segunda-feira, 8 de abril de 2019

Joe´s garage: metallgeld

O "empresário" Joe Berardo, um bimbo que mal sabe falar mas arranjou muito dinheiro em negócios no exterior da África do Sul in illo tempore deve ter aprendido um princípio básico nos negócios em que se mete: nunca comprometer o pecúlio pessoal  nos negócios entre empresas. Resguardar o que lhe cai no bolso e deixar correr o marfim.
Provavelmente aprendeu tal princípio básico à sua custa. O seu principal activo parece ser...uma fundação. Misturada com uma associação e uma sgps que mistura tudo. O património? Obras de arte, muitas delas cedidas ao Estado por protocolo e com um valor assim relativizado  porque virtualmente indisponível.

Aprendi há muitos anos com o pai do finório Mota Pinto que agora anda a minar os alicerces do poder judicial e do MºPº que as fundações são "instituídas por acto unilateral do fundador de afectação de uma massa de bens a um escopo de interesse social" ( Teoria Geral do Direito Civil, exemplar 1537 da Coimbra Editora, 1976, pág. 176).

No caso deste Joe, Zé Manel da Madeira, esta regra não conta. Vejamos:

Em Fevereiro de 2006 uma fundação deste artolas ( especialista em artes menores e coleccionador das ditas) adquiriu 2,77% da...SONAE. Dizia na altura que "era bem gerida". Em Agosto desse ano, a mesma fundação também se tornou accionista importante da...PT.
E qual a razão do interesse súbito de uma fundação ligada a esse Joe pela PT? Ora...dizia então acreditar que iria  "acontecer algo nos próximos dois meses". 

O Público explicava melhor:  "ou seja, está a apostar no lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) concorrente à da Sonaecom, que terá de subir o preço da oferta de 9,5 euros feita por Paulo Azevedo em cinco por cento. A Fundação Berardo é agora o sexto maior investidor, destronando a Ongoing Strategy Investments, empresa presidida por Nuno Vasconcellos e que comprou, nas últimas semanas, a participação de Patrick Monteiro de Barros (ver PÚBLICO de 29/07/2006), conforme foi noticiado na passada sexta-feira.
Berardo afirmou que, a meio da tarde de ontem, não tinha ainda sido contactado por Nuno Vasconcellos - tido como próximo do BES, de quem é accionista através da Espírito Santo Finantial Holding. Vasconcellos adiantou ao Diário Económico que pretende fazer um núcleo duro de accionistas portugueses, e o BES, esclareceu, estará entre as entidades a contactar. Curiosamente, Ricardo Salgado, o presidente do BES, disse, no sábado, ao Diário Económico, que é altura de a administração da PT, liderada por Henrique Granadeiro, apresentar um programa anti-OPA. "


Portanto este Joe usou uma Fundação de que era fundador para estes negócios que se revelaram autênticas moscambilhas como agora se sabe através da operação Marquês e caso BES/GES, para além do caso PT.

Belmiro de Azevedo sabia o que se estava a passar? Talvez ainda não, mas depois soube; mas não disse claramente. Foi o filho, Paulo,  quem o disse: "estavam todos feitos!". Claro como água e este Joe estava por dentro de tudo.

O resultado que temos hoje é este relatado pelo Correio da Manhã:


Joe Berardo, o da fundação, nada tem de seu...porque deu tudo à Fundação. Parece que terá uma garagem que um advogado ou solicitador qualquer se esqueceu de incluir nas escrituras notariais que tornaram este Joe um pindérico mais pindérico que o Sócrates que esse ainda tem amigos e primos que lhe emprestam coisas que evidentemente lhe não pertencem porque "não estão em nome dele"...

Mas há uma coisa que me intriga, nisto tudo: quem é que fez o negócio das acções do bcp? Foi este Joe ou foi a sua fundação mirifica? Nem um nem outra. Terá sido uma tal Metalgest que me faz lembrar um nome que Frank Zappa inseriu na sua composição surrealista de 1975, Sofa.

Como é que este Joe actua, sempre com as suas organizações empresariais testa de ferro que até lhe servem para "ajudar o Benfica"?
É simples e o DN de escrevia assim em 16 de Julho de 2007,  publicando um segredo de polichinelo que pelos vistos a administração da CGD e os supervisores bancários, incluindo os  que não se importam de  passar por imbecis como Vítor Constâncio e o marido da actual ministra da Justiça, durante anos procuradora geral distrital de Lisboa, do MºPº, Eduardo Paz Ferreira não se lembram de conhecer:

Berardo usa a sua Fundação Berardo , e a sua holding Metalgest SGPS como bases para os seus investimentos. Por vezes, troca as participações entre ambas, reforçando uma e vendendo outra, beneficiando do quadro fiscal das fundações.

Joe Berardo investe muitas vezes em empresas que podem ser alvo de ofertas públicas de aquisição (OPA). Aconteceu com a Cimpor, onde investiu na perspectiva de uma oferta e optou por vender os cerca de 5%, encaixando 144 milhões de euros, quando a OPA não se concretizou. Após a Cimpor, reforçou a sua posição na Teixeira Duarte, onde tem 11,5%.

Na OPA sobre a Portugal Telecom, onde tem cerca de 2% do capital, esteve ao lado da administração na OPA da Sonae. Está também na PT Multimédia, com 1,2% do capital. No final de Maio, foi um dos protagonistas da assembleia geral do BCP , onde esteve contra Jardim Gonçalves. Com o BCP ganhou 50 milhões de euros, ou seja, o que os seus 2,28% valorizaram nas duas semanas da polémica.

Nos vinhos, Berardo entrou em colisão com a família Guedes, ao comprar 31,5% de uma empresa que controla a Sogrape. O empresário tem a JP Vinhos, que detém a Quinta da Bacalhoa, em Azeitão, e anunciou a intenção de comprar 40% da Real Companhia Velha.

Esta informação não é secreta ou reservada e qualquer um daqueles que aceitaram passar por imbecis conhecem bem e de ginjeira, por supuesto. Mas deixaram-se levar nestas cantigas do Hey Joe! Porquê? Sim, porquê? Eu respondo: porque são do PS, do núcleo duro deste partido de poder que está no poder há muitos e muitos anos. É essa a resposta. 

Joe Berardo aproximou-se da entourage de Sócrates através de Armando  Vara. Estas coisas depois funcionam assim:

A Caixa Geral de Depósitos dispensou o aval de Joe Berardo sobre um empréstimo de 350 milhões de euros à sua fundação para compra de ações do BCP. A decisão foi tomada em menos de uma hora.

De acordo com o Correio da Manhã, que avança a notícia esta sexta-feira e cita a auditoria da consultora Ernst & Young (EY), o banco do Estado abdicou de uma garantia que responsabilizaria o empresário da Madeira pelo pagamento do crédito em causa.

A decisão sobre o empréstimo terá sido tomada por Carlos Santos Ferreira, Norberto Rosa, Armando Vara e Francisco Bandeira, os administradores que estiveram presentes na reunião do Conselho Alargado de Crédito a 3 de abril de 2007.


A Metalgest do Hey Joe pediu três créditos à CGD, entre 2006 e 2008. Garantias bancárias? Quase iguais a zero porque eram basicamente fundadas no fundador da Fundação Joe Berardo, uma entidade que emprestou ao Estado o seu património. Notável, senhores Vítor Constâncio e Eduardo Paz Ferreira! A coleção de arte menor, da fundação artolas vale menos que a dívida e o Estado praticamente integrou-a no seu património, logo em 2006 quando protocolou o museu "Colecção Berardo" que mete nojo por causa destas moscambilhices. 

Até agora o Estado português, ou seja todos nós que pagamos impostos, já meteu nesse museu vários milhões de euros. Já não é o património dessa fundação testa de ferro que suporta os encargos, mas sim todos nós. E ninguém toda na tal fundação hey joe, continuando por isso a pouca-vergonha.

Gostava bem de saber se há alguma país europeu com um caso semelhante...

E a tal Metalgest?  

Ora bem, a Metalgest é a METALGEST - SOCIEDADE DE GESTÃO, SGPS, S.A. (ZONA FRANCA DA MADEIRAuma empresa curiosa: uma sgps, uma holding ( de quê?) deste Joe. 
Quanto aos seus activos, resultados, gestores, etc etc. mistério. Não há nada na Net disponível para consulta aberta. 
No entanto, segundo notícias, parece que foi a credibilidade desta forma do hey Joe que sustentou todo o crédito concedido. A filha do pirata até confrontou os esquecidos da CGD com tal circunstância: 

"Durante a audição ao ex-secretário geral da CGD João Dias Garcia, a deputada do BE revelou que nesse parecer condicionado, sobre o crédito de 50 milhões de euros concedido à Metalgest, está escrito que a informação obtida “da sociedade Metalgest e sobre o universo Joe Berardo afigura-se escassa, na medida em que se limitou a mapas de 2005 não auditados sem qualquer nexo explicativo“. 
A “ligação da Metalgest ao comendador Joe Berardo que, segundo informação recolhida na comunicação social, tem obtido resultados aceitáveis nos seus investimentos bolsistas” e “a aparente valia financeira da Metalgest”serviram como atenuante do parecer condicionado emitido pela direção-geral de risco (DGR) da Caixa."

Quanto ao Joe, hey!, desde 2012 que está falido...mas pelos vistos continua a receber dividendos chorudos pelas suas participações em empresas rentáveis, como a Sonae ( ZON Optimus sgps, SA)...ora veja-se lá com reporte a 2014

(2) A Fundação José Berardo é titular de 14.013.761 ações correspondentes a 2,72% do capital social da Sociedade. Por sua vez, a Metalgest - Sociedade de Gestão, SGPS, S.A. é titular de 3.985.488 ações correspondentes a 0,774% do capital social da Sociedade. A posição da Fundação José Berardo é reciprocamente imputada à Metalgest - Sociedade de Gestão, SGPS, S.A.





Portanto, o nosso Joe está falido mas tem participações, através da sua holding sgps, Metalgest e também da  Fundação , em empresas rentáveis que lhe permitem escapar à penúria, não? 

Por outro lado, em notícia de Março deste ano, parece que o Joe, hey! através das suas testas de ferro predilectas, iria receber 20 milhões de euros em dividendos por causa daquela participação na ZON...

Assim, o que não se percebe bem é porque este  jornalismo de capoeira não explica isto e continua na habitual confusão permanente entre o joe e as seus dois veículos testa de ferro. 

 E já agora, as participações do Joe nessas empresas não são activos susceptíveis de penhora? A Metalgest não pode ser penhorada por aí? 

Quem são os advogados dos bancos credores? Outros artolas?

NB: troquei o título porque este é outro tema de um disco de Frank Zappa. Tal como Metallgeld... muito parecido com a Metalgest.

Metallgeld em alemão significa...o vil metal. Que tal como ironia?

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