quarta-feira, 23 de março de 2011

Um paradigma alternativo

Daqui, do Portugal Contemporâneo, onde se escrevem ideias que não são necessariamente de Esquerda. Esta, por exemplo:


"O discurso do Presidente da República, na parte em que apelou aos portugueses para viverem fora da esfera do Estado, criando empresas e procurando empregos fora do Estado, é uma manifestação típica do excepcionalismo católico. São recomendações que ele faz para se aplicarem aos outros, e que provavelmente ele considera boas para os outros, mas não para ele.
Porque, afinal, o Presidente da República fez toda a sua vida e a suas diferentes carreiras à sombra do Estado, e por cada função que desempenhou no Estado - quatro, no total (cf. post abaixo) - para além de um vencimento bom e seguro ficou com direito a uma pensão de reforma - quatro no total.
Esta é a vida que qualquer português gostaria de ter e o Presidente da República é o exemplo vivo de que o que é bom é viver sempre à sombra do Estado. Como é que ele quer agora persuadir os portugueses a viverem fora do Estado? Basta olhar para o Presidente, e ninguém quer tal coisa. Aquilo que todo o português quer é fazer uma carreira (várias, se possível) no Estado, e por cada uma auferir um vencimento bom e seguro e mais uma pensão de reforma - uma por cada função, bem entendido. "

O que ali vai escrito, por Pedro Arroja, é verdade e não é. Assim como no fenómeno físico do gato de Shroedinger, é verdade se essa opinião coincidir com a realidade. Ora a realidade é muito elusiva, como diriam os anglo-saxónicos. Logo, não sabemos se coincide.
Como é que poderemos saber? Regressando ao passado de há 40 anos para analisar como éramos enquanto povo. Nessa altura, no tempo de Marcelo Caetano no poder político e num regime que se fazia valer através de meios democraticamente inadmissíveis, o Estado invasor e controlador da vida pública, era, paradoxalmente, muito mais liberal que hoje.
Marcelo Caetano foi também um honesto funcionário público mas tinha um sentido de equilíbrio entre o que era e devia ser público e o que estava nas mãos privadas e pertencia a patrões e accionistas. Algo que falta muito nos dias de hoje e que estes governos socialistas e de uma Esquerda que assim se caracteriza, por palavras, não compreendem a não ser por imitação de receitas estrangeiras.
O Estado, nos dias de hoje, intromete-se demais na vida dos cidadãos. A iniciativa privada, actualmente, precisa mais do Estado e da burocracia instalada, do que antes.
Muitos empresários de relevo bolsista carecem do Estado como de carteiras de encomendas. Dependem do Estado como as crias dependem das mães para mamar.
A revolução a fazer em Portugal, hoje em dia, não vai ser animada pelos jovens que estão "à rasca". Por uma razão: nem sabem o que era dantes, para contarem como pode ser.
PS. Como já percebi há uns tempos, é inútil tentar discutir com Pedro Arroja. Tal como um programa informático, não admite alterações de rotina algorítmica a não ser que lhe mudem o código.
Não obstante, a opinião transcrita é muito útil para sairmos do paradigma errado em que nos encontramos.

3 comentários:

joserui disse...

José, o que quer dizer é que já éramos católicos no tempo de Marcelo Caetano (mais até) e esse excepcionalismo não se manifestava como hoje? Está correcto.
Mas o PA é sempre assim. E também está farto de dizer que o Estado Novo foi infinitamente mais liberal que o estado em que nos encontramos. -- JRF

josé disse...

A única dúvida e ponto de discussão que o Pedro Arroja não consegue encetar é a qualidade determinante do nosso catolicismo como influência exclusiva do nosso comportamento colectivo.

Quase aposto que Pedro Arroja foi seminarista.

zazie disse...

Naaa... não há-de ter sido. É coisa neófita.

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