sexta-feira, setembro 20, 2013

PRP-BR: a gente que justificou a existência da PIDE/DGS

Os revolucionários do PRP/BR e mais tarde as suas excrescências nas FP25 justificaram a seu tempo ( aqueles do PRP/BR) a existência de uma polícia política no tempo de Marcello Caetano, porque não há país algum que sobreviva ao terrorismo das bombas e assassinatos com objectivos políticos. Em democracia, o grupo Baader-Meinhoff, na Alemanha e as Brigate Rosse na Itália, são o melhor exemplo dos émulos do PRP/BR e cujas ideias políticas aliás partilhavam. A Alemanha prendeu o casalinho do grupo que acabou por se suicidar na prisão e a Itália teve os anos de chumbo para aprender a lidar com o fenómeno que causou centenas de mortos, em atentados em lugares públicos, como hoje faz a AlQaeda.
Mais: sem esta gente ou este terrorismo não haveria polícia política no tempo de Marcello Caetano e não parece ser um prognóstico póstumo demasiado arriscado. Portanto...

Em 1979, o mesmíssimo PRP/BR da mesmíssima Isabel do Carmo agora convertida à pacatez da endocrinologia hospitalar pública, matava gente. A mesmíssma Isabel do Carmo, apesar de ser dirigente de topo da organização, parece que de nada sabia...mas O Jornal de 23 de Março de 1978 contava outra história...e em Junho os dirigentes de tal grupo terrorista eram presos.

Ainda assim, a polícia Judiciária ( a nova PIDE para os PRP/BR) juntava as pontas soltas e com ajuda de arrependidos que colaboraram na delação, fez um retrato do terror daqueles.  Por isso mesmo, em 15 de Novembro de 1979, um dos arrependidos, José Manuel Azevedo Plácido foi executado, morto a tiro de pistola, disparados dentro de um "Mini" com três indivíduos no interior. Nenhum deles era Carlos Antunes ou Isabel do Carmo e é de supor que estes se manifestaram surpresos e indignados quando tal souberam...

Como se sentiam completamente inocentes destes e doutros crimes, os presos do PRP entraram em greve de fome, às pinguinhas e que durou meses ou anos,  provocando um problema para além do mais...político, como relata O Jornal de 31 10 79 ( os 29 presos terminaram uma greve de fome que durou 30 dias)  e de 2 7 82. Eram "antifascistas" presos...

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E como é que os envolvidos, os maiores responsáveis por este terrorismo justificavam as suas condutas? Assim: primeiro a pacatíssima Isabel do Carmo, no O Jornal de 4 6 82.

Depois o hirsuto Carlos Antunes, logo a seguir, no Expresso de 26 de Junho de 1982.


A situação agravava-se, mesmo politicamente e por isso toda a gente se reunia a debater o assunto. Até o Patriarcado ( é preciso não esquecer que estamos em 1982...).

E como é que o "arrependido" Altino explica tudo isto? É simples, lendo...o Expresso de 20 de Dezembro de 1980 ( antes do problemas político se colocar...):



A seguir: as FP25, uma excrescência do PRP/BR. Filhotes tresmalhados de uma mesma monstruosidade.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Isabel do Carmo, a revolucionária das bombas inteligentes

 Isabel do Carmo, a revolucionária que renega as bombas assassinas em prol das que não matam e só moem, deu uma entrevista ao i do passado dia 17. Nela conta coisas do seu passado revolucionário. Aparentemente foi tudo muito suave e discreto, tendo sido uma luta patriótica contra o fascismo que prendia e torturava e "matou muita gente na guerra". Supõe-se que se refere à guerra do Ultramar...o que só denota a obscenidade da observação, por contraposição ao branqueamento da sua acção, após o 25 de Abril de 1974 ( tendo sido comunista do PCP, apostatou para se dedicar à Revolução, tendo assim contraído a doença infantil habitual) em que como membro fundador do PRP-BR foi responsável directa por acções armadas e mortais. Diz que nunca pôs bombas. Ajudou a pôr...


Foi presa duas vezes, as duas quando os seus filhos tinham oito meses.
A primeira vez foi depois da morte do Ribeiro dos Santos, assassinado pela PIDE. Era filho de um colega médico e emitimos um comunicado na Ordem. Deixei lá ficar o documento com a minha letra, a PIDE encontrou-o e prendeu-me, ia eu com a minha filha ao colo. Cinco anos depois foi com o meu filho, já posterior à contra-revolução. Estive presa quatro anos e foi duríssimo.
Não se arrepende de nada desses tempos de maior activismo político?
Do que fiz, nada, defendi aquilo em que acreditava. Às vezes pergunto-me se não fui uma mãe como as outras, é talvez a única mágoa. Penso para mim que eles não tiveram as coisas que outras crianças têm. Os pais estão sempre presentes, vão às actividades, fazem férias, vão à piscina. Quando saí da prisão tinha a minha filha 11 anos, e o meu filho cinco.
Sendo médica, como é que se gere a defesa da luta armada?
Gere-se bem. Fui uma das pessoas que mais se bateu dentro das brigadas para as bombas não matarem ninguém. Era uma questão de princípio que não houvesse mortes. Depois houve mortes de dois colegas nossos que colocaram mal a bomba. Mas mortes provocadas em terceiros, nunca aconteceu. Colocávamos as bombas à noite, quando não estava ninguém nos edifícios do Estado, e avisávamos as pessoas por telefone, para não se assustarem.
Pôs bombas?
Antes do 25 de Abril transportei material explosivo, estive integrada na organização das acções, fiz observação de locais. Participei completamente na organização, mas nunca instalei. A minha cara já era conhecida, a PIDE andava em cima de mim. Este regime matou muito na guerra, oposicionistas, mas sobretudo torturava muito e há muita gente que foi muito torturada que não é lembrada. Torturava brutalmente para obter confissões e, às vezes, já depois de terem confissões, continuavam só para humilhar. Mesmo aquele ano final do marcelismo, que para alguns aparecia como uma primavera, foi um ano de brutais torturas.
E isso justificava as bombas?
Com certeza. Não como vingança ou resposta, mas para abalar o regime. Porque uma coisa é a actividade clandestina: panfletos, jornais e até greves. Para um regime como o Estado Novo, isso era previsível, tinham informadores em todo o lado. As bombas, não. Eram uma coisa física: atinge e é inesperado. Não se sabe onde ir à procura delas. As bombas dos últimos anos abalaram muito o regime. O Otelo, no livro “Alvorada em Abril”, reconhece a nossa influência.
Sente-se injustiçada no rótulo de bombista?
A história de eu ser bombista veio sempre da direita ou da extrema-direita. Não me afecta nada.
E no trabalho, nunca ouviu críticas?
Quando fui condecorada pelo Presidente Jorge Sampaio, o CDS tomou posição pública. Aí houve uma polémica com o Pires de Lima, que foi reproduzir o que estava escrito na internet por um site apócrifo – aliás, fácil de perceber, porque não falava das Brigadas Revolucionárias, mas das Brigadas da Revolução. Nessa altura fui explicar-me à televisão porque havia uma calúnia. Falava em morte de pessoas e isso nunca aconteceu. Francamente, emocionalmente, vivo bem. E, depois de todos os julgamentos, fiz a minha vida profissional de forma que isso não fosse objecção. O que exigiu muito esforço.
Em que sentido?
Foi tudo a pulso. Não tanto pela política, mas porque, para uma pessoa ganhar espaço, precisa de se afirmar pelo mérito.

Para quem não sabe, Isabel do Carmo, juntamente com o seu companheiro de luta de então, Carlos Antunes, faziam a parelha simbiótica com as utopias comunistas da época. Eram os baader-meinhoff de cá, mas não se dão por achados porque de nada se arrependem e nada esqueceram. Mas a memória é selectiva e só perdura no que lhes interessa. Por isso mesmo importa lembrar o que não querem e o jornalismo de trazer por casa, tipo para quem é bacalhau basta, aprecia e serve.

A Wikipedia resume assim o percurso de Isabel do Carmo e do partido que fundou, o PRP-BR e da sua particular ideia de justiça revolucionária ( julgamento e execução sumária e morte dos "traidores", num exemplo subido de humanismo actualizado por esta pacata endocrinologista ):

"Entre 1975 e 1979 o PRP desenvolveu actividade clandestina através das suas Brigadas Revolucionárias, que estiveram envolvidas em actividades de "recuperação de fundos" (através de assaltos a bancos e repartições da fazenda pública) e colocação de engenhos explosivos. Estas actividades deram origem ao chamado "Caso PRP", que terminou com a condenação de vários dos envolvidos, incluindo dos dirigentes Carlos Antunes, Pedro Goulart e Isabel do Carmo. Também reivindicada pelas BR do PRP foi a execução, em Novembro de 1979, de José Plácido, ex-militante da Marinha Grande, por delação e alegada corrupção (apropriação pessoal de fundos do partido, oriundos dos assaltos).
Um importante grupo de militantes do PRP e das BR acabou por fundar, já nos anos 80, as FP-25."

O chamado "caso PRP" colocou vários problemas jurídicos relativamente à repartição de responsabilidades criminais, directas e indirectas, dos seus militantes e dirigentes. O ministro da Justiça de então, Meneres Pimentel ( 1982) confrontado com a greve de fome dos presos do caso PRP-BR, não sabia como resolver o problema e apareceram logo os demais beneméritos a propor a salvífica amnistia.
Como agora se lê, Isabel do Carmo foi uma santa de uma ladeira íngreme de luta contra o fassismo. Uma heroína que lutou contra os algozes do povo português e por isso aplaudiu os atentados bombistas, ajudando a prepará-los, aplaudiu os assaltos de recuperação de fundos aos capitalistas exploradores e aproveitou o seu resultado, aplaudiu os assassínios dos vários inimigos do povo abatidos a tiro, alguns de forma cobarde. Na altura dirigia o PRP-BR e que se saiba nunca se demarcou pessoalmente dos homicídios cometidos. Vem agora verter as lágrimas de crocodilo sobre o leite derramado, atirando a responsabilidade pelas " calúnias" para a "direita e extrema-direita" .
Para além disso, Isabel do Carmo teve sempre o beneplácito de uma certa esquerda moderada entranhada no O Jornal e depois na Visão. Várias foram as reportagens que a mostraram a ela e aos filhinhos sem que idêntica imagem fosse dada dos filhos daqueles que morreram às mãos dos terroristas do PRP-BR e depois das FP-25, uma excrescência da mesma hidra.

Em 15 de Agosto de 1975, a Flama ( imagens tiradas daqui)  mostrava numa entrevista do que era feito o espírito de Isabel do Carmo, a actual santinha da ladeira do comunismo renegado.

E explica o aparecimento do nosso grupo baader, perdão, revolucionário das causas perdidas, o PRP-BR:



Por isso vale a pena lembrar o que dela e dos demais, incluindo o outro benemérito Carlos Antunes,  disse um que os conheceu demasiado bem: Altino Alves Dias de  Oliveira que no Expresso de 20 de Dezembro de 1980 ( estava Isabel do Carmo presa, juntamente com outros elementos do PRP-BR, enquanto cá fora os outros revolucionários do grupo estavam prestes a formar as FP-25 que nos anos seguintes espalharam o terror em Portugal) .

O artigo prossegue por mais páginas...mas estas chegam para lembrar a Isabel do Carmo que há quem tenha memória dos factos e nem todos os jornalistas são mentecaptos.


Anuncia-se um livro de anedotas...

 Sapo-Notícias:

José Sócrates prepara-se para lançar um livro sobre Ciência Política com prefácio assinado por Lula da Silva, sabe o Económico.
José Sócrates vai lançar um livro sobre Ciência Política no final de Outubro, poucos dias após a apresentação do Orçamento do Estado para 2014 e cerca de um mês depois das eleições autárquicas, apurou o Económico.
Lula da Silva, antigo presidente brasileiro, prefaciou o livro de José Sócrates e marcará presença no lançamento, em Lisboa.
Contactado pelo Económico, José Sócrates recusou falar sobre o assunto.
O Económico sabe que se trata de uma obra sobre Ciência Política que reflecte a passagem de José Sócrates pelo Sciences Po - Institut d'Études Politiques de Paris, para onde foi após se ter demitido do cargo de primeiro-ministro, em Março de 2011.

terça-feira, setembro 17, 2013

Um "teste" de Português diplomático...

Este documento foi-me remetido para o endereço de correio electrónico, como exemplo de um teste de habilitação em concurso público para uma vaga de assistente administrativo no Consulado-Geral de Zurique, em Abril do corrente ano.

Vale a pena ler, para perceber o actual estado de alfabetização, em contraposição ao antigamente, ao tempo de analfabetismo que os Rosas&Pereira costumam apresentar como exemplo de atraso nacional...


segunda-feira, setembro 16, 2013

A frustração de Maria José Morgado é também a do MºPº


O Diário de Notícias, dirigido por um jornalista desportivo, anda novamente a publicar estudos desenvolvidos sobre problemas candentes da sociedade portuguesa. Desta vez o tema é o das autarquias e os seus problemas, entre os quais avulta o fenómeno da corrupção.



Para glosar o tema entrevistaram Maria José Morgado, dirigente do DIAP, a estrutura de investigação  criminal da área de Lisboa, que se mostrou disponível para o comentário e entrevista, porque já está habituada e parece não haver mais ninguém para tal.
MJM diz uma coisa extraordinária no fim da entrevista, quando o jornalista lhe perguntou se o arquivamento de diversos casos, no que concerne a corrupção autárquica, se daria mais por incapacidade do MP ou por denúncias infundadas. A resposta, perante a confissão da ausência de dados, é desarmante: "o primeiro motivo é capaz de ser mais frequente", ou seja, o arquivamento desses casos ocorrerá, segundo MJM,  por incapacidade do MP.
E terá porventura razão. O MºPº, actualmente, nesta área como noutras da criminalidade económica de alto coturno, não tem capacidade suficiente de intervenção. Não tem meios suficientes, cultura de investigação suficiente, ligação às polícias eficaz e colaborante e rotinas de comportamento adequadas e exemplares.

O DCIAP ( e o DIAP, já lá iremos...), nos últimos anos revelou-se incapaz de investigar casos delicados que envolveram políticos e pessoas com relevo social importante na sociedade portuguesa. Por motivos que fatalmente se explicam pela forma mais simples, não tem sido possível em Portugal investigar, acusar e julgar suspeitos de actos de corrupção gravíssima que afecta a credibilidade do país, o que aliás é revelado periodicamente por organismos internacionais independentes.

Porque é que tal sucede? Essencialmente, por duas razões que se resumem a uma só: sistema de contactos e raison d´État, como dizem os franceses que não usam tal conceito, apesar do o "parquet" deles nem sequer ter a autonomia do nosso MºPº. Chirac foi investigado e julgado; Sarkozy anda a ser investigado e poderá ser julgado, a propósito de vários casos de corrupção e financiamento ilegal partidário. Se tal sucedesse por cá, tal não aconteceria, pura e simplesmente.

O que falha então no MºPº nacional? Em primeiro lugar, a vontade firme de aplicação do princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei. Em Portugal, certas pessoas, ligadas a certos partidos e grupos económicos não são investigadas como outras o seriam, caso não estivessem em posição de grande poder. A par deste fenómeno verifica-se uma mensagem explícita passada pelas figuras do costume sobre a circunstância de Portugal não ser um país de corruptos...e de a classe política ser das menos corruptas que pode haver. Tal já foi afirmado e repetido em tempos recentes, em entrevistas, por exemplo, por...Isabel Moreira.
Fundamentalmente  verifica-se uma espécie de "garantia administrativa", como existia antes de 25 de Abril de 1974 que eximia os funcionários públicos do vexame de um julgamento público, criminal,  por actos relacionados com a profissão. É uma garantia tácita em que incorrem todas as instâncias de controlo judiciário, desde a direcção das polícias até ao escalão máximo do MºPº que dirige os departamentos. Tal ocorre, objectivamente, ao se contemporizar há décadas com a ausência de meios suficientes e empenho necessário para investigar certo tipo de criminalidade económico-político-financeira. Os diversos procuradores- gerais, directores gerais de polícia e directores de departamento de investigação criminal sabem perfeitamente que a investigação criminal a certos indivíduos não se desenvolve do mesmo modo que a outros. Alguém pondera seriamente fazer buscas ou proceder a escutas telefónicas a certos personagens suspeitos? Não. Alguém pondera seriamente aplicar os mesmos métodos de investigação que foram usados, por exemplo no caso das FP25, em casos de corrupção na qual aparecem suspeitas de envolvimento de políticos de topo? Não. Então...
Em Portugal de há umas décadas para cá, certos personagens da vida pública viram-se protegidos pelas instâncias de controlo judiciário, de qualquer investigação profícua e eficaz apesar das suspeitas públicas, por vezes muito fortes, da existência de matéria criminosa que os poderia conduzir à cadeia.

Não adianta citar nomes, embora alguns deles sejam por demais notórios para tal não suceder, como foi o caso de Mário Soares, com o caso do fax de Macau. Mais recentemente, o caso de Sócrates suscitou perplexidades com o assunto "Face Oculta" e a aparição da nova figura processual designada como "extensão procedimental", um artifício milagroso que garantiu a impunidade, assegurada pelas duas figuras de topo do judiciário nacional, por factos que muitos entenderam como revestindo relevância criminal. Perante factos de tal gravidade, duvido que exista algum país europeu, actualmente, em que as autoridades judiciárias de topo fizessem o que as de cá fizeram, na fronteira da denegação da justiça.
É esta a frustração de Morgado e também a do MºPº. Por falar em Morgado e DIAP, como ficaram dois processos que em tempos deram brado mediático, o primeiro relativamente à violação de segredo de justiça no caso Face Oculta, no dia 24 de Junho de 2009 e o outro relativamente à averiguação da prática de crime de peculato, imputável a membros do governo de José Sócrates?
Foram arquivados, supostamente. Alguém sabe com que fundamentos e como se fizeram as investigações? Poderão os mesmos exemplificar o que acabo de escrever?  E se puderem, porque é que não se discute abertamente tal situação e estado de coisas que revela um atraso democrático grave e semelhante ao que se passa em países, sei lá, como...Angola? 

Providências cautelares contra medidas governativas...em Espanha

Do El País ( agradecendo a ligação a quem ma enviou):

El Tribunal Superior de Justicia de Madrid (TSJM) ha asestado este miércoles el que, según fuentes jurídicas y empresariales, puede ser el golpe definitivo al proceso de privatización de la gestión de seis hospitales impulsado por el Gobierno de esa comunidad. La sección tercera de la Sala de lo Contencioso-Administrativo ha dictado un auto en el que ordena la suspensión cautelar del proceso hasta que tome una decisión, lo que puede suponer entre año y medio y dos años. Ordena que se mantenga la prestación sanitaria tal y como está hasta que haya sentencia y, sin entrar todavía en el fondo del asunto, apunta a irregularidades en el concurso de adjudicación.
Los magistrados han tomado en consideración el hecho de que el paso de estos hospitales a manos privadas afecta a 1,2 millones de madrileños y a 5.000 profesionales sanitarios y supone trasacciones económicas de decenas de millones de euros. La sala cree que el plan privatizador “es de unas dimensiones tan extraordinarias” que, de seguir adelante y si finalmente una sentencia obligara a volver a la situación anterior, los cambios en la gestión sanitaria pública serían ya “irreversibles”. De ahí que acuerde la suspensión, es decir, “mantener la situación existente” ahora “hasta que el recurso se resuelva”. Contra el auto cabe recurso.

Pois parece que em Espanha não houve a reacção costumeira dos marinhos e pintos deslegitimadores do poder judicial. Acataram a decisão judicial e não parece que tenham aparecido secretários de Estado a comentar a mesma, nem artigos de jornal a alvitrar a inadmissível intromissão dos tribunais nos domínios do executivo.
 A democracia em Espanha é mais jovem que a nossa..três ou quatro anos, segundo julgo.

O que se passa na PSP?

 RR:

Um agente da PSP foi detido pela GNR por suspeita de assalto a uma residência na periferia da Lousã, no distrito de Coimbra, disse à agência Lusa o comandante daquele destacamento.
Segundo o alferes Rui Oliveira, um homem com idade entre os 40 e os 50 anos foi detido por uma patrulha, cerca das 21h30 de sábado, escondido próximo da habitação que, supostamente, terá assaltado momentos antes.

Em menos de um mês, mais um caso que envolve agentes da PSP. O que se passa com os critérios de admissão de agentes na corporação? E a IGAI,  pós Maximiano Rodrigues serve para quê?

sábado, setembro 14, 2013

Marcello Caetano- reposição da História

Em 1972, Marcello Caetano perfazia quatro anos de governo e à semelhança dos anos anteriores o mesmo governo publicou um livro de 294 páginas onde explicava a actividade governativa desse quarto ano de governo.
O que segue são algumas páginas que os Rosas&Pereira nunca lêem. Se lessem e compreendessem talvez não escrevessem uma espécie de História paralela do nosso país.

Estas páginas explicam, para quem quiser entender e sober o contexto em que foram escritas, o que era o odiado regime que nos mergulhou na "longa noite do fascismo" que os escuteiros mirins da ideologia corrente proclamam como verdade indiscutível da nossa modernidade.

Marcello Caetano explica detalhada e claramente num discurso que hoje não existe porque o dominante é a parlapatice tipo Seguro e quejandos, tudo o que então era essencial: os valores do regime e da sociedade vigente; as ameaças concretas a tais valores e o modo de defesa, particularmente as "utopias ideológicas" que hoje ainda perduram na mente travestida dos escuteiros mirins da política nacional esquerdista. Explica o que era a censura e porque existia; o estado social nascente e já importante como modelo social-democrata, mas atento ao senso comum, hoje inexistente; o perigo do comunismo esquerdista e da extrema esquerda revolucionária dos futuros PRP-BR e quejandos que ainda não desapareceram do mapa político actual, estando recuados numa táctica de espera pela melhor oportunidade; o problema candente da guerra no Ultramar e do esforço económico para a manter ( os esquerdista de então, Soares e Cunhal, diziam que se acabasse esse esforço, Portugal seria um país economicamente semelhante aos maiores da Europa...o que se viu logo a seguir. Dois anos depois de 25 de Abril de 1974 e não quatro como escrevem os escuteiros mirins do costume, nos sítios habituais da fantasia utópica, estávamos na bancarrota e sem dinheiro para comer, o que é extraordinário e nunca ninguém fala nisso...), etc etc.



Um dos escuteiros mirins mais miríficos desse grupo de gente que nos desgraçou, económica e socialmente, José Jorge Letria, já medalhado com a Ordem da Liberdade, publicou agora um livro de memórias.  O opúsculo intelectual, com um pósfácio do celebrado cantor de Joana come a papa, Barata Moura, (outro medalhado?), lê-se bem porque as recordações do PREC são sempre um maná para não se esquecer o que Marcello Caetano profetizara alguns anos antes: "o triunfo dos porcos" de uma idologia nefasta e que nos condicionou como sociedade, para gáudio dos seus mentores, todos refastelados na vidinha, agora, depois de revirarem uma casaca puída, mas que guardaram para as ocasiões- como esta. José Jorge Letria é o autor da cantiga revolucionária "Só de punho erguido a canção terá sentido", sem esquecer a belíssima ode que é o "Quem tem medo do comunismo?", cantada pelo mesmo em tom de desafio aos reaccionários e fascistas... olarila. Olé!
Se lhes perguntarem como foi possível explicam: a juventude. Foi o que foi. Miséria. Porca miseria, como diriam os italianos.
O título do livro é o programa ideológico: "tudo era possível". Então não era! Até as três bancarrotas! O país mais atrasado da Europa, com maior diferenciação entre pobres e ricos e com uma educação que dizem a melhor de sempre e que gera analfabetos funcionais aos milhares.Em 40 anos, Salazar tirou Portugal do vespeiro miserável da I República. EM 40 anos estes adeptos do " tudo era possível" afundaram Portugal num buraco de indignidade.


sexta-feira, setembro 13, 2013

O antifassismo mirim

João César das Neves, um economista de escola, publicou no outro dia um pequeno texto no Diário de Notícias  que começa assim:
Nos anos 1960, Portugal era um país pacato e trabalhador, poupado e prudente, que se sacrificava generosamente, labutando dia e noite para cumprir os deveres. Frequentemente emigrava e procurava vida melhor noutras terras. E os patrões, franceses ou alemães, suíços ou americanos, gostavam dele, por ser pacato e trabalhador, poupado e prudente. Havia quem abusasse da sua dedicação, e ele sabia-o. Sentia-se enganado, mas apesar disso trabalhava com afinco.
Um dia, Portugal recebeu uma boa notícia da terra. Aqueles que abusavam dele tinham sido afastados. A opressão acabara e ele podia regressar, para viver rico e feliz na sua própria casa. E Portugal voltou, porque já não seria preciso ser pacato e trabalhador, poupado e prudente. Era um país democrático, livre, independente. A nova geração iria viver como os patrões franceses e alemães. E Portugal gastou. Criou autarquias e dinamização cultural, comprou frigoríficos e televisões, fez planeamento económico, exigiu escolas e hospitais.
Só que a euforia da liberdade política criou um problema de endividamento. Quatro anos após regressar, Portugal estava falido, com o FMI à porta, exigindo pagamento. O choque foi grande. Portugal compreendeu que, afinal, não era como os patrões europeus. Estava tão desgraçado como os mexicanos, os argentinos, os gregos e outros países da dívida. O buraco era enorme. Não havia solução. ( continua, no original)

Só por causa do articulista ter escrito que o Portugal dos 60 era um país pacato e trabalhador, saltaram-lhe às canelas os escuteiros mirins do antifassismo militante, sempre atentos e de patas na terra, como o cão raivoso da canção de outro escuteiro mirim.
Tal como na lenda da historiera em quadradinhos da Disney, os escuteiros mirins pertencem a um país fictício, onde os factos não contam em contexto- só a ideologia. As estatísticas dos escuteiros mirins são marteladas para darem o resultado previsto, naquilo que tendes visto: muitas revoluções embargadas, mas não por vontade própria, porque a  luta continua...pois é deles a sua história e o povo saiu à rua.
Estes mirins da fantasia cripto comunista, travestida agora de democracia apressada para um socialismo utópico sem saída alguma visível no senso comum, insistem nas mesmas ideias para os mesmos objectivos e com os mesmos propósitos: abater o que chamam "burguesia". Não esqueceram nada, nada aprenderam e tudo pretendem voltar a repetir e até já ameaçam, num delírio tremens de ideias feitas.

Um desiludido desta fantasia mirim, Fernando Dacosta, in illo tempore jornalista de O Jornal, conta a este propósito, umas histórias dignas de serem lidas, no O Diabo desta semana.
Aos mirins, huguinhos oliveiras, zezinhos lavos e luisinhos coisos, com umas lélés pelo meio, trata o Dacosta assim:

"Acho muita graça ver aí pessoas com grande projecção que viveram e nasceram depois do 25 de Abril a contar como era a vida antes. Eu rio-me!"
De facto, às vezes é de rir, com estas aventuras dos mirins contadas por quem não conhece o que se passou a quem não faz ideia do que foi. E seguem sempre o Manual. Fictício, claro, porque são sobrinhos do Pato Donald que lhes paga as contas e lhes arranja empregos. Até na tv. 


quarta-feira, setembro 11, 2013

Os grande problemas nacionais em 1973: o funcionalismo e a burocracia.

Durante o ano de 1973, o semanário Observador dedicou vários números ao elenco dos "grandes problemas nacionais".  Um semanário-note-se. Sem internet, telemóveis, facilidade de comunicações, computadores, bases de dados, etc etc.  Compare-se com a actual miséria intelectual do Expresso dirigido por dois inenarráveis.

No número de 7 de Setembro de 1973, o assunto era o funcionalismo e a burocracia. É ler, para entender como era o "fassismo" de Caetano, comparado com a democracia de hoje, notando-se o (agora) propalado ( pelos Rosas&Pereira) analfabetismo em contraste com a actual e alta alfabetização dos ricardos costas e afins...
É certo que o artigo é de Pinharanda Gomes, mas ainda assim...onde estão os actuais intelectuais portugueses? No Expresso? Só vejo um: Jorge Calado. E é um químico do IST.



terça-feira, setembro 10, 2013

Jornalismo de antanho: os caçadores de gralhas

A revista Observador de 21 de Maio de 1971 trazia três páginas sobre os "revisores", profissionais caçadores de gralhas e erros tipográficos que os jornais empregavam e a quem exigiam o...5º ano liceal, como habilitações. Em Lisboa, sindicalizados, ( sim já havia sindicatos, ao contrário do que os Rosas&Pereira gostam de propalar) nessa altura devia haver cerca de 200 deste caçadores de gralhas.   Isso para além dos caçadores amadores que as editoras empregavam, com o mesmo propósito: eliminar passarocos impressos nocivos na escrita.
Dá que pensar, fazendo a comparação com os tempos que correm...e dá que pensar sobre o tal analfabetismo estatístico de antanho, em paralelo com o analfabetismo real do jornalismo actual em que os erros de todo o tipo são norma nos jornais e rodapés televisivos.


segunda-feira, setembro 09, 2013

A Educação antes, depois e agora e a corrupção de Estado

O Expresso desta semana, relembra a obra na Educação, deixada no tempo do regime "fassista", pelo democrata Veiga Simão.
A entrevista que o mesmo concede a esse propósito é elucidativa de alguns pormenores daquilo que era o regime "fassista" que albergava alguns democratas no governo, como o dito Veiga Simão e outros que depois se integraram muito bem no regime que se sucedeu.
Na parte final, Veiga Simão lembra que havia nos ministérios "gabinetes de estudos e planeamento, que deviam fazer relatórios para alimentar a administração".
Veiga Simão lamenta que tal se tenha perdido, sendo substituidos por "outsourcing", consultores de sociedades e advogados, com verbas astronómicas e estudos para legitimar o que querem decidir. PS, PSD e CDS têm feito isso  e só há uma razão: a promiscuidade entre o poder político e o poder económico, que é uma vergonha para a democracia".

Vergonha? É a essência desta democracia: um fenómeno de corrupção, claro e evidente. sem punição alguma...poderia até dizer-se que é a essência da corrupção de Estado.


domingo, setembro 08, 2013

Swaps e bancos: Inenarrável

Este artigo de Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios de 9 de Agosto de 2013 já leva um mês. Devia ser lido na abertura dos telejornais e discutido publicamente em programa de tv, para se perceber que bancos temos e quem mandou em Portugal durante o consulado Sócrates, o Inenarrável.


Jornalismo só



O Público de ontem trazia um artigo de página, anunciado na primeira como "Só 6% dos incendiários florestais condenados tiveram prisão efectiva." 
O título engana o leitor ao mesmo tempo que revela um dado estatístico, objectivo, por causa do advérbio "só" que deveria ter valor de adjectivo. As estatísticas dizem apenas o que revelam as aparências e são por isso eventualmente enganadoras.
Nota-se pelo artigo que o advérbio surgiu por interpretação estritamente estatística dos números  frios que revelam matematicamente que entre 2007 e 2011, foram condenados 6% dos imputados e julgados pelo crime de incêndio.
Quem coloca o advérbio do poema "só" num artigo destes deveria acompanhá-lo de significados precisos para revelar a estranheza adjectivada.
Tal como o poema, as decisões dos tribunais são sempre solitárias porque relevam  de sentenças gizadas por juízes sós, acompanhados apenas por dois guias interiores e invisíveis cuja inefabilidade é a essência dessas decisões: o Direito e a Justiça.
Só quando se compreende o sentido dessas decisões concretas é possível acompanhar os artigos de condimentos essenciais à compreensão adjectivada. Para as entender, é necessário, no mínimo,  ler as mesmas e perceber como se formaram.
Ora uma estatística raramente apresenta tais condimentos e a chave para os compreender reside necessariamente num trabalho exaustivo e complexo de análise casuística que o jornalismo não pode fazer de um dia para o outro, por muitas chamadas telefónicas que realize em tempo record de fecho de edição. E tal jornalismo não pode ser da bola ou do jogo, cujos lances todos podem ver.
Daí, perante essa dificuldade, o arbítrio do advérbio e a desinformação imanente. O anti-jornalismo a espreitar por onde menos se espera porque servido com dados de factos objectivos.
Uma conclusão apressada revela que os tribunais aplicam penas lenientes para crimes de incêndio e que apenas em 14 processos, em quatro anos,  o não terão feito. 
Como explicar então a aparente objectividade dos números? Como sempre, pelos pormenores, onde se esconde o diabo da falsidade se não for detectado a tempo.

Objectivamente há uma moldura penal razoável para este tipo de criminalidade: 12 anos de prisão no máximo e caldeada por nuances de comportamente e ilicitude, segundo o artº 174 do Código Penal:

1 - Quem provocar incêndio em terreno ocupado com floresta, incluindo matas, ou pastagem, mato, formações vegetais espontâneas ou em terreno agrícola, próprios ou alheios, é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos.
2 - Se, através da conduta referida no número anterior, o agente:
a) Criar perigo para a vida ou para a integridade física de outrem, ou para bens patrimoniais alheios de valor elevado;
b) Deixar a vítima em situação económica difícil; ou
c) Actuar com intenção de obter benefício económico;
é punido com pena de prisão de três a doze anos.
3 - Se o perigo previsto na alínea a) do n.º 2 for criado por negligência, o agente é punido com pena de prisão de dois a dez anos.
4 - Se a conduta prevista no n.º 1 for praticada por negligência, o agente é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
5 - Se a conduta prevista no número anterior for praticada por negligência grosseira ou criar perigo para a vida ou para a integridade física de outrem, ou para bens patrimoniais alheios de valor elevado, o agente é punido com pena de prisão até cinco anos. 



As estatísticas, como se reconhece no artigo, não reflectem a distinção entre incêndios dolosos e negligentes. É de presumir que aqueles 14 condenados o foram pela prática de crime doloso. Ainda assim, se perigo para bens pessoais e patrimoniais for criado por negligência, a pena pode ir até 10 anos de prisão.
As estatísticas mostram que no período indicado, entre 233 condenados, 113 o terão sido com penas suspensas na sua execução, ou seja, prisão que fica em tempo de espera pelo bom comportamento futuro dos condenados.

No artigo, dois entrevistados consideram que os tribunais aplicam penas com pouca severidade, nestes casos. Objectivamente assim parece- e será?  Um dos entrevistados considera que "as penas deviam ser exemplares". Exemplares porquê? Pela gravidade do crime, objectivada em quê, exactamente? No sentidmento colectivo exacerbado pelos media? Se o for só por isso não deveriam nada ser exemplares porque a vox populi, aqui, funciona como vox minor, de interesses que se fixam em complexidades jornalísticas cuja simplificação nos leva a crer que são apenas conjunturais e de calendário noticioso a preencher ao modo de encher chouriços: estofo noticioso para noticiários da noite e primeiras páginas que vendem. Objectivamente quem é o único  vencedor das parangonas incendiárias e das imagens televisivas de fogos com chamas dantescas? Apenas os donos que exploram os media. Com prejuízo a meu ver evidente, para a sociedade que não necessita de imagens fortes de incêndios a lavrar em todos os noticiários televisivos como se tal fosse equivalente a uma volta a Portugal. Não necessita porque o efeito de réplica criminosa parece evidente e desnecessário. Os jornalistas não pensarão assim, mas se pensarem melhor talvez mudem de ideia e aceitem a censura das imagens destes casos. Sem imagens não há espectáculo e não haverá incentivo aos actores do mesmo.
Outro dos entrevistados entende que os tribunais são benevolentes na aplicação daquelas molduras penais. Serão mesmo? E poderá dizer-se que os tribunais, neste como noutros casos, tendem a "desculpabilizar, aceitar e contextualizar?"
Objectivamenta assim parece, pelo número estatístico. E realmente? Quem frequenta profissionalmente os tribunais pode ter a ideia precisa que perante um arguido concreto, acusado de uma acção concreta, perante uma discussão concretamente limitada por uma acusação concreta e com circunstâncias a discutir que superam em larga medida o que costuma ser notícia de primeira página,  tal acontece. Os tribunais portugueses são constituídos por pessoas que avaliam os actos e a culpa de quem julgam. E esse tal julgamento é terrivelmente solitário e depende necessariamente daqueles guias citados, frequentemente condicionados pelo meio, pelos media em casos contados, pelas circunstâncias da discussão em julgamento e pela idiossincrasia do sistema em si próprio, gerada pela rotina, hábitos profissionais e contexto judicial geral, ou seja pela jurisprudência habitual e conhecida ao longo dos anos de profissão.
Nesse panorama conjunto parece correcto afirmar que os tribunais portugueses são geralmente benevolentes para com arguidos. Tendem mais à compreensão da culpa do que à justificação das condutas, mas a balança pende geralmente para a caridade judicial, porque as discussões ao vivo dos factos concretos que afectam pessoas, congregam vários factores que só em imediação de audiência se compreendem. Sendo esse um sentimento difuso, como se altera o mesmo para um maior equilíbrio do Direito e da Justiça do caso concreto nestes casos de incêndios florestais?

Vejo uma solução se tal problema existe: precisamente a atenção mediática sobre os julgamentos e não sobre as detenções como acontece na generalidade. Precisamente em artigos como este, cuja utilidade pode surtir efeito entre as poucas dezenas de milhar de leitores que o leram. E o resto da população?
Se uma sentença penal condenatória deve reflectir a apreciação concreta da culpa de um indivíduo também tem que ponderar, para além do mais,  um princípio de direito penal que é o da prevenção geral, ou seja o factor de dissuasão publicamente transmitido pelo tribunal ao povo em geral, em nome de quem se aplica a Justiça.
Ora como é que tal princípio pode ter algum relevo se a decisão é transmitida quase em solitário numa sala de audiências vazia de público, na presença ( quando o seja) de um arguido que até pode residir longe da comunidade local e portanto com um efeito quase nulo de prevenção geral porque ninguém dará conta da condenação, depois de ter dado conta da eventual prisão preventiva ocorrida geralmente mais de um ano antes de tal condenação?
Conta-se que actualmente há para cima de cinquanta pessoas detidas por suspeita de incêndio, fogo posto como dantes se dizia.  Quantas dessas pessoas irão ser efectivamente condenadas? Que efeito de prevenção geral pode existir se ninguém saberá ao certo quando tal sucederá e porquê?
Tal é a prova de que os media não estão particularmente interessados em sindicar a actividade dos tribunais a propósito de advérbios de quantidade. Estão interessados em preencher espaço informativo.
Que o façam então com rigor, isenção e objectividade. Aquele advérbio mata estas qualidades...porque é a essência da notícia e do recado jornalístico desnecessário no caso concreto.

sexta-feira, setembro 06, 2013

Jornalismo do Sol tipo para quem é...bacalhau basta. Frito, de preferência

O semanário Sol de hoje traz duas páginas assinadas por Sónia Graça sobre o assunto "providências cautelares". Diz que estão na moda...
O que não parece estar nada na moda é o rigor jornalístico no tratamento destas matérias técnicas do Direito.
Quem ler o artigo fica a saber que há providências cautelares mas nem sequer sabe que podem distinguir-se entre as atinentes a matéria civilística e a matéria de direito administrativo. Fica a saber que há quem considere abusivo o recurso a tais expedientes processuais para dirimir questões que podem ser de natureza estritamente política e quem pense exactamente o contrário, com argumentos cuja validade se empatam na fundamentação.
Como o assunto em moda são as providências cautelares de "decisões públicas", ou seja que envolvem direito adminitrativo são citados meia dúzia de exemplos ( na realidade, cinco mais um) para mostrar a actualidade de tal moda.

Quem quiser saber o que é e o que significa concretamente uma providência cautelar escusa de ler o artigo. Para quem é, este jornalismo considera que assim basta.
Não obstante, quem redigiu o artigo poderia consultar fontes disponíveis na rede, como sejam acórdãos do STA onde se explicam pormenores técnicos e se ajuda a compreender o assunto. Parece que tal abordagem técnica não interessa a este tipo de jornalismo. Se fosse em Inglaterra ou até em França, para não falar na Alemanha ou Itália, um semanário como este não se atreveria a um artigo deste calibre sem mostrar que quem escreve sabe do que se trata e percebe um mínimo do assunto. Assim...temos o que se pode ler. Para quem é, bacalhau basta, mal demolhado.
Pega-se na posta do assunto, mira-se de um lado e doutro, colhem-se as opiniões de ambos os lados sobre o modo de cozedura, dá-se-lhe uma fritadela rápida na pele escamuda para não arranhar o paladar, uma pitada de sal e pimenta e pronto- ala para a mesa, perdão, redacção que se faz tarde.
Que tristeza! Que falta de respeito pelos leitores...




quinta-feira, setembro 05, 2013

O problema é a Constituição...e o Constitucional.

Público:

O Tribunal Constitucional já decidiu sobre a Lei de Limitação de Mandatos. O limite é apenas territorial, pelo que os candidatos com três ou mais mandatos autárquicos podem concorrer a outro município.

Tal como o PÚBLICO avançou em primeira mão, a decisão foi tomada com seis votos a favor e um contra. O relator do acórdão foi o juiz-conselheiro Pedro Machete. Votaram a favor os juízes Pedro Machete, Mária de Fátima Mata-Mouros, Catarina Sarmento e Castro, Maria José Rangel Mesquita, João Cura Mariano e Maria Lúcia Amaral. Votou vencida a juíza conselheira Maria João Antunes.

 Em comunicado publicado no site, o Tribunal Constitucional considera que a limitação de mandatos é apenas territorial e não respeita à função. "O limite em causa é territorial, impedindo a eleição do mesmo candidato para um quarto mandato consecutivo na mesma autarquia", decidiram os juízes.

Desta vez a roleta virou à direita. O Machete filho, claro, estava lá para salvar a honra do convento. O Constitucional que dignidade jurídica pode apresentar com decisões erráticas deste género? Sabendo que o feitor da lei ( Paulo Rangel) não gizou a lei com esta interpretação, temos uma interpretação à medida dos desejos possíveis dos políticos interessados. Isto é Direito? É, é...

Jornaleiros a dias


João Ribeiro, porta-voz do PS, ao i: “Parte da direcção de informação comporta-se como servente do governo”

O PS apresentou ontem queixa contra a RTP na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e na Comissão Nacional de Eleições (CNE), por considerar que o programa "'O País Pergunta' não garante a igualdade de tratamento entre os líderes político-partidários." Ao i, o porta-voz do PS acusa "parte da direcção de informação da RTP" de estar "instrumentalizada e governamentalizada".

Quem é o director de informação da RTP? Um certo Paulo Ferreira que está a aquecer o lugar há menos de um ano, depois de ter passado por um Público no tempo das famigeradas "escutas de Belém", uma operação de propaganda operada com mão de mestre pelos spinners de Sócrates, o Inenarrável. Um tal Almeida Ribeiro, ex agente do SIS, não deve ser estranho ao assunto.
Paulo Ferreira faz agora aquilo para que foi treinado: informação a favor de quem manda. Jornalista, isto? 
Evidentemente, logo que o panorama político mudar, mudam os convites. A RTP tem sido isto ao longo de décadas. É preciso que seja o erário público a pagar esta pouca-vergonha?

terça-feira, setembro 03, 2013

Marinho e os betinhos

Daqui, InVerbis:

"Só betinhos e betinhas que nunca saíram dos seus escritórios de advogados de Lisboa, que não fazem a menor ideia sobre o que é a realidade do País, é que podem fazer este género de diplomas", declarou o bastonário da Ordem dos Advogados (OA) a propósito das alterações ao Código do Processo Civil (CPC) e da Lei da Organização do Sistema Judiciário, que entraram ontem em vigor.

Marinho e Pinto não gosta da ministra da Justiça. Nunca gostou, desde que esta está no Governo. Gostava mais dos Albertos do PS, vá lá saber-se porquê. Gostos, enfim.
Como não gosta não perde ocasião de a ofender pessoalmente com as tiradas de uma educação que usa à ilharga para lançar sempre que tem oportunidade. Marinho é um burgesso. Ponto. No caso, pouco interessa, porque é reincidente sem remissão na má educação e falta de chá que nunca tomou, coitado. Em Coimbra havia pouco disso e Marinho especializou-se em escrever para o Diário do Centro rábulas de alto teor vitriólico contra quem o apoquentava politicamente, para depois acaparar os mesmos que vituperava. A esta educação junta por isso a falta de vergonha.

Quanto ao teor do boquejo de hoje, é bom lembrar quem são os tais "betinhos" que fizeram a reforma do CPC. João Correia, advogado, foi o coordenador da comissão. É bom por isso dizer publicamente a quem Marinho e Pinto, o boquejão, chamou "betinhos":


O secretário da Comissão será o adjunto da ministra da Justiça Sérgio Castanheira e os vogais nomeados são António Geraldes (juiz desembargador da Relação de Lisboa), Armindo Mendes (advogado), Carlos do Rego (juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça), João Alves (procurador--adjunto), Júlio Caldas (advogado), Gabriela Rodrigues (juíza), Paulo Pimenta (docente do Departamento de Direito da Universidade Portucalense e advogado), João Paulo Marques (professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra) e Miguel Teixeira de Sousa (professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e advogado). 

Este palerma ( não pode ser de outro modo porque se calhar nem sabe quem são os nomes da comissão) devia ter vergonha e enfiar a cara num saco de serapilheira, ao ler os nomes acima citados. Qualquer um deles lhe pode dar lições de Direito. Só por isso, o respeito de Marinho seria devido. Porém, Marinho e Pinto fala para os altifalantes da rua  mediática do jornalismo para quem é bacalhau basta.
É o mundo de Marinho e nada há a fazer.
De resto, a própria Ordem dos Advogados já deu um parecer sobre a revisão do Código e não consta que lá venha a qualificação de "betinhos" àqueles ilustres juristas...pelo que só Marinho se qualifica para a palma de ouro da má educação reiterada e atávica.

Portugal foi racista e... pronto, não se fala mais nisso.

O Público pretende demonstrar, à viva força, que fomos e eventualmente ainda somos, um país racista e de racistas, para além de colonialistas empedernidos durante séculos de História. Para tal não poupa esforços para colectar alguns intelectuais  de "investigação" que pretendem todos justificar tal "tese" com apoios ideológicos certos.
Hoje convidou Diogo Ramada Curto, um especialista na história dos negreiros do século XVII. Sopa no mel, portanto. Tem o currículo certo para historiar estas versões do nosso racismo atávico que o Público pretende mostrar a quem o lê.
Hoje, no Público, passa o artigo todo a criticar quem não vê na obra de um certo Charles Boxer, a expressão plena da demonstração do nosso racismo entranhado nas veias. Que lhe adianta Salazar proclamar o contrário? Fogo de vista, para Ramada Curto, com vistas mais largas.
Curto, como o Público desta indescritível directora, quer que sejamos um povo racista, mesmo que não tenha sido bem assim. Para eles, foi e está o caso arrumado no colonialismo.
Curto, filho de Ramada, em tempos tomou posição pública na polémica entre um tal Loff e Rui Ramos, tentando o habitual cotejo salomónico de expressão inodora e sem sabor a carne ou peixe. Neste texto está quase lá. Basta um esforço mais.
 


João Miguel Tavares, Público de hoje

Vale a pena ler isto, no Público de hoje ( e que me levou a comprar juntamente com o artigo sobre o racismo que conto comentar mais tarde):


segunda-feira, setembro 02, 2013

O que aconteceu a Portugal, na explicação de António Mota ( Mota-Engil)

O presidente da Mota-Engil, António Mota, um dos maiores construtores civis do país e arredores, deu na passada Sexta-Feira uma entrevista ao Diário Económico, na qual tentou explicar o que sucedeu ao país nas últimas décadas.
Se há alguém qualificado para falar de PPP´s rodoviárias, rendas que o Estado paga a concessionárias de estradas e negócios de privados com o Estado, é António Mota. Se houve corrupção nesses negócios, António Mota sabe quem, como quando onde e porquê. Se sabe não diz nada sobre o assunto, até porque o entrevistador ( António Esteves que deve conhecer um outro jornalista, José Gomes Ferreira) nada lhe pergunta sobre isso. E depois o Expresso vem explicar que a Censura era no tempo do "fassismo"...sem se dar conta que a censura da consciência do entrevistador e o medo de fazer perguntas incómodas é pior que qualquer censura prévia.

Enfim, António Mota, explica que as PPP´s rodoviárias foram equilibradas e que não houve exagero algum na partilha de risco e rentabilidade. Normal, diz Mota. E quanto aos assessores do Estado para tais negociações Mota diz uma coisa interessante e...falsa. Diz que "o Estado sempre se assessorou com o mercado". Para saber que tal é rotunda mentira, basta perguntgar ao actual director do DCIAP, Amadeu Guerra que era assessor do Estado ( Ministério das Obras Públicas no tempo de João Cravinho, salvo o erro) e que o Estado depois dispensou, optando pela tal assessoria "com o mercado" ( leia-se com as firmas de advogados de sempre e com as firmas de assessoria financeira de sempre). Senhor Mota: dantes havia auditores jurídicos nos ministérios, geralmente procuradores do Ministério Público que eram uns chatos para quem queria as coisas sem espinhas de maior e dinheiro em caixa logo a correr. E por isso correram com eles, mais ou menos no tempo em que o senhor Mota tomou conta da Mota&Companhia. Depois disso apareceu a parecerística das grandes firmas de advocacia e a entrada em cena das consultoras financeiras Delloittes e KPMG e outras que a Mota-Engil também conhece mas a quem não paga um décimo do que o Estado está habituado...
O entrevistador como não sabe disto, deixa passar eo jornalismo tipo para quem é bacalhau basta é servido ao leitor numa bandeja.

Depois aparece a obscenidade maior. Mota diz que Jorge Coelho foi escolhido pela sua...competência. Não diz em quê, mas é fácil de perceber...e portanto, os verdadeiros motivos ficam por conta da tal "competência", com uma barrigada de riso contido. Os que tal coisa lerem que "hádem" fazer senão fazer de conta que assim é?
E mais: Não há problema algum em convidar ex-políticos e com futuro assegurado na política, se no entremez fizerem uma perninha em empresas tipo Mota-Engil. É para isso que lá estão tais políticos e tais empresas à espera deles, por vezes literalmente como de pão para a boca. E quando isto acontece, senhor Mota, o caso é puro e simples: corrupção.   "Os políticos que estiveram no Estado não têm direito a trabalhar a seguir ou têm de deixar de trabalhar?"
Senhor Mota: direito têm. Mas há trabalho e trabalho...e o de ir assessorar empresas só porque estiveram num Governo em que detiveram pastas sensíveis na área dessas empresas e eventualmente as ajudaram nos negócios com o Estado, isso já é outro assunto que os estrangeiros levam um pouco mais a sério, senhor Mota que tem semblante de bom português.
Enfim, é a explicação que o engº Mota dá para o que aconteceu a Portugal nas últimas décadas ( é presidente da Mota-Engil e antes da Mota&Companhia, desde 2000). O PS esteve lá no poder e Jorge Coelho ao leme do partido e de ministérios sensíveis, praticamente desde a mesma altura... daí a sua competência, pelos vistos. Uma competência que reparte com o seu amigo Dias Loureiro, outro modelo desta competência que até o levou para o conselho de Estado e também para uma tal SLN.  Ai, senhor Mota, senhor Mota que nos quer tomar a todos por um bando de parvos.
Senhor Mota: o senhor é que daria um bom historiador da corrupção de alto coturno em Portugal, penso eu de que, como diria outro finório. E que favor nos faria, ao povo português em geral, se se dignasse contar o que sabe e que soube durante os almoços, jogatinas, encontros casuais, eventos, telefonemas não gravados pela polícia. Por mim, só lhe perguntaria uma coisa simples: quem andou a tomar conta dos números de carros que passavam nas estradas nacionais antes das PPP´s? Onde foram parar esses números? Era só isso que era preciso saber para se perceber o que são as PPP´s...


O que aconteceu a Portugal, na explicação de António Barreto

António Barreto deu uma entrevista ao Público que ontem a publicou. Em quatro páginas tenta explicar o que nos aconteceu nas últimas décadas e nesta página fala da política económica dos governos que a definiram.
A voz de António Barrete geralmente respira bom senso, senso comum. Mas é muito pacata e conformada. Em pleno PREC comunista, António Barreto, pelo PS, tentou remediar alguma loucura que foi a reforma agrária e foi vilipendiado por isso nos muros e paredes deste país, por causa da "lei Barreto".
Depois foi escrevendo em jornais e revistas ( Expresso, Grande Reportagem, etc), sempre com o tal módico de senso comum que reconforta o leitor. Mas não é suficiente.
Há situações na vida colectiva que carecem de intervenção mais enérgica do que simples artigos ou crónicas em jornal, ou pelo menos, com ideias bem explícitas e claras, contundentes e consequentes. Até disso António Barreto tem sido capaz e foi-o no tempo mais próximo dos governos no Inenarrável que mandou no país, por conta do PS.
Que adiantou? É uma voz demasiado isolada, não sendo seguida ou ouvida como deveria ser. Ainda assim, pelo menos, há uma.


domingo, setembro 01, 2013

RTP: outro escândalo

CM:

Já o novo presidente da RTP, Alberto da Ponte, que assumiu a presidência a 18 de Setembro, custou mais de 35 mil euros à RTP. A empresa pública gastou ainda mais de 23 mil euros com António Beato Teixeira.
Além dos salários, estes valores incluem várias regalias, como carro da empresa, combustível, portagens, telemóveis, viagens e estadias (ver quadro). Só Alberto da Ponte, em três meses de presidência, gastou mais de 8 mil euros em viagens e alojamento. 


Este senhor da Ponte não tem qualquer vergonha em gastar à fartazana, por conta do erário público, como se a crise fosse coisa alheia.
Oito mil euros em viagens e alojamento, em três meses, é obra de uma presidência...itinerante. E ninguém questiona este indivíduo acerca do que andou a fazer nas passeatas, presumivelmente no âmbito da gestão pública ao serviço da empresa? Que tipo de alojamento foi esse e que tipo de viagens foram essas e que tipo de despesas foram?  Quem controla este tipo de despesas da falida RTP? Ninguém?!
A corrupção não é apenas o que a lei penal diz que é. Corrupção, neste caso moral, é também a falta de vergonha nos gastos com dinheiros públicos,  quando o país está como está e a empresa falida como anda sempre, a reboque das verbas do orçamento.
O maestro Graça Moura por coisas deste género, consideradas no seu caso como peculato,  foi recentemente condenado em pena pesada e ainda mais avultada indemnização...

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso