domingo, setembro 06, 2009

Atentados ao jornalismo


O jornal 24 Horas de hoje continua a dar destaque ao assunto TVI-MMG. Ontem, dedicava várias páginas ao tema de meio-fundo, ou seja, o dos factos que rodearam a suspensão do noticiário e as opiniões de jornalistas e não só, sobre o assunto. Sobre o tema de fundo, qual seja o de saber se a informação do Jornal nacional de Sexta da TVI era digna do jornalismo sério ou não, não houve pronúncia fundamentada.
Hoje, o tema já é outro: o da intriga de bastidores do próprio programa e dos seus jornalistas. Um director adjunto do jornal ( Pedro Tadeu desapareceu da ficha técnica-que lhe terá sucedido?), de nome Ricardo Martins Pereira acompanhado por uma Vanessa que não aparece na ficha técnica, acharam por bem mostrar o ambiente de "guerra" que existe no seio da equipa, por causa do carácter da Manuela, a "generala" que é "autoritária", impositiva e mal educada.

As fontes do 24 Horas são putativos ex-colaboradores da equipa ( a informação, dado o carácter da intriga, merece a credibilidade próxima do zero) que numa atitude de grande coragem, depois do terror que experimentaram, desatam agora a dizer o mal que pensam daquela que foi sua chefe de equipa e que afinal os terá tratado abaixo de cão e cadela respectivamente. Provavelmente, estes jornalistas de coragem rara, num futuro próximo e se lhes derem oportunidade, farão a mesma coisa aos actuais patrões...

Tirando esse exemplo de jornalismo à la 24 Horas ( não poderei dizer de Pedro Tadeu mas este já nos dera exemplos semelhantes em coisas bem piores no tempo do Casa Pia em fase de Inquérito), há uma questão de fundo nesta intriga de jornalistas eticamente representados pelo director-adjunto do jornal, este inenarrável Ricardo Martins Pereira.

As acusações de fundo dirigidas por esse jornalista à jornalista MMG, são estas:

O jornal nacional de Sexta da TVI era dirigido ad hominem, por causa de uma "picardia" entre o primeiro-ministro e a responsável pelo tempo noticioso; por causa de MMG ter esse objectivo nem sequer escondido e até declarado. Finalmente e cereja no topo deste bolo: por causa de interferências dessa responsável pela edição do jornal que se traduziram em omissão de notícias e escolha de outras, com destaque particular para as do tempo do caso Casa Pia que terão sido manipuladas por interferência directa de um político, a saber, Paulo Portas.

Esta acusação é grave e remonta a um passado recente sempre presente e incómodo. Significa que o caso da Casa Pia foi na verdade um acontecimento inventado, manipulado e de cabala contra um partido, com a participação directa de Paulo Portas e a conivência activa do jornalismo da TVI, com destaque para MMG.

Para este Pereira ( quem é este gajo e de onde vem?), citando um testemunho de uma jornalista que "não dá a cara", a cobertura noticiosa que a TVI fez ao caso Casa Pia foi "uma vergonha".

De quem é este discurso? De um certo PS, ligado a uma certa Ana Gomes e redondezas. Um PS para quem o caso Casa Pia foi um terramoto amortecido por colchões de ar político emprestado por vários interessados. Um PS que está no poder neste momento, sendo esse poder alargado a várias instituições.
O 24 Horas, desde sempre, no caso Casa Pia, defendeu os arguidos e suspeitos. Desde sempre e de um modo suspeito, porque um jornalismo de tal ordem levanta maiores suspeitas que um jornalismo de exposição, mesmo sujeita a erros factuais.

Segundo a tese de "urdidura" levantada várias vezes por Ana Gomes, o caso resultou de uma interferência de Paulo Portas na justiça, através de manipulação de testemunhos e denúncias oportunas.
É assim tal e qual e todos os pormenores ligados à investigação judiciária, com dezenas de inspectores, magistrados e juizes, testemunhos das próprias vítimas, o depoimento preciso e concreto de um dos arguidos que tudo confessou e assumiu e de provas indiciárias irrefutáveis para o senso comum, tudo isso, vale nada perante essa tese mirabolante e esotericamente cabalística de um super-Portas vingador de putativas ofensas vindas não se sabe bem de onde nem porquê.
Não há explicação coerente para a urdidura, a não ser uma obscura ligação que os telefonemas escutados entre o mesmo Portas e um certo Abel Pinheiro desmentem categoricamente, mas não eliminam a obsessão da cabala que faz muito jeito. " Não deixe que a verdade estrague uma boa história" é o motto de Ana Gomes e quem se lhe associa, com destaque agora para este parvenu ao 24 Horas.

O caso do 24 Horas é mais estranho, porque não releva imediatamente do motivo porque o jornalismo sobre esse assunto foi e continua a ser tão enviesado. Que motivos podem existir para que mais um palerma se dê ao cuidado de replicar uma teoria tão engendrosamente elaborada sobre um nada factual, um nadir nebuloso de suspeitas que dão imenso jeito perpetuar?

Confesso que não sei adivinhar com facilidade. Dantes, para se tentar saber a motivação das pessoas, costumava-se dizer: "cherchez la femme"... mas agora os tempos e costumes mudaram.
Cherchez qui, afinal, neste estranho caso do 24 Horas sobre a Casa Pia? Será um segredo de polichinelo, entre jornalistas que naturalmente não podem falar abertamente sobre isso?

Mas então, porquê esta intriga incrível deste Pereira, sobre o pessoal do jornal de Sexta da TVI, numa demonstração de um jornalismo que não tem paralelo em jornal algum nacional, nem mesmo no Jornal de Sexta da TVI?

Quem é mais este fervoroso adepto da cabala que escreve assinando uma sentença de proibição de jornalismo para a equipa da TVI por causa destas imputações que o mesmo quer ver investigadas porque serão "atentados ao jornalismo"?

Atentados ao jornalismo? Note-se bem e de onde vêm!

PS: Afinal o indivíduo até tem um blog, onde exprime dúvidas que pelos vistos no jorna,lnão tem. Aliás, foi no blog que fiquei agora a saber da saída do intrépido Pedro Tadeu, no obituário jornalístico tecido pelo tal Pereira, cujo perfil completo no blog nada diz. Ma a verdade é que não tenho o direito de pedir perfil se nem o meu apresento.
Mas aos poucos lá chegaremos. Já escreveu quem aprecia no jornalismo português. Pelos nomes elencados, tirando dois ou três, estou convencido que teríamos melhor jornalismo com outros...

Atente-se ainda nestas frases tiradas do blog das dúvidas do tal Pereira:

"Sempre tive um pavor por notícias falsas. E ao mesmo tempo um fascínio, uma curiosidade em saber o que leva os jornalistas a inventarem histórias. Por outro lado também acho um exercício interessante perceber em que momento da construção da notícia o repórter é enganado ou sai do trilho da verdade, sem se aperceber disso.
Hoje há muitos jornalistas que inventam. A possibilidade de não citarem fontes ("falei com um gajo da PJ, que me contou isto, e isto, e isto, mas claro que não o posso citar" - onde é que já ouvimos isto?) levou a que muitos jornalistas partissem para notícias escrevendo apenas convicções pessoais, sustentadas em fontes falsas."

Agora, comparem-se estes dizeres com o jornalismo do 24 Horas, particularmente o de hoje...e temos um perfil mais preciso.

Este 24 Horas é um jornal-mistério para mim. Controlado pela Controlinveste, gostaria de saber o resultado das vendas e evolução financeira. Mas não sei.

Por isso continuo intrigado: Casa Pia, TVI, editoriais, envelope nove, etc etc. Cheira-me a esturro.

sábado, setembro 05, 2009

O jornalismo de compromisso


Imagem do Expresso de hoje ( que comprei), com alguns dos elementos do Jornal Nacional de Sexta, da TVI.


O caso TVI-Jornal de Sexta, continua a dar que falar e escrever. Uma das questões mais interessantes que se desenvolve nos media é a discussão sobre a qualidade intrínseca do jornalismo do Jornal de Sexta.
Para alguns, com destaque para o isentíssimo Emídio Rangel, é um jornalismo vergonhoso. Marinho e Pinto, enquanto jornalista e autor da peça no jornal Diário do Centro sobre Mário S. , não disse mais- nem precisava, porque já sabemos que lado político pretende ocupar no espaço mediático e provavelmente não só. Isenção maior não haverá, por isso mesmo...

Assim, restam várias opiniões negativas como a do director do Expresso, Henrique Monteiro, outro exemplo e modelo de um jornalismo de uma qualidade que ultrapassa fronteiras e já é citado nos corredores do New York Times, para não falar no Guardian ou na BBC.
Henrique Monteiro nem se dá ao trabalho de justificar e fundamentar a sua opinião. Não, é-lhe suficiente debitar que tal jornalismo "é um mau produto" ( sic, et pour cause).

No entanto, outros, como José Manuel Fernandes e Miguel Pinheiro, não topam o tal mau jornalismo e até mencionam exemplos estrangeiros como é o caso de Lou Dobbs da CNN, um jornalista de tv alvo de controvérsia precisamente por causa da opinião misturada com informnação ou Jeremy Paxman da BBC, também alvo de críticas ...que não de censura de corte.

A questão essencial no debate entre jornalistas portugueses, em relação ao caso TVI, assume um outro aspecto que esconde o óbvio: os críticos do jornal de Sexta de Manuela Moura Guedes, são geralmente comprometidos politicamente com o poder que está. Emídio Rangel, quem é e o que pretende? Uma oportunidade de regressar à tv e fazer o que fez na SIC. Embora a água de um rio não passe duas veses sob a mesma ponte, Rangel quer construir um barragem mediática que o leve a provar do mesmo poder que já teve e que uma vez o levou a considerar capaz de eleger um presidente, como quem vende um sabonete ou dentífrico. Vergonha jornalística, isto? Não. Apenas pragmatismo de quem nunca deveria ter sido jornalista na vida mas apenas delegado de propaganda.

E os demais críticos que fundamentos apresentam para classificar o jornalismo da TVI à Sexta, como " execrável", "abaixo de cão", " mau jornalismo", que argumentos substanciais apresentam e, principalmente, que exemplo pessoal têm para mostrar de que são não só arautos de um jornalismo de qualidade mas também o praticam?

Alguns, têm do jornalismo a mesma visão que Mário S. e são geralmente indivíduos que apontam este como exemplo de político. O jornalismo instrumental que praticaram, de moço de recado e com interesses escondidos na pretensão de mostrar agrado, por vezes de sabujo, deveria envergonhá-los. Mas isso seria pedir demais a quem prefere sempre um jornalismo acomodado ao poder que lhes agrada do que um jornalismo que o questiona para bem de todos.
Abaixo fica a imagem do jornal 24 Horas, de outro jornalista cuja qualidade de produto tem sido comprovada ao longo dos anos. Pedro Tadeu é um jornalista correcto? Não é. Acolheu e acolhe nas suas páginas notícias de pendor enviesado a favor de interesses que nem sempre são claros ( no caso da Casa Pia, por exemplo) e mesmo assim, de vez em quando compro-lhe o jornal que até tem algum interesse objectivo. Por isso mesmo, nunca o censuraria por corte. Apenas com o uso das mesmas armas que o tipo usa: as palavras. Para lhe denunciar os compromissos.
No caso de Manuela Moura Guedes, o seu jornalismo detestado por quem detém o poder do momento, deveria ser criticado no estrito campo da sua prática: o uso das palavras e imagens para narrar e descrever factos. Isso, porém, não vejo fazer aos seus críticos. O que vejo é um arreigado desejo de a correr da informação por lhe estragar os arranjos pessoais e politico-partidários. Se Manuela Moura Guedes fosse a favor deles e contra os adversários políticos, seriam os primeiros a inverter a tónica do discurso instrumental e a atacar quem a atacaria.

Um argumento patético é o do director-adjunto do 24 Horas, Martins Pereira, hoje no jornal: " Um jornal que tem sete, oito ou dez notícias seguidas a criticar o Governo ou o primeiro-ministro não é um jornal isento e sério." Isto é de rir e só a pouca idade do escriba pode explicar. Então se fosse uma ou duas, já mudava o critério? E se as restantes não fossem de crítica, então ainda acrescentaria maior isenção e seriedade, pobre Pereira?!

Se colocassem a alguns dinossauros do jornalismo português de salamaleque ao poder, a pergunta sobre se consideram bom jornalismo o que o El Pais, La Repubblica e a Economist andam a fazer sobre Berlusconi, com ataques cerrados, contínuos e virulentos, visando a sua vida pessoal ( o La Repubblica anda há semanas a perguntar todos os dias o que Berlusconi tem a dizer sobre o caso que manteve com uma menor, denunciado pela ex-mulher...) o que diriam esses bonzos do jornalismo pátrio, tipo Bettencourt Resendes e outros?
Pois sim, já sabemos a resposta: um olhar vago e contrafeito para dizer o que não podem: que o jornalismo é sempre contra-poder e que a associação ao poder prostitiu o profissional. Mas isso, eles não podem dizê-lo. E muito menos assumi-lo.

Isto é tão claro como a prática política a que estamos habituados. Por isso, que se amolem.

Imagem do jornal 24 Horas de hoje, com a opinião de alguns jornalistas, responsáveis órgãos de informação. ( clicar para ler)

sexta-feira, setembro 04, 2009

O Correio da Manhã é o exemplo do jornalismo?

No Expresso da Meia-Noite, reunem-se á volta de Ricardo Costa, os responsáveis por alguns dos principais jornais e revistas portugueses: Cristina Figueiredo do Expresso; Miguel Pinheiro, da Sábado; Martin Avillez, do i e o incrível João Marcelino do Correio da Manhã.

Este Marcelino está a dizer que o jornal de Sexta, da TVI, de MMG não é jornalismo, muitas vezes e que , tirando a FOX, nunca viu nada disso. Miguel Pinheiro diz-lhe que há um entrevistador na BBC e outro na CNN que ainda são mais violentos no jornalismo que fazem. Marcelino contesta. Miguel Pinheiro diz muito simplesmente que MMG no jornal de Sexta, contava factos que se passaram. Factos, portanto, são a essência do jornalismo. Coisas que aconteceram e existem. Marcelino fala-lhe das caretas, do nariz de Pinóquio e esquece-se dos títulos de primeira página do jornal que dirige.

Este Marcelino já se olhou ao espelho do jornalismo que apadrinha do CM? Sobre notícias judiciárias, por exemplo, já se deu conta da verdadeira vergonha de desinformação e manipulação de algumas notícias sobre casos mediáticos, como seja por exemplo o da Casa Pia?

Este Marcelino não tem vergonha mínima do que acaba de dizer? Não tem mesmo, de facto.
O gajo não se lembra do caso das cassetes sequer? E outros?

Isto é incrível. Um dos piores jornalistas portugueses em termos de ética e jornalismo de categoria, vem agora dizer isto?

PS Um lapso arreliador pôs-me a escrever que o Marcelino era o reponsável pelo Correio da Manhã. Não é. Já foi e é em relação a esse tempo que me refiro. Agora é responsável pelo Diário de Notícias, um jornal em franca melhoria em tudo menos numa coisa: na sua dependência atávica do poder que está. Por isso, a lamentável figura de Marcelino no programa.

O que temem os críticos de MMG?

A TVI, no Jornal Nacional de hoje, acabou por apresentar a peça jornalística que supostamente teria desencadeado a medida censória de Juan Luis Cebrián ( não haja dúvidas que este indivíduo esteve envolvido nisto).

E o que contou a TVI de tão gravoso assim, para justificar medida tão drástica assado?
Nada que o jornal Sol de hoje não tivesse já revelado, tal como há quinze dias revelava outros factos relativos ao caso Freeport: há um outro primo de José S. metido no barulho e desta vez o envolvimento tem indícios relacionados com mails trocados entre Charles Smith, Manuel Pedro e o novo primo, João Paulo Bernardo Pinto de Sousa, conhecido entre os intervenientes como "o gordo", por motivos óbvios para quem reparar nas imagens. A novidade da TVI reside na imagem e na reportagem dos sítios de paradeiro do tal João Paulo, um cavalheiro de indústrias várias.

Qual a essência da reportagem da TVI e da notícia do Sol? Apenas isto: suspeitas de recebimentos de dinheiro vivo, da Freeport PLC, para entregar a um tal "Pinóquio". Suspeitas que envolvem ainda um tal Joaquim Raposo, autarca da Amadora e que segundo escutas telefónicas, teria recomendado ao "gordo", para ir ao BES...
Se as notícias saem do processo, só por violação de segredo de justiça, claro está. Se não vêm daí, claro fica que não há violação alguma e a legitimidade noticiosa é acrescida. Mas isto, neste contexto, deve ou não ser notícia? Deve ou não ser noticiado pelos media? Perguntem ao sindicato e à Estrela da ERC...

Isto deve ser considerado jornalismo? Marinho e Pinto, antigo jornalista, que diria disso? O mesmo que disse de Mário S., certamente, quando escreveu em tempos um notável artigo de jornalismo de investigação, no Jornal do Centro sobre as ligações dessa personagem. Manuela Moura Guedes poderia tê-lo confrontado com esse estrondoso artigo jornalístico que circula pela Rede como exemplo da ética jornalística, comparativa, de Marinho e Pinto.

O que é que se tem passado na Itália e Espanha, onde o El País do censor Cebrián tem sido um fustigador de Berlusconi por causa de coisas privadas? Jornalismo de elite? Tipo Cebrián?

Mas ainda assim o que apoquenta tanto certos comentadores e que qualificam o jornalismo do jornal de Sexta da TVI de MMG como sendo de "péssimo" para baixo?

Pouca coisa os apoquenta e não é o jornalismo com toda a certeza, porque não saberiam dizê-lo se confrontados com os factos desse jornalismo.

O que os apoquenta acima de tudo é o medo de perderem lugares, privilégios, sinecuras, posição de relevo social no esquema do situacionismo político que apreciam. O partido, o emprego político deles e dos seus é fundamental, cada vez mais. E só por isso serão capazes de comer o pão que o diabo amassou e logo de seguida o pino em cima de todos os princípios, para dizerem mal desse jornalismo de "sarjeta", como apodou o mestre de cerimónias da propaganda. É só isso. E depois disso , passam por sabidolas do assunto, o que é um bónus que não desprezam.

O jornalismo, no meio disto tudo, não tem culpa alguma. Manuela Moura Guedes muito menos. O problema fulcral para esses apaniguados da sabujice é ainda outro: o SOl vende alguns, poucos milhares e exemplares e poucos reparam. O Jornal de Sexta de MMG era seguido por milhões, potencialmente.
É esse o perigo e eles sabem muito bem que é assim.

Caça às perdizes



Lisboa, 04 Set (Lusa) - O antigo presidente da Media Capital, Miguel Pais do Amaral, disse hoje à Lusa que caso tivesse continuado na empresa o Jornal de Sexta "nunca teria existido".
A Lusa questionou Pais do Amaral quanto à possibilidade de cancelar o Jornal de Sexta, apresentado por Manuela Moura Guedes, caso ainda estivesse na empresa, ao que o dono do grupo editorial Leya respondeu que "este jornal nunca teria existido".
Para Pais do Amaral, a suspensão
do telejornal deve ser analisada de duas formas: quanto à forma e quanto ao conteúdo.
Claro que não teria existido programa, olha mesmo quem fala! Basta ver o percurso da compra da Media Capital pela Prisa e o perfil do vendedor

O círculo perfeito

Do Sol:

"Sérgio Sousa Pinto, ex-líder da JS, lança, em entrevista ao SOL desta sexta-feira, o nome de Jaime Gama como alternativa do PS e da esquerda a Manuel Alegre nas presidenciais de 2011."

Claro! Então porque não? E o Ferro R. como candidato a primeiro-ministro. E Vieira da Silva como presidente da AR.

Paulo P.? Esse seria o natural ministro da Justiça.

A estratégia em prise

(Imagem da revista que acompanha hoje o DN e que comprei...)

Há outra hipótese ainda mais prosaica e que ultrapassa a simples estupidez: este Cebrián, em tempos paladino da liberdade de imprensa quando lhe interessava, tornou-se numa espécie de tycoon por delegação de poderes, uma espécie de Citizen Cane, sempre pronto a abanar a cauda ao dono verdadeiro: o capital que o emprega.
E esta ilusão de poder que afecta muitos outros por cá ( Pina Moura é o exemplo mais flagrante), associado à inebriante sede de poder ser importante e liderar coisas e loisas, afasta-os muitas vezes das realidades comezinhas.
Viagens, encontros, conferências, sempre com ares de muito sabidos e experientes no cinismo de enganar papalvos, afastam-nos do espelho prosaico que lhes devolveria a realidade nua e crua: são exactamente aquilo que dizem não ser. Censores, déspotas, democratas de pacotilha e apegados ao poder real do dinheiro.
Isso faz-lhes por vezes perder o tino de perceber a estupidez dos actos que cometem. No caso particular deste espanhol, anda muito pela América latina e possivelmente, confundiu Portugal com outra província espanhola ou com uma democracia de opereta da América do Sul no tempo de Tintin.
É pena não haver um presidente da República que lho mostre...

Um censor é um censor.Juan Luis Cebrián é um deles.


"A independência não significa necessariamente neutralidade, imparcialidade ou falta de compromisso, mas constitui uma exigência de autonomia no exercício da própria liberdade."

Quem escreveu isto foi Juan Luis Cebrián, espanhol, que foi um dos fundadores do jornal EL Pais, e o dirigiu de 1976 ( antes das primeiras eleições espanholas ,após o franquismo) até 1988. Depois disso, tornou-se administrador.
Aqui há uns anos veio ao Porto ao Palácio da Bolsa, onde esteve ao lado de Pina Moura ( Vital Moreira estava presenta na sala...) e outros. Pedro Arroja, na altura , interpelou-o a propósito não sei já de quê.

Este indivíduo, em 2006, escreveu um artigo muito interessante, na revista do EL Pais que comemorou o 30º aniversário do jornal, cujo excerto é o que fica acima, sobre a liberdade e a imprensa e etc e tal. ( clicar na imagem acima)

Juan Luis Cebrián, administrador da PRISA parece que foi quem deu a ordem de censura ao Jornal Nacional de Sexta da TVI.

O espanhol Cebrián, desse modo, é um CENSOR socialista. Que se repita porque é o que o indivíduo é. Todo o seu paleio, tanto do agrado de alguns apaniguados deste poder situado, é oco e sem qualquer relevo. Além disso é a prova certa que de Espanha nunca veio bom tempo.
Por outro lado, se um Balsemão qualquer deste lado, fosse administrador de uma empresa que detivesse o poder sobre um canal de tv espanhola e fizesse o que este indivíduo terá feito ( proibir um programa informativo por telefone), gostaria de ver a reacção de "nuestros hermanos"...

Por aqui, fica tudo em águas de bacalhau, porque a nossa dignidade já se esqueceu de Aljubarrota , apesar de termos comemorado a santificação de Nuno Álvares Pereira.
ACTUALIZAÇÃO em 4.09.09:
Do JN:
A Prisa negou hoje, sexta-feira, qualquer interferência na polémica decisão tomada pela TVI de suspender o Jornal Nacional de 6ª-feira, insistindo que se tratou de uma decisão da equipa de direcção em Lisboa.
"Foi uma decisão que se insere no âmbito da gestão da direcção da cadeia (de televisão) e com o envolvimento da Direcção Geral da Media Capital", afirmou à Lusa fonte oficial da Prisa.
"Quando se coloca à frente de uma empresa uma equipa de direcção temos que respeitar a sua decisão. E isso é tudo", sublinhou.
A mesma fonte rejeitou ainda notícias de que o próprio Conselheiro Delegado da Prisa, Juan Luis Cebrián, se tenha envolvido directamente no caso, insistindo que a Prisa "respeita a independência de gestão" de todas as suas empresas.
Não tendo sido o Cebrián o autor directo da censura, como responsável do grupo, não se demarcou, não desautorizou "a equipa da direcção de Lisboa" e a notícia de agora, precisa de melhor esclarecimento.
Até prova em contrário Cebrián é co-autor, pelo menos, do acto censório.

quinta-feira, setembro 03, 2009

José S. toma os portugueses por parvos

José S. já declarou: não tivemos nada a ver com a suspensão do Jornal de Sexta da TVI. E explica que afinal o PS é a vítima deste processo, o que prova que nada teve a ver com o assunto.

É a chamada prova que prova demais.

José S. não disse que repudia o acto que lamenta o facto ( como a ERC pelo seu cómico presidente já o fez). Não. Defendeu-se das acusações, mostrando que a prova da inocência reside na estupidez do acto.

Apesar de José S. tomar os portugueses por parvos, provavelmente irá verificar que o não são.

José S. mete medo

Para conhecer melhor este José S. para além da propaganda, do kitsch e do falso grosseiro que anda por aí, talvez seja altura de ler o livro de António Caldeira, Do Portugal Profundo.
Ainda por cima é grátis e já conta com quase dois mil interessados que o baixaram em menos de 24 horas. Mais do que muitos livros que por aí se vendem.
A história do livro vem publicada no blog. E o que lá vem escrito é muito simples de entender: há medo em Portugal deste José S. Medo de perder privilégios, regalias, vantagens económicas e até empregos. E isso conta muito, como é natural, num país em crise.
Este José S. já ultrapassou há muito o que é admissível num país democrático para conservar o poder. Não vale tudo para tal e os actos dos apaniguados já contam com essa falta de espírito democrático e tendência para o autoritarismo sem lei.
Falta um mês para se saber se Portugal entendeu isto desta forma ou vai continuar a contemporizar com um indivíduo deste jaez político.

Jornal de Sexta da TVI suspenso

Do Público:


Manuela Moura Guedes confirmou hoje ao PÚBLICO a demissão da direcção de informação da TVI depois da suspensão do Jornal Nacional que apresentava e coordenava e que amanhã regressava depois de um período de férias.
Moura Guedes revelou que tem pronta uma peça com notícias novas sobre o caso Freeport, feita por uma jornalista da sua equipa. “Temos pronta uma peça sobre o Freeport, com dados novos e, como sempre, documentados”, disse a jornalista, recusando-se a fazer mais comentários.
A direcção de informação da TVI anunciou, por volta das 13 horas, a sua demissão em bloco devido à suspensão do Jornal Nacional de Sexta-feira, apresentado por Manuela Moura Guedes. A direcção mantém-se em funções até ser substituída pela direcção da empresa.
Ao que o PÚBLICO apurou, a decisão da administração de suspender o Jornal Nacional veio de Espanha, sede da Prisa, proprietária da TVI, e foi comunicada à direcção de informação e fundamentada por razões económicas, em consequência de uma reestruturação em curso.

Por discordar da decisão, a direcção de informação, composta por João Maia Abreu, Mário Moura e Manuela Moura Guedes, decidiu apresentar a sua demissão, o mesmo acontecendo com a chefia de redacção, composta por António Prata e Maria João Figueiredo. Há cerca de uma hora, a direcção de informação comunicou a sua decisão na reunião de editores.


Isto é uma ignominia, uma infãmia, um acto de censura, em suma, um escândalo?

É. E ainda mais uma coisa: um acto de estupidez da pandilha deste José S. que já mete nojo.
Não foram eles? Pois não. Fui eu.

Manuela Moura Guedes e jornalistas da TVI:

Ponham a peça no You Tube!
Alguém se encarregará da divulgação.

Do i:
O comentador político Vasco Pulido Valente já comunicou à direcção de informação demissionária da TVI a decisão de suspender a sua participação no programa “Roda Livre” da TVI 24. “Se não sirvo para comentar à sexta-feira no Jornal Nacional, também não sirvo para comentar às quintas”, explicou ao i.

E o Sousa Tavares vai contemporizar com este acto de censura política, ainda por cima? E Jorge Braga de Macedo?

E os restantes partidos políticos, (o PS já se sabe como vai ser), vão aceitar de bom grado este acto de censura política a um mês das eleições?

Estupidez maior, isto. Própria de lacaios ou, em caso pior, de deslumbrados pelo poder político tipo venezuelano.
Aposto que ainda vamos ouvir o próprio José S. a verter lágrimas de crocodilo, como tem feito nas recentes entrevistas.

Indivíduo incrível. Nunca vi assim, na política. Mas já vi no futebol, um indivíduo que agora anda por Londres e não quer voltar. Pudera!

terça-feira, setembro 01, 2009

Os pais da crise da Justiça

Do JN, citado aqui no In Verbis( torna-se também importante ler os comentários ao artigo dessa revista digital, de pessoas que conhecem bem o sistema de Justiça por dentro e por fora):

“A Justiça não funciona porque os agentes políticos não querem, não convém a ninguém. Transversalmente no aparelho partidário e na estrutura partidária que caracteriza a nossa quase democracia, não convém a ninguém. Não funciona exclusivamente por isso” afirmou Paula Teixeira da Cruz, num jantar-conferência da Universidade de Verão do PSD.

Apontando baterias contra o Governo, a antiga vice-presidente do PSD durante a liderança de Marques Mendes teceu duras críticas às últimas reformas do sector, questionando a razão de algumas delas.

“Por que é que o Código Penal e o Código do Processo Penal foram revistos à medida do processo Casa Pia? Porquê a rápida aprovação da Lei de Política Criminal e da Lei de Execução de Política Criminal, subordinando a referida política e o seus executores ao Governo?”, interrogou.

O novo mapa judiciário foi igualmente objecto de duras críticas, com a também advogada a considerar que neste mapa se vê “uma vez mais a politização do Governo sobre o Ministério Público”.

Como “medidas urgentes”, Paula Teixeira da Cruz apontou 19 soluções, como a capitação de processos por magistrados, a redefinição do mapa judiciário, a reorganização dos conselhos superiores de magistratura, a revisão dos estatutos dos magistrados, a revisão do Código de Processo Civil, entre outras.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Sousa Tavares e a obstrução à justiça

Miguel Sousa Tavares, numa interessante entrevista à revista Ler, conta entre outras coisas como foi o seu dia 25 de Abril de 1974 e onde estava: no coração da acção, no Largo do Carmo, junto ao seu pai, Francisco Sousa Tavares que tinha sido o guia de Salgueiro Maia para o local, porque este nem sequer conheceria.
O pai, como estivera durante a noite a jogar bridge, dera pelo movimento de chaimites de Salgueiro Maia, porque estivera a ouvir rádio...no carro. E fora o rádio quem o avisara àquela hora, do movimento militar em curso.
Notável, o poder de informação do rádio nessa noite. E eu que pensava que tinha sido a 23ª hora e o programa Limite a dar a senha para o início da revolta militar, fico agora a saber que às tantas da matina já havia notícias sobre o movimento militar.
É pena que o autor anónimo de Madrugada Desfeita não tenha sabido do episódio, porque sempre lhe permitiria apimentar mais um pouco, o episódio da morte de Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço, na sua ficção tipo " e se..."
Porém, o que me chama à crónica de costumes é outra coisa.
Na entrevista, MST conta pela enésima vez como lhe roubaram o computador recheado do rascunho do livro que entretanto saiu ( e parece que vende bem) e principalmente como o recuperou.
Diz assim:
"O computador apareceu por portas travessas, graças a um amigo que veio ter comigo , com outro amigo que tinha ido ter com ele, etc.. Enfim, tive que pagar quinhentos euros pelo meu próprio computador, em notas contadas. Depois, disse à polícia que já tinha encontrado o computador. Só que, comunicaram-me entretanto, aquilo era um crime público. Eu não podia desistir da queixa. Por isso, queriam interrogar-me para saber como é que eu tinha encontrado o computador. E eu disse: "isso não pode ser, não vou entregar as pessoas que me ajudaram a recuperá-lo." Houve para ali um imbróglio, um mal-estar. "Pois , nós percebemos a sua posição, mas se não colabora connosco passa a arguido por obstrução à justiça." Era o cúmulo da ironia. Eu, de roubado, passo a arguido. O nosso processo penal é assim."
Por acaso não é bem assim. A tal "obstrução à justiça" não é crime punível em Portugal enquanto tal. A circunstância que pode conduzir a uma eventual punibilidade de uma "obstrução à justiça" prende-se com o crime previsto tipicamente como Favorecimento pessoal ( artº 367º C.P.) , ou seja o antigo encobrimento.
Este crime de favorecimento pessoal, subentende que o agente pretende efectivamente frustrar ou iludir a actividade probatória das autoridades e tem ainda o acrescento obrigatório de pretender, desse modo, evitar que o autor de um crime possa ser punido.
Não parece que a história do modo como o computador foi descoberto, possa indiciar a prática de crime de favorecimento pessoal, do ofendido, ao contar que agiu por conta própria para o recuperar e soube do modo de o fazer, por amigos que lhe disseram como.
Sousa Tavares conta depois que tudo se resolveu porque "Lá se arranjou um expediente jurídico para conseguir arquivar o processo, sem que eu passasse a arguido. Era uma chatice, porque obviamente não ia lá dizer quem é que me tinha ajudado a recuperar o computador."
Ora esse expediente jurídico não deve ser mistério por aí além. E a meu ver não é expediente nenhum, porque o que se passou foi certamente outra coisa que Sousa Tavares não conta devidamente.
O ofendido, num processo qualquer, depõe como testemunha e como tal tem o dever de dizer a verdade. Por isso, o que perguntaram a MST foi se iria responder com verdade...porque se não o fizesse arriscava-se a passar a arguido, pelo crime de...falsidade de depoimento. E que também é um crime de "obstrução à justiça".
Pena é que MST, supostamente jurista, nem consiga perceber estas coisas para as explicar devidamente. Mas depois, nas intervenções na TVI, sabe zurzir quando lhe apetece, por causa de coisas que pelos vistos nem entende.

O i faz 100 números

O jornal i faz hoje cem números e comemora a efeméride com uma entrevista ao seu director, realizada por Mário Crespo, jornalista que assentaria no i como uma luva de pelica. Um jornalismo com uma densidade específica e sem substracto profundo que surfa a realidade como quem escolhe fruta: pelo aspecto e sem saber o gosto.

Compro o jornal há cem números pelo que estou autorizado a emitir opinião, na qualidade de accionista principal do mais importante activo do i: aqueles que compram e lêem e ainda por cima não desgostam.

O i tornou-se o meu jornal de referência, porque o Público não presta. Perdeu interesse e um dia destes deixo de comprar. Esteve mesmo para ser hoje, mas vou adiando.

O i, segundo o seu director Martim Avillez, vende 9 700 exemplares em banca e deveria vender 12 mil. Venderam 10 900 no primeiro mês; 7200 no segundo, 7400 no terceiro e 9100, no último.
Em termos de circulação paga e que se cifra em 12 753 exemplares.

Isto é ordinário e mostra o país que somos. Com 10 milhões de habitantes, o melhor jornal português da actualdiade, vende 12 mil exemplares por dia!

Quanto vende a Bola, o Record e o Jogo? Mais do que isso, certamente. E por que razão específica, o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã vendem cem mil exemplares?

É difícil de dizer, mas palpites é o que nada custa, nestes casos. Por isso lá vai:

Portugal ainda é um país de analfabetos e semi-analfabetos. O sistema educativo que temos só pode gerar destas coisas. Um país em que a maioria dos leitores de jornais é adepta de títulos desportivos ou de jornais de notícias feitas por agências ou rabiscadas de factos simples e sem subtilezas de maior, é um país necessariamente mal informado.

O i é um jornal bem feito cujo único defeito é a falta de ambição contra o poder. Seja ele qual for. Parece um jornal conformado e formatado para não fazer ondas de grande porte.

Com 12 mil euros por dia de encaixe directo dos leitores, se calhar não se pode dar a esse luxo. E no entanto, é esse o defeito que o vai deitar a perder.

A ambição de informar com profundidade o que é a realidade portuguesa da política e políticos que temos, fica pelo caminho da ambiguidade, típica de um Mário Crespo. Martim Avillez diz na entrevista que quer fazer um jornal "para pessoas interessadas que querem saber mais sobre os assuntos."
Pois para isso, é preciso ser honesto. Perceber os assuntos em primeiro lugar e mostrar o que eles são na realidade. A partir do momento em que essa realidade é mascarada e passa a ser um ersatz jornalístico, como aconteceu com alguns jornais em casos de impacto mediático evidente, o jornal perde interesse.

Por exemplo, na edição de hoje há uma entrevista a Edmundo Pedro, o histórico do PS que continua a referir-se ao seu passado de modo pouco esclarecido. O O Jornal da época, a esse propósito, fazia um jornalismo melhor, porque dava conta do que se sabia nas redacções e era voz corrente. O seu director na altura, José Carlos Vasconcelos, nunca se retractou ( que eu saiba) desse episódio...
O que falta ao i, portanto, no aspecto das notícias de grande fôlego, é a capacidade de aprofundar e suster a respiração quando cheiram mal. Mas, ao regressar á superfície, mostrar o que se encontrou...

O i ainda não faz desse jornalismo e provavelmente não fará. O que será uma grande pena.

Para já, no entanto, contento-me com as primeiras quatro páginas de cada dia. Já não é mau.

Ah! E já esquecia de dizer que o Diário de Notícias tem melhorado muito. Comprei alguns números neste mês de Agosto ( os que traziam as histórias de Sherlock Holmes, uma iniciativa e valor do jornal) e fiquei agradavelmente surpreendido. Não confio muito na isenção jornalística do periódico por causa de ser de quem é, mas ainda assim...

domingo, agosto 30, 2009

A direita do poder económico do prof. Boaventura

O professor Boaventura, figura cuja imagem mistura um improvável proletário Lampedusa com um esclarecido Tournesol, escreveu um artigo na Visão desta semana em que fala da "Esquerda". O "gattopardo" da esquerda portuguesa, adepto fervoroso do BE, tem aí uma frase lapidar que merece comentário:

"Quando está no poder, a direita tem dois poderes: o poder político e o económico; quando está na oposição, a direita cede o poder político à esquerda mas continua a ter o poder económico".

Extraordinária visão deste tournesol que acha este PS de esquerda embora com "cedências à direita".

Então o poder económico está na direita, não é assim?

O que é o poder económico, afinal, em termos marxistas como o professor Boaventura tanto aprecia? O que detém o capital e os meios de produção, pois claro.
Em Portugal que sentido faz falar em "poder económico" pressupondo um sistema capitalista , sempre de direita, tão do desagrado do professor Boaventura, quando sabemos que o capital se concentra em dois ou três bancos, com destaque para a CGD, reconhecidamente gerida por capitalistas sem pátria, ( alguns nomeados por amigos políticos do professor Boaventura) e outro, o BES, cujo patrão já disse que apoia esta esquerda notória que dá pelo nome de PS, se este continuar a mandar?
Para além desse poderio de capital, quais são as maiores empresas portuguesas, do temível e terrível "poder económico" que é o principal adversário da esquerda do prof. Boaventura?

São a EDP e a PT, cujos administradores são nomeados por esta esquerda quando está no governo e por isso regulam o poder económico do sector, como entendem melhor e segundo critérios de direita, segundo parece. É a Sonae SGPS, a Brisa e a Cimpor. A que acresce a GALP. Tudo empresas do lote dos capitalistas sem rei nem roque que estão sempre prontos para se aliarem à direita para reconquistarem o "poder político" que a esquerda lhes rouba quando ascende ao poder.

O Professor Boaventura com este tipo de artigos cai no ridículo, mas não se enxerga bem, porque no fundo, o que pretende, tal como outros, é apenas mistificar os portugueses que o lêem e não pensam duas vezes.

O Professor Boaventura ainda pensa segundo os cânones de Barcouço e nem se dá conta que afinal o dito escrito de Lampedusa continua a valer para a mistificação ambente:

É preciso que tudo mude para que tude fique na mesma.

"A juventude " do PS

O PS precisava de alguém que representasse a "juventude" e escolheu uma tal Carolina Patrocínio cuja habilidade notória parece ser ( basta buscar no Google para perceber logo) a de apresentar bikinis em público.

A tv foi entrevistar a "nova mandatária da juventude PS" e a entrevista resultante é esta:



Depois de ouvir a "mandatária da juventude" dizer naturalmente que "odeia" caroços das cerejas e que só as come quando a "sua empregada" lhos tira e ainda por cima que "odeia", "detesta perder" e nesse caso até "prefere fazer batota", o Público de hoje, "sabe que a apresentadora foi aconselhada a não dar entrevistas"....apesar de a mesma confessar na entrevista que "gosto de ser notada", de "dar nas vistas"...
Adoraria ser "comunicadora" e quando o entrevistador lhe pergunta porquê, obtém uma resposta interessante: "porque..." e é tudo o que articula como explicação.

That´s all folks!




sábado, agosto 29, 2009

Os bastardos de Tarentino


Poucas vezes vou ao cinema e ontem fui ver o último de Quentin Tarantino, com o título de Bastardos sem Lei, tradução do original Inglorious Basterds que os brasileiros acharam por bem, titular, com a originalidade visível, como Bastardos Inglórios.

De Tarantino conhecia Pulp Fiction, com destaque para a cena de dança entre Travolta e Uma Thurman, ao som de uma música de Chuck Berry, a lembrar Saturday Night Fever.

Desta vez, os bastardos sem glória, fazem lembrar outros filmes, segundo se escreve por aí, mas como não sou cinéfilo não sei apontar.

Logo na primeira cena do filme, porém, lembro-me das paisagens alpinas de Música no Coração, cruzadas com a série televisiva de Uma Casa na Pradaria e nesse “primeiro capítulo” de uma série de cinco, ao longo de mais de duas horas que se vêem muito bem, reside, a meu ver, o segredo do sucesso do filme.

Numa França ocupada pelas tropas alemãs, num lugar retirado algures na montanha, um pai e três filhas adolescentes, vêem chegar “os alemães”, num carro descapotável com batedores armados, de moto e side –car, BMW pela certa.

Dentro do carro sai um oficial de SS, de casaco comprido de cabedal, tal como se espera ver num filme, um oficial alemão de elite.

Dirige-se ao dono do casarão de madeira na montanha, que tinha já mandado as filhas para dentro e a partir daí, a representação do austríaco Christoph Waltz, na pele do nazi Hans Landa, é simplesmente cativante e de grande luxo teatral.

Com uma atitude que lembra os detectives de séries televisivas como Columbo, McCloud, Sherlock Holmes ou mesmo Poirot, o recorte psicológico que o actor Waltz empresta à personagem Landa é fantástico e vale o filme só por si. Reside aí, aliás, o segredo do filme porque toda a trama ( imaginada pelo próprio Tarantino) tem como pivot essa personagem charneira que encarna o oficial nazi das informações, como um típico “pide” disfarçado num charme de conversa sempre pronta e adequada ao momento. A conversa de Landa, sempre instrumental e com objectivo subjacente, é feita de pequenos rodeios, à maneira de um Columbo nos anos setenta ou de um Poirot que para obterem a informação necessária, empatizam com o interlocutor e interagem nas próprias idiossincrasias, conduzindo-os à escorregadela involuntária e fatal e que os torna implacáveis nesse método. Não será por acaso que no fim, a personagem Hans Landa, perante o epíteto que lhe colaram de "caçador de judeus", adianta que é apenas "um detective"...

Essa maneira de construir uma personagem, no caso do filme de Tarentino, pode nem ser original, porque outras do mesmo género se encontram no cinema. Pode nem ser particularmente genial, porque disso há pouco. Mas é de uma eficácia narrativa e cativa sem reservas o espectador que se diverte no jogo de palavras e atitudes, sabendo de antemão que por trás da aparência simpática reside a monstruosidade da violência sem paralelo.

Os restantes capítulos do filme dão expressão narrativa à historieta alternativa sobre o fim da Segunda Guerra Mundial. Tem um interesse relativo e a verosimilhança, neste caso, é secundária.

O filme, no seu discurso narrativo e ritmo de cinéfilo é de grande categoria, a meu ver. As inúmeras referências cinéfilas, no interior do próprio filme, à semelhança de um Salteadores da Arca Perdida , serão um bónus para connoisseurs e a intriga própria de cada capítulo, resolve-se bem e com algumas surpresas suplementares, dignas de um Hitchcock ( por exemplo, numa cena já perto do final, na cabine de projecção no cinema, quando a projectista improvisada encontra o “herói” do filme que projecta).

Segundo a revista Lire deste mês, em 1995, havia 25 mil livros escritos sobre o assunto da Segunda Guerra Mundial; em 2000 havia já 37 mil e em 2010 provavelmente, haverá o dobro deste número.

No entanto, se o filme vale alguma coisa como documento sobre a Segunda Guerra Mundial, é na apresentação e representação de pormenores que se desconhece serão fidedignos ou apenas fruto de representações já ficcionadas anteriormente.

Seja como for, a personagem Landa, é de uma dimensão psicológica a tomar em conta, porque é mais um “apport” sobre a natureza perversa de um regime totalitário.

quinta-feira, agosto 27, 2009

O oráculo de Penafiel

Cunha Rodrigues, o antigo PGR que suscita saudades ao pé do que vamos vendo e lendo, pronunciou-se sobre a "crise da Justiça".

De um modo habitual, florentino e de rodeios que precisam sempre de descodificação, disse isto que esta revista digital onde se espelha uma certa magistratura portuguesa, repõe:

Cunha Rodrigues, procurador-geral da República (PGR) durante 16 anos, considera que os cidadãos desconfiam da Justiça e que volume de litígios e a insuficiência de respostas fizeram dos tribunais «causa de ruído e de perplexidade».

«O volume de litígios levou a que os tribunais (...) pela insuficiência de respostas, pela multiplicidade de actores e pelo antagonismo de papéis, se convertessem em causa de ruído e de perplexidade», escreve o ex-PGR, no livro «Recado a Penélope», hoje editado.

Para o juiz conselheiro, «o cidadão começa a duvidar de que seja possível confiar numa Justiça que parece desfazer, de noite, o trabalho que produz de dia».

«A complexidade social e o escrutínio proporcionado pela mediatização e exigido pela cidadania transformaram a Justiça em teatro do mundo e estão a gerar sentimentos de inquietação», acrescenta.

A experiência judicial revela que «a lentidão da Justiça interessa normalmente a uma das partes» e «mesmo o Estado, que devia dar o exemplo, utiliza sofisticados expedientes processuais para adiar o reembolso de quantias indevidamente recebidas».

Aliás, acrescenta, «o interesse do Estado nem sempre corresponde ao interesse da Justiça». Apesar de uma visão crítica do sistema judicial, Cunha Rodrigues considera que «a Justiça portuguesa (...) possui condições tão favoráveis como as outras para enfrentar o futuro».

Porém, «é urgente reformar a concepção do sistema que, mesmo sendo em geral correcta, deve ser agilizada», considera. Como exemplo, Cunha Rodrigues refere a desmaterialização do processo, para dizer que «pode ter uma utilidade maior: a de eliminar a relação diarística do magistrado com os autos que dissolve e secundariza o cidadão».

Para Cunha Rodrigues, os tribunais portugueses estão «mal instalados e deficientemente equipados». «O ambiente físico (edifícios, gabinetes) deveria constituir uma preocupação primacial do Estado e não apenas ser analisado como uma questão de dignidade e conforto», sustenta.

Para o antigo PGR, a intervenção do executivo nos Departamentos de Investigação e Acção Penal e no Departamento Central de Investigação e Acção Penal «foi deliberadamente lenta e reactiva» e fomentou a «autogestão e o vazio».

IOL DIÁRIO | 27.08.2009

Este discurso habitual em Cunha Rodrigues, feito de paráfrases e elipses verbais, próprias de esfinge, carece de intérprete à altura e que não tema ser devorado pelo exercício adivinhador. O que significará, no caso, a "Justiça que parece desfazer, de noite, o trabalho que produz de dia" ?

Ou o que será mesmo o tal "ruído e perplexidade"? E o que será mesmo em concreto esse fenómeno em que "mesmo o Estado, que devia dar o exemplo, utiliza sofisticados expedientes processuais para adiar o reembolso de quantias indevidamente recebidas ." ?

Finalmente, como descodificar devidamente esta afirmação algo esotérica sobre a "desmaterialização do processo, para dizer que «pode ter uma utilidade maior: a de eliminar a relação diarística do magistrado com os autos que dissolve e secundariza o cidadão»"?

O PSD e os atrasos na Justiça

Segundo noticiam os jornais de hoje, o programa do PSD a divulgar também hoje, foca a Justiça como um dos problemas fundamentais a resolver na sociedade portuguesa. O Público e o i, indicam ainda que o PSD entende a morosidade da Justiça como sendo um problema cuja solução também pode passar pelo incentivo monetário a uma maior produtividade dos magistrados.
Tal produtividade dependeria de outra medida a introduzir: a indicação de um prazo indicativo para conclusão dos processos e critérios da avaliação da produtividade, novos ou inovadores.

Quanto a esta medida nem será preciso dizer que já existem prazos indicativos para despacho nos processos, tanto na área penal como na cível. Se não são cumpridos-e não são,efectivamente-será preciso, antes do mais perceber porquê. Para tal até existe um Observatório da Justiça, sob a égide do Prof. Boaventura cuja produtividade também poderia ser analisada, de caminho...

Quanto às medidas de incentivo monetário e remuneratório à produtividade dos magistrados, seria igualmente interessante saber e conhecer com rigor que magistrados se atrasam mais no despacho dos processos, onde estão a prestar serviço, se na primeira, segunda ou última instância e sem esquecer as instâncias como o Constitucional e o tribunal de Contas.

Sem conhecer os lugares de engarrafamento processual e estrangulamento da circulação de despachos não será muito razoável nem coerente defender medidas abstractas, gerais e de efeito nulo nos lugares- que são muitos- onde não há atrasos significativos e onde nunca se verificaram estrangulamentos e acumulações de processos. Geralmente, na primeira instância, com excepção dos tribunais engarrafados processualmente por causas de dívidas e outras que tais a entidades massificadoras como sejam as operadoras telefónicas.


Portanto, concretamente, importa perceber se nas Relações, os juízes e procuradores despacham e decidem eom conformidade com a desejável celeridade que decorre do trabalho profícuo diário e regular, sem grandes intervalos de esforço laboral.

Para isso seria necessário haver inspecções regulares e permanentes e também as há. Só que essas inspecções são realizadas por "colegas" que analisam "o serviço " e não o mérito dos magistrados. Nas Relações, entre os desembargadores há os que trabalham afincadamente e os que fazem sorna regular e permanentemente. E esses não são apontados publicamente nem são inspeccionados no seu mérito individual enquanto magistrados, porque tal inspecção não existe. O que existe, quando muito, é uma espécie de censura atípica e que até já passou há uns anos, por multas em sede de procedimentos disciplinares por causa da imensa vergonha que eram certos processos de certos desembargadores parados anos e anos nas mesas dos ditos.

Portanto, resolver este problema apenas com incentivos monetários como se faz actualmente nas repartições e direcções de Finanças, com mangas de alpaca, será apenas uma experiência que vai provocar discussão acesa, tal como a questão das férias provocou. E não acredito que resolva a questão de fundo e de forma.


Melhor seria procurar saber em concreto que motivos levaram a que por exemplo, nestes dois casos que aponto, as demoras de decisão fossem e sejam mais demoradas do que se justificaria: no caso Esmeralda, um processo de regulação de poder paternal, esteve dois anos em cima da mesa do juiz-conselheiro relator, do Tribunal Constitucional, para este dizer por escrito se era ou não conforme à Constituição, a intervenção no processo de uma familia de acolhimento de uma menor que se mostrava interessada em discutir essa regulação de poder paternal.

O juiz-conselheiro em causa tem nome conhecido- Pamplona Corte-Real e nunca alguém lhe perguntou directamente qual a razão concreta de tal demora. Neste caso, como o autor do programa do PSD , Paulo Mota Pinto, foi juiz do T.C. até talvez saiba muito bem as razões dos atrasos dos processos nesse tribunal...

Outro caso, mais recente, é o do recurso de Paulo P. acerca do seu pedido de indemnização ao Estado pelo facto de ter sido arguido e preso no processo Casa Pia. O recurso da decisão da primeira instância, encontra-se há longos meses à espera, eventualmente em cima da mesa do desembargador-relator. É preciso saber, em concreto e perguntando ao mesmo desembargador qual a razão concreta e precisa de ainda não ter despachado esse processo. Dificuldade teórica? Muito que fazer? Acumulação de serviço para além do razoável? Seja o que for, impõe-se saber.

Com a análise desses dois casos, ficaria resolvido, a meu ver o problema de saber porque demoram tanto tempo os processos nos tribunais superiores. E o PSD ainda vai a tempo de o perceber, porque não será muito difícil.

O embuste de Louçã


Francisco Louçã entrevistado por Nuno Rogeiro e revisitado pela Sábado de hoje, numa repescagem de entrevista de há mais de 4 anos ( 28.1.2005), conduzida nessa altura por Miguel Esteves Cardoso.

Que diz Louçã, hoje? Coisas extraordinárias.
Sobre o que interessa e é apenas a identidade do Bloco de Esquerda, diz algo diverso do que dizia,, ainda há quatro anos atrás. Agora é mais suave, mais aggiornato aos tempos que correm de feição eleitoralmente propícia a apanhar incautos.
Nuno Rogeiro cai no mesmo erro epistemológico que MEC, ao perguntar a Louçã pela "bases da identidade" do BE. A resposta é a politicamente correcta, porque induzida por uma pergunta incorrecta, mas substancialmente perversa até dizer não.
Diz assim Louçâ, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":


"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."

O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:

"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

Quem comparar os discursos percebe imediatamente a aldrabice inerente: a um discurso radical de alteração das estruturas sociais vigentes e a substituição de um modelo de produção que implica uma autêntica revolução e um PREC, Louçã apresenta hoje um discurso edulcorado e mistificador cuja essência se entende melhor quando Rogeiro lhe pergunta o que é o "modelo económico" do BE. Repare-se na (não) resposta:

"Queremos fazer grandes correcções ( já não quer a tal revolução profunda?), que contribuam para a justiça na economia ( afinal já desistiu de substituir o capitalismo por "uma forma de democracia social"?). E é tudo o que diz sobre o tal modelo alternativo. Sem que Rogeiro adiante nada mais...

Ora isto é um grande embuste de Francisco Louçã. Tal como Jerónimo de Sousa, o verdadeiro esquerdista português, dizia em Janeiro de 2008: o Bloco de Esquerda "é um partido social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante, caindo muitas vezes no anti-comunismo".

O discurso de Louçã, hoje em dia, leva à letra uma táctica trotskista conhecida de gingeira: a integração de outras realidades práticas e contextuais, no interior de uma força política atenta ao fenómeno e com habilidade política suficiente para passar por muito natural e integrado, o que representa uma revolução social com custos incalculáveis. Nada de grandes proclamações revolucionárias. Isso fica para depois, quando os tansos votarem e se aperceberem, tarde demais, do logro em que caíram. E não haja dúvidas que é nisso que Louçã aposta forte: "Não teremos [votos para ganhar]nestas eleições, mas chegará o dia em que havemos de os obter". É assim, a falta completa de vergonha no embuste. E não se vê muita gente a denunciar este aldrabão político. Apenas Vasco Pulido Valente e mais um ou outro.
Mas...atenção! Este gajo é perigoso. Muito perigoso, para a democracia. Porque utiliza o discurso aparentemente democrático para convencer papalvos. E papalvos não faltam.

O discurso de Louçã, hoje, não se distingue uma vírgula que seja do discurso social-democrata deste PS adepto, também ele, de um "socialismo democrático".
Então o que distingue essencialmente o discurso político BE ,do do PS? Para mim, uma simples realidade: o grau de aldrabice política, no BE, é muito superior ao do PS. Com a subtileza de que o discurso do BE é completamente falso. O do PS apenas mistificador de uma realidade que nunca praticaram: o socialismo.



Agora, uma foto da revista Flama, de 7.6.1974, sobre o "ensino popular". Um tal Francisco ( na foto, sentado de frente, clicar para ver melhor), dizia já, aos 17 anos que "havia poucos professores progressistas", no ensino médio. Ora bem, passados mais de trinta anos, o número aumentou, dr. Francisco, entretanto formado em "Económicas"?

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Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso