quarta-feira, dezembro 12, 2018

O ambiente político-judiciário em 2011

A propósito ainda das atoardas de Armando Vara, o condenado desesperado prestes a entrar no ep de Évora, por crime de corrupção e afins, vale a  pena lembrar o que se passou em 2011, altura em que o mesmo foi pela primeira vez interrogado pelo juiz Carlos Alexandre, em 9.2.2011.

Foi em 5.6.2011 que se realizara eleições e o PSD venceu, tendo Passos Coelho sido nomeado primeiro-ministro para acudir à bancarrota deixada pelos governos de Sócrates e do PS e lidar com a "troika" que por cá entrou pela terceira vez em 40 anos, nesta democracia e sempre pela mão prestimosa de um PS que é atreito a bancarrotas.

Portanto, em Fevereiro de 2011 ainda governava José Sócrates e estava-se no rescaldo do processo Face Oculta e das escutas que tinham sido realizadas ao mesmo, enquanto primeiro-ministro e cujas conversas com aquele Armando Vara não escondiam propósitos que o tempo veio esclarecer devidamente.


Em 17.3.2011 o jornal i dava conta da cerimónia de abertura do ano judicial, marcado pela polémica à volta das escutas do processo Face Oculta e da intervenção de José Sócrates, acidental e que revelava inequivocamente a sua intenção de o poder político tomar conta de uma série de órgãos de comunicação social, com destaque para a tvi.

Foi nesse acto que o então bastonário Marinho e Pinto, um manhoso, com amigos ligados ao partido que o levou ao Parlamento Europeu que estavam relacionados com homicidas do mais horroroso que existe, em Braga, disse pela primeira vez publicamente algo contra o juiz Carlos Alexandre, sem o nomear. Ele lá sabia porquê e nos anos a seguir se veio a revelar: a clique de Sócrates não queria tal juiz por perto e Marinho e Pinto fazia então parte dessa clique, a par de outras figuras, como a do colar abaixo mostrado.



Nessa altura de Março de 2011 o CSM ponderou a instauração de processo disciplinar a propósito de interpretação legal sobre a eventual destruição das escutas telefónicas no processo Face Oculta, incluindo as que respeitavam a José Sócrates. Leia-se e compare-se o estilo do então vice-presidente do CSM, Conselheiro Bravo Serra, com o procedimento corrente do antigo director-geral dos serviços judiciários e da PSP, Conselheiro Mário Belo Morgado. É água do vinho. É uma vergonha, actualmente.

Jornal i de 8.3.2011:



O assunto ficou resolvido meses depois, com uma decisão do tribunal Constitucional:

Jornal C.M. de 6.11.2011:


Entretanto, dias antes sabia-se que José Sócrates fora avisado que andava a ser escutado.


E como é que decorreu a investigação a esta violação gravíssima do segredo de justiça?

Os procuradores do processo Face Oculta, de Aveiro, foram claros: houve violação de segredo de justiça a partir do dia em que partes do processo foram para a PGR, em 23 ou 24 de Junho de 2009 e o dia seguinte 25 de Junho. E explicavam porquê: o negócio da TVI foi congelado e as conversas entre Vara, os amigalhaços da tramóia, como um tal Rui Pedro Soares, mais  o "chefe",  mudaram de tom assumindo precisamente a intenção oposta à anteriormente manifestada. A negociata borregou, ironicamente por causa da violação de segredo de justiça...

Apesar disso, o então PGR Pinto Monteiro ameaçava os ditos procuradores com processos crime.

O inquérito para averiguar tal violação de segredo correu termos em Coimbra sob a égide de Euclides Dâmaso e depois passou para o DIAP de Maria José Morgado. O antigo PGR nunca foi ouvido... o que diz muito sobre tal investigação, particularmente de MJM.


Para além disso, os arguidos do Face Oculta foram pronunciados pelo juiz Carlos Alexandre e em Novembro desse anos decorria o julgamento, em Aveiro.

Assim, como relata o CM de 12.11.2011:



Estas coisas, Armando Vara omitiu na entrevista da TVI. E os entrevistadores, coitados, não sabiam de nada disto. Pois não?!

Em Janeiro de 2011, o então ainda primeiro-ministro José Sócrates nomeou para director do sesrviço de informações, quem? O anterior director do SIS, o juiz Antero Luís. Foi assim noticiado e o actual komentador da CMTV Rui Pereira deve saber algo sobre o assunto, mas infelizmente não fala disso. Deve estar desmemoriado, desde o tempo em que frequentava o gabinete ornado com colunas, do seu colega Magalhães, no gabinete de funções no Estado. A Maçonaria estava sempre presente nisto:

O juiz desembargador Antero Luís, director do Serviço de Informações e Segurança (SIS), foi a escolha do primeiro-ministro, José Sócrates, para assumir o cargo de secretário-geral do Sistema de Segurança Interna. O nome foi sugerido pelos ministros da Justiça, Alberto Martins, e da Administração Interna, Rui Pereira.

Fonte oficial do Conselho Superior da Magistratura (CSM) confirmou ao DN que foi recebido um pedido de autorização para que Antero Luís possa renovar a sua comissão de serviço e continuar a exercer um cargo fora dos tribunais. O chefe das "secretas" deve assumir funções no final do mês de Fevereiro. O seu número dois, também desembargador, Horácio Pinto, assumirá as suas funções na cabeça do SIS

O presidente do CSM, Noronha do Nascimento, já deu o seu aval à nomeação de Antero Luís, mas a autorização ainda terá de ser ratificada pelo plenário do CSM, que se reúne na próxima terça-feira, dia 1 de Fevereiro. Antero Luís vai precisar que os membros do CSM lhe autorizem uma renovação de comissão de serviço a título excepcional, pois o juiz desembargador já "esgotou" o máximo de dois mandatos (seis anos), no SIS, que é o limite definido pelo Estatuto dos Magistrados.


Este juiz Antero Luís teve entretanto azar. Mas nada que não ficasse resolvido a contento.



Em 2016, depois de ter sido resolvido o assunto a contento o que fez o dito juiz? Isto:

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) anunciou esta terça-feira que recebeu, na sexta-feira, uma queixa do juiz desembargador Antero Luís contra o juiz Carlos Alexandre do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) que irá analisar. "A queixa apresentada, com conteúdo sobre o qual o CSM não se pronuncia, seguirá os procedimentos usualmente adotados", adianta uma nota daquele órgão de gestão e disciplina dos juízes. Contactado pela Lusa, o juiz desembargador Antero Luís confirmou ter apresentado uma queixa contra Carlos Alexandre e "os magistrados do Ministério Público (MP) " que titularam o inquérito do processo dos ´'vistos gold'. O antigo diretor do Serviço de Informações de Segurança (SIS) não quis revelar os motivos invocados nas queixas dirigidas ao CSM e ao Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), mas indicou estarem relacionadas com a investigação dos "vistos gold". O magistrado também apresentou queixa contra a Procuradora do Ministério Público responsável pelo processo, Susana Figueiredo.


Portanto, neste panorama que sentido fazem as afirmações de ontem de Armando Vara? Cada um que tire as conclusões que se impõem. 

O jornal i de hoje diz na primeira página que tiveram o objectivo de impedir o juiz Carlos Alexandre de lidar com processos em que seja arguido. Se o mesmo fizesse queixa...

terça-feira, dezembro 11, 2018

O ambiente político-judiciário em 2009

Armando Vara, o condenado desesperado, na entrevista de ontem à TVI de Sérgio Figueiredo, confessado amigo de José Sócrates, disse que o juiz C. Alexandre lhe tinha pedido algo há cerca de nove ou dez anos e que tem pensado nisso, entretanto. Até vai escrever um livro sobre o assunto...

Pois bem, tal pedido terá ocorrido em  Novembro de 2009, durante o interrogatório a que foi sujeito por causa do processo Face Oculta [nunca poderia ter ocorrido uma vez que tal interrogatório foi realizado no tribunal de Aveiro pelo juiz de instrução local, António Gomes. A primeira vez que A. Vara foi interrogado por Carlos Alexandre foi em 9.2.2011, no âmbito da instrução do processo que ocorreu  no TCIC e a pedido do próprio Armando Vara. Logo há mais uma aldrabice de Vara, com as datas]
É preciso dizer que nessa altura de 2009 ainda não se sabia o que acontecera nos primeiros meses de Verão, com as escutas entre Vara e Sócrates que foram mandadas destruir pelo pSTJ. Só meses mais tarde se soube e portanto quem sabia e tinha o poder de divulgar, até durante o Verão e na campanha eleitoral desse ano ( cujas eleições em Setembro desse ano,  o PS de Sócrates ganhou com maioria relativa)  não o fez. Guardou segredo de justiça. Mas houve quem o violasse no dia 24 de Junho desse ano, informando Armando Vara e José Sócrates que andavam a ser escutados...

Foi neste ambiente político-judiciário que o juiz Carlos Alexandre pediu a Armando Vara para influenciar alguém de direito e ser nomeado director do SIS, como deixou entrever ontem, sem se demarcar da insinuação repetida pelo entrevistador? Enfim, quem se atrever a corroborar uma coisa destas ou é estúpido ou não tem memória.

No início desse ano, José Sócrates fora fustigado com o caso Freeport que o antigo PGR designava patuscamente como fripó.

Como se pode ler aqui num recorte da revista Sábado de 5 de Fevereiro desse ano, o ambiente no Ministério Público era tenso, por causa do PGR ( que defendia mais Sócrates do que os magistrados do caso) e havia suspeitas de o SIS ou entidades espúrias andar a vigiar magistrados, incluindo o juiz Carlos Alexandre.


Em 10 de Fevereiro o CM dava conta de uma proposta que não passou no CSMP, de desagravo aos magistrados do Fripó, por oposição de dois juristas. Uma a mulher de Rui Pereira, Fernanda Palma e outro o advogado João Correia, ambos com ligação ao PS profundo, da Maçonaria.


Em 25 de Junho de 2009 o defunto jornal 24H, do presunto jornalista Pedro Tadeu publicava esta magnífica primeira página, já desactualizada no dia anterior ( por causa da violação de segredo de justiça):



Em 24 de Setembro, o mesmo jornal defunto do mesmo presunto jornalista de fretes, andava assim, em campanha. Ninguém sabia nada do Face Oculta ou das escutas sobre a TVI, a não ser os próprios que sabiam da investigação a abortaram o negócio. Vara estava por dentro de tudo, naturalmente. A história já foi contada aqui:


Em 21 de Maio de 2009 a revista Sábado mostrava muito bem o que era este meio político-judiciário e quem eram alguns dos seus actores mais importantes, no seio da magistratura.



Provavelmente, alguns destes juízes são os amigos que Armando Vara ontem citou mas não nomeou. Há nomes que se repetem no "organigrama" e o de Mário Belo Morgado é um deles.

Apesar disto, em 27 de Dezembro de 2009 o juiz Carlos Alexandre teve oportunidade e liberdade de falar à revista Domingo do Correio da Manhã, assim e que na altura foi comentado aqui:


Hoje o mesmo juiz não tem a mesma liberdade de expressão. Porquê?
É fácil de entender: por tudo o que se passou a seguir a esse ano... e que agora culmina com a atoarda lançada por Armando Vara ontem na entrevista na TVI.

Neste panorama está-se mesmo a ver tal juiz, no interrogatório de Novembro de 2009 [ ou mesmo no de 9.2.2011]  a solicitar ao mesmo Armando Vara os bons ofícios maçónicos e não só, para integrar a fileira de colunáveis, alguns mencionados expressamente naquele "organigrama" acima publicado.

Não está?! Enfim.

Armando Vara e Abílio Curto: a mesma luta socialista

Em 7.2.2004, Abílio Curto, autarca do PS que cumpriu pena de prisão por corrupção, antes de ser preso, declarou ao Expresso:




Não disse mal dos juízes ou dos procuradores. Quem apareceu a defender a honra do convento?  Vital Moreira. Disse que era um disparate, isso do dinheiro ter ido para o partido.

Abílio Curto, além da pena que sofreu,  também tem uma coisa parecida com Armando Vara: disse que is escrever um livro. Até hoje...

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Armando Vara emporcalha o MºPº e o juiz Carlos Alexandre


Armando Vara foi à TVI de Sérgio Figueiredo prestar declarações sobre a sua condição de condenado prestes a entrar na prisão.

Foi uma catilinária contra os procuradores de Aveiro, do processo Face Oculta e contra o juiz Carlos Alexandre. Produziu afirmações difamatórias, injuriosas e sempre com a passividade do entrevistador e da companhia Miguel Sousa Tavares que não disseram nada de nada para moderar tais injúrias em directo.

Um crime de abuso de liberdade de imprensa em directo.

"Foi um brutal erro judicial. Os senhores juízes deixaram-se influenciar por uma poderosa máquina de propaganda do MºPº e por toda a pressão que alguns órgãos de comunicação social foram fazendo".

"Fui condenado sem provas, por três crimes de tráfico de influência que são uma aberração e provas zero. Não há uma única prova que comprove que recebi 25 mil euros e que recebi um conjunto de prendas pelo Natal".

"O juiz Carlos Alexandre  uma peça essencial também no processo Face Oculta, foi ele que fez a instrução no processo e essa instrução no processo foi uma coisa sem classificação, uma aberração completa".

"O mesmo juiz tem vícios de que não abdica e o que fez no processo Marquês já o tinha feito no processo Face Oculta".

"O MºPº tem uma agenda política que no limite pode pôr em causa a democracia. Exercem o poder pela negativa, condicionam quem pode ir para o poder. Basta insinuar que há qualquer coisa, uma suspeita leve, sobre um deputado, alguém, uma investigação sobre qualquer pessoa que esteja para ir para um cargo para ele já não poder ser. "

Diz que há um parecer do actual presidente do Tribunal Constitucional, ou seja, de Costa Andrade e que segundo o entrevistado,  tal parecer dirá que mesmo que tudo o que vem no processo seja verdade não foi cometido nenhum crime! Huumm...se calhar pagou mais pelo parecer do que os 25 km que lhe causaram tantos dissabores.

"O sistema judicial foi pressionado por um grupo que tomou o poder no MºPº com uma agenda política clara, é para mim evidente."

"Desde o princípio, do ponto de vista do MºPº uma perseguição, a que se juntou o juiz Carlos Alexandre"

Essa perseguição manteve-se no processo Marquês. E a forma como o juiz Carlos Alexandre chamou a si os  dois processos do Marquês e  dos Vistos Gold, tem a ver com essa lógica de vingança. E eu pergunto a mim mesmo, muitas vezes, como é que teria sido a minha vida nestes últimos nove, dez anos, se eu tenho aceitado ajudar o juiz Carlos  Alexandre como me foi solicitado."

A pergunta imediata do jornalista sobre o que lhe foi solicitado, Vara disse: "não é o tempo ". O que é que o juiz Carlos Alexandre lhe solicitou?  Que pedido é que fez?   "Para onde vou , vou ter tempo de escrever, vou ter tempo de reflectir e vocês terão tempo de investigar. Estou a dizer que lhe foi solicitado e não foi só a mim que me foi solicitado, foi a outros. Estou a falar-lhe dos processos Vistos Gold e do Marquês que têm do meu ponto de vista a ver com isso e não deixa de ser curioso".
ao tempo de investigar".

Mas qual era o interesse do juiz Carlos Alexandre? Pergunta o entrevistador. E Vara lembra um programa entre Judite de Sousa e o então comentador Marcelo Rebelo de Sousa. E aquela terá perguntado ao comentador: "ó professor Marcelo, não acha estranho o que agora andam aí a dizer que o Governo se prepara para nomear o juiz Carlos Alexandre para director do SIS? Não há muito tempo..."

O juiz Carlos Alexandre pediu-lhe para ser director do SIS? A si ou a Miguel Macedo? "Não falo mais sobre isso", diz Vara. A seu tempo direi o que tenho a dizer mais."

E o entrevistador insiste se pode concluir que o juiz Carlos Alexandre tinha a ambição de ser director do SIS. "Isso parece-me óbvio. Você até pode procurar a sua colega, porque é que fez aquela pergunta. Eu não digo mais nada agora. Acho que já disse o suficiente."

Durante toda a entrevista o único magistrado citado foi o juiz Carlos Alexandre. Nem se lembra dos outros, nem o nome sabe.
Os do Face Oculta, refere-os como "sendo um, irmão da PGR e de família que não vou dizer o nome mas toda a gente conhece, uma espécie de  "príncipes" da magistratura portuguesa, dos procuradores e outro procurador que desde esse processo nunca mais fez nada a não ser fazer lobby, junto da comunicação social, junto dos juízes da primeira instância, junto dos juízes da Relação e que faz conferências nas universidades,  projectando no painel uma frase "processo tal, processo tal, um desafio...". Que procurador é esse? Pergunta o entrevistador. "Não sei e também não sei qual é o nome do juiz...eu olho para isto...sei porque ele pôs no facebook e alguém me mandou isso".

"O juiz Carlos Alexandre não é e nunca foi imparcial". 

Armando Vara passou a entrevista a dizer mal dos procuradores e do juiz Carlos Alexandre, com uma particularidade relativamente a este: insinuou que lhe pediu alguma coisa que não esclareceu porque iria escrever um livro sobre esse e outros assuntos. Com toda a probabilidade, o pedido é o usual em quem investiga factos criminosos: colabore, diga a verdade...

Em vez de esclarecer tal coisa, logo a seguir contou que na tv alguém mencionou que o juiz em causa queria ser director do SIS, deixando no ar a ligação do pedido à "ambição óbvia".

Uma difamação grave, claro. Que vai fazer o CSM ou a ASJP relativamente a este chorrilho que emporcalha a magistratura toda e não apenas um juiz? E o SMMP?

Nada, aposto.

A TESSITURA DE UMA INTRIGA:

O desesperado Armando Vara, também bode expiatório da pouca vergonha socialista do tempo de Sócrates ( também considero a pena de prisão de cinco anos exagerada para o crime em questão, mas não a extrema ilicitude que comporta e principalmente a ausência de qualquer arrependimento ou propósito de emenda que estão na base das suspensões de penas de prisão e daí compreender a tal pena) afirmou ontem que o juiz Carlos Alexandre lhe pediu algo que não explicitou e depois deixou no ar a impressão de ter sido o cargo de director do SIS.

Vejamos se isto tem algum ponto de sustentação mínimo.

Em primeiro lugar Armando Vara acaba por se atribuir a si mesmo um poder que sempre negou durante a entrevista: o de poder influenciar os poderes de facto com determinado objectivo. Se podia influenciar a designação de um director do SIS, tinha poder para muito mais. Até para ser nomeado presidente da CGD...ou passar por cima desta gente toda.

Assim, Armando Vara foi interrogado pelo juiz Carlos Alexandre no âmbito do processo Face Oculta em 27 ou 28 de Novembro de 2009.

Quem é que estava no SIS, como director, nessa altura? O juiz Antero Luís, um bom amigo dos socialistas que foi escolhido para o cargo por Júlio Pereira, um magistrado do MºPº, bom amigo da maçonaria solidária. Antero Luís era também da Maçonaria? É de admirar? Na altura da nomeação, em Outubro de 2005 a directora Margarida Blasco ( que o espião Silva Carvalho, outro maçónico de loja concorrente disse ser uma incompetente total) foi substituída pelo então desembargador no Porto, em comissão de serviço no CSM como porta-voz.

Portanto tem alguma lógica que em 2009, na altura do interrogatório judicial no processo Face Oculta, o juiz C. Alexandre tenha pedido para ser director do SIS a esta personagem da ralé polítiqueira e um corrupto condenado com trânsito em julgado? E ainda por cima para substituir um maçónico capaz de satisfazer plenamente a tutela? E para fazer um papel duvidoso e infame, como chegou a ser noticiado? Só mesmo um palerma para se lembrar destas histórias mal contadas.

E como o indivíduo disse que tal tinha acontecido há nove, dez anos, nem sequer se pondera a outra ocasião em que tal poderia ter acontecido, ou seja em 2015.

Armando Vara  foi ouvido novamente em 10.7.2015 no âmbito do processo Marquês, pela sua actuação enquanto responsável pela CGD, cujos empréstimos com garantias duvidosas tiveram o seu aval e deram grandes buracos de "imparidades", ainda por contabilizar integralmente. São milhões e milhões que este corrupto autorizou e nunca foram pagos.

Em 2011 o referido Antero Luís foi promovido a director do SIRP e no seu lugar como director do SIS avançou o então vice, o juiz da Relação do Porto Horácio Pinto, amigo daquele Antero Luís e confessadamente escolhido para dirigir a instituição por isso e não só.

Quem os nomeou em Fevereiro de 2011?

Os últimos estertores do governo Sócrates. Rui Pereira, maçónico, na Administração Interna. Alberto Martins, maçónico, na Justiça. Como primeiro-ministro e já em andamento acelerado no processo de corrupção por conta do amigo Santos Silva temos o mesmo de sempre, José Sócrates.

Em Dezembro de 2014 foi nomeado outro director do SIS, Adélio Neiva da Cruz, para substituir  os juízes caídos em desgraça por causa dos "vistos gold". Tudo bons socialistas, com provas dadas na social-democracia.

Talvez por isto o desgraçado Vara traga à colação os "vistos gold" e a amizade com alguns juízes e procuradores que aliás não nomeou.

O juiz Carlos Alexandre alguma vez indiciou simpatias por este socialismo? De pertença maçónica? Estas garantias não eram ( são) essenciais para o cargo?

Alguém decente aceita entrar num lamaçal daqueles que aquelas figuras tristes deixaram?

Haja piedade de um condenado desesperado.

Aliás, sobre a credibilidade de Armando Vara e as suas qualidades de aldrabão é bem exemplar isto que o sítio Polígrafo investigou e concluiu que Armando Vara mentiu:

" Na TVI, Miguel Sousa Tavares entrevistou Armando Vara e confrontou-o com uma escuta telefónica em que procurou "convencer alguém da CGD a ficar" com um crédito ruinoso do BCP, relativo ao financiamento do Autódromo do Algarve. Vara disse que foi ao contrário, alguém o tentou convencer a ligar para a CGD. Qual é a versão correta?"

A de Miguel Sousa Tavares, concluiu o Polígrafo.

domingo, dezembro 09, 2018

O partido da zoofilia

CM de hoje:


A corrupção estilizada

CM de hoje:



O presidente do tribunal de Contas e do Conselho de prevenção da corrupção escreve no CM de hoje para dar conta de que a corrupção é um flagelo nacional. E "qualquer cidadão, no seu dia a dia pode envolver-se em situações ilícitas e que podem configurar fraude e corrupção".

É uma forma de estilizar o problema: todos somos corruptos. E por isso ninguém será punido por tal seria insuportável, punir todos por todos.

Por mim prefiro uma visão menos sublimada da questão. Pode ser assim, como o mesmo CM de hoje mostra:


Em todos estes casos há uma figura que conhece o que se passou. É a figura que os poderes que estão querem abater. É fácil de identificar.

sábado, dezembro 08, 2018

A Justiça a cheirar a esturro...

Sol de hoje:


Não percebeu mal, o editor do Sol. Percebeu apenas de menos. O inquérito ao juiz C. Alexandre foi instaurado instantaneamente por este ter violado um suposto dever de reserva. E foi ainda accionado o mecanismo seguinte, de processo disciplinar, por ter violado mais dois deveres de funcionário público: o de prossecução do interesse público e o de correcção. Por ter deixado entender que queria o processo em causa para si e por ter falado num colega...
Quanto ao interesse público basta ver quem põe mais em causa tal valor. Se o juiz da esquerda, se o da direita. E quanto à correcção em não falar de colegas, o vice-presidente do CSM falou nos dois que são colegas. E até o fez a "título pessoal"...


A santinha do Ministério Público

Li isto ( do Expresso de hoje) duas vezes para tentar perceber:



Em primeiro lugar o juiz Moro era um herói. Quando era juiz e um verdadeiro independente "implicando a proibição de participarem em governos, em cargos políticos, e olha, também em cargos de futebol".

Um juiz admirável, assim bacteriologicamente puro e a viver num olimpo desgarrado da sociedade. Um magistrado assim não teria cônjuge ligado a poderes espúrios, não atenderia telefonemas em horas de aperto, para se dar uma "palavrinha", nem cultivaria amizades com réus de corrupção desmoralizada ou comprometidos em porcarias de pedofilia. É assim mesmo, infelizmente. Enfim, um juiz com a pureza de um cátaro. E o juiz Moro, nessa fantasia era assim. Mas...na semana passada desmoronou-se o edifício fantástico. Moro, em Madrid disse que foi para o governo de Bolsonaro fazer o que como juiz não poderia fazer e que não vislumbrava traços de autoritarismo no "fascista" ( nem tenho qualquer dúvida que é assim que pensa esta santinha sobre a figura do presidente do Brasil).
Caiu por isso do pedestal e agora jaz nessa imagem aniquilada junto de outros mitos como o antigo juiz italiano Antonio di Pietro, coitado, que caiu na mesma tentação: "como se fosse possível ser livre, ser independente, conseguir resultados no combate à corrupção passando para a função política, como se fosse possível defender um poder judicial forte com um juiz como tu. nesse lugar".

A esta santinha ( quem acredita assim em ingenuidades deste calibre, não tem pecados)  só tenho que pedir uma coisa:

Que faça um exame de consciência e explique uma vez por todas por que razão o antigo PGR Pinto Monteiro não foi ouvido no inquérito que esteve no DIAP que então dirigia, sobre a violação de segredo de justiça que ocorreu no dia 24 ou 25 de Junho de 2009, no processo Face Oculta.

Depois disso, estou disposto a conceder algum crédito ao que escreve.


sexta-feira, dezembro 07, 2018

Deferimentos, calinadas e video

Segundo o programa da RTP, Sexta às 9, da jornalista Felgueirinhas, a transmissão do interrogatório de Bruno de Carvalho, efectuado no inquérito sobre o "terrorismo de Alcochete" traduzido nos cachaços aos jogadores e treinador do Sporting, foi autorizado expressamente pela titular do processo, procuradora Cândida Vilar.

A Felgueirinhas mostrou que requereu cópia da acusação entretanto deduzida e depois  a cópia do dito interrogatório.

Como se vê no tal requerimento,  a tal pedido a procuradora escreveu no rosto do mesmo, enviado por correio electrónico: "defiro ao requerido", com data de 22.11.2018.  A RTP passou o ficheiro audio, "deferido ao requerido".

Logo a seguir a PGR mandou instaurar inquérito para averiguar a ilegalidade da transmissão de tal interrogatório, na televisão e anunciou em comunicado que não dera autorização para tal, embora o requerimento respectivo tivesse sido deferido.

Como foi mostrado no programa de hoje, na RTP, o tal requerimento é explícito: facultar à RTP cópia dos interrogatórios. A qual foi deferida, mesmo que através de despacho "deferido ao requerido", uma triste calinada que mostra bem o nível cultural que tal denota.

Ao autorizar a entrega de cópia de interrogatórios dos arguidos, a titular do inquérito divulgou ipso facto o conteúdo dos mesmos, publicitando-os. O que a RTP fez depois com os mesmos é relativamente irrelevante e a possível divulgação pública podia e devia ser previsível.

Aquela magistrada poderia fazê-lo? Se os autos estavam em segredo de justiça, não. Se não estavam , também é discutível e não o deveria ter autorizado.  Deveria ter escrito "indefiro ao requerido"...porque a calinada parece ser  estrutural.

O que não parece ser correcto é o comunicado da PGR...

Proença Fizz

Observador:

Fizz. Magistrado condenado a pena de cadeia por ter sido subornado por Manuel Vicente.

Duas coisas estranhas nesta condenação. A primeira é a não extracção de certidão contra o advogado Proença de Carvalho, em tempo oportuno e logo que se reconheceu a discrepância entre depoimentos. 

A segunda é que de acordo com o relato que os media efectuaram ao longo dos meses, a propósito deste caso e do respectivo julgamento, fiquei com a impressão que a prova dos factos não se fez de acordo com as exigências do processo penal.  Nem o Ministério Público em alegações finais foi além de um pedido de pena...suspensa.
Não se pode condenar ninguém apenas por convicção, precisamente porque pode estar errada e o tribunal da Relação talvez tenha uma palavra dizer. Acreditar piamente em Proença de Carvalho é um acto de fé muito elevado. Muito mesmo. E por isso de desconfiar porque só mesmo os muito crentes são capazes de tamanha fé.

Última coisa: li que o magistrado Orlando Figueira vai apresentar queixa por "denegação de justiça". Faz mal. Os juízes são irresponsáveis. A não ser que saiba mais sobre o assunto e entenda que foram corruptos...

O Ministério Público na mão dos políticos

Artigo de Eduardo Dâmaso no CM de hoje:



O SMMP já tinha avisado:  a entrada de políticos em maioria no CSMP vai politizar a entidade que gere e disciplina os magistrados, actualmente em maioria nesse conselho. 

O apparatchick do PS para estas matérias, o advogado Manuel Magalhães e Silva, engomado personagem que defende sempre arguidos excelentíssimos acha que a discussão sobre o assunto não deve ser tabu. Acha que a mudança pode ter efeitos positivos e diminuição da carga corporativa do CSMP. 

Poder, pode, mas o perigo, como diz o SMMP é o controlo indirecto de certos magistrados menos afectos a um centrão político que poderão ser controlados através de inspecções a preceito. Ou inquéritos disciplinares, como está a acontecer ao juiz Carlos Alexandre. 

Esse é que é o efeito pernicioso, o gato escondido com o rabo de fora que o advogado Magalhães e Silva conhece de ginjeira. 

Relativamente ao corporativismo temos visto nos últimos tempos que os magistrados do MºPº no Conselho são por vezes mais papistas que o papa, aplaudem inspecções iníquas e inquéritos disciplinares a colegas incompreensíveis e sem granes critérios de adequação ou proporcionalidade. Temem exactamente que os acusem de corporativismo. 

Não obstante esse perigo que é o actual e corrente, a verdade é que será preferível correr esse risco do que esperar que os políticos como Magalhães e Silva ou Castanheira Neves saibam ser isentos no modo como apreciam o comportamente profissional ( e por vezes pessoal) dos magistrados do MºPª. 

Pura e simplesmente, tal esperança é vã. Eles, enquanto conselheiros fazem o que querem: vão às tv´s comentar processos concretos em que são advogados de arguidos; dizem o que lhes apetece, por vezes criticando expressamente magistrados que podem vir a ser avaliados por eles mesmos e nada de nada lhes acontece. Nem sequer se colocam tais assuntos fora da ordem do dia nas reuniões do CSMP, a verdadeira entidade com poder no MºPª.

Sendo assim é esperar para ver. Sentado. 


quinta-feira, dezembro 06, 2018

Montepio: o sistema de contactos em que o dinheiro alheio é rei

Observador, José Manuel Fernandes: 

"A lista é um "quem é quem" do país que somos, e estão todos com alguém nada recomendável: Tomás Correia, o eterno homem do Montepio. Porquê? Porque Portugal continua doente. E o polvo vivinho da costa

A lista é longa, não desistam à primeira: Adriano Moreira; Manuela Ramalho Eanes, Maria do Céu Guerra, José Eduardo Martins; Jorge Coelho; Rui Azinhais Nabeiro; Camané; Carlos Lopes; Francisco Moita Flores; Filipe La Féria; João Soares; Mariza; Vasco Lourenço; Jorge Palma; Dulce Rocha; Fábia Rebordão; António Manuel Ribeiro; Cuca Roseta; Carlos Zorrinho; Diogo Lacerda Machado; Jessica Augusto; Fernando Seara; Edmundo Martinho; Manuela Silva; Maria de Belém Roseira; José de Matos Correia; João Pedro Pais; Maria de Dores Meira; Sousa Cintra; Luís Patrão.

A lista é longa, mas não exaustiva. Todos os nomes que alinhei nestas linhas constam de alguma forma da candidatura de Tomás Correia a um novo mandato como presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). Como figuras secundárias nos órgãos sociais, como membros da comissão de honra, como rostos do site que promove a candidatura, como gente que fez questão de aparecer em eventos de celebração das virtudes do candidato. E a eleição é esta sexta-feira. 7 de Dezembro.

Diríamos que tal mistura é uma salada russa a que nenhuma maionese daria um mínimo de consistência – ou, para ser mais preciso, um elementar toque de coerência. Porventura só encontraremos algo semelhante numa “união nacional” daquelas que se junta sempre que se celebra um herói desportivo ou um prémio literário. Mas não. Toda esta infindável galeria de notáveis alinhou-se para apoiar alguém que, perdoem-me a franqueza, devia ser tido por infrequentável. Para dizer o mínimo.

Sim, é mesmo de Tomás Correia que estou a falar. Sim é mesmo ele que estou a ter por infrequentável e que há muito me interrogo sobre como pode continuar a estar onde está, isto é, a ser dirigir a AMMG. Até porque é tudo menos alguém recomendável para continuar à frente de uma associação que tem quase 4.000 milhões de euros de activos, para mais uma corporação a que centenas de milhares de portugueses confiaram as suas poupanças (80% das quais estão garantidas por dívida e pelo banco que usa o mesmo nome da associação). Não é coisa pequena, nem responsabilidade menor, sobretudo se pensarmos que todos os anos essa mesma associação ainda recebe, como recebeu em 2017, 711 milhões de euros de quotizações dos seus associados.

Há 12 anos que Tomás Correia está à frente da AMMG e foram 12 anos que se traduziram num imenso rol se suspeitas, investigações, mesmo acusações formais e processos nos tribunais. São sobretudo 12 anos de muito más práticas – do tipo de más práticas que foram a ruína da banca portuguesa. Mais, e pior: se havia um polvo que tudo condicionava no nosso sistema financeiro – e político –, Tomás Correia era parte dele. Tão parte dele que está hoje implicado em vários dos processos judiciais em que se procura deslindar as teias que atavam o país ainda não há muitos anos, a tal teia que unia o “dono disto tudo” ao “amigo a quem tudo emprestam”.

Duvidam? Bem, tomem de novo fôlego, pois os casos que envolvem Tomás Correia são numerosos, pelo que recorro à ajuda do levantamento realizado por Paulo Ferreira e também aos trabalhos de investigação de Cristina Ferreira:
é acusado em vários processos do Banco de Portugal por suspeita de práticas bancárias à margem das regras, nomeadamente falta de vigilância a contas de clientes VIP;
é considerado não idóneo por entidades financeiras internacionais, sendo que o Banca IMI de Londre recusou mesmo abrir uma conta à AMMG;
é arguido num processo que resultou da Operação Marquês, suspeito de ter recebido 1,5 milhões de José Guilherme, o construtor que entregou 14 milhões a Ricardo Salgado, uma “doação” que este celebramente classificou como uma “liberalidade”;
sob a sua direcção o Montepio financiou só em 2009 em 8,5 milhões esse mesmo José Guilherme, exactamente os mesmos 8,5 milhões que nesse ano o construtor entregou a Ricardo Salgado. Ao todo, de 2009 a 2014, o seu Montepio concedeu 28,4 milhões de euros em empréstimos pessoais a José Guilherme, os quais estão quase na totalidade por liquidar.
para o aumento de capital do Montepio de 2013 este recorreu a 30 milhões de euros que eram do próprio grupo, através do Finibanco Angola, uma sua filial, numa operação que está a ser investigada pelo Ministério Público e Banco de Portugal;
há fortes suspeitas de irregularidades em eleições anteriores que elegeram sucessivamente Tomás Correia e uma investigação da TVI refere que um esquema que passa por controlar, nos balcões do Montepio, funcionários que consigam garantir o voto na sua lista nas eleições de 7 de Dezembro.

Esta é uma verdadeira história de terror que deveria levar os amigos de Tomás Correia a recomendar-lhe que se retirasse e, se nada tem a recear do que possa resultar de todas estas investigações, que ficasse a aguardar em sossego que estas terminem. Não o fazendo, deviam dizer-lhe os seus amigos sinceros, então só está a prejudicar a instituição que lidera.

E não nos esqueçamos que já a prejudicou muito, pois foi durante os seus anos como presidente Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) – ou seja, da instituição financeira, não apenas da associação mutualista – que esta se meteu em aventuras que puseram em causa a sua sustentabilidade ao ponto de se ter longamente equacionado a necessidade de a Santa Casa da Misericórdia ir em seu socorro, uma solução que, felizmente, só simbolicamente ocorreu.

Foi ele, entre outros enormes desvarios e megalomanias (e estou a ser piedoso), o responsável pela duvidosíssima OPA sobre o Finibanco, comprado por 340 milhões quando antes tinha sido avaliado por apenas 240 milhões e que logo registaria prejuízos de mais de mil milhões. Foi ele que o Banco de Portugal obrigou a sair da gestão da Caixa Económica por falta de idoneidade. É ele que, provavelmente, também nem sequer terá condições de idoneidade para exercer a presidência de uma associação que agora passa a estar sob a supervisão da Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões, que se espera seja menos passiva que o totalmente inoperante Ministério da Solidariedade Social, que não tinha a tutela financeira.

Sendo que Tomás Correia pode cair por um caso que nem é nenhum dos referidos acima, antes um ainda mais antigo, vindo de 2006, o Invesfundo II, um caso da altura em que só era administrador do Montepio mas que, coincidência das coincidências, volta a envolver o grupo Espírito Santo e o empresário da Amadora José Guilherme. E, claro, empréstimos que ficaram por pagar, uma conta na Suíça e uma offshore no Panamá criada por Ricardo Salgado. Sempre os mesmos, não é?

Tudo, mas mesmo tudo o que referi nos parágrafos anteriores veio nos jornais uma e outra vez. Não é segredo de Estado. Nem segredo de Justiça. Muito menos segredo dos Deuses. Até porque também passou nas televisões. O que significa que todos vimos, ouvimos e lemos. Mas muitos, demasiados, preferiram ignorar. Todos os que citei e muitos que não citei mas que também podemos encontrar no site na candidatura.

Porquê?

Porque isto é Portugal e porque em Portugal não aprendemos nada, nunca aprendemos nada.

Não vou apontar o dedo a ninguém — até porque tenho respeito e mesmo consideração pessoal por muitas das figuras que referi no primeiro parágrafo deste texto –, mas sei como tudo isto funciona.

Anos a fio o Montepio foi mecenas de artistas e de obras sociais. Perdão: a palavra mecenas está a mais. A formulação certa é: “anos a fio o Montepio financiou artistas e obras sociais e o seu presidente transformou isso num património pessoal”. Assim criou uma rede de dependências a quem agora pediu apoio. Favor com favor se paga. Num país pequeno e pobre onde não se sabe dizer que não, caíram lá os que caíram. Num país onde não há uma cultura das instituições, antes uma dependência das pessoas e do alcance dos seus “empenhos”, o “mecenato” do Montepio transformou-se na folha de excel de Tomás Correia com dívidas de gratidão a cobrar em lugares na comissão de honra. Repito: favor com favor se paga.

É triste? Sim, é triste, mas é assim.

É sobretudo assim se pensarmos que muitos portugueses continuam a pensar que a crise foi mesmo uma maldade da troika ou uma teimosia ideológica de Passos Coelho. Que continuam sem perceber o concubinato que existiu entre alguns banqueiros, alguns governantes e alguns promotores para manterem um crescimento artificial que criou as imparidades que ainda pesam sobre o sistema financeiro.

É por isso que tenho vindo a perder as ilusões: se Tomás Correia ainda está onde está e consegue mobilizar quem consegue mobilizar, isso é sinal de que Portugal continua doente. E o polvo vivinho da costa."

Miguel Sousa Tavares desmascarado

Em quase todos os escritos de Miguel Sousa Tavares sobre questões de justiça, bem como nas suas intervenções televisivas como komentador encartado há longos anos na ignorância atrevida, há uma preocupação permanente com o segredo de justiça.
Não o segredo de justiça que prejudica investigações porque nunca se pronunciou sobre a pior de todas as violações: a que ocorreu em Junho de 2009 quando José Sócrates foi ouvido a falar sobre a compra da TVI como o amigo Vara que agora vai passar uns anos à sombra da bananeira da Carregueira ou sítio parecido.  MST tem uma preocupação permanente com a violação do segredo de justiça que descobre o que no seu entender deveria ficar escondido.

Um artigo de 2015, publicado no Expresso de 13 .6.2015 e aqui comentado é exemplar dessa preocupação e ao mesmo tempo da defesa da inocência presumida do então preso 44.

Percebe-se agora a razão de tal comportamento, com  isto que vem na revista Sábado de hoje.



Não precisa de dizer mais nada nem escrever mais nada sobre o assunto. Sabemos por que o faz: hipocrisia e cumplicidade.

quarta-feira, dezembro 05, 2018

O huangdi e o afectuoso serventuário

Público de hoje ( imagem de Nuno Ferreira Santos): de um lado um huangdi moderno; do outro, um serventuário afectuoso.

 O afectuoso a quem o primeiro olha com condescendência de senhor, lembrou-se de recordar àquele a História de há 500 anos, ou quase porque ainda faltam umas décadas. Os portugueses só chegaram às terras dos antepassados do primeiro, já  passavam mais de três décadas sobre o ano 1500, como mostra esta imagem do livro Os descobrimentos portugueses, editado pelas Selecções do Reader´s Digest, em 1985.



A chegada do huangdi foi notada pela extravagância do poder imperial. Há 500 anos éramos nós que tínhamos pólvora, chumbo e bala e queríamos guerrear, para citar Milton Nascimento. Chegamos a Macau em 1557 e ficamos lá centenas de anos. Os últimos foi a "sacar" o mais que pudemos, com uma seita que incluía alguns que agora governam. O huangdi éramos nós, então. Agora é aquela figura que se apresenta assim:


Nessa época eram eles que nos chamavam "amigos" porque não tinham outro remédio.

Agora amigos do huangdi é que não faltam em Portugal. Estes, pelo menos, são serventuários e bem serventuários. Fazem o que o huangdi manda, depressa e sem refilar. Senão...lá se vai a vidinha boa. Falta aqui o maior serventuário: o primeiro-ministro actual, António Costa, aliás formado naquelas bandas de Macau. Envergonha-nos, como povo, esta merda.

Por mim acho uma tristeza e é nestas alturas que me lembro mais de Salazar. Nunca faria estas figuras. Nunca. Nem Marcelo Caetano, aliás.

De resto a História destes huangdi deveria ser contada melhor, para se saber que este último é descendente bastardo de um ta Mao ou de um Chuenlai qualquer e que são duas faces de uma mesma moeda, com algumas décadas.

De há dois  mil anos para cá a História conta-se assim (  Atlas des Impires, Le Monde hors-série 2016)



Neste fita do tempo dá para perceber melhor que não deveríamos tornar-nos serventuários desses povos que agira têm esse huangdi: estivemos lá muito mais tempo do que eles jamais estiveram aqui. A imagem é do Le Monde- Les Empires, de Dezembro de 2015:



Não lhes devemos nada, a não ser, agora, telemóveis e lojas de fancaria. O meu telemóvel é um Huawei. Não precisava de ser, claro. Mas tinha um preço imbatível para a qualidade. Com um desconto de dumping, com certeza. Também tenho um FiiO X5II, mas já tenho outro bem melhor: um Onkyo dap DS-1. Japonês, como deve ser. Não preciso de chineses para este tipo de coisas.

Escusávamos de nos rebaixar tanto e vender-lhes a EDP mais uma série de utilidades. Mas o culpado disso não é o huangdi.
 É um tal José Sócrates...que se vivesse lá na terra dele já não tinha cabeça. Isso é que é certo.


Entretanto, circula pela internet um video do Daily Mail ( o CM do Reino Unido) que não foi divulgado por cá, uma vez que as notícias de homens a morder um cão só aconteciam quando Cavaco Silva era presidente e comia bolo-rei de boca aberta:



Como introdução a estas matérias pode ler-se um livro publicado há pouco tempo entre nós- Os Conquistadores , de Roger Crowley, edição da Editorial Presença, 2016, que mostra o que a China da dinastia Ming fez algumas décadas antes de  nós chegarmos até eles: fecharam-se na grande muralha da China e deixaram de navegar pelos mares em juncos gigantes que abarcariam dez das nossas caravelas.

Isso quando nós éramos um povo com um milhão de habitantes e cujo espírito aventureiro nos levou aos confins do Oriente, pelos mares, numa rota nunca dantes navegada e em esforço maior do que permitia a força humana, como escreveu Camões.

Os chineses não precisam de saber isto. Precisavam apenas de saber que não estávamos acostumados a aceitar obediências a potências estrangeiras. Agora, com esta gente e este povo abúlico, estamos. Foi o mesmo que algumas décadas depois disso, em 1580 entregou Portugal aos espanhóis. Até que em 1640 apareceu alguém que terminou a poltranice.

No século XX apareceu Salazar com o mesmo espírito, continuado por Marcello Caetano. Em 1974 apareceram outra vez os poltrões de sempre. O nosso presidente da República é um deles.


segunda-feira, dezembro 03, 2018

O artolas Joe Berardo: fuck him!

CM de hoje:


Há um pouco mais de dez anos este artolas distribuía "fuck you" por tudo quanto era sítio nas tv´s que o convidavam assiduamente para o ouvir debitar asneiras sintácticas. Quando José Sócrates chegou ao poder político em 2005, um grupo de salteadores do PS e figuras adjacentes, terá gizado um plano para destituir a direcção do então maior banco nacional, o bcp, correndo com o seu presidente, Jardim Gonçalves.
Conseguiram o desiderato a custo de golpes no baú da CGD onde reinavam os PS´s Santos Ferreira e Armando Vara, prestes a ser engavetado para expiar outros crimes. O antigo administrador do bcp, Filipe Pinhal escreveu na edição do Sol desta semana que o ex-preso 44 queria assumir a presidência do banco, logo que fosse possível...
José Sócrates banqueiro, imagine-se! E aposto que com apoios de tomo dos santos ferreiras aos freitas dos amarais.
Para montarem o golpe contaram com a ajuda preciosa do artolas que agora deve as penas aos pássaros, através de uma Fundação que nem devia existir ( o dinheiro de onde veio, afinal?).

Já deveu mais de mil milhões de euros, quantia que na escala nacional é faraónica e poucos têm.

Chegou a vez de ser ele a provar do seu próprio veneno retórico: fuck him!

Quem manda em Portugal é a EDP...

Quem o diz é um jornalista sem papas na língua e em poucos minutos. Aqui, o link para o video:


domingo, dezembro 02, 2018

A inteligência artificial de Mário Belo Morgado

No Expresso de ontem, o vice-presidente do CSM que pretende, segundo alguns, tornar-se a breve trecho, presidente do STJ, articula uns parágrafos sobre uma questão magna que aflige os juízes: o domínio de facto de um qualquer Citius e da "gestão  processual e de apoio à decisão processual".
Para chegar ao fim  e dizer que tal domínio deve passar para o CSM, na "definição e governo dos sistemas de informação e gestão processual" deambula por caminhos cibernéticos em que até convoca a "inteligência artificial"!


Quando ouço falar assim de "inteligência artificial" puxo logo da minha pistola de alarme contra o pedantismo...e interrogo-me se este indivíduo sabe minimamente do que está a falar ou escrever ou se é apenas o nome que lhe soa bem e a modernismo, neste caso bacoco. Lembro-me logo também de uma intervenção televisiva do antigo pSTJ, Noronha Nascimento acerca do "imperativo categórico", expressão que me pareceu encerrar o mesmo conteúdo esotérico no contexto explicativo.

Quando alguém não percebe do que fala e quer armar aos cucos, como dantes se dizia, faz como estes e ocupa ninhos alheios.

Para além do simplista e redundante  desejo em dominar a plataforma Citius, subtraindo-a à competência técnica do Ministério da Justiça, com vista a assegurar a independência técnica do poder executivo, tenho dificuldade em entender toda a extensão argumentativa acerca dos motivos reais da reivindicação.  Este apontamento escrito também pouco ajuda, a não ser nesse estonteante apelo à ficção científica.  Até fico abananado!

A informação mais concreta sobre os problemas na "definição e governo dos sistemas de informação e gestão processual" surgiu no JN de Sexta-Feira, com a denúncia de um juiz de Coimbra de que "todos os dias há intrusões indevidas nos processos".
E se o Citius passar a ficar na alçada do CSM deixará de haver, automaticamente?

E tais intrusões referem-se a que processos? Os que já estão em fase de julgamento e portanto sob a alçada dos tribunais ou os que ainda se encontram na fase de inquérito e portanto sob a alçada do MºPº? É que o Citius é a mesma plataforma para ambos...

Por outro lado não ouvi qualquer referência a um juiz chamado António Gomes que está em Aveiro e ajudou muitíssimo no processo Face Oculta porque em parceria com um profissional da PSP inventou um sistema informático de registo e tratamento de dados no processo, após a fase de inquérito. A novidade saudada por muitos que conhecem tal invenção, aliás já aplicada em vários processos pelo país fora, consiste em permitir o acesso imediato durante as sessões de julgamento, mostrando num écran, aos documentos existentes no processo, como prova, incluindo particularmente a possibilidade de audição dos testemunhos gravados. Tudo isso imediata e publicamente, na sala e com poucos clics de permeio.

Alguém sabe o que é isto ou preferem alardear noções inconsequentes, despropositadas e pedantes acerca da "inteligência artificial"?

sábado, dezembro 01, 2018

José Sócrates e o homem do saco

Os jornais de hoje referem-se à nova moradia de José Sócrates como mais um episódio que tresanda a aldrabice continuada que envolve este antigo primeiro-ministro que o cronista do Sol, Filipe Pinhal garante ter arruinado dois terços do PSI-20 e ter o desejo, frustrado, de vir a ser presidente do BCP.  O assunto é novidade e mostra bem onde este país chegou.



Quando à casa, o Correio da Manhã pegou-lhe de caras e já anda a tourear há dois dias. Tudo indica que a faena vai continuar.



Este novo conto que ressuma a nova vigarice é desmontado humoristicamente assim, no mesmo CM de hoje:


O Sol pela escrita de Felícia Cabrita, sempre em toada de mistério policial de livrinho de cordel, adianta mais um pouco. O valor da casa foi considerado apenas um pouco acima do valor tributário e o negócio jurídico da dação em pagamento, com intermediação de um advogado de ambos os contraentes cheira a esturrro angolano.

De tal modo que o MºPº tem obrigação de instaurar mais um inquérito para averiguar o branqueamento de capitais, típico nestas situações e altamente suspeito no caso concreto.

Que negócio tinha o primo agora tornado novo parceiro pensador do antigo primeiro-ministro? Era real, sustentado por provas concretas e iniludíveis?


Expresso:


Já se sabia mas aqui fica escrito: o defensor, advogado, do primo de José Sócrates é o filho do professor Costa Andrade, presidente do Tribunal Constitucional.

Não havia necessidade, penso eu de que. Ou haveria? João Costa Andrade é especialista em Fiscal. O pai em Direito Penal. Como não fazer a ligação? 

Foi este mesmo professor Costa Andrade quem, em tempos enunciou o fenómeno do "sistema de contactos" como método moderno de averiguar o que dantes se dizia como "cherchez la femme".

Fico muito desiludido com isto.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso