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domingo, 10 de maio de 2015

Como descobri os americanos...e passei a viver melhor.


No início dos anos sessenta do séc. XX. quando me dei conta estava a ouvir falar dos americanos como indivíduos admiráveis e da nação americana como a maior do mundo.
Em pequenos sinais mostravam-se   coisas que já tinham feito e nos influenciavam o gosto por motivos  que a propaganda publicitária não explica inteiramente.
Por exemplo, no domínio tecnológico, desde os electrodomésticos, usando a electricidade cujo uso melhoraram até aos carros cuja utilidade aumentaram.  
Os nomes que comecei a ouvir em casa e fora dela soavam a americano :  Ford, Boeing, Nasa.
Os meios de divulgação destes fenómenos tornaram-se inevitáveis com a publicidade e a invasão cultural através dos mass media, uma expressão deles. O apelo da qualidade, apresentação e novidade era irresistível.
A  mostra que o cinema dava do "american way of life", embora muito distante da nossa maneira de viver  era relativamente agradável porque  não tinha cheiro e a cor era brilhante e solarenga. Mesmo nos dramas de Citizen Kane ou nas tragédias de E tudo o vento levou, a estrutura da historieta prendia a atenção do espectador, pelo modo profissionalíssimo da realização. 

A aurea mediocritas americana  suplantava  facilmente  a nossa apagada e vil tristeza vinda de um fado mourisco e por isso a colonização cultural pegou de estaca no panorama nacional, desde muito cedo no séc. XX.  
O nosso afamado cinema do pátio das cantigas dos anos 40 não poderia competir com a indústria cinematográfica de Hollywood que impunha a suas estrelas num planetário de fantasia. Os meios técnicos de produção, aliás, eram deles, numa boa parte. 
No jornal O Primeiro de Janeiro de 7 de Setembro de 1940, em plena guerra, há anúncio a filme de Edward G. Robinson e ao Tarzan de Johnny Weissmuller. 



Poderá dizer-se que a partir do fim da II Guerra não há pai para a disseminação na Europa da  cultura popular americana, de tal modo é invasiva e colonizadora.
E qual a razão principal? Salazar a disse em Novembro de 1946, na I Conferência da UNacional: "A história euro-americana que, para os próximos decénios se afigura comum", porque o dilema consistia em "fazer ou não o jogo russo para a destruição da Europa e a sovietização do Mundo".
Os EUA tornam-se os lídimos representantes de uma nova ordem internacional e para nosso azar estão contra nós...( capa da Time de 23 Julho 1946) e mesmo não sufragando a ideia de democracia que pretendem espalhar, perante as nossas dificuldades económicas começamos a usufruir do plano Marshall. 

Algumas imagens são do livro de Joaquim Vieira,  Portugal anos 40.

Os anos 50 reforçam esta  participação económica americana na nossa economia, como o denotam vários sinais do tempo. ( publicidade, carros, incluindo o que Salazar usava em férias e se encontra ainda hoje, num anexo da sua antiga propriedade no Vimieiro, como abaixo se mostra na última foto).

Imagem de O Mundo Ilustrado de Julho de 1952.


 


Até as histórias em quadradinhos têm cheiro americano a heróis e super-heróis, mandrakes, tarzans e outros flash gordon.  O universo de Walt Disney já brilhava por cá há muitos anos e continuou nesse firmamento até hoje. 


É por isso perfeitamente lógico que nos anos sessenta ouvisse falar dos americanos como sendo "muito lá de casa" mesmo que nos fossem estranhos no modo de vida.
Quando foi assassinado o presidente Kennedy, com quem oficialmente tínhamos desaguisados por causa do Ultramar, o assunto tornou-se consternação nacional, logo no rádio das primeiras notícias.
Portanto nesses anos sessenta Portugal estava já bem colonizados culturalmente e não só pelos americanos.
Tal apresenta-se como facto e a questão é apenas saber se foi bom para nós, tal coisa.  Há quem diga que não e que perdemos sempre na troca, porque nos abastardamos e vendemos espiritualmente a ideias mais fracas que as nossas.
Veremos se assim foi.



17 comentários:

zazie disse...

ehehe

Agora é que vai ser lindo

":O)))))

muja disse...

Veremos?!

O que faltará ainda para ver?

Miguel Dias disse...

Não considero que perdemos nessa troca com os americanos, nem nos abastardamos com tal facto. Com quem perdemos a autonomia intelectual, e mental, foi com os franceses, basta ter convivido e respirado a ar numa Faculdade de Letras durante os anos 60/70 para vermos a imitação francófona, o servilismo perante os autores (quase todos de esquerda) franceses, mesmo os Docentes desconheciam pensadores contemporâneos ingleses/americanos, e não liam obras vindas de Oxford/Cambridge/Yale/Princeton/Harvard ou do meio académico anglosaxónico. O "antiamericanismo" era comum à Esquerda e a alguma Direita mais antiquada.

josé disse...

Quanto aos franceses, lá iremos, um dia destes, se Deus quiser.

Agora, quanto aos americanos está tudo para ver a quem não consegue ver que tudo começou no pós-guerra e por causa do pós-guerra.

Até o Salazar enfileirou no coro, a cantar fininho.

Miguel Dias disse...

Na área das Ciências Sociais e Humanas pode-se afirmar sem receios que fomos "colonizados" pelos franceses, quase sempre para uma imitação intelectual de esquerda. O maio de 68 foi uma influência perniciosa para a academia portuguesa pós 25 de Abril. O PCP - depois da matriz soviética -, o BE e outras seitas de esquerda foram todos numa imitação francófona.

josé disse...

Foi isso que escreveu VPV na crónica que publiquei na Sexta-Feira.

muja disse...

Eu não sei quem é que não consegue ver o quê. Sei é que não percebo o que se pretende com isto.

É elogiar o way of life? É demonstrar a hegemonia cultural e económica americana? Talvez arguir a sua inevitabilidade?

Não sei.

Seja o que for, dispenso. Nasci nisso. Cresci nisso. Caí no caldeirão quando era pequeno. Como todos os da minha geração.

E hoje o que temos?

Nada. Menos que nada. Uma distopia.

Maria disse...

Olhe José, nem de propósito, parece ter havido transmissão de pensamento:)

Estou desde há dias para abordar aqui mesmo, no local apropriado, um assunto de suma importância que deve ser encarado com a máxima urgência sob pena de estarmos perante uma catástrofe de dimensões bíblicas, pelos governos de todos os países civilizados ou, em alternativa e melhor seria, por cidadãos de bem e independentes dos seus governos-fantoche - já que estes estão conluiados com quem manda neles ou seja, o governo mundial não eleito - sobre uma tragédia e diabólica que está a atingir "silenciosamente" as populações inocentes de TODOS os países do mundo, a passos de gigante.

O povo americano chama-lhes "chemtrails" e desde há vários anos que um punhado de patriotas e corajosos cidadãos daquele país o anda a denunciar sem quaisquer resultados práticos..., sabe-se porquê.

São trilhos-químicos, se assim quisermos chamar-lhes cujo rasto de substâncias químicas altamente mortíferas lançadas pelos aviões sobre todos os países do mundo, incluindo os próprios Estados Unidos, imagine-se o maquiavelismo!, podendo observar-se perfeitamente apesar das centenas de milhares de metros da altitude em que se encontram e da velocidade super-sónica a que se deslocam.

Ora bem, estas sustâncias químicas altamente nocivas para o ser humano (e para todos os seres vivos, em geral) estão a afectar sèriamente a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo e a matar cada vez mais depressa muitos deles . Uma das suas consequências imediatas e que se vem desenvolvendo de modo assustador há largos anos é a prevalência de todas as espécies de cancro, mas há investigadores que atribuem a crudescências de cada v




muja disse...

Relendo melhor, ainda fico mais confundido: a questão - como eu a entendo, pelo menos, e aquela a que sempre me refiro - não é a da colonização cultural ou lá o que lhe queiram chamar.

Estava em causa um "desaguisado" entre os EUA e Portugal sobre território e população portugueses.

A questão pode ser circunscrita a isto.

Devíamos ou não devíamos - e pode aplicar-se o presente: devemos ou não devemos - ceder sempre que uma terceira parte queira obter de nós território em que somos soberanos? Devemos simplesmente dar? Vender?

Devemos dar apenas aos mais fortes que nós (quantos há, hoje em dia, mais fracos)?

Onde se traça o limite da soberania? Quanto vale, em dólar, em esterlino, em yuan? Tem preço?

E não adianta vir com os Açores. Nenhum território se alheou ou está alheado. Nem sequer tem ponta por se possa pegar a comparação.

Curiosamente, era nos tempos do império que se faziam essas coisas: dava-se terra em troca de benesses, ou por motivos políticos; Bombaím foi parte de dote e passou assim para os ingleses.

Afinal, onde persiste o mito do império? Será que é mesmo nos descabelados para quem território e gente não se vende, não se troca, não se aliena?



Maria disse...

(cont.)
O palerma do comentário fugiu-me sem eu o autorizar...

Esqueçam lá as "crudescências", que estão a mais:)

"... substâncias", evidentemente.
------

... mas há investigadores imparciais que atribuem outras doenças degenerativas que estão a atingir cada vez mais pessoas, independentemente das idades, consequência directa dos químicos lançados da atmosfera.

Uma médica(?) inglesa disse um dia destes numa reportagem televisiva que o cancro está a alastrar de um
modo que era impensável ainda não há muitos anos. Pessoas afectadas por doenças cancerígenas viajavam propositadamente de vários países do mundo ao Reino Unido para nele serem operadas e/ou tratadas. Pois presentemente dá-se o fenómeno estranhíssimo (ou, de facto, nada estranho) de ser aquele mais um país a somar-se aos muitos onde esta doença maldita está a alastrar e a atingir níveis jamais imaginados ainda não vão muitos anos. O que (ou quem) é que está por detrás deste fenómeno horrendo que se abateu sobre a humanidade? Ou será que ele até é demasiadamente perceptível? E sabendo-o, como é que ele ou, melhor, este Mal se pode combater eficazmente? Eis a questão.

Maria disse...

No seguimento do primeiro para o segundo comentário, leia-se o que estava em falta (não me deu tempo de o reler, desapareceu antes disso):

"... mas há investigadores imparciais que atribuem a recrudescência desta e de outras doenças degenerativas que estão a atingir..."

zazie disse...

Isso da influência francesa nas ditas ciências sociais é mesmo verdade.

O mais estranho é que hoje em dia são os americanos que acham o máximo citar Foucault ou Deleuze.

Não sei a explicação disto.
Em História da Arte alemães e ingleses (em particular os primeiros) tiveram muito mais importância.

Mas os desconstrutivistas e quejandos impuseram-se de tal maneira que hoje até se torna patético ler o que diz um Hal Foster, por exemplo.

Floribundus disse...

os gringos apoiaram a urss contra Herr Adolf
entregaram-lhe a Europa oriental

10 anos depois alguém disse nos EUA
'matá-mos o porco errado'

Apache disse...

“São trilhos-químicos, se assim quisermos chamar-lhes cujo rasto de substâncias químicas altamente mortíferas lançadas pelos aviões sobre todos os países do mundo, incluindo os próprios Estados Unidos” [Maria]

Maria, é preciso alguma cautela quando fazemos afirmações fortes sobre temas complexos que não dominamos, sob risco de perda de credibilidade.
Não sou dos que acham que estes rastos são resultantes da condensação da água que sai dos “escapes” dos aviões (como muitas vezes se lê) porque essa, ao formar os pequenos cristais de gelo cai rapidamente para mais próximo da superfície da Terra, mais quente, e evapora, “desaparecendo”. Até porque esses rastos, além de persistentes, por várias horas, são feitos em grelhas metodicamente construídas para cobrir uma vasta área da atmosfera.
Mas pensemos um pouco. São substâncias altamente mortíferas? Quem identificou as substâncias? Ao serem largadas indiscriminadamente não “envenenariam” também os familiares das elites?

Apache disse...

“Ora bem, estas sustâncias químicas altamente nocivas para o ser humano (e para todos os seres vivos, em geral) estão a afectar seriamente a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo e a matar cada vez mais depressa muitos deles.”

Esta é mais uma afirmação forte que carece de provas. Nos últimos anos tem aumentado a produção agrícola, a área florestal, a produção pecuária, a população mundial e a esperança média de vida. Será que estas substâncias “altamente mortíferas” ainda não se reflectiram nas estatísticas?

Apache disse...

“Uma médica(?) inglesa disse um dia destes numa reportagem televisiva que o cancro está a alastrar de um modo que era impensável ainda não há muitos anos.”

Em Inglaterra? Nos Estados Unidos, não. Dos dez cancros com maior número de casos, oito (Próstata, Mama, Pulmão, Cólon, Bexiga, Linfoma Não-Hodgkin, Rins e Tiróide) diminuíram entre 1999 e 2011, último ano de que já há dados (alguns mais de 10%), tendo aumentado apenas dois (o do Útero, menos de 5% e o de Pele, que “disparou” 30%).

Apache disse...

Acho que temos o direito de saber o que está a ser lançado na atmosfera e com que finalidade, mas acho também que devemos evitar afirmações “bombásticas” sem prova irrefutável.