segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A tragédia outra vez à porta e o Costa de férias...

Monchique, 2003, relato do Público:

O incêndio que lavra desde sexta-feira na serra de Monchique saltou ontem para o concelho de Silves com uma fúria desmedida. O fogo surgiu, em cinco pontos distintos, quase em simultâneo. A presidente da Câmara, Isabel Soares, acha "muito estranha" esta coincidência, mas não quis fazer acusações. Quem se queixou foi a Câmara de Aljezur, porque teve o fogo às portas da vila, durante a noite de segunda-feira e, ontem à tarde, na altura em que as labaredas ainda eram ameaçadoras, os meios aéreos foram desviados para o concelho de Silves. O Ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes deslocou-se ontem a Aljezur, para avaliar a situação no terreno. Duas horas depois de partir, os meios aéreos deixaram de actuar neste concelho, para passarem a atacar as chamas em Silves. O vereador José Gonçalves, responsável pelo pelouro da Protecção Civil, criticou essa opção. "Retiram-nos os helicópteros sem que fosse dada qualquer explicação ao comando local". À hora do fecho desta edição, neste concelho, o fogo progredia em duas frentes - uma a norte e outra em direcção a Lagos. A chegada da noite, com o vento a levantar-se, fazia temer o pior. No comando operacional local, instalado no quartel dos bombeiros, o vereador José Gonçalves, pelas 13h00, perguntava: "Onde estão os Canadair e os helicópteros? A pergunta, dirigida aos jornalistas, tinha por objectivo chamar a atenção para o fogo que lavrava em oito frentes à volta da vila. Pelo quartel, alguns bombeiros descansavam depois de almoçar, retemperando forças. A cozinheira, por seu lado, pegava num panela com comida para mandar para os homens que continuavam no mato, a precisar de alimento. A autarca de Silves, líder do PSD/Algarve apelava à solidariedade, para que "todos" pudessem travar as chamas que saltam de concelho para concelho de uma forma galopante. Os locais que estão a ser mais fustigados pelo incêndio, são os mesmos que, por coincidência, na altura da época das chuvas também mais sofrem com as chuvas torrenciais. A limpeza das matas não é dificuldade apenas na época dos incêndios - quando vierem as enxurradas, os problemas passarão a ser as inundações. "Um deserto de cinzas" Entre Marmelete, no concelho de Monchique, e Aljezur, a paisagem assemelha-se a um deserto de cinzas. Ao lado da estrada ainda se encontram postes de telefone a fumegar, em consequência do fogo de há dois dias. Em Aljezur, os momentos mais dramáticos verificaram-se durante a noite de segunda-feira, quando os ventos mudaram de quadrante e a vila ficou rodeada de chamas. O serviço de Protecção Civil, com o auxilio da GNR, fez deslocar para o quartel dos bombeiros, por correrem perigo de vida, duas centenas de pessoas. Com o romper do dia, o amainar do vento e a chegada dos meios aéreos, o fogo, pouco a pouco, ficou controlado. Assim, as populações puderam respirar fundo,- tanto quanto possível- já que toda a serra estava envolta em nuvens de sumo espesso. À medida que se subia a montanha, em direcção a Monchique, aumentava o cheiro a queimado. De um lado e do outro da estrada, o terreno assemelha-se a um deserto cinzas, com árvores queimadas, testemunhando o drama vivido. Na parte da tarde, no concelho de Silves, um dos focos de incêndio deflagrou próximo do Centro Cinegético, numa reserva de caça. Os populares ocorreram ao lugar, sobretudo para verem o trabalho dos helicópteros, vindos da Alemanha, que lançavam água, num movimento circular e quase contínuo. Porém, as chamas não se chegaram a aproximar deste parque, onde existem veados e os espécies selvagens em liberdade, dentro do parque. No combate às chamas, aos bombeiros juntaram-se funcionários municipais, com auto-tanques. Os populares, a poucos metros da chamas, armaram-se em peritos do fogo, comentando as habilidades dos pilotos alemães, nas manobras aéreas. Mais à frente, em São Marcos da Serra, temeu-se pelo aproximar da bomba de gasolina, mas não chegou a estar em perigo. Em consequência do incêndio, o Itinerário Complementar(IC1) foi cortado ao trânsito. A baixa do burroNo sítio das Relvinhas, junto à estrada de Aljezur para Monchique, um burro carbonizado era imagem da desolação que se vivia no local. O animal, disse Amílcar Pacheco, filho do antigo morador da casa que ardeu parcialmente, pertencia ao vizinho. "Tentou escapar às chamas, mas não conseguiu". Imagens como esta, pouco a pouco, vão surgindo nas áreas ardidas. As pessoas, por ordem das autoridades, abandonam as casas. Os animais, quando é possível, são deslocados para áreas já ardidas. Quando isso não possível, morrem. Amílcar Pacheco, distribuidor de pão de Monchique, nasceu na casa ao lado do estábulo. Para a escola primária, em Aljezur, recorda, ia de burro ou pé. Agora, ao ver o animal falecido, lembrou-se da infância e não deixou de lamentar a perda do jumento.legenda: Junto à estrada de Aljezur para Monchique, um burro tentou escapar às chamas, mas não conseguiu.


Monchique, 2018, Público:

Fortes reactivações” foram registadas durante a tarde todo o perímetro do incêndio de Monchique que, associadas à intensidade do vento, tomaram grandes proporções, de acordo com um ponto de situação da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Perto das 20h, o comandante operacional da Protecção Civil no terreno, Abel Gomes, reconhecia que foi “uma tarde extremamente exigente” e informou que as zonas a gerar maior preocupação neste momento são as da Fóia, da barragem de Odelouca (já em Silves) e da Cascalheira.

As condições meteorológicas para as próximas horas “não são favoráveis” ao combate às chamas, afirmou. Há 1105 operacionais no terreno. O número de feridos subiu às 20h para 29 — todos ligeiros, à excepção do caso de uma mulher de 72 de anos que foi transportada para Lisboa. Um total de 66 pessoas foram assistidas.

Abel Gomes também admitiu que alguns edifícios foram destruídos pelas chamas, tal como o autarca de Monchique, Rui André, já tinha afirmado esta segunda-feira, dizendo haver casas de primeira habitação destruídas. O presidente da câmara afirmou ainda que houve pessoas a resistir à ordem de retirada dada pela GNR, tendo ficado nos locais para defender os seus bens. Uma destas situações aconteceu em Malhada Quente, a caminho da freguesia de Alferce. Durante a tarde, autarca referiu ainda que a população estava a ser retirada do sítio de Luar da Fóia, a cerca de quatro quilómetros fora do perímetro da vila de Monchique, como medida preventiva, para que não se volte a verificar o que aconteceu na tarde deste domingo noutros locais.

Rui André chegou a admitir ao princípio da manhã desta segunda-feira que “possivelmente” a sua própria habitação – situada a cerca de um quilómetro da vila – teria ardido.

O intenso fumo que se faz sentir esta segunda-feira sobre Monchique chegou a impedir os helicópteros e aviões de intervirem no combate ao incêndio que lavra no concelho desde o início da tarde de sexta-feira. Mas os aparelhos estiveram de novo activos no combate às chamas durante a tarde.

O incêndio mantém duas frentes. Uma avança para São Marcos da Serra, no concelho de Silves, a nordeste de Monchique, e outra dirige-se para o lado de Portimão, que fica a sul da vila.

A zona das Caldas de Monchique também continua em perigo, com 140 pessoas que se encontravam hospedadas num empreendimento turístico a serem retiradas durante a noite, bem como os habitantes da aldeia de Alferce. com Lusa.

Há aqui qualquer coisa de estranho e basta ler os dois relatos. A incompetência actual é aparentemente muito superior à de 2003 porque os resultados de agora, tal como os do ano passado nas tragédias de Pedrógão e no Centro-Sul, são muito mais graves e negativos que então. Há muitas casas destruídas, houve muitos mortos o ano passado e parece que pouco ou nada aprenderam porque há uma nova tragédia que se anuncia em Monchique.

Quem explica esta miséria moral? O Costa, não. Está de férias em lugar incógnito e todos os media respeitaram o ditame da "privacidade" . Se fosse o Passos...

Entretanto o presidente da República anda a fazer o papel do Governo e aparece em todas as televisões a falar do incêndio. O ministro Cabrita? Ninguém o vê. O Costa? Onde anda o Costa? Alguém sabe?

É certo que ainda não morreu ninguém, mas também é certo que nas televisões, o ano passado também não se mostrou um único morto. Portanto, o que não se vê, em tv, tende a não existir realmente. O que se viu foram casas a arder, muitas. E carros ardidos. E relatos de desespero de pessoas. E isso já se mostrou hoje, nas tv´s.
Logo, há alguém que ainda não percebeu que esta tragédia tende a replicar a do ano passado. Veremos como será amanhã.
 Entretanto, o primeiro-ministro, responsável máximo pelo que se passa na Protecção Civil está de férias e lida com o assunto, assim (imagem do Observador):

Há já quem diga, com propriedade que estas fotos são encenadas e de mera propaganda. De facto a mudança na cor do telemóvel é estranha...



 O presidente da República à falta de melhor sujeita-se a estas figuras. Anda com falta de senso...


No Observador entretanto já há quem se interrogue sobre a (in)competência destes artolas:

Bombeiros profissionais pedem audiência muito urgente com ministro da Administração Interna. Querem saber porque há fogos com mais de três dias, como Monchique, apesar dos elevados meios mobilizados.


Em comunicado, os representantes dos bombeiros consideram que é “urgente saber porque voltamos a ter fogos com uma duração de mais de três dias, tanto mais que era conhecido há meses que a Serra de Monchique constitui uma zona de alto risco”.


A reorganização que o governo implementou no combate e as medidas de prevenção devem ser avaliadas, porque assistimos a um incêndio na Serra de Monchique que envolve mais de um milhar de operacionais, duas centenas de veículos, 13 meios aéreos e um número considerável de máquinas de arrasto… e ainda não está controlado”, frisam as estruturas em comunicado.


Os bombeiros profissionais consideram igualmente importante saber o que está a falhar no combate ao incêndio já que, conforme acrescentam existe “tão elevado dispositivo” além de “medidas de pré-posicionamento, entre outras ações da Câmara Municipal de Monchique. Segundo as duas estruturas, “importa repensar a estratégia de combate, quer no que respeita aos meios humanos, quer materiais considerando “lamentável que voltem a ser destruídas habitações e que o perímetro urbano do concelho de Monchique esteja a viver dias de terror”.

Para os responsáveis de ambas as organizações, é “necessário e urgente” que o posicionamento dos homens no terreno tenha em consideração a sua “segurança criando técnicas através das quais possam combater e não ir ao encontro do fogo que progride pela copa das árvores ou na progressão normal junto ao solo”.

“Consideramos que apesar das dificuldades devido à orografia do terreno, as altas temperaturas e as limpezas das áreas florestais que não se efetuaram, o dispositivo envolvido no incêndio deveria ter já contribuído para que o mesmo não continue a progredir da forma que vem sucedendo, mesmo com as atuais condições climatéricas”, frisam em comunicado.

A ANPB e o SNBP querem ainda saber se, apesar das “alterações positivas que o Governo implementou”, em termos de intervenção, comando e combate “não haverá falhas técnicas e operacionais que se repetem de ano para ano”. “Não queremos que seja tarde de mais! Nem queremos que haja mais nenhum ‘Pedrógão’ ou ‘Góis’ ou mais nenhuma população em perigo ou mais nenhuma morte de civis ou bombeiros”, apelam as estruturas.


ADITAMENTO:

Público de hoje, 7.8.2018,  os rostos da incompetência:



Não poderei afirmar peremptoriamente, seria estultícia fazê-lo, que estas pessoas são responsáveis por este incêndio de Monchique por causa da sua incompetência.  Mas as árvores, como se diz em parábola no Novo Testamento, conhecem-se pelos seus frutos. Os frutos legislativos e organizacionais destas pessoas acima mostradas deram no que deram e está escrito . Em Junho foram ao local e bateram palmas à organização no terreno da "prevenção".
Objectivamente falharam e em toda a linha. Deveriam abandonar os respectivos cargos por isso mesmo, uma vez que a incompetência é objectiva, tanto mais que as questões surgem agora a partir de especialistas como os bombeiros.

A Protecção Civil, em Portugal, em particular com o Governo de Anónio Costa revelou-se uma desgraça completa, com algumas tragédias averbadas no currículo dos responsáveis.

Não sei apontar razões cabais para tal mas uma surge espontânea do artigo e é dita pela presidente da Associação de Produtores Florestais do Algarve: " está tudo embrulhado na burocracia, só nos fazem perguntas de lana caprina e nada avança".

A burocracia do Estado é um dos talismãs do governo socialista chefiado por aquele artolas ( que outro nome lhe hei-de dar?)que chefia o governo.  Há-de acontecer mais desgraça com esta gente, isso é certo.
As culpas serão sempre dos elementos do tempo e dos governos anteriores...melhor, do governo anterior. Costa é virgem nessa matéria.

Porca miseria!

Entretanto aqui fica mais uma opinião de especialista sobre a matéria: impor leis jacobinas, ainda por cima ineficazes, para mandar roçar mato, sem mais, não é solução.



Sem comentários: