Em 9 de Junho de 1977, na revista Opção, apareceu um artigo sobre o "10 de Junho", da autoria de Fernando Marques da Costa que aparentemente será um dos indivíduos que acolitou os presidentes da República da nossa esquerda democrática.
O artigo de quatro páginas dedica-se a zurzir a ideia de "raça" tal como herdada de Salazar dos primórdios que apesar de tudo "não atinge em Salazar o estatuto que atinge no fascismo alemão".
Porém, "o Dia da Raça comemorava assim por um lado a epopeia que o país vivera no seu passado imperial, na época áurea dos descobrimentos e da expansão em que Portugal dera ´novos mundos ao Mundo´" .
É ler o discurso corrente do antifassismo primário dos profissionais do antisalazarismo. É fundamental para entender o argumentário básico da esquerda nacional e ao mesmo tempo mostrar que foi este género de opiniões que pavimentou toda a mistificação operada ao longo das últimas décadas sobre Salazar.
A questão não reside apenas no debate da ideia de "raça" atribuída ao salazarismo, o que pode ter alguma ressonância de verdade histórica. Reside mais no acantonamento estratégico do Salazarismo a essa ideia estereotipada ao limite e replicada pelos historiadores do regime actual, sem nuances ou interrogações contextualizadas sobre o sentido da mesma.
Quem ousar divergir desta ideia feita está feito no mercado da opinião publicada.