O comunista-historiador Manuel Loff anda a contar uma História alternativa no Público.
Nessa versão apócrifa da realidade circundante, o vilão da História é a Direita, seja isso o que for e Loff designa segundo a óptica da luta de classes, o método mais adequado para classificação. A Esquerda é tudo o resto que se define como "defensores dos trabalhadores". Ou seja, a velha e relha cartilha marxista, fossilizada e que permanece entre nós como museu vivo de uma das maiores tragédias do séc. XX.
Estes acólitos da revolução permanente enquanto não surja a oportunidade do golpe, escravizaram milhões de pessoas e falam de libertação dos povos. Reduziram outras tantas a uma miséria colectiva cujo último exemplo assentou arraiais na Venezuela e tentam fazer o mesmo por cá, enquanto vivem à custa de um Estado que os suporta como se fossem uma consciência colectiva de um povo condescendente.
Falam de democracia ocultando gulags, repressões sanguinárias, assassínios em massa pela fome e inacção, desprezo completo pelos direitos individuais, tudo em nome do colectivo socialista-comunista que erigem em modelo único de organização política e social.
Pois é este modelo de democrata que o Público acolhe para o mesmo expor as mesmas ideias que conduziram à desgraça colectiva de povos inteiros e que mesmo fossilizadas pelos ventos da História não desistem de propor como modelo único para a felicidade vindoura.
A vítima preferida actualmente para a exposição fóssil é Cavaco Silva e o "cavaquismo" na sua tentativa de desfazer o que o comunismo-socialismo tinha feito ao país, durante os dez anos que se seguiram a 25 de Abril de 1974.
A destruição da Economia, com duas bancarrotas, o empobrecimento real e o desfasamento perante a Europa mais evoluída, não foram motivos suficientes para se abandonarem essas ideias fósseis, antes pelo contrário.
Os loffs que pululam nessa Esquerda continuam a apostar nessa pileca como se fosse o puro-sangue que nos irá conduzir à vitória e por esse motivo todos os que não acreditam nas virtualidades do jerico são corridos a "fascismo" e outros epítetos que servem de vergasta à pileca.
O que me traz a este comentário é por isso mais do mesmo: a capacidade dos loffs em desvirtuar a História, mesmo dizendo-se historiadores.
No artigo há uma categorização do regime anterior ao 25 de Abril como perfeitamente odioso e sem qualquer remissão. Nisso não concedem um milímetro de antifassismo primário e Marcello Caetano é um fassista que colaborou com os grandes grupos económicos. Estes "grandes grupos económicos" são e foram sempre os inimigos desta classe comunista e que por antonomásia impingem a todo um povo, mesmo que se apoiem em menos de 10% dos votos democráticos.
A democracia destes loffs não aceita naturalmente os fassistas que se reúnem em grupo alargado a partir de certas franjas do PS. Tivessem o poder suficiente e tiravam-lhes o pio e em alguns casos literalmente, como aconteceu nas democracias populares mais conhecidas.
Como tal, nem mesmo as tentativas de abertura do regime anterior, iniciadas logo em 1968 quando Marcello Caetano chegou ao poder, lhes servem de lenitivo para apaziguar o antifassismo de que padecem.
Na perspectiva dos loffs, Sá Carneiro nunca foi democrata e Cavaco Silva também não.
É tempo de perguntar a estes loffs que raio de democracia defendem...se bem que a pergunta seja mera retórica e se dirija mais a quem lhes dá guarida. Anti-democratas deste género a defenderem a democracia é sinal de estupidez de quem os convoca para tal discurso.
E é preciso voltar a lembrar que a democracia de tipo ocidental que Álvaro Cunhal, um dos patronos ideológicos dos loffs, jurou nunca ser possível em Portugal, teve o seu embrião na antiga Assembleia Nacional fassista. Isso para mostrar a verdadeira História e para confundir os loffs que pululam por aí.
As imagens são da Flama de 4 de Dezembro de 1970. Nessa altura ainda havia gulags na União Soviética...pátria dos loffs de então.