sábado, 11 de agosto de 2018

A evacuação descoordenada e a responsabilidade criminal do Governo

Observador:

O Presidente da República está em Monchique, afetada por incêndios na última semana, e deixou um recado aos decisores: "não vale a pena comparar com outros incêndios porque isso não diz nada".

(...)

Os populares transmitiram a Marcelo Rebelo de Sousa a sua indignação em relação ao que aconteceu e às palavras usadas por alguns responsáveis políticos para descrever o resultado da operação, como sucesso (uma palavra usada por António Costa, que não foi nomeado pelos populares diretamente). Os locais disseram ainda ao presidente que, a seu ver, houve uma descoordenação total na forma como foram combatidas as chamas.


Não vale a pena comparar o incêndio deste ano com os do ano anterior? Ai vale, vale por uma simples razão que ainda não vi enunciada:

Este ano a preocupação principal do Governo foi a de evacuar. Pessoas, no caso concreto e para evitar mortos estatísticos que é a única coisa que os impressiona. A sensibilidade é outra coisa e teria a ver com o modo de as evacuar. Como não a tem, de todo, foi a eito, a torto e sem regras a não ser uma: sair dos locais, logo que ordenado pela GNR, fosse a bem ou a mal. Para tal até estagiários  da GNR serviram, como noticiou ontem o Jornal de Notícias. O resto era para arder, como foi.

A lei de Segurança Interna que ao abrigo do entendimento jacobino  tal permitiu já era lei o ano passado e já permitia o mesmo entendimento jacobino. O Governo ao justificar a actuação deste ano, ao abrigo de tal lei, veio reconhcer urbi et orbi o seu papel criminoso, pela negligência grosseira então demonstrada, coisa que nunca fizeram claramente.

Fazem-no agora, por contraste e devido à lógica jacobina. Provam do próprio veneno: o Governo de António Costa é culpado da morte de mais de 100 pessoas, o ano passado, nos incêndios porque não evacuaram as pessoas das aldeias envolvidas, como poderiam e deveriam ter feito e não fizeram.
Reconhecem-no este ano implicitamente porque a lógica é implacável. Por isso se devem comparar os incêndios deste ano com os do ano passado: são o atestado de responsabilidade criminal do Governo in totum.  A lei de Segurança Interna que agora serviu porque não serviu o ano passado? Negligência grosseira, no mínimo.

Hoje o Expresso publica uma página sobre o incêndio de Monchique que vale a pena ler, como valeu ler as do ano passado, muito bem feitas, ambas. Avulta este ano o facto mais notório: o carácter de baratas tontas de quem manda na ANPC e na tutela governamental, o inenarrável Eduardo Cabrita.



Também o Sol de hoje contribui para este assunto da irresponsabilidade e incompetência dessas entidades oficiais, pagas por todos nós: duas pessoas bastaram para salvar um edifício que já tinha sido dado como perdido por aqueles desgraçados que mandam. Se isto não é o sinal eloquente da incompetência dessa gente, não sei o que seja.


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