sábado, outubro 20, 2012

O Expresso continua cretino



O ex-procurador-geral da República, Pinto Monteito, enviou a 8 de Outubro a validação das escutas de uma conversa com o primeiro-ministro no âmbito do processo 'Monte Branco.'
O procurador que dirige o caso, Rosário Teixeira, não explicou as razões pelas quais foi pedida a validação das escutas, mas sabe-se que o pedido não foi acompanhado por qualquer participação-crime.
O processo 'Monte Branco' envolve quatro banqueiros portugueses suíços, por suspeita de fraude fiscal e branqueamento de capitais. 

É a notícia que faz manchete da edição do Expresso deste sábado. Mas o jornal não conseguiu apurar a identidade da pessoa sob escuta nem o gabinete de Passos Coelho quis comentar a notícia.
Fica, ainda assim, a saber-se que o procurador Rosário Teixeira, que lidera a investigação, não pormenorizou, no pedido de validação, a razão das suspeitas no teor da conversa.
O jornal adianta ainda que a gravação foi entregue num CD por Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, ao Procurador Geral da República.
A operação "Monte Branco" investiga uma rede de branqueamento de capitais e fraude fiscal. Já antes Miguel Relvas tinha sido escutado, no período entre setembro de 2011 e fevereiro deste ano, à conversa com o presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI).

Estas notícias revelam bem o tipo de jornalismo que temos. Desportivo, essencialmente. Ou seja, clubístico.
A simples remessa de uma "extensão procedimental" ( provavelmente desta vez será mesmo isso e bem...) para o presidente do STJ ( que anda em viajem por Timor porque sim, o presidente do STJ tem que viajar) não significa mais que isso: que é preciso que o presidente do STJ veja, ouça e aprecie juridicamente o assunto.
E porquê?
Simplesmente por causa de interpretações obtusas dos Germanos Marques da Silva e outros. Como o primeiro-ministro foi escutado fortuitamente no âmbito de uma escuta telefónica em que são suspeitos outros indivíduos, tal significa que a escuta pode muito bem vir a ser invalidada se não for validada, por quem de direito, ou seja, pelo pSTJ,  em relação a esse interveniente fortuito que é primeiro-ministro. É essa a interpretação peregrina dos mesmos, aquando do caso estranho e pouco esclarecido que envolveu José Sócrates, primeiro-ministro, no processo Face Oculta, no Verão de 2009, véspera de eleições.
A lei processual - artº 11º do C.P.P.- a tal obriga, mas não deveria obrigar porque todos são iguais perante a lei e a distinção cria estes problemas.

Assim, passar desse facto para uma espécie de insinuação na primeira página do Expresso é mais uma cretinice, uma aleivosia e mais um motivo para o inenarrável director se demitir. Pela simples razão de que é um incompetente na medida em que não informa os leitores destas particularidades que esclarecem. Se o fizesse provavelmente não tinha notícia... 

E há outra coisa: o assunto torna-se público agora, na altura em que o caso está no STJ...e a minha insinuação é ( e que pode ser aleivosa, mas previno já para o efeito) de que o Expresso tem toupeiras no STJ. Como tem no SIS. E noutros lados. 
As toupeiras, como é sabido, são cegas. Mas cheiram. Espero é que não sejam coisas indignas.

ADITAMENTO:

A TVI ( Carlos Enes) fez o trabalho de casa e informa como deve ser. Porque razão o Expresso não o fez? Porque razão este Costa, Ricardo que o dirige não vai dirigir o diário das beiras, notícias do Ribatejo ou coisa que o valha? 
A quem serve este tipo de informação em que o Expresso se tornou especialista?

SEGUNDO ADITAMENTO:
 

Passos Coelho acabou de falar sobre o assunto à saída da reunião da comissão nacional do PSD. Disse que ficou perplexo por causa da violação de segredo de justiça. Não devia porque é coisa habitual. Tão habitual com os comentários aos jornais dos membros do governo sobre reuniões em que se pede sigilo. De resto, como realça a TVI o primeiro-ministro até sai favorecido com esta violação de segredo.
Disse ainda que não tem nada a temer sobre a divulgação das suas conversas telefónicas e mesmo privadas e que no caso concreto tem muito gosto em que seja divulgado o teor da escuta telefónica.

A diferença entre este caso e o de José Sócrates é notória...e Passos fez aquilo que Sócrates nunca fez: desarmar os expressos da cretinice.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Manuel António Pina morreu.

A notícia está em todos os sítios da internet com notícias sobre Portugal: morreu Manuel António Pina.
Nem um único sítio explica de que morreu. O máximo de pormenor é o Correio da Manhã que o noticia: "por doença prolongada", um eufemismo que geralmente significa cancro.
Os demais sítios de notícias dizem apenas, no máximo, que o escritor e jornalista morreu esta tarde no hospital de Santo António, no Porto, onde se encontrava internado. E quase todos fazem o obituário que cheira a requentado.

É este o jornalismo que temos.

Conheci Manuel António Pina pelo que escrevia no JN. Não sei se chegou a fazer títulos mas o JN de então, nos anos oitenta e depois disso,  fazia títulos fantásticos e de uma graça incomparável.
Depois vi-o pessoalmente em 1986, quando concorreu a jurista-linguista tradutor, para a então CEE, para ir trabalhar no Luxemburgo. Havia milhares e milhares de textos jurídicos, no Journal Officiel e outros para traduzir. Passou às provas orais, entre os 20 escolhidos de cerca de 400 candidatos, alguns deles juristas bem conhecidos e que ficaram para trás. Manuel Pina não entrou nesse ambicionado lugar, tal como aqueles  20. Razão? Havia alguns administradores burocratas designados pelo então PSD que estavam em Bruxelas e tinham ficado sem lugar. Claro, o lugar foi-lhes atribuído, mesmo depois de uma dúzia de juízes da Cour de Justice terem dito publicamente aos candidatos apurados, em prova oral, entre os quais Manuel Pina, que precisavam de todos eles. Não precisaram.
Cheguei a comentar este episódio com Manuel Pina há uns anos, a quem me apresentei, nos claustros do convento de Singeverga.
Paz à sua alma.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Claro...o jornalismo desportivo dá nisto

 Económico:

Joaquim Oliveira já formalizou a venda do grupo de media que detém os títulos Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e TSF. O negócio foi confirmado ao Económico por fonte oficial do grupo. O comprador é um grupo angolano, desconhecendo-se o seu nome e os valores envolvidos.
O Económico sabe também que a participação de 33% na VASP também está incluída na transacção.
Joaquim Oliveira fica assim com o seu negócio centrado na área dos direitos televisivos e desportivos. Mantém-se também a sua participação na Sport tv.


O meu pai costumava citar um ditado antigo que diz que quem vive aos pinchos, morre aos saltos. O negócio deve ter sido a preço de saldo. Agora, quem tem unhas toca guitarra. Os bons jornalistas, que os há embora raros, podem sempre fazer uma coisa que já foi tentada em 1975: uma cooperativa. Fundam um jornal como deve ser e passam a perna das vendas a esses que aí ficam entregues aos angolanos e que durarão alguns meses, o tempo de os novos senhores perceberem que o negócio não presta.  
Estou para ver o futuro do jornalismo desportivo que agora se junta ao Sol.

A História a repetir-se e o PREC aqui tão perto...

 Sol:

Os anúncios das últimas semanas em torno dos cortes financeiros previstos para a agência Lusa e dos despedimentos anunciados em vários órgãos de comunicação nacional, como é o caso do jornal Público, desencadearam uma onda de reacções em defesa do jornalismo e do serviço público no seio da democracia. Moda corrente nos dias de hoje, surgiram na internet duas petições e uma carta aberta que já reúnem milhares de subscritores.
Tutelada maioritariamnete pelo Estado, «a agência Lusa recebeu com grande apreensão a notícia de que o Governo tenciona reduzir em mais de 30 por cento o valor do contrato de serviço noticioso e informativo de interesse público». É o que se pode ler na petição pública 'Em Defesa da Agência de Notícias Lusa', que se destina à Assembleia da República, ao Governo e à Presidência da República, e que já conta com quase 3 mil subscritores.
Considerando que o corte do financiamento «põe em causa aquilo que é uma estrutura única no país, que presta um serviço ímpar em prol do interesse dos cidadãos e da democracia», os trabalhadores da Lusa pedem o «apoio de todos na defesa do serviço público que presta e quer continuar prestar». Segundo os autores da petição, a Lusa produz uma média de 392 notícias por dia, à parte de disponibilizar sons e vídeos necessários ao funcionamento dos vários órgãos de comunicação social nacionais.
Ao mesmo tempo, uma outra petição está a correr a internet. 'Em defesa da manutenção da qualidade do jornal Público e dos profissionais que fazem dele um jornal de referência' foi criada pelo mesmo grupo que criou o 'Manifesto Para um Mundo Melhor', destina-se à população em geral e já conta com perto de 2 mil assinaturas.

A última vez que me lembro de uma coisa destas, animada por jornalistas, foi no tempo do PREC e os motivos eram similares embora de tonalidade diversa. A crise política de então, tal como hoje, propiciava o surgimento de manifestações e desejo de revolução.
Os jornalistas de 1975, alguns deles ainda activistas de agora, queriam uma mudança radical na política e queriam abertamente o comunismo. Lutavam por isso e mesmo aqueles que o não queriam optavam por um sucedâneo que também lhes garantia a sociedade sem classes ou pelo menos com maior igualdade entre classes, como era o chamado "socialismo democrático"  personalizado em Mário Soares. A caução de democracia tipo ocidental conferiu a Mário Soares a chave do poder político, mas as opções em economia eram similares às dos comunistas e só alguns meses ou anos mais tarde se modificaram e nem tanto assim, porque sempre que é preciso continuam apelar aos mesmos chavões de sempre.

Estas imagens do livro já aqui citado, Os anos loucos do PREC, de José Pedro Castanheira e Adelino Gomes, mostram o que foram os meses de Abril e Junho de 1975 no capítulo dos media e não só: o caso República arrastava-se e o jornal estava com a publicação suspensa. A Rádio Renascença, órgão da Igreja Católica e que apesar disso tinha programas como a Página Um, com elementos de extrema esquerda,, tinha sido lentamente  corroída   com uma greve que se iniciou em 19 de Fevereiro desse ano, ( para meu desespero porque assim deixei de ouvir, até 5 de Abril desse ano,  o programa Página Um que se transmitia das 19:30 às 21:00, ) apoiada por "organizações sindicais dos jornalistas, gráficos, telecomunicações, revisores de imprensa, electricistas, para além do apoio expresso da UDP, da Liga Operária Católica, da Juventude Operária Católica e os sacerdotes do Movimento Cristãos pelo Socialismo, entre outros", como aqui se conta.

O processo revolucionário ia de vento em popa.  Tal como hoje com manifestações, greves e apoio maciço dos jornalistas dos media. Iniciava-se a "batalha da produção" durante a qual algumas greves foram entendidas como inoportunas...pelos mesmos que dantes as faziam e que são os mesmíssimos de agora. Por onde andaria o agora Arménio Carlos? Já de punho erguido?






Sobre o dinheiro, os mercados e a História

( clicar na imagem para ler. Tal como já é possível com a imagem da entrevista de Champallimaud mais abaixo, no blog)

Este editorial é de uma edição especial da revista Le Nouvel Observateur ( o guia espiritual de Mário Soares desde os anos setenta, pelo menos) sobre "O poder do dinheiro- da antiguidade a Wall Street, quando a finança domina o mundo".
E editorial é exemplar do facto de não termos em Portugal nenhum director de periódico que tenha uma cultura assim e escreva como tal.
O suplemento  ( que custa €5.30) tem a abrir as páginas uma entrevista com Daniel Cohen ( o nome e apelido já são um programa...) professor de Economia na Escola Normal Superior e reporta-se a um livro recente deste intitulado "Homo Economicus, profeta ( perdido) dos tempos modernos" . O título da entrevista  diz quase tudo do começo da crise: obrigar o génio da finança a reentrar na sua lâmpada. Aproveitando o fim do keynesianismo o monetarismo assumiu-se como nova profecia ideológica, com Reagan e Thatcher, designando-se os serviços públicos e sindicatos como os vilões acusados de gangrenar a economia. Daí ao desmantelamento dos mesmos e à desregulação da finança foi um passo que o autor designa como a raiz da crise actual.

Para quem não é formado em teorias económicas esta visão das coisas e do mundo da Economia merece uma consideração e pelo menos a discussão que não vejo fazer-se abertamente nos media, de modo a que todos compreendam bem. Vêem-se e ouvem-se muitos professores de Economia todos os dias nos media, mas nenhum com capacidade didáctica suficiente para martelar e ensinar à populaça o que é fundamental e que noutros países se passa como mensagem corrente.
É isso a cultura e talvez uma parte do serviço público de televisão. Alguém o faz ou temos apenas o Prós & Contras como modelo, em que a discussão se faz sobre premissas que a maior parte das pessoas não domina? 

quarta-feira, outubro 17, 2012

A cor é rosa

Entretanto, o responsável primeiro pela situação de bancarrota que atravessamos, continua em parte incerta, em Paris, fugido às responsabilidades. Ninguém liga e se liga é a assuntos cor de rosa ( et pour cause).

Entretanto, a imagem que se segue é fortuita, mas o interesse é público. Paris é uma festa...


A História como farsa?




Estas duas imagens traduzem realidades que ocorreram durante o PREC de 1975, altura em que os comunistas quiseram tomar o poder político, depois de terem decapitado o capitalismo nacional.  A primeira, em cima, com imagens dos protagonistas do 25 de Novembro desse ano foi publicada há uns anos num suplemento do jornal Expresso, por ocasião de mais uma efeméride do acontecimento.
Lembra-nos o óbvio: quem não conhece a História pode ser condenado a repeti-la. Como parece ter dito Marx, a História repete-se, primeiro como tragédia e depois como farsa. Estamos nesta fase...

A segunda, tirada do livro "Os dias loucos do PREC", de José Pedro Castanheira e Adelino Gomes, publicado em 2006 pelo Expresso e Público, mostra-nos o comício do PS, na Fonte Luminosa, em 19 de Julho de 1975. Tal como o algodão, não engana: uma multidão porventura maior do que as que a CGTP/ Intersindical agora arregimenta gritava "Fora, Vasco!" Ou seja, arredem, comunistas!
Não arredaram e enredaram-nos durante mais uma década na Constituição que apostava em levar-nos à sociedade sem classes. E tem sido essa a carta magna dos reaccionários comunistas que se opõem sempre à mudança de paradigma do socialismo inscrito para o capitalismo mesmo social-democrata em que vivemos e que tem sido a realidade nestas últimas décadas. A contradição nunca se desfez e as manifestações estão aí a comprová-lo. Desta vez, animadas por aqueles que não têm memória destas coisas, nem querem tê-la.
Quem não conhece a História...


terça-feira, outubro 16, 2012

Os ajudantes externos do governo

O Público de hoje traz uma pequena reportagem sobre as "firmas de consultoria" que são contratadas pelos governos a fim de ajudarem ministros e secretários de Estado com falta de saber específico,  tempo ou vontade para o efeito, a governar. Um artigo bem feito e que é exemplo do que o Público pode ser quando e se alguma vez o for - um jornal bem feito e interessante, como um La Repubblica ou um Guardian.

Os ministros são escolhidos para governar; escolhem por sua vez os secretários de Estado que os ajudam e vai-se a ver precisam ainda de outros ajudantes, no "mercado" da consultadoria, para cumprirem o seu dever de governar.
Se tal saísse barato ou fosse muito normal ainda vá que não vá. Mas nem é barato- e seria interessante saber em concreto quantos milhões se gastaram desta forma nos últimos anos- nem é muito normal, porque quem vai a ministro tem que ter competência mínima para saber o que vai fazer na respectiva pasta e escolher quem sabe ajudar melhor.
Se não, tudo resulta numa indesejável promiscuidade e interferência de entidades externas ao Estado-Administração que fazem o papel de ministros e estes ficam a ver navios passar, pagando-lhes em conformidade quantias por vezes astronómicas. O desarmante ministro das Finanças disse ontem que estava no Governo para pagar a dívida pessoal que tem para com o Estado que o educou "durante décadas" e que saiu "extremamente caro". Se assim foi, não se percebe porque continua a endividar-se com estas escolhas de assessorias espúrias para lhe fazerem contas e ficar a saber onde há-de cortar na despesa ou aumentar impostos...é que as mesmas lhe saem extremamente caras e a preços dos "mercados". Assim nunca mais pagará a dívida que tem ao Estado e deve ficar adstrito ao mesmo, descontando no vencimento para tal efeito. Penhore-se a si próprio, já que assim o disse querer fazer.

O artigo do Público explica melhor e com opiniões de quem sabe porque já por lá passou, no caso Vasco Valdez, ex-Secretário de Estado da Administração Fiscal de Durão Barroso, por exemplo. Ou ainda António Carlos Santos, também ex-secretário de Estado de Guterres
Diz este que "durante muito tempo o apoio principal na produção legislativa provinha da Administração, em particular do Centro de Estudos Fiscais ( CEF) ou /e de gabinetes formados essencialmente na base de funcionários da DGCI ou da IGF (Inspecção Geral de Finanças)."
Agora não é assim e tal sucedeu após o governo de Durão Barroso, possivelmente no tempo de Santana Lopes e sucedâneos. A razão para tal ficaria a dever-se a um fenómeno bem português: absentismo, no CEF e mentalidade pró-administração de que os cobradores de finanças estão imbuídos.
Seja ou não assim, a verdade é que havia técnicos com capacidade para fazer o que agora se pede, quer dizer, compra a entidades privadas. Por milhões e com riscos acrescidos de promiscuidades indevidas, para não dizer corrupção pura e simples e quebra grave de sigilos que o Estado deve reservar.
Resta saber quem pensou nestas coisas, por que pensou e se agora passada meia dúzia de anos, devem ser-lhes pedidas responsabilidades, publicamente. Refiro-me a José Sócrates em concreto, mas não só. Ah! E devia ser ouvido outra vez o advogado Rogério Alves, para se lhe perguntar se ainda pensa do mesmo modo e já agora quanto é que a firma de que então fez parte- a PLMJ- ganhou com a parecerística para o Estado. Poderia esclarecer o caso nunca esclarecido da avença com a Parpública, por causa da privatização de parte da GALP que não chegou a realizar-se...





Por outro lado este fenómeno de esvaziamento das funções específicas do Estado em prol de certas entidades privadas já foi abordado em tempos por António Cluny em pequena entrevista e que aqui foi glosada

 Os ministérios poderão extinguir as auditorias jurídicas, mas alguém terá de assessorar juridicamente os governantes. Os ministérios mais importantes, como o da Administração Interna, da Justiça, da Defesa, da Agricultura, entre outros, têm aqueles serviços assegurados por procuradores-gerais adjuntos (PGA), auferindo o vencimento normal de um magistrado do MP, cerca de 5200 euros ilíquidos.

As novas leis orgânicas extinguem aquele serviço, o qual, no caso, Ministério da Justiça, por exemplo, será direccionado para a secretaria-geral, disse ontem ao DN Conde Rodrigues, secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça.

A solução passará por pedir a elaboração de pareceres jurídicos a sociedades de advogados, o que, seguramente, tornará aqueles serviços muito mais caros, alertou António Cluny. "O Governo vai ter de explicar as suas opções numa altura em que toda a gente anda a fazer sacrifícios", frisou o magistrado.

De todos os modos, esclareceu António Cluny, é necessário aguardar a publicação das novas leis orgânicas, já que estas ainda vão ser sujeitas a aperfeiçoamentos.

Uma das alternativas aos juristas privados poderá ser a manutenção dos PGA como auditores jurídicos, embora se extinga, tal como está previsto, o departamento. Porém, esta seria uma solução que não agradaria, por exemplo, aos advogados.

"Eu entendo que, como regra, a consulta jurídica e o patrocínio judiciário devem ser garantidos por advogados. E não excluo o Estado, os departamentos do Estado ou outros organismos da administração pública", disse ao DN Rogério Alves, bastonário da Ordem dos Advogados, para quem a extinção das auditorias jurídicas foi "uma boa medida desde que haja outra formas de assessoria", frisou.

Vários PGA ouvidos pelo DN, garantem que a medida vai sair cara ao Estado.

segunda-feira, outubro 15, 2012

Relvas não é o único e bodes expiatórios não são precisos

Estádio de Leiria ( pelos vistos à venda)

Sol:
Miguel Relvas rejeita em absoluto ter tido qualquer comportamento ilícito na gestão do dossier das privatizações da REN e da EDP e acusa o diário Público de estar a promover uma campanha contra a sua honra.
Em comunicado, o gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares diz que «é fácil constatar o objectivo do jornal Público», explicando que a notícia hoje publicada pelo diário da Sonae mais não é do que uma forma de «denegrir, injustificada e gratuitamente, a honra, a consideração e a imagem» de Miguel Relvas.

Parece-me bem que Relvas tem razão. E porquê? Porque todos os casos que lhe são atirados à imagem pelo jornal Público pretendem efectivamente denegrir politicamente o ministro e nada mais, aproveitando as tresleituras e as amplificações mediáticas que provocam as interpretações aleivosas.
Os casos revelam-se nados-mortos criminais e contudo são apresentados como a prova indiciária da malfeitoria a pedir pena de prisão, não explicitamente enunciada mas integrada nas entrelinhas das  parangonas.
Ora tanto no caso da licenciatura honoris causa como na da Tecnoforma como agora nesta, de hoje, dos telefonemas entre Relvas e assessores financeiros nas privatizações da EDP e da REN, o assunto vai dar ao mesmo: ausência de indícios mínimos de sustentabilidade penal, com esticanço em páginas de factos que revelam outra coisa também perniciosa mas que o Público só agora dá atenção, particularizando em Relvas os hábitos de  todo um sistema que nos tem governado há décadas: o da promiscuidade entre certos políticos e empresários, banqueiros e escritórios de advocacia de negócios ou de consultadoria ( ou consultoria como gostam de dizer).

O Público retomou agora um assunto de 2002-2004, com o caso da formação profissional que associa Relvas a Passos Coelho. Que é que esse caso tem de diferente dos milhentos que foram pasto para pequenos e médios empresários que souberam "espreitar o furo" das normas de aproveitamento dos fundos comunitários colocados à disposição de chicos-espertos?  Há alguma especificidade no caso da Tecnoforma que singularize o assunto para além de ter Relvas e Passos como protagonistas, no ano longínquo de 2004?
E então que dizer dos casos que surgiram com o negócio do Euro 2004?  É ler aqui a saga e os protagonistas do evento que misturou público e privados, dinheiros públicos e contas privadas, milhões da União Europeia e dez estádios que tiveram que ser construídos, porque sim, porque era o "pogresso" sendo certo que o próprio Cavaco Silva ou um ministro do mesmo, Cadilhe, manifestaram reservas sérias ao empreendimento, avisando que era um erro gastar tanto nesse sector e endividarmo-nos tanto. Alguém ligou?
Não. O Inenarrável que nos governou durante mais de dez anos ( porque foi ministro responsável por mais essa asneira monumental), na altura dizia que os Estádios eram obra necessária a Portugal.
Passados meia dúzia de anos, o panorama pode ser analisado assim, como aqui se escreve:

[...] Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, é o único autarca assumidamente contra a construção do estádio. "Nenhum país decente constrói dez estádios para um Europeu", critica aquele autarca do PSD. [...]

"Muitas cidades que queriam o Euro agora dão graças por não ter um estádio", desabafa Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria. "Estes estádios foram pensados para uma realidade que não é a portuguesa. O Estádio de Aveiro leva metade dos [60.000] eleitores da cidade. Está sobredimensionado", acrescenta Pedro Ferreira, presidente da empresa que gere o recinto aveirense, ao que Alberto Souto, antigo presidente da Câmara de Aveiro, contrapõe que 30.000 lugares eram a lotação mínima para receber jogos de Europeu.

Com o Europeu de futebol de 2004, o Estado português gastou, pelo menos, 1035 milhões de euros, o equivalente ao custo da Ponte Vasco da Gama. Apurado por uma auditoria do Tribunal de Contas, realizada em 2005, este valor inclui, por exemplo, os encargos com os estádios (384 milhões), acessibilidades (228 milhões), bem como os apoios indirectos das câmaras do Porto (152 milhões) e de Lisboa (59 milhões). 


Quem construiu estas obras de arte em decuplicado? Quem negociou? Que empresa privadas e entidades públicas se imiscuiram nestes negócios? Quem aproveitou os dinheiros, mesmo legitimamente? Haverá alguma diferença entre estes casos e os apontados pelo Público para queimar o Relvas? Não me parece.

Portanto e por causa disso, o Público tem atirado demasiado a um alvo que não deve ser bode expiatório, embora todas as que leva sejam devidas, porque é um exemplo, mas apenas um e nem sequer o pior, de tudo o que correu mal em Portugal durante estas décadas e continua a mandar e a executar.
Portanto, corrijam lá o tiro e expliquem melhor os assuntos.


O défice também é moral

Daqui:

O ministro das Finanças está a esconder os salários dos gestores da nova Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública-IGCP, para a qual o Governo criou um regime remuneratório de excepção. Os salários de João Moreira Rato, presidente do IGCP - veio do Morgan Stanley -, e de Cristina Casalinho, vogal do IGCP, era economista-chefe do BPI são muito superiores ao do primeiro-ministro, segundo apurou o CM, mas o ministério de Vítor Gaspar não esclarece a situação.
Na última quinta-feira, um mês depois de terem sido enviadas as primeiras perguntas ao Ministério das Finanças, o CM voltou a confrontar o ministério com a remuneração anual de quase 300 mil euros que João Moreira Rato receberá como presidente do IGCP, mas a tutela não respondeu.
Os sinais de incómodo do Governo com os ordenados dos gestores do IGCP são visíveis na recusa de Passos Coelho em responder a um requerimento do PS sobre esse assunto.


Estas notícias evidenciam que Vítor Gaspar é avis rara no Governo e não consegue lidar com a contradição de pedir esforços "enormes" a uns milhões, atingindo-os gravemente nos seus rendimentos, porventura com justificação plausível perante as circunstâncias, mas evitou esse mesmo efeito junto daqueles que andam a estudar o assunto e influenciam as medidas económicas. Ou seja, assume uma moral deficitária. para retomar termo de economês. E é pena porque quando aparece ao lado do ministro das Finanças alemão ou declara que as manifestações contra a sua política revelam a categoria de um povo, torna-se um político de primeira água e capaz de convencer cépticos da sua bondade.

Vítor Gaspar agiu assim porquê? Importa especular um pouco.
Quem é Vítor Louçã Rabaça Gaspar? A Wiki diz e não me parece que o actual ministro não saiba o que diz:

Vítor Gaspar licenciou-se em Economia pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa em 1982, e obteve um Doutoramento em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa em 1988.
Foi membro suplente do Comité Monetário Europeu de 1989 e 1998 e representante pessoal do Ministro das Finanças na IGC que conduziu ao Tratado de Maastricht, foi chefe do comité entre 1994 e 1998 e membro do Gabinete de Consultores Políticos da Comissão Europeia de 2005 a 2006. Em Janeiro de 2007, passou a chefiar o departamento.
Em Portugal, foi conselheiro especial do Banco de Portugal e director-geral da área de investigação do Banco Central Europeu de Setembro de 1998 até Dezembro de 2004. Também foi Director de Investigação e Estatísticas do Departamento do Banco de Portugal e Director de Estudos Económicos do Ministério das Finanças.


Gaspar, como se pode ver é de uma elite de economistas políticos. Como tal ganhou em conformidade. E amealhou uns cobres como se pode ver pela declaração no Constitucional. E segundo informação recente tem duas casas. Segundo critérios que o mesmo aplica para impor tributos aos cidadãos deste pobre país, é um indivíduo rico ou mesmo muito rico, atendendo às estatísticas. É importante por isso reter esta informação para perceber como actua.

Diário Económico:

Vítor Gaspar, ministro das Finanças, tem 655 mil euros espalhados por três bancos e acções de duas empresas: 390 da EDP e 205 da Cimpor.

Pelo contrário, o primeiro-ministro sempre foi um dependente do salário privado, um proletário por assim dizer, encostado a empresários que fizeram do Estado uma espécie de couto ou reserva de caça, com direito de pernada.
Passos, ainda assim, parece ser pessoa séria quanto a dinheiros e evidentemente é de outra liga profissional no que se refere a actividades académicas ou empresariais.
Como escreve o mesmo Diário Económico:

Pedro Passos Coelho até pode ser o líder do XIX Governo nacional, mas não consegue chegar ao ‘top' dos mais poupados dos seus membros. Dois apartamentos em Massamá, um Opel Corsa e um crédito à habitação de 200 mil euros no BCP e 42 mil na CGD.

E Relvas, já agora? Relvas é um português como deve ser: poupado e desenrascado. Um Oliveira da Figueira da política. Mesmo com uma licenciatura honoris causa, Relvas conseguiu poupar durante estes anos, segundo o mesmo jornal  "751 mil euros que Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, tem no BCP."

 O que é que Relvas terá pensado da negociata que envolveu a CGD, Berardo, Bandeira, Vara, Sócrates e o BCP?
Acho que nunca lhe perguntaram mas está na hora que se faz tarde...

Por outro lado e regressando a Gaspar, este tem no Governo um Carlos Moedas vindo de uma família pobre do Alentejo. Moedas é um pequeno génio da Economia transformada em engenharia ( Moedas é engenheiro civil) em tempos de instituições tipo Goldman Sachs e talvez por isso tem em reserva financeira volátil, segundo o mesmo jornal,  300 mil euros aplicados em carteiras de títulos, acções e fundos de investimento.

Carlos Moedas é indivíduo simpático e brilhante como se pode ver nas suas aparições televisivas. Mas quem é mesmo Carlos Manuel Félix Moedas? Voltemos à Wiki cujo perfil será também do conhecimento do dito:

Nasceu em Beja, mas estudou em Lisboa, tendo em 1993 obtido a licenciatura em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico. Tem um MBA feito na Harvard Business School.
 Profissional- Trabalhou no banco de investimento Goldman Sachs, na área de fusões e aquisições, e foi gestor de projetos para o grupo Suez, em França, entre [1993] e [1998]. Depois esteve no Eurohypo Investment Bank. De regresso a Portugal, em Agosto de 2004, dirigiu a consultora imobiliária Aguirre Newman, foi administrador delegado até Novembro de 2008, altura em que cria a empresa de gestão de investimentos Crimson Investment Management.
  Política- Foi coordenador do sector económico do Gabinete de Estudos do PSD. Carlos Moedas fez parte da equipa social-democrata que negociou com o PS a aprovação do Orçamento do Estado para 2011 juntamente com Eduardo Catroga. Candidato e cabeça de lista por Beja nas legislativas de 5 de junho de 2011, foi eleito deputado à Assembleia da República, passando o PSD a ter um deputado por aquele distrito pela primeira vez desde 1995.


Carlos Moedas é um golden boy da Goldman Sachs? Nem tanto, mas como Gaspar é um apaniguado de um sistema. O sistema dos "mercados", o que levou a economia mundial ao estado em que se encontra. O sistema em que a Goldman Sachs e a Morgan Stanley e outras J.P. Morgan ou Rothschilds ou similares,  impõem regras ao mundo financeiro. Gaspar não aparece na lista desses agentes dos "mercados" mas dá-se muito bem com eles, como se comprova.
Essas regras são tecnocráticas e segundo os seus critérios de eficácia e rentabilidade assegurados. Moralmente são ausentes de estados de alma como aquele que agora se revela no Correio da Manhã: os economistas vindo desses areópagos ( tinha escrito aerópagos mas a confusão é geral...) são vistos como outras avis rarae que não se confundem com zé-povinho pagante.
E por isso mesmo merecem ser pagos em conformidade e à parte. Não fazem parte do povo sacrificado porque são os sacrificadores.
Moralmente isto significa o quê?
Ausência de moral é o que é. Ausência ainda de sentido da realidade nacional, porque não somos um país rico mas sim um país em bancarrota, com manifestações gigantes a pedir equidade ou pelo menos vergonha em não discriminar tanto. Ausência de senso comum e também de cultura. Se a tivessem conheceriam o ditado popular- haja moral ou comam todos!- Se a tivessem teriam igualmente alguma vergonha ou pudor que manifestamente não têm. Ou quando a têm é para esconder as poucas-vergonhas, como esta.
E isso é fatal para a credibilidade seja de quem for porque é por aí, por essa cabeça que o peixe governamental apodrece.
Por estas e por outras andam a brincar com o fogo...

domingo, outubro 14, 2012

Champallimaud em Setembro de 1974 ainda acreditava na economia portuguesa

 Este artigo que reproduz o teor de uma comunicação de Champallimaud, aos dirigentes do Banco Pinto & Sotto Mayor, banco ainda privado, em 28 de Setembro de 1974, depois de um exílio de cinco anos, por motivos judiciais e não só.
Champallimaud explica a sua noção de banca, mercados e capitalismo financeiro, ainda durante os primeiros meses a seguir ao 25 de Abril de 1974.
Pouca gente pensava como ele, nessa altura e nos media, e muito menos ousava em exprimir-se publicamente. No dia em que tal comunicação foi lida, 28 de Setembro de 1974 começou verdadeiramente o PREC.

Na alocução Champallimaud criticava o Governo "dito fascista" de Marcello Caetano e explica porquê. E ainda diz: No dia em que alguém com autoridade, o Governo por certo, declare ser dispnsável a minha presença na vida económica nacional, é acto de favor que apreciarei."

Durou meia dúzia de meses até chegar tal declaração formal, em 11 de Março de 1975.

O jornal O Raio, publicado na Covilhã , repescava esse discurso no número de 8.1.1975 e vale a pena ler ( clicando) para vermos os anos luz a que nos pusemos da mentalidade empresarial privada nessa época de "processo revolucionário em curso" para o socialismo e a sociedade sem classes. É ler e verificar como é que os comunistas nos tramaram economicamente.


Sampaio, o saudosista

Expresso:
O ex-Presidente Jorge Sampaio defende que é renegociar as condições do empréstimo com a troika, mas para isso é necessário um consenso alargado.
"Já toda a gente percebeu que a austeridade rebenta com o país, com os portugueses e a sua esperança, com os direitos e até com a própria democracia", disse em entrevista à SIC Notícias.

Um dos coveiros do país, que o foi enterrando ao longo de décadas ideológicas, está de volta. Sampaio foi alvo de uma biografia da autoria de um jornalista, correlegionário ideológico, José Pedro Castanheira.

Vasco Pulido Valente recenseia assim o livro de tomo, hoje no Público:


A história de Jorge Sampaio é um resumo da nossa desgraça: em 1962 era da oposição ao regime e liderou movimentos de estudantes que contestavam o regime em nome não se sabe bem de quê, a não ser uma difusa ideia de democracia e liberdade que depois se viu no que desembocava: na ditadura da classe operária sobre a "burguesia", ou seja, num ersatz de comunismo soviético que Sampaio recusava mas encartava a fortiori porque os princípios programáticos e ideológicos não lhe concediam melhor alternativa. Não havia e nunca houve no mundo moderno, alternativa ao capitalismo que não passasse forçosamente pelo comunismo mais ou menos matizado de ditadura feroz e capadora das liberdades fundamentais.
Por isso mesmo Vasco Pulido Valente lhe assenta a chapada para Sampaio chorar as ideias feitas: uma "persistente peregrinação pela asneira e pela pura idiotia ( que durou quase vinte anos)" e que Sampaio atribui a "um efeito inócuo da imaturidade".

Pois vejamos a maturidade de Sampaio, ainda em 1978, mas já depois do Prec e contra-Prec e das lutas populares e do MES e da revolução e da esquerda e ainda da luta pela igualdade e pela abolição do sistema capitalistas e outras coisas que tais. Sampaio tinha nessa altura quase 40 anos, porque nasceu em 1939, e  tal sucedia em 1978, com a profissão de fé nas ideias antigas, já como membro actuante de uma Intervenção Socialista, a "elite da esquerda" , uma espécie de luxo do proletariado urbano e aburguesado, em contradição nos termos:



E que ideias antigas eram essas que foram sendo recicladas, afinal saldadas no mercado da idiotice, muito concorrido em Portugal nesses anos de brasas apagadas?

Sampaio e outros como Ferro Rodrigues, Alberto Martins e tutti quanti ( os 30 amigos de que fala VPV) foram-se adaptando aos tempos que corriam, ao longo dos anos. Para não perderem o comboio daquilo para que se prepararm durante a adolescência, comboio de luxo e que lhes deu sempre boleia à custa do Estado, foram abandonando paulatinamente as idiotices chapadas e passaram a soletrar apenas algumas, esparsas e em conformidade com o ar do tempo que ia passando.
O Partido Socialista, não o "autêntico" que Sampaio queria mas o sucedâneo  que os acolheu tinha aliás uma boa escola nessa matéria porque tinha engavetado o tal socialismo colectivista e sem saída democrática numa gaveta sem fundo mas às paredes da qual se agarravam algumas palavras que lhes continuaram a servir para enganar as pessoas durante estas décadas.
É esse  o grande e único trunfo destas pessoas: o logro continuado, com recurso a palavras gastas mas sempre eficazes. todas emolduradas num capuchinho vermelho: Democracia, "abre-te sésamo" da aceitabilidade social e política, mesmo para os que a negavam ideologicamente. Esta gente viveu sempre de palavras e nada mais porque a competência para outras coisas lhes faltou sempre.
 " Revolução", "socialismo", "exploração capitalista", "pobres", "igualdade", "desfavorecidos", "capitalismo selvagem", "mercados", "défice"  cuja vida peregrina foi assegurada por Sampaio como essencial à manutenção do seu status quo, até agora à palavra "troika" que tomou o lugar daquelas para se trasmudar em talismã de recusa do tal capitalismo e austeridade ( o défice era coisa de somenos e havia muita vida para além do mesmo, como agora se vê) e retoma das velhas ideias sempre presentes.
Há pessoas que na vida nada aprendem e nada esquecem. Sampaio é uma delas.É que nem as viagens que fez à nossa custa, enquanto presidente da República ( santo Deus! Como foi possível?!) lhe ensinaram fosse o que fosse porque foi presidente só mesmo por esses motivos elencados e que também levaram o outro viajante contumaz ao poleiro: pobrezinhos, democracia, igualdade, capitalismo, socialismo democrático, exploradores, amigos dos trabalhadores etc etc.

Os portugueses são uns crédulos. Les portugais sont toujours gais, como dizia a outra...

sábado, outubro 13, 2012

Moody blues

 Never comes de day, dos Moody Blues...



Expresso:

"Está na hora de uma revolução na zona euro, o tempo para uma discussão educada terminou. O que está em causa não são um ou dois por cento de crescimento económico no Sul, mas, pelo contrário, a diferença entre um futuro de prosperidade e um de depressão", refere hoje Christopher T. Mahoney, ex-vice presidente da agência de notação Moody's, num artigo intitulado "Southern Europe Must Revolt Against Price Stability ", publicado no "Project Syndicate".

Essa "revolução" deve ser "liderada pela França, Itália e Espanha", com a França à cabeça, e os seus alvos principais são a Alemanha e o Bundesbank. "O tempo é agora, antes que a Espanha e Itália sejam forçadas a capitular à estricnina e ao arsénio da troika", sublinha.

Mahoney é um veterano de Wall Street que saiu de vice-presidente da Moody's em 2007. Considera-se um "libertário do mercado livre".

"Se o Sul continuar a permitir que o Norte administre o remédio envenenado da deflação monetária e da austeridade orçamental, sofrerá, desnecessariamente, anos e anos", adverte Mahoney, para, depois, apelar à "revolução" do Sul.

"A zona euro é uma república multinacional em que cada país, independentemente da sua notação de crédito, pode actuar como um hegemonista. A Alemanha tem apenas dois votos no conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), não tem controlo e não tem poder de veto. A Alemanha é apenas mais outro membro da união e o Bundesbank apenas mais outra sucursal regional do sistema do euro. O Tratado do BCE não pretendeu ser um pacto de suicídio, e pode ser interpretado de um modo suficientemente aberto para permitir que seja feito o que tem de ser feito. Se o Tribunal Constitucional objetar, então a Alemanha pode sair."

E reforça: "O que advogo é uma ruptura pública com o Bundesbank e com os seus satélites ideológicos".

A finalizar, diz: "Talvez seja mais prudente conduzir esta revolta em privado, mas o que acho é que só funciona como ultimato público".

Pinto Monteiro, última entrevista. Ao Expresso, claro.

Pinto Monteiro, o juiz sem medo de ninguém, também beirão honesto no seu próprio dizer, disse coisas ao Expresso desta semana. Segundo se noticiou ontem, esteve na cerimónia de aceitação do cargo da nova PGR, mas saiu sem dizer nada porque não pronuncia sobre sucessores. Ao Expresso repetiu a dose mas reforçou com um pouco de cinismo qb: "sempre defendi que o PGR devia ser independentemente do sindicato e do poder político."
Pinto Monteiro foi independente do sindicato porque este lhe apontou os erros e atentados à imagem da Justiça. Se o sindicato tivesse sido uma espécie de organismo inerente e sem intervenção pública, Pinto Monteiro seria até sindicalista encartado em declarações encomiásticas. Assim...disse anteriormente ao Expresso que...
As críticas focam também o próprio CSMP e a sua ligação ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), com o qual manteve uma relação tensa e polémica ao longo do seu mandato. "Hoje o Conselho Superior do Ministério Público é composto por onze magistrados e sete não magistrados. É, pela composição, um conselho tendencialmente corporativo, independentemente do valor dos membros que o compõem. Acresce que sete dos magistrados são eleitos pela classe, o que na prática tem significado serem eleitos pelo sindicato ou com o apoio deste, que os escolhe."

Para o PGR, "o sindicato deve ser, por imposição do estatuto, afastado da eleição dos membros do conselho" e, além disso, deve ser "tornado claro que ao CSMP cabe a gestão dos quadros e a competência disciplinar e não mais", já que "as tarefas de gestão da Procuradoria-Geral da República cabem ao procurador-geral da República". 


Pinto Monteiro não percebeu nunca que os magistrados do MºPº na sua esmagadora maioria são sindicalizados porque se revêem naquilo que o sindicato lhes tem proposto e tal é o exercício mais linear de democracia: a aceitação que haja associações que representem interesses legítimos de associados, reconhecidos como tal. Quem não concorda tem sempre as Assembleias gerais para discutir e propor.
Sendo assim,  torna-se evidente que os membros do CSMP, magistrados, sejam sindicalizados e a indicação de nomes para a respectiva composição,  num universo de pouco mais de um milhar de pessoas, passe por conhecimento do sindicato. Mas será o sindicato que propõe os nomes, como afirma Pinto Monteiro?

Nem por isso nem tanto assim. Se o sindicato toma conhecimento dos nomes através de delegados sindicais que tem nos círculos judiciais, tal é perfeitamente natural e se a escolha de nomes para o conselho passa por discussão de perfis de acordo com o reduzido universo dos interessados, na sua maioria alheados das actividades sindicais, então mais compreensível se torna que essa indicação se faça por consenso democrático autêntico e até informal.
Quando se torna necessário indicar nomes para compor o CSMP por banda dos magistrados quem é que se adianta e toma a iniciativa de recolher esses nomes? O Sindicato, por suposto é um organismo adequado porque nem há mais ninguém interessado nisso. A alternativa seria bem pior e passaria por ser o próprio CSMP ou alguém na sua dependência a propor organicamente os nomes, como se fazia no corporativismo. É isso que Pinto Monteiro quer?
 E tal processo de escolha singularizado no informalismo e transparência, significa que o nomeado fica dependente do Sindicato? Nem por sombras. Muito menos do que o próprio PGR fica dependente do poder político que o nomeia. Foi este o erro de análise de Pinto Nogueira, anterior PGD do Porto e é ainda o erro de análise deste ex-PGR.

E aqui entra a consideração segunda sobre a independência do PGR face ao poder político.  Pinto Monteiro foi designado pessoalmente por José Sócrates para ser PGR, em vez de um Henriques Gaspar quase acordado com o então presidente da República ( o mesmo de hoje).
Porque é que Pinto Monteiro foi escolhido pessoalmente por José Sócrates para ser PGR? É um mistério que só o próprio Sócrates bem como Pinto Monteiro poderiam esclarecer.
Este já disse que tem um irmão "catedrático" ( António Joaquim Matos Pinto Monteiro que já deixa descendência na própria universidade )  que é amigo de José Sócrates.
Não se trata de poder haver confusões, por causa de laços familiares, mas como se pode ler aqui numa apreciação do anteprojecto de Março de 2006 no Código do Consumidor, da autoria daquele ilustre irmão e num trabalho de alunos do secundário,  a verdade é que as há...  

Pinto Monteiro não conseguiu ser independente de um certo poder político. Nunca. Desde o início. Nem ser nem mostrar aparências de tal. E não deveria ter aceite o cargo, até porque não está nada arrependido, antes pelo contrário.

A prova reside nestas passagens da entrevista de hoje ao Expresso em que mais uma vez diz nada de relevante a não ser para se enterrar ainda mais nas suspeitas supra referidas.

Na primeira parte diz que desconfia de ter sido alvo de escutas ilegais e que " quem de direito apure se é verdade, porque as polícias não dependem da PGR" Imagine-se! Um juiz de direito, conselheiro, irmão de um "catedrático" a dizer que devem ser as entidades administrativas a investigar ilícitos criminais. E mais ainda: "Não tenho poder para dizer a alguém para ir ver se há escutas ou não". 
Não tem poder?!! Não tem poder?! Qualquer pessoa tem o poder de participar ao MºPº o facto. E o MºPª o dever exclusivo e legal de investigar os crimes porque em Portugal é a única entidade que o pode fazer.
Administrativamente não se podem investigar crimes muito menos dos que envolvem escutas ilegais que por natureza até carecem da intervenção de juizes de instrução.
Posto perante esta evidência, os jornalistas contrapõem-lhe exactamente isso e Pinto Monteiro responde assim: " com base em quê?" E os jornalistas: " Nos elementos que diz ter". E Pinto Monteiro: " E julgam que é fácil detectar escutas? Já comuniquei o que tinha a comunicar e quem tem poder que averigue".
Assim mesmo tal e qual. "Quem tem poder que averigue".
A sério: uma pessoa destas alguma vez na vida deveria ter sido PGR?

Mais: sobre o Freeport, Pinto Monteiro insiste na cabala, sufragando a tese do PS ( independente do poder político que o nomeou, está bom de ver...). Afirma mais uma vez que o processo é político e até mais "é uma fraude".  Repare-se: o processo ainda não terminou e anda em trânsito para os tribunais superiores. O ex-PGR comenta o caso pendente, já apreciado por um colectivo de juízes que são o tribunal e desvaloriza, insultando aqueles magistrados ao considerar a decisão dos mesmos em extrair uma certidão para investigação de suspeitas a José Sócrates, como "insólita".
Um ex-PGR assim é uma desgraça, uma tristeza e merecia que os juízes daquele colectivo lhe fizessem ver isso mesmo.
Mas ainda tem pior nessa parte da entrevista: numa revelação inédita relata factos que na altura omitiu, a propósito da participação que fez contra os magistrados do MºPº que investigaram o Freeport: diz que havia uma dever de lealdade de informação ( !), ou seja de que os magistrados tinham o dever de lhe contar o que se passava no processo. Teriam se este lhes pedisse formalmente tal coisa. De contrário nenhum dever tinham. No entanto, Pinto Monteiro acaba de reconhecer pela primeira vez que teve afinal a prova dessa lealdade porque a directora do DCIAP lhe remeteu o processo "no último dia do prazo, às sete da tarde, puseram-me o processo em cima da secretária. Estava cheio de coisas para fazer e não tive tempo para o ler na altura. Tive a supresa, no dia seguinte, de o jornal Público, trazer as perguntas que não chegaram a ser feitas a José Sócrates. Se entendiam que havia perguntas a fazer deviam ter pedido mais tempo. Ou então as perguntas não tinham razão de ser."

Esta explicação cândida de Pinto Monteiro fala por si: uma vergonha assim não se compreende num PGR. Então às sete da tarde os serviços ( que não o DCIAP) levam-lhe o processo para ler; Pinto Monteiro nem o lê sequer porque diz agora que "estava cheio de coisas para fazer" ( mas o quê , santo Deus? O quê, às sete da tarde que fosse mais premente do que dar uma vista de olhos no despacho final que se lê em alguns minutos? E que o Público afinal com menos que fazer até leu...) e no dia seguinte comenta o assunto como se nada tivesse a ver com o caso e a responsabilidade fosse alheia?
 Pinto Monteiro não contente em dizer agora que não leu o que evidentemente deveria ter lido, o que então não disse nem esclareceu devidamente, imputando logo aos magistrados uma actuação desleal, nem se preocupou em salvar a "honra do convento" que dirige, fustigando ainda mais a imagem do MºPº.
Não saberá Pinto Monteiro que era exactamente ele a pessoa com maior responsabilidade em preservar essa imagem?
Será Pinto Monteiro um bacoco qualquer ou apenas alguém completamente desajustado ao cargo que exerceu durante seis anos?
Será admissível que um PGR coloque em causa a honorabilidade profissional dos magistrados que dirige, omitindo informações que agora revela, para atacar esses mesmos profissionais num processo que obviamente tinha contornos políticos da mais alta relevância, por estar em causa a responsabilidade eventualmente criminal da pessoa que o nomeou para o cargo naquelas circunstâncias?
Pinto Monteiro, independente do poder político? Nem que o afirme cem vezes.

Pinto Monteiro não percebe isto? Alguém lho faça entender.





sexta-feira, outubro 12, 2012

O Público livra-se do Inimigo

Diário Digital:

O Inimigo Público poderá deixar de ser publicado semanalmente com o jornal Público, mas a direcção do suplemento humorístico está a tentar apresentar uma contraproposta, disse à Lusa Luís Pedro Nunes.
"Há uma decisão da administração [do Público, que é detido pela Sonaecom] para terminar. Estamos a tentar arranjar uma contraproposta, que pode passar por um patrocinador", disse o director do suplemento humorístico, Inimigo Público.
O jornal Público avançou com uma reestruturação, no qual está previsto o despedimento de 48 trabalhadores.
"Estamos a ver com o Público algumas possibilidades, com a reestruturação era natural que se reequacionasse" o projecto.
"Há algumas possibilidades comerciais. Se não for viável [continuar] com o Público esta parceria de nove anos, não vamos baixar os braços", acrescentou Luís Pedro Nunes.
O director sublinhou que o Inimigo Público, que sai à sexta-feira, "é o suplemento mais lido do Público".


 O suplemento em causa tem páginas a mais: tantas como as que excedem a primeira. Não entender isso é tragi-cómico e assunto para o suplemento.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Como vivem os políticos nos países atrasados...


Um retrato de uma certa classe política

Público online:

A Tecnoforma, empresa de que Passos Coelho foi consultor e depois gestor, conseguiu fazer aprovar na Comissão de Coordenação Regional do Centro (CCDRC), em 2004, um projecto financiado pelo programa Foral para formar centenas de funcionários municipais para funções em aeródromos daquela região que não existiam e nada previa que viessem a existir. Nas restantes quatro regiões do país a empresa apresentou projectos com o mesmo objectivo, mas foram todos rejeitados por não cumprirem os requisitos legais. As cinco candidaturas tinham como justificação principal as acrescidas exigências de segurança resultantes dos ataques às torres gémeas de Setembro de 2001.

O programa Foral era tutelado por Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local, e na região Centro o gestor do programa Foral (e presidente da CCDRC) era o antigo deputado do PSD Paulo Pereira Coelho, que foi contemporâneo de Passos Coelho e de Relvas na direcção da Juventude Social Democrata (ver PÚBLICO de segunda-feira).


Estes factos são de 2004. Como se escreve no artigo do Público em papel, "O valor final pago pelo programa Foral por conta desta candidatura foi de cerca de 312 mil euros, perto de um quarto dos 1,2 milhões aprovados em 2004."

Para explicar estes factos essenciais, o Público deu à estampa sete páginas, com a assinatura do melhor repórter de investigação que temos em Portugal, José António Cerejo.

Criminalmente,  nada disto interessa. Os eventuais crimes- que crimes, afinal?- de desvio de subsídio ou de tráfico de influências, não têm "pernas para andar" como se costuma dizer.
Então o que interessará verdadeiramente? O retrato de uma classe política que temos em Portugal e que tomou o poder há vários anos, atravessando o chamado "arco da governação", com destaque para o PS e PSD, com o CDS a pedir meças ( no caso dos submarinos e sobreiros).
Estas coisas começaram a acontecer logo na altura da nossa adesão à CEE e à chegada dos primeiros fundos, para a formação profissional. Até a UGT ( Torres Couto) e outros aproveitaram a onda, desviando subsídios. Na altura, Cavaco mandava no Governo e poderia ter estancado a sangria moral. Não estancou e até se abespinhou com os burocratas da Justiça que queriam moralizar as negociatas. Foi nessa altura que os auditores dos ministérios começaram a ser malvistos. Depois foram substituídos pela parecerística dos Sérvulos e Júdices mais os Galvões Teles e Caldas, Jardins e associados em comandita.
Os casos do Fundo Social Europeu, com os processos que prescreveram e os desvios que se verificaram e nunca foram apurados foram a prova de que somos um país propenso à corrupção. Tanto que até foi preciso instituir uma Alta Autoridade contra a mesma, onde um certo Pinto Monteiro fez uma perninha.
Não adiantou muito porque Pinto Monteiro e outros eram "do cível" e a Alta Autoridade era só para inglês,perdão, europeu, ver. 
 
Neste aspecto, Relvas, Sócrates, Passos Coelho, Marques Mendes, Jorge Coelho, Portas, Ângelo Correia, para só citar alguns, são farinha do mesmo saco.

A questão que se coloca é saber se temos outros sacos onde ir buscar farinha, mais limpa e mais consentânea com as nossas necessidades de alimentação democrática.
Andarmos a engordar esta gente é que não devia ser admitido e a corrupção como fenómeno criminal anda associada a isto, mesmo que não pareça ou que não se manifeste criminalmente.

Quadras soltas

Até já no Brasil, senhores,
vão presos por corrupção!
Um dia destes até em Angola...
Só em Portugal é que não!...

Até já no Brasil, meu Deus
corruptos vão prá prisão!...
Qualquer dia até na Nigéria
Só em Portugal é que não!...


Daqui, do ex-dragoscópio que escreve pró boneco e fala prás paredes.

Cortar da despesa...

Esta imagem é do Orçamento de Estado para 2012 e mostra as despesas com os"encargos gerais do Estado" naquelas "designações orgânicas" indicadas. E são apenas a dos encargos gerais do Estado e da presidência do conselho de ministros, com as secretárias, carros, assessores, estudos e pareceres, etc etc.

Experimente-se cortar "cegamente" cerca de 20% em todas e a redução de despesa dá uma conta calada...

O juiz que quer ser dirigente desportivo

 Sapo Desporto:

A candidatura de Rui Rangel à presidência do Benfica está a ter o apoio de José Veiga, antigo empresário de futebol e ex-director desportivo do Benfica.
Segundo o diário Correio da Manhã, José Veiga é quem está a liderar o processo de recolha de apoiantes para a lista liderada por Rui Rangel, uma vez que não se pode candidatar à presidência do clube. O antigo empresário de futebol não tem 25 anos ininterruptos de sócio efetivo do Benfica .


Para quem não saiba e está habituado a ver nas tv´s ( na SIC mas também na RTP2 como ontem aconteceu) o dito Rangel, irmão do outro mediático, é juiz desembargador, no tribunal da Relação de Lisboa. Na 9ª secção criminal, aquela que recentemente julgou o caso Casa Pia e outros, em sede de recurso.

Ser comentador desportivo, político ou apenas tipo sousa tavares, em tv´s, vale o que valem as audiências de quem vê tv. Quem gosta de ouvir opiniões inanes de comentadores anódinos tem  muito por onde escolher.
Mas ver regular e frequentemente um juiz de direito cuja função profissional é aplicar a justiça segundo a lei e o direito, a esportular opiniões a eito sobre tudo e um par de botas, acompanhado de outro comentador de vulto, antigo jornalista e actual bastonário de uma Ordem de advogados, roça os limites do tolerável.
Agora, ainda juiz, vai candidatar-se a dirigente desportivo.
Evidentente terá que sair da profissão, pedindo a um CSM condescendente uma licença de longa duração.
Que lha dêem, para sempre se for possível.

Obscenidades políticas, sem demagogia



R.R.:

O grupo parlamentar do PS renovou a frota automóvel e gastou 210 mil euros. A notícia é avançada na edição desta quinta-feira do “Jornal de Notícias”, segundo a qual os quatro carros adquiridos são topo de gama. 
A assessoria de imprensa da bancada liderada por Carlos Zorrinho explica ao jornal que os carros foram comprados porque acabaram os contratos de aluguer das quatro viaturas usados pelos deputados – dois Audi e dois BMW.
O dinheiro utilizado é proveniente do orçamento da Assembleia da República. 


É evidente que esta gente que anda na Assembleia da República há longos anos a passear incompetência e dolce far niente se julga o primeiro poder do Estado, nesta democracia. E portanto, a tout seigneur son honeur, como se defenderão de quem assim os ataca pelo lado mais fraco que é o da parolice, da falta de senso comum, da ausência de sentido de Estado verdadeiro quando o país atravessa a maior crise económica e não só, de há muitas décadas para cá. Provavelmente de há séculos para cá. Na primeira República jacobina a vergonha ainda os obrigava a fugir do país. Agora nem isso.
Este grupo parlamentar do PS e também dos outros partidos, incluindo os comunistas e syrizas vivem numa espécie de redoma democrática paga com o dinheiro de todos: bons almoços mais em conta; regalias diversas, vencimentos a condizer, perks e assistências de miríades de funcionários solícitos e simpáticos,  etc etc etc.
No outro dia foi notícia que um torneio de golfe entre associados do Parlamento foi financiado por todos nós. Ainda mais recentemente o passageiro acima indicado, propôs a redução do número de deputados, numa manobra para épater la bourgeoisie, leia-se comunistas e syrizas.
Os carros da presidência, vice-presidência e não só,  são aos pares e os motoristas idem aspas. Todos alemães e de cilindrada condizente com o estatuto elevado em que se consideram estar. Os alemães devem rir-se de nós, às escondidas.
Portanto, gastarem 200 mil euros nesta brincadeira é coisa de somenos que só a demagogia barata critica.
Não é assim?

PS. Não é só na A.R. que estas coisas acontecem. Na sede do outro poder que se julga ainda mais superior ao primeiro porque executa e manda naqueloutro quando tem maioria,  as coisas não se passam de modo diverso e até ainda são mais refinadamente obscenas. 

No total, o chefe do Governo tem 11 secretárias pessoais que recebem um salário superior a 1800 euros, o que dá uma despesa mensal de 20.700 euros.

Onze secretárias! Menos que motoristas apesar de tudo...

Perguntem ao Soares dos Santos da Jerónimo Martins quantas secretárias tem. Ou à Merkel...
Por causa destas e doutras, depois não se admirem muito com este fenómeno...

Em TEMPO: 

O líder parlamentar do PS garante que as quatro novas viaturas ao serviço dos deputados socialistas vão custar 3700 euros por mês (44.400 euros por ano) em vez dos 210 mil noticiados hoje pelo "Jornal de Notícias".

Portanto, uma pechincha. Os carros é que são mesmo necessários porque um grupo parlamentar é sempre um grupo parlamentar e as deslocações em serviço são muitas ( de casa para a A.R. e de volta) e não podem andar de transportes públicos. Onde é que já se viu  uma coisa dessas? Na Inglaterra? Ah! Mas esses são uns bárbaros...

quarta-feira, outubro 10, 2012

Paulo Campos vs Vale e Azevedo

Paulo Campos está na SIC-N a responder a José Gomes Ferreira a questões sobre as PPP rodoviárias.

Há minutos passou Vale e Azevedo a falar da sua ordália judicial, vitimizando-se . O discurso de ambos é muito semelhante e no estilo quem fica a ganhar é...Vale e Azevedo.

Para além disto e mais a sério, José Gomes Ferreira perguntou-lhe olhos nos olhos se tinha rendimentos para além dos que aufere como deputado; se tem contas em offshores; se estaria à vontade em caso de lhe escutarem conversas particulares; se careceria de apoio de alguém em caso de perder o emprego e outras questões pessoais a que Paulo Campos respondeu de modo seráfico e sem grande hesitação: nada aos costumes. E até disse mais: tem 47 anos e que os seus pais o ajudam com a educação dos filhos. E disse ainda outra coisa muito interessante, porventura a mais interessante de tudo quanto disse: que antes de aceitar o cargo rodeou-se de muitos cuidados para perceber se teria alguma incompatibilidade com as empresas relativamente às quais teria de lidar como governante. Portanto, Paulo Campos é um indivíduo muito cuidadoso.

Fico a saber. Mas José Gomes Ferreira ainda lhe perguntou se teve a noção de estar a favorecer algum dos beneficiários dos contratos de PPP. Que não, respondeu.
Fico impressionado.
Como já escrevi Paulo Campos parece-me um indivíduo perturbado. Mas presumo-o inocente. A sério.Quando se chega a este ponto tem de ser mesmo a sério.




O Público agoniza mas a direcção syriza

Expresso:

Os trabalhadores do jornal "Público" decidiram, em plenário, mandatar os sindicatos para iniciar um processo de greve em resposta ao despedimento colectivo acordado entre a direcção editorial e a administração. 
Para os funcionários, os despedimentos propostos põem em causa a continuidade do diário da Sonaecom. 
"Este despedimento inviabiliza a continuidade do Público enquanto órgão de comunicação social de referência", lê-se num comunicado, publicado no site do jornal, assinado pelo Conselho de Redacção e pela Comissão de Trabalhadores. 
Noutro comunicado, também publicado no site, a direcção editorial defende que as "poupanças temporárias" feitas nos últimos tempos são "insuficientes para inverter a tendência de prejuízos crescentes". 

O jornal Público tinha e tem condições para ser o melhor jornal português e vender mais que o Correio da Manhã ou o Jornal de Notícias. Nunca o conseguiu e não é por estes jornais serem o que melhor se aproxima daquilo que vulgarmente se chama jornalismo tablóide.
O Correio da Manhã faz um jornalismo que interessa às pessoas ler ao relatar as notícias do quotidiano: os assaltos, os homicídios, as burlas, as vigarices, os fenómenos sociais e alia tudo isso a uma escrita descomplexada e simplificada, com grandes fotos, maiores que as notícias. O Público, mesmo quando trata estes assuntos redige as notícias como se fossem artigos de fundo, mas sem lume nos caracteres. Não é a carne do Guardian nem o peixe do Sun. É apenas papel de embrulho de notícias que não se distinguem das do Diário do jornalista desportivo Marcelino.
Sobre notícias locais, de acontecimentos locais do dia anterior, o Público muitas vezes nem noticia em semi-breves e faz jornalismo sustenido.
Quando começou, no início dos anos noventa, o Público tinha uma rede de jornalistas locais em diversas cidades que escreviam sobre esses assuntos. Recrutou-os noutros jornais, como o Jornal de Notícias que sempre foi um jornal com notícias que interessavam aos leitores das localidades e assim o jornal durante alguns anos conseguiu simular o que o Jornal de Notícias sempre fez bem. Mas apenas isso, simular, porque nunca conseguiu lograr esse objectivo e sempre pelo mesmo motivo: peneiras a mais para substância a menos.

O Público, nos últimos anos, com esta direcção após a saída de José Manuel Fernandes, piorou significativamente porque se converteu num jornal esquerdista sem margem de pluralismo a não ser nas opiniões avulsas de alguns comentadores, aliás os melhores do jornal ( Rui Ramos, Vasco Pulido Valente e Pedro Lomba).
A escolha de notícias do Público, o modo como as redigem e a arrumação gráfica das mesmas não convence o público natural que deveria comprar o jornal: as pessoas com alguma formação académica e que não se contentam com as notícias do Correio da Manhã e do Jornal de Notícias.

O Público com esta direcção actual só perdeu leitores e não foi apenas por causa da crise económica como se calhar pretendem justificar. Perdeu por causa de um fenómeno muito simples de entender: a direcção do jornal não serve o público leitor.
Tal como as equipas de futebol, é altura de o jornal mudar de treinador, digo de direcção.  

Como tal não parece vir a suceder porque o soviete do Público actua como se estivesse em 1975, o resultado é fácil de prever: fim do jornal a breve trecho.
Podem agradecer à direcção e ao soviete. Aos Gaspares,  Leonetes e outros que tais.

O contra-PREC

No rescaldo do 25 de Novembro iniciou-se uma espécie de contra-prec, com o retomar de um assomo de dignidade política e económica. Aquela redundou no bloco central e esta na manutenção do status quo durante mais de uma década. E por causa disso nunca recuperamos a honra perdida do tempo em que crescíamos economicamente, com empresas e empresários dignos de emparelhar com os europeus.
Em 1975 o comunismo conseguiu um objectivo: capar o sistema capitalista e pôr eunucos a mandar no mesmo. Na sequência das nacionalizações a nossa economia ficou quase na totalidade nas mãos do Estado. Que os comunistas queriam controlar também, com a ajuda preciosa da maioria esmagadora dos jornalistas, alguns deles, hoje em dia, reciclados no "socialismo democrático" ou mesmo na dita "direita" que nunca o foi. Esta imagem da Vida Mundial de 1975, a seguir às nacionalizações dá uma imagem do que se passou.


Em seguida, vieram as consequências, em poucos meses. No início de 1976 a política e a ideologia ainda comandavam os assuntos na ordem do dia. Na sequência do 25 de Novembro, Otelo foi preso. Moreira Baptista, um ministro da Informação de Marcelo Caetano, um "fassista", por suposto, foi libertado porque nada lhe encontraram de criminoso para o acusar. O Jornal de Janeiro desse ano indignava-se.


Entretanto, a situação económica tornava-se dramática. Um artigo na Vida Mundial desse ano dá conta do problema: Portugal entre os pobres e sem saída à vista. Dois anos antes tínhamos uma situação económica difícil, mas desafogada. Tivéssemos continuado como fizeram outros povos, com uma descolonização diferente e talvez fôssemos agora um povo que poderia dar lições ao mundo. Assim, andamos de mão estendida à caridade alemã...


E tudo isso porquê? Por causa desta maldita ideologia igualitária e de propósitos funestos com desígnios elevados. O intelectual Eduardo Lourenço, o tal que nessa altura escreveu um livro ironicamente intitulado "O Fascismo nunca existiu", para assegurar que tinha existido, pensava assim sobre a nossa "direita". Triste e lamentável e o mínimo que se pode dizer, porque eram pessoas deste calibre que influenciavam os media e os bem-pensantes da Esquerda in totum. Esta gente fez tão mal ao país que deviam ser condenados ao exílio da palavra publicada, para sempre.


Em resultado prático destas belíssimas ideias teóricas, em 1976 já tínhamos este panorama económico- e a piorar cada vez mais...




Ainda assim, o brilhante pai da democracia ( se não se tivesse mexido a liderar a manifestação da Fonte Luminosa corria do risco de ser preso pelos comunistas porque a revolução costuma comer os seus filhos...) ainda achava, em 4.3.1977, que afinal não estávamos tão mal como isso...

Isso apesar de o seu ministro das Finanças, Medina Carreira, já então lúcido mas inconsequente, ter dito claramente ao O Jornal de 3.2.77 que estávamos como hoje...


Soares pouco se ralava com isso e então como agora, já pensava que "O dinheiro fabrica-se quando é preciso"...e por isso a nossa situação económica, para os anos vindouros estava traçada, como se escrevia no O Jornal de 6.5.77. 

Perante esta situação, as pessoas começaram a olhar noutras direcções e o PSD de Sá Carneiro também, tendo aí começado o actual regime- o bloco central que tem governado Portugal nas últimas décadas.


Para tal tornava-se imperioso desfazer o que o PREC tinha feito. Tarefa impossível como se pode ler por esta notícia de O Jornal de Julho de 1977. O PCP continuava a marcar a agenda político-ideológica e a "Lei Barreto" tornou-se lei celerada. A primeira de muitas que se seguiriam e que apesar disso nunca conseguiram repôr a situação anterior. É muito mais fácil destruir uma Economia do que pô-la a funcionar e isso sabem-no muito bem os adeptos do "quanto pior, melhor".


Quem continuava a mandar na situação político-económica do país era este senhor e o partido comunista através das leis e da Constituição que ordenava que tomássemos o caminho da sociedade sem classes que o mesmo queria.
Toda e qualquer mexida nessas leis eram atentados à democracia e faziam renascer o perigo do "fascismo".
E não havia volta a dar-lhe, como se pode ler por esta entrevista do final do ano de 1977.




Assim, o mesmo Mário Soares que tinha visto a luz ao fundo do túnel em Março, acabou por apertar um pouco mais o cinto em Agosto de 1977, conforme se lê. Sem qualquer vergonha, tal como agora não tem.

O mesmo Medina Carreira que tinha sido seu ministro das Finanças no primeiro governo Constitucional, em 3.2.1878 dava uma entrevista ao O Jornal em que traçava um panorama cada vez mais negro da nossa economia.
Assim, durante o ano de 1978 a situação piorou e o cenário no começo de 1979 ( O Jornal de 12.1.79) era este que até um certo Nuno Crato que militava na UDP, adivinhava: eleições.
Em 1979 começou a AD porque os portugueses estavam fartos daquele trampolineiro político que só se aguentou estes anos todos porque a alternativa comunista não era viável e os comunistas deram-lhe sempre a mão, porque afinal de contas são da mesma família e sempre que o mesmo precisa lembra-lhes tal facto. Foi e tem sido esse o nosso drama. Soares só concordou com a alteração constitucional já em finais dos anos oitenta...portanto se alguém tem culpa da nossa actual situação económica é bom lembrar quem nos lançou para este caminho da sociedade sem classes...em nome da igualdade e contra o capitalismo.



Ah! E já me esquecia da anedota: em Janeiro de 1977 ( O Jornal de 28.1.1977) deixou entrar a Coca-Cola em Portugal e pela primeira vez alguns puderam provar a "água suja do imperialismo". Em Espanha há muito que havia disso...

E já me esquecia de outra coisa, ainda: foi nessa altura, em Março de 1978 ( O Jornal de 14.3.1978) que António Arnaut e a Maçonaria criaram o SNS, uma das conquistas do pós-Abril que deveria ter funcionado melhor se os tais "exploradores da medicina" tivessem sido melhor controlados. Em vez disso puseram três administradores em cada hospital a ganhar ordenados de gestores de sucesso e deixaram os farmacêuticos a fazer o que queriam com os hospitais e os médicos a ganhar horas extras por trabalho em serviço. É o melhor exemplo do que uma boa medida pode tornar-se quando estes líricos se encarregam de a aplicar. 

 

terça-feira, outubro 09, 2012

Ana Lourenço, socialista tendência xuxa


Esta moça, já quarentona e às vezes com muito bom aspecto, é "pivot" na SIC-N. O seu ofício é apresentar notícias com a sobriedade exigida. Neste aspecto cumpre muito bem. Também o deve fazer com isenção, escolhendo as notícias que sejam objectivas para com os partidos que se encontram em situação de poder, sem optar por aquelas que podem favorecer ou desfavorecer os seus adversários conjunturais, evitando a todo o custo entrar no aberto jogo político.
A dita moça, já quarentona e às vezes com muito bom aspecto não sabe fazer tal coisa. É sectária quando lhe convém, parcial sempre que preciso se torna e joga politicamente a favor do PS, sempre.

É por isso uma desgraça para quem vê a SIC-N porque um jornalista partidário é a coisa mais profissionalmente abjecta que pode haver no jornalismo a sério.

A dita moça, já quarentona e às vezes com muito bom aspecto, como não sabe ser jornalista devia tornar-se comentadora com emblema partidário na lapela: do PS, da Esquerda em geral e até do Bloco.
Assim todos saberiam que os fretes noticiosos tinham um objectivo claro.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso