Observador:
440 milhões no Novo Banco (que herdou os ativos “bons” do BES) e 230 milhões de euros no BCP. Estes são, segundo o Público desta segunda-feira, os valores dos “buracos” deixados nos dois bancos pela Ongoing, a empresa de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora que colaborou com o BES no reforço do controlo na Portugal Telecom e na construção de uma rede de influências na política, economia, comunicação social e até ligações aos serviços secretos.
O jornal adianta que 55% da injeção feita
recentemente pelo Fundo de Resolução (no total, quase 800 milhões de
euros) no Novo Banco diz respeito ao reconhecimento da
irrecuperabilidade da maior parte desta dívida. Essa injeção foi feita
através de empréstimo público ao Fundo de Resolução, que só será
reembolsado ao fim de várias décadas por parte dos outros bancos a
operar em Portugal.
O valor dos “calotes” não inclui alguns milhões que se conseguiram
através de penhoras (imóveis, ações da Pharol, etc.) e, por outro lado,
não contam com as anulações de juros que foram feitas. A Ongoing, cujas
dívidas aos dois bancos chegaram a ascender a 785 milhões de euros, incumpriu com 80% dos créditos que recolheu junto destas duas instituições: BES e BCP.
Nuno
Vasconcellos e Rafael Mora, enquanto empresários, marcaram uma curta
mas decisiva era da economia portuguesa, antes da crise financeira, do
resgate da troika e do colapso do BES e da Portugal Telecom.
Assim que os mercados se fecharam e a PT deixou de distribuir generosos
dividendos, virou-se a sorte da empresa que foi dona do Diário Económico
e teve mais de 6% da Impresa (dona da SIC/Expresso).
Nuno
Vasconcellos tinha, também, créditos a nível pessoal no BCP, mas o
Expresso noticiou que quando o banco tentou executar essas dívidas o
empresário não tinha em seu nome mais do que uma mota de água.
Este Vasconcellos, nominalmente, de seu, tem nada. Realmente, terá milhões que lhe bastam para viver como quer.
Provavelmente não tem dívidas pessoais, mesmo em reversão, ao fisco. Impugnações paulianas também não deve conhecer tal coisa.
Como é que isto pode suceder? Com as leis que temos e a justiça que as aplica, apenas e tão só.
Como é que isto foi possível?
Com um código civil, um penal, um comercial e um processo que temos.
O Direito português protege estas situações insuportáveis para o senso comum.
segunda-feira, junho 25, 2018
domingo, junho 24, 2018
Feira do livro de 1974
A primeira feira do livro depois de 25 de Abril de 1974 decorreu no mês de Junho desse ano. Seria natural que na primeira feira desse género após a abolição da censura a diferença relativamente a certames anteriores, ainda no tempo do fassismo, fosse evidente e notória. Parece que não. Apesar da mostra de livros "proibidos" a maioria das pessoas não se deixou impressionar pelas obras "proibidas" de Ross Pynn, pseudónimo de Roussado Pinto ( com ilustrações de Carlos Alberto Santos, falecido há poucos anos) ou as edições avulsas de livros sobre sexualidade.
A revista Flama na edição de 21 de Junho inquiriu ao acaso várias pessoas que repetiram não ser essa Feira do livro muito diferente das anteriores...
Também estive nessa feira, nesse ano e não me lembro de nada de especial. Fui ver se tinha livros comprados nessa Feira e encontrei um: A Tirania Psicológica, de Andrea Devoto, da Colecção BAB ( biblioteca Arcádia de bolso) da Arcádia, sem data. Ignoro se era um "livro proibido", mas julgo que não.
A revista Flama na edição de 21 de Junho inquiriu ao acaso várias pessoas que repetiram não ser essa Feira do livro muito diferente das anteriores...
Também estive nessa feira, nesse ano e não me lembro de nada de especial. Fui ver se tinha livros comprados nessa Feira e encontrei um: A Tirania Psicológica, de Andrea Devoto, da Colecção BAB ( biblioteca Arcádia de bolso) da Arcádia, sem data. Ignoro se era um "livro proibido", mas julgo que não.
sábado, junho 23, 2018
A carga fiscal de 1973
Da revista Vida Mundial de 12.1.1973, um resumo do sistema de impostos, antes de 25 de Abril de 1974. Portugal tinha, para além das despesas públicas clássicas, o acrescento derivado da guerra no Ultramar que reconhecidamente, nessa altura consumia uma parte substancial do Orçamento (cerca de 40% ) de tal modo que a Oposição esquerdista da época ( Mário Soares já incluído)proclamava que se acabasse a "guerra colonial" a nossa prosperidade estaria assegurada.
Tanto esteve que dois anos depois de 1974, tínhamos a primeira bancarrota em mais de 40 anos. Nunca o Estado, durante o tempo de Salazar e Caetano teve que mendigar apoio financeiro internacional a bancos estrangeiros ou a um qualquer FMI. Depois foi sempre a dever e já atingimos um record. Chama-se a isso combater a austeridade...
Ah! E pagávamos então menos impostos que actualmente.
Tanto esteve que dois anos depois de 1974, tínhamos a primeira bancarrota em mais de 40 anos. Nunca o Estado, durante o tempo de Salazar e Caetano teve que mendigar apoio financeiro internacional a bancos estrangeiros ou a um qualquer FMI. Depois foi sempre a dever e já atingimos um record. Chama-se a isso combater a austeridade...
Ah! E pagávamos então menos impostos que actualmente.
sexta-feira, junho 22, 2018
quarta-feira, junho 20, 2018
1700 euros por mês... quem ganha tanto?
Sol/Sapo:
A atriz Lourdes Norberto, de 83 anos, falou sobre a sua reforma e queixa-se de que tem de continuar a trabalhar para poder ter dinheiro extra, compondo assim a sua reforma de 1700 euros para poder "comprar um vestidinho" ou "fazer uma coisa qualquer".
Mas isto porque a atriz afirma que não quer deixar de ter qualidade de vida. "Não prescindi de uma data de coisas, como ter empregada, porque também já não posso e não gosto de fazer nada em casa".
"Bolas, há pessoas que vivem com muito menos do que eu e eu tenho uma grande consideração por essas pessoas, mas não há dúvida nenhuma que o dinheiro hoje em dia vai-se", refere a atriz, sublinhando que não gosta "de fazer nada em casa". "Sou péssima dona de casa, Tenho uma empregada há 34 anos que ajuda em tudo", revelou em declarações à revista TV7 Dias.
A atriz Lourdes Norberto, de 83 anos, falou sobre a sua reforma e queixa-se de que tem de continuar a trabalhar para poder ter dinheiro extra, compondo assim a sua reforma de 1700 euros para poder "comprar um vestidinho" ou "fazer uma coisa qualquer".
Mas isto porque a atriz afirma que não quer deixar de ter qualidade de vida. "Não prescindi de uma data de coisas, como ter empregada, porque também já não posso e não gosto de fazer nada em casa".
"Bolas, há pessoas que vivem com muito menos do que eu e eu tenho uma grande consideração por essas pessoas, mas não há dúvida nenhuma que o dinheiro hoje em dia vai-se", refere a atriz, sublinhando que não gosta "de fazer nada em casa". "Sou péssima dona de casa, Tenho uma empregada há 34 anos que ajuda em tudo", revelou em declarações à revista TV7 Dias.
Baratas e percevejos da internet
Conforme alguns comentadores se deram conta, neste blog e de há uns tempos a esta parte apareceram um ou dois "insectos" que ocupam em tempo continuado a caixa de comentários. Insectos em modo informático são "bugs", anglicismo para baratas e percevejos metafóricos que se ocupam em sujar um espaço que em princípio é de quem se regista no Google para comentar o que lhe aprouver segundo regras não escritas mas por todos conhecidas: ater-se ao assunto do postal, não incomodar desnecessariamente outros comentadores e contribuir para uma eventual discussão sadia e livre de interferências rastejantes, dignas de baratas e percevejos.
O critério é do dono da casa, claro está. E os comentadores se não forem desse género percebem geralmente os recados e afastam-se. São pessoas educadas as que o fazem. Quem não participa dessa qualidade assumindo a de insecto, a partir de certo momento, não tendo qualquer limitação moral ou de costumes, infesta e volta a infestar, tomando conta do caixa de comentários, parasitando-a.
Para estes bugs, tal como na vida real, poucas medidas eficazes se podem tomar nestes sítios do Blogger. Apagar comentários indesejáveis, exterminando-os, prerrogativa do administrador do sítio ou impedir os comentários pura e simplesmente, é o que resta fazer.
Não sendo essa a política da casa, só em último caso se tomam tais medidas drásticas.
Assim, o apelo é simples: quem é apodado de insecto, por se comportar como tal, nessa acepção informática, que se afaste porque se tornou indesejável. Não tem o direito de comentar livremente quem hostiliza permanentemente o administrador do sítio, em modo provocatório e sem qualquer resquício de educação básica, só porque não concorda com as ideias e posições políticas ou outras. Há um modo alternativo de actuar para quem não tem princípios de educação: monta uma tasca na internet e larga aí a baba ou os escarros que entender, se sair daquela condição. Mas não na caixa de comentários dos outros.
O critério é do dono da casa, claro está. E os comentadores se não forem desse género percebem geralmente os recados e afastam-se. São pessoas educadas as que o fazem. Quem não participa dessa qualidade assumindo a de insecto, a partir de certo momento, não tendo qualquer limitação moral ou de costumes, infesta e volta a infestar, tomando conta do caixa de comentários, parasitando-a.
Para estes bugs, tal como na vida real, poucas medidas eficazes se podem tomar nestes sítios do Blogger. Apagar comentários indesejáveis, exterminando-os, prerrogativa do administrador do sítio ou impedir os comentários pura e simplesmente, é o que resta fazer.
Não sendo essa a política da casa, só em último caso se tomam tais medidas drásticas.
Assim, o apelo é simples: quem é apodado de insecto, por se comportar como tal, nessa acepção informática, que se afaste porque se tornou indesejável. Não tem o direito de comentar livremente quem hostiliza permanentemente o administrador do sítio, em modo provocatório e sem qualquer resquício de educação básica, só porque não concorda com as ideias e posições políticas ou outras. Há um modo alternativo de actuar para quem não tem princípios de educação: monta uma tasca na internet e larga aí a baba ou os escarros que entender, se sair daquela condição. Mas não na caixa de comentários dos outros.
terça-feira, junho 19, 2018
A droga em Portugal apareceu nos anos setenta
Na sequência deste artigo de Helena Matos no Observador, sobre o fenómeno da droga em Portugal parece-me ter algum interesse acrescentar algo sobre o assunto, com os recortes da praxe.
A droga, seja haxixe, lsd, heroína e mais tarde cocaína, foi sempre um atributo ligado à música popular. Antes dos anos sessenta houve casos de droga e abuso dessas substâncias na música popular, designadamente o jazz. Charlie Parker é o melhor exemplo.
Porém, a droga tornou-se visível e até escandalosa durante os anos sessenta, com os Beatles, os Rolling Stones e muitos outros .John Lennon teve problemas com drogas. Paul McCartney, idem. Keith Richards, nem se fala.
Em Portugal os media deram conta do fenómeno ligando-o aos "hippies", mesmo quando esta fauna já tinha desaparecido há anos das ruas de certas cidades americanas.
Como mostrava o Século Ilustrado, em 9 de Março de 1968, estudantes da Escola António Arroio celebraram o carnaval assim, com um arremedo folclórico dos hippies de S. Francisco quando a ária da cançoneta pop San Francisco ( be sure to wear some flowers in your hair) de Scott McKenzie ainda soava em discos riscados.
Esta imagem da mesma revista de 13.7.1970 mostra um cenário muito semelhante ao que ocorreu no ano seguinte em Vilar de Mouros, ressalvadas as diferenças entre a ilha de Wight ( Wight is Wight, Dylan is Dylan, cantava Michel Delpech numa cantiguinha que adorava ouvir) e o ambiente bucólico da aldeia do Alto Minho.
O espírito, porém, era o mesmo, ligado à música popular e inevitavelmente as drogas entravam nesse cenário, embora nos bastidores e em modo restrito.
A primeira vez que dei conta do problema como assunto sério e de saúde pública, como aliás se veio a tornar anos mais tarde, foi nas páginas da revista francesa Paris Match que comprei em Junho de 1970 por causa da capa e do assunto: trazia alguns jogadores do Brasil ( Tostão, Rivelino e Pelé) no campeonato do Mundo de futebol desse ano, sempre empolgante e ainda mais porque se seguiu ao de 1966, embora Portugal ficasse de fora. O Brasil era então a nossa equipa e ganhou o Tri.
A revista que guardei já não tem capa há muitos anos, nem sequer a meia dúzia de páginas sobre o futebol desse ano, mas estas duas páginas impressionaram-me porque mostravam um mundo que em 1970 ainda era estranho em Portugal:
Em finais desse ano morreram, quase em seguida uns aos outros, Jimi Hendrix, Janis Joplin e em 1971, Jim Morrison, dos Doors, todos relacionadas com abuso de substâncias, drogas e álcool. Todos na casa dos vintes.
A produção musical da pop/rock, nessa época, era tão rica que o desaparecimento desses ícones da melhor música popular não teve o relevo, por cá, como poderia ter.
Nos EUA foram capa da Rolling Stone, em dois números seguidos de Outubro de 1970 e depois em Agosto de 1971:
Em Portugal isto foi conhecido, porque a imprensa falava no assunto. Não em parangonas por causa de outros assuntos que as ocupavam mas em referências, inclusivé às drogas.
Em 6 de Novembro de 1970, o Diário Popular tinha uma pequena nota sobre o assunto na página dedicada à música pop, semanal:
A revista mensal Mundo da Canção, surgida no final de 1969 publicou estas notinhas no número 11 de Outubro de 1970 e no número seguinte: "Janis Joplin não morreu drogada", informava a revista. Morreu por causa do álcool...e Jimi Hendrix foi o "inventor do pop psicadélico". Sobre as drogas, moita carrasco.
Em 4.12.1970 a revista Flama publicitou um disco que fazia uma resenha dos anos sessenta e que muito me impressionou na época, pelo modernismo gráfico da ilustração. Já lá aparecia o LSD e outra droga fatal que agarrou alguns que agora escrevem no Observador depois de terem feito uma desintoxicação: o "livrinho vermelho" de Mao
Aquando da morte de Jim Morrison, em Paris ( está sepultado no Père Lachaise, numa campa apertada, junta a outras que já vi e fotografei) a Mundo da Canção de Setembro de 1971 apresentou um artigo perfeitamente cripto-comunista ( cita profusamente Marcuse, um relapso de Maio de 68) que a Censura deixou passar:
A revista Rock&Folk francesa fazia melhor com esses obituários, em Janeiro de 1971:
No Verão de 1971 houve o festival de Vilar de Mouros e a droga já era assunto conhecido. Porém, só no ano seguinte assumiu a feição de problema público com os tais cartazes da "Droga, loucura, morte", estúpidos porque demasiado alarmistas e portanto contra-producentes.
A revista Século Ilustrado publicou na mesma altura um número especial dedicado às drogas e informativo qb, com ilustração e que já foi aqui mostrada.
Em 27 de Maio de 1972 o Século Ilustrado publicou uma reportagem não assinada sobre a droga...em Goa!
Não entendi e continuo a não entender...
Em 1975, surgiu nos escaparates um livro estranhíssimo, escrito com os pés por um sujeito que já morreu e se dedicava o jazz de vanguarda e música electrónica, no Porto: Jorge Lima Barreto. O livro era integralmente uma apologia da droga e comprei-o em Outubro de 1975.
Cheguei-o a emprestar a um amigo de infância que se tinha tornado drogado, vindo de Moçambique na onda de retornados. Já morreu há uns anos e apesar de não ter sido por causa da droga, mas de acidente de viação, esteve preso durante vários anos por tráfico. Hoje nunca cumpriria pena de prisão efectiva porque era um simples traficante-consumidor. Dizia que em Moçambique, nesse tempo dos anos setenta, a "liamba" era de consumo livre.
Mas em 1977 a lei da droga não era idêntica à que surgiu em 1993 e que é a que ainda hoje se aplica, com resultados salteados. Quem a conhece bem são os ciganos e os seus advogados...
A droga, seja haxixe, lsd, heroína e mais tarde cocaína, foi sempre um atributo ligado à música popular. Antes dos anos sessenta houve casos de droga e abuso dessas substâncias na música popular, designadamente o jazz. Charlie Parker é o melhor exemplo.
Porém, a droga tornou-se visível e até escandalosa durante os anos sessenta, com os Beatles, os Rolling Stones e muitos outros .John Lennon teve problemas com drogas. Paul McCartney, idem. Keith Richards, nem se fala.
Em Portugal os media deram conta do fenómeno ligando-o aos "hippies", mesmo quando esta fauna já tinha desaparecido há anos das ruas de certas cidades americanas.
Como mostrava o Século Ilustrado, em 9 de Março de 1968, estudantes da Escola António Arroio celebraram o carnaval assim, com um arremedo folclórico dos hippies de S. Francisco quando a ária da cançoneta pop San Francisco ( be sure to wear some flowers in your hair) de Scott McKenzie ainda soava em discos riscados.
Esta imagem da mesma revista de 13.7.1970 mostra um cenário muito semelhante ao que ocorreu no ano seguinte em Vilar de Mouros, ressalvadas as diferenças entre a ilha de Wight ( Wight is Wight, Dylan is Dylan, cantava Michel Delpech numa cantiguinha que adorava ouvir) e o ambiente bucólico da aldeia do Alto Minho.
O espírito, porém, era o mesmo, ligado à música popular e inevitavelmente as drogas entravam nesse cenário, embora nos bastidores e em modo restrito.
A primeira vez que dei conta do problema como assunto sério e de saúde pública, como aliás se veio a tornar anos mais tarde, foi nas páginas da revista francesa Paris Match que comprei em Junho de 1970 por causa da capa e do assunto: trazia alguns jogadores do Brasil ( Tostão, Rivelino e Pelé) no campeonato do Mundo de futebol desse ano, sempre empolgante e ainda mais porque se seguiu ao de 1966, embora Portugal ficasse de fora. O Brasil era então a nossa equipa e ganhou o Tri.
A revista que guardei já não tem capa há muitos anos, nem sequer a meia dúzia de páginas sobre o futebol desse ano, mas estas duas páginas impressionaram-me porque mostravam um mundo que em 1970 ainda era estranho em Portugal:
A produção musical da pop/rock, nessa época, era tão rica que o desaparecimento desses ícones da melhor música popular não teve o relevo, por cá, como poderia ter.
Nos EUA foram capa da Rolling Stone, em dois números seguidos de Outubro de 1970 e depois em Agosto de 1971:
Em Portugal isto foi conhecido, porque a imprensa falava no assunto. Não em parangonas por causa de outros assuntos que as ocupavam mas em referências, inclusivé às drogas.
Em 6 de Novembro de 1970, o Diário Popular tinha uma pequena nota sobre o assunto na página dedicada à música pop, semanal:
A revista mensal Mundo da Canção, surgida no final de 1969 publicou estas notinhas no número 11 de Outubro de 1970 e no número seguinte: "Janis Joplin não morreu drogada", informava a revista. Morreu por causa do álcool...e Jimi Hendrix foi o "inventor do pop psicadélico". Sobre as drogas, moita carrasco.
Em 4.12.1970 a revista Flama publicitou um disco que fazia uma resenha dos anos sessenta e que muito me impressionou na época, pelo modernismo gráfico da ilustração. Já lá aparecia o LSD e outra droga fatal que agarrou alguns que agora escrevem no Observador depois de terem feito uma desintoxicação: o "livrinho vermelho" de Mao
Aquando da morte de Jim Morrison, em Paris ( está sepultado no Père Lachaise, numa campa apertada, junta a outras que já vi e fotografei) a Mundo da Canção de Setembro de 1971 apresentou um artigo perfeitamente cripto-comunista ( cita profusamente Marcuse, um relapso de Maio de 68) que a Censura deixou passar:
A revista Rock&Folk francesa fazia melhor com esses obituários, em Janeiro de 1971:
No Verão de 1971 houve o festival de Vilar de Mouros e a droga já era assunto conhecido. Porém, só no ano seguinte assumiu a feição de problema público com os tais cartazes da "Droga, loucura, morte", estúpidos porque demasiado alarmistas e portanto contra-producentes.
A revista Século Ilustrado publicou na mesma altura um número especial dedicado às drogas e informativo qb, com ilustração e que já foi aqui mostrada.
Em 27 de Maio de 1972 o Século Ilustrado publicou uma reportagem não assinada sobre a droga...em Goa!
Não entendi e continuo a não entender...
Em 1975, surgiu nos escaparates um livro estranhíssimo, escrito com os pés por um sujeito que já morreu e se dedicava o jazz de vanguarda e música electrónica, no Porto: Jorge Lima Barreto. O livro era integralmente uma apologia da droga e comprei-o em Outubro de 1975.
Cheguei-o a emprestar a um amigo de infância que se tinha tornado drogado, vindo de Moçambique na onda de retornados. Já morreu há uns anos e apesar de não ter sido por causa da droga, mas de acidente de viação, esteve preso durante vários anos por tráfico. Hoje nunca cumpriria pena de prisão efectiva porque era um simples traficante-consumidor. Dizia que em Moçambique, nesse tempo dos anos setenta, a "liamba" era de consumo livre.
Mas em 1977 a lei da droga não era idêntica à que surgiu em 1993 e que é a que ainda hoje se aplica, com resultados salteados. Quem a conhece bem são os ciganos e os seus advogados...
domingo, junho 17, 2018
Ricos, pobres e remediados
Ao ler uma crónica de João Pereira Coutinho no CM de hoje, procurei no jornal outras notícias sobre o fenómeno apontado, ou seja a condição económica dos portugueses.
Segundo o que se escreve não temos hipóteses de singrar na vida senão por dois modos: pela sorte, rara e intangível ou pela manha em conseguir chuchar na teta do Estado o mais que for possível e pelo maior tempo que a habilidade permitir, através de grupos de tráficos de influências, mesmo ideológicas, adeptos do quanto maior Estado melhor estadão.
No mesmo jornal aparece uma entrevista a Maria Filomena Mónica que fala de um seu livro recente sobre "os ricos" em Portugal, os antigos e os novos. Uma das afirmações dela versa um mito muito espalhado entre estes cripto-jacobinos: que os ricos do Estado Novo só o foram porque o Estado os acaparou, através do "condicionamento industrial" e outras balelas ( "o proteccionismo alfandegário que lhes garantia poderem vender os seus produtos por preços superiores aos dos produtos importados") de quem olha o dedo que aponta à lua sem perceber a finalidade. Sociólogos de pacotilha dos anos sessenta...que não entendem sequer como é que o desaparecimento desses ricos provocou directamente o empobrecimento e a bancarrota do país. Por duas, três vezes, depois do tal "condicionamento industrial". Se houve ocasião para tal "condicionamento" foi depois de abate desses ricos ao efectivo, no PREC que estes sociólogos também apoiaram. E deu no que deu. Tudo nacionalizado. A riqueza toda nossa. Os bancos e os seguros que passaram a ser do povo e não desses ricos e deu em bancarrota. Onde pára a inteligência básica destes "sociólogos"? É assim, como agora se diz: " Não incluí banqueiros entre os ricos que seleccionei para o meu livro, não por ter medo deles, mas porque a banca é um sector demasiado complicado para sobre ele escrever competentement. Nem sei o que é uma offshore". Mas sabe o que foi o "condicionamento industrial, esta pateta...
Sobre este assunto do "condicionamento" e "proteccionismo" e sobre outras matérias, vidè esta parte da entrevista de Champalimaud ao O Diabo de 13.2.1979 já aqui publicada. Muito instrutiva e destrutiva dos mitos e lêndeas que aquela propaga. Champalimaud é um dos ricos visados mas a autora não percebeu quem foi e o que representou:
Assim,para perceber como se fazem à vida os que ambicionam ser também próximos dos ricos, aqueles que os combatem e deles têm inveja, hoje, temos este exemplo do jornal:
Aquelas três personagens serviriam para uma antologia deste fenómeno. A da esquerda, ministra que veio da Angola que ainda era nossa, irmã de um terrorista ideológico abatido pelo regime que ficou, por pretender associar-se ao comunismo soviético, ganhou a vida como magistrada e casou com um advogado, daqueles que se encostam ao Estado nos "ajustes directos". É milionária, naturalmente. O da direita é um antigo esquerdista empedernido, um pindérico, naturalmente, que logrou fixar com voz grossa um rendimento mensal como bastonário da Ordem logo que foi eleito, equiparado ao dos magistrados de topo. Foi a primeira vez que tal sucedeu porque antes, os advogados que lá tinham estado não precisavam do salário. Tinham outros, nos escritórios de que faziam parte. O dito ainda lhe saiu a sorte grande, rara, porque se associou a delinquentes e formaram um partido que conseguiu enganar os votantes e seguir para Bruxelas onde vive como um rico, continuando na mesma pindérico.O Sócrates é o seu herói e está tudo dito.
Como se vê, o do meio, este que agora lá está, também não lhe chega o que ganha. Pudera, olha para o lado e vê os exemplos...
A este também não lhe chega e a notícia é desta semana:
Paulo Marcos, presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancário, acumula o vencimento do Novo Banco com o das suas funções sindicais, tendo ainda nos últimos anos visto os seus encargos com deslocações aumentar.
O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Marcos, recebe por mês cerca de 11 mil euros. Paulo Marcos acumula o vencimento do Novo Banco com o das suas funções sindicais, tendo ainda nos últimos anos visto os seus encargos com deslocações aumentar, avança o jornal “Correio da Manhã”.
Paulo Marcos é o único presidente dos sindicatos que acumula o salário na posição de origem – Novo Banco –com o vencimento na presidência do SNQTB. O jornal indica que o sindicalista aufere cerca de 11 mil euros por mês: cerca de 4 mil do Novo Banco e perto de 7 mil do sindicato. A estes acrescem senhas de presença (algumas no valor de 600 euros) nas várias instituições em que ocupa cargos.
Além disso, Paulo Marcos recebe ainda despesas de representação e de deslocações. Estes registaram acréscimos nos últimos anos, quando comparados com os encargos da anterior gestão. Só os encargos com deslocações subiram de 155 mil euros em 2015 para 237 mil euros.
Para além destes fura vidas, invejosos do sucesso dos ricos que investem e se arriscam a perder, a quem não perdoam o sucesso quando existe, temos estes que querem à viva força sabotar o esforço dos mesmos, também com o desiderato apontado: serem também menos pobres à custa dos ricos que querem tornar pobres, num paradoxo insolúvel que nunca entenderam:
Por outro lado os protectores de toda esta classe de invejosos sociais, são estes:
Repare-se na habilidade contabilística, digna de um Joe Berardo e de um Santos Ferreira, dos tempos da CGD e do BCP: tem um empréstimo obrigacionista de milhões para pagar em Novembro. Não tem dinheiro para tal porque "roma não paga a traidores" e a informação que produzem tem que continuar a ocultar, dissimular e esconder a realidade do país, associando-se aos "populistas" do bairro, estes:
Assim, conseguiram que o banco que deve as penas aos pássaros, daquele sindicalista encartado, lhe fizesse um jeito contabilístico: como andam a fazer uma sede, um edifício que só serve para os albergar naquelas funções de aldrabões da realidade, conseguiram que o tal banco lhes comprasse o edifício, em troca de 24 milhões e pico que é menos do que devem mas já dá para negociar.
Ou seja, o banco fica com a casa da Impresa, esta torna-se arrendatária, paga o tal empréstimo obrigacionista e no fim se sobrar dinheiro, daqui a uns anos, recompra o edifício.
Como se chama isto? O mesmo que Balsemão fez quando fundou a SIC: tentar cobrir o sol com uma peneira. Arranjar um testa de ferro para esconder ao Estado que não poderia fazer o que fez.
A SIC fundou-se numa aldrabice. E continua...pelo que vai parar perto.
Vai aguentar até ao momento em que as pessoas que ainda compram o Expresso e vêem telenovelas quiserem...
Alguém se queixa? A Lourença vai falar nisto com o fradeca Louçã da próxima vez que aparecer no programa? Aquela Fátima Campos Ferreira vai organizar um prós e prós sobre isto? Não.
Os jornalistas são todos pobres sujeitos a "condicionamento mental" e muitos deles continuam invejosos...
Segundo o que se escreve não temos hipóteses de singrar na vida senão por dois modos: pela sorte, rara e intangível ou pela manha em conseguir chuchar na teta do Estado o mais que for possível e pelo maior tempo que a habilidade permitir, através de grupos de tráficos de influências, mesmo ideológicas, adeptos do quanto maior Estado melhor estadão.
No mesmo jornal aparece uma entrevista a Maria Filomena Mónica que fala de um seu livro recente sobre "os ricos" em Portugal, os antigos e os novos. Uma das afirmações dela versa um mito muito espalhado entre estes cripto-jacobinos: que os ricos do Estado Novo só o foram porque o Estado os acaparou, através do "condicionamento industrial" e outras balelas ( "o proteccionismo alfandegário que lhes garantia poderem vender os seus produtos por preços superiores aos dos produtos importados") de quem olha o dedo que aponta à lua sem perceber a finalidade. Sociólogos de pacotilha dos anos sessenta...que não entendem sequer como é que o desaparecimento desses ricos provocou directamente o empobrecimento e a bancarrota do país. Por duas, três vezes, depois do tal "condicionamento industrial". Se houve ocasião para tal "condicionamento" foi depois de abate desses ricos ao efectivo, no PREC que estes sociólogos também apoiaram. E deu no que deu. Tudo nacionalizado. A riqueza toda nossa. Os bancos e os seguros que passaram a ser do povo e não desses ricos e deu em bancarrota. Onde pára a inteligência básica destes "sociólogos"? É assim, como agora se diz: " Não incluí banqueiros entre os ricos que seleccionei para o meu livro, não por ter medo deles, mas porque a banca é um sector demasiado complicado para sobre ele escrever competentement. Nem sei o que é uma offshore". Mas sabe o que foi o "condicionamento industrial, esta pateta...
Sobre este assunto do "condicionamento" e "proteccionismo" e sobre outras matérias, vidè esta parte da entrevista de Champalimaud ao O Diabo de 13.2.1979 já aqui publicada. Muito instrutiva e destrutiva dos mitos e lêndeas que aquela propaga. Champalimaud é um dos ricos visados mas a autora não percebeu quem foi e o que representou:
Assim,para perceber como se fazem à vida os que ambicionam ser também próximos dos ricos, aqueles que os combatem e deles têm inveja, hoje, temos este exemplo do jornal:
Aquelas três personagens serviriam para uma antologia deste fenómeno. A da esquerda, ministra que veio da Angola que ainda era nossa, irmã de um terrorista ideológico abatido pelo regime que ficou, por pretender associar-se ao comunismo soviético, ganhou a vida como magistrada e casou com um advogado, daqueles que se encostam ao Estado nos "ajustes directos". É milionária, naturalmente. O da direita é um antigo esquerdista empedernido, um pindérico, naturalmente, que logrou fixar com voz grossa um rendimento mensal como bastonário da Ordem logo que foi eleito, equiparado ao dos magistrados de topo. Foi a primeira vez que tal sucedeu porque antes, os advogados que lá tinham estado não precisavam do salário. Tinham outros, nos escritórios de que faziam parte. O dito ainda lhe saiu a sorte grande, rara, porque se associou a delinquentes e formaram um partido que conseguiu enganar os votantes e seguir para Bruxelas onde vive como um rico, continuando na mesma pindérico.O Sócrates é o seu herói e está tudo dito.
Como se vê, o do meio, este que agora lá está, também não lhe chega o que ganha. Pudera, olha para o lado e vê os exemplos...
A este também não lhe chega e a notícia é desta semana:
Paulo Marcos, presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancário, acumula o vencimento do Novo Banco com o das suas funções sindicais, tendo ainda nos últimos anos visto os seus encargos com deslocações aumentar.
O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Marcos, recebe por mês cerca de 11 mil euros. Paulo Marcos acumula o vencimento do Novo Banco com o das suas funções sindicais, tendo ainda nos últimos anos visto os seus encargos com deslocações aumentar, avança o jornal “Correio da Manhã”.
Paulo Marcos é o único presidente dos sindicatos que acumula o salário na posição de origem – Novo Banco –com o vencimento na presidência do SNQTB. O jornal indica que o sindicalista aufere cerca de 11 mil euros por mês: cerca de 4 mil do Novo Banco e perto de 7 mil do sindicato. A estes acrescem senhas de presença (algumas no valor de 600 euros) nas várias instituições em que ocupa cargos.
Além disso, Paulo Marcos recebe ainda despesas de representação e de deslocações. Estes registaram acréscimos nos últimos anos, quando comparados com os encargos da anterior gestão. Só os encargos com deslocações subiram de 155 mil euros em 2015 para 237 mil euros.
Para além destes fura vidas, invejosos do sucesso dos ricos que investem e se arriscam a perder, a quem não perdoam o sucesso quando existe, temos estes que querem à viva força sabotar o esforço dos mesmos, também com o desiderato apontado: serem também menos pobres à custa dos ricos que querem tornar pobres, num paradoxo insolúvel que nunca entenderam:
Por outro lado os protectores de toda esta classe de invejosos sociais, são estes:
Repare-se na habilidade contabilística, digna de um Joe Berardo e de um Santos Ferreira, dos tempos da CGD e do BCP: tem um empréstimo obrigacionista de milhões para pagar em Novembro. Não tem dinheiro para tal porque "roma não paga a traidores" e a informação que produzem tem que continuar a ocultar, dissimular e esconder a realidade do país, associando-se aos "populistas" do bairro, estes:
Assim, conseguiram que o banco que deve as penas aos pássaros, daquele sindicalista encartado, lhe fizesse um jeito contabilístico: como andam a fazer uma sede, um edifício que só serve para os albergar naquelas funções de aldrabões da realidade, conseguiram que o tal banco lhes comprasse o edifício, em troca de 24 milhões e pico que é menos do que devem mas já dá para negociar.
Ou seja, o banco fica com a casa da Impresa, esta torna-se arrendatária, paga o tal empréstimo obrigacionista e no fim se sobrar dinheiro, daqui a uns anos, recompra o edifício.
Como se chama isto? O mesmo que Balsemão fez quando fundou a SIC: tentar cobrir o sol com uma peneira. Arranjar um testa de ferro para esconder ao Estado que não poderia fazer o que fez.
A SIC fundou-se numa aldrabice. E continua...pelo que vai parar perto.
Vai aguentar até ao momento em que as pessoas que ainda compram o Expresso e vêem telenovelas quiserem...
Alguém se queixa? A Lourença vai falar nisto com o fradeca Louçã da próxima vez que aparecer no programa? Aquela Fátima Campos Ferreira vai organizar um prós e prós sobre isto? Não.
Os jornalistas são todos pobres sujeitos a "condicionamento mental" e muitos deles continuam invejosos...
sábado, junho 16, 2018
A Censura é Livre
Hoje no Expresso uma recensão crítica a um livro de Rui Tavares sobre a Censura no tempo do Marquês de Pombal é um mimo.
Não li o livro do Livre Tavares mas ao ler estas notas em que se dá conta da Censura do Marquês, como instrumento das Luzes até fico encandeado. O encómio ao Marquês que pôs os jesuítas na alheta e desbastou uma teocracia serôdia, compreendo: os déspotas, mesmo os que defendem um Livre que mais não é do que uma máscara marxista de uma qualquer revolução cultural que já foi leninista, estalinista, trotskista e maoista, gostam do mando em exclusividade. Afeiçoam ditadores que apelidam depois de iluminados, como este Pombal. Só se compreende por um motivo: gostam da Maçonaria e por isso são publicados pela Maçonaria ( Tinta da China, com olho à maneira do cu)
Para me orientar em tal espanto e vergonha fui reler algumas passagens da biografia temática sobre o mesmo Marquês de Pombal, feita por Camilo Castelo Branco na altura do Centenário do indivíduo.
De resto melhor que eu já alguém fez um retrato aprimorado do maçónico déspota que nos atrasou décadas na educação e contribuiu como poucos para o analfabetismo que existia no tempo dos reis e se prolongou para o tempo maçónico da Primeira República. Basta ver aqui este gráfico:
Como escreve Camilo este déspota iluminado, "em 1770 cominava grandes penas a quem possuísse e não entregasse para a fogueira a Analyse de Bayle, o Dcicionaire Philosophique de Voltaire, o Nouveau Dictionaire historique portatif, as Lettres turques, as Oeuvres Philosophiques de la Mettrie, etc. Que desfaçado impostor! Ele lia tudo isso, e esforçava-se por manter o povo nas trevas, receando a reacção da filosofia. Que civilizador, ó Centenistas!"
Deve ser isto, esta Censura iluminada que o tal Livre Tavares chama de "saber". Quem sabe, sabe...
Aqui ficam páginas do livro de Camilo que demonstram o grande Iluminado que foi o tal Marquês que aboliu a escravatura cá mas manteve os seus escravos, incluindo no Brasil onde tinha negócios; expulsou os jesuítas mas manteve a Inquisição e a Tortura, etc etc.
Quanto a este Tavares quem é que lhe subsidia estes escritos imbecis?
Não li o livro do Livre Tavares mas ao ler estas notas em que se dá conta da Censura do Marquês, como instrumento das Luzes até fico encandeado. O encómio ao Marquês que pôs os jesuítas na alheta e desbastou uma teocracia serôdia, compreendo: os déspotas, mesmo os que defendem um Livre que mais não é do que uma máscara marxista de uma qualquer revolução cultural que já foi leninista, estalinista, trotskista e maoista, gostam do mando em exclusividade. Afeiçoam ditadores que apelidam depois de iluminados, como este Pombal. Só se compreende por um motivo: gostam da Maçonaria e por isso são publicados pela Maçonaria ( Tinta da China, com olho à maneira do cu)
Para me orientar em tal espanto e vergonha fui reler algumas passagens da biografia temática sobre o mesmo Marquês de Pombal, feita por Camilo Castelo Branco na altura do Centenário do indivíduo.
De resto melhor que eu já alguém fez um retrato aprimorado do maçónico déspota que nos atrasou décadas na educação e contribuiu como poucos para o analfabetismo que existia no tempo dos reis e se prolongou para o tempo maçónico da Primeira República. Basta ver aqui este gráfico:
Como escreve Camilo este déspota iluminado, "em 1770 cominava grandes penas a quem possuísse e não entregasse para a fogueira a Analyse de Bayle, o Dcicionaire Philosophique de Voltaire, o Nouveau Dictionaire historique portatif, as Lettres turques, as Oeuvres Philosophiques de la Mettrie, etc. Que desfaçado impostor! Ele lia tudo isso, e esforçava-se por manter o povo nas trevas, receando a reacção da filosofia. Que civilizador, ó Centenistas!"
Deve ser isto, esta Censura iluminada que o tal Livre Tavares chama de "saber". Quem sabe, sabe...
Aqui ficam páginas do livro de Camilo que demonstram o grande Iluminado que foi o tal Marquês que aboliu a escravatura cá mas manteve os seus escravos, incluindo no Brasil onde tinha negócios; expulsou os jesuítas mas manteve a Inquisição e a Tortura, etc etc.
Quanto a este Tavares quem é que lhe subsidia estes escritos imbecis?
sexta-feira, junho 15, 2018
15 anos depois, o jornaleirismo continua igual
Atente-se neste escrito de Bárbara Reis, agora cronista do Público depois de o dirigir durante uns tempos.
O que é que diz aqui uma jornalista que se notabilizou em causas de esquerda, cumprindo os preceitos de Gramsci?
Em primeiro lugar que Paulo Pedroso era, à data do processo Casa Pia, um predestinado do PS. O processo foi o seu Waterloo e é legítimo supor que com grande pena daquela jornalista.
Portanto se assim for, a isenção daquela, sobre este assunto, é zero. Nem esforço algum faz para disfarçar tal parti pris. Diz que Pedroso andou "anos a desenvolver projectos na Europa de Leste" e seria curioso saber o quê e quem pagou.A jornalista dá por assente que assim foi tudo muito normal, "desenvolver projectos na Europa de Leste" e agora tomar assento em Washington, no Banco Mundial. Paulo Pedroso, continua assim a ser um predestinado e presumível candidato natural a lugares desse calibre. Quem designa? Quem indica? Quem paga? E quem escolhe deste modo? Isso agora não interessa nada. Este tipo de corrupção tecida a tráfico de influências era típico do fassismo, segundo a moda em voga, porque toda a gente sabe que os acusados no Ballet Rose, por exemplo, foram agraciados com cargos e sinecuras bem apetecíveis. Agora, em democracia é tudo transparente: basta um despacho publicado algures...e ninguém tem mais nada com isso.
Para Bárbara Reis isto é normal e sem motivo de escândalo.
Em segundo lugar, a análise do acórdão do TEDH. Para quem leu as 1000 páginas coordenadas por Maria de Lurdes Rodrigues, esse farol intelectual, sobre coisas da Justiça, a jornalista Bárbara Reis já se considera mestre no assunto. E por isso cita outro mestre de assuntos judiciários, José António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura de Sócrates, por engano e muito versado em penal por ter conhecimento vago do sistema de justiça inglês.
A citação do antigo ministro de Sócrates ( Bárbara Reis propende sempre para este tipo de gente...como se lê) é sobre o que significa uma acusação em processo penal. O tal Ribeiro, especialista em juridicidades entende que uma acusação em processo penal é para dar em dez dias, senão, nada feito. E isto, diz a Bárbara, não é uma tecnicalidade processual: é um direito fundamental que está na Constituição. E o TEDH é quem nos tem ensinado, segundo Teixeira da Mota que na coluna ao lado, no jornal de hoje, se pronuncia sobre uma questão mais vexata, a do consentimento informado dos velhinhos acamados nos hospitais. O assunto é transcendente, como se poderá ler. Do Casa Pia, moita carrasco que Paulo Pinto de Albuquerque também se pôs ao fresco quando pressentiu o calor do momento. E como toda a gente sabe, pediu licença sem vencimento antes de se saber que seria escolhido, como por azar foi. Este teve um pressentimento informado...mas sobre isto Bárbara Reis não leu no relambório daquela inteligência rara que agora preside ao ISCTE, local afamado onde aquele Pedroso também andou. La boucle était bouclée.
Portanto, aquela leitora do relambório do ISCTE percebeu o que leu no acórdão do TEDH escrito em "50 páginas de inglês claro"? Claro que não.
Mas isso que importa? O essencial é passar a mensagem de sempre: os tribunais portugueses são um antro de ilegalidades que condenam pessoas inocentes e acusam fora de prazo sem dar aos arguidos a oportunidade de se defenderem.
O Pinto Ribeiro é que sabe e a Bárbara também leu o relatório de 1000 páginas do ISCTE.
Até quando estas pessoas continuarão a abusar da nossa paciência?
O que é que diz aqui uma jornalista que se notabilizou em causas de esquerda, cumprindo os preceitos de Gramsci?
Em primeiro lugar que Paulo Pedroso era, à data do processo Casa Pia, um predestinado do PS. O processo foi o seu Waterloo e é legítimo supor que com grande pena daquela jornalista.
Portanto se assim for, a isenção daquela, sobre este assunto, é zero. Nem esforço algum faz para disfarçar tal parti pris. Diz que Pedroso andou "anos a desenvolver projectos na Europa de Leste" e seria curioso saber o quê e quem pagou.A jornalista dá por assente que assim foi tudo muito normal, "desenvolver projectos na Europa de Leste" e agora tomar assento em Washington, no Banco Mundial. Paulo Pedroso, continua assim a ser um predestinado e presumível candidato natural a lugares desse calibre. Quem designa? Quem indica? Quem paga? E quem escolhe deste modo? Isso agora não interessa nada. Este tipo de corrupção tecida a tráfico de influências era típico do fassismo, segundo a moda em voga, porque toda a gente sabe que os acusados no Ballet Rose, por exemplo, foram agraciados com cargos e sinecuras bem apetecíveis. Agora, em democracia é tudo transparente: basta um despacho publicado algures...e ninguém tem mais nada com isso.
Para Bárbara Reis isto é normal e sem motivo de escândalo.
Em segundo lugar, a análise do acórdão do TEDH. Para quem leu as 1000 páginas coordenadas por Maria de Lurdes Rodrigues, esse farol intelectual, sobre coisas da Justiça, a jornalista Bárbara Reis já se considera mestre no assunto. E por isso cita outro mestre de assuntos judiciários, José António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura de Sócrates, por engano e muito versado em penal por ter conhecimento vago do sistema de justiça inglês.
A citação do antigo ministro de Sócrates ( Bárbara Reis propende sempre para este tipo de gente...como se lê) é sobre o que significa uma acusação em processo penal. O tal Ribeiro, especialista em juridicidades entende que uma acusação em processo penal é para dar em dez dias, senão, nada feito. E isto, diz a Bárbara, não é uma tecnicalidade processual: é um direito fundamental que está na Constituição. E o TEDH é quem nos tem ensinado, segundo Teixeira da Mota que na coluna ao lado, no jornal de hoje, se pronuncia sobre uma questão mais vexata, a do consentimento informado dos velhinhos acamados nos hospitais. O assunto é transcendente, como se poderá ler. Do Casa Pia, moita carrasco que Paulo Pinto de Albuquerque também se pôs ao fresco quando pressentiu o calor do momento. E como toda a gente sabe, pediu licença sem vencimento antes de se saber que seria escolhido, como por azar foi. Este teve um pressentimento informado...mas sobre isto Bárbara Reis não leu no relambório daquela inteligência rara que agora preside ao ISCTE, local afamado onde aquele Pedroso também andou. La boucle était bouclée.
Portanto, aquela leitora do relambório do ISCTE percebeu o que leu no acórdão do TEDH escrito em "50 páginas de inglês claro"? Claro que não.
Mas isso que importa? O essencial é passar a mensagem de sempre: os tribunais portugueses são um antro de ilegalidades que condenam pessoas inocentes e acusam fora de prazo sem dar aos arguidos a oportunidade de se defenderem.
O Pinto Ribeiro é que sabe e a Bárbara também leu o relatório de 1000 páginas do ISCTE.
Até quando estas pessoas continuarão a abusar da nossa paciência?
quinta-feira, junho 14, 2018
"Eles" não sabem...
Mais uma contribuição para o livro negro do anti-salazarismo:
Um dos elementos do nosso subdesenvolvimento pode resumir-se no uso do “eles”. “Foram “eles”, é por causa “deles”, “eles” é que têm a culpa. Ninguém se considera também responsável pelos seus próprios actos e ainda menos pelo destino do país ou por comportamentos que contribuem para o analfabetismo, a iliteracia ou ainda para aspectos tão simples como manter a sua rua limpa.
É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente. Com o apoio e cumplicidade das elites, elas própria também viciadas neste perfil de “povo”. Algumas dos raciocínios a que assistimos hoje e que são atribuídos à esquerda recordam dolorosamente essa política de infantilização, uma das receitas para dominar os povos.
O texto é de Helena Garrido, no Observador e pergunto-me que formação e cultura tem a autora para produzir tiradas deste calibre. Formada em Economia pela Nova é jornalista de assuntos económicos. Desde há muito que tenho ideia que os economistas fazem parte da espécie dos sabe-tudo que abundam nos media e este pode ser mais um exemplo. Mas pode ter razão...
É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente- escreve a autora.
Será assim? O tempo de Salazar foi assim? Havia esse analfabetismo endémico e incultura atávica? Que infantilização é essa de que fala a autora?
Sabemos que o discurso de acusação ao salazarismo e do que apelidam obscurantismo radica numa falácia: o que o salazarismo impediu com a Censura foi a propaganda da esquerda comunista e pró-comunista. Proibiu livros, revistas e jornais e mesmo notícias que poderiam ter esclarecido a opinião pública em geral sobre os malefícios reais do comunismo. Nisso, os comunistas até deveriam agradecer. Por dois motivos: fariam bem pior se mandassem e aproveitaram a ignorância generalizada, em 1974, sobre o que eram na realidade, para edulcorarem o discurso e captarem a atenção de quem adoptou a democracia como regime.
Por causa dessa censura as pessoas em geral não foram informadas devidamente da real natureza do comunismo, nos países de Leste e quando desapareceu a Censura do antigo regime, os partidos comunistas apareceram como sendo amigos do povo, dos trabalhadores em geral e afinal adeptos da democracia. Por exemplo, ninguém informava os crédulos que o comunismo proibiu as greves nos países de Leste e na Hungria, após 1956, até com pena de morte. O Expresso não apareceu em 1973 para cumprir tal papel informativo, mas precisamente para abrir caminho para o comunismo português do PCP e socialismo do PS que entendiam ser partidos essenciais a uma democracia.
Em Junho de 1975 na entrevista a Oriana Falacci, Álvaro Cunhal assegurou que Portugal nunca seria uma democracia de tipo ocidental, mas desmentiu logo tal afirmação, sem que lhe mostrassem as provas da mentira. Ninguém se incomodou e o Expresso nem insistiu.
O PCP e extrema-esquerda em geral sempre tiveram boa imprensa em Portugal, depois do 25 de Abril 74, muito por causa da inexistência de notícias sobre os mesmos antes dessa data.
A Censura em Portugal resultava de uma espécie de paternalismo do regime para com o povo em geral. "O povo ainda não estava preparado para a liberdade", parece ser também a ideia que Marcello Caetano exprimiu a Alçada Baptista num livro de entrevistas publicado cerca de um ano antes do 25 de Abril 74.
Mas será isso o reflexo da tal infantilização do povo português? A mim parece-me outra coisa que já aqui sinalizei, a propósito da biografia recente de José Manuel de Mello, o herdeiro do grupo CUF.
Na primeira sondagem realizada após o 25 de Abril de 74, pela CEAD, em finais de 1974, em moldes científicos e representativos, os resultados foram surpreendentes e mostraram a meu ver duas coisas:
A primeira foi que a maioria esmagadora do povo votaria em partidos moderados, parecendo-lhe que o PS era um desses partidos, ao mesmo tempo que jurava defender os pobrezinhos, contra os ricos empresários latifundiários e exploradores. Este discurso passou com grande eficácia na meia dúzia de meses de propaganda revolucionária que se seguiu ao golpe militar de 25 de Abril.
Em segundo lugar a demonstração de uma grande ignorância, generalizada, sobre opções económicas fundamentais.
Ainda hoje me parece existir o mesmo estado de coisas, na sociedade portuguesa. Mas se é assim, havendo liberdade de expressão e informação que antes, no regime anterior não existia, das duas uma:
Ou as pessoas continuam tão condicionadas pelo que (não) lêem, (não) ouvem e (não) vêem, como dantes, continuando por isso mesmo analfabetas nessa acepção; ou foram suficientemente doutrinadas e preferem sempre quem lhes promete mundos e fundos e acaba sempre por lhes oferecer bancarrotas, numa improvável verificação do dito "à primeira quem quer cai...".
Tendo mais para esta última opção. Afinal a infantilização da sociedade portuguesa será fruto dos mesmíssimos factores que a condicionam há décadas, vindos do tempo anterior ao 25 de Abril de 74.
Logo não será apanágio da ditadura, tal estado de coisas. É sinal de que as elites que governam actualmente também não têm interesse premente que as pessoas sejam mais cultas e informadas.
Tal como refere Eduardo Dâmaso na crónica de hoje da Sábado, as elites que governam ( PS, PSD, CDS e quem os apoia, mesmo parlamentarmente) querem um Estado bem gordinho para o irem chuchando e darem a melhor parte a interesses de grande porte ( empresas de que fazem parte, escritórios de advogados de que participam, bancos que os apoiam, etc). A função pública, no seu todo, deve apoiar um regime destes que se implantou em 25 de Abril de 1974 e se solidificou ao longo destas décadas. É por isso que um Paulo Pedroso pode ir para um Banco Mundial...e há uns milhares de outros a poderem ganhar o que ganha um deputado. Quanto à elite, tem sempre uma Mota-Engil ou outra parecida que lhe oferece centenas de milhar por ano. Nenhum político ganha isso mas depois passa ganhar. O Jorge Coelho ensina como é, num intervalo de visita à fábrica de queijo em Contenças, para entreter o tempo.
Conhecem algum caso semelhante no tempo de Salazar? Tenreiro? Pois sim. Vão saber a história e terão vergonha de o mencionar sequer.
A "infantilização" actual é isto:
O sistema de ensino não melhorou com o acesso das pessoas a informação mais fácil. No fim de contas quem não sabe, não faz perguntas e não obtém respostas. Os professores tornaram-se uma classe sem classe. Sem prestígio e sem rendimento.
Assim, a tal infantilização permanece porque continuam a vicejar na sociedade portuguesa as mesmíssimas condicionantes que existiam antes de 25 de Abril de 1974: a Censura agora não é prévia nem há comissão específica para tal, mas existe ainda mais eficaz e permanente em todas as redacções, mesmo no Observador. Está na mente de quem escreve, o que é mais insidioso do que antes, quando se reduzia a um punhado de censores com um código de boas maneiras escrito por eles.
Portugal continua infantilizado porque a Educação não melhorou, o ensino tornou-se um meio de chegar a um fim que é um emprego bom. A informação também não melhorou, apenas se modificou assumindo agora aspectos ainda mais preocupantes derivados de uma tendência para o politicamente correcto orientado por uma Esquerda que é quem manda intelectualmente no país.
Ora aí está a conclusão: Portugal piorou porque é um país maioritariamente de esquerda. Esquerda e Inveja caracterizam bem a maioria do povo que temos.
Em Abril de 1974 já era assim...
Aditamento:
Um comentário colocado por Jorge Marques no artigo de Helena Garrido no Observador, sobre o analfabetismo e o tempo de Salazar:
Um dos elementos do nosso subdesenvolvimento pode resumir-se no uso do “eles”. “Foram “eles”, é por causa “deles”, “eles” é que têm a culpa. Ninguém se considera também responsável pelos seus próprios actos e ainda menos pelo destino do país ou por comportamentos que contribuem para o analfabetismo, a iliteracia ou ainda para aspectos tão simples como manter a sua rua limpa.
É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente. Com o apoio e cumplicidade das elites, elas própria também viciadas neste perfil de “povo”. Algumas dos raciocínios a que assistimos hoje e que são atribuídos à esquerda recordam dolorosamente essa política de infantilização, uma das receitas para dominar os povos.
O texto é de Helena Garrido, no Observador e pergunto-me que formação e cultura tem a autora para produzir tiradas deste calibre. Formada em Economia pela Nova é jornalista de assuntos económicos. Desde há muito que tenho ideia que os economistas fazem parte da espécie dos sabe-tudo que abundam nos media e este pode ser mais um exemplo. Mas pode ter razão...
É uma pesada e profunda herança do Estado Novo. Que, para nos ter em ditadura, nos manteve analfabetos, desresponsabilizou-nos enquanto indivíduos e fez de nós iletrados cultural, social, económica e financeiramente- escreve a autora.
Será assim? O tempo de Salazar foi assim? Havia esse analfabetismo endémico e incultura atávica? Que infantilização é essa de que fala a autora?
Sabemos que o discurso de acusação ao salazarismo e do que apelidam obscurantismo radica numa falácia: o que o salazarismo impediu com a Censura foi a propaganda da esquerda comunista e pró-comunista. Proibiu livros, revistas e jornais e mesmo notícias que poderiam ter esclarecido a opinião pública em geral sobre os malefícios reais do comunismo. Nisso, os comunistas até deveriam agradecer. Por dois motivos: fariam bem pior se mandassem e aproveitaram a ignorância generalizada, em 1974, sobre o que eram na realidade, para edulcorarem o discurso e captarem a atenção de quem adoptou a democracia como regime.
Por causa dessa censura as pessoas em geral não foram informadas devidamente da real natureza do comunismo, nos países de Leste e quando desapareceu a Censura do antigo regime, os partidos comunistas apareceram como sendo amigos do povo, dos trabalhadores em geral e afinal adeptos da democracia. Por exemplo, ninguém informava os crédulos que o comunismo proibiu as greves nos países de Leste e na Hungria, após 1956, até com pena de morte. O Expresso não apareceu em 1973 para cumprir tal papel informativo, mas precisamente para abrir caminho para o comunismo português do PCP e socialismo do PS que entendiam ser partidos essenciais a uma democracia.
Em Junho de 1975 na entrevista a Oriana Falacci, Álvaro Cunhal assegurou que Portugal nunca seria uma democracia de tipo ocidental, mas desmentiu logo tal afirmação, sem que lhe mostrassem as provas da mentira. Ninguém se incomodou e o Expresso nem insistiu.
O PCP e extrema-esquerda em geral sempre tiveram boa imprensa em Portugal, depois do 25 de Abril 74, muito por causa da inexistência de notícias sobre os mesmos antes dessa data.
A Censura em Portugal resultava de uma espécie de paternalismo do regime para com o povo em geral. "O povo ainda não estava preparado para a liberdade", parece ser também a ideia que Marcello Caetano exprimiu a Alçada Baptista num livro de entrevistas publicado cerca de um ano antes do 25 de Abril 74.
Mas será isso o reflexo da tal infantilização do povo português? A mim parece-me outra coisa que já aqui sinalizei, a propósito da biografia recente de José Manuel de Mello, o herdeiro do grupo CUF.
Na primeira sondagem realizada após o 25 de Abril de 74, pela CEAD, em finais de 1974, em moldes científicos e representativos, os resultados foram surpreendentes e mostraram a meu ver duas coisas:
A primeira foi que a maioria esmagadora do povo votaria em partidos moderados, parecendo-lhe que o PS era um desses partidos, ao mesmo tempo que jurava defender os pobrezinhos, contra os ricos empresários latifundiários e exploradores. Este discurso passou com grande eficácia na meia dúzia de meses de propaganda revolucionária que se seguiu ao golpe militar de 25 de Abril.
Em segundo lugar a demonstração de uma grande ignorância, generalizada, sobre opções económicas fundamentais.
Ainda hoje me parece existir o mesmo estado de coisas, na sociedade portuguesa. Mas se é assim, havendo liberdade de expressão e informação que antes, no regime anterior não existia, das duas uma:
Ou as pessoas continuam tão condicionadas pelo que (não) lêem, (não) ouvem e (não) vêem, como dantes, continuando por isso mesmo analfabetas nessa acepção; ou foram suficientemente doutrinadas e preferem sempre quem lhes promete mundos e fundos e acaba sempre por lhes oferecer bancarrotas, numa improvável verificação do dito "à primeira quem quer cai...".
Tendo mais para esta última opção. Afinal a infantilização da sociedade portuguesa será fruto dos mesmíssimos factores que a condicionam há décadas, vindos do tempo anterior ao 25 de Abril de 74.
Logo não será apanágio da ditadura, tal estado de coisas. É sinal de que as elites que governam actualmente também não têm interesse premente que as pessoas sejam mais cultas e informadas.
Tal como refere Eduardo Dâmaso na crónica de hoje da Sábado, as elites que governam ( PS, PSD, CDS e quem os apoia, mesmo parlamentarmente) querem um Estado bem gordinho para o irem chuchando e darem a melhor parte a interesses de grande porte ( empresas de que fazem parte, escritórios de advogados de que participam, bancos que os apoiam, etc). A função pública, no seu todo, deve apoiar um regime destes que se implantou em 25 de Abril de 1974 e se solidificou ao longo destas décadas. É por isso que um Paulo Pedroso pode ir para um Banco Mundial...e há uns milhares de outros a poderem ganhar o que ganha um deputado. Quanto à elite, tem sempre uma Mota-Engil ou outra parecida que lhe oferece centenas de milhar por ano. Nenhum político ganha isso mas depois passa ganhar. O Jorge Coelho ensina como é, num intervalo de visita à fábrica de queijo em Contenças, para entreter o tempo.
Conhecem algum caso semelhante no tempo de Salazar? Tenreiro? Pois sim. Vão saber a história e terão vergonha de o mencionar sequer.
A "infantilização" actual é isto:
O sistema de ensino não melhorou com o acesso das pessoas a informação mais fácil. No fim de contas quem não sabe, não faz perguntas e não obtém respostas. Os professores tornaram-se uma classe sem classe. Sem prestígio e sem rendimento.
Assim, a tal infantilização permanece porque continuam a vicejar na sociedade portuguesa as mesmíssimas condicionantes que existiam antes de 25 de Abril de 1974: a Censura agora não é prévia nem há comissão específica para tal, mas existe ainda mais eficaz e permanente em todas as redacções, mesmo no Observador. Está na mente de quem escreve, o que é mais insidioso do que antes, quando se reduzia a um punhado de censores com um código de boas maneiras escrito por eles.
Portugal continua infantilizado porque a Educação não melhorou, o ensino tornou-se um meio de chegar a um fim que é um emprego bom. A informação também não melhorou, apenas se modificou assumindo agora aspectos ainda mais preocupantes derivados de uma tendência para o politicamente correcto orientado por uma Esquerda que é quem manda intelectualmente no país.
Ora aí está a conclusão: Portugal piorou porque é um país maioritariamente de esquerda. Esquerda e Inveja caracterizam bem a maioria do povo que temos.
Em Abril de 1974 já era assim...
Aditamento:
Um comentário colocado por Jorge Marques no artigo de Helena Garrido no Observador, sobre o analfabetismo e o tempo de Salazar:
1900 - 73%
1911 - 69%
1920 - 65%
1930 - 60%
1940 - 52%
1950 - 42%
1960 - 33%
1970 - 26%
1981 - 21%
1991 - 11%
2001 - 9%
[Fonte:
António Candeias et al. (2007): Alfabetização e Escola em Portugal nos
Séculos XIX e XX. Os Censos e as Estatísticas, Fund. C. Gulbenkian,
p.40]
O que significa que a taxa foi
reduzida em cerca de 35% durante o Estado Novo (era de 25% em 1975), e
desde então, em pouco menos de 20% pois actualmente é de 5,2%.
Aliás,
as estatísticas dizem o que toda a gente que viveu nessa altura sabe: o
Estado Novo mandou construir escolas por Portugal inteiro, até nas
aldeias mais remotas que hoje estão abandonadas.
E
este problema não existiria, se a 1ª República tivesse feito alguma
coisa neste capítulo, como se vê pelos números no início da tabela!!!
Esta gente da Esquerda velha e da nova direita que dela saiu não sentem vergonha pelo que escrevem ao perceber isto?
A ignorância atrevida de Catarina Martins
Hoje de manhã ao passar os olhos pelo Jornal de Notícias enquanto tomava café dei com uma crónica de Nuno Melo sobre a líder do Bloco de Esquerda e as últimas bacoradas que teatralizou para uma audiência ignara de uma esquerda que lhe assenta como luva.
A crónica afinal está aqui:
A crónica afinal está aqui:
Quando sobre o Dia de Portugal, de Camões e
das Comunidades Portuguesas, Catarina Martins escreve que "virá o dia
em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme
violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, e a
responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos", só repete a
ligeireza irresponsável com que a propósito dos incêndios que devastaram
o país em 2017 comentou, no Twitter, "que venha a chuva, bom dia". Não
tem noção.
Apoucando nove séculos da
história extraordinária de Portugal, que a partir dos Descobrimentos no
século XV nos levou a todos os cantos do Mundo e deu corpo à primeira
globalização, resumindo-a a uma única realidade, que por acaso os
compêndios já registam, mas avalia desenraizada do tempo e das
circunstâncias - a escravatura, obviamente hedionda, era prática à
escala global, mesmo em África, entre africanos -, o BE mostra-se
disposto a reduzir o que seja à minudência dos seus preconceitos
ideológicos. Vale para o absurdo com que querem chamar de "viagem" ao
museu dos descobrimentos, como se a semântica alterasse os factos. E nem
o padre António Vieira escapa, acusado em manifestações ridículas de
ser um símbolo do racismo, apesar de mestiço pelo lado materno, ter
defendido os direitos dos índios e ter criticado a Inquisição, quando a
temeridade poderia custar a vida.
Se
Catarina Martins quer exibir complexos de culpa póstumos, achando que
assim se mostrará maior aos olhos dos outros, comece por assumir os
crimes abomináveis dos regimes comunistas, que ponderada a paternidade
marxista-leninista da UDP e trotskista do PSR, defenderam e ainda nos
anos 70 quiseram para Portugal. Da URSS à República Popular da China,
passando pelo Camboja, Coreia do Norte e Cuba, não lhe faltarão exemplos
de homicídios em massa, detenções por delitos de opinião, tortura,
campos de trabalho forçados e lavagens ao cérebro. Sem surpresa, a
esquerda-net guarda o texto laudatório de Hugo Chávez, digno de quem
gravita num universo paralelo, que diz que "enquanto na Europa a
democracia está a falhar, na Venezuela a democracia participativa
tornou-se num sinal de identidade".
Se o
velho do Restelo simboliza os que antecipavam o fracasso da epopeia dos
descobrimentos, com o espírito da extrema-esquerda nos primórdios da
nacionalidade não teria havido S. Mamede, ou Aljubarrota e nenhuma nau
ou caravela teria zarpado do Porto, Lisboa ou Sagres. Camões não teria
escrito Os Lusíadas. E com Pessoa, seguramente não diríamos que "a minha
Pátria é a língua portuguesa".
Esta burra não tem vergonha nenhuma, é claro. Mas haja, ao menos, quem lhe mostre a ignorância.
quarta-feira, junho 13, 2018
O reino das cunhas
No Observador, este artigo sobre o fenómeno da corrupção tem este excerto que me suscita comentários:
Começo por trazer, a este propósito, o que António Araújo disse, em entrevista ao Público: “Há muitos estudos sobre a oposição, mas não há ainda um sobre como é que Salazar administrava uma coisa fundamental que era a cunha, como é que ele dominava o país”. Valeria a pena olhar para o que eram as relações sociais e profissionais e a forma como os cidadãos se relacionam com o Estado desde a ditadura, mas a cultura da “cunha” é mais antiga do que isso. Facto é que a maioria dos Estados em que a corrupção é generalizada (ou a sua perceção é elevada) são Estados com valores democráticos débeis e com instituições públicas desacreditadas. No entanto, não é menos certo dizer que a experiência do Estado Novo trouxe a Portugal a ideia de que a denúncia da corrupção é ineficaz ou que traz, por si só, represálias, além de ter cimentado a cultura da “cunha”, que já nos era tão familiar.
Se não há estudos sobre as cunhas de Salazar porque é que o dito Araújo do Malomil dá por assente a sua existência como sistema de corrupção?
E já agora cunhas para quê? Para colocar amigos em instituições como o PS fez com Paulo Pedroso, um licenciado em Sociologia que foi para o Banco Mundial em Washington, certamente muito bem remunerado? Que qualificações e especiais pergaminhos tem Paulo Pedroso para conseguir tal lugar? O de ter sido preso no processo Casa Pia por suspeita de abuso de menores?
Estas nomeações são a quintessência do tráfico de influências, na medida em que são organismos do Estado, mormente o Governo quem designa estas pessoas sem grandes pruridos éticos. Há inúmeros cargos ( mais de cinco mil, segundo cálculos do tempo de Guterres) que podem ser destinados a boys&girls das afinidades do poder, sem dar satisfação democrática.
Será este o reino das cunhas de que fala o Malomil?
Se for, Salazar não era desse reino.
Então porque razão se vilipendia quem não se deve e deixa passar em claro quem merece o opróbrio?
Começo por trazer, a este propósito, o que António Araújo disse, em entrevista ao Público: “Há muitos estudos sobre a oposição, mas não há ainda um sobre como é que Salazar administrava uma coisa fundamental que era a cunha, como é que ele dominava o país”. Valeria a pena olhar para o que eram as relações sociais e profissionais e a forma como os cidadãos se relacionam com o Estado desde a ditadura, mas a cultura da “cunha” é mais antiga do que isso. Facto é que a maioria dos Estados em que a corrupção é generalizada (ou a sua perceção é elevada) são Estados com valores democráticos débeis e com instituições públicas desacreditadas. No entanto, não é menos certo dizer que a experiência do Estado Novo trouxe a Portugal a ideia de que a denúncia da corrupção é ineficaz ou que traz, por si só, represálias, além de ter cimentado a cultura da “cunha”, que já nos era tão familiar.
Se não há estudos sobre as cunhas de Salazar porque é que o dito Araújo do Malomil dá por assente a sua existência como sistema de corrupção?
E já agora cunhas para quê? Para colocar amigos em instituições como o PS fez com Paulo Pedroso, um licenciado em Sociologia que foi para o Banco Mundial em Washington, certamente muito bem remunerado? Que qualificações e especiais pergaminhos tem Paulo Pedroso para conseguir tal lugar? O de ter sido preso no processo Casa Pia por suspeita de abuso de menores?
Estas nomeações são a quintessência do tráfico de influências, na medida em que são organismos do Estado, mormente o Governo quem designa estas pessoas sem grandes pruridos éticos. Há inúmeros cargos ( mais de cinco mil, segundo cálculos do tempo de Guterres) que podem ser destinados a boys&girls das afinidades do poder, sem dar satisfação democrática.
Será este o reino das cunhas de que fala o Malomil?
Se for, Salazar não era desse reino.
Então porque razão se vilipendia quem não se deve e deixa passar em claro quem merece o opróbrio?
O juiz Paulo Pinto de Albuquerque do TEDH
Daqui, Do Portugal Profundo:
O acórdão do TEDH foi decidido pelos seguintes juízes: Ganna Yudkivska, presidente, Vincent A. De Gaetano, Paulo Pinto de Albuquerque, Faris Vehabović, Egidijus Kūris, Iulia Motoc, Péter Paczolay. O Estado português esteve representado pela procuradora-geral adjunta Maria de Fátima da Graça Carvalho que defendeu não ter existido erro nas decisões dos tribunais portugueses sobre a prisão preventiva do então deputado socialista. O juiz português do TEDH, que também votou favoravelmente o acórdão e as indemnizações, Paulo Pinto de Albuquerque, tinha sido designado, em 8-7-2004, para juiz-presidente do processo da Casa Pia, mas, por ter pedido de licença sem vencimento de um ano por «razões do foro pessoal» (alegando que «o seu pedido de licença foi feito antes de ser sorteado para o processo Casa Pia, o que era do conhecimento do Conselho Superior da Magistratura»), foi substituído, em 13-7-2004, por Ana Isabel Alves da Cunha Morgado Peres (que, com os juízes José Manuel Lopes Barata e Ester Emília Maurício Antão e Pacheco dos Santos, com grande coragem, levou o processo até ao fim, tendo aplicado, em 3-9-2010, penas de prisão a seis arguidos por crimes de abuso sexual de menores e outros).
O juiz Paulo Pinto de Albuquerque por um triz não fez parte do Colectivo de juízes que julgou o processo Casa Pia.
Conforme se escreve no blog Do Portugal Profundo, saiu mesmo a tempo, para uma licença sem vencimento, escapando ao julgamento. Para fazer o quê? Ora, ora. Pinto de Albuquerque escreve anotações a livros de direito ( que de resto não leio, porque há mais e melhor).
Quanto a tal atitude, cada um fará o juízo que entender. De coragem é que não será, com toda a certeza.
Agora, no TEDH não teve a decência, porque é disso que se trata, de alegar e escrever uma escusa simples de intervir no processo do aludido Pedroso sobre o qual muito ainda haverá a dizer, se tal se proporcionar. Uma escusa derivada daquele procedimento e circunstância, para que ninguém duvidasse da coerência em não intervir nesse processo que lida com circunstâncias muito particulares dessa época, das quais o referido juiz se libertou, com uma licença sem vencimento .
A coragem de Paulo Pinto de Albuquerque, neste caso, não correu riscos. Até votou a favor no tribunal que condenou Portugal ( o Estado português) por um putativo abuso na prisão preventiva do deputado do PS.
Indigna-me esta atitude de um juiz. Um juiz não procede assim.
O acórdão do TEDH foi decidido pelos seguintes juízes: Ganna Yudkivska, presidente, Vincent A. De Gaetano, Paulo Pinto de Albuquerque, Faris Vehabović, Egidijus Kūris, Iulia Motoc, Péter Paczolay. O Estado português esteve representado pela procuradora-geral adjunta Maria de Fátima da Graça Carvalho que defendeu não ter existido erro nas decisões dos tribunais portugueses sobre a prisão preventiva do então deputado socialista. O juiz português do TEDH, que também votou favoravelmente o acórdão e as indemnizações, Paulo Pinto de Albuquerque, tinha sido designado, em 8-7-2004, para juiz-presidente do processo da Casa Pia, mas, por ter pedido de licença sem vencimento de um ano por «razões do foro pessoal» (alegando que «o seu pedido de licença foi feito antes de ser sorteado para o processo Casa Pia, o que era do conhecimento do Conselho Superior da Magistratura»), foi substituído, em 13-7-2004, por Ana Isabel Alves da Cunha Morgado Peres (que, com os juízes José Manuel Lopes Barata e Ester Emília Maurício Antão e Pacheco dos Santos, com grande coragem, levou o processo até ao fim, tendo aplicado, em 3-9-2010, penas de prisão a seis arguidos por crimes de abuso sexual de menores e outros).
O juiz Paulo Pinto de Albuquerque por um triz não fez parte do Colectivo de juízes que julgou o processo Casa Pia.
Conforme se escreve no blog Do Portugal Profundo, saiu mesmo a tempo, para uma licença sem vencimento, escapando ao julgamento. Para fazer o quê? Ora, ora. Pinto de Albuquerque escreve anotações a livros de direito ( que de resto não leio, porque há mais e melhor).
Quanto a tal atitude, cada um fará o juízo que entender. De coragem é que não será, com toda a certeza.
Agora, no TEDH não teve a decência, porque é disso que se trata, de alegar e escrever uma escusa simples de intervir no processo do aludido Pedroso sobre o qual muito ainda haverá a dizer, se tal se proporcionar. Uma escusa derivada daquele procedimento e circunstância, para que ninguém duvidasse da coerência em não intervir nesse processo que lida com circunstâncias muito particulares dessa época, das quais o referido juiz se libertou, com uma licença sem vencimento .
A coragem de Paulo Pinto de Albuquerque, neste caso, não correu riscos. Até votou a favor no tribunal que condenou Portugal ( o Estado português) por um putativo abuso na prisão preventiva do deputado do PS.
Indigna-me esta atitude de um juiz. Um juiz não procede assim.
terça-feira, junho 12, 2018
Os putos mentiram?
Observador:
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou, esta manhã, o Estado português a pagar 68 mil euros a Paulo Pedroso no processo que envolve a Casa Pia, avança a SIC Notícias.
Segundo este canal, o Tribunal de Estrasburgo considerou que deveriam ter sido tomadas “medidas alternativas” à prisão preventiva de Pedroso. Entendeu também que não existiam provas suficientes de que o antigo ministro tivesse cometido os crimes de abuso sexual de menores.
A questão essencial, para se perceber, é esta e sempre foi esta, tal como agora explicada pelo TEDH:
Ou seja, os dois putos mentiram? Se mentiram porque é que nunca foram condenados por denúncia caluniosa? E porque valeram os respectivos depoimentos para o embaixador Ritto que nunca falou sobre isto, calando-se num silêncio digno e não valeram para este político apoiado em ombros pelo Largo do Rato?
Uma coisa é certa: há inúmeros casos, actualmente, de condenações por abuso sexual de menores cuja prova assenta exclusivamente no depoimento das vítimas e na credibilidade que merecem pela ausência de obstáculos relevantes a tal credibilidade, incluindo por isso perícia psicológica que também a possa atestar.
Não por acaso, o antigo presidente da AR e sombra do regime, Almeida Santos dizia na altura que " as crianças podem mentir". Pois podem...e deu muito jeito supor tal facto, não aceitando o contrário que é o de as crianças poderem mesmo estar a dizer a verdade.
Neste caso concreto alguma vez as vítimas disseram que se enganaram ou mentiram? Alguma vez?
Não queiram deitar areia para os olhos...e tenham mais vergonha.
Para além disso há três votos de vencido no acórdão do TEDH, sobre precisamente o valor da indemnização a pagar:
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou, esta manhã, o Estado português a pagar 68 mil euros a Paulo Pedroso no processo que envolve a Casa Pia, avança a SIC Notícias.
Segundo este canal, o Tribunal de Estrasburgo considerou que deveriam ter sido tomadas “medidas alternativas” à prisão preventiva de Pedroso. Entendeu também que não existiam provas suficientes de que o antigo ministro tivesse cometido os crimes de abuso sexual de menores.
A questão essencial, para se perceber, é esta e sempre foi esta, tal como agora explicada pelo TEDH:
3. L’arrestation et la mise en examen du requérant
12. Le 12 mai 2003, le requérant adressa une demande au Procureur général de la République (Procurador geral da República),
dans laquelle il indiquait avoir appris que son nom était mentionné
dans le cadre de l’enquête. Il demandait à connaître le nom des
personnes à l’origine des accusations portées contre lui, afin de
pouvoir engager contre elles des poursuites pour diffamation. Il
précisait être disposé à se déplacer immédiatement pour être entendu sur
les faits sur lesquels les autorités souhaiteraient le questionner, et
ce afin de contribuer à la découverte de la vérité.
13.
Le même jour, le président du groupe parlementaire du Parti socialiste
adressa une demande similaire au Procureur général de la République,
précisant que le requérant était prêt à « suspendre » son mandat afin
d’éviter une situation dans laquelle le Parlement refuserait de lever
son immunité parlementaire.
14.
Le 21 mai 2003, le juge d’instruction de la première chambre du TIC de
Lisbonne adressa une demande au président du Parlement. Il sollicitait,
aux fins d’exécution d’un mandat d’arrêt émis à l’encontre du requérant
à la demande du parquet, la levée de l’immunité parlementaire de
l’intéressé afin que celui-ci pût être mis en examen dans le cadre de
l’enquête, entendu en la qualité de personne mise en examen et soumis à
une mesure de contrainte. Cette demande était accompagnée d’une
ordonnance du même juge datée de la veille, c’est-à-dire du 20 mai 2003,
exposant les faits qui étaient reprochés au requérant, avec les
descriptions de sévices rapportées par deux victimes (non identifiées),
l’identification des endroits où ceux-ci avaient eu lieu et les examens
médicaux auxquelles les victimes avaient été soumises. Des extraits
d’écoutes téléphoniques impliquant le requérant y étaient également
annexés.
15.
Le même jour, le Parlement approuva à l’unanimité la levée de
l’immunité parlementaire du requérant. Dans l’après-midi, celui-ci se
présenta au TIC de Lisbonne. À 20 h 12, il fut arrêté, mis en examen et
entendu par le juge de la première chambre de ce tribunal. S’agissant
des faits qui lui étaient imputés, le procès-verbal de l’interrogatoire
judiciaire (auto de interrogatório judicial) indiquait ce qui suit :
« (...)
[1]
En ce qui concerne les faits qui lui sont imputés, notamment avoir eu
des rapports sexuels, dans la période allant de 1998 à la présente date,
avec des enfants de moins de seize ans, élèves ou ex-élèves de la Casa
Pia de Lisbonne, [l’accusé] a affirmé qu’il n’avait jamais eu de
rapports sexuels avec quiconque de moins de seize ou dix-huit ans dans
la période en question.
[2]
À la question portant sur des déplacements à Elvas pendant la période
en cause, il a répondu que les seules fois où il s’y était rendu
[s’inscrivaient] dans le cadre de fonctions gouvernementales ou [étaient
en rapport avec] son parti. En l’occurrence, il a précisé n’avoir
jamais été dans une résidence privée dans la ville d’Elvas.
[3]
Étant donné qu’il a pris connaissance de la demande visant la levée de
son immunité parlementaire et de l’ordonnance jointe à celle-ci, il lui a
été demandé s’il savait qui pouvait être à l’origine des informations
qui y étaient indiquées. Il a répondu qu’il ne pouvait imaginer qui
avait pu inventer de tels faits. À la question portant sur le moment où
il avait appris que son nom allait être associé aux faits faisant
l’objet de l’enquête, il a répondu qu’on lui avait dit il y a quelque
temps que son nom allait être mentionné dans le cadre de l’enquête.
Cette indication lui avait été donnée il y a deux mois par l’épouse de
M. R. [homme politique portugais]. (...) il n’y avait alors pas donné
d’importance et n’avait rien fait par rapport à la question (...)
[4] Cependant, le 9 mai, M. A., juge près le tribunal criminel de Lisbonne (Tribunal da Boa-Hora),
l’a informé qu’il avait entendu dire que M., juge de la cour d’appel
(...), rapportait dans les couloirs de la cour d’appel que « c’était mal
parti pour Paulo Pedroso » (...). C’est à ce moment qu’il a décidé de
demander au Procureur général de la République de lui fournir les pièces
du dossier pertinentes, si elles existaient, afin de poursuivre en
diffamation les éventuels auteurs de telles informations calomnieuses. À
cette occasion, il a manifesté sa disponibilité totale pour présenter
toute clarification jugée nécessaire. Cette demande a été introduite le
12 [mai] dernier et, le week-end précédent, M. R. a pris contact avec le
président de la République et écrit une lettre au Procureur général de
la République. L’accusé n’ayant pas connaissance de l’existence
d’ennemis personnels, les prises de contact et demandes de pièces ont
généré en lui la conviction qu’il s’agissait d’une attaque contre le
Parti socialiste, en tant qu’institution, et qu’il fallait clarifier
cette situation le plus vite possible. (...) il a ajouté que son honneur
et sa réputation [étaient] en cause et que de telles calomnies
port[ai]ent atteinte à sa vie et sa famille, ce qui [était] la raison
principale pour laquelle il a[vait] cherché à avoir accès à de telles
pièces [du dossier].
(...) »
16.
Au cours de l’interrogatoire judiciaire, le juge demanda également au
requérant de s’expliquer quant à un certain nombre de conversations
qu’il avait eues avec différentes personnes, qui avaient été
enregistrées à la suite des écoutes téléphoniques ordonnées dans le
cadre de l’enquête, ce que l’intéressé fit.
17. L’interrogatoire se termina le 22 mai 2003, à 5 h 59.
4. Le placement du requérant en détention provisoire
18. Au terme de l’interrogatoire, le procureur chargé de l’enquête requit la détention provisoire (prisão preventiva) du requérant aux motifs qu’il existait :
- de forts indices (fortes indícios)
que ce dernier avait commis cinq crimes d’agressions sexuelles et dix
crimes de viols sur mineurs. Le procureur se référait notamment aux
dépositions, confirmées par des examens médicaux, faites par des
victimes qui avaient reconnu le requérant à partir d’une photographie
qui figurait dans le dossier de l’enquête ;
-
un risque de perturbation de l’enquête, au sens de l’article 204 b) du
code de procédure pénale (CPP), étayé par des informations obtenues à
partir d’écoutes téléphoniques. Le procureur observait notamment qu’il
était apparu au cours de l’interrogatoire que le requérant avait
connaissance, de par des sources politiques et judiciaires, de l’objet
de l’enquête, qu’il suivait son avancement, et que des informations
avaient été demandées, en son nom, au Procureur général de la
République. Le procureur estimait que le risque en cause concernait en
particulier la collecte des preuves ;
-
un risque de trouble à l’ordre et à la tranquillité publics, au sens
de l’article 204 c) du CPP, étant donné l’émoi suscité par les crimes
d’abus sexuels sur mineurs dans la société.
19.
Le requérant contesta les arguments du parquet, soulignant avoir donné
des explications claires sur les conversations téléphoniques en cause.
Il demanda que lui fût appliquée une mesure moins contraignante que la
détention préventive.
20. À 8 h 17, le juge d’instruction décida d’appliquer la mesure de détention provisoire, relevant ce qui suit :
«
[1] (...) L’accusé a affirmé d’emblée connaître le contenu de la
demande qui avait été adressée au Parlement visant la levée de son
immunité parlementaire, ainsi que de la copie de l’ordonnance qui
l’accompagnait. Cette demande incluait l’exposé d’un ensemble de faits
et des dépositions où avait seulement été omis le nom des personnes
n’ayant rien à voir avec l’accusé ou son comportement allégué. L’accusé
connaît donc le type et la nature des actes en cause. L’accusé nie avoir
commis ces actes, et, interrogé sur qui pourrait être derrière [de
telles accusations], il a affirmé qu’il pouvait seulement envisager
qu’une personne extérieure aux institutions judiciaires les avait
montées et [avait déclenché les plaintes] au niveau judiciaire pour que
l’on ne fît pas totalement la lumière sur la vérité.
[2]
En supposant même, par moment, que cela soit vrai, nous serions ici
face (...) à un individu ou un ensemble d’individus qui :
a) ont maltraité des enfants, abusant sexuellement d’eux ;
b) ont convaincu ces enfants de mentir ;
c) [ont persuadé ceux-ci d’attribuer] à l’accusé les faits dont ils ont été victimes ;
d) dans l’objectif de dénigrer l’image publique de l’accusé ou l’image du Parti socialiste et/ou de son secrétaire général.
(...) Cela étant (...), la version de l’accusé ne tient pas.
[3]
D’un autre côté, voyons la version qui a été présentée par le ministère
public. Les magistrats qui dirigent l’enquête affirment que des enfants
ont été abusés sexuellement et que le requérant a pratiqué des actes
sexuels significatifs (actos sexuais de relevo) et eu des rapports
sexuels avec pénétration anale ou orale. Le ministère public présente,
comme preuves, les dépositions des victimes et les corrobore par des
examens médicaux qui démontrent sans équivoque [que des abus ont été
commis] et que, probablement, les victimes ne mentent pas. Le ministère
public a également pu obtenir des victimes la description de maisons et
d’endroits, certains éloignés de la zone où se trouvaient les enfants
(il faut aussi rappeler que nous sommes en train de parler de victimes
qui, étant des élèves de la Casa Pia, n’avaient pas les moyens de se
déplacer). Grâce à ces descriptions, les lieux ont fait l’objet
d’opérations de reconnaissance et de perquisitions dans le cadre
desquelles l’aménagement intérieur des maisons a été établi. Tout a
coïncidé.
[4] On
pourrait en effet dire que certaines des victimes ont reconnu l’accusé,
d’abord, à partir de la photographie no 8 de l’annexe A.J. [du dossier].
Celle-ci n’est peut-être pas la meilleure des photographies, on
pourrait même peut-être envisager la possibilité de faire une séance
d’identification (reconhecimento). Toutefois, il est certain que les
victimes n’ont pas toutes reconnu l’accusé à partir de cette
photographie, et l’une d’elles [l’a reconnu en indiquant] d’emblée qu’il
s’agissait d’un homme politique.
[5]
Quant à nous, nous ne pouvons pas nier l’existence, du moins dans cette
phase de la procédure, de forts indices à l’encontre du requérant
concernant les crimes ayant mené à la levée de son immunité
parlementaire et sa détention subséquente [aux fins de sa comparution
pour audition] dans le cadre du premier interrogatoire judiciaire, comme
nous pouvons le déduire des pages 307 à 327 [déposition de F.G.], 564 à
571 [déposition de L.M.], 1112 à 1113 [déposition de L.M.], 2383 à 2385
[dépositions de L.M.], 3490 à 3494 [déposition de L.M.], 3999, 4000 à
4013, 1499 à 1501, 1117, 1466, 1508, 1515, 2533, 4439 et 4543 à 4550
[examen de l’appareil génital et autres de L.M.] [du dossier]. Nous
devons aussi tenir compte du contenu des examens médicaux, en
particulier les pages 3200 et suivantes [examen de l’appareil génital et
autres de F.G.] et 4543 et suivantes [du dossier].
[6]
Cela dit, il convient de rappeler que la simple existence de forts
indices [de la commission] d’un crime puni d’une peine d’emprisonnement
supérieure à trois ans n’est pas, à elle seule, suffisante pour mener à
l’application d’une mesure de contrainte autre que le contrôle
judiciaire. Il est en outre nécessaire que l’un des risques indiqués à
l’article 204 du CPP soit vérifié, seul ou de façon cumulative.
(...)
[7]
Voyons maintenant si le risque indiqué à l’alinéa b) de l’article 204
du CPP est vérifié. Tout en respectant les points de vue ayant été
présentés, il nous semble que ni la défense ni le ministère public n’ont
tout à fait raison. En effet, nous donnons raison à la défense
lorsqu’elle dit que l’accusé a fourni une explication au minimum
plausible concernant les [transcriptions d’écoutes téléphoniques]
figurant, à cette date, à l’annexe AZ-T [du dossier].
[8]
Cela étant, ce que la défense oublie, mais non le ministère public,
c’est que, outre ces écoutes, d’autres [écoutes] ont été validées et
présentées à l’accusé, notamment celles de la cible (alvo) 21379, et que
ce sont ces écoutes qui, d’après nous, impliquent non pas le risque
mais la perturbation sérieuse de l’enquête. On pourrait dire que
l’accusé n’est intervenu dans aucun des appels, à l’exception de [l’un
d’entre eux]. Mais en vérité, c’est l’accusé même qui reconnaît une
relation d’amitié profonde avec F.R., et il semble qu’il en soit de même
avec S.A. L’accusé reconnaît encore, et cela est compréhensible, que
c’est cette amitié qui motive F.R. et d’autres dirigeants du PS. Il est
certain que ce lien est sans équivoque et que les autres œuvrent en
faveur de l’accusé. Or, avant d’avoir comparu devant ce tribunal
d’instruction criminelle, l’accusé a aussi essayé par lui-même de
perturber l’enquête. Il a notamment pris contact, personnellement ou par
l’intermédiaire de quelqu’un d’autre, avec le président de la
République [ou], personnellement ou par l’intermédiaire de quelqu’un
d’autre, avec le président du Parlement. Dans ce dernier cas, il a
essayé de faire en sorte que le Parlement ne rende pas une décision sur
la levée de son immunité parlementaire de façon rapide, en prétextant
vouloir suspendre son mandat.
[9]
On pourra dire que la détention provisoire n’empêche pas que d’autres,
notamment ceux qui sont indiqués ci-dessus, poursuivent leurs manœuvres
dans le but de perturber les investigations, en allant « donner des
claques » [« à porrada para cima deles »] ou en faisant en sorte que
d’autres fassent pression sur les magistrats, ou encore qu’ils soulèvent
des doutes, notamment au sein de la population, générant ainsi un
sentiment d’insécurité ou d’inquiétude publique (intranquilidade
pública), notamment par rapport aux institutions de la Justice.
Toutefois, ce qui est certain et indéniable, c’est que l’accusé a été et
est de connivence par rapport à tout cela et qu’il y a participé, alors
qu’il était en liberté ; (...) au final, quelle intention avait
l’accusé si ce n’est de perturber l’enquête, [dès lors que], dans la
transcription no 78 de la cible 21379, A.C. affirme avoir parlé avec le
Procureur général de la République, à la demande de l’accusé Paulo
Pedroso, pour que l’on intervienne auprès du procureur en charge de
cette enquête afin que la demande de levée de l’immunité ne soit pas
introduite devant le Parlement ?
[10]
À notre avis, cette perturbation de l’enquête, comme nous l’avons déjà
dit, présente des conséquences non seulement au niveau intraprocédural
mais encore au niveau extraprocédural étant donné que, en se prévalant
d’une position sociale, l’accusé, personnellement ou par l’intermédiaire
d’autres personnes ou institutions, a généré la confusion et le
discrédit sur les institutions de l’État et en leur sein.
[11]
D’après nous, les risques figurant aux alinéas b) et c) de l’article
204 du CPP existent et la mesure proposée par la défense ne prévient pas
de tels risques vu que les contacts se poursuivent, sachant que nombre
d’entre eux se font par voie téléphonique. En allant plus loin, nous
pourrions même dire que ces risques ne sont pas totalement évités avec
la détention provisoire, étant donné que cette mesure ne peut être
cumulée avec une autre, à l’exception du contrôle judiciaire ; le
tribunal ne peut ainsi empêcher les contacts tels que définis par les
règlements des prisons.
(...)
[12]
Au vu de ce qui a été exposé, ce tribunal estime que seule la détention
provisoire de l’accusé est adéquate, suffisante et proportionnée aux
besoins du dossier d’enquête en termes de précaution (necessidades
cautelares) et à la peine prévue. Je décide donc qu’elle soit appliquée
(...)
(...) »
Ou seja, os dois putos mentiram? Se mentiram porque é que nunca foram condenados por denúncia caluniosa? E porque valeram os respectivos depoimentos para o embaixador Ritto que nunca falou sobre isto, calando-se num silêncio digno e não valeram para este político apoiado em ombros pelo Largo do Rato?
Uma coisa é certa: há inúmeros casos, actualmente, de condenações por abuso sexual de menores cuja prova assenta exclusivamente no depoimento das vítimas e na credibilidade que merecem pela ausência de obstáculos relevantes a tal credibilidade, incluindo por isso perícia psicológica que também a possa atestar.
Não por acaso, o antigo presidente da AR e sombra do regime, Almeida Santos dizia na altura que " as crianças podem mentir". Pois podem...e deu muito jeito supor tal facto, não aceitando o contrário que é o de as crianças poderem mesmo estar a dizer a verdade.
Neste caso concreto alguma vez as vítimas disseram que se enganaram ou mentiram? Alguma vez?
Não queiram deitar areia para os olhos...e tenham mais vergonha.
Para além disso há três votos de vencido no acórdão do TEDH, sobre precisamente o valor da indemnização a pagar:
DÉCLARATION DE DISSENTIMENT PARTIEL COMMUNE AUX JUGES YUDKIVSKA, MOTOC ET PACZOLAY
Nous
regrettons de ne pouvoir souscrire à la conclusion de la majorité au
point 6 a) du dispositif concernant le dommage matériel, faute de lien
de causalité entre la violation constatée et le dommage matériel
allégué.
O ponto 6 a) é este:
6. Dit,
a)
que l’État défendeur doit verser au requérant, dans les trois mois à
compter du jour où l’arrêt sera devenu définitif, conformément à
l’article 44 § 2 de la Convention, les sommes suivantes :
i.
par quatre voix contre trois, 14 000 EUR (quatorze mille euros), plus
tout montant pouvant être dû à titre d’impôt, pour dommage matériel,
ii. à l’unanimité, 13 000 EUR (treize mille euros), plus tout montant pouvant être dû à titre d’impôt, pour dommage moral,
iii.
à l’unanimité, 41 555 EUR (quarante et un mille cinq cent
cinquante-cinq euros), plus tout montant pouvant être dû par le
requérant à titre d’impôt, pour frais et dépens ;
E rejeitou por unanimidade outros valores pedidos:
7. Rejette, à l’unanimité, la demande de satisfaction équitable pour le surplus.
Tudo isto é omisso nas notícias que correm e aposto que logo nas TV também o será. Ou não fossem as nossas tv´s fiéis serventuárias dos interesses do Largo do Rato...
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