segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O happening do SIS

"Happening" era uma palavra usada nos anos sessenta para designar manifestações artísticas bizarras em que apareciam artistas hippies e afins. Hoje serão as "performances". 

A última de âmbito nacional é esta: 


Como o ridículo deixou de cobrir o SIS, organismo dependente do primeiro-ministro não há vergonha que lhes pegue ou demissão que se lhes imponha. Vigiam, lêem jornais, blogs e redes sociais, eventualmente para além do limite legal e depois dá no que se viu: o ridículo que os cobriu completamente e não se dão por achados.

Coisa semelhante ocorreu em Fevereiro de 1982, com uma "greve geral", anunciada como a maior de sempre, com as empresas públicas todas que o PCP e o PS nacionalizaram, a aderir ao "protesto" contra o governo que era então da AD, famigerada por ser de "direita".

Há uns anos escrevi um texto assim:  

O que faz a Esquerda sempre que vê o chão político fugir-lhe debaixo dos votos? Em 1982, tal como hoje, faz isto:




Portanto, vinha aí o apocalipse...e o ministro das polícias, Ângelo Correira não poupou nos meios...tal como agora o ridículo Cabrita.

O fantástico Ângelo que um dia disse numa entrevista  a uma revista que tinha metido muitas cunhas e se orgulhava disso ( o crime de tráfico de influências na época era uma das "normas adormecidas...) inventou nessa altura uma fantástica intentona com pregos...que a esquerda se apressou a imputar a uma mítica extrema-direita. Tal com hoje...

Ora uma greve geral assim tinha um motivo: a "direita" não apeava e isso é fatal para a esquerda porque o poder, o Estado e tudo o mais pertecem-lhe por direito divinizadamente laico.

Quando tal acontece, a Esquerda reage. Em 11 de Fevereiro de 1982, o O Jornal publicou esta capa com sete páginas no interior dedicadas à "greve geral", marcada para o dia seguinte, Sábado.
Governava ainda Balsemão e o seu governo, embora já quase em estertor político que o PCP, aliado à esquerda radical , aproveitou para sacudir ainda mais, com uma greve geral marcada pela CGTP-In. A UGT ficou de fora...
O ministro das polícias de então era...Ângelo Correia que mobilzou sete mil polícias para a rua.

A greve, parcial, saldou-se pelo costume: uma vitória rotunda para a Esquerda e um fracasso para o governo então dito de "direita" ( estavam lá Balsemão, Basílio Horta Freitas do Amaral e Baião Horta, conhecidos direitistas da nossa praça política...e que disso deram sobejas mostras nos anos vindouros, como agora dão).

Para além da Esquerda do PCP o que faz a Esquerda radical quando se sente acossada nos seus valores revolucionários e de raiz utópica? Reage outra vez e outra ainda.
Entre outras coisas que agora experimentam nas ruas, na altura experimentaram isto que mais tarde deu em grande problema social, penal e político: criaram as FP25...

Na altura, este Ângelo das polícias, ministro das ditas, foi ridicularizado pelo O Jornal da semana seguinte, 19.2.1982. As polícias do Ângelo fizeram três prisões e os jornalistas apoiantes políticos da Esquerda, incluindo a revolucionária, esmeraram-se em separar a Esquerda do PCP, da Esquerda do PRP e da UDP, tendo de caminho imputado à extrema-direita, "infliltrada" , a responsabilidade pelas acções "insurreccionais". É ler...
E no entanto, acabaram por historiar o embrião das FP25. Dali a pouco, a história seria outra e afinal a "extrema-direita" ficaria fora do retrato sangrento da nossa esquerda revolucionária que não tinha aceite ainda as regras do jogo democrático burguês.



Hoje em dia já não se escrevem notícias assim...

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