"Gonçalo Amaral está proibido pelo tribunal de falar sobre o Caso Maddie, mas aceitou o convite de uma fundação para explicar, em Inglaterra, a teoria de que Madeleine Mccann está morta. Isto apesar da decisão do tribunal que o proíbe de comentar o caso em qualquer parte do mundo. "
Este indivíduo foi polícia de investigação da PJ. Já foi condenado por actos menos dignos no decurso de uma outra investigação. Tentou ser candidato partidário, em eleições. Não respeita decisões judiciais. Afirma coisas e conclusões sobre putativos crimes de outrém que outros têm pejo em admitir, por prudência e cuidado em não difamar.
Publicou um livro sobre uma investigação em que participou como polícia, assumindo um estatuto que nunca teve. O livro expõe uma tese que é um relato do autor, enquanto investigador, baseada em suposições, factos, opiniões e no fundo, a mera convicção do mesmo sobre o caso Maddie: a menina morreu em circunstâncias não apuradas mas que o mesmo dá de barato, depois de apresentar os factos à sua maneira que foram de negligência dos pais e que estes ocultaram o cadáver.
Os factos apurados no Inquérito, com depoimentos, provas, elementos periciais etc. etc. não foram suficientes nem para averiguar a causa do desaparecimento e muito menos a morte putativa da pequena. O Inquérito foi arquivado como muitos o são, por carência de provas suficientes.
O autor, por motivos que se ignoram na sua integralidade, resolveu dar a sua versão da história, apontando os pais como culpados, mesmo a título negligente e substituiu-se às instâncias judiciais onde o princípio da presunção de inocência é válido.
Para o autor, é precisamente o contrário: o princípio é o da presunção de culpabilidade, com base em elementos que notoriamente não são suficientes para tal.
Noutros países do mundo ocidental, estes casos e a sua abordagem mediática, passam necessariamente pela exploração comercial da curiosidade mórbida que atrai muitos compradores de livros que pouco valem literária ou documentalmente.
O caso deste autor, antigo polícia que aparentemente não honra essa profissão, é mais complicado porque insiste em propalar uma tese que sendo plausível no seu entendimento, deveria ser reservada a uma espera por indícios mais seguros de prova, mesmo extra-judicial.
Portanto, uma pergunta certa se impõe, entre várias que se podem colocar : o que faz correr Gonçalo Amaral? A fama? O proveito? A notoriedade? A verdade? A vontade de saber como foi e whodunnit?
Nenhuma destas perguntas permite uma resposta satisfatória e isenta de reparos ao autor do livro.
Então...por que no te callas, Gonçalo Amaral?