quinta-feira, novembro 24, 2016

A memória de Salazar interessa a muito poucos.

O Diário de Notícias destacou hoje na primeira página:


E no interior escreveu isto sobre o espólio de Salazar entregue ao cuidado da autarquia local que fundamenta a acção em julgamento:


Este assunto de Salazar encontra eco em Santa Comba Dão, mas quem lá vai ainda pode ver estes painéis de azulejo no muro do adro de uma igreja:

Confesso que fiquei admirado quando lá vi isto, no início deste ano.

Afinal, no "adro" da casa da Justiça agora há isto, um memorial da "guerra colonial":


Porém, há quase 40 anos, em 10 de Fevereiro de 1978 ainda se podia ver isto:


A memória de Salazar, do que escreveu ( os seus discursos em seis volumes ninguém mais os reeditou e mereciam tal atenção) e do que deixou interessa pouco a muito pouca gente porque os media e a inteligentsia preferem afinar pelo diapasão do discurso socialista e comunista que cilindrou ao longo de décadas todas as referências positivas à obra do maior vulto do século XX português.

Incrível!

No Vimieiro, terra natal de Salazar, mesmo junto à sua casa de morada enquanto jovem e adolescente, existe uma escola-modelo ( que serve de pano de fundo à foto, acima, no DN, do sobrinho-neto de Salazar, Rui Melo)  cuja história da respectiva construção merecia ser contada e relembrada.




A história da construção desta escola merecia um livro. Mas não das flunsers ou rosas, claro.

O património arquitectónico que pertenceu a Salazar e foi entregue aos cuidados da Câmara local, esse, encontrava-se assim, nessa altura...


Well, well, well...

Há muito que MEC não brindava os leitores com uma crónica deste calibre, publicada no passado dia 17 no Público:

O Presidente da República foi ao Palácio de Buckingham ver a Rainha. A visita e a conversa foram registadas num vídeo de alta definição que está, por exemplo, no site do PÚBLICO.




Depois de lhe dar um beijinho na mão, o Presidente desatou a falar. Contou à Rainha que se lembrava das duas visitas de Estado que ela tinha feito a Portugal. Na primeira, em 1957, Marcelo observa: “I was a child.” A Rainha, agradecendo a referência à diferença de idade entre eles (ela tem 90 anos, ele faz 68 em Dezembro), conseguiu, sabe-se lá como, interrompê-lo e respondeu, com ironia majestática: “I’m sure you were.” 

O Presidente Marcelo continuou: “In Terreiro do Paço, you know, that big square.” A Rainha, mostrando as suas boas maneiras, mas querendo também pô-lo no lugar, disse um longuíssimo “yeeeesss…” (tradução: “Não faço a mais pequena ideia do que está a falar”).


O Presidente intuiu que a Rainha já visitou muitos big squares ao longo da vida e decidiu avivar-lhe a memória: “And the carriage…” E a Rainha, entrando em royal repetition mode, num tom “Nós não acreditamos no que nos está a acontecer”, murmurou: “The carriage…”

Aí o Presidente recorreu ao rigor: “With General Craveiro Lopes…” Aí a Rainha, ouvindo o nome do grande general, deve ter sido inundada por recordações daquele dia maravilhoso à beira-Tejo.

É então que o Presidente revela tudo: “I was there, in the front row!” E a Rainha: “Were you?” Mas o Presidente Marcelo ainda não tinha terminado: “And then, in 85, I was invited for dinner on Britannia…” E a Rainha, ao lembrar-se do iate real que lhe tiraram e já tendo desistido de qualquer manobra de disuassão, limita-se a repetir: “Were you?…”

Fulminante, e sem perder uma batida, o Presidente explica: “Because I was leader of the opposition…”

Infelizmente o vídeo termina aqui, abruptamente. Se calhar a Rainha perdeu a paciência e disse ao Presidente: “Oh, do shut up, for God’s sake!” O mais provável é a Rainha ter continuado a registar a excitação de ouvir estas recordações do Presidente com mais um “Were you?”, enquanto executava a complexa manobra diplomática de andar para trás, passo a passo, até escapar do salão.

Miguel Esteves Cardoso nunca terá o lugar de um Pedro Mexia...

quarta-feira, novembro 23, 2016

O espólio de Salazar não interessa ao establishment


 Jornal de Notícias:

Um sobrinho-neto de Salazar exige a devolução de bens do antigo presidente do Conselho que estão em depósito na Câmara de Santa Comba Dão ou o pagamento de 324 mil euros, no âmbito de um julgamento que começa na quinta-feira.

Depois de, em Maio, ter decorrido uma audiência prévia deste processo, o início do julgamento ficou marcado para quinta-feira de manhã, no Tribunal de Viseu.

Rui Salazar de Lucena e Melo, sobrinho-neto da figura maior do Estado Novo, explicou à agência Lusa que em causa estão bens que entregou à Câmara após 2006 e relativamente aos quais nunca chegou a ser feita uma escritura de doação, ao contrário de outros bens, entregues antes de esta data e cuja doação foi efectuada.

Segundo Rui Salazar, "em 2002 e em 2005 foram depositados na Câmara determinados bens que eram da herança do professor Salazar, e não só", relativamente aos quais foi feita uma escritura de doação em maio de 2006.

Entre esses bens estava "material filatélico, numismático, medalhística, objectos vários, revistas, jornais, documentos, mapas e livros", explicou.

A Câmara de Santa Comba Dão recebeu também, por doação, um terço dos bens imóveis da herança da família de Salazar, que era natural da freguesia de Vimieiro, naquele concelho.

Também relativamente a estes bens imóveis "está tudo certo", porque foi feita escritura de doação a 17 de maio de 2006, esclareceu.
Rui Salazar explicou que o processo que agora começa a ser julgado se prende com o que entregou à Câmara, para depósito, após 2006, ou seja, em Novembro e Dezembro de 2007, em Setembro de 2008 e em Janeiro de 2009.

Nestas datas, entregou mais "livros, jornais, revistas, mapas, material filatélico, numismático, medalhística e objectos vários", com a intenção de, posteriormente, ser feita uma escritura de doação, o que nunca chegou a acontecer.

"O presidente de Câmara que estava (João Lourenço) não deu origem a escritura nenhuma. O actual (Leonel Gouveia) chegou, nem sequer me chamou para oficializar esse depósito que estava na Câmara, o que me leva a depreender que não estão minimamente interessados", considerou.

Foi por isso que Rui Salazar decidiu colocar a Câmara de Santa Comba Dão em tribunal. "Se não estão interessados, quero as coisas de volta", frisou.

Caso a Câmara não devolva os bens, pede uma indemnização de 324 mil euros, que considera corresponder apenas "a uma parte" do espólio que entregou.

Em 2006, o então presidente de Câmara João Lourenço considerou as doações "mais um passo" no processo de construção do Museu e Centro de Estudos do Estado Novo.

O actual presidente, Leonel Gouveia, disse recentemente que a criação de um centro interpretativo do Estado Novo é "fundamental" como alavanca para todo o projecto de desenvolvimento turístico que têm para o concelho.

Media nacionais: bancarrota

Jornal i de hoje:


Os media nacionais estão atolados em dívidas. Não conseguem fazer jornais, revistas, televisões ou rádios que sejam rentáveis e estão em "falência técnica", como dantes se dizia.

A razão para o descalabro vão buscá-la sempre aos outros e nunca à própria incapacidade em perceber por que razão certa o público não lhes compra o produto e os anunciantes não lhes encomendam espaço publicitário.

Uma desculpa recorrente é que lá fora é igual, como se lá fora fosse mesmo igual a qualidade de informação e os problemas acumulados por cá.

Hoje mesmo apareceu nos quiosques este jornal semanário, francês, desdobrável em quatro, Le Un que já vai no número 131 e é dirigido por Éric Fottorino, um antigo director do Monde, de 2007 a 2011.

É um jornal exemplar e que por cá não existe nada parecido. Nele são elencados problemas da imprensa e media franceses.
Porém, ler alguns jornais e revistas franceses de informação e comparar com o que por cá temos até dá vontade de rir, um riso amarelo, diga-se.


Para mim os problemas do jornalismo português aliam a falta de qualidade jornalística, em geral, à mediocridade informativa em particular e será esse o principal problema do jornalismo português. Porém, há pelo menos um jornal nacional que tem qualidade informativa regular e adequada: o Jornal de Notícias, do Porto. Essa qualidade mostra-se nas notícias de âmbito regional, mas escapa de todo ao leque de comentadores escolhidos pelo senhor Camões que o dirige e é amigo de José Sócrates que foi quem o colocou no lugar, por interposta pessoa, segundo consta.
Ainda assim é o melhor jornal português da actualidade. Curiosamente não é dos coleccionados pelo guardador de papel impresso que assina JPP provavelmente porque não lhe interessa o verdadeiro jornalismo, mas sim os ensaístas de jornal que pululam nos outros como lêndeas em maré de praga piolhosa.

O fenómeno pode resumir-se nisto que já vem do tempo anterior a 1974, como mostra o Diário de Lisboa, 17 de Janeiro de 1974:


As pessoas não se consideravam bem informadas sobre o que se passava cá dentro, nessa altura em que governava Marcello Caetano. Obviamente que o objectivo do jornal dirigido pelo comunista Ruella Ramos era denunciar subrepticiamente a Censura e tal era verdadeiro em parte.

Actualmente, não existindo Censura com Direcção Geral há a Censura da direcção dos jornais e da mentalidade do jornalista que sabe a quem obedecer e não escreve o que deve mas o que se lhe impõe para salvar o lugar...e não sei bem qual será pior, se antes ou agora.

 Portanto a falência do jornalismo nacional é mais que económica porque deriva essencialmente da falência do espírito profissional que deveria existir e parece arredado da maioria das redacções.

O caso mais dramático e paradigmático é o do Diário de Notícias...e da Global Media em geral, tal como José Manuel Fernandes contava em Setembro transacto, a propósito do livro de José António Saraiva:

Um bom exemplo daquilo a que me refiro é o que se passa no grupo Global Media, um dos maiores do país e proprietário do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF. A “indignação” de alguns dos jornalistas-colunistas desse grupo com o livro de Saraiva foi imensa. O que dá para ficar espantado, por causa dos telhados de vidros daquela casa. Por isso desculpem-se ser desmancha prazeres, mas num fim-de-semana marcada pelo protagonismo político de José Sócrates não é possível continuar a ignorar a passadeira vermelha de que continua a beneficiar naquele grupo de comunicação. Mas vamos a factos.
Primeiro facto. Sabemos hoje, graças à Operação Marquês, que José Sócrates teve um papel determinante na transferência de propriedade daquele grupo em 2014, poucos meses antes da prisão do ex-primeiro-ministro. A sua preocupação era controlar as direcções dos dois jornais, tendo, através do seu amigo e advogado Proença de Carvalho, defendido a nomeação de Afonso Camões para esses lugares. Esse jornalista, amigo de Sócrates, chegou mesmo a definir-se como um “general prussiano” que “não se amotina”, podendo ser um “joker” em qualquer posição de direcção. O actual director do Jornal de Notícias é, de resto, um amigo de longa data de José Sócrates, que o colocou em lugares tão importantes como a direcção da Lusa e que contou com a sua colaboração noutras “operações” (aí, refira-se, o livro de Saraiva revela alguns episódios curiosos sobre a acção de Camões que eu desconhecia).
Mas sabemos mais. Sabemos que Proença de Carvalho é hoje o homem forte da administração do grupo e que os órgãos de informação da Global Media têm sido utilizados, com pouco ou nenhum escrutínio, por José Sócrates para difundir as suas mensagens. Correndo o risco de me falhar alguma intervenção, fiz um pequeno levantamento – pequeno mas significativo:
  • 27 de Novembro de 2014: Primeira mensagem de Sócrates depois da prisão, divulgada pela TSF (e pelo Público);
  • 4 de Dezembro de 2014: Carta publicada no Diário de Notícias;
  • 5 de Março de 2015: Carta escrita a partir do estabelecimento prisional de Évora e entregue ao Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF, com críticas a Passos Coelho;
  • 4 de Abril de 2015: Texto de opinião publicado no Jornal de Notícias;
  • 8 de Junho de 2015: Declaração exclusive ao Jornal de Notícias sobre a recusa de pulseira electrónica;
  • 12 de Junho de 2015: Declarações enviadas por escrito à TSF e ao Diário de Notícias;
  • 30 de Junho de 2015: Entrevista conjunta ao Diário de Notícias e à TSF;
  • 19 de Agosto de 2015: Carta enviada ao Jornal de Notícias (e à SIC);
  • 19 de Junho de 2016: Texto de opinião publicado ao mesmo tempo no Jornal de Notícias e na TSF;
  • 26 de Junho de 2016: Texto de opinião na TSF (não se encontram no site da TSF textos de opinião de mais nenhum político);
  • 10 de Setembro de 2016: Texto de opinião no Diário de Notícias.
  • 16 de Setembro de 2016: Entrevista à TSF sobre o juiz Carlos Alexandre.
Se a consulta dos arquivos não me pregou nenhuma partida, para além destas intervenções José Sócrates só deu mais uma entrevista nestes quase dois anos, a famosa (e controversa) entrevista em duas partes à TVI.
No que diz respeito ainda ao grupo Global Media refira-se ainda que os órgãos de informação que o integram recusaram publicar a publicidade do Correio da Manhã em que se criticava uma decisão judicial que, durante alguns meses, impediu aquele jornal de publicar informação relevante sobre a Operação Marquês.
Estes dados indicam que aquele grupo de comunicação tem servido ao ex-primeiro-ministro como plataforma para defender as suas posições, com privilégios de acesso únicos, quase absoluta ausência de escrutínio, tudo isto quando se sabe que ele interferiu, em 2014, na escolha das direcções editoriais e que tem o seu amigo e advogado como presidente do Conselho de Administração.
Contudo parece haver uma espécie de “conspiração do silêncio” que não questiona esta situação, isto enquanto fervem as indignações por causa de um livro que, na verdade, só põe por escrito aquilo que todos sabem sobre a vida privada de algumas figuras públicas. O povo pode gostar muito de mexericos (enquanto diz mal deles), mas certo, certo, é que falar de mexericos é muito útil para não se falar de coisas realmente importantes. E para mascarar a hipocrisia reinante.

Na imagem, o director do jornal é ouvido pela redacção e pelo dono virtual do jornal , Proença de Carvalho.



Dificilmente se encontrará melhor legenda para o que se passa actualmente no jornalismo nacional.

Talvez com a imagem deste o panorama seja ainda mais completo...





Fazer jornalismo não é como vender fruta nem como fazer política partidária ou de interesse particular deste ou daquele grupo. E é esse  o problema desta gente que agora anda à rasca. 

domingo, novembro 20, 2016

As origens remotas da Geringonça

Em 1968 o jornal Diário Popular, dirigido por Francisco Balsemão,  decidiu contratar jornalistas jovens. Duas dúzias concorreram, entre os quais três mulheres. Uma delas era Maria Antónia Palla, mãe do actual primeiro ministro. É ela quem conta a história, aqui , e como ganhou um prémio por relatar casos avulsos de mulheres de alcoólicos.

Nesse ano, Salazar adoeceu e Marcello Caetano sucedeu-lhe, em Setembro. Antes tinha acontecido em França o Maio de 1968,  cujos ecos por cá conduziram a novel jornalista a fazer uma reportagem em Paris, um ano depois.
Os apontamentos de tal reportagem foram publicados em parte no Diário de Lisboa e depois num livrinho de 132 páginas, consistindo basicamente em pequenas entrevistas a diversos protagonistas dos acontecimentos, com citações avulsas de outros.
Tal livrinho foi proibido pela Censura da época ( "apreendido pela Pide" é o termo usual para definir a acção censória) eventualmente por causa do título de capa que pedia isso mesmo. Quem o lesse, agora como dantes, ficaria com uma pálida ideia do que foi o tal movimento mas ao mesmo tempo muito bem informado sobre os mitos que povoavam aquela cabecinha pensadora de jornalista.
Tais mitos começam no livrinho com uma entrevista ao cineasta Godard que inclui até uma pergunta sintomática: "acha que o socialismo será possível em França?" logo seguida de " "quando você ataca a burguesia pensa poder fazer filmes sem o seu concurso?" que denotam a matriz ideológica da autora e definem o mote esquerdista da revolução permanente.

 No fim da pequena entrevista citam-se os filmes em exibição em Paris nesse tempo de 1969. Três filmes! "A terra em transe" do brasileiro Glauber Rocha; "A quelques jours près" de Yves Ciampi e "Z" de Costa Gravas. Este último lembro-me de o ver em Portugal, logo a seguir ao 25 de Abril de 74. Versava a ditadura grega da época. O fascismo grego...em modo policial e trepidante de acção.

No intervalo dessa primeira entrevista a autora fora ver uma exposição sobre a Bauhaus, no museu de arte moderna ( Beaubourg). Acaba por citar os estudos correntes na Universidade livre de Vincennes, sobre Rosa Luxemburgo, a comunista alemã que fazia as delícias da nossa esquerda de compagnons de route de então.

A seguir Jacques Brel, o cantor belga que desfia ideias sobre  os temas das suas canções mais as de Leo Ferré e George Brassens que "valem como testemunhos de uma contestação cujo processo remonta anos atrás".  É preciso não esquecer que por cá foi nessa época que começaram os "baladeiros" com Manuel Freire e outros que já foram citados por aqui e apareciam todos na revistinha Mundo da Canção, comunista, lançada em Dezembro de 1969.

Depois de Brel um apontamento sobre a pílula...e como a autora confessou já ter abortado o tema só não apareceu porque seria demasiado chocante. Mas a realidade estava lá...

