terça-feira, setembro 05, 2017

Quando L´Express foi mais longe com Mário Soares...em Julho de 1972

A revista francesa L´Express, na edição de 10 de Julho de 1972 publicou uma extensa entrevista com Mário Soares, então exilado em Paris, por ocasião da publicação do seu livro, na capital francesa, Le Portugal Bâilloné ( Portugal Amordaçado, título apócrifo).

Essa entrevista foi transcrita integralmente no livro Escritos do Exílio, de Mário Soares, edição Bertrand, de Junho de 1975.

Vale a pena ler a entrevista do então socialista, esquerdista e nada social-democrata, Mário Soares e sobre o modo como encarava muitos aspectos que se revelaram essenciais para o Portugal que sairia da Revolução de Abril de 1974. O germe do PREC já estava lá...

A descolonização apressada, a economia estatizada e a aversão ao capitalismo estão aqui espelhadas neste retrato a sépia. O comunismo era mesmo o seu compagnon de route. Mesmo que escassos meses após o 25 de Abril tenha inflectido o rumo e posto o socialismo na gaveta, a verdade é que os efeitos ideológicos e políticos estavam lançados e uma vez a pasta socialista fora do tubo, nunca mais seria possível voltar a pô-la no devido sítio.

A "descolonização exemplar" já se encontrava aqui exemplarmente delineada: entregar tudo, a correr e o mais rápido possível, sem atender aos portugueses que se encontravam nas então Províncias Ultramarinas que para Mário Soares continuavam a ser colónias e tal circunstância um pormenor de rodapé histórico.

 A Geringonça é um reflexo disto que aí fica: 



Este mesmo Mário Soares que assim falava em 1972, alguns anos depois e quando estava no poder executivo, em Portugal ( logo após a segunda bancarrota no país...) decidiu que afinal o capitalismo e os bancos privados e os capitalistas eram necessários ao país. Mudou de ideias? Claro, radicalmente. Alguém se importou? Apenas os comunistas...

Já no final da vida, Mário Soares confessou em entrevista o que aconteceu em Portugal, relativamente a um banco bem conhecido, nos últimos 40 anos. Não admira que na altura em que o tal banco se encontrou na falência, muito por culpa do seu máximo gestor, se o poder político fosse socialista, teria novamente ajudado o tal gestor, como da primeira vez...apesar de já não existir o "ami Miterrand" ou outros mecenas da sociedade civil. 



A pergunta que queima, agora, é esta: como é que o tal "gestor bancário" agradeceu ao antigo político, putativo pai da democracia que temos? Em géneros ou serviços?

"E esta, hein?"

Questuber! Mais um escândalo!