quinta-feira, 8 de agosto de 2019

João Cravinho, um corrupto à boa maneira nacional...e democrática.

O militar Garcia dos Santos que ajudou em muito a operação militar em 25 de Abril de 1974 é das pessoas que mais admiro nas declarações públicas que tem feito ao longo dos anos. E só por isso uma vez que não o conheço e quanto àquele golpe militar foi o que foi porque tinha que ser alguma coisa. A situação tornara-se insustentável e quem mandava não o entendeu a tempo.

Há dez anos, pelo menos, que o cito amiúde e sempre que a brand actual da informação em Portugal decide entrevistá-lo. Normalmente era o jornal i que o entrevistava.  Várias vezes.

Há um assunto recorrente nas entrevistas a Garcia dos Santos, o militar que resolvia à bofetada os diferendos com os magalas, na parada, em vez de os castigar por escrito. E também o militar que sendo CEME prendeu durante dez dias o seu amigo e colega Jaime Neves por este lhe ter chamado publicamente mentiroso.

O assunto recorrente é o caso que se passou no final dos anos noventa em que Garcia dos Santos, colega de curso de João Cravinho, então ministro, o nomeou par dirigir a JAE e limpar a corrupção que por lá havia, a rodos. As estradas, os concursos, o dinheiro da CEE e as entregas aos partidos das verbas necessárias a campanhas eleitorais e não só. A pura corrupção existente, verificada e que deveria terminar com a demissão de meia dúzia de indivíduos corruptos que por lá andavam sem vergonha nenhuma e sem carácter digno.

Garcia dos Santos percebeu a existência do ninho, propôs medidas ao então ministro, seu colega de curso e amigo e pelos vistos nada aconteceu.

João Cravinho, o paladino da luta contra a corrupção, tornou-se igualmente corrupto ao contemporizar e assumir a cumplicidade nesse crime que dizia combater.

Uma vergonha nacional, várias vezes denunciada por Garcia dos Santos e em relação à qual nunca ninguém perguntou ao tal João Cravinho como foi, para se ver de que fibra de carácter é feito.

Aposto que vai mentir e Garcia dos Santos já não é CEME. Nem Cravinho é militar...e principalmente ninguém, nenhum jornalista de "referência" se vai interessar pelo assunto. Se lhe pegassem talvez desencadeassem uma onda mediática propícia a uma discussão acerca da corrupção endémica que grassa no país, neste nível impermeável dos ferreiras e companhia que neste momento estão a banhos em resorts de luxo a gozar rendimentos garantidos pelo diário da república que temos.

Se fosse eu, a primeira página do CM ou do Público teriam como notícia: João Cravinho é um corrupto, diz Garcia dos Santos ( CM) ou,  Garcia dos Santos volta a apontar João Cravinho como conivente com a corrupção na antiga JAE ( Público).

A entrevista reveladora do que já era sabido é da Sábado de hoje:


Resta dizer que a corrupção de João Cravinho é o traço mais comum e marcante da classe política de onde saiu: como ele há dezenas de indivíduos, com cargos de topo que ainda são piores que ele.

É por isso que a corrupção em Portugal é um fenómeno endémico e virtualmente inextirpável. É por isso que surgiu o pindérico Sócrates, logo incensado pela turba ignara ou interesseira. Seria necessário correr com esta cambada do poder para se proceder a uma limpeza ética como deve ser, o que é manifestamente impossível.  Por uma razão: o povo em geral está-se nas tintas para isto e não valoriza eleitoralmente a seriedade na política.

Uma última coisa: Salazar e Marcello Caetano não eram corruptos deste modo. Nem o regime o era, do mesmo modo. A corrupção é um fenómeno democrático.

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