Siné, o caricaturista,  mais Françoise Giroud, da revista L´Express, que conversa sobre Cohn Bendit "um rapaz muito inteligente" que acabou expulso de França por ser alemão. Sauvageot, o outro jovem líder do movimento também acabou por falar à repórter intrépida com citações prévias de Herbert Marcuse para dizer que não falava à imprensa e a seguir o nosso António José Saraiva que estava em Paris, justamente.
Este teve direito a citações de Rosa Luxemburgo e Makhanovitsi: "camarada! Reflecte sobre com quem estás e contra quem combates. Nunca sejas escravo. Sê um homem"...

O trabalho intelectual de investigação de AJS era "feito em casa e na Biblioteca Nacional" e a entrevista passou-se quase toda nas esplanadas dos cafés do Quartier Latin, "a caminho do Luxemburgo" ou seja dos jardins do dito. Saraiva tinha acabado de publicar um livro sobre a Inquisição em Portugal que vendera já mais de dez mil exemplares e era um intelectual popular que tinha aparecido na capa da revista Vida Mundial.
Sobre Maio de 68 Saraiva sabia pouco - "olhe, o movimento de Maio é um acontecimento que ainda hoje desafia as explicações", mas a jornalista tinha lá ido, um ano depois precisamente para entender o que Saraiva que tinha lá estado o ano todo ainda não entendia.

Tal como agora, com esta história do Trump.







Quem não conhecer isto e o contexto em que foi gerado terá sempre alguma dificuldade em entender toda a natureza da Geringonça que  nos governa bem como o modo como apareceu.

Isto apareceu em 1968-69 e não foi certamente obra de Salazar. Ou antes, surgiu durante o salazarismo dos últimos anos por uma razão muito prosaica: a Censura e a Pide que esta gente invoca sempre como sinais do obscurantismo vivido, nunca os impediu de lerem o que bem quiseram, optarem pelo que bem entenderam e militarem como sempre o fizeram pelo "socialismo" e comunismo.

Faziam-no no meio intelectual português, com destaque na imprensa e que desde os anos 40, como afirmou um deles- Eduardo Lourenço- tinha um predomínio de esquerda.

O que aconteceu logo a seguir a 25 de Abril de 1974 foi apenas uma pequena revolução que germinava há décadas na clandestinidade que lhes era permitida e acalentada.

Os efeitos perversos dessa pequena revolução sentimo-los todos nós, portugueses, nos anos vindouros.
As nacionalizações de 1975 foram preparadas por eles e a mutação ideológica que publicamente assumiu contornos até na linguagem corrente é obra deles.

É esta a minha explicação para os nossos males presentes e passados.

sábado, novembro 19, 2016

O comunismo na Alemanha...

O Militante do PCP, edição Novembro/Dezembro do corrente, derrama lágrimas amargas sobre a democracia alemã que de 1956 a 1968 lhe proibiu a expressão pública e o direito de reunião. De facto o partido comunista alemão foi proibido e julgados durante anos os seus militantes, só por causa disso. 10000 julgamentos, 200.000 processos que resultaram em penas de prisão, privação de direitos cívicos, etc etc.

O fascismo, quoi! Curiosamente nunca se ouviu o PCP a clamar contra o fascismo da Alemanha do pós-guerra...e mesmo que a partir de 1968 tenha ressurgido a fénix vermelha os dirigentes alemães conheciam as peças e proibiam-nos de participar na função pública por serem "radicais"...

A história é pouco conhecida mas deve sê-lo melhor:


Se tivessem feito o mesmo por cá, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 teríamos uma sociedade mais sadia, mais próspera e mais igualitária. Assim, temos bancarrotas atrás de bancarrotas...

Aliás, na Europa que conhecemos só a nossa parolice dá alento a este PCP, com estes jovens pensadores que dão esperança aos amanhãs a cantar.




Lá, na Alemanha e em toda a Europa o comunismo é coisa do passado e com razão:

Karl Marx e Friedrich Engels eram alemães, mas nem isso parece chegar para que o Partido Comunista Alemão seja um partido com verdadeira relevância na política do país. A última vez que o partido teve alguém no Bundestag foi em 2008, quando Christel Wegner (militante do PCA, mas incluída no grupo parlamentar do Die Linke) foi expulsa da bancada onde estava inserida após ter apelado ao regresso da polícia política da Alemanha de Leste numa entrevista:
Acho que se fosse criada uma nova sociedade, iríamos precisar de uma organização [como a Stasi] de novo, porque teríamos de nos proteger das forças reaccionárias que tentassem destruir o Estado a partir de dentro”.
É precisamente no Die Linke que se concentra a esquerda alemã (aliás, o nome do partido significa A Esquerda), que foi formada em 2007 numa junção de várias forças à esquerda dos socialistas do SPD — inclusive dissidentes destes últimos, que são o segundo maior partido da Alemanha. Além disso, estão lá antigos militantes do Partido do Socialismo Democrático (o sucessor do Partido Socialista Unido da Alemanha, a força política por detrás da ditadura da Alemanha de Leste).
Nas últimas eleições legislativas alemãs, em 2013, o Die Linke teve 8,2% dos votos. Conta com sete eurodeputados em Bruxelas e foi a fonte de inspiração do Bloco de Esquerda quando, em 2012, decidiu optar pela solução de dois porta-vozes, conhecida como a liderança bicéfala.
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Os guardadores de papel impresso

José Pacheco Pereira confessa hoje no Público como faz para se manter informado diariamente: lê quase toda a imprensa escrita e colecciona recortes e jornais seleccionados. Alguém castiga depois o scanner e fica tudo arquivado.
Só falta agora dizer que jornais e revistas estrangeiras lê, guarda e recorta, uma vez que adopta o mote da estranja sobre sermos aquilo que arquivamos...

Este postal é de simpatia para este guardador de papel impresso com o qual me identifico na tarefa. Também guardo e do mesmo modo, há muitos e muitos anos. Não tanto, não com tanta proficiência, mas com o mesmo objectivo: guardar memórias que podem servir para alguma coisa em alguma altura. É mais que um hobby: é uma loucura mansa, como lhe chama Pacheco. Mas não é uma ambição holística, como também diz. É mais uma preservação de um momento psicológico. Pacheco escreve que guarda os artigos de que mais discorda para depois escrever sobre eles e quase nunca o faz. Conheço muito bem a sensação e agora atalho muitas vezes para evitar esse efeito. Logo que leio, escrevo, rápido, e arquivo. Estive para escrever sobre umo artigo desta semana, de João Miguel Tavares, a propósito da dama de Formentera, mas passou o tempo e já não o farei. O tempo escasseia mas sempre ouvi dizer que temos sempre tempo para aquilo que queremos. Basta organizá-lo e aprimorar o uso.

Um jornal ou revista e seus recortes arquivam na memória o momento em que foram lidos e funcionam como uma foto do tempo e das sensações que provocaram. Os computadores, agora, facilitam ainda mais a tarefa que aliás pode prescindir deles na medida em que tal não  dependa do registo virtual e exija o suporte físico documental.Se for arquivado em memória virtual, fica duplicado em back-up, com esse resguardo estratégico e de mais fácil acesso.
A  revisitação de matéria impressa e ideias correntes das letras e imagens proporciona o mesmo efeito que uma foto, mas com incidências mais interessantes, ao permitir pensar outra vez sobre o assunto.

E os assuntos não são assim tão inesgotáveis, bem como as ideias, repetidas e sempre em palimpsesto como escrevia Jorge Luís Borges.
Porém, de vez em quando surge uma ideia nova, um vislumbre de descoberta que outros certamente já experimentaram mas cujo efeito não é replicável e aproveita apenas ao próprio.
Devo confessar que é um hobby magnífico,  fonte de bem estar espiritual e divertimento permanente. Deve ser a melhor aproximação aos actos de criação artística,  que contêm em si a essência do bem estar. Escrever um romance deve ser um pouco isto, com a procura permanente de soluções narrativas.
O bónus disto tudo? Desenvolver o raciocínio dentro dos limites de cada um, ginasticar a escrita e partilhar ideias ou assuntos se tal se fizer em público, como acontece num blog.
 



Sobre o assunto de Pacheco importa realçar que também lê o Diabo que classifica como "uma janela sobre uma direita muito especial, a dos "nacionalistas revolucionários" mais jovens e a dos nostálgicos do salazarismo".
Curiosamente a seguir diz que lê o Avante que classifica como fonte de história do PCP e da oposição. Nada de "revolucionários" ou de nostálgicos do estalinismo...

Enfim, como escrevi acima, este hobby permite apenas estender o raciocínio aos limites do que cada um tem como próprio. E nada mais.

O Inimigo Público do jornal

Hoje no Público há várias páginas sobre a extrema-direita como Inimigo Público. A extrema-esquerda nunca teve privilégio tamanho porque esse mal já se banalizou no jornal e quem escreve sobre a extrema-direita é adepto ferrenho do footsie permanente com aquela corrente ideológica. Muito lá da casa do ISCTE e outras madrassas do género...

Sob pretexto dos "skins" e do Trump,  as jornalistas do Público,  Mariana Oliveira, Maria João Lopes, Joana Gorjão Henriques, Ana Fonseca Pereira e, last but not the least, Bárbara Reis, a decana desta ideologia extremada à esquerda, assinam apontamentos que contribuem para a narrativa corrente sobre o diabo a sete deste perigo público. A extrema-direita e o nazismo e os skins e o salazarismo e o fascismo e o ku klux klan e sei lá que mais são esses diabos soltos que afligem diariamente o jornal de combate permamente a tudo o que contrarie o politicamente correcto imposto pela doxa.
Depois de tentarem durante anos lavar o cérebro a quem pensa queixam-se que não os lêem e depois votam no inimigo que elegeram.  Porca miseria!  


Não aprenderam nada e nada esqueceram. Lá por fora, em França por exemplo, há quem se interrogue sobre estas estratégias estúpidas de inteligentes feitas dona Bárbara que devia ter tirado bilhete de ida vitalício, para a reforma antecipada.  Porém, com este Dinis, o Público continua refém da inteligência bárbara.
Até ao dia em que esgotados os leitores acabará o maná do subsídio da SONAE.


sexta-feira, novembro 18, 2016

A Direita existe, em Portugal?

Em 11 de Abril de 1986 o Jornal publicou um artigo de página, assinado por Fernando Dacosta dando conta do que seria a Direita em Portugal nessa altura.

Como representantes dessa "direita" apareciam no retrato Cavaco Silva, Freitas do Amaral e Proença de Carvalho. Fica tudo dito com esta análise impressiva do jornalismo corrente desse tempo. E Fernando Dacosta nem era dos piores...

Para o articulista haveria cinco "direitas". A mais interessante é a que aparece designada como "direita musculada" e que seria "autoritária, imediatista, adepta de soluções violentas. Cultiva o nacionalismo e a simpatia pelos regimes de força e o desprezo pelo comunismo e partidarismo. Vive na nostalgia de Salazar. Recruta-se na classe média e média baixa, aspirando a mobilizar populações da província".



Esta direita ou as direitas aqui elencadas não existem em Portugal, actualmente, como força política organizada ou mesmo como correntes de opinião reconhecidas mediaticamente nos principais media. Existem uns líricos que proclamam ideias parecidos ou sustentam uma nostalgia de um tempo ido e pouco mais. Alguns escrevem no jornal O Diabo, por muitos ainda considerado um "pasquim da reacção".
Assim quando muito existem por aí uns blogs avulsos em que se dá vazão a essa expressão.
No outro dia, houve uma manifestação de uns resquícios dessa direita musculada no Martim Moniz, contra outra manifestação em prol de refugiados.
A polícia apareceu e prendeu um elemento ou dois do PNR. Antes tinha havido uma acção de força do MºPº contra "skins" ou seja lá isso o que for.
Em Portugal não há qualquer hipótese democrática de poder aparecer livremente um movimento ou partido desse género porque é logo catalogado de nazi, diabolizado pelos media e perseguido pelo MºPº sob denúncia de um qualquer esquerdista marado.

E no entanto há uma força que permanece imutável ao longo do tempo e que tem uma ideologia que é radical e sem exemplo no mundo ocidental, como o conhecemos: o PCP.

Atente-se nestas páginas da sua última revista O Militante, de Novembro/Dezembro 2016:


Este partido que integra a coligação parlamentar que sustenta o Governo actual em funções tem a sua ideologia perversa bem exposta para todos lerem e até tem o seu guru intelectual que há muitos anos tem ideias sobre a economia e as escreveu em manual, agora reeditado: Avelãs Nunes.


Este e outros não incomodam ninguém...e portanto o desequilíbrio democrático mantém-se. Talvez por isso ainda não tenha surgido em Portugal um fenómeno como o da família Le Pen, em França...


"Ódio patológico"? "Pessoas descartáveis"?

Observador:

Esta sexta-feira conheceu-se mais um detalhe sobre a detenção. De acordo com o despacho do Ministério Público, citado pelo Expresso, a procuradora Cândida Vilar, que está a coordenar a investigação, considerou que os militares em causa moviam-se por “ódio patológico e irracional contra os instruendos” e consideravam-nos “pessoas descartáveis”.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo com o senso comum. Veremos o que seja, não faltará muito.

quinta-feira, novembro 17, 2016

O queijeiro de Contenças

O bravo Jorge Coelho, aqui retratado em pose majestática diante dos carris do apeadeiro de Contenças é o novo queijeiro da região.

Deixem contar a Sábado de hoje:


Diz a revista que entrou com uma "boa parte" do 1,7 milhões que a queijaria custou. Trocos.  Logo que saiu o primeiro queijo da linha de produção não estava lá mas quando lho deram a provar, comentou: "este queijo tem personalidade".

Personalidade é o que não falta ao novo queijeiro de Contenças que continua ligado a uma empresa transnacional que o empregou na última meia dúzia de anos, em resultado da sua imensa competência para as infra-estruturas de todo o tipo.

A par dessa actividade junta ainda a de comentador residente em programa de tv que dura há anos e anos, tentando enquadrar um círculo de temas que são o seu maior trabalho profissional. Mesmo com as ajudes vindas por telefone.
Hoje à noite na tv aposto que vai falar do queijo de Contenças. Vocês hádem ver...

Por falar em queijo...diz-se aqui que o melhor do mundo será este: o queijo Kraftkar da produtora norueguesa Tingvollost.  Foi hoje anunciado o prémio.

Assim, fico à espera de provar o de Contenças que virá do leite das ovelhas bordaleiras.

No melhor pano cai a nódoa...

 Observador:


(...)Já o juiz Lino Ribeiro explica que, “sendo magistrado de carreira”, apenas aufere “como rendimento do trabalho dependente, o vencimento de juiz, cujo montante é, para efeitos de transparência, público.” O conselheiro explica que “por esse motivo, não foi preenchido o campo correspondente”. No entanto, admite que irá rectificar essa falha, explicando que essa é uma “omissão que naturalmente será suprida.”
A Sábado tinha noticiado esta quarta-feira que Lino Rodrigues Ribeiro, juiz do Tribunal Constitucional desde 2013, não tinha apresentado qualquer rendimento de trabalho (dependente ou independente) ou de capital na declaração entregue. Em 2012, o ex-magistrado do Supremo Tribunal Administrativo tinha apresentado a primeira (e única) declaração de rendimento sem identificar os rendimentos auferidos nesse ano, elencando apenas os 20 imóveis e os dois veículos que detém.

Vejamos:

O juiz Lino Ribeiro já tem muitos anos de profissão como juiz e particularmente do Administrativo. O vencimento de um magistrado não é assim tão público como isso. Ou pelo menos não é consultável por quem o queira fazer. O que é público é a tabela de remuneração da magistratura mas ainda assim aposto que não há muitos jornalistas que consigam determinar com rigor qual o vencimento mensal do juiz Lino Ribeiro, enquanto Conselheiro do STA.

Assim, a única coisa que o juiz Lino Ribeiro devia fazer era "mea culpa, no melhor pano cai a nódoa".

E nada mais.

quarta-feira, novembro 16, 2016

As bancarrotas órfãs

Em 3.7.2013 alvitrei por aqui que Mário Soares era o pai da primeira bancarrota e o  padrinho da segunda.
Num comentário apócrifo colocado dois anos depois, alguém ( um tal Pedro Silva) escreveu o seguinte:

"Permita-me que lhe diga - Ignorante e mentiroso.
É o que o autor deste texto tendencioso diz.
Efetivamente, Mário Soares pediu o auxilio do FMI em 78 e 83 mas basta consultar o site do FMI e ver as razões de tais auxilios, nomeadamente fatores externos.
Mas já agora, vamos à política.
A primeira ajuda deveu-se grande parte ao choque petrolífero e foi solicitada num governo PS/CDS. Sim, a tal direita estava bem representada nesse pedido.
A segunda ajuda foi pedida 2 meses após Mário Soares ter tomado posse e depois de 3 anos de governos de Sá Carneiro e Balsemão, num governo do Bloco Central com esses "socialistas" chamados Mota Pinto, João Deus Pinheiro, Ferreira Amaral, Carlos Melancia, António Capucho.
Dizer que a culpa é dos Socialistas é tudo muito bonito, mas saber a realidade e assumi-la é de facto mais dificil
."

 Apetece-me retomar o tema porque é recorrente e a Esquerda que temos mistifica permanentemente o assunto, como acima se vê, pelo comentário reproduzido.

Em 1984 a Economia portuguesa pouco ou nada tinha mudado relativamente aos dez anos anteriores. E isso parece-me um facto demonstrável. Os factores externos evidentemente que mudaram, mas a essência do que nós tínhamos como Economia nem se adaptara nem mudara fosse o que fosse. E a responsabilidade de tal imutabilidade pertence a quem?

Em 19 de Dezembro de 1983 Cavaco Silva, então presidente do Conselho Nacional do Plano e director do gabinete de Estudos do Banco de Portugal interveio num colóquio da APE e produziu então o seguinte texto publicado pelo O Jornal de 6.1.1984.


Independemente do que Cavaco Silva veio a fazer nos anos 90, com duas maiorias absolutas e que desperdiçaram oportunidades únicas, com a ideia parola de "pogresso", a verdade é que Cavaco apresentava números e factos para mostrar o que acontecera durante o seu consulado como ministro das Finanças do VI Governo Constitucional.

Um sector público administrativo com défice brutal e que aumentara em 1981 e 1982 e continuara a aumentar em 1983. Um sector público de empresas inviáveis e já tornadas "elefantes brancos", com uma Constituição que ainda tornava "irreversíveis" as nacionalizações e cujo défice era também importante.

Cavaco Silva denuncia no artigo a manipulação de tal défice orçamental durante os anos de 1981 e 1982.

Em 1981 a seguir ao VI Governo em que Cavaco Silva interveio, entrou Pinto Balsemão e o ministro das Finanças era João Morais Leitão, um advogado que em 1974 chegara a encabeçar o movimento do MDE/S que propôs aos governantes do PREC um investimento dos ainda capitalistas portugueses da ordem de 120 milhões de contos...).
Ao Governo Balsemão seguiu-se...outro Governo Balsemão, até 1983,  tendo como ministro das Finanças João Salgueiro, um dos tecnocratas do tempo de Marcello Caetano.

Foram estes dois governos que atiraram o país para a bancarrota ou foi esta segunda desgraça nacional económica fruto do apadrinhamento daquele Mário Soares e PS?

Repare-se: sem revisão da Constituição nada se poderia fazer no sentido de alterar o rumo da Economia como estava desde o PREC de 1974.

Ora nessa altura o PS de Mário Soares pensava assim, como mostrava a Revista do Povo de Junho de 1974:


O PS ainda não tinha metido o "socialismo na gaveta"? Pois não, mas em Junho de 1978 ainda Mário Soares dizia isto publicamente, como reflexo daquele socialismo:




Esta atitude de renúncia ideológica a qualquer modificação da Constituição impediu que em 1979 Sá Carneiro e o governo da AD fizessem valer o que pretendiam e era necessário e só dali a dez anos se verificou, por imposição da integração na CEE:






Foi este bloqueio ideológico que o PS de Mário Soares patrocinou que acabou por conduzir o país à bancarrota de 1983.
O que os governos de Balsemão fizeram, contra a vontade de Cavaco Silva, foi a vontade a Mário Soares: não mexerem no sistema político e principalmente económico.

As empresas públicas continuaram a dar prejuízos crónicos e em 1985 eram "elefantes brancos"...


Os problemas do país arrastavam-se desde o PREC e Mário Soares não ajudou a resolvê-los mais cedo, no que à Constituição dizia respeito e isso na altura era o primordial e indispensável.

A questão foi sempre esta, como se enunciava em 1984:


Quem impediu de facto a mudança na Economia, de 1975 a 1989? Mário Soares...

Tal como dizia Pedro Ferraz da Costa ao Semanário em 1.3.1986:


Portanto, não foram apenas as crises internacionais que geraram as nossas duas primeiras bancarrotas; foram antes as políticas económicas de base que impediam de facto o aproveitamento dos períodos de recuperação económica mundial que também existiram. E tal se deve a quem?

Nenhum outro país da Europa teve este problema para resolver, fruto da loucura do PS e do PCP e extrema-esquerda:



 

Logo aquele comentário do tal Pedro Silva serve para quê?  Mistificar.

segunda-feira, novembro 14, 2016

Corre tudo muito bem até ficar tudo muito mal...

Observador:

Juros voltaram a superar a fasquia dos 3,5%, reentrando no intervalo em que o nível de preocupação da agência DBRS aumenta. A partir dos 4%, agência já disse que ficará desconfortável com o "rating". 


Tirando isto corre tudo no melhor dos mundos...e já estamos no caminho certo outra vez. Este indivíduo não tem dúvidas que isto vai. Deus queira...:

António Costa sublinha que sistema financeiro saiu do impasse e vai ajudar crescimento.

Um homem de palavra cumpre as promessas...

Observador:

O especialista em sondagens Sam Wang prometeu que, caso Donald Trump ultrapassasse os 240 votos no Colégio Eleitoral, comeria um insecto. Prometeu e cumpriu. No sábado, o especialista da Universidade de Princeton comeu um grilo com mel em directo na CNN.  

Durante toda a transmissão em directo, Sam Wang mostra-se arrependido da promessa que fez e tenta adiar o momento ao explicar a importância das questões políticas. “Penso que comer o insecto é sensacionalista e afasta-nos nos assuntos políticos importantes, como as nomeações para o Supremo Tribunal”, começa por dizer Wang.

Ainda antes de comer o grilo com mel — a que chamou “um grilo ao estilo gourmet, do ponto de vista de um animal de estimação” –, Sam Wang esclarece: “Há coisas que podem acontecer para unir o país, e comer um insecto não é uma delas. Queria só sublinhar isso”.

Depois da introdução, o cientista resigna-se. “Muitas pessoas estavam erradas, mas nenhuma fez a promessa que eu fiz”, destaca. Num último momento antes de colocar o grilo com mel na boca, Wang compara-se a João Baptista, que “comeu gafanhotos com mel”. Depois de engolir o insecto, garantiu que lhe soube “sobretudo a mel, e um bocadinho a noz
”.

 https://youtu.be/O9Xksz3i2mg

Um sacripanta daqui  prometeu lauto jantar no selecto Gambrinus se o Donald ganhasse. Ganhou e a promessa ficou em águas de bacalhau que a conta do Gambrinus costuma ser bem demolhada.

Aquele executivo das sondagens americanas  prometeu comer um grilo em circunstância idêntica e cumpriu.  

Moral da história: há quem prefira engolir sapos, mesmo os de fábula, do que cumprir promessas...

domingo, novembro 13, 2016

Um "pinta paredes" que borrou a escrita

Este antigo pintor de paredes borrou agora a escrita com a sobranceria pública de recusar mostrar rendimentos ao tribunal Constitucional.

Não interessa muito porque o Correio da Manhã já tratou do assunto. É ler...o perfil desde "pinta" de voz ciciada e jazz na mente.

Segundo confessa um ex-colega do MRPP o "pinta" saiu do sítio porque começou a ver que " a nível profissional não ia a lado nenhum". Portanto, o retrato simplista de um oportunista. Não admirava nada que assim fosse.




Torquemada é inocente!

Este advogado que também politica, desde que ajudou a fundar o PS, é um exemplo de espécimen jurídico que exaspera o mais paciente dos jobs que abundam na profissão.



Ao ler esta crónica no CM de hoje, sobre um fait-divers criminal como é o caso do assassino presumido Pedro João Dias,  a postura escrita e falada desde causídico é simples: inocente presumido, sempre e desde que haja um processo,como tem que haver, porque nada se faz sem processos. Quem se atrever a arejar um pensamento coerente com os factos conhecidos e  imputar alguém culpado, fora desses parâmetros jacobinos,  é criminoso e deve ser condenado sem qualquer presunção de inocência acerca da intenção em denegrir.
Convoca sempre a ditadura fascista, a inquisição, ou qualquer outro tremendismo, porventura o próprio nazismo ou o diabo em figura de gente para defender o indefensável e que estriba sempre na lei jacobina que acapara.

Hoje tocou a vez a Torquemada, um frade espanhol que morreu de velho e, coitado,  é vergastado como culpado daquilo que o causídico execra: considerar que a inocência nem sempre é de presumir contra tudo e contra todos só porque a lei processual assim o determina, para evitar que se condenem inocentes...

A única justiça que este causídico diz respeitar  é a de um tribunal oficial e burocratizado nas leis jacobinas, o que se torna curioso, sabendo que uma boa parte dos exemplos que convoca se refere a pessoas que nunca foram julgadas em qualquer tribunal e nem por isso deixam de ser exemplos do contrário que supostamente defende.

Quem assim pensa se calhar padece de um défice de entendimento qualquer, provocado eventualmente por um traumatismo de espécie desconhecida e que um psiquiatra provavelmente nem entenderá.

A par deste que provavelmente acredita naquilo que diz e por isso mais perigoso é, existe outra espécie de advogados também perigosos para a Justiça com J grande: os cínicos e amorais que fazem do Direito um jogo de palavras e dos conceitos armas de uma defesa imoral. Sabem perfeitamente que os clientes são culpados dos crimes imputados e procuram na lei o modo de os safar da punição devida.
São mercenários do Direito para quem a Justiça é uma balela e todos os juristas os conhecem...

 A lei positivada faz-lhes muitas vezes a vontade porque foi gizada por ingénuos do primeiro tipo e que depois se mostram muito chocados com os resultados práticos e vão a correr tentar mudá-la. Passados anos e anos...


sábado, novembro 12, 2016

A mansão sobranceira de Domingues

O gestor António Domingues ganhou umas massas largas nestes últimos trinta anos, após ter estudado a contabilidade do POC e feito uma perninha em bancos privados de renome ( BPA e BPI).
O antigo MRPP, à semelhança de outros da mesma linha negra, passou para o lado daqueles que dantes combatia ideologicamente e desmente diariamente tudo aquilo em que possivelmente acreditou, ridicularizando essas crenças ipso facto.

Como bom esquerdista reciclado, os princípios foram alterados e só restará o cinismo de uma memória perdida.
Sabendo que a lei o obrigava a declarar rendimentos para público conhecer ( é esse o sentido da lei senão nem seria preciso haver lei) desobrigou-se de tal princípio retorcendo o espírito e condicionando um patarata que lhe deu assentimento.  Vendo-se encurralado na obrigação relapsa, mantém a recusa e justifica a antiga opção ideológica de sobranceria geral típica dessa gente. 

O Correio da Manhã mostra hoje o que pode ser mostrado de tal personagem que gosta de alta fidelidade em aparelhagem dCs: a casa que tem registada em seu nome e que o jornal foi espiolhar no registo e no local. 4 milhões de euros para voyeurs saberem. É muito bem feito para quem assim se comporta.



sexta-feira, novembro 11, 2016

quinta-feira, novembro 10, 2016

O pato com caguinchas

Este sicofanta das dúzias, hábil no manejo de tretas filosofantes e injúrias pustulosas afinal publica promessas públicas de almoços grátis em modo semelhante à esquerda reinante: logro escondido com escamas de fora.

Num arroubo de palermice agora bem atestada e notavelmente reconhecida prometeu jantarada lauta no Gambrinus a quem aparecesse se o pato Donald ganhasse as eleiçoas à dona Clinton.

Prometeu é um modo de dizer que qualquer leitor honrado percebe: " Entretanto, que fique solenemente declarado: se, por algum inusitado milagre do Destino, a bruxa Killary perder, pago um jantar no Gambrinus aos leitores  deste blogue".

A promessa é inequívoca e pela minha parte fiz o que podia e devia: publicitar a oferta pública, alargada a   indigentes locais que aparecessem e se reclamassem leitores putativos da loca infecta.

Nas Portas de Santa Antão há sempre uns andrajosos de espírito que frequentam as ruas paralelas, à noite e à procura de abrigo nos teatros próximos e no franchising local do starbucks. Pessoal de capuz e capote e saia com decote, reluzente no apetite agudo,  às dezenas, quiçá centenas e que já tinham um jantar bem prometido...ora divulgar tamanha oferenda aumentava o valor do pato, multiplicando-o por cem, pelo menos. Uma obra de caridade, portanto.
 Imaginei logo um dragãozito de fancaria pejado de penas postiças prontinho a ser despojado de tanto peso e aliviado na carteira bojuda que certamente levaria para solver a conta calada que a tal se seguiria...
Um pato, portanto, em vez de um dragão. Um transformer depenado de uma só vez.

Pelos vistos, nada feito. Não há jantar para ninguém. E divulgar estas ofertas fantásticas, dignas de feira da ladra em maré de saldos ou de "bar aberto" em maré de bebedeira é "chibar",  um verbo catita da parafernália sicofanta.

Resta por isso o repasto habitual na loca infecta: palermices em barda e ideias reduzidas a resquícios de senso.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso