sexta-feira, maio 24, 2013

Marcello Caetano por Vasco Pulido Valente na K de 1990

Para o fim de semana deixo aqui um artigo extenso, de Vasco Pulido Valente e sobre Marcello Caetano, publicado originalmente no segundo número da revista K, em Novembro de 1990.
A revista K surgiu no panorama nacional no início da década de noventa, pouco depois do aparecimento do Independente e tinha igualmente como director Miguel Esteves Cardoso, então o enfant terrible do jornalismo nacional.

Quando comprei o primeiro número ( e seguintes) fiquei sempre com a sensação de que aquilo não era o desejável e tirando um ou outro artigo nunca li a revista, embora a folheasse. Os artigos eram ( são ) intragáveis, o estilo vagabundo e desgarrado de uma linha, sempre a puxar a um pingarelho imaginário. Aquilo nem sequer chegava aos calcanhares de uma Actuel revisitada nos oitenta e se o modelo fosse o de uma Esquire ou de uma GQ ou de outra qualquer com cheiro americano, ficou sempre muito aquém do standard mínimo. Ao revisitar os números antigos fico sempre com a mesma sensação: deixou muito a desejar e nunca conseguiu sair de um gueto editorial que também nunca me interessou. Mas coleccionei e guardei, para memória futura.

Fica a capa do segundo número da K e a ficha redactorial que explica o motivo dessa frustração. Os nomes não são de gabarito suficiente, apesar de o director, Miguel Esteves Cardoso ainda gozar de um prestígio que lhe conferia uma garantia de qualidade diferenciada da média.




















Não obstante essa frustração, o artigo extenso de Vasco Pulido Valente sobre Marcello Caetano foi uma das primeiras tentativas de expôr um pensamento estruturado sobre a figura do regime deposto no 25 de Abril de 1974.

Para o fim de semana ficam treze páginas de um total de 26. Amanhã há mais.



Moustaki morreu. Com 79 anos.

Georges Moustaki morreu ontem e como dizem as noticias de embalar bacalhau, na sequência de doença prolongada. Hoje as mesmas notícias ( e até crónicas radiofónicas como a de João Gobern, na Antena Um, por volta das oito e meia da manhã, que até dói pelo plágio da Wikipedia) repetem factos conhecidos: Moustaki autor de 300 canções, algumas delas interpretadas por artistas como Edith Piaf ou Serge Regianni; Moustaki, filho de pais judeus e que cantava em várias línguas, inclusivé o Português ( do Brasil).

Vi Moustaki a cantar, há poucos anos, na Casa da Música,  no Porto. Sala ( Suggia?) repleta e a cantar o que o artista cantava. Pessoas de alguma idade, mas também jovens. Um espectáculo inesquecível que terminou com um Milord cantado pela tal Piaf ou com uma balada para Sacco e Vanzetti, já nem me lembro bem.

Moustaki apareceu a cantar num tempo em que a língua francesa ainda se aprendia nas escolas secundárias, mais que o inglês que hoje predomina nas "business schools" que por aí ensinam métodos de gestão em inglês técnico.

Moustaki era um libertário ideológico, uma espécie de bloquista de esquerda sem partido nem beira política a não ser a utopia da Liberdade que cantou numa cantiga extraordinariamente simples, Ma Liberté.
Em 1974, no final do Verão, esteve em Portugal e deu entrevistas. Numa delas, ao Século Ilustrado de 3 de Setembro de 1974 dizia que vinha a Portugal porque o que então aqui se passava lhe dizia respeito, "por ter caído o fascismo numa parte do mundo". Moustaki era comunista, evidentemente. Mas...no comunismo real teria uma vida muito difícil e até impossível. Por isso a contradição fazia-lhe jeito...

Nesse mesmo ano, no início, Moustaki tinha uma canção fantástica que me lembra inexoravelmente o 25 de Abril de 1974: Danse. Um ritmo e um tema inebriantes. Das canções de Moustaki poderia escrever páginas, mas fica uma outra, para além dessa: La carte du tendre, que muitos franceses ( principalmente francesas) sabem de cor.


quinta-feira, maio 23, 2013

Sousa Tavares, carapau de corrida.

A revista Sábado de hoje publica uma entrevista com Miguel Sousa Tavares, profusamente ilustrada com imagens de uma vida. É a enésima vez que a Sábado dá capa ao mesmo e não se entende bem porquê, mas haverá provavelmente uma razão...
Quando vi a revista, com imagem antiga na capa, deu-me para folhear e li uma pequena consideração sobre uma "polémica" com um tal Diogo Quintela, um dos fedorentos que espalha por aí bedum escrito e pago a preceito.
Depois conta que mandou à merda um juiz. Comprei.
Um dos produtos escritos desse fedorento atirava-se ao Tavares imputando-lhe a omissão de escrita croniqueira sobre o compadre Salgado, do BES.  O Tavares parece que lhe respondeu chamando-lhe medíocre e a levar a vida a expensas do talento alheio de outro fedorento, o mor-Ricardo Araújo Pereira.

Estão todos muito bem uns para os outros. Porém, a entrevista de Tavares merece destaque por outro motivo: é um compêndio abreviado dos nossos últimos trinta e tal anos.
O Tavares, agora, considera-se um escritor, assim mesmo. Vendeu mais de um milhão de Equadores e por isso é escritor porque também publicou outros livros que muita gente compra nos supermercados e feiras do livro. Bom proveito lhe faça, bem como aos leitores.
Por mim, o livro que gente insuspeita considera que "não é mau", além de conter plágios evidentes, merece esta crónica antiga:

A entrevista, essa, merece ser lida para se perceber como um indivíduo sem qualificações profissionais por aí além, sem currículo escolar por aí além e sem habilitações especiais por aí além, passa para a ribalta das capas de revista e tem sido profissional de vários ofícios, sempre diletante e sempre na mediocridade mais plana.
Foi jornalista na Luta, jornal do PS, orientado editorialmente de fora e confessadamente por influência directa e permanente de Mário Soares. Foi jornalista da RTP, sem relevo e a ganhar pouco, mas sujeito a tutela partidária. Foi funcionário público e redactor de legislação(!) num governo do PS, com um ministro "doido", Sottomayor Cardia. Foi repórter de viagens e jornalista de reportagens em revista.Foi jornalista do PREC. Foi advogado, com conhecimentos de Direito que deviam deixar muito a desejar, mas com um aplomb em lidar com os tribunais, digno de bravatas. Sobre a sua experiência de tribunais valerá a pena ler isto, já antigo, de 2004 ( foi antes de mandar o juiz à merda... ).Foi ainda outras coisas que se podem ler e nenhuma delas merece relevo especial.

Então porque escrevo isto e dou importância ao indivíduo se o acho um medíocre sem interesse público? Porque há muita gente que lhe dá interesse público. E porque será assim? É um mistério. Quem lê as crónicas do indivíduo no Expresso depressa descobre as asneiras jurídicas a eito e sem remissão. Quem lê os livros que escreve, parece que depressa descobre que valem pouco ou quase nada. Então porque é que este indivíduo que se auto-mutilou na escrita sobre um dos personagens centrais do nosso país e da nossa desgraça recente- Ricardo Salgado que é seu compadre e por isso mesmo não menciona por ser " da família"- merece ser lido?

Não sei e só arranjo uma explicação: os tempos que correm são fruto deste tipo de indivíduos e desta mediocridade ambiente. Destes carapaus de corrida que ao longo das últimas décadas souberam levar uma vidinha bem boa. Quem pagou?





ADITAMENTO:

Este mesmo indivíduo aparece hoje em várias capas de jornais como notícia, a publicitar e reclamar a venda de um livro que escreveu e aparentemente versa  sobre fenómenos de corrupção na sociedade portuguesa. Conforme escreve o Público,  "Madrugada Suja, uma história romanceada dos últimos 30 anos da vida pública portuguesa. É um romance sem heróis, ao contrário de Equador. Fala sobre os acasos da vida e a corrupção política, do Alentejo da Reforma Agrária até hoje."
Se o assunto é corrupção política, nos últimos trinta anos e de fora fica o compadre Salgado do BES, não vale a pena comprar ou ler a obra. É uma fraude. 

Por outro lado, este carapau de corrida entusiasmou-se nas entrevistas a eito por causa do tal livro-fraude e disse ao Jornal de Negócios que "Cavaco Silva é um palhaço". A palermice não devia interessar ninguém e muito menos o MºPº, mas o destaque do Jornal de Negócios é irresistível para o escândalo e Cavaco queixou-se porque é filho de boa gente, no caso o senhor Cavaco de Boliqueime . E a lei penal é incontornável, neste caso...


 Artigo 328.º do Código Penal
Ofensa à honra do Presidente da República

1 - Quem injuriar ou difamar o Presidente da República, ou quem constitucionalmente o substituir é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
2 - Se a injúria ou a difamação forem feitas por meio de palavras proferidas publicamente, de publicação de escrito ou de desenho, ou por qualquer meio técnico de comunicação com o público, o agente é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa não inferior a 60 dias.
3 - O procedimento criminal cessa se o Presidente da República expressamente declarar que dele desiste.

É demais e por isso o mesmo já tem um inquérito crime para responder e justificar a patacoada. Mais uma. Esta, claro, vai dar em nada porque realmente nada é. Mas fica o registo e a ver se tem emenda.
Mas não parece nada. Na entrevista a este jornal volta a dar a sua particular versão sobre o processo Freeport. O Tavares sabe que foi tudo uma montagem e que Sócrates estava inocente como um anjinho que é. Pelo contrário, no caso Taguspark, que não, aí houve corrupção. É assim o Tavares: palpites avulsos conforme o que lhe vai na veneta. E pagam-lhe para escrever coisas dessas. Tavares é o Marinho e Pinto do jornalismo nacional.



O Expresso, sobre este fait-divers,  noticia de um modo curioso:

"Ministério Público considera crime palavras de Sousa Tavares." Isso mesmo depois de escrever na mesma notícia que "A agência Lusa afirma, citando "fonte de Belém", que a instauração do inquérito a Sousa Tavares foi pedida pelo Presidente da República. "

O Expresso é sempre a mesma cretinice a espelhar bem o director que tem. Então foi o MºPº que considerou haver crime ou foi o presidente que se queixou? E a lei diz o quê, para autorizar um título desse género que deixa as despesas do inquérito totalmente por conta do MºPº, como se pudesse haver outra alternativa? Talvez houvesse: fazer como o outro PGR e analisar o assunto em processo administrativo, arquivando liminarmente e decretando segredo de justiça no processo administrativo depois de o submeter à apreciação do presidente do STJ.  Aqui é que o Expresso brilhava como brilhou nessoutra ocasião...

quarta-feira, maio 22, 2013

A raiz do mau-governo, da corrupção e das negociatas

Outro artigo tirado do Sol de Sexta-Feira, onde se mostra como o país foi governado por socialistas e social-democratas nas últimas décadas, com destaque muito avançado para os adeptos do keynesianismo incutido a mascoto:




Financiamento dos partidos: a pura corrupção

Do jornal Sol de Sexta-Feira passada:

Esta pouca-vergonha aqui exposta em fait-divers não foi replicada noutros media, que eu saiba. É o costume porque o financiamento dos partidos políticos, em Portugal é isto e muito mais. É esta a fonte primária da corrupção em Portugal, há muitos e muitos anos. Uma vergonha nacional que corrói as instituições mais que outra coisa e que permite uma anomia generalizada porque os cidadãos não se ralam com isto. Os media também não porque afinal, os partidos são a "base da democracia" e como tal fazem o que bem lhes aprouver uma vez que vituperar os mesmos é cuspir na sopa. Por vezes literalmente, como acontece nos media do Estado, como a RTP.  Não esperemos por isso que o senhor da Ponte mai-lo Ferreira se ocupem destas matérias. 
Não esperemos também acções do MºPº porque esta corrupção não foi criminalizada. Foi apenas administrativizada. Relativizada. Amaciada. Abafada. Esquecida. 

Assim, o que sucede em casos como este de descarada corrupção partidária? Quase nada.

A lei de financiamento dos partidos e campanhas eleitorais proíbe expressamente esta recolha de fundos, nestes moldes, "anónima" e à socapa. Proíbe mas não proíbe como deve ser. Senão vejamos a  Lei 19/2003 de 20 de Junho ( já com alterações, como é costume em Portugal):

Artigo 7º
(Regime dos donativos singulares)

1 — Os donativos de natureza pecuniária feitos por pessoas singulares identificadas estão sujeitos ao limite anual de 25 salários mínimos mensais nacionais por doador e são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência bancária.
2 — Os donativos de natureza pecuniária são obrigatoriamente depositados em contas bancárias exclusivamente destinadas a esse efeito e nas quais só podem ser efectuados depósitos que tenham esta origem.

E o que acontece se não forem respeitadas estas regras, como neste caso não foram? Acontece isto que é uma pouca-vergonha nacional:

Artigo 29º
(Não cumprimento das obrigações impostas ao financiamento)
1 — Os partidos políticos que não cumprirem as obrigações impostas no capítulo II são punidos com coima mínima no valor de 10 salários mínimos mensais nacionais e máxima no valor de 400 salários mínimos mensais nacionais, para além da perda a favor do Estado dos valores ilegalmente recebidos.
2 — Os dirigentes dos partidos políticos que pessoalmente participem na infracção prevista no número anterior são punidos com coima mínima no valor de 5 salários mínimos mensais nacionais e máxima no valor de 200 salários mínimos mensais nacionais.
3 — As pessoas singulares que violem o disposto nos artigos 4.º e 5.º são punidas com coima mínima no valor de 5 salários mínimos mensais nacionais e máxima no valor de 200 salários mínimos mensais nacionais. (...)


O que esperar depois disto? A anomia completa dos jacintos leites capelos rego...

E que não haja qualquer dúvida: não vão ser os zorrinhos ou montenegros ou mesmo os jerónimos de mandíbulas afiambradas à "burguesia" que vão modificar esta pouca-vergonha.

terça-feira, maio 21, 2013

Raqueliscte

Ontem, no programa Prós & Contras, a moderadora Fátima Campos Ferreira convidou alguns jovens e outros menos jovens para se falar publicamente e na tv dos tempos que virão, em Portugal.

Em determinada altura apareceu na audiência de espectadores presentes, um jovem de 16 anos que contou a sua experiência como empresário de produção de roupa casual para jovens, mostrando uma daquelas peças que dantes se chamavam de "fato de treino", com capuz dependurado atrás, para o tempo frio da noite. É a moda actual, copiada não se sabe de onde mas com significado universal. 
O rapazito falou da sua experiência como empresário e mostrou um saber prático e uma sabedoria circunstancial notáveis. Disse que teve uma ideia para produzir daquelas peças de roupa para jovens, baratas e com desenho adequado e para competir com as mais caras,  de marcas conhecidas.  Procurou quem as produzisse e conseguiu vender em quantidade que considera promissora, com técnicas de vendas testadas por outros ( publicidade com as raparigas bonitas da escola) e através de meios modernos ( internet).
Tanto bastou para que saltasse para o palco mediático, a fervilhar a indignação mal contida, uma "convidada" para o debate ( só esta Campos Ferreira se lembraria de convidar uma aventesma deste tipo para um debate deste género). Interrompeu o testemunho do jovem para o vituperar ali mesmo a propósito dos "modos de produção", perguntando-lhe quanto ganhavam os que produziam tais roupas e se porventura seria mais que o salário mínimo. O discurso destoou de tal modo daquilo que se estava a ouvir que o rapaz respondeu-lhe logo que mais valia ganharem o salário mínimo do que estarem desempregados, o que não foi razão para calar a interpelante cujo nome apareceu no monitor: Raquel Varela. A lição que o rapaz lhe deu não encontrou eco algum porque esta gente não ouve os outros a não ser os do antro do costume.

Uma consulta ao Google com as palavras "Raquel Varela ISCTE" devolve-nos uma informação interessante. Esta Raqueliscte doutorou-se nesse pequeno antro da esquerda portuguesa moderna de onde saem todas as ideias mais perversas que temos actualmente na sociedade portuguesa. De tal modo que se fechassem o sítio, só teríamos a ganhar como portugueses.
A mesma Raqueliscte foi a autora, há uns tempos, de uma obra polémica na qual sustentava que o PCP e Álvaro Cunhal nunca quiseram "fazer uma revolução socialista em Portugal".
Nessa altura, há cerca de dois anos,  o blogger jmf57 escreveu isto:

Abre-se o Público e, logo na página 4, aparece-nos um texto (sem link) que nem sabemos como classificar. Alguém que o jornal identifica como historiadora, defende que Álvaro Cunhal “nunca quis fazer uma revolução socialista em Portugal”e que “nunca existiu o risco de o PCP tomar o poder em Portugal” nos anos de 1974 e 1975. Diligente, acrescenta: “esse argumento … foi utilizado pelo PS para aliar-se aos sectores mais reaccionários da sociedade, nomeadamente a hierarquia da Igreja e das Forças Armadas”.
Como não li ainda o livro que justifica a entrevista – A História do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand) – não vou discutir a argumentação, apesar de a amostra visível na conversa com Raquel Valera (assim se chama a historiadora) indiciar uma grande fragilidade. A principal é assumir que a recusa do PCP em participar no golpe do 25 de Novembro é sinal definitivo de que Cunhal nunca ambicionou tomar o poder e só quis “estar integrado num Governo com o PS, negociar lugares com os socialistas”.
Comecei por ficar algo baralhado sobre o tipo de motivações políticas que poderiam estar por detrás destas teses (e do palavreado marcadamente ideológico da entrevista) e procurei saber um pouco mais sobre Raquel Varela. A hipótese de ser próxima do PCP desvaneceu-se ao tropeçar num post de Vitor Dias, em que este se indigna por esta ter subscrito, num colóquio sobre “Os Comunistas em Portugal” organizada pelo remanescente do grupo Política Operária, “a tese muito defendida em alguns meios esquerdistas que o PCP traiu a Revolução aliando-se à burguesia e reprimindo as suas aspirações populares”
 Encontrei depois Raquel Varela num dos cantos mais radicais da blogosfera, o 5Dias, e ainda como directora de uma revista que desconhecia chamada Rubra, ligada a um grupo de militantes da ultra-esquerda (não consegui perceber exactamente qual a ligação da revista com o grupo Política Operária, que foi fundado pelo desaparecido Francisco Martins Rodrigues).

Esta Raqueliscte tem lugar cativo nos media portugueses porque as campos ferreiras e anas lourenços e outros do género, acham esta gente giríssima das ideias e que este tipo de intelectuais têm opinião que deve ser escutada. Acima das outras... porque a esquerda que praticam já nem sequer é a fóssil. É mais do género do gás que se extrai dessa matéria fóssil: ideias incendiárias para um novo prec.
Esta vergonha nacional protagonizada pelas campos ferreiras e anas lourenços não tem fim.

Na RTP1, já chegamos à Madeira, há muito tempo.

Os jornalistas da RTP José Adelino e Rita Marrafa anunciaram publicamente numa das últimas edições do telejornal em formato alargado a uns improváveis 360º que "nos Açores está a decorrer o julgamento de um bailarino cubano. É acusado de extorsão a um padre, alegadamente após o final de uma relação"...

O vídeo é como o algodão...e por isso a menção aos Açores pode mesmo ouvir-se.

Acontece que a notícia refere-se a um caso que a mesma RTP anuncia como ocorrendo...na Madeira. 
É este jornalismo, tipo para quem é bacalhau basta, que a RTP serve diariamente aos espectadores. Os repórteres Adelino e Marrafa recebem mais,  por isso.

Os economistas prestam para alguma coisa?

Tirado do Público de Domingo, um artigo de um professor estrangeiro ( daqueles que a Univ Católica (!) e o seu afamado curso de gestão de altos negócios- Católica-Lisbon School of Business & Economics - cita) mostra-nos que os economistas são uma espécie recente de cartomantes do indizível :




sexta-feira, maio 17, 2013

Era destes autarcas que precisávamos mais...

Este pequeno artigo vem publicado na edição de  ontem do jornal regional de Viana do Castelo, Aurora do Lima.
É da autoria de um ex-professor ( de Português) e  que costuma escrever este tipo de crónicas neste estilo escorreito que suplanta o de muitos do jornalismo nacional-croniqueiro.
Merece ser lido por isso e também porque transmite algo importante para se perceber que os autarcas não são todos iguais. O autarca referido do escrito ( da Câmara de Ponte de Lima) merecia maior exposição pública e se um dia fosse ao Prós & Contras explicar o que é muito simples e outros autarcas e governantes parecem não compreender, teríamos todos a ganhar com isso.



A Organização política e administrativa da Nação era ensinada no Estado Corporativo...

Agora não. Parece que não é preciso a não ser para quem tal estuda na Universidade e só em alguns cursos. Não admira por isso a quantidade de ignaros dessas matérias que proliferam pelos canais de tv, como cogumelos depois da chuva.

Até ao dia 25 de Abril de 1974 ensinavam-se nos antigos liceus, no sétimo ano ( actual 11º) rudimentos bem desenvolvidos e bem explicados sobre a organização do nosso Estado, então dito Corporativo. O tal que os comunistas, socialistas e compagnons de route para os amanhãs a cantar insistem em classificar como "fascista". Ainda hoje. E com alguma razão porque a Constituição da República Portuguesa aprovada em 1976 ( publicada em 10 de Abril de 1976) tinha um preâmbulo surrealista. Assim:


Este pequeno texto onde se afirmam coisas estapafúrdias a modo de programa intencional constitucionalmente consagrado, como a obrigação de o Estado de Direito democrático " abrir caminho para uma sociedade socialista", com a conotação evidente que tal assumia em 1976, continuou pelas décadas fora a sevir de farol para esses amanhãs que deixaram de cantar, mas ainda tentam balbuciar a intenção na CRP.

Não foi mudada uma vírgula sequer, nas revisões de 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004  e 2005. Querem ver? Aqui fica o preâmbulo da última revisão constitucional de 2005:

Não admira por isso que agora se questione se vale a pena ensinar direito constitucional ( a Constituição)  aos alunos do actual secundário. Ensinar o quê, afinal? Balelas? A história da tomada de poder ideológico pela esquerda comunista e socialista, sem oposição válida dos que não aceitam esse programa e tem contemporizado ao longo de décadas com essas balelas sem as denunciar explicitamente?

No dia 25 de Abril de 1974, mais precisamente no dia seguinte, 26 de Abril, uma Sexta-Feira, costumava ter no Liceu que então frequentava, aula de OPAN. Pois foi essa a primeira vítima da Revolução cultural que se seguiu: acabou logo ali, para gáudio dos alunos que achavam aquilo e o modo como era ensinada, uma "seca", como agora se diz.  Nesse dia, o professor apareceu na aula para explicar que não valia a pena ensinar nada mais daquilo porque em Abril o programa já abrangia o estudo de matérias que provavelmente iriam ser alteradas. E assim foi. Acabou a OPAN que ficou como símbolo cultural do "fassismo" dito por um sibilante Domingos Abrantes  de dentes raros.

No entanto, com o recuo do tempo de décadas é possível verificar que o estudo dessa matéria nos dias que correm não fazia nada mal aos alunos do secundário e tirando os textos fundamentais de então ( Constituição Política de 1933, Estatuto do Trabalho Nacional, Código Administrativo ( este menos), Lei Orgânica do Ultramar e Acordo Missionário)  as "noções fundamentais" continuam a ser as mesmas.
Ora verifique-se o índice do manual...





E nestas duas páginas ( mais duas que acrescentei para que se possa ler o que já não se lê, agora, em lado nenhum) de texto percebe-se que os alunos de então eram expostos mais cedo a certas realidades cívicas e políticas que actualmente nem cheiram, sequer nas faculdades. E dizem que o Estado Corporativo de Marcello Caetano era "fassista", "obscurantista" e outros istas...


Anda, Pacheco!

Pacheco Pereira tem uma entrevista notável no Jornal de Negócios de hoje que comprei de propósito para a ler.
Aqui fica uma página:

É difícil não concordar com a lucidez de Pacheco Pereira, nesta página. Porém, é sempre a mesma coisa com este indivíduo: cospe na sopa, mas sempre de longe e com protecção.

Nunca o Pacheco Pereira que escreve crónicas numa revista do mainstream que aqui critica por promiscuidade excessiva escreveu lá isto que diz aqui. Nunca, na SIC-N, onde tem uma avença e um programa ( que lhe rende certamente uns cobres) foi capaz de dizer isto olhos nos olhos e frente a frente a um Jorge Coelho, evidentemente uma das figuras maiores da corrupção nacional que aqui Pacheco denuncia ou um António Costa, um político medíocre e com os tiques todos daqueles que Pacheco critica. Ou denunciar o jornalismo promíscuo de uma Ana Lourenço e outros. Nunca. Never. Eppure...

Pacheco Pereira cospe na sopa, sim, mas de longe e a bom recato. Sempre. E por isso a autoridade que poderia ter, como intelectual da Marmeleira ( sem ofensa) é muito diminuída. E para um intelectual, a carência de credibilidade é a morte traduzida na irrelevância.

A cultura de rifoneiro faz muita falta...

R.R:

A um mês do Verão, a neve continua a cair na Serra da Estrela. O cenário branco impede, esta sexta-feira de manhã, a circulação automóvel nas estradas de acesso ao maciço central.

Se quem isto escreveu fosse um pouco mais versado em rifões da cultura popular portuguesa saberia que... "em Maio come as cerejas ao borralho".

Provavelmente nem saberá que coisa é essa do "borralho"...e por isso vemos a notícia assim escrita como se o frio em Maio fosse algo esquisito " a um mês do Verão". São estas pequenas coisas que nos mostram o país em que nos tornamos.

quarta-feira, maio 15, 2013

A saga do Inenarrável continua...

Lux.pt:

O inesperado aconteceu. Esta terça-feira, o actual e o ex-primeiro-ministro viajaram no mesmo avião da TAP. No entanto, Pedro Passos Coelho viajou em económica e José Sócrates em executiva.

O primeiro-ministro regressava a Lisboa depois da apresentação em Paris do relatório da OCDE sobre Portugal. Já José Sócrates, estudante em Paris, regressava à sua cidade natal.

À partida, Pedro Passos Coelho cumprimentou o seu antecessor e á chegada trocaram breves palavras, uma vez que viajavam em classes distintas.

Carlos Moedas, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, ainda entregou ao ex-primeiro-ministro o relatório da OCDE que tinham acabado de receber em Paris, mas Sócrates, que era o único passageiro da classe executiva, optou por ler «Marianne», revista francesa de informação geral e assumidamente de esquerda.

