domingo, 30 de dezembro de 2018

Os comunistas, "homens bons" que queriam ser torcionários


Repare-se neste anúncio do Público de ontem:


E a sequência de hoje:




E esta página deliciosa sobre Domingos Abrantes, o fóssil comunista mais notável,  ainda em vida.


Durante décadas Portugal, os media em geral e a opinião pública assim condicionada, concedeu aos comunistas e socialistas o privilégio da exclusividade do discurso sobre Salazar e o Estado Novo. O melhor exemplo desta aberração democrática é Fernando Rosas, o sobrinho do ministro de Salazar e Caetano que virou esquerdista, radical, foi membro clandestino do PCP, preso, depois de 1968 ajudou a fundar o MRPP, um partido surrealista e agora colocou-se sob a albarda de um partido radical marxista, o BE,  e perora sobre história à maneira que entende: propaganda anti-salazarista, sempre.


O jornal Público dá voz a estas pessoas, desde sempre e tem a partir de hoje páginas e páginas em três reportagens dedicadas aos comunistas que estiveram presos no forte de Peniche. Presos políticos porque foram condenados por actividades subversivas contra o país que então tinha um regime- Estado Novo- que proibiu actividades comunistas, particularmente do PCP que era partido proibido e portanto clandestino, desde a sua fundação.

O jornal Público sempre foi um jornal esquerdista, de pendor anti-salazarista e anti-fascista, nos termos em que os comunistas e socialistas definiram tal noção que associava Salazar ao fascismo em geral. Debalde se procurará demonstrar que Salazar nunca foi fascista e o Estado Novo também não.  O Público nunca abandonou ou questionou tal noção porque os respectivos directores, sucessivos, deveram sempre qualquer coisa a esse antifassismo primitivo, seja pelas suas experiências pessoais, seja pela dos antepassados ( caso da inacreditável Bárbara Reis).
O Público sempre foi incapaz de definir o comunismo e particularmente o PCP nos seus precisos termos antidemocráticos, totalitários e de características políticas potencialmente mais repressivas, censórias e mais limitadoras de liberdades do que jamais o Estado Novo o foi.
Sempre me espantou a incapacidade dessas pessoas, educadas em faculdades, em filosofias, letras e outras humanidades em perceber a perversão dessa fé cega no comunismo marxista, mesmo após todas as demonstrações feitas, todos os exemplos mostrados e todas as conclusões tiradas. O Público e jornalistas em geral não as tiram, o que é um mistério, dos maiores que Portugal encerra.

Poderia discutir-se porque razão Salazar, o Estado Novo ou depois o Estado Social de Marcello Caetano afinaram pelo mesmo diapasão da proibição do PCP e outras forças de extrema-esquerda comunista. Nunca o fazem. O que fazem é dar por assente que tal proibição foi um mal em si mesmo porque o PCP era um partido que integrava a ideia de democracia que porventura alguma vez partilharam, eventualmente com outra força política de origem marxista, os socialistas que bem cedo assimilaram o discurso dos comunistas sobre Salazar e o Estado Novo.

Pior ainda: hoje,  o PCP é exactamente o que era nos anos 50 ou 60, ideologicamente e tirando a ideia de "ditadura do proletariado" que expurgaram oportuna e tacticamente para enganar incautos e retirar o argumento que usam contra o Estado Novo. O PCP diz-se democrático e a  profissão de fé satisfaz tais intelectuais de tretas.
Quem lê O Militante hoje em dia poderia ler do mesmo modo tal publicação antiga, nos primórdios do seu aparecimento clandestino, apenas com as mudanças introduzidas pelo progresso técnico. As ideias, essas, são as mesmas de sempre, como por aqui tenho mostrado com saciedade.

Ninguém se importa com tal obsolescência e fossilização viva, continuando um jogo de faz-de-conta que dura há mais de 40 anos.
E nem se diga que o PCP se renovou estes últimos anos, adaptando-se a novas realidades, mormente à convivência democrática.
A experiência de 1975, a entrevista de Cunhal a Oriana Falacci ( em que denegou a possibilidade de Portugal ter um regime parlamentar de tipo ocidental, assemelhando-se nesse propósito, precisamente ao modelo salazarista que sempre denunciaram...) e outras atitudes, como as recentes em pretender acabar com empresas rentáveis, em Portugal apenas por efeitos ideológicos e políticos ( como a Autoeuropa e a Carnes Nobre) mostram como o PCP é um partido incorrigível, anti-democrático, politicamente mais perverso para a democracia de tipo ocidental do que jamais foi o Estado Novo ou particularmente o Estado Social.  Ao PCP e Álvaro Cunha é possível acusar de maiores perversidades e ideologia anti-democrática do que a Salazar e no entanto, este é que é fassista e anti-democrático, totalitário, obscurantismo e o diabo a sete.

Como é possível esta loucura colectiva durante tantas décadas? O Público é o exemplo disso mesmo...

Porque é que Salazar era anti-comunista o regime proibiu o PCP?   Nunca vi escrita a explicação concreta e com provas documentais para tal efeito. Toda a gente dá por assente que era assim porque era, e Salazar era o que essa gente diz que era. Mas não era...

A ideia corrente sobre Salazar é uma das maiores notícias falsas que temos em Portugal há décadas, uma mistificação completa, levada a cabo por marxistas com a conivência de idiotas úteis às manadas que seguem tais panurgos.

Em meia dúzia de páginas do livrinho de Salazar,  de 1936, "Como se levanta um Estado" ( original em francês e editado em 1991 pela mobilis in mobile, Salazar explica o pensamento básico sobre tal matéria.







De notar que 1936 é o ano da experiência cripto-comunista em França, com a Frente Popular, uma espécie de geringonça avant la lettre e portanto dirigida por socialistas, com comunistas à ilharga, os quais acabaram presos, dali a dois anos.  É o ano do começo da guerra civil espanhola, entre republicanos marxistas e conservadores franquistas. É o ano dos processos de Moscovo, testemunhados in loco por comunistas portugueses que então lá estavam, vieram para cá, foram presos no Tarrafal e queixaram-se de tal, como se em Moscovo as condições oferecidas a opositores ao regime fossem tão brandas como a deportação para campos de trabalho forçado, mas não de morte, como pretendem ( chamaram-lhes de "morte lenta" , sem pudor,  apesar de saberem que em Moscovo seria muito mais mais rápida, para aqueles que combatiam...).

 A proibição do PCP em Portugal,  durou todo o tempo do Estado Novo e prolongou-se até 25 de Abril de 1974.
Pode discutir-se a razão para tais proibições e nomeadamente uma que parece importante:  que sentido tinha, em 1936 , permitir a existência de um PCP, em perfeita liberdade democrática, à semelhança de uma França?
Para além do mais, os franceses em geral sabiam publicamente o que se passava em Moscovo nesse ano, antes de depois, com Estaline? Não sabiam. Nem os franceses nem o mundo em geral, porque a censura na URSS era mais férrea do que jamais foi em Portugal.  Ninguém se importa com isso e com a condescendência que o PCP ainda hoje manifesta para com Estaline?

Na verdade os franceses e o mundo só vieram a saber quando Krutschev chegou ao poder, em meados dos anos 50 ( em Fevereiro de 1956 denunciou publicamente os crimes de Estaline, mas tal não foi suficiente para o PCP arrepiar caminho, como outros o fizeram) e tentou remodelar o regime que afinal caiu fragorosamente por ruína económica nos anos noventa do século XX.
Nem este facto é suficiente para que o PCP desapareça da cena política, porque continua a vender as mesmas receitas políticas e sociais, nos dias de hoje, como o fazia então, nesse tempo.

Como refere Salzar no livrinho indicado, "o caso português é uma experiência a juntar ao grande número daquelas que estão a ser realizadas por toda a Europa, na esperança de resolver  os problemas políticos e sociais do nosso tempo".  Nem mais!

Como é que se poderá alguma vez preferir a experiência que aqueles "homens bons" defendiam para o nosso país, como sendo a melhor e mais adequada a Portugal?

Mas quem é o louco que ainda acredita  nisso?  Haverá algum para além daqueles fanáticos do pensamento marxista, como o Domingos Abrantes que passou a vida toda a acreditar nessas balelas?

Que mais será preciso dizer ou fazer para que Público e outros media parem com o descaramento da mitificação de indivíduos sectários, anti-democráticos de gema  e o despudor de chamar "homens bons" a esses que acreditaram numa doutrina totalitária como Portugal nunca conheceu com Salazar ou que queriam um regime de torcionários e repressivo como era o da antiga URSS que deportava para gulags gelados os presos políticos que ainda poderiam ser recuperados para a "revolução" e dizimava aos milhões, pela fome, execuções directas e repressão indizível e extrema?

Quem é que pode tolerar que se chamem "homens bons" a esse tipo de carrascos? Só se fossem muito estúpidos é que poderiam ser tal coisa.

Quantos livros negros sobre o comunismo vai ser preciso escrever para que Público e demais media deixem de dar o benefício da dúvida a estes torcionários intelectuais e antidemocratas de raiz?


Até quando, em Portugal, esta espécie de romantismo perverso que torna em heróis quem nunca o deveria ser, por maioria de razão  e  de razões  que os ditos imputam a outros, continua a preencher páginas de jornais como o Público?

Até onde chegará esta pouca vergonha e este despudor?

Este indivíduo que aqui fica, se pudesse,  metia na cadeia muitos portugueses; executava muitos outros; censuraria quase todos os jornais e meios de comunicação que não lhe fossem afectos; proibiria reuniões políticas contra o Partido; reprimiria qualquer manifestação pública desafecta; fecharia fronteiras e desligava-nos da Europa; arruinaria economicamente o país, como os kamaradas o fizeram pelo menos uma vez directamente e mais duas indirectamente; conduziria Portugal a um obscurantismo nunca visto.

É isto que deve ser um herói? E os kamaradas "homens bons"? Haja senso e pudor, senhores comunistas do Público...

Se esses "homens bons" querem festejar a sua vitória sobre o fassismo que o façam nos seus tugúrios e locas infectas. Agora que tal seja motivo de regozijo público e oficial, já tresanda a despudor e afronta à inteligência mais básica que só o sectarismo e cegueira podem ajudar a compreender.



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