Em 6 de Junho de 1969 a revista Flama, então dirigida por António dos Reis, Carlos Cascais, M. Beça Múrias, J. Silva Pinto ( estes últimos, segundo julgo, fundadores de O Jornal, meia dúzia de anos mais tarde) publicou um pequeno texto não assinado explicando o problema dos "refugiados árabes".
Curiosamente, a perspectiva analítica é de apoio directo à causa árabe, no caso dos palestinianos. O sionismo era denunciado abertamente como o responsável pela situação de guerra no Médio-Oriente.
De quem provinha esta ideologia? Certamente que não dos franceses cujos media ( LExpress e Le Nouvel Observateur) defendiam claramente a causa judaica, porque os seus proprietários e directores a eles estavam ligados.
Então como é que um redactor anónimo da Flama se informava com tamanha desenvoltura histórica?
Há uma explicação: provavelmente era essa a posição política da esquerda, particularmente do PCP na clandestinidade...
A capa da revista tinha outro destaque: o programa Zip Zip, com Solnado, Fialho e Carlos Cruz.
Este apresentou ontem a sua auto-biografia. Vou folhear e comentar. O problema com Carlos Cruz é sempre o mesmo: a credibilidade que merece. E sobre isso pode bem esforçar-se porque basta o depoimento de uns tantos para se desfazer em liquefacção. Apesar disso, Carlos Cruz é um dos indivíduos percursores do que sucedeu em 25 de Abril de 1974. A tal esquerda...