Numa viagem em que Pedro Passos Coelho se limitou a cumprir a regra que impôs a todo o governo no início do mandato, José Sócrates teve ainda uma compensação inesperada, uma vez que o controlador de voo o cumprimentou primeiro do que actual líder do Governo.


José Sócrates aparentemente não tem dinheiro para mandar cantar um cego.  Mas viaja em executiva ( passageiro único...)  desloca-se em Mercedes série S, e outras coisas. Em resumo, faz vida de rico. Grande rico, note-se. Uma viajem de Paris para cá, em Executiva, na TAP, quanto custará?
O jornalismo caseiro, esse, faz de conta que isto é muito normal. Normalíssimo.

Silva Lopes, o economista do socialismo em transição...

R.R. :

O antigo ministro das Finanças, Silva Lopes, sai em defesa das taxas que o Governo pretende aplicar sobre as pensões.
O economista, que falava esta terça-feira à margem de um debate sobre o Orçamento do Estado e a Constituição, em Lisboa, diz que a geração mais nova está a ser asfixiada pelos mais velhos.
“A geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui. Não pode ser. Eu sou pensionista, sou da geração grisalha, quem me dera a mim que não toquem nas reformas, mas tocam, vão tocar e eu acho muito bem. Não há outro remédio”, defende Silva Lopes.
O antigo ministro considera a Constituição e a interpretação que o Tribunal Constitucional faz da lei podem contribuir para o agravamento da crise em Portugal.
“Sou a favor da contribuição de solidariedade social, sou a favor desta taxa que o Governo agora promete e que, se calhar, também vai ser declarada inconstitucional. E digo uma coisa: se nós temos a Constituição e a interpretação do Tribunal Constitucional a impedir estas coisas, isto rebenta tudo”, adverte Silva Lopes.

Sobre este personagem socialista, verdadeiro "pai" dos economistas do keynesianismo socialista, reverenciado, antigo ministro de Soares, é preciso dizer um pouco mais, relembrando o passado. Como foi dos "pais fundadores" da democracia que temos, teve sempre direito às honras inerentes dos conselhos de administração. Sempre. Acabou a vida profissional reformado como ninguém, pago por todos nós, sempre, apesar dos descontos que fez. Mereceu? Alguém o diga.

É ler o que já escrevi aqui sobre o assunto, ilustrado com esta imagem. Após o 28 de Setembro de 1974, com a "reacção" ( Spínola, um herói nacional ainda no mês anterior...) rechaçada pelos comunistas de todas as esquerdas, Silva Lopes e o inefável Melo Antunes ( o militar informado e lido que os demais respeitavam por isso) gizavam um "plano" ( era o mote, então) para a nossa economia de "transição". Transição para quê? Para o socialismo, voilà! E Silva Lopes cavalgava a onda, como outros. 


 
Há quem se interrogue sobre o modo como passamos de uma economia tipicamente capitalista, com mínima intervenção do Estado ( mas com empresas privadas "protegidas" pelo mesmo) antes de 25 de Abril de 1974, para uma economia mista com grande prevalência de um sector público, numa inversão completa de valores económicos e até sociais, logo nos primeiros meses de 1974 e que culminaram nas nacionalizações de 11.3.1975, a caminho do socialismo e da "sociedade sem classes" como ficou a constar na Constituição de 1976.

Há documentos de época que o mostram e são curiosos porque esquecidos. Não foi apenas o PCP e a esquerda extremada que fizeram a transição revolucionária do PREC. Há outros menos conhecidos e que ficam bem na fotografia.

No início de 1975 havia um governo com ministros como Maria de Lurdes Pintassilgo, Rui Vilar ( actual administrador da Gulbenkian), Vítor Constâncio ( sempre na ribalta) e Silva Lopes, o actual reformado do Montepio que acumula reformas como quem junta cromos. E no centro de todos, o falecido Melo Antunes, do Conselho da Revolução, um dos órgãos de poder no Portugal de então. Um grande poder que só viria acabar anos mais tarde.

No artigo da revista que se estende por três páginas, titula-se muito claramente, ainda antes das nacionalizações e com o apoio sorridente daqueles ministros " Da Social democracia ao projecto de socialismo". O que aí se pode ler é apenas o plano antecipado das nacionalizações que viriam dali a um mês. Mas o plano estava já delineado. O que os comunistas fizeram, afinal, foi lançar as redes ideológicas que apanharam muito peixe graúdo, como os que figuram na foto.

O caso de Silva Lopes, então, é emblemático. Quem o ouve falar hoje em dia, sobre reduções de salários na função pública e não só, esquece que foi um dos obreiros técnicos da miséria a que chegamos. Mas nunca se deu por achado.
O que aconteceu em 11 de Março de 1975, na sequência do golpe da esquerda, foi apenas o corolário do ambiente ideológico criado ao longo do ano. As nacionalizações fizeram jus ao "programa económico" patrocinado por aqueles. "dinheiro do povo para o povo" titulava a V.M. de 20.3.1975. Vítor Constâncio e Silva Lopes não diziam menos que isso. Por isso mesmo foram sempre funcionários diligentes na gestão do "dinheiro do povo" e por isso mesmo é que acabaram ricos, enquanto funcionários públicos. Os demais que se amolem. Que não fossem parvos, ao votar neles e dando-lhes sempre o benefício da dúvida.
Para sustentar o ambiente deletério em que se vivia contra o capitalismo e o "fassismo", havia os media. Para comprovar que eram todos de esquerda, basta isto: um artigo de um tal Luís de Miranda Rocha, na Vida Mundial de 5.12.1974 a informar que " a direita" andava à procura da sua informação. Para bom entendedor...
Nota apócrifa: Luís de Miranda Rocha, segundo o google,já falecido prematuramente, era um poeta-jornalista. É exactamente o paradigma desse tempo: poesia no jornalismo. A realidade entre parêntesis.


 Como se pode ler acima, em finais do ano de 1974 a putativa e mítica "direita" portuguesa nem sequer um jornalzinho decente tinha para se afirmar e combater as doidices da esquerda comunista. Nada. Todos os media dos joões paulos guerra da época estavam tomados.  E ainda hoje estão, porque nada aprenderam e nada esqueceram.

Para terminar e ainda sobre Silva Lopes vale a pena rememorar esta historieta contada pelo Sol há uns tempos e que já transcrevi aqui, ocorrida escassos dois anos depois de 25 de Abril e numa altura que o Estado controlava toda a economia que interessava aos comunistas: indústria pesada nacionalizada, banca e seguros nacionalizados, Constituição a a afirmar o caminho irreversível para a sociedade sem classes e parvoices ideológicas do género. Ainda assim não conseguiram fazer um décimo do que a economia "burguesa" dos fassistas de Caetano lograva, com taxas de crescimento de fazer inveja hoje em dia.
Será que esta lição não lhes serve de nada?  Será que não aprendem com as asneiras graves que praticaram? Silva Lopes nunca se desmanchou com isto, como bom socialista democrático que sempre foi. E ai de quem o fizesse que tinha logo Silva Lopes a chamar "fassista" ou seja lá o que for...

Com estes exemplos todos, o que esperar da esquerda portuguesa senão desgraça e mais desgraça? Será que não aprendem?

"Normalmente, o ministro das Finanças, quando se dirigia para o seu gabinete, passava pelo Banco de Portugal. Várias vezes, sempre ao princípio da manhã, entrava e subia ao segundo andar para trocar impressões com o Governador. Consegue adivinhar quem era? Silva Lopes, precisamente. O sítio ficava na rua do Comércio e o economista, num dia dramático, mostrou-lhe uma espécie de folha de caixa onde constavam 61 milhões de dólares. Medina Carreira ficou atónito porque com aquele dinheiro em tesouraria o país não conseguiria pagar ordenados no final do mês.
O ministro telefonou de imediato para a embaixada americana e a secretária de Frank Carlucci informou-o que o embaixador estava a caminho da Galiza- Medina Carreira pediu-lhe para o avisar que não atravessasse a fronteira sem com ele falar. Telemóveis não existiam e os dois, ministro e governador, pediram um avião particular ao Banco Português do Atlântico e perto de Viana do Castelo alugaram uma carrinha cinzenta, o mais discreta e impessoal que conseguiram. Com Medina Carreira a guiar dirigiram-se ao Hotel de Santa Luzia e subiram ao terraço. Carlucci esperava-os. Ouviu-os com atenção. E não precisou de lhes dizer que iria contactar a Casa Branca. Considerava impossível resolver o problema. Portugal, na sua opinião, deveria pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional. Tudo o resto eram lenitivos.Regressaram no seu carro discreto e o Governo não demorou muito tempo a cair. A moção de confiança pedida por Soares foi derrotada no Parlamento com os votos do Partido Comunista e de toda a direita. "

terça-feira, maio 14, 2013

Os jornalistas de partido

Estou neste momento a ver na SICN a jornalista Ana Lourenço, uma jornalista que não consegue disfarçar sequer a tendência política, no modo como coloca perguntas e faz observações a respostas do entrevistado da noite, Octávio Teixeira do PCP.

É incrível como estas jornalistas são admitidas a apresentar jornais nacionais de notícias que transformam em plataformas de propaganda política descarada e neste caso em favor da esquerda. Não há um mínimo, um módico de isenção política, de esforço pluripartidário ou de pudor, sequer. Esta gente julga que o jornalismo é isto. Quem é que lhe deu esta alforria? Onde se formou esta gente? No ISCTE?  Que jornalismo é este? Que porcaria é esta?

Por mim, quanto mais vejo o "orelhas" Rodrigues dos Santos mais valor lhe dou. Parece-me um dos únicos jornalistas dignos do nome.

Os herdeiros de Louçã e o jornalismo dos fretes políticos à esquerda




Ontem o Público dava três páginas de propaganda política grátis ao Bloco de Esquerda. Sob o pretexto dos seis meses de "liderança conjunta" a jornalista Leonete Botelho mai-la jornalista Rita Brandão Guerra foram ouvir Catarina Martins e João Semedo para este dizerem de suas graças.

O discurso do Bloco de Esquerda lembra actualmente o discurso da esquerda radical no período imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974, embora sem o radicalismo verbal da época. A essência, porém, é a mesmíssima de sempre destes trotskistas aggiornatos que nunca tiveram a ventura de governar fosse o que fosse, politicamente relevante, em qualquer país do mundo. Nem em Chipre e sabemos o que por lá sucedeu. Mas não desarmam, evidentemente, porque apanharam a chama acesa do marxismo-trotstkismo e estão apostados em levá-la a um pódio imaginário de ideias perdidas nas brumas do Prec.

A entrevista conjunta diz nada de especial ou relevante, a não ser que este governo não presta, a troika "que se lixe" e que o PS é um partido aproveitável à esquerda se a esquerda se deslocar para um centralidade imaginária que se torne alternativa. "O BE bate-se para que esse centro se desloque para a esquerda do PS", é o discurso político actual e táctico do BE.
E, porém, o que é a esquerda que o BE representa, verdadeiramente? As duas jornalistas do frete político não lhe perguntam nada sobre tal ponto essencial. Não perguntam e ficamos sem saber se não acham relevante ou apenas se consideram que basta que o BE mencione uma vaga ideia de "esquerda" para automaticamente se tornar consensual o entendimento a par do que pode significar igualmente tal ideia de esquerda para um PS imaginário e recentrado nessa margem.
Há muito tempo que o Público navega nessa água choca sem que se separem verdadeiramente as águas essenciais. O patrão Belmiro, capitalista e burguês,  já avisou paternalisticamente, que não tolera muito mais tempo de prejuízos de um ou dois milhões ao ano e por isso o jornal é bem o paradigma dessa esquerda mítica que vive de ilusões com base em princípios que não ousam invocar ou mesmo evocar publicamente. Não ousam porque temem o efeito.
O Bloco de Esquerda, tal como o PCP, é uma esquerda comunista, em Portugal. É essa a verdade que importa discutir publicamente e saber se o comunismo, tal como o defendem- um na vertente trotskista e outro na vertente hard-core, neo-estalinista e saudosista de Cunhal- é viável, já não digo em Portugal mas em qualquer país da Europa ocidental, para não dizer do mundo. Há décadas que vivem nessa contradição escondida e oculta e fazem tudo para mistificar a realidade política em que vivem a fim de obter votos que lhes permitam minar por dentro " a burguesia". Estas ideias nem sequer são tão escondidas como isso porque basta ler o que publicam internamente ou para consumo militante ( O Militante, por exemplo) para se entender que o PCP ou o BE nada mudou nas últimas décadas, relativamente a essas ideias peregrinas que ninguém nos media de maior audiêndia parece interessado em expôr e denunciar como mentiras encapotadas para enganar os eleitores. Ninguém parece interessado e, pior que isso, tomam como absolutamente normais em termos democráticos tais partidos que não são democráticos como conhecemos a democracia porque têm um conceito da mesma completamente diverso. Vivem bem essa contradição porque actuam por fases. Esta fase actual corresponde sem tirar nem pôr, à fase do pós-25 de Abril de 1974, em que o capitalismo e a burguesia ainda mandavam no país ( os chamados "Donos de Portugal", como Loução lhes chamou em livro) e portanto o discurso de um João Martins Pereira, já aqui publicado e abaixo repetido, ainda se apresentava em pézinhos de lã politicamente delicada. Porém, logo a seguir ao 11 de Março de 1975 basta ler o que escreveram e disseram os mesmos para se entender o que pretendem, ainda hoje. Este blogue têm vários documentos de época em que tal é manifesto.
Assim, agora, como nesta entrevista, o discurso é táctico, encoberto, com os objectivos traçados  no curto prazo ( abaixo a troika, não pagar a dívida, demissão do governo de "direita", eleições para captarem votos em conjunto com outra esquerda conveniente, no caso o PS férrico ou assim tipo Pedroso e ficam por aqui. Para já. Depois disso virá o tempo em que "as revoluções comem os seus filhos" e já está. O processo de aceleração virá depois. Por enquanto o compasso é de espera e mistificação com estes idiotas úteis dos media que lhes servem às mil maravilhas...

Mas houve já ocasiões em que esse discurso de separação de águas foi bem enunciado e vale a pena recordar, porque o líder na sombra, Louçã, continua presente. "Ele é o mesmo de sempre", dizem os entrevistados. Olá se é! E como é?

Assim, sem tirar nem pôr ( a não ser para as leonetes e ritas que preferem não saber muito bem como é que estas coisas depois funcionam na prática. Não viveram o PREC e a ideia de "esquerda" serve-lhes para o imaginário político, o BE e o seu guru Louçã já se confessaram claramente a quem quis ler e agora prefere não lembrar. Em Agosto de 2009 à revista Sábado, esta entrevista muito reveladora dava conta dos segredos escondidos do comunismo caseiro à moda trotskista:

 Para que não restem dúvidas e as leonetes e ritas ( e as lourenços da sicn, etc etc) tenham maior pejo ou vergonha em não mistificar ainda mais o que é preciso desmistificar de vez, já em tempos escrevi aqui o seguinte, em Agosto de 2009:


Diz assim Louçã, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":


"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:


"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."


Quem comparar os discursos percebe imediatamente a aldrabice inerente: a um discurso radical de alteração das estruturas sociais vigentes e a substituição de um modelo de produção que implica uma autêntica revolução e um PREC, Louçã apresenta hoje um discurso edulcorado e mistificador cuja essência se entende melhor quando Rogeiro lhe pergunta o que é o "modelo económico" do BE. Repare-se na (não) resposta:


"Queremos fazer grandes correcções ( já não quer a tal revolução profunda?), que contribuam para a justiça na economia ( afinal já desistiu de substituir o capitalismo por "uma forma de democracia social"?). E é tudo o que diz sobre o tal modelo alternativo. Sem que Rogeiro adiante nada mais...
Ora isto é um grande embuste de Francisco Louçã. Tal como Jerónimo de Sousa, o verdadeiro esquerdista português, dizia em Janeiro de 2008: o Bloco de Esquerda "é um partido social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante, caindo muitas vezes no anti-comunismo".

O discurso de Louçã, hoje em dia, leva à letra uma táctica trotskista conhecida de gingeira: a integração de outras realidades práticas e contextuais, no interior de uma força política atenta ao fenómeno e com habilidade política suficiente para passar por muito natural e integrado, o que representa uma revolução social com custos incalculáveis. Nada de grandes proclamações revolucionárias. Isso fica para depois, quando os tansos votarem e se aperceberem, tarde demais, do logro em que caíram. E não haja dúvidas que é nisso que Louçã aposta forte: "Não teremos [votos para ganhar]nestas eleições, mas chegará o dia em que havemos de os obter". É assim, a falta completa de vergonha no embuste. E não se vê muita gente a denunciar este aldrabão político. Apenas Vasco Pulido Valente e mais um ou outro.
Mas...atenção! Este gajo é perigoso. Muito perigoso, para a democracia. Porque utiliza o discurso aparentemente democrático para convencer papalvos. E papalvos não faltam.

O discurso de Louçã, hoje, não se distingue uma vírgula que seja do discurso social-democrata deste PS adepto, também ele, de um "socialismo democrático".
Então o que distingue essencialmente o discurso político BE ,do do PS? Para mim, uma simples realidade: o grau de aldrabice política, no BE, é muito superior ao do PS. Com a subtileza de que o discurso do BE é completamente falso. O do PS apenas mistificador de uma realidade que nunca praticaram: o socialismo.

De resto para se enquadrar todo este modo de pensar ideológico é necessário retomar o discurso de um João Martins Pereira, recentemente publicado aqui e enunciado logo a seguir ao 25 de Abril de 1974. Claro que as circunstâncias eram outras, politica e economicamente. Porém, os princípios são exactamente os mesmos, enunciados em modo semelhante e que agora passam como se fossem da nossa plena democracia burguesa.
Não haverá ninguém que lhes esfregue com isto na cara mentirosa, a esta gente da esquerda nacional-comunista? Não basta o que fizeram em Março de 1975? Querem repetir a dose, agora em modo de farsa? E com uma agravante de tomo: estes idiotas úteis que aparecem nos media a promover esta ideologia não sabem o que estão a fazer? Acham que isto é normal? Vêem disso em algum outro país europeu?
Se julgam que vêem, então leiam o Le Nouvel Observateur, a Marianne, já para não falar das revistas mais à direita. 

Acham que na Inglaterra o Economist ou o Guardian dão guarida a este tipo de gente, como aqui, em Portugal? E na Alemanha, a Der Spiegel? 
Porquê, esta miséria repetida, década após década em Portugal, de conceder a esta esquerda fóssil todas as honras da casa mediática se os mesmos só aparecem para nos roubarem o que há no frigorífico? 
Est modus in rebus, como se costuma dizer. A democracia implica o respeito pelas ideias opostas, contrárias e até ideologicamente perversas. Em Portugal, a democracia abrange apenas a ideologia esquerdista com extensão a umas franjas de uma certa direita que nem sequer se assume como tal porque dificilmente o poderia fazer. E o resto do espectro político? 
É isto a democracia que temos, com a agravante de essa esquerda radical tomar literalmente conta do espaço mediático actual com a complacência dos diversos directores de informação? Essa gente é ignorante, idiota ou o que é exactamente?
Os patrões mediáticos,  Balsemão e  Belmiro não sabem que é assim? Claro que sabem porque o que dizem quando dizem é exactamente isto porque são capitalistas e burgueses que vivem de explorar o trabalho alheio, na retórica marxista. Acham porventura que esta gente os pouparia num futuro próximo se tomassem o poder político? Se acham, o melhor é estarem atentos ao discurso do bolchevista Arménio, esse tresloucado do neo-prec nacional.
Como é que esses capitalistas toleram as leonetes e lourenços que acaparam esta gente sem qualquer pudor ideológico, não se sabendo se por ignorância ou pura parvoíce?  É por isto ser democracia? Mas isto é alguma democracia, conceder tempo de antena quase exclusivo a quem nos quer desgraçar uma vez mais? Se assim o entendem porque não concedem o mesmo tempo de antena ao lado oposto? Acham que os media franceses concedem o mesmo tempo de antena a Marine Le Pen e a Mélenchon? Pois aqui deviam fazê-lo porque democracia, nesse conceito idiossincrático, será isso.







Mário Soares: o desmemoriado desmiolado

Económico de hoje:

"Paulo Portas, líder do segundo partido da coligação, tem sido humilhado de várias formas". Quem o diz é o ex-presidente da República, Mário Soares, no seu artigo de opinião publicado hoje no Diário de Notícias.

Público de 3.8.2003: 

Paulo Portas, líder do CDS e ministro de Estado e da Defesa, é um "tumor" que está a "contaminar" o Governo e que deve ser "extirpado", ou seja demitido, o quanto antes, defendeu, ontem, em entrevista à Antena 1, o ex-Presidente da República Mário Soares. "Devem extrair o tumor e isso é demitir o ministro", disse Soares. O "devem" refere-se ao Presidente da República e ao primeiro-ministro.


Não há ninguém que lhe diga, com autoridade: "por que no te callas?"

domingo, maio 12, 2013

O fado do futebol nacional: nossa senhora de Fátima!

Antes de 25 de Abril de 1974, dizem os antifassistas de hoje,   era um horror de obscurantismo e miséria. Dizem, escrevem e ensinam nas escolas às crianças de hoje. O futebol aliado ao fado e com Fátima em fundo eram a trilogia sagrada da "alienação" completa do povo que assim era mantido na ignorância do marxismo-leninismo, luz e farol da Terra da libertação dos oprimidos do jugo do imperialismo, fassismo e  burguesia. O discurso era este, embora por outras palavras que a Censura não permitia estas alarvidades escritas em letra de forma.
No diário República, dirigido pelo maçónico Raul Rego, fundado do PS, no número especial de 31 de Dezembro de 1973 fazia-se uma resenha do ano desportivo. Assim,  é ler o apontamento do comunista estalinista Castrim, casado depois com Alice Vieira e a quem Vera Lagoa chamava "koxinho das estepes". Para o comunista-cronista diário do Diário de Lisboa estava tudo mal no desporto nacional:

 E como era o desporto futeboleiro nacional tratado nos media de larga circulação,  logo em 1966, quando Salazar ainda tinha noção de quem era? Assim, como mostra o Século Ilustrado de 30 de Abril de 1966, praticamente na mesma altura da época que hoje. Duas páginas singelas, com fotos e era geralmente todo o destaque que era dado ao futebol. Nas décadas anteriores tinha havido a revista Stadium, com imagens fotográficas fantásticas ( lembro-me de  folhear no início dos sessenta, números antigos que o meu pai tinha guardados ) das jogadas mais emociantes dos jogos de futebol. Em 1966 era mais ou menos assim:

Em 12 de Maio de 1967 ( faz hoje 46 anos) a revista Flama publicou este número que é bem um exemplo do que era o dito do nacional-esquerdismo ambiente: Fátima, Fado e Futebol encontravam nesse número, concentrados exemplificativos do fenómeno.

Em primeiro lugar a capa aludia à vista do então Papa Paulo VI, a Fátima, por ocasião do cinquentenário das aparições.  Larga reportagem fotográfica sobre a vista.
Estas duas páginas dão um "apanhado" interessante do modo como era tratado o fenómeno "Fátima", mesmo pela Igreja e que contrasta e desmente o que o nacional-esquerdismo dos rosas e flunseres escrevem habitualmente para enganar papalvos.  É ler...

E sobre o Fado da trilogia? Ora, Amália e não só, era motivo de notícia no mesmo número. Espectáculos no Olympia e até um jovem Vítor de Sousa ( depois convertido ao nacional-esquerdismo) dava ar da graça...



Sobre o Futebol o menu era de facto mais completo, até porque se estava no fim do campeonato. Era assim, com o Barreirense em destaque:

Mas não só. Também o grande Eusébio teve honras de duas páginas sobre um comportamento digno de um Cantona, décadas depois...e só apetece dizer que se fosse hoje, Eusébio nunca teria a estátua no recinto da Luz. E aposto que esta foto não consta do museu do estádio do "glorioso". Isso era certo, mas então o senso comum era outro. Nestas como noutras matérias. Hoje, o sentido politicamente correcto não permitiria que Eusébio se safasse apenas com um comentário de bom senso.




Por exemplo, no mesmíssimo número dessa revista apareciam duas páginas sobre uma instituição da época que o nacional-esquerdismo estuporou em dois tempos a 11 de Março de 1975 e hoje gostaria de voltar a fazer o mesmo se pudesse e houvesse mais cufs. Como não há, o bolchevista Arménio mais o comparsa Jerónimo, electricista de folga há décadas, lembram-se apenas do Marques dos Santos, do Belmiro e do Amorim como ovelhas negras da sociedade portuguesa que  preferem.

E ainda no mesmo número que hoje faz 46 anos, do tempo de Salazar, aparece este artigo muito, mas mesmo muito interessante sobre o ensino universitário em Portugal e comparado com outros países...é ler para desfazer mitos do nacional-esquerdismo:


Portanto, para desfazer mitos bacocos do nacional-esquerdismo continuemos para mostrar outras imagens do Futebol antes de 25 de Abril de 1974.
Por exemplo, em 1968,o Benfica era capa da Flama de 17 de Maio desse ano. Era o tempo em que no Porto apenas se trabalhava e Pinto da Costa ainda andava a vender candeeiros.




 O Século Ilustrado de 22. 2 1969

 A Flama de 8 de Janeiro de 1971 volta ao Benfica, com um Artur Jorge que fora da Académica...

É deste Benfica que um Mexia tem saudades e quer que ganhe para dar incremento ao PIB...

E os jornais diários, como tratavam o futebol? Com duas páginas no máximo e muito menos espavento que hoje em dia. Por exemplo, o Diário Popular de 31 de Dezembro de 1971, um Domingo :

O Diário de Lisboa, reduto do nacional-esquerdismo já na época, era mais sucinto nas notícias do desporto-rei. No número de 16 de Outubro de 1972, uma Segunda-Feira:

E no dia 2 de Dezembro de 1973, um Domingo, o Diário de Lisboa, outra vez, por ocasião de um clássico ( ou será um derby?):


E na televisão, como era? "Se bem me lembro" ( e o Século Ilustrado de 14 de Fevereiro de 1970 ajuda)  era assim: vinte minutinhos, ao Domingo. E era tudo...



Mas não é tudo, nacionais-esquerdistas de todos os matizes: tenham vergonha quando falarem dos três "fff". Lembrem-se que quem "alienou" o povo, fostes vós. Vós mesmo.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso