Sol de hoje:
Nestas duas páginas conta-se uma história singela de um fait-divers que conta mais do que muitos artigos, sobre o que era o antigo primeiro-ministo José Sócrates: um trafulha, simplesmente.
Quando isto sucedeu já não era primeiro-ministro mas não hesitou em mexer os cordelinhos dos apaniguados que tivera para resolver uma situação embaraçosa, que nem sequer o afectava pessoalmente, para tramar o jornalismo que o chateava. E estes deram-lhe toda a colaboração o que denota o que este indivíduo foi.
Um tal Emanuel Augusto dos Santos o que é, depois disto que se sabe? Para além de economista sem eira, um traficante de favorzecos, desta espécie rasca?
Quanto aos funcionários do Fisco e da CGD nem é preciso dizer mais nada porque estas páginas falam por si. Que tristeza!
O advogado João Araújo a escrever "cartinhas" ao director do Fisco depois de se inteirar por portas travessas e cunhas metidas, do que se passava...outra tristeza, mas neste caso sem vergonha alguma.
Um tipo que foi primeiro-ministro, quando já o não era tinha ainda este poder. Só de imaginar o que fez quando tinha o poder todo...
E disse ao tal Emanuel, depois de saber de tudo isto e da trafulhice em que estava metido que ia meter uma queixa.crime contra o director-geral de Impostos ( Azevedo Pereira, na época) por permitir que alguém do Fisco divulgasse a informação...sabendo que era verdadeira e sabendo que era uma trafulhice o que estava a fazer. Ou seja, uma denúncia caluniosa contra o dito.
Ah! O caso dos tais impostos em falta, que não foram realmente pagos pela mãe de Sócrates no tempo devido e originaram esta trafulhice, diziam respeito à venda da casa. Quem a comprou? Santos Silva, o amigo incondicional do dito que lhe emprestava aos milhões, sem pedir contas nem papéis...
Está tudo dito? Não, isto é apenas um fait-divers.
sábado, setembro 16, 2017
sexta-feira, setembro 15, 2017
A heróica resistência das múmias do PCP contra o tempo que já passou
Revista O Militante do PCP, edição Setembro/Outubro 2017: todos os temas do comunismo, todas as teorias sobre o mundo actual, a sociedade, o modo de produção, etc, resistem estoicamente no formol do papel a preto e branco de uma revista com décadas.
Tal como há 40 ou 50 anos atrás, o discurso comunista do PCP é sempre o mesmo e enunciado do mesmo modo nesta revista.
O comunismo já morreu e como os répteis a quem cortam o rabo, continua a rabiar do mesmo modo de sempre, agitando o meio que os rodeia como sempre o fizeram: com greves e ameaças de alterações sociais.
O estranho fenómeno que resiste na Europa em condições únicas, neste canto mais ocidental, tarda em desaparecer porque tal como a múmia de Lenine, ninguém dos media parece interessado em remover para a tumba definitiva.
Tal como há 40 ou 50 anos atrás, o discurso comunista do PCP é sempre o mesmo e enunciado do mesmo modo nesta revista.
O comunismo já morreu e como os répteis a quem cortam o rabo, continua a rabiar do mesmo modo de sempre, agitando o meio que os rodeia como sempre o fizeram: com greves e ameaças de alterações sociais.
O estranho fenómeno que resiste na Europa em condições únicas, neste canto mais ocidental, tarda em desaparecer porque tal como a múmia de Lenine, ninguém dos media parece interessado em remover para a tumba definitiva.
O PS em França acabou e por cá há-de ser igual
Em França foi assim e por cá há-de ser igual. Basta que as pessoas em geral se apercebam da quantidade de patifes, pindéricos e oportunistas que se acoitam à sombra do poder do Largo do Rato.
É possível enganar muita gente durante algum tempo; pouca durante muito tempo mas nenhuma o tempo todo.
Imagem de L´Obs de 14.89.2017
É possível enganar muita gente durante algum tempo; pouca durante muito tempo mas nenhuma o tempo todo.
Imagem de L´Obs de 14.89.2017
A elite corrupta do jornalismo
Eduardo Dâmaso, no CM de hoje, chama "jornalismo de elite" àquele que escolhe notícias em função dos factos. Se estes disserem respeito a alguém da mesma cor política ou preferência partidária, omitem, censuram previamente sem comissão para o efeito. O mecanismo é interno e funciona por atavismo.
São geralmente os mesmos que se indignam com o fassismo de antanho e a comissão de censura prévia que existia para regular o exercício jornalístico fora das regras conhecidas e que os mesmos violavam por serem da "oposição". Como agora são da "situação" fazem o mesmo, sem comissão alguma porque se organizam entre si segundo os próprios interesses. Um corporativismo sui generis, portanto.
Há uma diferença de vulto: dantes, a comissão tinha censores pagos para tal pelo organismo respectivo. Hoje os censores são pagos para tal, mas por entidades avulsas e desconhecidas, por vezes em géneros ( viagens e regalias) ou em serviços ( empregos garantidos em certos lugares para eles e filharada mais primos se necessário for).
A corrupção moral ( pelo menos) é evidente mas nunca se dão por achados. São antifassistas com provas dadas de luta pela "liberdade".
Por outro lado essa "elite" deveria saber que Roma não paga a traidores e quando a falência for iminente irão sofrer as agruras de quem não soube ser o que deveria ter sido: Jornalista com J grande.
Estes prejuízos não se justificam apenas pela conjuntura, pela Internet, pelos sítios avulsos de notícias gratuitas, etc etc. Justificam-se porque as pessoas em geral não acreditam no jornalismo que fazem, não compram o produto e por isso é melhor desaparecerem porque não fazem falta nenhuma.
Existem enquanto forem subsidiados, como o Público é, por causa do capitalista dos supermercados. A Global Media não tem supermercados para lhe valer. Nem chineses. E o Proença de Carvalho não tem dinheiro suficiente para lhes valer, nem próprio nem alheio, apesar do que deve ter...
São geralmente os mesmos que se indignam com o fassismo de antanho e a comissão de censura prévia que existia para regular o exercício jornalístico fora das regras conhecidas e que os mesmos violavam por serem da "oposição". Como agora são da "situação" fazem o mesmo, sem comissão alguma porque se organizam entre si segundo os próprios interesses. Um corporativismo sui generis, portanto.
Há uma diferença de vulto: dantes, a comissão tinha censores pagos para tal pelo organismo respectivo. Hoje os censores são pagos para tal, mas por entidades avulsas e desconhecidas, por vezes em géneros ( viagens e regalias) ou em serviços ( empregos garantidos em certos lugares para eles e filharada mais primos se necessário for).
A corrupção moral ( pelo menos) é evidente mas nunca se dão por achados. São antifassistas com provas dadas de luta pela "liberdade".
Por outro lado essa "elite" deveria saber que Roma não paga a traidores e quando a falência for iminente irão sofrer as agruras de quem não soube ser o que deveria ter sido: Jornalista com J grande.
Estes prejuízos não se justificam apenas pela conjuntura, pela Internet, pelos sítios avulsos de notícias gratuitas, etc etc. Justificam-se porque as pessoas em geral não acreditam no jornalismo que fazem, não compram o produto e por isso é melhor desaparecerem porque não fazem falta nenhuma.
Existem enquanto forem subsidiados, como o Público é, por causa do capitalista dos supermercados. A Global Media não tem supermercados para lhe valer. Nem chineses. E o Proença de Carvalho não tem dinheiro suficiente para lhes valer, nem próprio nem alheio, apesar do que deve ter...
quinta-feira, setembro 14, 2017
O jacobinismo é quem mais ordena: o curso em dia é que conta
RR:
Rui Esteves abandona o cargo no dia em que foi aberto um inquérito à sua licenciatura, a pedido pelo ministro do Ensino Superior e pelo presidente do Politécnico de Castelo Branco.
Este desgraçado passou pela pior experiência da vida profissional, este Verão, com a morte de 66 pessoas em Pedrógão Grande, provocadas em boa parte devido à sua incompetência e dos que o rodeiam. Não se demitiu porque nem entendeu tal coisa básica. O curso que tem, afinal não chegou para lhe ensinar tal evidência primária.
Demitiu-se agora por causa desse curso tirado, segundo parece, por correspondência, obtendo uma licenciatura como há muitas por esse país fora. Poderia ter sido ao Domingo ou num dia qualquer da semana. Tanto faz. Mas é isso que faz toda a diferença para esta gente que governa.
Não se demitem pela incompetência que ostentam nem pelas asneiras que cometem. Não sentem qualquer vergonha por isso.
Demitem-se por se saber que tiraram cursos superiores facilitados ou por outro fait-divers qualquer que é tomado como algo inadmissível para as aparências de quem manda e o sistema de valores trocados.
Este indivíduo não esteve aqui, no dia a seguir ao incêndio, não lhe deu jeito, mas estes que lá estiveram talvez fosse melhor nem terem estado.
Dali a dias o principal foi de férias para as Baleares, porque precisava de descansar da chatice dos mortos de Pedrógão. A dos sapatos de ténis ainda continua lá, a fazer tristes figuras porque não tem vergonha nenhuma das que já fez.
Consta que todos têm o curso em dia...
Esta foto foi tirada da NET. Não sei a quem pertence.
Entretanto, outra notícia fresca:
O filho mais novo de Diogo Lacerda Machado — o “melhor amigo” de António Costa que negociou, em nome do primeiro-ministro, os dossiers da TAP e dos lesados do BES — colabora há dois meses, a título “experimental”, com uma empresa do sector empresarial do Estado na área da Defesa.
Aqui não há demissão alguma. Apenas a da vergonha. O tráfico de influências é só para as negociatas...a isto não se aplica.
O melhor exemplo jacobino destas medidas tipo PS é dado no Público de hoje ( 15.9.2017):
Dantes, os comandantes da Protecção Civil eram escolhidos entre os melhores colocados, pela experiência e saber acumulados em funções. Não era necessário curso superior, mas um tal Ascenso Simões, da maçonaria ou por aí, entendeu que o melhor era funcionalizar tais pessoas com cursos superiores, porque não lhes faz sentido que um comandante não seja dr. ou eng. quando alguns subordinados já o são...
Esta mentalidade perpassou nos anos 2000, fruto das estatísticas do nosso atraso peculiar e invadiu também os politécnicos, esses centros de saber acumulado copiado de outros países porque o nosso abandonou tal estrutura de ensino nos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril. Foram aliás os mesmíssimos gagos e grácios que tiveram a luminosa ideia de licenciar a eito e doutorar a preceito sem distinção de currículos sempre que houvesse um doutor a postos para o efeito. Universidades passou a haver. A eito também e que deram os afamados cursos independentes e afins.
Foi esta mentalidade que agora tramou o comandante Esteves. Em vez de fazer um manguito a estas actualizações serôdias e sempre atamancadas de improvisação, como outros fizeram, o dito teve uma ideia que outros também seguiram: actualizar o currículo com cursos passados e obter uma licenciatura através dessa procuração. Tramou-se porque o jacobinismo é mesmo assim: contam as aparências porque a ética é a lei.
Porca miseria que nunca saímos da cepa torta em que andamos há um pouco mais de 40 anos.
Rui Esteves abandona o cargo no dia em que foi aberto um inquérito à sua licenciatura, a pedido pelo ministro do Ensino Superior e pelo presidente do Politécnico de Castelo Branco.
Este desgraçado passou pela pior experiência da vida profissional, este Verão, com a morte de 66 pessoas em Pedrógão Grande, provocadas em boa parte devido à sua incompetência e dos que o rodeiam. Não se demitiu porque nem entendeu tal coisa básica. O curso que tem, afinal não chegou para lhe ensinar tal evidência primária.
Demitiu-se agora por causa desse curso tirado, segundo parece, por correspondência, obtendo uma licenciatura como há muitas por esse país fora. Poderia ter sido ao Domingo ou num dia qualquer da semana. Tanto faz. Mas é isso que faz toda a diferença para esta gente que governa.
Não se demitem pela incompetência que ostentam nem pelas asneiras que cometem. Não sentem qualquer vergonha por isso.
Demitem-se por se saber que tiraram cursos superiores facilitados ou por outro fait-divers qualquer que é tomado como algo inadmissível para as aparências de quem manda e o sistema de valores trocados.
Este indivíduo não esteve aqui, no dia a seguir ao incêndio, não lhe deu jeito, mas estes que lá estiveram talvez fosse melhor nem terem estado.
Dali a dias o principal foi de férias para as Baleares, porque precisava de descansar da chatice dos mortos de Pedrógão. A dos sapatos de ténis ainda continua lá, a fazer tristes figuras porque não tem vergonha nenhuma das que já fez.
Consta que todos têm o curso em dia...
Esta foto foi tirada da NET. Não sei a quem pertence.
Entretanto, outra notícia fresca:
O filho mais novo de Diogo Lacerda Machado — o “melhor amigo” de António Costa que negociou, em nome do primeiro-ministro, os dossiers da TAP e dos lesados do BES — colabora há dois meses, a título “experimental”, com uma empresa do sector empresarial do Estado na área da Defesa.
Aqui não há demissão alguma. Apenas a da vergonha. O tráfico de influências é só para as negociatas...a isto não se aplica.
O melhor exemplo jacobino destas medidas tipo PS é dado no Público de hoje ( 15.9.2017):
Dantes, os comandantes da Protecção Civil eram escolhidos entre os melhores colocados, pela experiência e saber acumulados em funções. Não era necessário curso superior, mas um tal Ascenso Simões, da maçonaria ou por aí, entendeu que o melhor era funcionalizar tais pessoas com cursos superiores, porque não lhes faz sentido que um comandante não seja dr. ou eng. quando alguns subordinados já o são...
Esta mentalidade perpassou nos anos 2000, fruto das estatísticas do nosso atraso peculiar e invadiu também os politécnicos, esses centros de saber acumulado copiado de outros países porque o nosso abandonou tal estrutura de ensino nos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril. Foram aliás os mesmíssimos gagos e grácios que tiveram a luminosa ideia de licenciar a eito e doutorar a preceito sem distinção de currículos sempre que houvesse um doutor a postos para o efeito. Universidades passou a haver. A eito também e que deram os afamados cursos independentes e afins.
Foi esta mentalidade que agora tramou o comandante Esteves. Em vez de fazer um manguito a estas actualizações serôdias e sempre atamancadas de improvisação, como outros fizeram, o dito teve uma ideia que outros também seguiram: actualizar o currículo com cursos passados e obter uma licenciatura através dessa procuração. Tramou-se porque o jacobinismo é mesmo assim: contam as aparências porque a ética é a lei.
Porca miseria que nunca saímos da cepa torta em que andamos há um pouco mais de 40 anos.
A Tecnoforma e os melões no jornalismo caseiro
Em Outubro de 2012 o Público da simbiótica Bárbara Reis deu em parangonas para anunciar uma cacha que o jornalista Cerejo apresentou: um assunto obscuro de verbas europeias, ocorrido dez anos antes. É certo que o mesmo Público e o mesmo Cerejo tinham dado destaque ao assunto da licenciatura na Independente do então PM, José Sócrates. Mas assuntos relacionados com este eram tantos que ficou sempre muito a desejar do Público, nesta matéria.
O caso de 2002, resumia-se a suspeitas de que Passos, enquanto deputado tinha usufruído de vantagens indevidas, mas nem sequer se apurou a eventual dimensão criminal do assunto em causa. Bastou a suspeita de ter recebido por fora e não ter declarado à Segurança Social...
Passos, em 2012 era primeiro-ministro e em plena campanha de "cortes" no Estado e na função pública que punha em pé-de-guerra os sindicatos comunistas e o socialismo de fome de poder mais a geringonça que daí viria.
Passos era para abater, quanto antes ao efectivo político e o Público tinha um instrumento precioso: usar um suposto jornalismo de investigação que poucas vezes usaram, para abater a sua credibilidade até aí impoluta. O outro antigo PM, pejado de casos e casinhos já não interessava para nada...
Assim, o caso foi puxado para as primeiras páginas e espiolhado nos blogs que nunca se interessaram pelo outro. E como é que apresentavam o caso? Simples e a esfregar as mãos já à espera do efeito eleitoral: "Enche 6 páginas a investigação do Público sobrea corrupção o
cadastro de Passos e Relvas, durante os governos de Durão Barroso e
Santana Lopes, nos negócios entre o Estado e a Tecnoforma: Relvas no
Governo e Passos na empresa (interpelado Passos Coelho por no currículo
não constar que foi administrador da Tecnoforma, disse que se
esquecera") era um ver se te avias que isto não dura sempre."
A palerma Ana Gomes, antiga maoista esquentada, denunciou nas Europas o escândalo ocorrido dez anos antes, retomando os artigos do Público, exclusivamente, quando nunca o fez relativamente aos seus colegas de partido, com rabos de palha até Bruxelas.
Em 2014 o assunto ficou arrumado e como é que o Público lidou com o assunto? Assim, com umas parangonas que assustavam o Correio da Manhã e preparavam o caminho à Geringonça, evidentemente:
Nessa altura até alguns lamentáveis ranhetas andavam às facadas no cocó...
Na altura escrevi assim, sobre este jornalismo tipo melão:
A investigação jornalística ao percurso de Passos Coelho encetada pelo Público tem toda a lógica do jornalismo que descobriu que José Sócrates tirara o curso a um Domingo. Ou seja, não descobriu porque foram outros a fazê-lo. Porém, a lógica retoma-se porque foi o Público a mostrar nos quiosques as coisas de tal licenciatura na Independente.
Agora, na questão de Passos Coelho, o Público replica o método. Tendo sido esse jornal a mostrar em diagramas de dúvida e suspeita o que era a empresa Tecnoforma, logo em Outubro de 2012, não consta que tenha dado o mesmo relevo de forma e conteúdo ao arquivamento dessas suspeitas, ocorrido recentemente no DIAP de Coimbra. E era essa a principal suspeita da campanha jornalística nesta investigação ou vice-versa, porque era disso que se tratava.
Porém, como o jornalismo neste caso é como as cerejas, veio agora a lume outro facto relevante, inserido na mesma campanha para saber o que foi a tal Tecnoforma que envolveu o antigo ministro Relvas e o actual primeiro-ministro Passos, que esteve logo em foco , a propósito deste assunto, desde que tomou posse como governante.
Jornalisticamente, o resumo dos factos pode ser este, faltando apenas os que envolvem o jornalismo destas causas sempre interessantes e que funcionam por meios que nunca saberemos ao certo. Uma coisa é certa: há factos e factos. Uns servem; os outros não servem para nada.
Agora toma-se conhecimento do arquivamento do caso, definitivamente, pelo MºPº, numa assunção clara de impasse investigatório perante a ausência de crime. E que faz o Público onde tudo começou?
O director Dinis, Dinis que alguém assim quis, remeteu para uma página interior e uma colunazinha o assunto requentado e sem interesse algum. A Geringonça já está no poder...
O caso de 2002, resumia-se a suspeitas de que Passos, enquanto deputado tinha usufruído de vantagens indevidas, mas nem sequer se apurou a eventual dimensão criminal do assunto em causa. Bastou a suspeita de ter recebido por fora e não ter declarado à Segurança Social...
Passos, em 2012 era primeiro-ministro e em plena campanha de "cortes" no Estado e na função pública que punha em pé-de-guerra os sindicatos comunistas e o socialismo de fome de poder mais a geringonça que daí viria.
Passos era para abater, quanto antes ao efectivo político e o Público tinha um instrumento precioso: usar um suposto jornalismo de investigação que poucas vezes usaram, para abater a sua credibilidade até aí impoluta. O outro antigo PM, pejado de casos e casinhos já não interessava para nada...
Assim, o caso foi puxado para as primeiras páginas e espiolhado nos blogs que nunca se interessaram pelo outro. E como é que apresentavam o caso? Simples e a esfregar as mãos já à espera do efeito eleitoral: "Enche 6 páginas a investigação do Público sobre
A palerma Ana Gomes, antiga maoista esquentada, denunciou nas Europas o escândalo ocorrido dez anos antes, retomando os artigos do Público, exclusivamente, quando nunca o fez relativamente aos seus colegas de partido, com rabos de palha até Bruxelas.
Em 2014 o assunto ficou arrumado e como é que o Público lidou com o assunto? Assim, com umas parangonas que assustavam o Correio da Manhã e preparavam o caminho à Geringonça, evidentemente:
Nessa altura até alguns lamentáveis ranhetas andavam às facadas no cocó...
Na altura escrevi assim, sobre este jornalismo tipo melão:
A investigação jornalística ao percurso de Passos Coelho encetada pelo Público tem toda a lógica do jornalismo que descobriu que José Sócrates tirara o curso a um Domingo. Ou seja, não descobriu porque foram outros a fazê-lo. Porém, a lógica retoma-se porque foi o Público a mostrar nos quiosques as coisas de tal licenciatura na Independente.
Agora, na questão de Passos Coelho, o Público replica o método. Tendo sido esse jornal a mostrar em diagramas de dúvida e suspeita o que era a empresa Tecnoforma, logo em Outubro de 2012, não consta que tenha dado o mesmo relevo de forma e conteúdo ao arquivamento dessas suspeitas, ocorrido recentemente no DIAP de Coimbra. E era essa a principal suspeita da campanha jornalística nesta investigação ou vice-versa, porque era disso que se tratava.
Porém, como o jornalismo neste caso é como as cerejas, veio agora a lume outro facto relevante, inserido na mesma campanha para saber o que foi a tal Tecnoforma que envolveu o antigo ministro Relvas e o actual primeiro-ministro Passos, que esteve logo em foco , a propósito deste assunto, desde que tomou posse como governante.
Jornalisticamente, o resumo dos factos pode ser este, faltando apenas os que envolvem o jornalismo destas causas sempre interessantes e que funcionam por meios que nunca saberemos ao certo. Uma coisa é certa: há factos e factos. Uns servem; os outros não servem para nada.
Agora toma-se conhecimento do arquivamento do caso, definitivamente, pelo MºPº, numa assunção clara de impasse investigatório perante a ausência de crime. E que faz o Público onde tudo começou?
O director Dinis, Dinis que alguém assim quis, remeteu para uma página interior e uma colunazinha o assunto requentado e sem interesse algum. A Geringonça já está no poder...
quarta-feira, setembro 13, 2017
Ave, Mao! Os malucos saudam-te!
Nas semanas e meses que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 o país transformou-se numa exposição a céu aberto do grafitismo político, tantas as pichagens e inscrições murais de carácter político que então surgiram.
Virtualmente nenhuma aldeia do país ficou isenta de tais apresentações gráficas de cariz propagandístico.
Um dos movimentos políticos que mais se destacaram na pintura de paredes foi o MRPP, cujas duas últimas letras da sigla chegaram a estar associadas a tal actividade: pintores de paredes. O mais célebre slogan pintado: "Nem mais um soldado para as colónias!" Grande obra a dos notáveis do MRPP !, hoje situados em lugares de relevo no panorama social e que nunca pagaram o devido preço dessas parvoíces que escreveram e que nos trouxeram desgraças sociais várias.
Esse fenómeno político, daqueles anos, tinha aparecido originariamente no início dos anos setenta, em Lisboa e nos meios estudantis, segundo reza a história, no caso escrita por Miguel Cardina.
Entre os seus mentores da época estavam estudantes que mais tarde se notabilizaram em lugares de destaque político e jornalístico e ainda intelectual que ficaram para sempre conhecidos como ex-maoístas: Durão Barroso, José Lamego, Jorge Coelho, Maria João Rodrigues Nuno Ribeiro da Silva, Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Maria José Morgado e Saldanha Sanches, bem como os jornalistas José Manuel Fernandes, Manuel Falcão e João Mesquita, antigo presidente do sindicato dos jornalistas, a dirigente da comunidade israelita de Lisboa, Esther Mucznik, e o académico António Costa Pinto.
Quem os ouve, hoje em dia, parece que foi tudo a reinar. Coisas de juventude, natural e perfeitamente aceitável. Só que a juventude não é desculpa para a estupidez ou a ignorância relapsa de quem não procurou informar-se podendo e devendo fazê-lo. Daí que as razões dessas opções políticas residam muito mais na personalidade sui generis dos militantes do maoísmo serôdio e sem eira nem beira, neste canto à beira-mar plantado há muitos séculos.
Uma coisa que sempre me espantou foi a circunstância de essas pessoas, na época, serem estudantes que liam e pelos vistos "liam tudo", como diria mais tarde um deles, anotado pelo Público, em 15.8.2004:
Terão eles mais em comum do que esta incursão pela extrema-esquerda? Pois é aqui que regressamos às preferências do patrão do "Expresso" e da SIC pelos maoístas. "Devido à nossa enorme capacidade de trabalho", justifica José Manuel Fernandes. Ainda mais fundo: ninguém que tenha sido formado em jovem nas organizações de extrema-esquerda pode sair igual aos outros que não tiveram esta experiência. Estavam lá a tempo inteiro, pertenciam a uma minoria activa, o que acarretava riscos vários, extremavam-se em aperfeiçoar a arte de transmitir convicções. Como tinham lido quase tudo, eram a seu modo, um grupo de iluminados.Jorge Coelho: "Características deste gente? Grande nível de preparação política, grande capacidade de trabalho e disciplina, de determinação". Ana Gomes: "Foi uma escola política que marca no tipo de raciocínio, de análise e até de linguagem". O que justificará em parte, o ainda discurso inflamado da dirigente socialista: "Talvez ainda não esteja formatada de modo adequado". A ruptura, para a maior parte deles, começou pela constatação que o ambiente nas suas organizações se tornara "insuportável", concentracionário. E também pelo que dizem ser a "falta de sentido" que de repente encontraram na sua militância. Foi esta a experiência de Maria José Morgado e de Ana Gomes. Tinha acontecido o 25 de Abril, existia liberdade, mas eles continuavam a actuar como se ainda fosse o fascismo. Este desapego da realidade sentiu-o Ana Gomes com toda a força quando foi obrigada a isolar-se em casa com a sua filha, de seis meses, que apanhara uma pneumonia durante as suas constantes andanças com a mãe
Todas estas pessoas se formaram com estudos de universidade e encarreiraram de diversas formas. Como foi possível passarem esses anos todos sem que se dessem conta do logro, do embuste politico-ideológico que depois vieram a reconhecer com toda a candura décadas mais tarde?
Como é que tais evidências agora reconhecidas não o foram na época em que poderiam ter sido e muitos reconheciam? Que estranha cegueira os atingiu de modo fulminante nesse tempo?
(...)
Mas foi preciso esperar pelos anos 90 para que a José Manuel Fernandes lhe caísse em cima "o lado negro e trágico da Revolução Cultural chinesa". Aconteceu com a leitura de "Cisnes Selvagens", o livro de Jung Chang que está para a China como o "Arquipélago de Gulag" esteve para a URSS. Devastador. Um arrepio: "Quando li este livro uma das coisas que me impressionou naquele tipo de vida, na dedicação que era exigida, é que aquilo era muito parecido com o que tinha vivido nas organizações a que pertenci".Alguns curaram as feridas no chamado Clube da Esquerda Liberal, já nos anos 80. Ficaram vacinados. É o que assumem, pelo menos. "Quando se acredita numa verdade absoluta e depois acontece o descalabro fica-se a perceber melhor o relativismo das coisas. Tornei-me assim uma pessoa muito anti-dogma", descreve Maria José Morgado. "Ter sido maoísta faz-me sentir muito mais vigilante, ter muito mais cuidado com as tomadas de posição, ter um muito maior apego às instituições e à democracia liberal. É preciso não forçar demasiado o sistema porque a democracia é um bem frágil", diz Costa Pinto, que precisamente elegeu como sua área privilegiada de estudo a democracia e o autoritarismo. O que são então eles hoje? José Lamego propõe uma grelha: "Há duas camadas geracionais: a dos militantes esquerdistas contra a ditadura e que está à esquerda. E a experiência esquerdista em afrontamento com o PC e que está à direita. Foram formados na luta contra o PC". É o caso, entre outros, de Durão Barroso.
É essa tentativa de compreensão que procuro fazer aqui com algumas indicações do tempo e que parece terem sido completamente ignoradas por esses indivíduos, em prol de fézadas que se revelaram enganos ledos e cegos que a fortuna, apesar de tudo ainda deixou durar muitos anos.
Antes de 25 de Abril de 1974 o maoísmo era a China de Mao e a política externa que alguns países então desenvolveram de aproximação à China, porque era assim que se apresentava nos media existentes. A visita de Nixon à China foi um acontecimento de relevo mundial.
A revista Observador de 3.12.1971 mostrava em duas páginas "o pensamento de Mao"...
Em 25 de Fevereiro a mesma revista apresentava a visita de Nixon apenas como um "grande negócio"...
Em12.11.1971 a revista Vida Mundial mostrava quase a mesma coisa: uma China irreal e desconhecida que aparecia filtrada pelos media, em que não se falava de comunismo, maoismo, Revolução Cultural ou outros temas claros e elucidativos do que realmente se passava nesse país.
Essas revistas pareciam versões em reader´s digest da Foreign Affairs americana. A realidade chinesa pura e simplesmente não existia como facto noticioso.
E quem elucidava verdadeiramente o que se passava no país de mais de um bilião de pessoas, em pleno refluxo de uma Revolução Cultural muito aplaudida pelos maoistas serôdios de cá?
Pois, quem lá viveu o tempo suficiente para perceber o que se passava. E escreveu um livro publicado em França, em finais de 1971 que por cá passou completa e incompreensivelmente ignorado, eventualmente até hoje.
Simon Leys era o autor, mas um pseudónimo de um indivíduo belga, Pierre Ryckmans, então refugiado na Austrália e que ninguém conhecia.
Nas revistas francesas de esquerda , na época, em finais de 1971 ( Tel Quel, bíblia do esquerdismo nacional e Le Nouvel Observateur, do socialismo democrático francês de Jean Daniel) a demolição do livro e do seu autor foi de preceito.
Por cá, nem se falou no livro, quanto mais nas ideias que lá vinham e que eventualmente teriam demovido de muita parvoíce os então maoistas em gestação acelerada.
Nenhuma revista falou ou recenseou a obra que eventualmente nunca foi traduzida em Portugal até hoje.
O livro retomava a célebre historieta infantil dos trajes novos do imperador...que afinal ia nu, para denunciar as manobras criminosas de Mao e da sua clique para se amparar do poder, através de uma fantasiosa Revolução Cultural, como de facto aconteceu.
Há dias, em 26 de Agosto, a revista Le Figaro Magazine recordou o que se passou com a publicação desse livro em França e a perseguição pessoal movida ao autor pela intelligentsia de esquerda francesa que dava cartas aos intelectuais de cá. Aos pachecos pereiras e afins prados coelhos, para além dos maoistas nascentes.
É algo estranho que no Portugal da época tenha passado completamente ignorada esta obra, de denúncia de um maoismo criminoso, tal como tinha sido o estalinismo denunciado pelos sucessores ( Krutschev). Porém ainda é mais estranho que os maoistas nascentes não tenham dado importância a um livro que certamente conheciam pelas leituras francesas que então faziam ( "liam tudo"...)
Alguém explicará esta ignorância estratégica?
Por isso mesmo e por outras razões em 1974 os maoistas portugueses estavam virgens de tais ideias e factos. Ou faziam de conta. E por isso deram em reproduzir as parvoíces que imaginavam aplicáveis a uma sociedade como a portuguesa.
Nos muros de 1974 e 75 apareciam cartazes como estes, publicados no livro A guerra dos cartazes.
E se não conheciam o livro de Simon Leys conheciam muito bem as parvoíces perigosas que aqui se escreviam e foram logo publicadas em Junho de 1974.
Coisas como estas que Saldanha Sanches, Maria José Morgado e outros comiam ao pequeno almoço...coisas sobre a guerra, a luta de classes, as armas para liquidar a burguesia e outras parvoíces que não tenho bem a certeza que alguns tenham abandonado, como tal. Pessoas muito inteligentes, estas...
E afinal o que era o MRPP? Um antro de doidos políticos como continua a ser e que vivem ainda à custa do Estado português que os subsidia emquanto a Constituição proíbe as "organizações fascistas" e permite estas "maoistas", muito mais civilizadas e democráticas...
Em Novembro/Dezembro de 1974 não faziam segredo algum dessa loucura colectiva que até denunciavam os outros malucos do asilo ( os do PCP) como inimigos irredutíveis:
Em Abril de 1975 até concorreram a eleições, apesar do boicote dos demais partidos esquerdistas cujas revistas de propaganda nem os conheciam...
Porém, a Vida Mundial de10.12.1974 apresentava assim o MRPP e as suas "bases programáticas", com que se apresentava ao eleitorado, já como partido:
A Flama de então ( fora do Patriarcado e estava nas mãos dos comunistas, um tal Alexandre Manuel e outros) nem sabia quem era o MRPP, mas dava o destaque principal a Soares e Cunhal.
Na época a proliferação de grupelhos "m-l" ( que os pachecos pereiras afeiçoavam ideologicamente) era pior que a dos cogumelos na humidade, como mostra este gráfico do blog mencionado, de Miguel Cardina:
E como é que os demais "m-l" lidavam com o "líder da classe operária" e sus muchachos n o MRPP? Na revista Manifesto, de Fevereiro de 1975, então dirigida por Guerra Madaleno ( um advogado agora na berra...) foi publicada a posição desses malucos, em "mesa-redonda" sobre vários assuntos:
terça-feira, setembro 12, 2017
Os juízes pertencem a órgão de soberania sui generis: são outros que definem o seu estatuto...
Observador, Rui Ramos:
Depois da greve dos enfermeiros, a greve dos juízes. Tudo isto é de algum modo edificante. Os enfermeiros mostram-nos que o SNS, com que tanto enchem a boca, afinal não lhes interessa, a não ser como fonte de empregos e regalias. Os juízes deixam-nos perceber que, no fundo, se sentem como quaisquer outros empregados por conta de outrem, o que nos sugere esta dúvida: por que razão têm então o estatuto e as garantias de um órgão de soberania?
Esta questão do direito à greve dos juízes é velha e revelha. Em 1976 a actual Constituição deixava entreaberta uma porta de interpretações favoráveis à greve. E tanto assim foi que na anotação que fizeram a essa mesma Constituição, os especialistas de Coimbra, Gomes Canotilho e Vital Moreira escreveram:
"Enquanto titulares de cargos públicos e elementos pessoais de órgãos de soberania independentes, não subordinados a ordens ou instruções, os juízes não se enquadram integralmente nos conceitos constitucionais de trabalhador nem de funcionário público, para efeito de gozarem directamente dos respectivos direitos constitucionais específicos . Todavia, tendo em conta o carácter profissional e permanente do cargo de juiz, tudo aponta para que lhes sejam reconhecidos aqueles direitos, incluindo o direito à associação sindical."
Como é sabido, um dos direitos fundamentais dos trabalhadores - os tais “constitucionais específicos” previstos no Capítulo III da CRP - que o co-anotador Vital Moreira expressamente escreveu em 1992 que deveriam ser reconhecidos aos juízes, é precisamente o direito à greve, previsto no artº 57 da CRP !
Claro que outros constitucionalistas se têm manifestado contra tal possibilidade e parece actualmente que a tendência é para impedir os juízes de terem esse direito, o que obviamente configura uma capitis diminutio em relação a outros titulares de direitos na função pública.
Tendo o estatuto dos juízes aquele carácter híbrido, em que se inclui inapelavelmente a componente de funcionalismo público cujas regalias, carreira e vencimentos são definidos por outros órgãos de soberania, neste caso eleitos, a razão terá sempre que se encontrar no modo como se olha para tal estatuto, como no caso da garrafa meio-cheia ou meio-vazia.
Rui Ramos optou por olhar para a parte vazia...lá saberá porquê.
Um dos sindicalistas dos juízes, João Paulo V. Raposo escreveu assim no Expresso desta semana, para enfatizar tal aspecto esquecido de muitos:
segunda-feira, setembro 11, 2017
A merda já se espalhou...e os interesses cederam ao terrorismo verbal da esquerda. Como sempre.
Observador:
Porto Editora vai “trabalhar em conjunto” com Comissão para a Igualdade de Género
Houve uma reunião entre a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e a Porto Editora, da qual saiu um compromisso para que as duas entidades "trabalhem em conjunto" na criação de conteúdos.
Porto Editora vai “trabalhar em conjunto” com Comissão para a Igualdade de Género
Houve uma reunião entre a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e a Porto Editora, da qual saiu um compromisso para que as duas entidades "trabalhem em conjunto" na criação de conteúdos.
Inacreditável! O jacobinismo assaltou o Ministério Público?
Jornal i:
O Ministério Público (MP) abriu um inquérito formal após queixa do Bloco de Esquerda contra as declarações do candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures, em entrevista ao i, sobre a comunidade cigana.
André Ventura, o candidato social-democrata que era também apoiado pelo CDS, mas deixou de ser na sequência dessas afirmações, será ouvido pelo MP no próximo dia 19, uma terça-feira, onze dias antes de ir a votos para as eleições autárquicas de 2017.
O Bloco de Esquerda havia apresentado queixa-crime contra o dirigente nacional do PSD em julho, alegando que as suas declarações ao i são “racistas e xenófobas para com a comunidade cigana”.
Ventura havia gerado controvérsia após criticar a comunidade cigana de Loures por se “julgar acima do Estado de Direito”.
O Bloco, por sua vez, considerara que essa entrevista “não só difama as pessoas de etnia cigana, dizendo que estas são beneficiadas, como incita explicitamente à discriminação destas pessoas”.
O Ministério Público recebeu a queixa, abriu inquérito formal e convocou Ventura para prestar declarações no dia 19 de setembro.
Escutado pelo i, o candidato social-democrata à presidência da Câmara de Loures diz-se “surpreendido” com a decisão.
“Fiquei surpreendido com a decisão de instaurar um inquérito sobre algo que é evidente estar no domínio da liberdade de expressão e opinião, fundamentais à nossa democracia”, afirma ao i o dirigente nacional do PSD.
André Ventura, que é também professor universitário de Direito, acrescenta ainda: “Confio plenamente na Justiça e nos nossos magistrados e sei que a decisão final deste processo será justa e de acordo com a liberdade que conquistámos a 25 de Abril de 1974”.
E remata com a garantia de não voltar atrás no antes defendido: “Quero dizer isto muito claramente: independente dos processos que me movam, não retiro uma vírgula àquilo que disse relativamente à comunidade cigana”.
Num estudo feito pela Aximage a pedido do grupo Cofina, em finais de agosto, 67% de uma amostra nacional e pluripartidária admitiu concordar com as declarações polémicas do candidato, 25,2% revelaram não concordar, 3,3% não tiveram opinião e 3,7 não concordaram nem discordaram. Dentro do eleitorado do Bloco de Esquerda inquirido, 55,7 admitiu concordar, 37,6 não concordar, 4% sem opinião e 2,8 não concordaram nem discordaram.
Para além disto, a questão é iminentemente jurídica e o MºPº tem o dever de analisar imediatamente o assunto sem conceder a demagogias ou a parvoíces, neste caso do BE. Por causa disto:
Artigo 262.º
Finalidade e âmbito do inquérito
A jurisprudência, no caso uma decisão do TRC, já se pronunciou sobre o modus faciendi do MºPº :
Ac. TRC de 6-11-2013 : I. Embora o Código de Processo Penal não contemple expressamente o que se vem denominando de arquivamento liminar de queixa/denúncia, tem o Ministério Público o dever de assim proceder nas situações em que lhe são participados factos que não constituem crime. Implicitamente tal encontra assento no artigo 262.º, n.º 2 daquele compêndio legislativo.
Ou seja, é dever estrito do MºPº arquivar liminarmente esta denúncia parva de uma organização política de extrema-esquerda que não pode nem deve condicionar o andamento político ou social de um país. Basta o que basta!
O Ministério Público (MP) abriu um inquérito formal após queixa do Bloco de Esquerda contra as declarações do candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures, em entrevista ao i, sobre a comunidade cigana.
André Ventura, o candidato social-democrata que era também apoiado pelo CDS, mas deixou de ser na sequência dessas afirmações, será ouvido pelo MP no próximo dia 19, uma terça-feira, onze dias antes de ir a votos para as eleições autárquicas de 2017.
O Bloco de Esquerda havia apresentado queixa-crime contra o dirigente nacional do PSD em julho, alegando que as suas declarações ao i são “racistas e xenófobas para com a comunidade cigana”.
Ventura havia gerado controvérsia após criticar a comunidade cigana de Loures por se “julgar acima do Estado de Direito”.
O Bloco, por sua vez, considerara que essa entrevista “não só difama as pessoas de etnia cigana, dizendo que estas são beneficiadas, como incita explicitamente à discriminação destas pessoas”.
O Ministério Público recebeu a queixa, abriu inquérito formal e convocou Ventura para prestar declarações no dia 19 de setembro.
Escutado pelo i, o candidato social-democrata à presidência da Câmara de Loures diz-se “surpreendido” com a decisão.
“Fiquei surpreendido com a decisão de instaurar um inquérito sobre algo que é evidente estar no domínio da liberdade de expressão e opinião, fundamentais à nossa democracia”, afirma ao i o dirigente nacional do PSD.
André Ventura, que é também professor universitário de Direito, acrescenta ainda: “Confio plenamente na Justiça e nos nossos magistrados e sei que a decisão final deste processo será justa e de acordo com a liberdade que conquistámos a 25 de Abril de 1974”.
E remata com a garantia de não voltar atrás no antes defendido: “Quero dizer isto muito claramente: independente dos processos que me movam, não retiro uma vírgula àquilo que disse relativamente à comunidade cigana”.
Num estudo feito pela Aximage a pedido do grupo Cofina, em finais de agosto, 67% de uma amostra nacional e pluripartidária admitiu concordar com as declarações polémicas do candidato, 25,2% revelaram não concordar, 3,3% não tiveram opinião e 3,7 não concordaram nem discordaram. Dentro do eleitorado do Bloco de Esquerda inquirido, 55,7 admitiu concordar, 37,6 não concordar, 4% sem opinião e 2,8 não concordaram nem discordaram.
Para além disto, a questão é iminentemente jurídica e o MºPº tem o dever de analisar imediatamente o assunto sem conceder a demagogias ou a parvoíces, neste caso do BE. Por causa disto:
Artigo 262.º
Finalidade e âmbito do inquérito
| 1
- O inquérito compreende o conjunto de diligências que visam investigar
a existência de um crime, determinar os seus agentes e a
responsabilidade deles e descobrir e recolher as provas, em ordem à
decisão sobre a acusação.
2 - Ressalvadas as excepções previstas neste Código, a notícia de um crime dá sempre lugar à abertura de inquérito. |
A jurisprudência, no caso uma decisão do TRC, já se pronunciou sobre o modus faciendi do MºPº :
Ac. TRC de 6-11-2013 : I. Embora o Código de Processo Penal não contemple expressamente o que se vem denominando de arquivamento liminar de queixa/denúncia, tem o Ministério Público o dever de assim proceder nas situações em que lhe são participados factos que não constituem crime. Implicitamente tal encontra assento no artigo 262.º, n.º 2 daquele compêndio legislativo.
Ou seja, é dever estrito do MºPº arquivar liminarmente esta denúncia parva de uma organização política de extrema-esquerda que não pode nem deve condicionar o andamento político ou social de um país. Basta o que basta!
domingo, setembro 10, 2017
A viscosidade do sistema que gera consensos
No Sol de ontem, o perfil do advogado Proença de Carvalho traçado por Nuno Ramos de Almeida, catalogou as empresas onde o mesmo exerce funções na Assembleia Geral.
Numa lista de 26 grandes empresas nacionais, a maior parte delas de capitais privados, não ocorreu ao jornalista perguntar ao dono de alguma delas ( sócios maioritários, por exemplo) algumas das razões da preferência deste advogado para o exercício do cargo. Não se explica ao leitor qualquer razão plausível para tal, a não ser a alegação de um dado inefável repetido ao longo do artigo: a excepcional inteligência deste meco vindo da Soalheira que costumava tocar guitarra em tandem com Dias Loureiro.
Ao contrário da viscosidade que aparentemente liga o indivíduo aos cargos exercidos, o argumento não cola assim tanto por ser tão fluido e inconsistente. Inteligentes há muitos e entre advogados ainda mais...e não será este esperto que sobreleva nessa qualidade os demais.
Há outras razões, por isso mesmo, para que este personagem arribado à democracia vindo do antigamente de um limbo oposicionista situado dentro do próprio regime com um pé lá e outro cá, tenha prosperado no âmago do sistema. Em primeiro lugar o facto de o país ser muito pequeno e o dito espertalhão ter conseguido surfar todas as ondas democráticas que se lhe apresentaram. Em primeiro lugar, a oposicionista a Marcello Caetano, com um olho a piscar ao comunismo clandestino, marcando logo um ponto importante no tabuleiro político vindouro, mesmo fincado no terreiro do capitalismo monopolista de Champallimaud e afins onde jogavam também os demais espertos do regime deposto e vindouro. Os advogados socialistas nunca desprezaram os detentores do capitalismo monopolista e isso é tão válido para este esperto como para os demais, em que se incluem os Mário Soares e outros AlmeidaSantosVascoVieiradeAlmeidaSalgadoZenha e até um Godinho de Matos ou um Magalhães e Silva co-fundador do PS.
Nunca algum desses se incomodou com a promiscuidade de princípios porque no fim de contas a similitude era evidente: poder, dinheiro e influência, são esses os valores no jogo que todos sempre jogaram.
Este advogado trazia uma vantagem: é manhoso e provavelmente matreiro. Os princípios eram os mesmos e os fins os mesmos eram. Passar de Champallimaud para Ricardo Salgado é um passo dentro da mesma dança. Defender "o senhor", como advogado, até ao ponto em que se prenuncia a desgraça do dito, é absolutamente previsível, mas cum gano salis: manter a porta do escritório aberta com o filho lá dentro, para o que der e vier, não vá o diabo tecê-las e o diabo tece-as mesmo, como provavelmente se verá um dia destes.
O articulista, para além de copiar imagens alheias, teve um lampejo de lucidez ao entrevistar outro advogado, agora retirado no seu Algarve, mas colega de escritório da raposa em causa: Godinho de Matos que tem muito que contar e eventualmente vontade de o fazer. Já contou o essencial da separação: o tempo é outro e a descendência da espécie carece de adaptação aos novos tempos.
Godinho de Matos conhece os truques todos, a podridão completa e a desgraça em que este país se transformou. Podia contá-la em livro ou a quem de direito que ele sabe muito bem quem seja e faria um serviço ao país, não traindo ninguém a não ser a Mentira com que colaborou dezenas de anos.
Espero que não morra sem o fazer porque seria o maior serviço que poderia prestar ao nosso país e a sua completa redenção.
Entretanto aqui ficam mais páginas do artigo insípido e medroso.
Em complemente mais outro exemplo do funcionamento do sistema apontado, do CM de hoje: o embaixador Seixas Santos agraciado com várias comendas honoríficas e de renda certa em prol da sua actividade pro bono. Miserável! E andamos nós por aqui a falar em corrupção...
Numa lista de 26 grandes empresas nacionais, a maior parte delas de capitais privados, não ocorreu ao jornalista perguntar ao dono de alguma delas ( sócios maioritários, por exemplo) algumas das razões da preferência deste advogado para o exercício do cargo. Não se explica ao leitor qualquer razão plausível para tal, a não ser a alegação de um dado inefável repetido ao longo do artigo: a excepcional inteligência deste meco vindo da Soalheira que costumava tocar guitarra em tandem com Dias Loureiro.
Ao contrário da viscosidade que aparentemente liga o indivíduo aos cargos exercidos, o argumento não cola assim tanto por ser tão fluido e inconsistente. Inteligentes há muitos e entre advogados ainda mais...e não será este esperto que sobreleva nessa qualidade os demais.
Há outras razões, por isso mesmo, para que este personagem arribado à democracia vindo do antigamente de um limbo oposicionista situado dentro do próprio regime com um pé lá e outro cá, tenha prosperado no âmago do sistema. Em primeiro lugar o facto de o país ser muito pequeno e o dito espertalhão ter conseguido surfar todas as ondas democráticas que se lhe apresentaram. Em primeiro lugar, a oposicionista a Marcello Caetano, com um olho a piscar ao comunismo clandestino, marcando logo um ponto importante no tabuleiro político vindouro, mesmo fincado no terreiro do capitalismo monopolista de Champallimaud e afins onde jogavam também os demais espertos do regime deposto e vindouro. Os advogados socialistas nunca desprezaram os detentores do capitalismo monopolista e isso é tão válido para este esperto como para os demais, em que se incluem os Mário Soares e outros AlmeidaSantosVascoVieiradeAlmeidaSalgadoZenha e até um Godinho de Matos ou um Magalhães e Silva co-fundador do PS.
Nunca algum desses se incomodou com a promiscuidade de princípios porque no fim de contas a similitude era evidente: poder, dinheiro e influência, são esses os valores no jogo que todos sempre jogaram.
Este advogado trazia uma vantagem: é manhoso e provavelmente matreiro. Os princípios eram os mesmos e os fins os mesmos eram. Passar de Champallimaud para Ricardo Salgado é um passo dentro da mesma dança. Defender "o senhor", como advogado, até ao ponto em que se prenuncia a desgraça do dito, é absolutamente previsível, mas cum gano salis: manter a porta do escritório aberta com o filho lá dentro, para o que der e vier, não vá o diabo tecê-las e o diabo tece-as mesmo, como provavelmente se verá um dia destes.
O articulista, para além de copiar imagens alheias, teve um lampejo de lucidez ao entrevistar outro advogado, agora retirado no seu Algarve, mas colega de escritório da raposa em causa: Godinho de Matos que tem muito que contar e eventualmente vontade de o fazer. Já contou o essencial da separação: o tempo é outro e a descendência da espécie carece de adaptação aos novos tempos.
Godinho de Matos conhece os truques todos, a podridão completa e a desgraça em que este país se transformou. Podia contá-la em livro ou a quem de direito que ele sabe muito bem quem seja e faria um serviço ao país, não traindo ninguém a não ser a Mentira com que colaborou dezenas de anos.
Espero que não morra sem o fazer porque seria o maior serviço que poderia prestar ao nosso país e a sua completa redenção.
Entretanto aqui ficam mais páginas do artigo insípido e medroso.
Em complemente mais outro exemplo do funcionamento do sistema apontado, do CM de hoje: o embaixador Seixas Santos agraciado com várias comendas honoríficas e de renda certa em prol da sua actividade pro bono. Miserável! E andamos nós por aqui a falar em corrupção...
sábado, setembro 09, 2017
A morte lenta dos jornais é resultado do veneno que a esquerda lhes inoculou
Por causa disto...
( jornal i de 7.9.2017)
em que se revela que a Cofina, tal como a Impresa, também está à rasca.
(Vidas do CM de hoje)
E ainda disto...deste habitual palerma:
(Público de hoje)
Subscrevo isto, de Alberto Gonçalves, no Observador de hoje:
O excelentíssimo senhor publisher da CMTV, do Correio da Manhã, da Sábado, do Record e da TV Guia exigiu, cito, um “plano de emergência” para a “comunicação social”. Por outras palavras, implorou ao governo que patrocine os media tradicionais sob pena de falência geral. Por onde quer que lhe peguemos, é uma óptima ideia.
Pegue-se, em primeiro lugar, nos famosos “conteúdos”. O sr. Octávio Ribeiro cometeu as notáveis declarações acima durante um programa da sua televisão chamado “Sexy 20”, provável maravilha cuja falta, por força de bancarrota, deixaria decerto os cidadãos transtornados. E quem diz o “Sexy 20” diz as reportagens com ocultistas, videntes, tarólogas e demais personalidades que povoam a CMTV quando a CMTV não passa fascinantes “rubricas” sobre famosos que ninguém conhece, incêndios, violadores e criancinhas desbaratadas pelo destino. E quem diz a CMTV diz a generalidade dos canais indígenas, logo que, sem desvantagens aparentes, se troque o bruxo de Fafe pelo dr. Pacheco Pereira, os violadores por bandos de socialistas assumidos ou dissimulados e as criancinhas por casos de sucesso deste Portugal que nada, incluindo o bom senso, é capaz de segurar. E quem diz a generalidade dos canais diz, salvo abomináveis excepções, a generalidade da imprensa, hoje um imprescindível albergue de ilustres analfabetos parciais, magníficos activistas por inteiro e meros resignados, que, juntos, produzem folhetos tão interessantes quanto uma unha encravada. E quem diz a imprensa diz as rádios, que nem sei se ainda sobra alguma, mas que, à cautela, choro todos os dias com medo de perder.
Pegue-se, em segundo lugar, no irritante “mercado”. Por razões diversas, a maioria das quais ligadas à realidade e maçadas similares, as pessoas deixaram de reparar na existência de publicações em papel e, não tarda, farão o mesmo com a televisão convencional, largada em prol de modernices que, embora lembrem a milhões de criaturas, não lembram ao diabo. Por sorte, a cada título que fecha ou encolhe ergue-se um clamor colectivo a louvar o dito, inevitavelmente indispensável à humanidade em peso. Por azar, os sujeitos que clamam não compravam um exemplar do dito título para aí desde 2007. A benefício do equilíbrio, a solução passa por forçar o contribuinte a pagar aquilo que o público não consome. O público, que é burro, literalmente não sabe o que quer.
Pegue-se, em terceiro lugar, no abençoado Estado. Adicione-se o “plano”, vocábulo com agradáveis reminiscências históricas. E polvilhe-se com a “emergência”, para dar supressão da lucidez e sabor. Leve-se a lume brando e obtém-se, sem erro possível, qualquer coisa de formidável: os media na dependência formal dos senhores que mandam. Não vejo a hora. A noção de jornalismo enquanto “contrapoder” é típica de países subdesenvolvidos e regimes nefastos. Se o poder é bom e generoso e sadio como aquele que nos ilumina, não há motivo para que os jornalistas não recebam directamente de um ministério dedicado a tal desígnio. E a hipótese de o saudável arranjo interferir na informação divulgada não se coloca, visto que no actual cenário de prosperidade e folia as notícias negativas para o poder só poderiam derivar da má-fé. E a má-fé não é jornalismo.
Pegue-se, em quarto lugar, nos media tradicionais que temos. Descontando, de novo, duas ou três embirrantes excepções, os restantes “órgãos” estão mais do que prontos para abraçar o próximo estádio civilizacional. Na verdade, ignoro se, além da RTP, RTP2, RTP3, RTP África, RTP Internacional, RTP Poesia, RTP Saudade, RTP Madeira, RTP Açores, RTP Azulejos, RTP Bicicletas e as diversas Antenas da telefonia, algum canal ou diário já recebe remunerações governamentais. Se não recebem, parece, e acho sinceramente que quase todos mereciam recebê-las, à peça ou por atacado. O empenho com que servem a oligarquia não devia ser desprezado. Não é fácil recrutar centenas e centenas de indivíduos desprovidos de vértebras a ponto de, em colunas de “opinião” e “debates”, “reportagens” e artigos “de fundo”, “entrevistas” e “editoriais”, prestarem com regularidade tamanhas vénias aos donos da pátria. Ou, a julgar pela abundante amostra, é fácil. O que é difícil, e cruel, é manter essas multidões de fiéis serviçais em risco de desemprego. Arranje-se um plano, de emergência, para enforcar o jornalismo antes que ele morra.
Pegue-se, enfim, na súplica do excelentíssimo senhor publisher da Cofina, mal se encontre ponta por onde se lhe pegue.
Tudo isso porque me lembro disto, de O Jornal de 28.5.1976 quando o tal palerma ainda só jurava pelo marxismo-leninismo-maoismo e agora aparece a dar lições de democracia e de jornais de referência, os quais aliás, lhe pagam parte do salário bem arredondado, através do mecenato do capitalista-mor do país:
A Realidade nunca perdoa e é muito sóbria. A sua negação permanente, de há 43 anos a esta parte, é uma tragédia nacional: três bancarrotas, o país ainda mais atrasado da Europa e incompetentes e corruptos a mandar, sem escrutínio mediático algum. Comem da mesma gamela.
( jornal i de 7.9.2017)
em que se revela que a Cofina, tal como a Impresa, também está à rasca.
(Vidas do CM de hoje)
E ainda disto...deste habitual palerma:
(Público de hoje)
Subscrevo isto, de Alberto Gonçalves, no Observador de hoje:
O excelentíssimo senhor publisher da CMTV, do Correio da Manhã, da Sábado, do Record e da TV Guia exigiu, cito, um “plano de emergência” para a “comunicação social”. Por outras palavras, implorou ao governo que patrocine os media tradicionais sob pena de falência geral. Por onde quer que lhe peguemos, é uma óptima ideia.
Pegue-se, em primeiro lugar, nos famosos “conteúdos”. O sr. Octávio Ribeiro cometeu as notáveis declarações acima durante um programa da sua televisão chamado “Sexy 20”, provável maravilha cuja falta, por força de bancarrota, deixaria decerto os cidadãos transtornados. E quem diz o “Sexy 20” diz as reportagens com ocultistas, videntes, tarólogas e demais personalidades que povoam a CMTV quando a CMTV não passa fascinantes “rubricas” sobre famosos que ninguém conhece, incêndios, violadores e criancinhas desbaratadas pelo destino. E quem diz a CMTV diz a generalidade dos canais indígenas, logo que, sem desvantagens aparentes, se troque o bruxo de Fafe pelo dr. Pacheco Pereira, os violadores por bandos de socialistas assumidos ou dissimulados e as criancinhas por casos de sucesso deste Portugal que nada, incluindo o bom senso, é capaz de segurar. E quem diz a generalidade dos canais diz, salvo abomináveis excepções, a generalidade da imprensa, hoje um imprescindível albergue de ilustres analfabetos parciais, magníficos activistas por inteiro e meros resignados, que, juntos, produzem folhetos tão interessantes quanto uma unha encravada. E quem diz a imprensa diz as rádios, que nem sei se ainda sobra alguma, mas que, à cautela, choro todos os dias com medo de perder.
Pegue-se, em segundo lugar, no irritante “mercado”. Por razões diversas, a maioria das quais ligadas à realidade e maçadas similares, as pessoas deixaram de reparar na existência de publicações em papel e, não tarda, farão o mesmo com a televisão convencional, largada em prol de modernices que, embora lembrem a milhões de criaturas, não lembram ao diabo. Por sorte, a cada título que fecha ou encolhe ergue-se um clamor colectivo a louvar o dito, inevitavelmente indispensável à humanidade em peso. Por azar, os sujeitos que clamam não compravam um exemplar do dito título para aí desde 2007. A benefício do equilíbrio, a solução passa por forçar o contribuinte a pagar aquilo que o público não consome. O público, que é burro, literalmente não sabe o que quer.
Pegue-se, em terceiro lugar, no abençoado Estado. Adicione-se o “plano”, vocábulo com agradáveis reminiscências históricas. E polvilhe-se com a “emergência”, para dar supressão da lucidez e sabor. Leve-se a lume brando e obtém-se, sem erro possível, qualquer coisa de formidável: os media na dependência formal dos senhores que mandam. Não vejo a hora. A noção de jornalismo enquanto “contrapoder” é típica de países subdesenvolvidos e regimes nefastos. Se o poder é bom e generoso e sadio como aquele que nos ilumina, não há motivo para que os jornalistas não recebam directamente de um ministério dedicado a tal desígnio. E a hipótese de o saudável arranjo interferir na informação divulgada não se coloca, visto que no actual cenário de prosperidade e folia as notícias negativas para o poder só poderiam derivar da má-fé. E a má-fé não é jornalismo.
Pegue-se, em quarto lugar, nos media tradicionais que temos. Descontando, de novo, duas ou três embirrantes excepções, os restantes “órgãos” estão mais do que prontos para abraçar o próximo estádio civilizacional. Na verdade, ignoro se, além da RTP, RTP2, RTP3, RTP África, RTP Internacional, RTP Poesia, RTP Saudade, RTP Madeira, RTP Açores, RTP Azulejos, RTP Bicicletas e as diversas Antenas da telefonia, algum canal ou diário já recebe remunerações governamentais. Se não recebem, parece, e acho sinceramente que quase todos mereciam recebê-las, à peça ou por atacado. O empenho com que servem a oligarquia não devia ser desprezado. Não é fácil recrutar centenas e centenas de indivíduos desprovidos de vértebras a ponto de, em colunas de “opinião” e “debates”, “reportagens” e artigos “de fundo”, “entrevistas” e “editoriais”, prestarem com regularidade tamanhas vénias aos donos da pátria. Ou, a julgar pela abundante amostra, é fácil. O que é difícil, e cruel, é manter essas multidões de fiéis serviçais em risco de desemprego. Arranje-se um plano, de emergência, para enforcar o jornalismo antes que ele morra.
Pegue-se, enfim, na súplica do excelentíssimo senhor publisher da Cofina, mal se encontre ponta por onde se lhe pegue.
Tudo isso porque me lembro disto, de O Jornal de 28.5.1976 quando o tal palerma ainda só jurava pelo marxismo-leninismo-maoismo e agora aparece a dar lições de democracia e de jornais de referência, os quais aliás, lhe pagam parte do salário bem arredondado, através do mecenato do capitalista-mor do país:
A Realidade nunca perdoa e é muito sóbria. A sua negação permanente, de há 43 anos a esta parte, é uma tragédia nacional: três bancarrotas, o país ainda mais atrasado da Europa e incompetentes e corruptos a mandar, sem escrutínio mediático algum. Comem da mesma gamela.
Copy, paste deste blog
Entretanto o Sol decidiu finalmente fazer um perfil alargado de um advogado da praça em que ninguém toca, até agora ( tem muitos cargos em empresas conexionadas com os media...), mas veremos como o futuro se apresenta e as surpresas que trará.
E numa das páginas do artigo assinado por Nuno Ramos de Almeida decidiu colocar esta foto de um jornal que já saiu neste blog, porque a cópia é minha...
Estou farto de dizer que me estou nas tintas para a publicidade ao blog ( nunca vou ver quem me lê ou deixa de ler e não é isso que me importa).
Mas estou farto também de clamar por uma ética básica, nos media: quem copia deve dizer, pelo menos, de onde copia.
No caso, o Sol copiou daqui. E parece-me uma vergonha não o dizer. Não basta ir ao Google, colocar as palavras certas e rapinar as imagens correspondentes. É preciso dizer de onde vêm, percebe, Nuno Ramos de Almeida?
E numa das páginas do artigo assinado por Nuno Ramos de Almeida decidiu colocar esta foto de um jornal que já saiu neste blog, porque a cópia é minha...
Estou farto de dizer que me estou nas tintas para a publicidade ao blog ( nunca vou ver quem me lê ou deixa de ler e não é isso que me importa).
Mas estou farto também de clamar por uma ética básica, nos media: quem copia deve dizer, pelo menos, de onde copia.
No caso, o Sol copiou daqui. E parece-me uma vergonha não o dizer. Não basta ir ao Google, colocar as palavras certas e rapinar as imagens correspondentes. É preciso dizer de onde vêm, percebe, Nuno Ramos de Almeida?
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