domingo, janeiro 10, 2021

Crónica de costumes do Correio da Manhã

 Quem quiser estudar e saber ,daqui a uns tempos, como são os costumes do país neste início de 2021 pode muito bem coleccionar o CM que terá uma fonte privilegiada e primária de informação. 

A edição de hoje revela várias coisas interessantes, a começar pelo editorial do director-geral, Octávio Ribeiro cada vez mais da "outra banda" e sem vergonha sequer em ver o produto que todos os dias lança na rua para se vender e ganhar a vida desse modo. Ver para comparar com o que escreve, como autoridade moral que se julga ser. O "populismo" é do Ventura, mas as páginas do jornal que dirige são, além do mais o exemplo mais acabado do populismo mais rasca que nem sequer o Ventura patrocina. O problema deste director-geral é por isso uma hipocrisia permanente.  

Quem promove o sensacionalismo diário nas notícias de fait-divers dos crimes que dantes se chamavam de "faca e alguidar"? 

Quem promove diariamente a especulação sobre os fenómenos reais e apimentados à la CM sobre a "corrupção"? Quem se apoia diariamente nas violações de segredos de justiça e normas regulamentares e estatutárias de polícias e funcionários públicos corruptos que fornecem informação à socapa aos jornalistas do pasquim e CMTV para que esta esteja sempre "em primeiro"? 

Todas estas perguntas têm uma resposta: o diário e os órgãos de informação da COFINA, cujo director-geral é este Octávio Ribeiro assim exposto como um grande hipócrita cheio de vícios de uma esquerda caduca que detesta o CHEGA por lhe chegar aos preconceitos, mas que o alimenta todos os dias no sensacionalismo que promove. 

É a COFINA o melhor aliado de André Ventura e o CHEGA e isto é necessário dizê-lo para que este director-geral se remire nesse espelho baço que lhe devolverá a imagem igualmente baça dessa moral hipócrita.


Dito isto vamos aos sinais de costumes ambientes que o jornal mostra sem relacionar e apenas como sensação de momento que alimenta o CHEGA e os movimentos de repúdio a este estado de coisas que a sociedade segrega desde há décadas em Portugal, sempre com a mesma origem, precisamente os parceiros pensadores do director-geral do CM, o marxismo de base e o liberalismo desenfreado do lucro imediato e a ambição reflectida na "CMTV primeiro!" 

Começa-se pela página 12 e 13 que retrata um fenómeno replicado aos milhares em todas as insolvências passadas presentes e futuras em Portugal e que dantes se chamavam falências: quem pode escapar aos credores com os bens intactos que conseguiu amealhar durante o exercício do comércio pode muito bem seguir este roteiro:



Esta notícia só aparece por causa da guerra comercial ( é disso que se trata e nada mais) entre a COFINA e o empresário Mário Ferreira do Douro fluvial, turístico e afins. 

Porém o esquema revelado é relativamente simples, comum e generalizado na classe de empreendedores nacionais: o empresário em causa tinha várias empresas e algumas delas faliram, tornando-se insolventes. As razões para tal podem ser uma miríada, incluindo má gestão, culposa ou não. 

Não se sabe pela notícia o que sucedeu a tais empresas, apenas que o empresário, também tipicamente, porque os credores assim o exigiram, deu os seus avales pessoais. Comprometeu-se, garantindo com os seus bens pessoais ( ganhos como? Eventualmente no exercício do próprio comércio...) a solvência das  empresas de que fazia parte e para tal subscreveu instrumentos legais de garantia (que não forçosamente de entrega real de bens).

No interim terá  feito vários "suprimentos" também pessoais ( com que dinheiro?) perante tais empresas ficando credor das mesmas, a título pessoal. 

Perante a falência das empresas em que estava metido e prevendo a utilização pelos credores de tais garantias o património que antes detinha deixou de deter teve ainda o "azar" de ficar sem bens e rendimentos pessoais, miraculosamente alienados a terceiros na vigésima quinta hora mas normalmente a tempo e de modo a se livrarem de impugnações paulianas, ou seja de acções "interpostas" como os analfabetos do jornalismo escrevem, para evitarem a devolução de tais bens ao lugar de sempre-o de garantirem o que deveriam garantir- ou evitarem acções de resolução para a massa falida. 

E apresentou-se ele mesmo à insolvência, falido e pedindo que lhe fosse concedido o benefício de exoneração de pagamento do passivo que existisse, durante cinco anos, porque como não tem bens não o poderá solver e pagar aos credores, que no caso concreto ficaram a "arder" com mais de 11 milhões de euros, evaporados no vórtice dos "negócios". Foi-lhe concedido tal benefício porque comprovou a sua pobreza formal. 

