domingo, setembro 06, 2009

Atentados ao jornalismo


O jornal 24 Horas de hoje continua a dar destaque ao assunto TVI-MMG. Ontem, dedicava várias páginas ao tema de meio-fundo, ou seja, o dos factos que rodearam a suspensão do noticiário e as opiniões de jornalistas e não só, sobre o assunto. Sobre o tema de fundo, qual seja o de saber se a informação do Jornal nacional de Sexta da TVI era digna do jornalismo sério ou não, não houve pronúncia fundamentada.
Hoje, o tema já é outro: o da intriga de bastidores do próprio programa e dos seus jornalistas. Um director adjunto do jornal ( Pedro Tadeu desapareceu da ficha técnica-que lhe terá sucedido?), de nome Ricardo Martins Pereira acompanhado por uma Vanessa que não aparece na ficha técnica, acharam por bem mostrar o ambiente de "guerra" que existe no seio da equipa, por causa do carácter da Manuela, a "generala" que é "autoritária", impositiva e mal educada.

As fontes do 24 Horas são putativos ex-colaboradores da equipa ( a informação, dado o carácter da intriga, merece a credibilidade próxima do zero) que numa atitude de grande coragem, depois do terror que experimentaram, desatam agora a dizer o mal que pensam daquela que foi sua chefe de equipa e que afinal os terá tratado abaixo de cão e cadela respectivamente. Provavelmente, estes jornalistas de coragem rara, num futuro próximo e se lhes derem oportunidade, farão a mesma coisa aos actuais patrões...

Tirando esse exemplo de jornalismo à la 24 Horas ( não poderei dizer de Pedro Tadeu mas este já nos dera exemplos semelhantes em coisas bem piores no tempo do Casa Pia em fase de Inquérito), há uma questão de fundo nesta intriga de jornalistas eticamente representados pelo director-adjunto do jornal, este inenarrável Ricardo Martins Pereira.

As acusações de fundo dirigidas por esse jornalista à jornalista MMG, são estas:

O jornal nacional de Sexta da TVI era dirigido ad hominem, por causa de uma "picardia" entre o primeiro-ministro e a responsável pelo tempo noticioso; por causa de MMG ter esse objectivo nem sequer escondido e até declarado. Finalmente e cereja no topo deste bolo: por causa de interferências dessa responsável pela edição do jornal que se traduziram em omissão de notícias e escolha de outras, com destaque particular para as do tempo do caso Casa Pia que terão sido manipuladas por interferência directa de um político, a saber, Paulo Portas.

Esta acusação é grave e remonta a um passado recente sempre presente e incómodo. Significa que o caso da Casa Pia foi na verdade um acontecimento inventado, manipulado e de cabala contra um partido, com a participação directa de Paulo Portas e a conivência activa do jornalismo da TVI, com destaque para MMG.

Para este Pereira ( quem é este gajo e de onde vem?), citando um testemunho de uma jornalista que "não dá a cara", a cobertura noticiosa que a TVI fez ao caso Casa Pia foi "uma vergonha".

De quem é este discurso? De um certo PS, ligado a uma certa Ana Gomes e redondezas. Um PS para quem o caso Casa Pia foi um terramoto amortecido por colchões de ar político emprestado por vários interessados. Um PS que está no poder neste momento, sendo esse poder alargado a várias instituições.
O 24 Horas, desde sempre, no caso Casa Pia, defendeu os arguidos e suspeitos. Desde sempre e de um modo suspeito, porque um jornalismo de tal ordem levanta maiores suspeitas que um jornalismo de exposição, mesmo sujeita a erros factuais.

Segundo a tese de "urdidura" levantada várias vezes por Ana Gomes, o caso resultou de uma interferência de Paulo Portas na justiça, através de manipulação de testemunhos e denúncias oportunas.
É assim tal e qual e todos os pormenores ligados à investigação judiciária, com dezenas de inspectores, magistrados e juizes, testemunhos das próprias vítimas, o depoimento preciso e concreto de um dos arguidos que tudo confessou e assumiu e de provas indiciárias irrefutáveis para o senso comum, tudo isso, vale nada perante essa tese mirabolante e esotericamente cabalística de um super-Portas vingador de putativas ofensas vindas não se sabe bem de onde nem porquê.
Não há explicação coerente para a urdidura, a não ser uma obscura ligação que os telefonemas escutados entre o mesmo Portas e um certo Abel Pinheiro desmentem categoricamente, mas não eliminam a obsessão da cabala que faz muito jeito. " Não deixe que a verdade estrague uma boa história" é o motto de Ana Gomes e quem se lhe associa, com destaque agora para este parvenu ao 24 Horas.

O caso do 24 Horas é mais estranho, porque não releva imediatamente do motivo porque o jornalismo sobre esse assunto foi e continua a ser tão enviesado. Que motivos podem existir para que mais um palerma se dê ao cuidado de replicar uma teoria tão engendrosamente elaborada sobre um nada factual, um nadir nebuloso de suspeitas que dão imenso jeito perpetuar?

Confesso que não sei adivinhar com facilidade. Dantes, para se tentar saber a motivação das pessoas, costumava-se dizer: "cherchez la femme"... mas agora os tempos e costumes mudaram.
Cherchez qui, afinal, neste estranho caso do 24 Horas sobre a Casa Pia? Será um segredo de polichinelo, entre jornalistas que naturalmente não podem falar abertamente sobre isso?

Mas então, porquê esta intriga incrível deste Pereira, sobre o pessoal do jornal de Sexta da TVI, numa demonstração de um jornalismo que não tem paralelo em jornal algum nacional, nem mesmo no Jornal de Sexta da TVI?

Quem é mais este fervoroso adepto da cabala que escreve assinando uma sentença de proibição de jornalismo para a equipa da TVI por causa destas imputações que o mesmo quer ver investigadas porque serão "atentados ao jornalismo"?

Atentados ao jornalismo? Note-se bem e de onde vêm!

PS: Afinal o indivíduo até tem um blog, onde exprime dúvidas que pelos vistos no jorna,lnão tem. Aliás, foi no blog que fiquei agora a saber da saída do intrépido Pedro Tadeu, no obituário jornalístico tecido pelo tal Pereira, cujo perfil completo no blog nada diz. Ma a verdade é que não tenho o direito de pedir perfil se nem o meu apresento.
Mas aos poucos lá chegaremos. Já escreveu quem aprecia no jornalismo português. Pelos nomes elencados, tirando dois ou três, estou convencido que teríamos melhor jornalismo com outros...

Atente-se ainda nestas frases tiradas do blog das dúvidas do tal Pereira:

"Sempre tive um pavor por notícias falsas. E ao mesmo tempo um fascínio, uma curiosidade em saber o que leva os jornalistas a inventarem histórias. Por outro lado também acho um exercício interessante perceber em que momento da construção da notícia o repórter é enganado ou sai do trilho da verdade, sem se aperceber disso.
Hoje há muitos jornalistas que inventam. A possibilidade de não citarem fontes ("falei com um gajo da PJ, que me contou isto, e isto, e isto, mas claro que não o posso citar" - onde é que já ouvimos isto?) levou a que muitos jornalistas partissem para notícias escrevendo apenas convicções pessoais, sustentadas em fontes falsas."

Agora, comparem-se estes dizeres com o jornalismo do 24 Horas, particularmente o de hoje...e temos um perfil mais preciso.

Este 24 Horas é um jornal-mistério para mim. Controlado pela Controlinveste, gostaria de saber o resultado das vendas e evolução financeira. Mas não sei.

Por isso continuo intrigado: Casa Pia, TVI, editoriais, envelope nove, etc etc. Cheira-me a esturro.

Questuber! Mais um escândalo!