quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A Tecnoforma e os melões no jornalismo caseiro

Em Outubro de 2012 o Público da simbiótica Bárbara Reis deu em parangonas para anunciar uma cacha que o jornalista Cerejo apresentou:  um assunto obscuro de verbas europeias, ocorrido dez anos antes. É certo que o mesmo Público e o mesmo Cerejo tinham dado destaque ao assunto da licenciatura na Independente do então PM, José Sócrates. Mas assuntos relacionados com este eram tantos que ficou sempre muito a desejar do Público, nesta matéria.
O caso de 2002, resumia-se a suspeitas de que  Passos, enquanto deputado tinha usufruído de vantagens indevidas, mas nem sequer se apurou a eventual dimensão criminal do assunto em causa. Bastou a suspeita de ter recebido por fora e não ter declarado à Segurança Social...

Passos, em 2012 era primeiro-ministro e em plena campanha de "cortes" no Estado e na função pública que punha em pé-de-guerra os sindicatos comunistas e o socialismo de fome de poder mais a geringonça que daí viria.
Passos era para abater, quanto antes ao efectivo político e o Público tinha um instrumento precioso: usar um suposto jornalismo de investigação que poucas vezes usaram, para abater a sua credibilidade até aí impoluta. O outro antigo PM, pejado de casos e casinhos já não interessava para nada...

Assim, o caso foi puxado para as primeiras páginas e espiolhado nos blogs que nunca se interessaram pelo outro. E como é que apresentavam o caso? Simples e a esfregar as mãos já à espera do efeito eleitoral: "Enche 6 páginas a investigação do Público sobre  a corrupção o cadastro de Passos e Relvas, durante os governos de Durão Barroso e Santana Lopes, nos negócios entre o Estado e a Tecnoforma: Relvas no Governo e Passos na empresa (interpelado Passos Coelho por no currículo não constar que foi administrador da Tecnoforma, disse que se esquecera") era um ver se te avias que isto não dura sempre."

A palerma Ana Gomes, antiga maoista esquentada, denunciou nas Europas o escândalo ocorrido dez anos antes, retomando os artigos do Público, exclusivamente, quando nunca o fez relativamente aos seus colegas de partido, com rabos de palha até Bruxelas.

Em 2014 o assunto ficou arrumado e como é que o Público lidou com o assunto? Assim, com umas parangonas que assustavam o Correio da Manhã e preparavam o caminho à Geringonça, evidentemente:


 Nessa altura até alguns lamentáveis ranhetas andavam às facadas no cocó...

Na altura escrevi assim, sobre este jornalismo tipo melão:

A investigação jornalística ao percurso de Passos Coelho encetada pelo Público tem toda a lógica do jornalismo que descobriu que José Sócrates tirara o curso a um Domingo.  Ou seja, não descobriu porque foram outros a fazê-lo. Porém, a lógica retoma-se porque foi o Público a mostrar nos quiosques as coisas de tal licenciatura na Independente. 

Agora, na questão de Passos Coelho, o Público replica o método. Tendo sido esse jornal a mostrar em diagramas de dúvida e suspeita o que era a empresa Tecnoforma, logo em Outubro de 2012, não consta que tenha dado o mesmo relevo de forma e conteúdo ao arquivamento dessas suspeitas, ocorrido recentemente no DIAP de Coimbra. E era essa a principal suspeita da campanha jornalística nesta investigação ou vice-versa, porque era disso que se tratava.
Porém, como o jornalismo neste caso é como as cerejas, veio agora a lume outro facto relevante, inserido na mesma campanha para saber o que foi a tal Tecnoforma que envolveu o antigo ministro Relvas e o actual primeiro-ministro Passos, que esteve logo em foco , a propósito deste assunto, desde que tomou posse como governante.
Jornalisticamente, o resumo dos factos pode ser este, faltando apenas os que  envolvem o jornalismo destas causas sempre interessantes e que funcionam por meios que nunca saberemos ao certo. Uma coisa é certa: há factos e factos. Uns servem; os outros não servem para nada.

 Agora toma-se conhecimento do arquivamento do caso, definitivamente, pelo MºPº, numa assunção clara de impasse investigatório perante a ausência de crime. E que faz o Público onde tudo começou?

O director Dinis, Dinis que alguém assim quis, remeteu para uma página interior e uma colunazinha o assunto requentado e sem interesse algum. A Geringonça já está no poder...


1 comentário:

Floribundus disse...

o caso do esteves da anpc é muito pior que o do Relvas

o de medina da câmara está no MP