domingo, 24 de setembro de 2017

Berardo não tem problemas; os credores, sim...

CM de hoje:


O comendador da Bacalhôa quando José Sócrates tomou conta do poder político, em 2005, não tinha confiança com o dito. Tentou primeiro adular o antigo ministro da Agricultura, Jaime Silva ( sogro de Fernando Medina, da CML de Lisboa). Como não conseguiu, porque aquele não lhe deu troco aquando de uma visita à Bacalhôa, tentou outro: A. Vara. Foi um salto mágico e que explica muita coisa que se passou...

Há oito anos, este aventureiro das bananas estava nas lonas. E então escrevi assim em Janeiro de 2009:

"Grande entrevista ao Público de hoje ( Economia) de Joe Berardo. O comendador da Bacalhôa e alma negra do bcp de Jardim Gonçalves, alarga-se em considerações sobre o estado do mundo e de Portugal. Diz que tudo o que aprendeu até agora foi por água abaixo. Empobreceu, mas não diz quanto. Nem sequer diz se vai ter de vender quadros, mas anda perto disso, porque perdeu forte e feio na bolsa. Tem uma colecção de arte avaliada em cerca de 300 milhões de euros. Hipotecada aos bancos.
Agora defende a intervenção do Estado ( pudera!) e uma nova ordem mundial do capitalismo.

Berardo accionou civilmente os antigos administradores do bcp. Mas está disposto a ser magnânimo. E uma das condições é esta: "era preciso que eles chegassem ao pé de mim e dissessem que as remunerações acessórias que recebem e que foram calculadas com base em lucros que não existiam devem ser recalculadas. E deviam entregar o que receberam a mais".

 Na altura, Berardo já andava a chatear os gerentes do bcp, nomeadamente Jardim Gonçalves. A seguir foi a golpaça que todos conhecem.



Em 2010, Filipe Pinhal explicava assim o que acontecera dois anos antes:


 "Um confronto totalmente inesperado e gratuito entre membros do CGS liderado por Jardim Gonçalves e o presidente do CAE, Paulo Teixeira Pinto, abriu espaço para a divisão de accionistas. (...)
Com bons apoios na área política e da comunicação social-SIC-Notícias/Mário Crespo e Diário Económico/Martim Avillez Figueiredo, e uma agência de comunicação privada, a Unimagem/Maria Lacerda- os activistas aliaram-se a figuras proeminentes do PS e membros do Governo, com destaque para o primeiro-ministro e o ministro da Economia, beneficiando do apoio discreto, e secreto, do presidente do BES e de um dos seus agentes, Marcelo Rebelo de Sousa. A partir de 28 de Maio de 2007, Joe Berardo passou a ser a face visível da "insurreição". (...) Em 15 de Janeiro de 2008, com 99% dos votos, foi eleita para o Conselho de Administração Executivo, a lista de coligação que incluia os activistas e seus aliados: Governo, Partido Socialista, CGD e BES."

Em 2012, um antigo administrador da CGD dizia abertamente e ficou aqui registado, em 23.11.2012:

"De todas as coisas más que se passaram na Caixa, a que me faz mais confusão, é ter-se usado o banco do Estado para se fazer um assalto ao BCP. É inaceitável. Porque já erros no crédito que têm que ser contextualizados no tempo, mas há outros que não tem essa desculpa."  Refere-se o mesmo administrador ao facto de as garantias dadas para os empréstimos serem acções de empresas que hoje valem muito menos em bolsa. Garantias insuficientes para qualquer gestor que se prezasse e que a CGD da época aceitou como boas, por os administradores terem autorizado.
Recorde-se que a CGD administrada por Vara e Bandeira ( que segundo Eduardo Catroga "abandalharam" a instituição) emprestou a Joe Berardo centenas de milhões de euros para comprar acções do BCP ficando como garantia de reembolso, as próprias acções compradas...
Repare-se nos contornos deste caso: o conluio entre vários intervenientes e até actores políticos de relevo, ainda na sombra mas nem sequer muito densa ( um deles anda por Paris, fugido) constitui-se como indício muito forte de artifício fraudulento provocador directo do dano sofrido ( as acções desvalorizaram de modo brutal, o que deveria ser previsível como acontecimento possível) e uma actuação concertada para enganar alguém ( os accionistas do BCP).


Perguntava-se então, comparando com o caso Duarte Lima/BPN:
 
O assalto ao BCP não terá contornos de burla ainda mais sofisticada do que aqueloutra perspectivada do modo que agora é apresentado?
Então porque é que o DCIAP não actuou do mesmo modo
?

Joe Berardo é um pau-mandado que se arruinou nessas aventuras. Arruinou é um modo de dizer. Como é costume dizer, quem deve milhões aos bancos não tem problemas. Os bancos é que têm...

A Justiça, ou seja, o MºPº,  demora a chegar a estes figurões porque não ligou ao que se passou em 2007-2008 e todos os indícios de crime já lá estavam e foram denunciados oportunamente, tais indícios.

Até aqui.  Então porque é que nada se fez e agora se anda atrás dos prejuízos,  literalmente? Porquê? Onde está a responsabilização pela omissão, ou seja pela prevaricação?

6 comentários:

Floribundus disse...

'as dívidas não são para pagar'

joserui disse...

Houve um tempo que só a palavra fundação tinha prestígio. Depois vieram os Varas, Soares, Saramagos e Berardos, e em vez de retribuir à sociedade, gamam e vivem à custa da sociedade. É um tempo e um país muito triste.

osátiro disse...

A Maçonaria quis destruir O BCP..por.....ser OPUS DEI......
utilizou a CDG para emprestar ou dar centenas de milhões para esse assalto...
berardo foi um peão...principalmente pk a maçonaria lhe deu voz (péssima ) diária na RTP para insultar e caluniar jardim gonçalves.

conclusão: A MAÇONARIA DESTRUIU OS 2 MAIORES BANCOS PORTUGUESES: CGD E BCP.....e ainda falta saber do GES

josé disse...

Maçonaria e GES fizeram um belo par de dança macabra, em Portugal.

lusitânea disse...

E a cereja em cima desse bolo é a da Lei da nacionalidade e das portas abertas do António Costa com o ajoelhar dos outros idiotas úteis...
Um que tanto descoloniza como nos coloniza...

Hugo disse...

https://youtu.be/3SxySspP0Fc

Um comediante.