo ganha sempre.
Como signo do tempo volto a colocar aqui a imagem fantástica da pedra tumular de Salazar que é fascinante pela beleza estética da simplicidade.
E faço-o porque descobri o autor da mesma em pleno labor de execução. A semiótica destas imagens dão-me uma noção desse tempo que dificilmente se explica em textos, tal como a imagem de 1965 da minha aldeia não se entende sem se ter vivido.
Quem está a gravar o nome AOS seguido da data 1970 é um cantoneiro anónimo.
A figura de cantoneiro, no regime do Estado Novo, parece-me lendária e digna de história. Porém, no caso, afigura-se lapso a menção a cantoneiro que era o funcionário da JAE que lidava com a limpeza das bermas das estradas e aquedutos.
A figura de chapéu a que só falta o cigarro pendurado nos lábios é a de canteiro, o artista da cantaria, o mestre que antigamente sabia mais da pedra do que os arquitectos de hoje. É esse mestre que a figura mostra e agora já não há. Parece que há escultores...tipo Cutileiro e afins.
Toda este tema, aliás, é apresentado como um modo de tentar perceber o que se passou nestes últimos 45 anos da nossa vida colectiva.
Não me parece que o legado do tempo de Salazar pudesse ser executado religiosamente pelos seus fiéis.
Desde logo porque esse legado era algo que o tempo mudara inexoravelmente e os executores testamentários sabiam disso porque tinham vivido o tempo em que a herança se constituíra, conhecendo os desígnios do de cujus.
Foi esse o principal drama de Marcello Caetano, do qual, no meu ponto de vista, se saiu garbosamente e com honra, tendo sido afogado com a praia à vista.
Em 30 de Julho de 1970, a revista consagrou todas as 64 páginas a esse legado e à sua história.
No intróito explicava assim, citando um discurso de Salazar, de 18 de Fevereiro de 1965 ( data daquela imagem que publiquei abaixo) em que se referia ao regime do Estado Novo e seu futuro:
No discurso, Salazar mencionava que a natureza do regime não estava em causa com a sua sucessão por "corresponder ele às características da índole portuguesa e aos anseios da maior parte da população".
Acho que era exactamente assim e Salazar tinha razão. Mas não por muito tempo porque foi a partir daí que a "índole portuguesa" começou a mudar e os "anseios da maior parte da população" se modificaram.
É este o ponto essencial da minha argumentação: foi essa índole e esses anseios que se modificaram com o tempo e isso pouco tem a ver com Salazar ou líder que lhe sucedeu, Marcello Caetano.
Este, em finais de Setembro de 1970 quando efectivamente sucedeu a Salazar na chefia do governo e com o regime ainda semelhante ao anterior, discursou e definiu o que iria fazer do legado de Salazar: continuar a executá-lo, mas adaptando-o a novas realidades, como Salazar faria se fosse vivo e com plenas capacidades.
Marcello Caetano é explícito: "o próprio dr. Salazar teve ensejo, durante o seu longo Governo, de muitas vezes mudar de rumo, reformar o que ensaiara antes, corrigir o que a experiência revelara errado, rejuvenescer o que as circunstâncias mostravam envelhecido."
O que poderia fazer Marcello Caetano do legado de Salazar? Manter os pressupostos de não discutir a pátria, a família ou Deus? À custa de um maior cerceamento das liberdades fudnamentais de expressão e reunião?
Mesmo que o quisesse, os tempos já não eram os mesmos. Mudaram e foi isso que alterou tudo. Não foi a mudança de líder.
Quanto à pedra de toque do regime, o da integralidade da Nação, colocava-se o tema da guerra no Ultramar.
No início, em 1961, Salazar fora claro: rapidamente e em força, para defender o que era nosso. Vinte anos antes, recusou entrar na II Guerra...
O que alterou essa política de força no Ultramar português? O mesmo que sucedeu com os EUA no Vietnam. Não foi o líder dos EUA que perdeu a guerra por desistência de "ãnimo". Foi o conjunto de circunstâncias que a tal conduziram. E o tempo tem muito a ver com isso. Há quem dê a volta ao tempo e o engane, mas não por muito tempo. O tempo ganha sempre.
Como signo do tempo volto a colocar aqui a imagem fantástica da pedra tumular de Salazar que é fascinante pela beleza estética da simplicidade.
E faço-o porque descobri o autor da mesma em pleno labor de execução. A semiótica destas imagens dão-me uma noção desse tempo que dificilmente se explica em textos, tal como a imagem de 1965 da minha aldeia não se entende sem se ter vivido.
Quem está a gravar o nome AOS seguido da data 1970 é um cantoneiro anónimo.
A figura de cantoneiro, no regime do Estado Novo, parece-me lendária e digna de história. Porém, no caso, afigura-se lapso a menção a cantoneiro que era o funcionário da JAE que lidava com a limpeza das bermas das estradas e aquedutos.
A figura de chapéu a que só falta o cigarro pendurado nos lábios é a de canteiro, o artista da cantaria, o mestre que antigamente sabia mais da pedra do que os arquitectos de hoje. É esse mestre que a figura mostra e agora já não há. Parece que há escultores...tipo Cutileiro e afins.
domingo, março 15, 2015
Como o comunismo via o salazarismo
Estas caricaturas de João Abel Manta, um comunista ainda vivo e um génio do desenho, mostram como olhavam para Salazar ao longo das décadas que esteve no poder em Portugal.
As caricaturas são do livro de recolha Caricaturas Portuguesas dos anos de Salazar, publicado em 1978 pelas edições O Jornal, subsidiadas pela Secretaria de Estado da Cultura da época ( Mário Soares e os socialistas da 1ª bancarrota).
Estes são retratos do mito. Esta foto que segue mostra a verdadeira casa onde Salazar viveu na sua vida adulta, no Vimieiro e junto à casa dos pais, onde nasceu.
E as traseiras das casas da família têm este aspecto:
Tudo a anos luz do universo que Manta pintou.
As caricaturas são do livro de recolha Caricaturas Portuguesas dos anos de Salazar, publicado em 1978 pelas edições O Jornal, subsidiadas pela Secretaria de Estado da Cultura da época ( Mário Soares e os socialistas da 1ª bancarrota).
Estes são retratos do mito. Esta foto que segue mostra a verdadeira casa onde Salazar viveu na sua vida adulta, no Vimieiro e junto à casa dos pais, onde nasceu.
E as traseiras das casas da família têm este aspecto:
Tudo a anos luz do universo que Manta pintou.
O Portugal de Salazar numa aldeia do Norte em 1965
Esta foto de 1965 mostra uma "obra pública" em execução no tempo de Salazar, no Portugal de 1965 e na minha aldeia, pelo que conheco as figuras representadas e a história que conta a imagem.
A interpretação dos seus elementos ajudará a uma compreensão desse tempo e época.
A obra pública em causa era a abertura de um caminho público que ligasse uma capela situada no horizonte próximo da imagem, a cerca de 200 metros e a igreja paroquial, para trás da imagem observada, a outro tanto de distância.
A obra pública era da responsabilidade camarária e por isso lá estava o engenheiro responsável, de gabardina e mãos nos bolsos. A meio da foto está o presidente da Junta da freguesia, por acaso o meu pai, e a fumar, observadndo a máquina caterpiller a desenvolver a remoção de terra. Um pouco atrás, o padre da freguesia, de óculos, também a observar. Em primeiro plano, dois putos de escola, colegas meus, um deles já falecido ( o que está em primeiro plano). Putos pobres, filhos de pobres. O segundo, mais pequeno, emigrou para França nos anos setenta e por lá ficou umas décadas, conseguindo chegar ao posto de encarregado de uma empresa de construção civil de grande dimensão. Prosperou porque trabalhou e fez pela vida, como se costuma dizer. O outro, nunca passou de operário sem especialização, apesar de esperto e trabalhador qb. O primeiro estudou o ensino básico obrigatório e era bom aluno, continuando depois os estudos por iniciativa própria. O segundo, o ensino mais básico e era aluno mediano, para o fraco. Morreu de doença, há uns anos, depois de muitos anos sem trabalhar por eventualmente ter perdido a vontade. Alcoolismo eventual, crónico e doença regular.
Em 1965 estes putos, tal como eu, nem tinham dez anos e a vida numa aldeia assim, pequena e onde todos se conheciam, suscitava estas imagens colectivas.
Ao longe vê-se um magote de gente que é da população local e que compareceu porque o padre, na missa, as convocou por indicação da "junta", para ajudar nos trabalhos de abertura do caminho, chamado "estrada da igreja". Compareceram dezenas, pro bono, com enxadas, pás, picaretas e instrumentos próprios para as tarefas. Homens e mulheres que queriam colectivamente aquela estraba aberta por ali, por entre propriedades particulares que foi preciso expropriar. Um dos expropriados, residente imediatamente atrás do que a foto mostra, nesse dia em que se iria proceder ao derrube do muro da sua propriedade, depois de ter ameaçado os "poderes públicos" ( no caso o meu pai, autor da ideia), saiu de casa com a família, bem cedo e de fato novo, para não presenciar o corte da sua propriedade expropriada por razões de interesse público. Nunca cumpriu as ameaças e com o passar dos anos esqueceu a ofensa e acomodou-se à situação de ver passar à sua porta as pessoas que iam à missa. Os herdeiros já se habituaram à situação e não quereriam uma eventual reversão. Na época, apesar das ameaças de morte não foi preciso chamar a "guarda" ou a pide ou fosse o que fosse de poder público, como hoje seria necessário. Quem ameaçou sabia o risco que corria e preferiu afastar-se, seguindo o bom senso. Hoje seria a mesma coisa?
Antes dessa obra a passagem fazia-se por um caminho estreito, com um curso de água no inverno que obrigava as pessoas a passarem por cima de pedras e um pequeno passeio mais subido, sendo igualmente por aí que passavam os funerais. Assim foi durante décadas e décadas até 1965.
A obra fez-se por insistência da "junta" e com promessas e garantias de a "Câmara" fornecer apenas as máquinas e eventualmente a pavimentação posterior a "macadame", pois a mão de obra ficaria por conta da população local. E assim se fez a obra.
O que nos pode dizer isto sobre o Portugal de Salazar e o ânimo que então haveria? Em primeiro lugar a ausência de burocracia desnecessária com regras que ultrapassassem a mera execução técnica de uma obra simples. A expropriação por utilidade pública não se arrastava durante anos nos tribunais administrativos.
Por outro lado, a convivência institucional e quase orgânica dos vários poderes públicos, com apoio da Igreja que estava efectivamente presente e junto das populações locais, intervindo e participando sempre na resolução dos seus problemas imediatos. A foto foi tirada por um então seminarista que actualmente é padre de uma freguesia da cidade concelho.
Depois, o apoio "democrático" no sentido mais puro da palavra, das populações que sentiam a obra como sua e para seu bem e por isso participavam na respectiva execução, sem relamarem.
Dificilmente se veria hoje em dia uma conjugação de tais factores o que atesta uma mudança na sociedade, mas não de ânimo.
As razões são outras.
A mutação genética nacional
Quanto a mim, os melhores exemplos para compreender a mutação operada em Portugal durante as décadas de sessenta e setenta do século passado estão expostos na imprensa da época.
Os jornais de então, mau grado a censura a que estavam sujeitos, espelhavam melhor a sociedade que tínhamos do que hoje.
O jornal Expresso, por exemplo, aparecido em Janeiro de 1973 era um símbolo da maior alteração operada após a morte de Salazar e o regime que Marcello Caetano continuou, a que chamou "evolução na continuidade", tendo essa evolução sido isso mesmo. Um dos indicadores dessa evolução era o económico. O país de Marcello Caetano desenvolvera-se económicamente a um ritmo superior a uma média europeia e havia já "quadros", gestores e professores que tinham ido "lá fora" aprender o que de melhor se fazia, para praticarem cá dentro.
O crescimento económico do país suscitava olhares para o exterior e o reflexo de sociedades como a anglo-saxónica e europeia ocidental, mais desenvolvidas e economicamente ricas provocava desejos de imitação de modelos políticos mais abertos à participação de todos os cidadãos e com menos restrições de algumas liberdades fundamentais, como a de expressão do pensamento. O nosso não era igual porque vinha do passado de Salazar, tinha encargos com guerras de soberania nacional e havia uma evolução a cumprir que tardava em se resolver.
Por outro lado havia ideologias que ofereciam soluções de bandeja e apelativas como foram para outros povos que descobriram o logro muito antes de nós. Tal como agora os syrizas de todos os matizes fazem.
Um dos reflexos que esse Expresso de 1973 dava do que éramos na época, está aqui, na publicação em 8 de Setembro de 1973 de uma "mesa-redonda", aliás bem quadrada como se pode ver na imagem...
Lendo o que pensavam as personalidades em causa, todos de uma área que já fizera a mutação do tempo de Salazar para o de Marcello Caetano, com ideologia essencialmente social-democrata ( mesmo Lopes Cardoso, socialista) podemos reflectir como é que no ano seguinte as ideias que perfilhavam sobre a nossa economia, se modificaram radicalmente e desaguaram num desastre sem paralelo nas últimas décadas em Portugal.
É para essa questão que ando a tentar encontrar resposta.
Para não se tornar fastidiosa a publicação de todas as páginas fica a primeira e a última onde se coloca o problema dos "grupos económicos", designadamente a CUF e outros. É ler o que se dizia então que até arrepia pela curteza de vistas ou pela ignorância dos efeitos que se viriam a provocar na sociedade portuguesa após o 11 de Março de 1975, com a adopção das ideias comunistas de governação económica que aliás nunca chegaram a funcionar completamente ( então é que seria bonito...).
Lendo o que então se disse é inevitável a pergunta: como é que se mudou tanto em tão pouco tempo? Como é que sucedeu esta revolução psicológica em quem dava sinais de ter o bom senso e a maturidade necessária para que tal nunca sucedesse?
Para esta mutação não há explicação de "perda de ânimo" que resista...
Os jornais de então, mau grado a censura a que estavam sujeitos, espelhavam melhor a sociedade que tínhamos do que hoje.
O jornal Expresso, por exemplo, aparecido em Janeiro de 1973 era um símbolo da maior alteração operada após a morte de Salazar e o regime que Marcello Caetano continuou, a que chamou "evolução na continuidade", tendo essa evolução sido isso mesmo. Um dos indicadores dessa evolução era o económico. O país de Marcello Caetano desenvolvera-se económicamente a um ritmo superior a uma média europeia e havia já "quadros", gestores e professores que tinham ido "lá fora" aprender o que de melhor se fazia, para praticarem cá dentro.
O crescimento económico do país suscitava olhares para o exterior e o reflexo de sociedades como a anglo-saxónica e europeia ocidental, mais desenvolvidas e economicamente ricas provocava desejos de imitação de modelos políticos mais abertos à participação de todos os cidadãos e com menos restrições de algumas liberdades fundamentais, como a de expressão do pensamento. O nosso não era igual porque vinha do passado de Salazar, tinha encargos com guerras de soberania nacional e havia uma evolução a cumprir que tardava em se resolver.
Por outro lado havia ideologias que ofereciam soluções de bandeja e apelativas como foram para outros povos que descobriram o logro muito antes de nós. Tal como agora os syrizas de todos os matizes fazem.
Um dos reflexos que esse Expresso de 1973 dava do que éramos na época, está aqui, na publicação em 8 de Setembro de 1973 de uma "mesa-redonda", aliás bem quadrada como se pode ver na imagem...
Lendo o que pensavam as personalidades em causa, todos de uma área que já fizera a mutação do tempo de Salazar para o de Marcello Caetano, com ideologia essencialmente social-democrata ( mesmo Lopes Cardoso, socialista) podemos reflectir como é que no ano seguinte as ideias que perfilhavam sobre a nossa economia, se modificaram radicalmente e desaguaram num desastre sem paralelo nas últimas décadas em Portugal.
É para essa questão que ando a tentar encontrar resposta.
Para não se tornar fastidiosa a publicação de todas as páginas fica a primeira e a última onde se coloca o problema dos "grupos económicos", designadamente a CUF e outros. É ler o que se dizia então que até arrepia pela curteza de vistas ou pela ignorância dos efeitos que se viriam a provocar na sociedade portuguesa após o 11 de Março de 1975, com a adopção das ideias comunistas de governação económica que aliás nunca chegaram a funcionar completamente ( então é que seria bonito...).
Lendo o que então se disse é inevitável a pergunta: como é que se mudou tanto em tão pouco tempo? Como é que sucedeu esta revolução psicológica em quem dava sinais de ter o bom senso e a maturidade necessária para que tal nunca sucedesse?
Para esta mutação não há explicação de "perda de ânimo" que resista...
Quando mudou o Portugal de Salazar?
Aqui, no blog Dragoscópio, escreve-se assim, para explicar a génese do golpe de 25 de Abril de 1974 e os acontecimentos posteriores ( as "metástases", como escreve o autor):
Em 1961, vivia ainda um homem de 80 anos cuja vontade era capaz de congregar e animar ainda uma nação. Em 1974, essa nação perdera a vontade. O ânimo deu lugar ao desânimo. A crença à descrença. O rumo à desorientação.
Neste novo Alcácer-Quibir, repetia-se, em parte, o problema da sucessão - só que enquanto no anterior este decorrera do desastre, neste precedera-o, anunciara-o e propiciara-o.
O livro de Ploncard d'Assac sobre Salazar, termina com uma frase tocante e, ao mesmo tempo, trágica... Porém, verdadeira:
"Agora, debaixo daquela lousa nua e quase anónima, descansa aquele que por mais de 40 anos 'reinou' sobre o último Império do Ocidente."
Campa de Salazar no cemitério do Vimieiro.
Não tenho qualquer pretensão a historiador e por isso a reflexão seguinte vale apenas uma opinião de quem viveu esse tempo e tem um olhar particular sobre esse ar que passou. Quanto a mim assemelha-se bastante ao fenómeno que originou a descoberta do princípio da incerteza ou da indeterminação, do físico alemão Heisenberg.
O fenómeno de mutação social que ocorreu em Portugal no tempo dos anos sessenta e setenta do século passado foi, no meu ponto de vista, algo fluido, indeterminável com precisão no tempo e no espaço com o rigor de uma explicação historicamente indiscutível. Foi uma mutação genética na sociedade portuguesa provocada por alteração das suas componentes fundamentais, quais átomos de uma matéria nacional essencial.
Para o Dragão tal consitiu numa alteração do "ânimo", ou seja do espírito geral de uma nação que ao perder um dos seus mestres não encontrou sucessor capaz de lhe dar continuidade nessa espiritualidade laica.
O melhor exemplo estaria na mudança súbita de comportamento dos militares portugueses na guerra de África, nas então províncias ultramarinas. De um dia para o outro passaram a confraternizar com o inimigo da véspera, abandonando os princípios por que lutavam ou seja, essencialmente a unidade de uma nação secular. De um dia para o outro, as províncias ultramarinas deixaram de ser nossas e de sermos obrigados moralmente a defendê-las porque psicologicamente a propriedade passou para outrém, os inimigos que deixaram de o ser. Tal como acontece num contrato em que o proprietário que vende se desapossa de uma coisa, entregando-a a outrém, também essas terras longínquas passaram para as mãos de outrém, ficando por definir os termos acessórios, mas com assunção do principal: a transferência da propriedade, imediata, sem restrições e portanto plena.
Como é que isto sucedeu? Foi por falta do tal "ânimo" derivada da ausência de quem o sustinha colectivamente?
Não creio inteiramente nisso, embora tal seja uma consequência de algo que se torna mister entender melhor.
Como é que a nação portuguesa perdeu esse ânimo que tinha, ainda nos anos cinquenta ( Humberto Delgado, para citar o exemplo mais flagrante, demitiria Salazar mas não entregaria do mesmo modo, com transferência plena de propriedade, as províncias ultramarinas, ou também teria perdido o ânimo patriótico?)
Por mim e para simplificar, considero que durante as décadas de sessenta e setenta do século que passou, as transformções sociais e culturais condicionaram muito a mutação do "ânimo". Este não se perdeu, modificou-se apenas. Para melhor? Para pior? Haveria alternativa a tal? Poderia a mutação ser mais lenta ou menos radical?
Para essas perguntas tenho procurado respostas.
A sociedade portuguesa dos anos setenta não era evidentemente a dos anos trinta. E o tal ânimo que habitava Salazar por inteiro, não se transmitiu aos seus herdeiros políticos do mesmo modo. Marcello Caetano herdou provavelmente a maior parte dos átomos dessa natureza, mas ao longo das décadas sofreu a tal mutação genética e nos anos setenta já não era habitado pelo mesmo espírito de Salazar.
Será legítimo colocar aqui uma questão: Salazar não mudou durante a sua vida? Ou seja, e indo mais longe: que sucederia se Salazar tivesse 50 anos na década de sessenta? Ficaria preso ao ideário dos anos trinta, como os comunistas ficaram e ainda de lá não sairam? Creio que não.
Salazar, um dos políticos mais inteligentes de sempre que tivemos como chefe de Nação, teria percebido, como Marcello Caetano aliás, que o mundo mudara e o seu mundo não poderia ficar à parte sob pena de um exílio prematuro e inconsequente. Portugal não poderia continuar a ser nos anos sessenta e setenta o que foi nas décadas anteriores, tal como o comunismo não aguentou mais de meia dúzia de décadas uma doutrina imutável e ainda por cima desumana. Só os comunistas portugueses, fossilizados nessa ideologia, acreditam que sim.
Portanto, a questão continua: como é que mudamos e porquê?
No próximo postal vou tentar encontrar uma resposta prática ilustrativa.
Em 1961, vivia ainda um homem de 80 anos cuja vontade era capaz de congregar e animar ainda uma nação. Em 1974, essa nação perdera a vontade. O ânimo deu lugar ao desânimo. A crença à descrença. O rumo à desorientação.
Neste novo Alcácer-Quibir, repetia-se, em parte, o problema da sucessão - só que enquanto no anterior este decorrera do desastre, neste precedera-o, anunciara-o e propiciara-o.
O livro de Ploncard d'Assac sobre Salazar, termina com uma frase tocante e, ao mesmo tempo, trágica... Porém, verdadeira:
"Agora, debaixo daquela lousa nua e quase anónima, descansa aquele que por mais de 40 anos 'reinou' sobre o último Império do Ocidente."
Campa de Salazar no cemitério do Vimieiro.
Não tenho qualquer pretensão a historiador e por isso a reflexão seguinte vale apenas uma opinião de quem viveu esse tempo e tem um olhar particular sobre esse ar que passou. Quanto a mim assemelha-se bastante ao fenómeno que originou a descoberta do princípio da incerteza ou da indeterminação, do físico alemão Heisenberg.
O fenómeno de mutação social que ocorreu em Portugal no tempo dos anos sessenta e setenta do século passado foi, no meu ponto de vista, algo fluido, indeterminável com precisão no tempo e no espaço com o rigor de uma explicação historicamente indiscutível. Foi uma mutação genética na sociedade portuguesa provocada por alteração das suas componentes fundamentais, quais átomos de uma matéria nacional essencial.
Para o Dragão tal consitiu numa alteração do "ânimo", ou seja do espírito geral de uma nação que ao perder um dos seus mestres não encontrou sucessor capaz de lhe dar continuidade nessa espiritualidade laica.
O melhor exemplo estaria na mudança súbita de comportamento dos militares portugueses na guerra de África, nas então províncias ultramarinas. De um dia para o outro passaram a confraternizar com o inimigo da véspera, abandonando os princípios por que lutavam ou seja, essencialmente a unidade de uma nação secular. De um dia para o outro, as províncias ultramarinas deixaram de ser nossas e de sermos obrigados moralmente a defendê-las porque psicologicamente a propriedade passou para outrém, os inimigos que deixaram de o ser. Tal como acontece num contrato em que o proprietário que vende se desapossa de uma coisa, entregando-a a outrém, também essas terras longínquas passaram para as mãos de outrém, ficando por definir os termos acessórios, mas com assunção do principal: a transferência da propriedade, imediata, sem restrições e portanto plena.
Como é que isto sucedeu? Foi por falta do tal "ânimo" derivada da ausência de quem o sustinha colectivamente?
Não creio inteiramente nisso, embora tal seja uma consequência de algo que se torna mister entender melhor.
Como é que a nação portuguesa perdeu esse ânimo que tinha, ainda nos anos cinquenta ( Humberto Delgado, para citar o exemplo mais flagrante, demitiria Salazar mas não entregaria do mesmo modo, com transferência plena de propriedade, as províncias ultramarinas, ou também teria perdido o ânimo patriótico?)
Por mim e para simplificar, considero que durante as décadas de sessenta e setenta do século que passou, as transformções sociais e culturais condicionaram muito a mutação do "ânimo". Este não se perdeu, modificou-se apenas. Para melhor? Para pior? Haveria alternativa a tal? Poderia a mutação ser mais lenta ou menos radical?
Para essas perguntas tenho procurado respostas.
A sociedade portuguesa dos anos setenta não era evidentemente a dos anos trinta. E o tal ânimo que habitava Salazar por inteiro, não se transmitiu aos seus herdeiros políticos do mesmo modo. Marcello Caetano herdou provavelmente a maior parte dos átomos dessa natureza, mas ao longo das décadas sofreu a tal mutação genética e nos anos setenta já não era habitado pelo mesmo espírito de Salazar.
Será legítimo colocar aqui uma questão: Salazar não mudou durante a sua vida? Ou seja, e indo mais longe: que sucederia se Salazar tivesse 50 anos na década de sessenta? Ficaria preso ao ideário dos anos trinta, como os comunistas ficaram e ainda de lá não sairam? Creio que não.
Salazar, um dos políticos mais inteligentes de sempre que tivemos como chefe de Nação, teria percebido, como Marcello Caetano aliás, que o mundo mudara e o seu mundo não poderia ficar à parte sob pena de um exílio prematuro e inconsequente. Portugal não poderia continuar a ser nos anos sessenta e setenta o que foi nas décadas anteriores, tal como o comunismo não aguentou mais de meia dúzia de décadas uma doutrina imutável e ainda por cima desumana. Só os comunistas portugueses, fossilizados nessa ideologia, acreditam que sim.
Portanto, a questão continua: como é que mudamos e porquê?
No próximo postal vou tentar encontrar uma resposta prática ilustrativa.
sábado, março 14, 2015
Trambiquices de há trinta anos: o caso dopa e os privilegiados de sempre
A manchete do Tal&Qual de 1983 mostrada em postal anterior, não era de todo irrealista porque a situação social fora também denunciada pelo então bispo de Setúbal, d. Manuel Martins que era de Barcelos.
Quem governava então? O veterano das bancarrotas, padrinho emérito das mesmas e actualmente desmemoriado de todo: Mário Soares.
Nessa altura, vendo a desgraça às portas dos portugueses teve um lampejo de senso comum e dizia coisas nesta entrevista que hoje desdiz e já nem se lembra:
O jornal Semanário de 2 de Março de 1985 mostrava bem o que eram as dificuldades por que o país atravessava por mor daquele veterano dos sacrifícios por que passamos devido às políticas de sempre, por ele apadrinhadas e seguidas.
Num dos itens das dificuldades apresentadas ao FMI, estava a da "banca", ainda toda nacionalizada, nossa,
com muito orgulho e afecto comunista, com resultados negativos. Um dos factores apontados era a "fuga de capitais" que originaram créditos malparados. E dá-se conta de que empresas que deram garantias reais para empréstimos, estavam a desfazer-se deses bens, desses activos do respectivo património, perante a inoperânca da "banca" nacionalizada, nossa.
Sendo este o panorama em meados dos anos oitenta, surgiu nas páginas dos jornais dessa época um escândalo de vulto, aqui explicado na altura em que os factos ainda estavam em "segredo de justiça" mas ninguém se importava com a sua violação...
O caso Dopa, como ficou conhecido foi o caso monte Branco dessa época, e o zé das medalhas de então chamva-se Joaquim Queirós de Andrada, empresário ido de Angola para o Brasil no rescaldo da "descolonização exemplar", onde era cambista e gerente bancário. Uma vez no Brasil regressou a Portugal e fundou a empresa Dopa, como se pode ler. Através da empresa exportava ilicitamente capitais do país, essencialmente divisas ( moeda estrangeira) que eram preciosíssimas para um país cuja moeda desvalorizava a cada dia, por força das políticas do "veterano" das bancarrotas.
O escândalo só surgiu quando o jornal o diário, comunista e adepto da "verdade a que temos direito" publicou as notícias ( o segredo de justiça ou segredo profissional bancário era uma balela e ninguém se preocupava com tal...) e apareceram a público nomes dos exportadores ilegais de dinheiro estrangeiro. Todos privilegiados na sociedade portuguesa de então e que passava por uma crise económica gravíssima que nem hoje tem paralelo.
E quem eram tais personagens de vulto e alguns de porte moral antifassita que vituperavam o antigo regime das piores barbaridades e agora se associavam a alguns dos seus próceres para acautelar dinheirinho lá fora, na alta Suíça, tal como hoje?
Pois é ler e ver as surpresas, particularmente na letra M, onde aparece um jornalista agora tão moralista que vitupera tudo e todos e mais a maldita violação do segredo de justiça...
Deve notar-se que esta actuação na altura era considerada crime relativamente grave e conduziu à prisão preventiva do principal actor do esquema de evasão de capitais, com aqueles clientes de luxo, e alguns deles privilegiados que viviam a escrever contra o fascismo...e a lutar pela Constituição de 1976 e as nacionalizações e a banca nacionalizada etc etc. A latere, punham o seu dinheirinho a bom recato.
O caso ainda se complicou mais quando surgiu a notícia que o juiz de instrução recebera dinheiro pela libertação do principal arguido, Queiroz de Andrada. Pelos vistos, nem fora preciso porque o mesmo se evadiu a tempo, o que originou um processo de burla contra uma funcionária judicial que acusara o juiz de tal malfeitoria. Depois de muitas andanças processuais o referido juiz acabou "ilibado" como agora se diz nos media.
Ainda gostava de saber se um actual primeiro-ministro ou candidato a tal estivesse envolvido num caso destes seria fustigado como o foi o actual por aquele mesm Sousa Tavares, Miguel...por factos que nem têm qualquer comparação...
Certo é que outro Sousa Tavares, Francisco, foi obrigado a demitir-se na altura, do cargo de ministro.
A vergonha, entretanto, prescreveu. Já lá vão trinta anos e por isso é compreensível. A de vinte anos parece que ainda não tem tempo para tal...e aqueloutra, agora é apenas pouca-vergonha.
Nota: como habitualmente, se alguém quiser ler os "recortes", basta clicar em cima da imagem com o botão do lado direito do rato. Dependendo da versão do sistema ( Windows ou Mac) basta abrir outra janela ( no caso do Windows, com o botão do lado direito do rato e clicando outra vez nessa nova janela a imagem amplia perfeitamente para se poder ler. Quem não conseguir, mesmo assim, pode tentar porque a imagem lê-se muito bem.
MST, trambiqueiro da opinião remunerada
Miguel Sousa Tavares é figura estimada cá na casa, como qualquer um pode ler digitando as palavras certas no Google. A razão é prosaica: é vigilante de trambiquices alheias mas com o criterio selectivo de escolher as convenientes, esquecendo as demais.
Como é comentador aboletado em órgãos da Impresa influenciando pessoas, precisa que lhe refresquem a memória sobre as omissões, mostrando-se a quem lê o enviesamento hipócrita da incoerência de uma autoridade moral que não tem mas que impinge implicitamente em cada escrito.
Hoje, o inefável DN dá-lhe parte da capa em que explica finalmente o que pensa do seu compadre Ricardo. Ideia simples: é o melhor banqueiro português, ainda hoje.
A ideia é fabulosa, de fábula, tendo em conta que a BBC outorgou ao mesmo banqueiro o galardão de pior CEO 2014...por algo que todos já perceberam: ser o responsável directo da bancarrota do banco e do grupo familiar.
Esta análise fina, vinda de um compadre, acompanha-se no interior do jornal por outras análises ainda mais finíssimas, esportuladas ao longo de um almoço regado a fumo.
Lendo percebe-se o que incomoda este vigilante de trambiqueiros excelentíssimos, cujo catálogo não inclui os seus próximos. Por exemplo, sobre o caso do recluso 44, o problema não é a montanha de corrupção à vista, mas um argueiro perigosíssimo e que mina a democracia : famigerada a violação do segredo de justiça que noutros casos é corriqueirice explorada nos escritos mas aqui assume a gravidade institucional do desaforo. "Enquanto cidadão português, desejo que ele esteja inocente". Deseja...e ataca os magistrados por tentarem descobrir essa putativa inocência, imputando-lhes as violações desse segredo portentoso e de comportamentos "escabrosos" que deveriam conduzir ao afastamento dos mesmos. "Deviam retirar o processo ao juiz e ao procurador e entregá-lo a outros". De preferência algum daqueles que tenha desejos ardentes de igual tendência, como era o antigo PGR Pinto Monteiro ou o presidente do STJ que já passou à reforma.
Este vigilante de trambiquices aparentemente não se deixa impressionar por este género que o seu inocente e o seu melhor banqueiro, também compadre, protagonizaram e que vem no CM de hoje:
No primeiro caso, a trambiquice foi a evasão de capitais. Coisa mixuruca que já o falecido Sousa Tavares pai, tinha protagonizado aquando do "caso Dopa" e portanto é nada para este opinativo.
No segundo caso, as suspeitas de mistura entre o seu inocente e o seu banqueiro preferido ficam à vista desarmada.
Para quem não tem palas que seleccionam trambiqueiros, claro está...e depois escrevem sobre inanidades para esconder o assunto que incomoda. O problema principal, aliás, parece ser o caso escabroso do procurador e do juiz que não sabem guardar o devido segredo sobre estas trambiquices que se queriam bem guardadinhas para ninguém saber...
E é este indivíduo comentador encartado. Ou melhor, é exactamente por isso que é comentador encartado e remunerado no sítio onde aparece com opinião.
Por outro lado, não tem pejo nem vergonha de dizer que o seu primeiro emprego ( remunerado, provavelmente) foi na Comissão de Extinção da PIDE ( que eram também DGS, mas omite...).
Lendo o que aqui foi noticiado, é caso para dizer que deveria explicar se soube destas coisas verdadeiramente escabrosas, essas sim, terríveis e sem desculpa para quem se diz democrata. Também subscreveu essa opinião terrorista da "assembleia de militares" que propunha o fuzilamento sumário dos fascistas ( na altura, um deles era o seu banqueiro de eleição), sem as chatices de procuradores e juizes revelarem segredos de justiça? É de temer o pior como resposta...e pode ser que na próxima entrevista se explique, mesmo com muito fumo à volta.
Como é comentador aboletado em órgãos da Impresa influenciando pessoas, precisa que lhe refresquem a memória sobre as omissões, mostrando-se a quem lê o enviesamento hipócrita da incoerência de uma autoridade moral que não tem mas que impinge implicitamente em cada escrito.
Hoje, o inefável DN dá-lhe parte da capa em que explica finalmente o que pensa do seu compadre Ricardo. Ideia simples: é o melhor banqueiro português, ainda hoje.
A ideia é fabulosa, de fábula, tendo em conta que a BBC outorgou ao mesmo banqueiro o galardão de pior CEO 2014...por algo que todos já perceberam: ser o responsável directo da bancarrota do banco e do grupo familiar.
Esta análise fina, vinda de um compadre, acompanha-se no interior do jornal por outras análises ainda mais finíssimas, esportuladas ao longo de um almoço regado a fumo.
Lendo percebe-se o que incomoda este vigilante de trambiqueiros excelentíssimos, cujo catálogo não inclui os seus próximos. Por exemplo, sobre o caso do recluso 44, o problema não é a montanha de corrupção à vista, mas um argueiro perigosíssimo e que mina a democracia : famigerada a violação do segredo de justiça que noutros casos é corriqueirice explorada nos escritos mas aqui assume a gravidade institucional do desaforo. "Enquanto cidadão português, desejo que ele esteja inocente". Deseja...e ataca os magistrados por tentarem descobrir essa putativa inocência, imputando-lhes as violações desse segredo portentoso e de comportamentos "escabrosos" que deveriam conduzir ao afastamento dos mesmos. "Deviam retirar o processo ao juiz e ao procurador e entregá-lo a outros". De preferência algum daqueles que tenha desejos ardentes de igual tendência, como era o antigo PGR Pinto Monteiro ou o presidente do STJ que já passou à reforma.
Este vigilante de trambiquices aparentemente não se deixa impressionar por este género que o seu inocente e o seu melhor banqueiro, também compadre, protagonizaram e que vem no CM de hoje:
No primeiro caso, a trambiquice foi a evasão de capitais. Coisa mixuruca que já o falecido Sousa Tavares pai, tinha protagonizado aquando do "caso Dopa" e portanto é nada para este opinativo.
No segundo caso, as suspeitas de mistura entre o seu inocente e o seu banqueiro preferido ficam à vista desarmada.
Para quem não tem palas que seleccionam trambiqueiros, claro está...e depois escrevem sobre inanidades para esconder o assunto que incomoda. O problema principal, aliás, parece ser o caso escabroso do procurador e do juiz que não sabem guardar o devido segredo sobre estas trambiquices que se queriam bem guardadinhas para ninguém saber...
E é este indivíduo comentador encartado. Ou melhor, é exactamente por isso que é comentador encartado e remunerado no sítio onde aparece com opinião.
Por outro lado, não tem pejo nem vergonha de dizer que o seu primeiro emprego ( remunerado, provavelmente) foi na Comissão de Extinção da PIDE ( que eram também DGS, mas omite...).
Lendo o que aqui foi noticiado, é caso para dizer que deveria explicar se soube destas coisas verdadeiramente escabrosas, essas sim, terríveis e sem desculpa para quem se diz democrata. Também subscreveu essa opinião terrorista da "assembleia de militares" que propunha o fuzilamento sumário dos fascistas ( na altura, um deles era o seu banqueiro de eleição), sem as chatices de procuradores e juizes revelarem segredos de justiça? É de temer o pior como resposta...e pode ser que na próxima entrevista se explique, mesmo com muito fumo à volta.
sexta-feira, março 13, 2015
Ao marquês conde barão vai-lhe sair um duque
Sobre a pretensão de habeas corpus do recluso 44, baseada na pressuposição de regalias e prerrogativas perenes, o professor Costa Andrade coloca os pontos nos ii, no CM de hoje. Em síntese: a república que temos não é uma monarquia, como era evidente. E isto nem sequer é um jogo de cartas, mas previsivelmente vai sair um duque no processo do "marquês".Resta saber se de paus ou de copas.
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