No caso concreto noticia-se no entanto que o empresário terá escondido quotas que detinha em empresas em Moçambique ( o MºPº encaminhou a denúncia de tal facto para a insolvência pessoal) e também que  familiares e ex-familiares detêm afinal património substancial noutras empresas de que o empresário aparentemente está arredado e perante a lei é estranho, mesmo que mexa os cordelinhos todos. 

Por isso o empresário em causa garantiu no processo que nada tem de seu e nada poderá fazer mais para solver dívidas que contraiu e garantiu formalmente. 

Exemplos como este são aos milhares por esse país fora. É um fenómeno que não se relata nos jornais a não ser em casos suspeitos como este da Cofina contra o Ferreira e este empresário foi apenas apanhado no imbróglio. Mas já saiu de cena. Agora é a ex-mulher quem faz negócios com o Ferreira e que se desfez da participação que tinha na Media Capital eventualmente para fugir deste foco de atenção. 

Esta é a realidade que a notícia espelha, mas...quem a interpreta ou sequer compreende deste modo? O director-geral compreende, claro. Mas o culpado disto é o "populismo" dos Venturas e afins. Não do CM e da CMTV que afinal só "dão" notícias. 

Outro facto relatado hoje: o fenómeno aparentemente real e generalizado dos professores universitários particularmente das faculdades de Direito de Lisboa e Coimbra que "ajudam" certos figurões conhecidos e menos conhecidos ( caso de um certo Bacelar Gouveia, apanhado por acaso numa escuta maldita) a elaborar teses de mestrado e doutoramento de cábulas, incompetentes ou de vigaristas relapsos nacionais ou estrangeiros, para uso avulso cá e no estrangeiro. 

O assunto é escandaloso, parece ser generalizado  e não se vê ninguém a denunciar ao MºPº uma investigação profunda na faculdade de Direito de Coimbra e Lisboa a teses de mestrado e doutoramento apresentadas por tal via fraudulenta.  Talvez por essas e outras as faculdades portuguesas caem todos os anos nos "rankings" internacionais. Será que em França, Itália ou Inglaterra também ocorrem tais fenómenos de evidente corrupção, nas barbas dos que fazem as leis para a combater?

O que aqui se noticia é apenas um fait-divers: o MºPº propõe o arquivamento provisório do processo mediante uma injunção a prestar pelo arguido. Nada de especial porque o que releva é a natureza do assunto e o que o mesmo representa como "costume" universitário. 

Se este professor fosse condenado criminalmente por esta prática, no caso de tal se provar, talvez o exemplo assustasse outros prevaricadores, mas a lei não tem tal efeito prioritário. Assim...ficará tudo como dantes. 

Outra: o novel cronista de costume escandalosos, Paulo de Morais, denuncia aqui o sistema de nepotismo vigente, sem barreira legal porque os costumes são estes e o argumento usual é o de que ninguém pode ser prejudicado por ser parente ou filho de algo. Pode é ser beneficiado mas isso não importa nada porque o argumente reverte-se, se for utilizado: 


Finalmente, uma pequena notícia que envolve o "matarruano" que está na Educação e cuja formação e  instruções se resumem a ideologia como esta, partilhada aliás pelo director-geral da COFINA. É muito importante para este indivíduo que os alunos das escolas saibam o que foi o Holocausto, segundo os ensinamentos do Ministério. Sobre o que foi o Holodomor aposto que nem palavra, sequer: 


E já em coda algo que só agora li, depois de ler o jornal. Dificilmente se pode ser mais claro na desmontagem de uma cabala e na denúncia de algo que um advogado nunca deveria fazer e alguns fazem: defender o indefensável. Por estas e por outras sou muito céptico em relação ao desastre de Camarate. Afinal o advogado aqui citado é o mesmo que afiança ter sido atentado.

Honra por isso a Pedro Namora, pelo desassombro:



sábado, janeiro 09, 2021

Mata-bicho reforçado: a origem do bicho

 Este artigo é retirado daqui, da revista New York  e coloca uma hipótese acerca da origem do bicho mutante Covid-19, cuja plausibilidade é admitida pelos próprios suspeitos de o terem ajudado a surgir. 

Fica aqui explicado que afinal não foi apenas a China que teve responsabilidades na origem do surto mas tal se deveu a experiências científicas com bichos do género, financiadas pelos EUA ( e com o dr. Faust, perdão, Fauci no enredo) e tornadas possíveis através da cooperação científica entre os dois estados. Terrível, se assim foi...porque desse modo o bicho tem dupla nacionalidade: chino-americana.

É um artigo extenso mas que se lê bem e ficam aqui uma introdução e as conclusões.











sexta-feira, janeiro 08, 2021

Mais um mata-bicho. Dos bons.

 Público, entrevista a Henrique Barros, um epidemiologista que me parece sensato.  O link veio do Corta-Fitas. De João Távora. 







As crónicas de costumes do Correio da Manhã

 Todos estes factos relatados no CM de hoje estão relacionados e espelham uma realidade dos nossos costumes, mais grave do que aparenta e escondida como sempre dos olhos de quem deveria escrutinar, incluindo os jornalistas que só apresentam estes factos e não os relacionam...

Primeiro, a capa do jornal é um repositório de enigmas. Associar o falecido Zé das Medalhas à actual ministra da Justiça é simplesmente interessante e na página aparece identificada a entidade que sabe porquê. 


No interior aparece outra notícia que revela mais uma coincidência espantosa acerca do "lapso" da indicação do procurador europeu como sendo já procurador-geral adjunto. Não era ainda PGA e daí o tal lapso, mas viria a ser em breve e aí está o rabo de fora para quem saiba identificá-lo. É esta, para mim, a prova principal da mentira e da falsidade se efectivamente existiu, dolosa e intencional. [ a pergunta a colocar à ministra, ontem, no Parlamento deveria ser esta: a senhora sabia quando é que o procurador José Guerra iria ser promovido a PGA?] E por isso talvez a investigação do crime de falsificação que me parecia ridícula, não seja assim tanto. É muito grave isto, de facto e talvez o PSD tenha razão. Talvez. Veremos...  


Na edição de ontem do mesmo jornal aparece uma notícia antiga que também se relaciona com o momento presente. É um episódio que só se tornou público devido a gravações de escutas telefónicas e revela o modus operandi, corrente, de pessoas como o primeiro-ministro actual: estão a c. sempre para as leis quando julgam poder escapar ao seu domínio. E neste caso escaparam...pelo que o incentivo para tais procedimentos continuou.  


Finalmente um retrato da sociedade em que vivemos e as leis protegem. As aparências legais são tudo no jacobinismo vigente. Ora leia-se o que vem no CM de hoje porque estes são os truques expostos dos chico-espertos que abundam por aí:





quinta-feira, janeiro 07, 2021

Nepotismo e corrupção política do PS

 Capa do CM de hoje, com o dedo na ferida aberta e com pus:


Artigo de José Manuel Fernandes no Observador: 



Perante as coincidências factuais apontadas haverá ainda mais factos desconhecidos a coincidir. Por exemplo, o juiz do tribunal de Contas , Vítor Caldeira corrido pelo PS de um eventual segundo mandato, fez parte do júri de selecção europeu que escolheu a candidata Ana Almeida como preferível ao candidato José Guerra...

Obviamente tudo isto se transformou numa querela política que envolve o PS e o PSD porque este partido percebeu o que estava em jogo desde o início: a escolha de um candidato de feição agradável ao poder que está e que é do PS. Aliás, na Justiça o PS manda desde sempre, praticamente desde o tempo em que Almeida Santos e outros ( Cunha Rodrigues...) gizaram o sistema que temos na magistratura e afins CEJ e lugares comuns. 
Porque é que o Fripó foi o que foi e o Face Oculta o que tem sido e o Casa Pia antes disso o que era e ainda o Marquês o que é, mais o que se passou na mais grave violação de segredo de justiça de que há memória em Portugal ( no Face Oculta) , protagonizada por alguém que ficou por identificar e talvez o pudesse ter sido, mas certos magistrados do MºPº preferiram arquivar, não investigando mais fundo do que fizeram? 

A magistratura portuguesa está desde há décadas minada por estes indivíduos que se associam ao poder do PS para ascender em carreiras hierárquicas ou de concursos "à medida", prebendas avulsas ou carreiras de STJ e outros lugares apetecidos. 

Basta pegar num qualquer nome que tenha sido escolhido para determinadas funções de Estado ( PGR, dirigentes de órgãos Reguladores, SIS, SIRP, Secretarias de Estado, ministérios variados com direcções-gerais, actuais e passadas) e o padrão ajusta-se: nepotismo e corrupção políticas de mãos dadas nas escolhas dos nomes certos e convenientes, mesmo sem tal efeito perverso porque o poder político escolhe quem mais lhe agrada e por isso procura saber se a pessoa escolhida será agradável, além de útil.  A corrupção é essa: escolher em função de interesses políticos. Estão habituados a escolher segundo tais critérios chefes de gabinete ou secretários e aplicam a mesma receita em tais casos por pura perversão e hábito. Apuram o olfacto político para descobrir se o indigitado é dos "nossos" ou dos "deles" e escolhem com a naturalidade de sempre, procurando esconder o gato que por vezes se põe a miar como desalmado.  

Como se faz isto? Simples: através do sistema de contactos cada vez mais aprimorado. Quem nomeia escolhe por indicação ou preferência própria, baseando-se numa legitimidade formal. Sendo o país pequeno e sendo os nomes disponíveis em número restrito, apenas se torna necessário salvar as aparências solicitando pareceres convenientes a quem de direito escolhido para tal, ou procedimentos formais que apenas se destinam a garantir o sucesso na escolha sem suspeitas de maior. 

Por exemplo, como é que se escolheram os nomes para o Eurojust, neste caso concreto? António Cluny, actual representante foi escolhido em 2014, após uma controvérsia no seio do Ministério Público. Mas venceu a contenda...resta saber como e através de que meios reais. Recorde-se como foi para se saber como é. Primeiro, em Julho de 2014,  foi rejeitado; alguns meses depois, em Setembro, foi  aprovado:

A indigitação de António Cluny para o cargo na Eurojust surgiu depois de Joana Marques Vidal ter proposto ao Governo uma lista de três nomes para o cargo, que incluíam também os magistrados Helena Fazenda e Luís Silva Pereira. Os três candidatos foram ouvidos, em audição parlamentar, que juntou deputados das comissões dos assuntos constitucionais e dos assuntos europeus. 

Aquele Luís Silva Pereira estava e está no CEJ e é irmão de Pedro da Silva Pereira, amigo de Sócrates e que teve um filho em França na altura em que o ex-44 podia ajudar e ajudou. Não é difamação alguma ou processo intencional algum perguntar como é que isto acontece...porque as evidências se impõem, ao nível das coincidências. A tal vergonha com capacho inexistente...

A resposta a este processo de escolha daria a resposta ao problema da nomeação do tal José Guerra, em vez de Ana Almeida. Quem poderia dizer o que sabem do assunto são estes dois. : 


A antiga ministra escreveu um artigo no Público de ontem em que dizia coisas que permitem entender que ela sabe o que está por trás da nomeação do tal Guerra. 



Aliás, o representante do PSD no Conselho Superior do Ministério Público, Rui Silva Leal, advogado, também sabe porque votou contra a graduação do tal Guerra como primeiro classificado no "concurso" que não era concurso algum mas apenas um expediente que o Governo arranjou para sustentar de algum modo a escolha prè-definida e que  afinal poderia ser sempre o tal Guerra, como agora as suspeitas indicam.
A actual ministra até disse claramente que o Governo podia escolher quem quisesse. E escolheu.

O problema é precisamente esse: o modo como foi escolhido e a pessoa escolhida que deixa a desejar que este gato não tivesse tanto o rabo de fora como tem. A incompetência e manhosice do governo e da ministra manifestam-se assim no seu maior esplendor: deixaram pontas soltas que permitem a maior das suspeitas acerca deste caso como sendo de pura corrupção política quando nunca o deveria ser. 
No entanto, o que diferencia este de outros casos e nomeações efectuadas por este governo ( e também pelo PSD...)? Nada. 
E por isso nada disto vai adiantar nada de nada para reformar a mentalidade vigente entre estes políticos, particularmente o PS, o mais vicioso nestas matérias. O que interessa é manter o poder político. O resto serve para isso. 
É esse o entendimento profundo do actual primeiro-ministro. 

Por último: só me espanta, mas apenas em modo retórico, por que razão o jornalismo nacional não quer saber quem é o que foi a actual ministra da Justiça, van Dunem. De onde veio, por onde passou e para onde quer ir. Bastaria saber com rigor de onde veio e como fez o curso de Direito...e como foi para Angola e em que qualidade lá esteve, em 1975, além do mais porque é um direito de qualquer cidadão interrogar-se sobre tais matérias quando as dúvidas sobre as mesmas se avolumam e está em jogo uma pessoa com responsabilidades políticas de alto grau e que por isso tem a obrigação de se sujeitar a tal escrutínio, sem se ofender. 

Por exemplo, neste perfil da MadreMedia/Lusa, omite-se o mais interessante. Não é por acaso que quem manda na Lusa- Luísa Meireles-  é alguém próximo deste poder político e escolhido pelos interesses político-partidários para que não incomode demasiado. E isso a tal Luísa já aprendeu há muitos e muitos anos. É a vida. E o esquema replica-se em milhentas instituições, formando uma rede tentacular que se assemelha a um polvo e sempre que se vê acossado faz como os ditos: lança cortinas de fumo. 

terça-feira, janeiro 05, 2021

A escolha política de magistrados

 O assunto da escolha do procurador português para integrar a Procuradoria Europeia já foi tratado por aqui, de modo exaustivo, no meu entender. E começou por aqui.  

Falta apenas realçar outro aspecto que foi apenas aflorado: o fenómeno da escolha de magistrados pelo poder político para exercerem funções em que tal poder político é parte interessada. 

No Público de hoje tenta-se dar uma panorâmica do problema exposto incluindo um artigo de António Cluny ( porquê Cluny, personagem suspeita nesta tramóia política que se desenha à vista de todos?! Porquê Cluny e não outro que saiba melhor e seja mais isento neste assunto?!) 



No mesmo jornal o político Paulo Range coloca o assunto onde o mesmo agora está: no plano estritamente político. Assim:


Neste plano, o assunto vai morrer por aqui porque o primeiro-ministro tem o rabo demasiado entalado para poder demitir a ministra, a tal Van Dunem que merecia melhor estudo da pessoa, do que representa e dos sistemas de contactos que são os seus. 

No postal acima mencionado transcrevi um artigo de JMT no Público e depois comentei: 

 Pura e simplesmente, o procurador José Guerra é um homem de confiança da ministra da Justiça, tal como o é o procurador Lopes da Mota – condenado em 2009 por pressionar dois magistrados para arquivarem suspeitas contra José Sócrates –, que ainda há dois meses foi nomeado adjunto do gabinete de Francisca Van Dunem. Tanto Lopes da Mota como José Guerra estiveram muitos anos no Eurojust, desde os tempos do caso Freeport, e os socialistas não esquecem os seus amigos. Mesmo que para isso seja preciso atropelar vergonhosamente um concurso internacional e atirar borda fora quem ganhou o lugar."


O assunto já foi tratado aqui e merece maior divulgação pelo que representa de amostra do modus operandi da actual ministra da Justiça, Francisca van Dunem, a quem nunca se negam atenções por aqui.
Merece-as, particularmente o excelso marido, Eduardo Paz Ferreira, auto-intitulado co-fundador do PS. 
A ministra que também já é juiza Conselheira a caminho oportuno para o STJ, merece todo o desvelo que a informação possa oferecer e da minha parte tê-lo-á sempre, por causa deste currículo imbatível ( além do mais, formou-se em Direito num tempo escolar sem paralelo...):  Integrou o Gabinete do Procurador-Geral da República entre 1999 e 2001. Foi directora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa entre 2001 e 2007. Procuradora-Geral Distrital de Lisboa, desde Fevereiro de 2007. 

Francisca Van Dunem esteve sempre no epicentro dos fenómenos judiciários de Lisboa, nos anos de brasa de 2003, 2009 e por aí fora, sendo PGD de Lisboa até ser ministra, em 2015. Está por dentro de todos esses fenómenos e poderia falar, se quisesse, do processo Casa Pia, como poucos o podem fazer. Ou de certos figurões do PS, partido que afeiçoa desde sempre, sem poder mostrar demasiado tal desvelo.  
O Guerra, o irmão João, claro está, também poderia. Mas não seria a mesma coisa...particularmente no que concerne a certas figuras do PS, então apanhados com as calças na mão e a jurarem pela cabala salvífica. 

Também merece destaque a notícia acerca da parentela do recém nomeado representante do MºPº português, como procurador europeu. 
O dito José Guerra tem mais dois irmãos, como aqui se explica, na TVI de 2009, bastante diferente da de 2020 ( e por isso a guerra entre a Cofina e o Ferreira dos barcos do Douro) :



Nenhum destes factos é despiciendo no assunto em causa. A questão principal em todo este processo é a análise segura acerca dos motivos reais da escolha do procurador José Guerra em detrimento da procuradora Ana Carla Almeida, da responsabilidade e incumbência do ministério da Justiça de Francisca Van Dunem. 

Aliás, interessante mesmo seria saber a razão pela qual esta antiga magistrada do MºPº, hoje Conselheira do STJ, com currículo aprovado pelo CSM,  ocupa actualmente um cargo de poder político ligado a um PS profundo, através do marido, Eduardo Paz Ferreira, alvo de atenção neste blog, principalmente pela sorte que tem em conseguir ajustes directos para o seu escritório de advocacia muito modesto e simples. São milhões, senhor!, diria uma santa isabel dos tempos que correm ou recorrendo a parábolas bíblicas, são sucessivos milagres de multiplicação de pãezinhos. 

Toda a questão de escolha de magistrados para certos lugares entronca aqui, neste fenómeno: dar continuidade a um sistema em que o PS manda, desde sempre, em democracia. É essa a questão de fundo que os jornalistas parece não entenderem...e o artigo de Paulo Rangel, bem como as preocupações deste PSD, denotam agora de modo farto. 

Uma prova? A arrogância petulante deste ajudante de ministro que quer ser sempre mais alguma coisa. Por isso já veio a terreiro tomar protagonismo e jogar o jogo político, ele que é magistrado, Conselheiro do STJ, também com currículo aprovado pelo CSM: 



Este tipo de coisas e este género de indivíduos é que deviam ser arredados destes assuntos. Os magistrados não deviam ocupar cargos destes. Ou se os ocupassem deviam sair da magistratura. O problema é que se não fossem magistrados não ocupariam os lugares, como é o caso óbvio deste careca acima exposto e cuja vergonha há muito jaz num capacho inexistente. 

segunda-feira, janeiro 04, 2021

O "boy" professor doutor que foi corrido por incompetência

 ...É este que em 2018 e depois de escrever artigos como este que segue, conseguiu as boas graças do governo que está e foi parar a uma direcção-geral, sem saber ler nem escrever a diferença entre um procurador-geral adjunto e um procurador da república ou sequer distinguir as funções de um diap das de um DCIAP.

Enfim, há três anos tinha a petulância própria de professor doutor para escrever inanidades deste teor: 


A "patrulha pata" agora calhou a ele...é a vida:



Carlos do Carmo: tudo isto é fado e folclore de esquerda

 Com a morte de Carlos do Carmo coloca-se a questão de saber se o mesmo era apenas um fadista ou já tinha passado ao estádio de cançonetista. Pendo para esta última metamorfose artística devido ao percurso do artista. 

Suscita-se também outra questão: sendo um cançonetista afeiçoado à esquerda era também popular, ia à televisão, vendia os seus discos e atingira o estatuto de um Júlio Iglesias nacional, com direito a estrelar em galas ocasionais das tv´s. 

Sendo assim, a politiquice nacional do presidente da República e do primeiro-ministro tomou conta da imagem e do reflexo de popularidade que o mesmo detinha por direito próprio, para ganhar algo com a vampirice habitual. Até já se fala no Panteão porque o ridículo em Portugal deixou de ter significado e muito menos letal. 

Nunca gostei de fado por aí além, embora ouça um Alfredo Marceneiro com gosto e não desdenho de uma Hermínia Silva ou mesmo uma Ana Moura e fico por aí. Até tenho discos do tal Marceneiro e da Ana Moura que considero uma cantora excepcional, mas não tenho da Amália e muito menos deste Carlos do Carmo falecido. 

Até meados dos anos setenta não me lembra nada de ouvir cantar Carlos do Carmo, fosse fado ou outra coisa qualquer, mas na Primavera de 1977 apareceu um disco dele que é uma obra-prima cujas cantiguinhas todos conhecem, desde "o homem das castanhas" ao fado do "cacilheiro". 

Carlos Carmo era também um indivíduo da "outra banda", da esquerda que agora se apropria despudoradamente da fama do artista. 

Em Maio de 1977 a revista Música & Som que nunca dava destaque algum ao fado, género menor da música popular portuguesa, muito abaixo dos cães grandes das cantigas de intervenção, mostrou que devia apreciar o disco, assim e já com os tiques habituais da esquerda de sempre, tingindo ideologicamente aquilo em que toca:



"O fado não é reaccionário" era o mote do artigo porque era necessário o caveat e a benção e caução esquerdista para que o artista não fosse também catalogado no seio de outros cantores de fado como Hermínia Silva, Ada de Castro, Teixeirinha ou José Malhoa, pimbas avant la lettre. A caução esquerdista conferia o estilo "aristocrático" complementado pela pose do cantor que porém não era nem melhor nem pior que aqueles. 

E senão vejamos como se vendia música então, em Portugal, de acordo com a mesma revistinha. 

Nos primeiros meses desse ano de 1977 as tabelas de vendas eram assim recheadas com pérolas como "saca o saca rolhas" de um Herman José à procura de identidade ou de um José Cid no "Dia em que o rei fez anos", tal como o mesmo explica em entrevista ao mesmo número da revista. 





As cantiguinhas populares, incluindo as do fado eram para se vender em disco e em espectáculos e por isso José Cid não fazia grandes distinções de classe: o "comercial" era para o artista, nessa altura, "o mais importante". 

Como para Carlos do Carmo que agora passava a ter a caução de poetas como Ary dos Santos, comunista que o religava ao sistema de esquerda que nunca mais abandonou. Ary dos Santos fora um dos autores de letras mais conhecidos das cançonetas dos festivais de canção antes e depois de 25 de Abril de 1974 e ninguém dizia por isso que as cantiguinhas ligeiras eram fassistas. O fado, esse, ainda tinha tal conotação porque não se ligava aos autores progressistas, apesar de alguns o tentarem.

Por exemplo um Frei Hermano da Câmara ou este cujos trabalhos também passaram a merecer a atenção do público mais alargado, com o passar dos anos: João Braga, com a Canção Futura, em Outubro de 1977. 


Quanto a Amália tinha que se justificar por andar a cantar no tempo do regime anterior...e fê-lo assim, na edição de 1.12.1977 da revistinha:


E por isso podia continua a vender discos, sem a lepra do fassismo sempre a assombrar...


Aliás esse mês foi de boa colheita para o fado tradicional, mesmo o fassista:


Tendo em atenção tudo isto é preciso dizer que no número de 15 de Janeiro de 1978 em que se fez um apanhado geral do ano anterior em matéria musical, os discos de fado, mormente aquela obra-prima de Carlos do Carmo, nem aparecem citados no elenco habitual dos melhores ou piores. Esta crónica de Jaime Fernandes nesse número da revista é bem reveladora: 


O fado, mesmo caucionado à esquerda, não tinha grande valor artístico para a crítica musical em Portugal, nessa altura. E assim continuou durante alguns anos. Os suficientes para as editoras perceberem que também poderia dar receitas e os organizadores de espectáculos saírem das casas de fado para os grandes recintos, até então reservados apenas a alguns, muito poucos. 

Quanto a resto...é folclore. De esquerda, no caso. 


domingo, janeiro 03, 2021

A esquerda e extrema-esquerda não querem companhia em democracia...

 Sapo/Visão: os media de esquerda estão preocupados com...a democracia. Durante décadas estiveram habituados a um unanimismo de esquerda que nos tem conduzido a sucessivas bancarrotas a sucessivos fracassos na Educação e noutros sectores sociais. 

Agora que apareceu o CHEGA, um partido que põe abertamente em crise o sistema em que se apoiam aqueles que apoiam a geringonça de poder que está, aqui d´el rei! Vem aí o fassismo e o diabo a sete. 

Este holandês voador, especialista em fassismos vários já avisa estas democracias que o sistema não pode tolerar mais que os partidos de esquerda e extrema-esquerda. Tudo o mais é moléstia...

Enfim, é essa a democracia que defendem e os media nacionais ( o SAPO, LUSA, Visão etc etc.) dão-lhe toda a cobertura porque...aqui d´el rei! 



Mata-Bicho qualificado

 Sobre a evolução da crise sanitária não perco as estatísticas diárias e os artigos no Corta-Fitas, principalmente de Henrique Pereira dos Santos que me tranquilizam por saber que ainda há pessoas que pensam pelas próprias ideias e não apenas pelas dos outros, imitando reflexos de medo generalizado e irracional. 

Um artigo de hoje, de Vasco Mina merece transcrição integral porque me identifico com o que escreve, no mesmo cepticismo sobre os cientistas e a realidade complexa em que vivemos, desde sempre. Tal como nesta área, a Economia é outra em que abundam os cientistas diplomados por escolas de contabilidade e afins que se arrogam quase sempre o conhecimento do mundo e das coisas, o que me irrita por causa de tal arrogância fútil e vã.






Nova página de escândalos no CM

 O CM tem um novo articulista ao Domingo, o conhecido activista da escandaleira nacional, Paulo Morais.

Adivinham-se processos contra o activista devido à sua impreparação de base e voluntarismo por vezes precipitado nas conclusões paridas sobre os factos gerados. 

Apesar disso, a página inaugural afigura-se auspiciosa, carecendo apenas de um certo cinismo que só a preparação intelectual confere. Na míngua de tal atributo, o articulista pisa gelo fino. Esperemos que não se afunde em irrelevância derivada de escorregadelas desnecessárias. Nestas matérias todo o cuidado é pouco e o excessivo voluntarismo é mau conselheiro...

Paulo Morais precisa de se centrar melhor no essencial e nas correlações respectivas, nada mais porque a matéria é abundante. Se misturar alhos de escândalo real com bugalhos de escandaleira apenas sensacional, afunda-se. Espero que tal não aconteça. Boa sorte, por isso. 


Entretanto o director-geral que o contratou para aprimorar ainda mais o sensacionalismo do jornal, tem este editorial verdadeiramente da outra banda porque cheira demasiado a cravo e a Lisboa, apesar de ser típico da tal outra banda. 


E de onde vem o cheiro? Tal como o Público noticiava ontem no obituário ditirâmbico, do mesmo lado de sempre, em Portugal:



sábado, janeiro 02, 2021

Mais 15 lp´s de 1970

A segunda leva de discos de longa duração publicados durante o ano de 1970 pode ser esta lista: 


 Da esquerda para a direita, os discos a solo dos Beatles,  faltando apenas Sentimental Journey de Ringo Starr. O primeiro a sair foi o de Paul McCartney, sem grandes músicas com a excepção de Maybe I´m amazed. Mas nem essa se compara em força expressiva a My Sweet Lord, de George Harrison ou a Mother, de John Lennon.

Os Moody Blues com A question of balance  equilibravam toda a sua qualidade artística num disco com todas as músicas que se ouvem do princípio ao fim numa sequência que ainda hoje é agradável. 

Este e os outros quatro discos anteriores dos Moody Blues só os ouvi integralmente nos anos oitenta, para grande surpresa pois muitas canções tornaram-se então pequenas maravilhas musicais que nunca tinha ouvido até então. 

Os Emerson Lake and Palmer estavam no mesmo clube dos grupos que ouvi muito mais tarde, relativamente à data em que saíram, com excepção de Lucky Man, em que a voz e guitarra acústica de Carl Palmer mais o sintetizador Moog fazem coro de sucesso na época. 


O disco de Elton John Tumblweed Connection não é dos que me agradam mais e tirando os temas Country Confort e Love Song pouco mais ouço. 

Dos Traffic, este  John Barleycorn must die é dos melhores do grupo com as vocalizações fantásticas de Stevie Winwood que me agradam mais ouvir agora do que nessa altura.  

Os Caravan de If i could do it all over again...são a mesma coisa: aprecio muito mais ouvi-los agora do que na época. 

E dos Van der Graaf Generator que lançaram estes dois discos nesse ano, apesar de os ter ouvido muitos anos mais tarde a verdade é que em meados da década de setenta eram o meu grupo preferido, por causa de Godbluff de 1975 e principalmente Still Life, do ano seguinte e um dos meus discos preferidos de sempre. 

O primeiro, H to He who am the only one tem Killer e A house with no door que levei anos para conhecer em modo auditivo porque só tinha lido nas revistas ( Rock & Folk) sobre tais temas, sem os conhecer; do segundo, The least we can do is wave to each other, saído antes, no início desse ano, de igual modo só conheci Refugees muito mais tarde, depois de ter lido que era uma grande canção. E é, tal como muitos outros temas do grupo, até 1977. 


Estes discos que restam são todos americanos. O dos Beach Boys, Sunflower talvez seja, para mim, o melhor do grupo. Tem Add some music to your day e outros Forever que me encantaram quando os ouvi já perto dos anos dois mil, provavelmente pela primeira vez porque os discos não estavam disponíveis até então e só nessa altura os consegui arranjar. Foi então que saiu ( em 1993)  uma compilação em caixa de 5 cd´s que tinham quase tudo o que valia a pena ouvir do grupo ( "Thirty years of the beach boys"- Good  Vibrations).

 Os Byrds de igual modo foram descobertos durante os anos setenta no programa de rádio de Jaime Fernandes, Dois pontos, mas no início dos anos noventa com a publicação de uma caixa com quatro cd´s de antologia e muitos inéditos fui conhecendo outras obras anteriores dos anos sessenta. Sendo essencialmente um grupo dessa época só muitos anos mais tarde os conheci integralmente e continuam a ser um grande grupo de música popular. Este Untitled  em dose dupla reserva um disco com gravações ao vivo e outro em estúdio, com temas como Chestnut Mare. Há quem o considere o melhor do grupo.

O primeiro disco dos Hot Tuna, um grupo formado com dois membros dos Jefferson Airplane, é uma gravação ao vivo e apreciei o disco, ouvido também anos mais tarde por causa da guitarra de Jorma Kaukonen, com grande incidência em temas de country-blues. Não falhei depois todos os discos seguintes do grupo, até 1978, com o disco ao vivo Doube Dose.

O James Taylor é um dos melhores do músico com o título tema, Sweet baby james, um êxito da época, tal como Fire and Rain e para mim, Anywhere like heaven. 

Finalmente um disco de jazz a fugir para o rock, de Miles Davies, duplo e que se ouve de uma assentada. Bitches brew é um mergulho musical num estilo que só muito mais tarde e com a introdução ao jazz rock apreciei devidamente. 

 

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso