sábado, março 26, 2011

Marinho e Pinto, again

O jornal i, à míngua de assunto de entrevista, foi ouvir Marinho e Pinto, muito carenciado de palco, porque há longos mese, digo minutos, calado e reservado.

Para aquilatar a profunda seriedade do pensamento coerente de Marinho e Pinto apenas esta:

"Já tivemos casos em que os magistrados foram ao parlamento para deter deputados e já lá estavam cadeias de televisão à espera." O i então mencionou se estava a falar do processo Casa Pia. Resposta pronta de Marinho e Pinto: Eu não cito processos.
Tal e qual. Não citou o único processo em que tal sucedeu...mas citou magistrados e foi apenas um; citou cadeias de tv e foi apenas uma. Que apetece chamar a Marinho e Pinto depois disto ? Pateta? É pouco.

Sobre o assunto que Marinho e Pinto aproveita mais uma vez para denegrir a magistratura, impunemente na sua aparente inimputabilidade, haveria a lembrar algo que Marinho aborrece: que o advogado Celso Cruzeiro, de alguns entalados excelentíssimos nesse processo, tinha um filho a trabalhar na SIC.
O caso foi então muito badalado em termos que Marinho e Pinto, antigo jornalista recusa ver, porque prefere olhar para o argueiro em vez da trave que se lhe planta na frente do bestunto.

Da próxima vez que falar no assunto ( talvez já na próxima semana porque não aguenta estar sem falar em público mais de dois ou três dias), é bom que alguém lhe faça ver esta trave que já tem musgo:

"A SIC foi o único canal a filmar o juiz RUI TEIXEIRA no elevador da Assembleia da República, depois de ter entregue o pedido de levantamento da imunidade parlamentar ao deputado PAULO PEDROSO; DANIEL CRUZEIRO, chefe de redacção do canal de Carnaxide, é filho de CELSO CRUZEIRO, defensor de PEDROSO e está casado com RITA FERRO RODRIGUES, cujo pai é líder do PS e está na «berra» e berra que se farta por causa dos desenvolvimentos do escândalo da pedofilia na Casa Pia de Lisboa que estão a «chamuscar» o PS; SOFIA PINTO COELHO, jornalista da SIC, é casada com RICARDO SÁ FERNANDES, advogado de CARLOS CRUZ; e, para compor o «ramalhete», o ex-ministro da Justiça, ANTÓNIO COSTA, actual deputado, é irmão de RICARDO COSTA, editor de política nacional da SIC. Uma família completa em Carnaxide. "

Se estes factos forem verdadeiros ( pode haver dúvidas quanto ao casamento daquela com aquele, mas que viveram juntos é facto assumido), Marinho e Pinto devia estar calado e cheio de vergonha. Que não tem , obviamente.
Se tivesse lembraria as conversas telefónicas, em pânico, nessa altura, que envolveram António Costa, ministro de Guterres, sobre o terramoto que se avizinhava para o partido. Costa chegou a interferir directamente nos poderes judiciários, a propósito do assunto, como se sabe. Telefonou a Souto Moura para lhe pedir coisas impossíveis e inadmissíveis.
Isso é que é vergonha. Ou devia ser, para Marinho e Pinto. Mas como pode ser se este não tem um pingo da dita?

Mais outra para terminar. O i refere-lhe que Marinho "disse que a corrupção alastrou a todos os níveis do aparelho de Estado. Quer esclarecer que níveis são esses?" E que responde Marinho e Pinto a isto? Assim:

" A frase diz tudo. Temos pessoas nos mais altos cargos do Estado a enriquecer, mas não me venha perguntar nomes. As entidades que averiguem".

Pronto. Marinho e Pinto pensa em algumas pessoas. Apenas algumas. E não são do PS...o que denota ainda mais a sua inteira falta de vergonha.

E não resisto a mais uma: perguntado se "o bastonário dos advogados fala à vontade ao telefone", Marinho responde que "eu não, e há muito tempo. Mas é mais com medo dos juizes do que de espiões". Diz a sério ou pelo menos sem brincadeira.

Percebe-se. Marinho não tem medo de espiões que lhe aparam o jogo político. É natural e com isso vive ele muito bem. Mas os juízes, esses, é que não. E não se fica nessa: "se me fizerem uma escuta vão apanhar qualquer matéria para me processar. Agora talvez já não, que vou tendo cuidado, até nos restaurantes e na via pública."

Pois esta é de rebimba o malho. Marinho acha que todas as palermices que redundam em crimes de injúria ou difamação, os mais prováveis por causa daquele boquejar contínuo, podem ser provados por escutas. E por isso toma precauções, até na via pública. Pode ser apanhado a falar ao telefone, em alta-voz...

Este tipo atingiu as raias do ridículo e faz lembrar aqueles que falam ao telemóvel enquanto conduzem e quando falam na rua e vêem um polícia, retiram o aparelho do ouvido...

A ilusão da realidade

Segundo o Expresso de hoje, Vale e Azevedo, em Londres, declarou: "Não ando a fugir à justiça".

