quinta-feira, dezembro 24, 2020

Postal de Natal

 Com a leitura desta crónica no CM de hoje revela-se uma mudança nos costumes. E não é para melhor...


Talvez este fenómeno tenha a ver com algo que nos é estranho enquanto povo daqui e com séculos de História. Como os outros, aliás. Só que a nossa História não é a mesma que a deles e por isso o bizarro da situação em quereremos imitar o que não nos pertence.

Talvez que a tradição estranha tenha vindo daqui, mostrada neste antiquíssimo postal de Natal: 



Por cá, no dealbar da nossa modernidade dos anos sessenta para os setenta, os postais de Natal ainda eram o que a tradição dizia que devia ser e como tal eram produzidos, embora já com algumas nuances. 

Como estes que trocávamos quando éramos crianças...


Portanto ainda é assim que desejo Boas Festas e Feliz Ano Novo: com a tradição que foi a nossa e que não deveria acabar assim tão depressa. 

O Natal é simbolizado num presépio. Quanto muito numa estrela cadente ou num cometa anunciador. 

O presépio tem o menino Jesus como figura central e Jesus Cristo é para os cristãos, o Salvador. E Maria a sua Mãe com José o seu Pai. A Sagrada Família que serviu de modelo para a nossa sociedade de sempre que agora sofre os embates de uma modernidade que não oferece melhor do que tal modelo representa. 

quarta-feira, dezembro 23, 2020

O primeiro-ministro vai passar o Natal isolado?

 Observador: 



O jacobinismo é assim: fixam as regras cegamente e depois vêem-se à nora para as cumprir. É caso para perguntar ao primeiro-ministro se vai passar o Natal em isolamento profilático e de que modo, mas ninguém vai perguntar tal coisa nem vão querer saber.

Fazem todos de conta...que o indivíduo vai cumprir escrupulosamente as regras que fixou para todos. 

Alguém acredita nisso?

O oportunismo do Ministério Público

 Este artigo da Sábado de hoje levanta várias questões muito interessantes ( muito mais que a história da tal Lili Caneças)  para quem gosta do tema "corrupção" em modo mediático. 




O que aqui se denota, nos casos elencados é uma atracção fatal pelos contratos públicos de favorecimento de amigos e nepotes vários ou pela manipulação de concursos também públicos, para não falar dos "ajustes directos" que ficam geralmente de fora destas moscambilhices porque conservam a aparência de legalidade quando podem ser bem mais ruinosos e prejudiciais ao erário público que isto que está exposto. 

Portanto, o problema central está relacionado com a gestão de interesses públicos e dinheiro associado.
Nestes casos mencionados é provável que a denúncia dos mesmos tenha partido de entidades anónimas ou participações criminais avulsas que originaram imediatamente a instauração de inquéritos alguns deles sem a ponderação do disposto no artº Artigo 262.º do Código de Processo Penal:

Finalidade e âmbito do inquérito

1 - O inquérito compreende o conjunto de diligências que visam investigar a existência de um crime, determinar os seus agentes e a responsabilidade deles e descobrir e recolher as provas, em ordem à decisão sobre a acusação.
2 - Ressalvadas as excepções previstas neste Código, a notícia de um crime dá sempre lugar à abertura de inquérito.


No fim pode haver lugar a isto: 

Artigo 277.º
Arquivamento do inquérito
1 - O Ministério Público procede, por despacho, ao arquivamento do inquérito, logo que tiver recolhido prova bastante de se não ter verificado crime, de o arguido não o ter praticado a qualquer título ou de ser legalmente inadmissível o procedimento.
2 - O inquérito é igualmente arquivado se não tiver sido possível ao Ministério Público obter indícios suficientes da verificação de crime ou de quem foram os agentes.

Para além disso, o MºPº pode instaurar inquéritos de motu proprio: 

Artigo 241.º
Aquisição da notícia do crime

O Ministério Público adquire notícia do crime por conhecimento próprio, por intermédio dos órgãos de polícia criminal ou mediante denúncia, nos termos dos artigos seguintes.

E quanto a denúncias anónimas, o artº 246º nº 6 diz assim:

6 - A denúncia anónima só pode determinar a abertura de inquérito se:
a) Dela se retirarem indícios da prática de crime; ou
b) Constituir crime.
7 - Nos casos previstos no número anterior, a autoridade judiciária ou órgão de polícia criminal competentes informam o titular do direito de queixa ou participação da existência da denúncia.
8 - Quando a denúncia anónima não determinar a abertura de inquérito, a autoridade judiciária competente promove a sua destruição.


No final se houver lugar a acusação os requisitos são claros: 

Artigo 283.º
Acusação pelo Ministério Público

1 - Se durante o inquérito tiverem sido recolhidos indícios suficientes de se ter verificado crime e de quem foi o seu agente, o Ministério Público, no prazo de 10 dias, deduz acusação contra aquele.
2 - Consideram-se suficientes os indícios sempre que deles resultar uma possibilidade razoável de ao arguido vir a ser aplicada, por força deles, em julgamento, uma pena ou uma medida de segurança.


É na ponderação entre os indícios suficientes e insuficientes que se manifesta a sageza, sensatez e equilíbrio de justiça de um magistrado. 
E é também nessa ponderação que se manifesta por vezes o oportunismo de certos magistrados do MºPº com apoio e orientação de alguma magistratura hierarquicamente superior. 

A decisão de acusar ou não acusar um autarca envolvido em suspeitas do género apontado tem que obedecer aos estritos ditames da lei processual penal: só se for mais provável uma condenação do que uma absolvição é que deve ser acusado. 
Para tal é necessário conhecer, ponderar e sopesar os indícios e provas existentes e não as que se supõem possam vir a existir num juízo de probabilidade que a lei processual não consente. 
Uma acusação fora dos limites do "razoável", é o mesmo que temerária e que é termo que significa imprudente, arrojado, perigoso, sem fundamento; contrasta com o termo razoável que significa justo, conforme à razão, moderado, sensato, apropriado. Enfim, a distinção é clara. 

É neste interstício legal que se fundamenta um velho hábito vicioso do MºPº  qual seja o de acusar alguém baseado em indícios que intimamente se reconhecem insuficientes mas que se atiram para a frente por motivos espúrios à lei penal e muitas vezes em obediência a critérios insustentáveis como a satisfação hierárquica com acusações.   Em modo temerário, portanto e baseado com considerações inconfessáveis, como sejam a de sentir hostilidade a arguidos por este ou aquele motivo cuja reflexão causaria vergonha a quem o faz. Por exemplo, para ornamentar o sensacionalismo de quem o procura...

Quando tal acontece e julgo que acontece demasiadas vezes e muitas mais do que o desejável, o magistrado do MºPº que assim actua comete um crime grave: o de prevaricação. 

Actualmente, a meu ver há vários magistrados em certas comarcas do país que não sabem ser magistrados e cometem tal tipo de crimes em modo continuado. E nem se apercebem da gravidade em que estão imersos porque lhes falta consciência profissional, para não falar do carácter pessoal. 

É tudo. 

Um exemplo de garantismo judiciário

 Sábado de hoje, um resumo da história do processo da Octapharma e das vicissitudes processuais para afastar um juiz de quem não se gosta para escolher o preferido: nove meses de espera e mais alguns que virão. Falta à revista escrever que a decisão da Relação de Lisboa em aceitar o recurso para o Constitucional também tem muito que se lhe diga...particularmente pelo relativo ineditismo. É seguro e por jurisprudência firmada que estes recursos não têm lugar no Constitucional.  Contudo, para advogados de arguidos entalados vale tudo. Principalmente para ganhar um mês ou dois, preciosos para que o juiz preferido venha de novo a ter o "menino" a seu cuidado. Basta acabar o caso marquês para tomar conta destes duques. 


Quanto à Sábado, a capa de hoje e artigo de fundo assinado por Catarina Moura é consagrada a...uma tal Lili Caneças, uma senhora totalmente irrelevante e sem interesse público algum a não ser o sensacionalismo do voyeurismo de um mito sem consistência. É assim que a revista e o seu director acham que se aguentam no mercado? 

segunda-feira, dezembro 21, 2020

Prenda de natal para os cartéis das mercearias

 Observador: 



Só tenho curiosidade em ver como o Público, integralmente patrocinado pela SOANE, vai noticiar isto na edição de amanhã e que comentários irão os seus directores produzir...

E sobre isto falta sindicar o que anda a fazer a GALP, a grande distribuidora de combustíveis em Portugal. Parece que  é uma grande vergonha e talvez maior que esta das mercearias. 


ADITAMENTO em 22.12.2020:

E já está! Nada de notícia de primeira página que impressionaria mal o patrão. Nada disso. Apenas uma notícia na "Economia" ( é mesmo disso que se trata, não haja dúvidas...) e fofinha qb para não assustar ninguém com as trafulhices do patrão que subsidia a empresa desde sempre, em modo generoso. 

Assim vai o Público:


O contraste com a notícia do CM é flagrante e não se trata apenas de sensacionalismo...


É essa a diferença com o jornalismo de "referência" que a SOANE patrocina. 

O sensacional rigor do combro do Correio da Manhã

 O director-geral editorial da Cofina escrevia no outro dia sobre o que é o rigor jornalístico num artigo de fazer chorar as pedras da calçada dos combros redactoriais. 

Foi assim, no passado dia 6 deste mês:


O alvo da investida do director-geral, formado nas lides com os "mestres de há trinta anos" lá para os lados da "outra banda" era o jornalismo que não é "profissional, independente e livre" como será o caso dos que vierem a trabalhar para o futuro director-geral editorial do grupo Media Capital se este tiver como nome Mário Ferreira ou outro que não esteja sob a protecção da Cofina. Sensacional!

O CM do passado dia 17 mostra bem o que é o rigor jornalístico do tipo Cofina: a captura sensacional de imagens de um suspeito,  assalariado do grupo rival, tudo redigido numa nuvem de suspeições que têm um objectivo ainda mais sensacional: o impedimento de facto e de direito daquela Mário Ferreira em tornar-se director-geral editorial do grupo rival. 


Na edição de hoje o jornal vai mais longe neste sensacionalismo, ao indicar o edil do Porto como também suspeito de conluio na tramóia em tornar o tal Mário Ferreira califa no lugar do califa desejado, ou seja o director-geral editorial de um grupo rival ao da Cofina. 




Segundo se conta o tal edil do Porto organizou um "concurso" à maneira para a TVI. Esse é o título, rigoroso, como só o CM sabe fazer: sensacional! 

Depois lê-se que o edil é comentador na TVI desde  há algumas semanas e hoje apresenta ao executivo camarário uma proposta de alienação em hasta pública do direito ao arrendamento de uma parte de edifício pertencente ao município. 

Logo...o "concurso" como lhe chama o jornal,  é à medida da TVI. Concurso que é afinal...uma hasta pública, um leilão. Sensacional!
Em nome do tal rigor sensacional o jornal informa que o edifício, conhecido como Silo-Auto esteve à venda por cerca de 10 milhões de euros, também em hasta pública, mas ninguém lhe pegou. 

Agora vai a leilão e até a Cofina pode comprar, se cobrir os lances da rival. Será que...está interessada e publica estas notícias para criar cortinas de fumo mediático? Seria ainda mais sensacional!

ADITAMENTO em 22.12.2020:

Afinal a notícia do CM de ontem poderia ter esperado 24 horas e sairia com maior rigor. Mas nunca seria a mesma coisa...e vendo bem a trafulhice inerente à informação de ontem, inventaram um título ainda sensacional: a TVI continua interessada. 
Este director-geral, Octávio da outra banda, se não existisse teria que ser inventado porque inventivo já o é. 




A morte fassista

 O inacreditável e imperturbável director de uma trupe teatral da estirpe da dirigente do BE é alvo de um artigo no Público de hoje, assim:


A anormalidade democrática que é mencionada por M. Fátima Bonifácio encontra paralelo num acontecimento de finais de 1974, publicitado na revista Vida Mundial dessa época e que foi a estreia em Portugal de um filme de Arrabal, dito anarquista espanhol, chamado Viva La Muerte! 

O título repescava o mítico grito dos "fascistas" espanhóis durante a guerra civil, cuja realidade é apenas isso, do domínio do mito. À semalhança do mito dos gladiadores do Ave Cesar, morituri te salutant!





Este Arrabal e a recensão crítica do filme mais as imagens do mesmo dão uma noção da mitologia desta gente de que faz parte o tal inenarrável director de trupe teatral, premiado por ser quem é: um esquerdista radical que enforma o sistema cultural vigente. 
A complacência mediática, mormente do Público é assim garantida. A SONAE paga...

domingo, dezembro 20, 2020

Eduardo Lourenço e o génio do francesismo

 Vale a pena ler este artigo de Maria Filomena Mónica no Domingo de hoje do CM. Parece que há quem duvide do génio do falecido Eduardo Lourenço e não tenha muito medo do efeito...


O JL, um resquício dos tempos de antanho onde o decesso francesista evolava por vezes o seu "pensamento" acerca da saudade de ser português emigrado em universidade francesa, deu-lhe um número especial esta semana que passou. 

O número é um compêndio de encómios ao falecido génio e um dos melhores é este, de figura já conhecida por aqui, por causa também da sua genialidade cooperativa. Por aqui se nota uma crítica ao génio decesso, por não conseguir incluir no seu labirinto particular uma especial saudade pelos migrantes vindos das terras de África que foram nossas e deixaram de o ser por causa destes génios. Esses, segundo o génio de Barcouço ou arredores não são portugueses inseridos no labirinto da saudade mas apenas no da "opressão e racismo". 

Que mais se poderia esperar de uma análise deste celebérrimo e ilustrérrimo professor emérito? 




Continuando o postal e remetendo para aqui, o Chove,  julgo ser interessante o acrescento seguinte: 

Em 1973-74 a revistinha de divulgação cultural da Gulbenkian trouxe dois números acerca do "pensamento português", o 27 e o 28, ainda antes de 25 de Abril de 1974. 

Quem eram os pensadores elencados para os que então pensavam nestes assuntos? 









Aliás já em 1970 o assunto do labirinto era tema na mesma revista:  



Portanto o tal EL é alguém ignoto nestas paragens, nesse tempo. Andava ainda no meandros do labirinto a ver se encontrava uma saída para dizer o que outros já tinham dito e publicar o palimpsesto. 

Para além do mais e para não ir mais longe, parece que copiou o título...o que é desagradável, para dizer o menos. 

quinta-feira, dezembro 17, 2020

Beethoven, músico alemão de Viena

 Faz hoje 250 anos que Beethoven foi baptizado como Ludwig, em Bona. Segundo alguns dizem poderá ter ascendência ibérica...e tal soube lendo quem saberá mais e melhor. Por exemplo António Victorino d´Almeida que assim o escreve no livro de 2008, Toda a Música que eu conheço. 

Confesso que não conheço o músico tão bem como alguns mostram conhecer nos artigos sobre a efeméride publicados por estes dias. E muito menos a sua música em plena extensão da obra e ainda muito menos sob o ponto de vista da musicologia que é outra arte. 

O que conheço de Beethoven é quase tudo de ouvido e por ouvir dizer, ou ler. 

Comecei por ouvir falar de Beethoven e escutar alguma da sua música ( estou a ouvir a  Missa Solemnis enquanto isto escrevo) ainda nos anos sessenta do século passado porque tinha professores que gostavam da música "clássica" e obrigavam os alunos a escutarem algumas peças significativas como a Nona Sinfonia e outras. 

Na altura era um sacrifício que durava o tempo da música passar porque era preferível escutar "modinhas" ou mesmo a adaptação de trechos como o "hino à alegria" que aliás foi um êxito discográfico no ano de 1970 por Miguel Rios e a orquestra de Waldo de Los Rios. 

Só muitos anos mais tarde a música de Beethoven passou a representar quase uma alegoria da música clássica. 

Em 1971 surgiu um filme chamado Laranja Mecânica cuja banda sonora não passava ao lado do cartaz que o anunciava mas só passaria em Portugal em finais de 1974, por causa da censura. 



A imagem do cartaz de cinema ( tirada da Net porque é virtualmente impossível encontrar um anúncio ao filme, de 1974 com tal imagem) diz o que era preciso dizer para suscitar curiosidade pela música de Beethoven: um maluco e marginal que se sentia motivado pela música de Beethoven. A banda sonora do filme tem mais que Beethoven e deste compositor tem partes resumidas da nona sinfonia, incluindo o 2º movimento que é "molto vivace" mas não me alegra tanto como o seguinte que é um "adagio", absolutamente estonteante e possivelmente a minha música preferida de sempre, agora que conheço outras. 

Nos anos setenta do século que passou a música clássica tinha expressão frequente na televisão e um dos programas em que tal era tema chamava-se A Música e o Silêncio, gravado pelo autor, António Victorino d´Almeida, em Viena onde se encontrava como adido cultural anos antes de 25 de Abril de 1974. 

Apesar da temática era um programa popular pela dinâmica de montagem e apresentação e é natural que tenha ouvido falar de Beethoven num dos programas. O autor publicou em 2008 o referido livro em que consagra dezenas de páginas a Beethoven. Algumas delas:



A opinião de um musicólogo sempre vale mais do que a de um leigo que apenas aprecia os sons e ainda assim  foi reparando ao longo dos anos na importância que a figura do compositor foi assumindo quase como paradigma da música clássica. 

Nos anos setenta a audição de obras musicais de Beethoven estava limitada ao que se poderia ouvir nos discos, geralmente em tiragem limitada devido às relativamente modestas quantidades de venda ou então em concertos televisivos que de vez em quando passavam, a preto e branco e som de transistor de muito baixa fidelidade. O rádio da Emissora Nacional também poderia servir, mas era incerta a programação. 

Os programas culturais televisivos, como aquele, também ajudavam e em determinada altura havia os Concertos para Jovens e  assim O Mundo da Música, do maestro Leonard Bernstein,  passou a livro editado por cá, pela Livros do Brasil e que tem um capítulo dedicado a análise da Quinta Sinfonia e do célebre primeiro andamento. 

Este andamento às quatro pancadas repetidas inspiraram Chuck Berry para Roll over Beethoven, nos anos cinquenta e depois outros grupos como os ELO,  o copiaram, neste caso em 1973. 

Em 1974 este grupo publicou o lp Eldorado que me impressionou no mesmo sentido porque foi a primeira vez que ouvi o som rock da guitarra eléctrica literalmente misturado com instrumentos de corda, sinfónicos,  em tom harmonioso e fantástico. 

Por causa dessa memória sonora é o disco que tenho em maior número de exemplares por causa da prensagem e da edição que me fizessem recordar e reviver a sensação de o ouvir pela primeira vez num rádio Grundig transistorizado em 1974...

Foi preciso comprar oito discos diferentes para concluir que a melhor versão é a original, com prensagem inglesa.


Com a música de Beethoven aconteceu a mesma coisa, particularmente os cinco concertos para piano e orquestra. 

A partir de finais dos anos oitenta, com o advento do cd tornou-se mais fácil aceder a gravações musicais da obra de Beethoven, por diversos intérpretes e com a possibilidade de ouvir  um infindável acervo de gravações disponibilizadas na internet, em plataformas como o You Tube, foi possível comparar versões e mais versões deste e daquele maestro e escolher a que mais se torna agradável ao ouvido. 

Durante muito tempo a versão preferida dos cinco concertos era a de Daniel Barenboim que até tinha uma gravação em blu ray saída em 2009. 

Porém,  a facilidade de comparar versões musicais na internet revelou que afinal havia outros entre os quais os dois nomes que actualmente prefiro: Glenn Gould e principalmente Friedrich Gulda, quase inultrapassável porque afinal também há Wilhelm Kempf . 

Enfim, escolhas múltiplas e que agora são possíveis de ouvir com um computador, um dac apropriado e uma ligação a aparelhagem de alta fidelidade. 

Pouco mais há a desejar neste capítulo porque a oferta disponível é simplesmente impressionante, rápida e de qualidade geralmente superior, mesmo sendo gravação digital. 

Mesmo assim ouvir o segundo andamento do Imperador ( concerto nº 5 para piano e orquestra) com música tirada do vinil é simplesmente divinal nas alturas certas. E comparar aquelas versões...acrescenta valor e dimensão. 

Tudo depende do valor e importância da cadência, da sensibilidade do toque nas teclas e no ritmo imposto à orquestra. 

O que Gulda faz nesse capítulo, com uma simplicidade desarmante é simplesmente impressionante e maravilhoso...mesmo comparado com o que Kempf consegue fazer. 


Todo este mundo de possibilidades começou no final dos anos oitenta com o aparecimento do cd. Se em 50 anos o mundo e este campo específico da arte musical e comércio subjacente mudou muito, nos últimos 30 anos mudou ainda mais com tal fenómeno. 

Não me recordo nem consegui detectar em publicações da altura, de 1970 qualquer espavento dado aos 200 anos do nascimento de Beethoven ao contrário do que agora acontece com os 250 anos...

Em 1987 apareceu até uma revista dedicada especificamente aos cd´s e a música clássica, neste caso de Beethoven,  tornou-se um produto, como já era mas com uma elevação exponencial que foi aumentado ao longo dos anos: 


Em 1991 outra revista tinha esta capa acerca de novas edições das "sinfonias" e dos negócios à volta delas: 




Ora isto foi só há trinta anos e ainda não terminou...como se comprova actualmente com a onda de publicidade à roda dos 250 anos do nascimento. 

Sobre a figura e origem de Beethoven e para terminar fica uma história deliciosa contada por um grande escritor que ganhou o Goncourt em 2017 por causa deste livro de 140 páginas ( A Ordem do Dia, de Éric Vuillard):






ADITAMENTO em 19 12 2020:

O Público de ontem, no suplemento ípsilon ( com acento agudo no primeiro i...) deu dez páginas à efeméride em que repetiu o esquema de "tratamento" cultural e jornalístico destes assuntos: artigos algo pedantes com opiniões de musicólogos e referências copiadas sem menção da fonte. Uma miséria intelectual assinada por Pedro Boléo, Cristina Fernandes e Teresa Sofia Serafim. 

Aqui ficam as páginas exemplificativas e pobres de conteúdo original. Nem o desenho se aproveita por aí além, estilizado em modo digital, com certeza:






 







A entrevista na RTP ao líder do CHEGA

 Transcrevo este postal do Corta-Fitas a propósito de uma entrevista ao líder do CHEGA realizada no outro dia na RTP1. 

A entrevista foi conduzida por um tal Adelino Faria, jornalista pago pelo erário público para fazer destas figuras, aqui caridosamente enunciadas. 

Pelo que eu vi o tal Adelino não é apenas um pobre jornalista cheio de medo. É um pouco mais que isso: é um palerma, para dizer o menos. Porque o ódio contido que manifestou não é apenas sinal de medo mas de outra coisa bem mais perigosa que é a propensão para a censura e a discriminação por motivos político-ideológicos. 

Um jornalista deste tipo deveria estar na redacção de jornais partidários e não na RTP. Ponham o José Rodrigues dos Santos a entrevistar...



ADITAMENTO de Sábado, 19.12.2020:

Os jornais de hoje, Sol e Correio da Manhã trazem apreciações do modo de entrevistar em televisão, particularmente deste "en)quadrado:





Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso