quarta-feira, junho 17, 2009
Perspectiva político-partidária
terça-feira, junho 16, 2009
O Supervisor de bancos
Constâncio disse mesmo isso? Não, não disse, mas o escriba do DN, Rudolfo Rebêlo, acha que sim e publica, na mais completa impunidade, como é costume.
O governador do Banco de Portugal, desabafou apenas que "teria sido diferente" se a Procuradoria--Geral da República, PGR, "nos tivessem informado mais sobre o que aparentemente sabiam" , sobre o Banco Insular e o BPN então presidido por Oliveira Costa.
Já só faltava mais esta. Vítor Constâncio, o supervisor da actividade bancária em Portugal, político socialista de longa data, ex-ministro, economista, ex-chefe de partido, deu assim um desabafou, ontem, na comissão parlamentar de Inquérito, esquivando-se ao reconhecimento da sua responsabilidade e incompetência, insistentemente apontada por alguns membros da comissão de inquérito parlamentar, indicando um nome: Souto Moura.
Vítor Constâncio não viu nada no caso BPN porque o antigo procurador não lhe abriu os olhos, coitado.
É preciso ter lata! O supervisor da actividade bancária portuguesa não conseguiu aperceber-se de nada de grave no caso BPN, mormente a existência de um banco oculto no universo do BPN, porque a PGR de Souto Moura...não o avisou.
E avisou de quê, já agora? Repare-se nesta pérola informativa:
"As cartas de 2004 e 2007 da PGR não mencionavam" relacionamentos entre o BPN e o Banco Insular, referiu em resposta a questões do bloquista João Semedo. Constâncio revelou que chegou a pedir a Souto Moura, anterior procurador-geral da República, uma reunião, devido "às notícias", sobre "contra-ordenações detectadas na operação furacão", o que "foi rejeitado" por Souto Moura."
Portanto, foi no âmbito da operação Furacão que envolveu vários bancos e onde se misturavam crimes e contra-ordenações que o segredo do Banco Insular se escondia. Vítor Constâncio de nada soube porque as reuniões com o antigo PGR não ocorreram de modo ao Governador pôr em alerta o bestunto de Governador do Banco de Portugal, coitado, para as realidades ocultas do BPN.
Patético? Pois sim, era ouvi-lo ontem na AR, todo encrespado contra os deputados que o entalaram, chegando às raias da insolência.
E afinal, foi isso: o Souto Moura não o avisou, coitado. Parece, aliás, que ninguém o avisou de nada.
Ninguém lhe lembrou, porém, ontem na AR, que a operação Furacão é um processo crime que corre termos no DCIAP que não é propriamente a PGR.
Além disso, o antigo PGR, Souto Moura, tinha por hábito cumprir o Estatuto no que se refere à autonomia interna dos magistrados do MP e por isso quem investigava os crimes do Furacão, com dezenas e dezenas de arguidos era o DCIAP, não era Souto Moura, mas os magistrados do DCIAP. Este PGR já se apercebeu disso também- e já o disse em público, em entrevistas recentes.
O Público de então, em Janeiro de 2007, altura das tais cartas, escrevia:
Cerca de uma centena de arguidos já foi constituída no âmbito do inquérito gerado pela Operação Furacão, pendente no Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP) e relativo a suspeita de fraude fiscal agravada, abuso de confiança qualificado e branqueamento de capitais. Numa avaliação provisória, fonte do DCIAP revelou, ontem, ao PÚBLICO que poderá ascender a "várias dezenas de milhões de euros" o valor dos impostos em falta, em sede de IRC e de IRS.
Pormenores como segredo de Justiça, diferenciação entre ilícitos administrativos e ilícitos criminais, arquivamentos de processos de natureza fiscal a troco da "reposição da verdade fiscal", troca de informações com intervenientes que não desempenharam qualquer função relevante na investigação, etc etc, nada disso esclarece ou incomoda o Governador do Banco de Portugal, cuja "cimeira" com o PGR, agora (des)valoriza como factor de encobrimento da sua própria incompetência.
Na AR, ontem, ninguém teve a coragem de lhe atirar à cara de ingénuo distraído, esta ignorância. Nem sequer Nuno Melo, que pelo mesmo foi apodado de ignorante, se dignou devolver-lhe o epíteto...
Triste figura, a deste Constâncio que pinta os factos como se fossem cabelo.
segunda-feira, junho 15, 2009
Este já cansa
O primeiro-ministro, que falava aos jornalistas à entrada da reunião da comissão política do PS, na sede nacional do partido em Lisboa, fez saber que está disposto a explicar melhor as medidas do Governo e a corrigir a comunicação com os portugueses.
Para mostrar que está disposto a outro rumo, de "diálogo", explicou logo a seguir:
Portanto, a mudança vai ser de paleio, ainda mais enrolado na aldrabice. Ministros, políticas, etc e tal, tudo como dantes.
Vai-te embora, pá! A malta está farta é das tuas figuras tristes e das políticas falhadas, sem saída e sem sucesso algum que se veja.
A falsificação real
These photos were found in a digital Casio Z750, amidst the remains in Serra do Cachimbo. Although the camera was destroyed, the Memory Stick was recovered. Investigating the serial number of the camera, the owner was identified as Paulo G. Muller, an actor of a theatre for children known in the outskirts of Porto Alegre .


As imagens são verdadeiras, dizem respeito a uma ocorrência fotografada, mas...em ambiente cinematográfico.
domingo, junho 14, 2009
Jornalismo tapa-furos

A notícia serve, aliás, para chamar a atenção para este "procurador", com um título de primeira página que mais não é do que mais um ataque despudorado à Justiça que afinal "tapa a morte de 4 crianças".
"Tapa"? Vamos já ver o que tapa e destapa.
Na página interior, a Justiça não só "tapa" como "ignora", mostrando em tons jornalisticamente compungidos a tragédia das famílias de 5 crianças, em casos abertamente classificados como de "negligência médica".
De que negligência médica se trata em concreto? Não se sabe bem, os factos relevantes da negligência estão completamente ausentes da mensagem e a notícia apenas aflora um ou outro pormenor factual, deixando ao exercício adivinhatório e de voluntarismo fácil, os restantes factos acessórios e também os principais. As pessoas envolvidas no caso, a quem se imputa a "negligência" não são ouvidas, para dizerem o que pensam de quem escreve por causa dos "tapa" mortos.
O que se fica a saber logo, sem margem para dúvidas é que a Justiça tapou e ignorou, pressupondo, obviamente, que este tipo de jornalismo destapa e informa com esclarecimento profissional.
Ora é nada disso. A notícia, para além do ataque despudorado e genericamente extensível a toda uma classe, com laivos de atenção particular ao procurador, pouco ou nada informa de concreto, o que é dizer tudo sobre esta espécie de jornalismo de chinela na mão e faca na liga dos últimos
Assim, de que médicos trata a "negligência" e que pessoas envolvem?
Médicos e pessoal do hospital de Guimarães que teriam contribuido para a morte de cinco crianças que lá entraram com "poucos dias de diferença e que contrairam um vírus que se revelou mortal", escreve o jornal. O vírus é um adenovirus. O que é um adenovirus? O jornal não explica ( o jornalismo de chinela no pé é assim mesmo), mas a Wiki, diz o que é preciso e uma das coisas refere-se à sua característica especial de não ser passível de tratamento médico específico, por ser...um virus.
Qual o problema com o procurador Pereira e a Justiça que tapa mortes e até as ignora?
O procurador Pereira arquivou os processos, por ter entendido que a "assistência médica foi correcta e adequada". E fê-lo, segundo escreve o jornal, porque a Inspecção Geral de Saúde escreveu no relatório sobre o caso que "não era obrigatório que os médicos pesquisassem a existência de adenovirus em casos de infecções respiratórias" e ainda que esse adenovirus possa ter sido trazido para o hospital pelo "progenitor de alguma das crianças infectadas".
Portanto, o problema, para este jornalismo, é a "culpa que morre solteira", porque a Justiça tapa estas mortes, ignorando-as. Por outro lado, estes pregos no caixão da "crise da Justiça" são sempre bem martelados para esconder a verdadeira crise que se alimenta da outra: a do Jornalismo.
É um jornalismo opinativo em que os factos são irrelevantes a não ser que sirvam para ajustar as mensagens. Neste caso, sobre a crise da Justiça...
segunda-feira, junho 08, 2009
Homem rico, homem pobre...
A roubalheira afectiva
domingo, junho 07, 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
O caçador de prémios

quinta-feira, junho 04, 2009
A popularidade de Vital entre os seus
Segundo a acta da Comissão Eleitoral para as Eleições do Conselho Científico da FDUC, Vital Martins Moreira não colheu qualquer voto e ficou em último lugar nas preferências dos docentes da faculdade.
A votação realizou-se terça-feira, 2 de Junho. Entre os candidatos contavam-se todos os docentes doutorados que não tivessem declarado indisponibilidade para concorrer a um lugar no conselho científico.
Vital Moreira não manifestou indisponibilidade para continuar naquele órgão para o qual foi eleito em 2006, apesar não ter comparecido a qualquer reunião do conselho durante dois anos.
Nesse período, o constitucionalista também acumulou faltas injustificadas às aulas e não apresentou sumários da lições, como a lei exige. No entanto, Vital não foi alvo de qualquer processo disciplinar.
O jornal O Diabo já tinha, há duas semanas, abordado o assunto das faltas do professor Vital, aos seus deveres docentes. Foi alvo de um comentário ácido do mesmo, a desmentir sem esclarecer, como é costume. Agora, é o Sol.
Vital irá ter de esclarecer esta roubalheira de crédito pessoal ou fará de conta que nada se passa?
É que entre as dezenas de professores da FDUC, Vital Moreira foi o único que não recolheu um só voto.
Nem um!
Figuras degradadas
No começo da década, altura em que Cavaco Silva entregava as poupanças da família à guarda dos futuros arautos da "roubalheira", um mail entre pessoas de bem, recomendava certos nomes para certos lugares.
Segundo o Público on line:
"Abdool Vakil, então presidente do Banco Efisa, sugeriu a José Oliveira Costa, no início da década, a pedido deste e segundo critério definidos pelo ex-presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), um conjunto de nomes do universo do Partido Socialista (PS) para integrarem os órgãos sociais do Efisa, a instituição financeira que funciona como braço de investimento do Banco Português de Negócios (BPN).
Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa.
O e-mail enviado a Oliveira e Costa por Vakil e que agora é matéria reservada à Comissão de Inquérito Parlamentar à supervisão ao BPN, foi trocado no início da década, quando era primeiro-ministro António Guterres.
O e-mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa
Meu caro,
No tocante a este assunto, para além do nome que sugeriu que foi o do Doutor Oliveira Martins que julgo não ser o mais provável porque não é para Presidente, lembrei-me de alguns outros nomes que lhe submeto para uma apreciação prévia e para estabelecermos uma hierarquização para que eu possa então seguir a lista por essa ordem.
Os nomes que me ocorrem dentro do critério que foi definido são:
Vera Jardim - advogado com nome na Praça, Deputado pelo PS e ex-Ministro da Justiça; muito próximo do actual PR (e também amigo do Neto Valente dado que este foi há anos colega do escritório Jardim, Sampaio e Caldas);
João Cravinho - nome bem conhecido, Deputado do PS e ex-Super Ministro do Equip Social, etc, conheço-o bem, já fez o favor de dar alguma colaboração ao Banco Efisa a título gracioso porque quando saiu do governo achou que não devia logo trabalhar para o banco que era prestador de serviços ao Ministerio que comandou. Entretanto, como isso já foi há algum tempo, pode ser que já possa aceitar. (Disse-me na altura que tinha aceite um lugar no Conselho Consultivo do Banco do Rendeiro).
Prof. Augusto Mateus - PS muito bem inserido na máquina do Partido ; ex-Ministro da Economia; meu antigo aluno e com quem tenho excelente relação.
Dr. Fernando Castro que foi Ch de Gabinete e ao que se diz o Mentor do então Ministro Pina Moura, muito bem inserido dentro dos meios políticos onde se move com muita discrição mas com grande eficácia. Dou-me bem com ele; veio há dias almoçar comigo ao banco; está de momento ligado à General des Eaux em Portugal.
Alberto Costa - Deputado pelo PS, advogado e muito ligado ao António Vitorino com quem também me dou bem. Foi Ministro da Administração Interna e é também uma pessoa discreta.
Também o Mário Cristina de Sousa poderia ser um bom nome mas está neste momento ligado à CGD e daí que, mesmo sendo um bom amigo, não possa. Mas fica aqui como uma mera sugestão mas que não me parece viável.
Podemos falar sobre este assunto quando entender conveniente."
Vital Moreira depois de dar tiros no pé, começou a disparar para o escuro. Agora, o pistoleiro da mordaça. atingiu quem não esperava...
quarta-feira, junho 03, 2009
A crise de Proença de Carvalho
Mas o que mais tem descredibilizado a Justiça é o comportamento de alguns dos agentes da investigação criminal, que se mostram incapazes de impedir a prática diária do crime de violação do segredo de justiça, revelam cumplicidades vergonhosas com os media em julgamentos sumários nos meios de comunicação social, discutem permanentemente na praça pública as leis a que deviam obedecer e agem na mais absoluta irresponsabilidade. O sindicato do MP comporta-se como dono da Instituição e não mero representante sindical dos seus membros.
A única forma de pôr termo a este descalabro é conferir ao Procurador-Geral - única entidade com legitimidade democrática dentro do MP - a responsabilidade e o poder de pôr ordem na casa e garantir o seu bom funcionamento.
Portanto, meios existem. Os poderes da investigação criminal foram reforçados. As garantias de defesa têm sido diminuidas e afinal a crise da Justiça é imputável aos..."agentes da investigação criminal".
Primeiro, repare-se na palavra deste agente de forças políticas de um centro amplo de interesses difusos: os "agentes de investigação criminal", são naturalmente os polícias e os magistrados, todos incluidos na mesma designação de alguém que age em nome de outrém. Agentes, portanto.
Depois, o paradoxo: quando toda a gente, entre os agentes, denuncia exactamente o contrário, apontando a dificuldade cada vez maior em investigar; em produzir prova em julgamento; em interpretar leis contraditórias e mal feitas, Proença diz precisamente o contrário!
Por fim, o corolário de tanta perspicácia aplicada: os culpados da crise da Justiça são aqueles que violam o segredo de Justiça, andam mancomunados com os media e discutem na praça pública (!) as leis.
Os que violam o segredo de Justiça são os que publicam as notícias sobre os casos e utilizam a tv e figuras gradas da política para safar entalados, em telefonemas de manobra ,para fugir a responsabilidades, como Proença sabe muito bem. Os que se mancomunam com os media, são os que os dominam ( como Proença que pretendia ser dono de uma tv, em tempos) e os que discutem na praça pública são os que usufruem da liberdade de opinião e expressão para escrever artigos de opinião, como Proença o faz, periodicamente.
Portanto, Proença,no fim de contas, acaba por ser um dos principais responsáveis pela crise na Justiça.
Mas Proença tem uma solução milagrosa para a crise: dar poderes de chefe de quartel ao PGR e submeter este ao poder do chefe de Governo, acabando com veleidades sindicais e outras autonomias.
Todos sabemos, infelizmente, o que isto significa e o que Proença pretende na realidade com essa solução sempre proclamada: controlar totalmente a investigação de criminalidade de classe superior.
É esse o único objectivo. Depois disso, acaba a crise na Justiça
Jornalismo de equívocos
Estas frases são equívocas, erradas e contraditórias no seu conteúdo específico e denotam um desconhecimento do Estatuto do MP e dos limites ao poder hierárquico que envolve a polémica com a actual revisão do mesmo estatuto.
Coloquemos a questão directamente e sem rodeios: Pinto Monteiro, enquanto PGR tem poder estatutário ou legal para dar ordens precisas e concretas no processo do BPN, tal como esta que resulta na interferência directa na investigação cujo titular é outro magistrado, com autonomia pessoal?
O poder do PGR, fixado no Estatuto ( artº 79º), está bem definido na lei e Figueiredo Dias, há décadas avisava solenemente:
“ O maior perigo para o escrupuloso cumprimento do dever de objectividade do MP provirá de um erróneo entendimento da amplitude dos efeitos a atribuir ao seu dever de obediência hierárquica”.
A hierarquia da magistratura do MP distingue-se claramente da hierarquia administrativa, cujo dever de obediência do subalterno a ordens e instruções emitidas, é quase absoluto.
No caso de ordens provenientes do PGR, dirigidas a um processo, as mesmas devem ficar escritas e além disso, não podem ser recusadas, a não ser em caso de ilegalidade.
Será o caso?
Mesmo que não seja, o próprio PGR escreve em modo de solicitação e com os cuidados necessários a uma interpretação do titular do processo, com a legalidade do acto. Ou seja, segundo a notícia, o despacho não parece ser uma "ordem" em sentido estrito. Então o que é?
O PGR foi cuidadoso e prudente na redacção da “ordem”, ao sugerir e propor a ponderação da tempestividade de cumprimento do sugerido.
O Público aparentemente, não entendeu o conteúdo destas subtilezas importantíssimas para a autonomia do MP.
Quid juris, caro PJODM?
Citações paralelas
"O caso Casa Pia envolve altas figuras do PS: Paulo P., Ferro R. e Jaime G., para citar apenas estes três nomes".- citação avulsa e seguindo a lógica daquela candidata.
terça-feira, junho 02, 2009
A graduação das figuras
As figuras "gradas"
Entomologistas

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, sentiu-se na obrigação de mandar um palpite público sobre a “crise na Justiça”. Não é a primeira vez que lemos pérolas de sabedoria específica sobre o assunto, acolchoadas no raciocínio fulgurante de Rui Rio, mas desta vez fê-lo a propósito do caso Alexandra, para dizer de sua Justiça: “[a sentença do tribunal de Guimarães] mostra a incapacidade do sistema judicial português”, segundo Rui Rio que até acha que tal decisão configura “uma situação particularmente cruel”.
No jornal Público de hoje, onde li esta passagem simbólica da nossa inteligentsia política a propósito deste caso singular, também aparece um artigo de opinião, assinado pelo colunista José Vítor Malheiros, no mesmo sentido transversal: a Justiça está cheia de “ maçãs podres”, segundo o mesmo que as cheira à distância de um palpite de jornal. Este colunista, aliás, não se limita à entomologia dos bichos da fruta e vai ao caroço do “português canhestro que se usa nos tribunais” e até aos “visíveis preconceitos de quem o escreve”, para anunciar a sua descoberta factualmente subjectiva: “este arrogante e ignorante sistema de justiça”continua a produzir maçãs podres, “condenando crianças a cumprir penas que apenas os juizes deveriam cumprir”.
Estes dois cidadãos do comentário comum, comungam um mesmo propósito e atitude: sabem tudo sobre o caso Alexandra e outros e sabem ainda mais umas coisas: que é este sistema de justiça, “arrogante e ignorante”, que acalenta o bichame que acastanha as maçãs e que eles conhecem de ginjeira: o próprio seio do poder judicial.
Arrogância? Ignorância? Sim, dos bichos da fruta do sistema de Justiça. Deles, nunca. Eles são o DDT em pó de escrita, em aerosol ecológico ou em modo de fita caça moscas.
segunda-feira, junho 01, 2009
Advogados, pró e contra em público
O Pró é o bastonário Marinho Pinto; os Contra, são os advogados que o têm acusado de não saber ser bastonário.
Até agora, o debate tem sido franco e aberto e só posso congratular-me com esta forma de comportamento público dos advogados portugueses. Já disseram tudo o que têm a dizer uns... ao outro e vice-versa e a discussão ainda não passou pelo ar da lota.
Não sei que classe profissional em Portugal aguentaria um debate destes. Estou a lembrar-me dos magistrados e julgo que não lhes seria possível fazer uma coisa destas.
Por isso, até agora, os advogados estão de parabéns.
Os ricos
domingo, maio 31, 2009
O nacional-jornalismo
"Esse juiz perdeu a credibilidade para julgar"- Cândido.
"Se juiz for punido não é por ter atirado uma criança para a desgraça mas sim porque falou"- Marta.
" Que mal fez a menina para merecer tal cruz?" - Isabel Costa.
"A lei tem de mudar. As crianças têm direito à sua vontade! Inclusive a defenderem-se de juizes incompetentes".- Inês Pereira.
" O juiz deve pedir desculpas publicamente a Alexandra". Maria
"Espero que este juiz tenha um castigo exemplar". - João Abreu.
Todos estes comentários ressumam a indignação pela decisão " do juiz", no sentido de devolver uma filha à sua mãe. Todos denotam um conhecimento dos factos suficiente para afirmações definitivas acerca da indignidade dessa mãe em ter a filha à sua guarda. Todos entendem a decisão judicial de entrega como errada e responsabilizadora de quem a tomou.
Porque é que isto acontece? Simples, a meu ver: a manipulação mediática, neste como noutros casos, foi quase total. Nem mesmo com as declarações públicas do juiz desembargador, terminou, o que deveria ser motivo de séria reflexão, para os magistrados que decidam falar e explicar as decisões. Já tinha acontecido tal coisa, num caso que passou no STJ e envolveu o Conselheiro Artur Costa. As suas declarações indignadas, em vez de esclarecerem, contribuiram para mais ruído e desentendimento.
Como é que os media manipulam a opinião pública, em casos semelhantes? De vários modos e nem todos eles dolosos, digamos assim.
A notícia, aparentemente chocante, chega a uma redacção, vinda dos modos mais esquisitos, incluindo o método Freeport, tipo cozinhado, no dizer de Marinho Pinto.
Neste caso da Alexandra, seria preciso saber quem a fez chegar à primeira redacção e ao primeiro jornalista que a publicou. Saber quem lha enviou e quem a apresentou. Foi da parte da "família idónea"? Saber se houve o cuidado da análise profissional e temperada com os enso comum sobre o interesse de quem comunica. Saber , por isso, quem a tomou em conta, peso e medida e redigiu a primeira notícia e em que termos o fez.
Toda a manipulação jornalística, parte daqui, deste primeiro fenómeno: o de quem redige a primeira notícia sobre o assunto e o destaque que lhe dá.
Se o caso se apresentar suficientemente chocante, o que é garantido sempre que envolve crianças, então pode esperar-se o efeito de repetição, de ondulação, de réplica mediática. A TSF pega no assunto e começa todos os noticiários com o caso, durante umas horas; a Antena Um replica o efeito e amplifica a audiência e à noite a SIC ou a TVI mostram imagens e convidam comentadores, aliás sempre os mesmos e com tendências de uniformização de opinião.
Nessa altura, já a notícia foi comentada por dezenas, centenas, possivelmente milhares de internautas que escrevem comentários "on-line" do tipo dos apresentados.
Está feito um caso mediático e consoante a sua expansão no interesse público, assim se transformará ou não em telenovela sintética e reality show de prime time, para usar termos estrangeiros e bem conhecidos dos operadores mediáticos.
O que falha neste fenómeno? O essencial, falha quase sempre: o panorama completo do assunto e caso real apresentado. Normalmente, apresenta-se uma versão do facto. Ou a do ofendido, ou a dos prejudicados, ou a da polícia ou a de interesses turvos, nem sempre identificados. Raramente, para não dizer nunca, é apresentada a versão dos factos, completa e abrangendo as diversas partes e lados do problema social ou pessoal transposto mediaticamente.
O resultado disto é fácil de entender: populismo rompante, desinformação, má opinião pública, igronância replicada e repetição de um atavismo que nos atrai: o atraso civilizacional endémico.Jornalismo de sarjeta, como diria um certo pigmeu político.
No caso concreto da Alexandra, ficam por explicar as razões da mãe ou família materna da Alexandra do modo que estas saberiam explicar; ficam por explicar os modos como estes processos surgem nos tribunais ou na Segurança Social, quem lida com eles, o modo como lidam e resolvem os problemas; as exactas tramitações processuais e responsabilidades institucionais dos intervenientes e o modo como se decidem, os prazos para o efeito e toda uma plétora de saberes e conhecimentos que são e foram cilindrados, para apresentar uma verdade jornalística tomada como indiscutível: a menor devia ter ficado com a "família afectiva".
Por que sucede tudo isto, nos jornais ( e repito que só o i, foi um pouco mais longe nos critérios jornalísticos de qualidade estatutária e profissional) ?
Porque também a ignorância dos jornalistas é elevadíssima e reajem como se fosse o povo comentador on-line: julgam pelas aparências e não descolam da versão que lhes impingiram ou entendem ser a mais certa. Cegos de razões, guiam depois outros cegos de entendimentos.
O facto de o jornal Correio da Manhã ter dado destaque, na edição de hoje, a essa meia dúzia de comentários, diz tudo dos critérios jornalísticos da direcção do jornal e da pobreza profissional que os orienta.
Por outro lado, ninguém lhes denuncia publicamente essa incompetência, porque os media são eles e nenhum dos outros cospe na sopa que pode vir a ter de comer.
Por isso, "o juiz" é o culpado, mesmo que não se saiba bem se foi um juiz ou vários a decidir; se houve um processo em que esse juiz "só viu papéis" ou se poderia ter visto e ouvido as pessoas concretas do processo em causa. A facilidade de explicação e o bode expiatório ideal, fazem o resto, ao dar largas às frustrações por causa de famigerada "crise na justiça".
Neste jornalismo de equívocos em que avulta a necessidade de vender jornais para fugir à crise, vale quase tudo o que sirva para desacreditar certas instituições que não se compreendem e uma mãe cheia de comentadores encartados na má-língua politicamente correcta encomendam diária, semanal ou mensalmente nesses media: a desinformação e manipulação noticiosa erigida em valor supremo do jornalismo nacional.