Muitos, ao ler esta singela declaração acreditam piamente. Se Vale e Azevedo tivesse logrado alcançar o lugar de líder de partido e primeiro-ministro que diria perante a crise que atravessamos?
O mesmo que vemos dizer ao primeiro-ministro que temos: a crise é culpa do ar e do vento internacional. Nunca ouviu falar do caso TVI na altura do escândalo. Nunca aldrabou no percurso académico na Independente e quem tal diz é ignominioso e vil. Nunca assinou projectos de câmara que não fossem da sua autoria e nunca pediu favores a outros por tal. Nunca soube nada do Freeport quanto a dinheiros que pudessem circular por fora para olear a máquina burocrática e decisória.

Vale e Azevedo não iria muito mais longe, porque nem precisaria. Tal chegaria muito bem para convencer os apaniguados que apenas desejam ardentemente acreditar em algo que lhes segure o posto e a prebenda.

Homem rico, homem pobre

José Sócrates é pobre. Apesar de a revista Flash desta semana o dizer como tendo vida de luxo. O que soa a ignomínia, perante a notória frugalidade do nosso primeiro.

A revista Flash desta semana traz uma pequena reportagem simpática e ambígua, com esta personagem na berra, o primeiro-ministro que temos, ainda.

A Flash foi espiolhar a declaração de rendimentos de José S. de 2009 ( a última disponível segundo a revista). Portanto, sabemos os rendimentos de 2009, ano de eleições e de manobras notáveis como as reveladas nas escutas que muitos querem destruir e - hélas!- já foram publicadas em parte. São esses os últimos e por isso as revelações da Flash são fresquinhas e...trash.

A Flash conta que José S. "começou a apertar o cinto bem cedo, mas não abdicou de certas mordomias. "
E diz em tom estranho e equívoco que o primeiro-ministro contraiu nesse ano dois empréstimos pessoais, junto da CGD e num total de 45 225 euros. Pagos num ano. Dividindo 45 por 12, sem juros, dá qualquer coisa como 3 750 euros por mês. Mas investiu nesse mesmo ano em acções. 2500, do Benfica e compradas a 5 euros cada. Portanto, 12 500 euros para acções do glorioso. Ano em que declarou para efeitos fiscais 107 mil euros. Ilíquidos.
Património declarado: apartamento, na Castilho, já pago. Um carro com vinte anos. E nada mais. As despesas de representação também contam? É saber quanto são e se contam para este pecúlio de pobre.

Segundo muitos recordam, nessa altura, José S. disse nos corredores do Parlamento que ganhava cerca de 5000 euros. A Flash conta que José S. gosta de fatos comprados em Milão e Nova Iorque. Será em viagens do Estado que os compra ou manda vir por catálogo? E quanto custa um fatinho daqueles giros de tecido italiano e corte a condizer? O preço que se paga na Milano dos centros comerciais não deve ser. E paga-os com aquele ordenadão, semelhante ao de Conselheiro, deduzido daquele abatimento substancial que o torna de repente pobre e remediado ? Marinho e Pinto que ganha o mesmo e não consta que pague empréstimos pessoais deste género, poderá comprar fatiotas em Milão ou Nova Iorque?
Mas daqueles míseros euros que lhe sobraram em 2009, ainda pagou, segundo a Flash, 880 euros por mês em despesas de educação. Dedutíveis até um certo montante em sede de IRS. E ainda deu para almoçar e jantar refeições que nunca ficam por menos de 50 euros cada ou perto disso.

Temos portanto um primeiro-ministro que ainda está perito em fazer contas de fim do mês. Consegue aquilo que muitos não conseguiriam e por isso deve ser esse o segredo da sua competência como governante: quem assim governa a sua vida, é com certeza um grande governante da coisa pública.
Sendo pobre e remediado, faz das tripas coração e mostra abundância e prodigalidade com o seu clube. Sendo pobre, tira a barriga de misérias em almoços que paga do seu bolso com as poucas centenas de euros que lhe sobram por mês para os alfinetes. Sendo remediado, veste-se como um príncipe das arábias, ocidentalizado com sedas da Etiópia e algodões do Nilo. Fantástico!

Por contra, o seu amigo A. Vara, é rico. Agora, porque em 1995 era um perfeito pindérico de Ford Fiesta a buzinar na ponte por causa do aumento do Cavaco. Protestava então o Vara, como o fazem agora os "a rasca"- e muito bem. Quem tem um Fiesta deve lutar por um Porsche. Vara lutou e conseguiu pelo que é um exemplo para todos os cidadãos deste pobre país à rasca. Um modelo!
Pelo trabalhinho bem feito que fez no banco, a tempo parcial que Vara tem mais afazeres ( falar com o Godinho ao telefone foi um deles), e cujo presidente de administração lhe aceitou, muito penhorado, a prebenda da sua presença, recebeu, segundo o C.M. de hoje, mais de 800 mil euros.

Assim é que é! Assim é que mostra ao seu amigo de peito (que nada teve a ver com o emprego em part-time), como se ganha a vida e se tem sucesso. Que terá o amigo Berardo a dizer sobre esta benção de euros?

Assim é que se mostra como se pugride! Ganda Vara! Ganda salto na vida, meu!

sexta-feira, março 25, 2011

Gago, alguém conhece?

Uma ideia que me ocorreu há pouco:

Porque é que a geração do Jel e dos "à rasca" não vai chatear o Mariano Gago, à sua porta, todos os dias?

É que o indivíduo é muito responsável pelo ensino superior que temos.

Viva a Justiça!

Grande notícia do Público:

O Supremo Tribunal de Justiça decidiu que o Estado não vai ter que indemnizar o ex-ministro socialista Paulo Pedroso por "erro grosseiro" na aplicação da prisão preventiva no processo Casa Pia, confirmou à Lusa fonte oficial do STJ.

Finalmente, uma boa notícia no campo da Justiça. Seria a maior vergonha se fosse de outro modo e quem decidiu na primeira instância em sentido contrário, citou o inacreditável Noronha Nascimento! É dele a tese peregrina sobre a temeridade nas decisões que podem fundamentar pedidos cíveis contra o Estado.

Espero que também tenha vergonha.

Sem tino

Económico:

Com o dedo em riste, ar ofendido e voz acima do tom, Sócrates afirmou que "não andamos por aí a pedinchar, temos dinheiro suficiente" e "temos dignidade".

Vejam só, as figuras que este Inenarrável anda a fazer. Patéticas.

Sempre o mesmo...

Sapo:

A oposição parlamentar aprovou hoje a revogação do actual sistema de avaliação de desempenho dos professores com os votos favoráveis de PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e contra da bancada do PS e do deputado social-democrata Pacheco Pereira.

Obviamente que o indivíduo que votou contra o seu partido não sabe o que é na prática esta avaliação de professores. Mas é simples de entender se atentar nisto: é uma maneira de elevar a mediocridade a píncaros de excelência, através de parâmetros indefiníveis e agentes de avaliação incompetentes. Uma farsa, portanto.

Foi isto que JPP votou. Sempre o mesmo, a votar em mitos e lêndias.

Vale e Sócrates

Económico:

Sublinhando que "só lá vão 24 horas" desde o chumbo do PEC IV, no Parlamento, e Portugal já viu o seu ‘rating' reduzido por duas agências, a Fitch e a S&P, Sócrates deixou uma pergunta: "Muitas vezes me pergunto: como é que foi possível fazerem isto ao País?"

Ainda vai demorar umas semanitas, mas não falta muito para que uma maioria confortável se convença que este Inenarrável alienou-se. Tal como Vale e Azevedo.

Repare-se na frase estudada da criatura: "Muitas vezes me pergunto: como é que foi possível fazerem isto ao País?"

Isto é sintomático de algo muito grave e que passa despercebido.

A verdade a transparecer

Sol:

Um freelancer pagou 15 mil euros a uma das testemunhas mais relevantes da Casa Pia para alterar a sua versão dos acontecimentos. A entrevista com a nova versão foi comprada por um jornal.

Com estas farsas e aquela a que ontem se assistiu no Campus da Justiça, com o irmão-advogado de um suspeito a dizer coisas, com aquele ar irreal, cada vez penso mais que a verdade é só uma.

E eles sabem muito bem qual é.

Ideias alternativas


O Sol de hoje traz uma entrevista com Alípio de Freitas. Esta personagem alternativa foi sujeito de uma canção de José Afonso, em pleno PREC, no álbum Com as minhas tamanquinhas. Alípio de Freitas, revolucionário de grupo extremista lutava contra o "fassismo" no Brasil. E na prisão de Tiradentes e "mais de cinco masmorras, não há tortura que o dome", cantava Zeca Afonso.

Pois bem, que diz Alípio de Freitas hoje? Algo que José Mário Branco poderia dizer ou coisa diversa?
O que se pode ler: José S. está louco. Não em termos metafóricos, mas mesmo assim, e a precisar de tratamento: "Não sou médico mas o sujeito está com pancada. E é grave."

Sobre Cavaco: "É o pai de toda a corrupção generalizada. Basta ver que os amigos dele estão todos encrencados com processos."

Sobre Portugal: "Portugal vem em crise desde D. João II. Crise essa que se agravou durante o reinado de D. Manuel com a expulsão dos judeus. (...) Perdemos a formação de uma burguesia. Portugal nunca teve uma burguesia. E sem burguesia não há revoluções. (...) Na Europa, a burguesia assumiu o poder cultural e o poder económico. São os banqueiros que estão no poder."

Assim, ipsis verbis, Alípio de Freitas. Sou capaz de concordar com o que diz. Menos aquela coisa dos judeus e da burguesia, em Portugal.
No final dos anos sessenta estávamos no bom caminho e não seria possível ouvirmos, como ontem ouvimos e vimos, a suprema humilhação para um país soberano: uma governante alemã,uma tal Merkel, a mandar bitaites sobre o que temos imperiosamente de fazer. A mandar em nós como carreteiros mandam no gado. Como se fôssemos uma colónia alemã.

Quem nos conduziu a esse fosso de indignidade foi o Inenarrável primeiro-ministro que ainda temos e os seus açafatas e moços de recados. O tal que Alípio de Freitas considera louco. E que os apaniguados do partido e não só, aplaudem como o seu herói.

Repito: Lembram-se de Vale e Azevedo?

quinta-feira, março 24, 2011

Uma questão de estilo

Miguel Esteves Cardoso, na sua crónica de penúltima página no Público de hoje, tem dois parágrafos enternecedores de ingenuidade amadurecida.
Escreve que José S. "foi um primeiro-ministro corajoso e inteligente. Achar que Sócrates é culpado- e que removê-lo chega para nos poupar- é uma estupidez de todos os tempos".
Por isso mesmo, MEC, sobre José S. é sucinto e esclarecedor ao declarar o seu apreço pelo dito cujo: "de quem eu gosto e sempre gostei".
Gostos não se discutem, caro MEC. Mas políticas, opções de organização social, medidas legislativas, e até problemas pessoais de quem se mete na política, usando-a para tais fins, isso já é outra conversa. Que nunca li nas crónicas, porque como diz o povo "quem está bem deixa-se estar".
Hoje leio que "Sócrates tem absorvido e concentrado o ódio e o desvio nominalista que acha que a política é, tal como nas revistas cor-de-rosa, uma questão de nomes e caras".
Não percebo o que isto quer dizer. Quererá explicar-nos este doutorado em sociologia por Manchester que quem não aprecia o estilo, a forma e o governo deste primeiro-ministro só o ressente por mor da fronha e aspecto visual do dito? Não acredito.
MEC, enquanto lia as suas literaturas, incluindo a de cordel, andou acordado estes últimos seis anos?
Deu por uma coisa chamada Independente, -não o jornal, entenda-se, que isso é ainda outra loiça muito fina e frágil- e o modo como o tal "inteligente" tirou o curso superior?
Deu pelo estilo da sua defesa e deu pelo passado obscuro numa câmara de interior, onde projectava com nome alheio?
Deu pelo que se passou no Freeport e pela família do dito, embriagada de tanto dinheiro à solta?
Deu pelo que aconteceu realmente no período prè-eleitoral de 2009, com uma tentativa soez e solerte de arrebanhar com dinheiros semi-públicos, aos milhões, vários órgão de comunicação social para a pandilha do costume?
Não deste, pois não caro MEC? Então continua a dormir, no teu estilo de luxo.

quarta-feira, março 23, 2011

Lapas

Sapo:

A bancada do PS decidiu hoje, minutos antes do fim do prazo limite, não avançar com uma resolução de apoio à proposta do Governo de Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Com esta opção, os socialistas optaram por não levar a discussão e a votação no plenário desta tarde na Assembleia da República uma iniciativa legislativa que teria quase chumbo garantido por parte das bancadas da oposição e que poderia ser entendida como uma moção de confiança ao Governo, precipitando a crise política.

Na reunião que o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Francisco Assis, teve com os dirigentes da bancada, em permanente "consulta" com o chamado "núcleo duro" do Governo, prevaleceu a tese de que os socialistas nada precipitariam sobre votações do PEC em detrimento da ideia de deixar registado para memória futura um documento de apoio às medidas do Governo.
Comportam-se como lapas agarradas ao penedo do poder político. Não o querem largar nem à força de eleições. Forçam apoios que não merecem; mendigam ajudas que não esperam; gritam por lobos que convocaram; desesperam de perder a vidinha. Mentem descaradamente e sem o mais leve pejo de vergonha.

Sacanas sem lei.

O paradigma que temos

Cá está outro que sabe como era dantes, mas esqueceu o que aprendeu: Jerónimo Martins do Pingo Doce, filantropo de António Barreto:

“As declarações são muito bonitas mas não resolvem problema nenhum. O que resolve é que as pessoas façam qualquer coisa para que a situação não se deteriore mais do que já está”, acrescentou.

O responsável defendeu ainda, nas declarações à Lusa, que a entrada do Fundo Monetário Internacional “é uma bênção” já que “nós já estamos a utilizar a ajuda externa”.

Sobre o acordo a que chegou a concertação social na terça-feira, o empresário considera que não se discutiu o essencial, destacando como positiva a renovação dos contratos a prazo.

“Não se discutiu para onde Portugal quer ir, ninguém percebe que sem investimento não há criação de emprego. Fala-se muito do desemprego, mas a minha grande preocupação é não haver criação de emprego, que só vem do investimento. Tem de se criar condições para que o investidor confie neste país e não confia se as políticas andarem ao sabor da maré”, afirmou.

Alexandre dos Santos reiterou ainda que “andam todos a mentir”, assegurando que “ninguém quer falar verdade, desde os empresários ao Governo” e que “são todos culpados” .


Jerónimo Martins em relação ao investimento devia dizer uma coisa a toda a gente, quando fala assim: que os seus lucros mais visíveis e importantes, vêm de fora, da Polónia, onde investiu os lucros que fez cá dentro.

E ainda outra coisa para não sermos levados por parvos: quanto paga em média aos seus "repositores de loja" e "caixas de supermercado".

Aqui e na Polónia...

Um paradigma alternativo

Daqui, do Portugal Contemporâneo, onde se escrevem ideias que não são necessariamente de Esquerda. Esta, por exemplo:


"O discurso do Presidente da República, na parte em que apelou aos portugueses para viverem fora da esfera do Estado, criando empresas e procurando empregos fora do Estado, é uma manifestação típica do excepcionalismo católico. São recomendações que ele faz para se aplicarem aos outros, e que provavelmente ele considera boas para os outros, mas não para ele.
Porque, afinal, o Presidente da República fez toda a sua vida e a suas diferentes carreiras à sombra do Estado, e por cada função que desempenhou no Estado - quatro, no total (cf. post abaixo) - para além de um vencimento bom e seguro ficou com direito a uma pensão de reforma - quatro no total.
Esta é a vida que qualquer português gostaria de ter e o Presidente da República é o exemplo vivo de que o que é bom é viver sempre à sombra do Estado. Como é que ele quer agora persuadir os portugueses a viverem fora do Estado? Basta olhar para o Presidente, e ninguém quer tal coisa. Aquilo que todo o português quer é fazer uma carreira (várias, se possível) no Estado, e por cada uma auferir um vencimento bom e seguro e mais uma pensão de reforma - uma por cada função, bem entendido. "

O que ali vai escrito, por Pedro Arroja, é verdade e não é. Assim como no fenómeno físico do gato de Shroedinger, é verdade se essa opinião coincidir com a realidade. Ora a realidade é muito elusiva, como diriam os anglo-saxónicos. Logo, não sabemos se coincide.
Como é que poderemos saber? Regressando ao passado de há 40 anos para analisar como éramos enquanto povo. Nessa altura, no tempo de Marcelo Caetano no poder político e num regime que se fazia valer através de meios democraticamente inadmissíveis, o Estado invasor e controlador da vida pública, era, paradoxalmente, muito mais liberal que hoje.
Marcelo Caetano foi também um honesto funcionário público mas tinha um sentido de equilíbrio entre o que era e devia ser público e o que estava nas mãos privadas e pertencia a patrões e accionistas. Algo que falta muito nos dias de hoje e que estes governos socialistas e de uma Esquerda que assim se caracteriza, por palavras, não compreendem a não ser por imitação de receitas estrangeiras.
O Estado, nos dias de hoje, intromete-se demais na vida dos cidadãos. A iniciativa privada, actualmente, precisa mais do Estado e da burocracia instalada, do que antes.
Muitos empresários de relevo bolsista carecem do Estado como de carteiras de encomendas. Dependem do Estado como as crias dependem das mães para mamar.
A revolução a fazer em Portugal, hoje em dia, não vai ser animada pelos jovens que estão "à rasca". Por uma razão: nem sabem o que era dantes, para contarem como pode ser.
PS. Como já percebi há uns tempos, é inútil tentar discutir com Pedro Arroja. Tal como um programa informático, não admite alterações de rotina algorítmica a não ser que lhe mudem o código.
Não obstante, a opinião transcrita é muito útil para sairmos do paradigma errado em que nos encontramos.

terça-feira, março 22, 2011

Toca a reunir

O editorialista do i de hoje, Manuel Queiroz refere que ontem "o PS e o governo puseram ontem todo o seu arsenal mediático na rua-Paulo P. Ferro Rodrigues, Santos Silva , Jorge Lacão".
Estes indivíduos são o PS que há. Uma desgraça nacional e o piorio que temos na sociedade política. Uma vertente da tragédia que nos aflige há décadas. A outra são os arrivistas e devoristas que também se sentam no mesmo partido, mas arranjaram poiso preferido no partido alternativo, o PSD.
Percebe-se muito bem o que foi o processo Casa Pia quando estes nomes saltam para a ribalta: seria o descalabro total do PS no caso daqueles serem pronunciados criminalmente. Não foram e a coisa assentou. O líder oculto, nessa altura, esteve calado que nem um rato, ao largo. Havia então muito a perder, centenas ou milhares de apaniguados em pânico; nomes de relevo a ver a vidinha a andar para trás. E tudo por causa de meia dúzia de ranhosos sem eira nem beira.
Fosse no tempo do ballet rose e a música era outra, tocada a bandolim pelos cantadores da época. Mas não. Calhou no tempo das rosas e das cerejas. A fruta já era outra. Podre, mas ainda assim.
Agora estão em pânico outra vez. Na perspectiva de perder lugares, prebendas, motoristas, alcavalas, privilégios, vidinha fácil e duradoura a que se habituaram mal nos últimos seis anos que julgavam eternos, estão à rasca e até já apelam ao presidente da República! Para salvarem o país que é o deles.

Mas não o nosso. Enquanto esta gente continuar a mandar no país, não temos salvação. E vão fazer tudo por tudo, até tirar olhos políticos se necessário para manter os tachos. Não têm outros, são uns inúteis aos milhares e estão mesmo à rasca em tempo de crise. E não tiveram tempo de fazer o que costumavam: armadilhar contratos para receberem indemnização pelo despedimento por justa causa e má figura.
Hoje, Passos Coelho, líder do PSD disse que a actual campanha eleitoral em curso ( CEC) não vai utilizar métodos "sujos" como a oposição utilizou na passada campanha presidencial.
Das duas uma: ou Passos prefere passar por cima de tudo o que seja escândalo político associado a crimes públicos, de corrupção e outros como abuso de poder, ou então prefere a anomia reinante e afina pelo diapasão do PGR actual: processo que envolva políticos é político por natureza e sempre para arquivar porque sinal da manipulação de problemas políticos pelo poder judicial.
Com esta mentalidade vamos longe.

Morreu Artur Agostinho, antigo preso político

Sapo:

O radialista, actor e jornalista desportivo Artur Agostinho morreu hoje aos 90 anos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado há uma semana, confirmou à Lusa fonte da administração do jornal Record, de que era colunista.

Segundo a mesma fonte, a causa da morte não está determinada e pondera-se fazer uma autópsia. Artur Agostinho morreu no Serviço de Urgência do Hospital de Santa Maria.


Artur Agostinho, antes de 25 de Abril de 1974 fazia relatos de futebol e apresentava programas de tv. Um deles, O tempo em que você nasceu, era muito melhor do que os actuais programas das vedetas que ganham milhões. Mais culto, informado, interessante. E em pleno "fassismo", veja-se lá o desaforo!

Talvez por isso, Artur Agostinho, na primeira intentona contra inventonas, protagonizada pela Esquerda extremada do PCP ao PCP ( M-L) com gritos do povo à mistura, em 28 de Setembro de 1974 foi preso. Sem qualquer culpa formada ou facto que lhe imputassem a não ser o de ser um perfeito "fassista" e obviamente "reaccionário" da pior espécie.

Os advogados antifassistas que ainda por cá abundam, tipo José Augusto Rocha, provavelmente não estiveram presos pela PIDE tanto tempo nem sequer por factos que efectivamente cometeram, de subversão e de acordo com a legalidade da época. Mas são vítimas do fassismo eterno e por isso, heróis nacionais.

Passados meses, como a legalidade revolucionária não tinha ainda chegado para rasgar os códigos existentes, os tribunais tiveram que o libertar. Sem qualquer indemnização pelo "erro grosseiro", como hoje alguns pedem ( e recebem) hipocritamente.


Artur Agostinho escreveu há muito pouco tempo um livrito sobre esses acontecimentos onde se nota a memória dos factos e pouca ou nenhuma amargura. Foi para o Brasil, deu a volta à vida, voltou com as tv´s privadas, porque a pública barrava-lhe sempre a entrada por causa dos "camaradas" e ultrapassou frustrações.


Artur Agostinho pode ser um exemplo dos homens antigos que tínhamos. E já temos muito poucos, alguns deles completamente desmemoriados ou de casaca revirada, como é de bom tom a quem tem falta de carácter.

Fica aqui a imagem de um jornal da época ( 30.9.1974) , onde aparecia Artur Agostinho como "conspirador". O jornal era o Diário de Lisboa, dirigido por um tal Ruella Ramos ( e também José Cardoso Pires, é bom lembrar), um antifassista encartado e que escrevia assim:

Havia outro jornal, o Sempre Fixe que então escrevia assim:
"Sexta-feira ás 22h e 30m o COPCON desencadeia uma operação para a prisão de 150 pessoas contra as quais são passados mandatos de captura. Segue-se uma busca a residências de pessoas que se admitem estar implicadas na conspiração."


A lista dos civis, é a que fica exposta. Presumivelmente, serão os representantes da Direita decapitada em Portugal. 70 pessoas, incluindo militares...
PS. Escrevi que os tribunais acabaram por libertar Artur Agostinho. Ora, segundo um comentário de Manuel não foram tribunais nenhuns. Enganei-me porque ainda pensei que os tribunais, mesmo os militares tivessem intervindo. Nada de nada segundo parece.
Lendo uma entrevista daquele ao Sol, percebe-se melhor o arbítrio, a ilegalidade e o abuso de poder dos novos senhores que apareceram em 25 de Abril de 74, respaldados pelos democracas de sempre.


Sol-Como foi preso?

Artur Agostinho- A 28 de Setembro, na cama. Tinha vindo do Campeonato do Mundo na Alemanha e estava de férias. Estava tranquilamente a dormir com a família e foram lá buscar-me. Foi o COPCON.

Foram violentos?

Não, mas foram estúpidos e idiotas. Levaram-me para o Ralis de uma maneira rocambolesca, dentro de um jipe, com um alferes muito nervoso a apontar-me a pistola à cabeça e outro a conduzir. Esse nem sabia o caminho, fui eu que lhe fui dizendo. Depois estive preso três meses, em Caxias.

Esses três meses de prisão foram.

. Bastante difíceis. É muito difícil estar ali sabendo que não estava metido em nada. Não me deixaram ter um advogado, não me deixaram receber visitas, não me deixaram ler jornais, não me deixaram ouvir rádio. Eles que acusavam tanto os outros gajos de serem uns malandros fizeram pior do que isso.

Guarda rancor de alguém?

Não. Já perdoei a uma data de gajos, mesmo aos que inventaram que fui preso vestido de padre, dentro de um carro funerário e que o caixão, em vez de um morto, levava metralhadoras. Mesmo a esses, que eu sei quem são, perdoei. Mas disse-lhes, a alguns, que perdoava, mas que não esquecia.

O exílio, depois da prisão, era inevitável?

Era. Fui preso a 28 de Setembro e, generosamente, porque era véspera de Natal, saí a 24 de Dezembro. Convenci-me, ingenuamente, que iria voltar a trabalhar, uma vez que nada estava provado contra mim, mas mais ninguém me deu trabalho. Estive desde Dezembro de 1974 até Agosto de 1975 à espera de qualquer coisa. Foi então que a minha mulher me disse: «O que é que estás aqui a fazer?». Não é fácil emigrar aos 54 anos. Primeiro dei um pulo até Paris depois fui para o Rio de Janeiro, que era uma cidade que eu conhecia.

Já ia com alguma coisa pensada?

Nada. Andei a ver os anúncios de emprego. Arranjei um lugar num banco brasileiro, como relações públicas para os clientes portugueses, e depois acabei por ser convidado pelo grupo Espírito Santo para trabalhar num banco. E também fiquei a fazer dois programas desportivos sobre o futebol português para a Globo. Foi assim que reconstruí a minha vida

segunda-feira, março 21, 2011

É triste não saber ler


Em 11 Julho de 1981 o Expresso dedicou duas páginas aos intelectuais portugueses que não estavam totalmente enfeudados ao PCP e extrema-esquerda. Ao GIS, o Gabinete de Estudos Sociais que publicava uma revista em forma de livro que então comprava: a Análise Social.

O seu mentor era Sedas Nunes, presidente do mesmo GIS que integrava nomes como António Barreto, Manuel Braga da Cruz, Luís Salgado Matos, Maria Filomena Mónica, Jaime Reis e Vasco Pulido Valente.

É ver onde estão estes intelectuais e atentar ao mesmo tempo no organismo que lhe sucedeu na ribalta da intelligentsia pátria: o ISCTE. Com quem, aliás, o GIS teve um protocolo de cooperação.

Para sabermos que ideias tivemos na organização social e económica, o GIS é como se diz, incontournable. E no entanto, em 1981 andava à rasca de financiamento. Sedas Nunes achava então que o GIS dera um contributo muito importante para " a compreensão da sociedade de hoje."
Deu mesmo? Ninguém deu por nada. Ou pelo menos ninguém ligou muito.
Na década de noventa, com o aparecimento do Público os mesmos sociólogos, em conjunto com outros para-sociólogos ( Medina Carreira, por exemplo) deram à estampa uns folhetos em forma de "cadernos sobre a Educação, a Segurança Social, Demografia, até mesmo a Saúde e o Envelhecimento da população. Traziam estatísticas e breves apontamentos, tal como hoje a Pordata se encarrega de fazer e o Pingo Doce de publicar. São do mesmo género e são o que há.

Portanto, quem pensa em Portugal, hoje em dia? O ISCTE? É?
Se for, estamos feitos.
O título do postal é doutra canção do mesmo disco da Banda do Casaco. É triste não saber ler é o motto da nossa tristeza.

Coisas do arco da velha


E o que pensavam as segundas linhas das direcções partidárias de então? De então e de agora, porque as mudanças, em trinta anos quase nem se notam, a não ser para vermos onde foram parar os reizinhos do regime que sucedeu a Caetano. E como se safaram na vidinha.

Jorge Miranda o constitucionalista actualmente virado totalmente para este regime deletério já perorava sobre o presidencialismo. Jorge Lacão, já então entusiasmado pela política sectária, interrogava-se sobre se o presidencialismo não seria um "movimento de natureza contraideológica e populista" (!) Ah, Lacão! Assim é que foi.

Na banda mais à esquerda do PS, Manuel Alegre interrogava o PCP sobre as contradições. Mal sabia que anos depois lhe cairiam em cima, precisamente as mesmas.

Citando uns versos do grupo A Banda do Casaco que então, nesses anos, fazia música como ninguém mais fez:

"Era uma vez uma velha; uma velha muito velha. Que debaixo da cama teve uma vez uma ovelha. A ovelha fazia mé-mé e a velha fazia oh-oh. E assim se passaram anos. Muitos anos e enganos. Anos, muito anos e danos. Anos, danos e enganos. " ( Era uma vez uma velha do LP Coisas do arco da velha, de 1976. Uma obra-prima da música popular portuguesa que ninguém conhece, porque quem ganha os festivais, agora é um Jel. E nem é dos piores).

Resta dizer uma coisa: não tenho esperança alguma neste povo, enquanto gente que vota e escolhe representantes. A Esquerda, sempre com o mesmo discurso dos pobrezinhos e da igualdade deu cabo dele. E os que o proclamam vivem como privilegiados que os ricos nunca foram. Esse paradoxo, poucos o entendem, no entanto. E é por isso que os enganos e danos continuam.

A conferência das ideias falhadas





Ainda imersos na crise gravíssima que atravessámos no final dos anos setenta, com intervenção do FMI e pela mão de Mário S. como chefe de governo ( e Silva Lopes nas Finanças, sendo o então Teixeira dos Santos e com muitas semelhanças com este) , o semanário O Jornal deu em reunir várias personalidades políticas numas "conferências democráticas" que tiveram lugar no teatro Maria Matos.
O tema dessas "conferências " foi " Portugal, anos 80-o quê?" e realizadas à segunda-feira. O Jornal dava conta do resultado na sexta-feira em que saía a público, nos meses de Junho e Julho de 1978.
Vale a pena recordar as manchetes das páginas dessas conferências. Falta a página correspondente à intervenção do líder do PSD, aliás o primeiro a intervir. Mário S. fechou a conta e o balanço é simplesmente decepcionante, visto com o recuo de mais de trinta anos.
O que essas figuras da democracia pensavam provavelmente não mudou assim tanto.
Mário S. continua a ter o mesmo posicionamento de esquerda soft que não faz nem deixa fazer. Freitas do Amaral, na altura mostrava-se preocupado com a...ditadura! E já falava no Mercado Comum. Marcelo Caetano, na altura ainda vivo, deve ter pensado e dito das boas sobre o seu antigo aluno muito devoto e devotado.
Álvaro Cunhal, claro, confiava que Portugal continuaria a ser "democrático". Vejam só! Uma democracia que a "caminho da sociedade sem classes", via o défice da balança comercial passar de 50 milhões de contos em 1975 para 120 milhões em 1977! E antes estava equilibrada.

As ideias que resultam dessas conferências para preparar "os desafios do futuro" deram no que deram: no falhanço que temos e somos como povo.
Os líderes que nos trouxeram até aqui são sempre os mesmos. As ideias idem aspas. Se alguém se der ao cuidado de ler o que Mário S. diz nessa conferências fica abismado.
Ainda assim, ganhou eleições em anos seguintes e uma década depois era presidente da República, porque usou a "Esquerda" a seu favor e venceu por uma percentagem mínima.
Foi a única vez em Portugal que tivemos oportunidade de ultrapassar as ideias de Esquerda que nos tem afundado. Mas, por outro lado, se tivesse perdido, o ganhador teria sido Freitas do Amaral.
Dá para ver, com o recuo do tempo que estivemos sempre entre a espada e a parede, em termos políticos. E sem saída à vista.

As ideias que falharam

Se há em Portugal uma construção que seja o paradigma do nosso avanço e do nosso atraso, simultaneamente, ela é o Centro Cultural de Belém.
O Público de hoje dá relevo à efeméride porque foi neste dia de 1993 que foi inaugurado pelo governo de Cavaco Silva. Segundo o Público, a obra foi construída, em parte sem respeitar a legalidade vigente, foi muito contestada na época e inaugurou ou pelo menos deu continuidade de marco a um fenómeno que se iria repetir vezes sem conta nos anos vindouros: os trabalhos a mais e a derrapagem das obras públicas. De uns 32 milhões iniciais, acabou por ficar muito acima dos 135 milhões, sem contar com obras adjacentes. Foi um sorvedouro de dinheiro e foi essa uma das primeiras vezes que os governantes ( no caso, Santana Lopes) tiveram que dar explicações que nada explicam a não ser o óbvio: a corrupção inerente, muitas vezes insindicável, nas obras públicas. É por isso que essa obra é simbólica. Na década de noventa iriam repetir-se estes fenómenos sem que alguém, mormente o poder judicial lhe pusesse cobro. Já então se dizia que a sindicâncias destas obras pelo poder judicial representava a "república de juízes"...

O CCB tem a marca de Santana Lopes e na altura o Expresso, fez-lhe uma folha pouco abonatória, por causa do estilo arquitectónico. Tem a marca de Santana mas a matriz é de Cavaco, entenda-se.
Quem lá vai por estes dias, ou até há uns anos atrás, nota uma obra grandiosa, que se enquadra bem no local e em 2002 foi considerada património emblemático da arquitectura portuguesa.
O problema no entanto é de outra natureza: para que precisávamos nós de uma coisa assim, logo nos anos noventa?
Para promover o quê e quem? Para gastar dinheiros da então CEE? Para dar a ganhar a empreiteiros de regime que reclamavam obras públicas?
É certo que bem perto dali fica o Restelo e os velhos de há muitos séculos foram lembrados para desmontar as críticas, mas o essencial permanece: foi a primeira obra de um regime cujas ideias falharam. Redondamente. E por isso é o símbolo delas.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso