domingo, junho 27, 2021

A Paródia do antifassismo comunista

 O académico Nuno Palma responde no Público de hoje aos artigos de Fernando Rosas, Pacheco Pereira e Manuel Loff ( falta a Pimentel...) também publicados no jornal sustentado pela SONAE a propósito do assunto do atraso português e a sua ligação a regimes anteriores. 

A ideia básica do escrito de Nuno Palma é simples: os regimes que estão procuram justificar-se e legitimar-se denegrindo os que o precederam e no caso do Estado Novo, aqueles escribas que se intitulam historiadores não o são em tais escritos mas apenas agentes político-ideológicos do esquerdismo comunista que em tempos adoptaram como regime preferível ao do Estado Novo. Com a suprema lata de condenarem tal regime por motivos que os regimes preferidos pelos mesmos exacerbavam, como a repressão política, o centralismo económico e no fim de contas a ausência de liberdade. 

O defeito de Nuno Palma, quanto a mim é descartar completamente o regime do Estado Novo, como politicamente insustentável, incorrendo no mesmo defeito de que acusa aqueles antifassistas: não contextualizar o tempo e o modo como se desenvolveu ao longo de quatro décadas, de 1933 a 1974.

Também não compara os regimes europeus da época, ditos democráticos mas que proibiam, alguns deles, o comunismo, como era o caso da velha e pérfida Albion ( para não falar da Alemanha), onde o mesmo lecciona e onde se terá formado. E que também censurava costumes, livros, discos, tal como o hoje o continua a fazer, em nome dos bons costumes.  

O Estado Novo e o Estado Social do tempo da meia dúzia de anos de Marcello Caetano, precisam de historiadores descomprometidos com o antifassismo primário e o secundário como é o caso de Nuno Palma. Precisa-se de alguém suficientemente descomplexados para olhar para a figura de Salazar e ser capaz de o colocar no devido tempo e lugar, incluindo ao lado dos comunistas que o apodam de fascista, para se poderem ver melhor as semelhanças e diferenças e perceber a realidade que não pode ser apenas neo-realista e antifassista, como tem sido até agora.  



A História contemporânea não pode ser apenas contada por um tipo de pessoas que andou a defender o comunismo no tempo em que tal era alvo de perseguição política o que depois suscitou toda a onda de ressabiados e recalcados que se afadigam em desvirtuar a realidade vivida, falsificando a história como esses o fazem permanentemente porque não a conseguem ver de outro modo, nem sequer a sua falta de objectividade atávica.

A História do Portugal contemporâneo não pode ser apenas escrita e contada por estes indivíduos que são herdeiros dos que foram perseguidos politicamente por aqueles que execram e por isso não conseguem qualquer objectividade nos relatos que fazem, apresentando sempre uma realidade alternativa e por isso falsa na medida em que não contempla o todo que outros também viveram e experimentaram.


E estes, os originais da falsificação histórica em que se inseram aqueles indivíduos citados ( Rosas, Pacheco e Flunser) muito menos merecem o crédito de autores objectivos da nossa história contemporânea. Nem sequer conseguem relatar com fidedignidade e objectividade os factos em que intervieram porque os omitem ou escondem, apresentando uma "ficha limpa" de democratas da 25ª hora, quando muitos deles nunca o foram e continuam a não ser. 



Por outro lado o pacto de silêncio e de cumplicidade com os actuais próceres do regime que está, ligado à ala jacobina, maçónica ou simplesmente ridícula do PS que existe, é notório pelo sistema de contactos que os protege e que acaparam desde sempre. 

Portugal não pode continuar a ter esta mentalidade instalada na sua intelligentsia e que vem de 1975, constituindo a matriz básica do voto popular maioritário, ao longo dos últimos anos,  sempre contra os que organizam a economia de um modo diverso do aqui caricaturado:

 

 
Por outro lado, parece-me que o Nuno Palma não perdia nada se lesse e interpretasse coisa como estas:


A primeira é um artigo de António José Saraiva que foi comunista, esteve exilado em França, fugido à perseguição política do regime e que no fim da vida ( o artigo é de 1989) dizia isto de Salazar:


E para contextualizar o que o salazarismo incluía como efeito perverso da censura, este artigo da Flama de 1 de Junho de 1974 em que o jornalista conta vários casos de censura avulsa por obra e graça dos responsáveis pelo organismo. 
Quem associar isto ao salazarismo pode cometer um erro grave, de análise. Mas não digo porque penso assim, esperando que haja quem compreenda e seja capaz de perceber que reduzir o salazarismo a anedotas não é fazer história. E reduzir o salazarismo à visão esquerdista do antifassismo é menos que isso: apenas propaganda, comunista ou pós-comunista, o que vai dar ao mesmo.



Ah! E já agora como citei o artigo da Pimentel, aliás escalpelizado aqui por Henrique Pereira dos Santos, vale a pena ler porque é que o esquerdismo enviesa sempre por esse lado a perspectiva histórica. A autora nem se dá conta de que os autores que citou são todos do lado "certo", ou seja do único lado que conhece e do qual faz propaganda. No entanto acha que a escrita da história deve ser coutada reservada a especialistas. Assim, mesmo os que viveram acontecimentos estão arredados de dar o testemunho, porque o que conta são os ratos de bibliotecas que analisam escritos alheios...e portanto os filisteus não formados ou doutorados na matéria, mesmo pelo ISCTE,  são untermensch, o que a mesma deve perceber o que significa. 



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A democracia do establishment é esta