O ponto limite da razão esbarra logo numa dificuldade: que elementos se apresentam para calcular o acréscimo de tal variável quando a mesma tende para zero, ou seja para a irrisão argumentativa?
O melhor, segundo entendo. será apresentar os dados de facto, escritos numa linguagem que se entende.
Aqui ficam algumas páginas sobre tal assunto, escritas por quem por lá passou e assim se defende indirectamente.
Em primeiro lugar, as dificuldades conjunturais que atingiram Portugal durante o ano de 1973, derivadas essencialmente de uma crise de petróleo que afectava os demais países europeus ( a inflação em Espanha não era diversa da nossa...) eram bem entendidas por Marcello Caetano que as explicava claramente nos jornais, de Fevereiro de 1974.
Porém, antes do mais, que era o nosso sistema económico, ou seja, no nosso "Modelo económico-social"?
Talvez valha a pena ler o que escreveu Alexandre Vaz Pinto, governante em assuntos económicos, durante o consulado de Marcello Caetano, a partir de 1970.
Por outro lado, o regime de Salazar não era apenas...Salazar. Em 1952, uma certa elite do regime nada tinha de rústico...e o olhar para as pérolas diz mais do que mil palavras.
O que se seguiu a Salazar, em 1968, foi, como se depreende dos escritos, uma autêntica "evolução na continuidade", ou seja, ao longo dos 40 anos anteriores tinham-se estabelecido alguns princípios fundamentais ( solidez das finanças públicas, com equilíbrio orçamental; estabilidade do valor da moeda, com liberdade económica; planeamento). Marcello Caetano não surgiu do nada, em 1968 pois fora um dos obreiros do regime, com Salazar.
O que Marcello fez a seguir irá ser defendido pelos próprios, com depoimentos escritos...
Assim, lançar petardos de acrimónia sobre Marcello Caetano pode ser um exercício vão se os petardos estiverem molhados, como parece ser o caso.